sexta-feira, setembro 15, 2006

The Frankenstein Way(ne) ou O Apocalipse nato

A gloriosa "democratização" do Afeganistão descrita por quem lá está, de arma na mão e credo na boca:

É impressão minha, ou está a ficar parecido com um Vietnam montanhoso e frio?...

Isto lembra até um episódio decorrido não há muito tempo. Em 1998, falando ao Nouvel Observateur, Zbigniew Brzezinski, assessor do Presidente Americano, Jimmy Carter, gabava-se, muito ufano:

A que "Operação secreta" se referia ele?
Há dias atrás, num discurso à Comissão de negócios Estrangeiros do Parlamento Europeu, o presidente do Paquistão e grande aliado do Ocidente (entenda-se, Estados Unidos) na área, foi esclarecedor:

Portanto, e recapitulando, o monstro frankenstein que anda actualmente à solta no Afeganistão - e, segundo teses americanas, pelo mundo em geral -, a Besta negra que ameaça os sagrados fundamentos da Civilização Ocidental foi engendrada, nutrida e largada no mundo pelos próprios americanos e ocidentais (leia-se, neste caso, Ingleses), através do prestável Paquistão, que, muito gentilmente, disponibilizou as instalações e terrenos para o sinistro laboratório.
Quer dizer, mais que aos caprichos duma corja de doidos, isto avança aos solavancos alucinados e frívolos duma súcia de aprendizes de feiticeiro: ora criando monstruosidades cujo controlo invariavelmente lhes escapa, ora bufando, ó tio ó tio, atrás do rasto de destruição dos seus frankensteinezinhos desembestados. Agora estão na segunda fase. E não é nada divertida, a dita cuja. Porque divertida é a primeira, a de criar monstrinhos. Por isso mesmo, sempre que dão consigo na segunda, os nossos troca-tintas inveterados reconvertem rapidamente à primeira. Isto é, desatam a engendrar e adestrar um novo monstro para dar cabo do monstro antigo, doravante rebelde e endemoinhado. O problema é que cada novo frankenstein é pior que o anterior, mais instável, raivoso e destrambelhado, pelo que a resolução duma ameaça redunda logo noutro perigo ainda maior.
Compilemos os últimos episódios da extravagante saga: depois de subsidiarem a besta nazi contra o alastramento do monstro soviético, aliaram-se ao monstro soviético para darem cabo do besta nazi; a seguir, fabricaram o monstro do fundamentalismo islâmico para arruinarem o horror comunista; agora apostam na besta imperial de mão dada com a aberração sionista, qual Tirésias bêbado guiado por um fedelho autista, e confiam piamente numa tal aliança dinâmica para desactivar a monstruosidade islâmica.
Com tamanha - tão permanente, desarvorada e frenética - teratomaquia (combate de monstros), há uma pergunta que forçosamente se impõe: Mas afinal moramos onde - na Civilização Ocidental ou no "Apocalipse segundo S. João"?...

Noutras palavras: a aeronave Ocidental foi sequestrada por um piloto suicida? Vamos a reboque duma locomotiva que descarrilou?...

17 comentários:

haja pachorra disse...

Teriomaquia, pá, é teriomaquia.

zazie disse...

teros/teratos é monstro, logo, teratomaquia devia ser o mais correcto.

zazie disse...

mas estes textos são uma coisa impressionante.

timshel disse...

precisamente zazie

não deixo de me perguntar de que catacumba gloriosa saíu este monstro lança-chamas

não sabia que o meu país ainda produzia disto

(e no perfeito anonimato pois doutro modo o país triturava-o com as mandíbulas da congénita nacional-mediocridade)

dragão disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
dragão disse...

Teras/Teratos - monstro/monstros.
De memória, e mal para o que exactamente queria significar, eu fui, de memória, atrás do "Ther/Theras" - fera monstruosa; besta; besta feraPor conseguinte, o termo mais correcto será "teratomaquia".
"teriomaquia", em rigor, não está incorrecto, mas é, se assim podemos dizer, menos correcto.
Agradecido a ambos. E não me poupem!

haja pachorra disse...

Ai o Isidro, catano! Que porra é essa, estudástes grego por acaso? thêr, therós 'fera' (ther é feminino, não interessa, therós é o genitivo, não interessa); teros, ó zazie, não existe; teras, draco, também não; existe sim o neutro, que é o que convém à bicharada furiosa, thêríon, thêríou, logo junta-se o tema therio- ao segundo elemento do composto e não há maca, como se dizia em Angola, se submetermos a mistela às leis da acentuação latina, a coisa fica perfeita: TERIOMAQUIA! Como, por exemplo, teriomorfismo, os deuses gregos eram... pois... teriomórficos.

dragão disse...

Sem por em causa a sumidade,ó Haja Pachorra, vou ser comezinho (até porque já disse que "teriomaquia" não estaria em rigor incorrecto). Dicionário de Português - Porto Editora:
Teratogenia - produção de monstruosidades;
teratologia - ciência biológica que estuda as monstruosidades
etc. Portanto, é só alterar o sufixo, não?
E estudar nunca foi comigo. Sou burro que nem um cepo.
Quanto aos "teriomórficos", não seriam os deuses egípcios?... Ou os singapúricos, que sei eu!... :O)
Não estarás a confundir os "mambos" aí, ó camba? Ou estás a desconseguir de entender isto?...

dragão disse...

Mas tens razão no "theras", ó avilo. Lapso de impressão. Agora, estás a teimar no caminho errado, que é o da besta fera.
Téras/teratos (com tau e não com theta) existe e significa "monstro", entre outras coisas. Ora, é o mosntro que se pretende.

zazie disse...

Ó Haja Pachorra, por acaso estudei 2 anos de grego há séculos e ainda tenho dicionário.


Terás, teratos= sinal do céu ou prodígio, ou monstro. A própria palavra monstro aparece sempre (em grego e em latim, associada a presságio ou a mostrar- é um excesso de visão.
Por isso mesmo, o estudo dos monstros sempre se chamou teratologia. Pela mesma ordem de ideias, faz todo o sentido dizer-se teratomaquia.
Tanto faz escreverem com t ou th porque em grego é com Tau, como disse o Dragão.

zazie disse...

Por isso meu caro hapachorra, quem se enganou foi v.

A palavra não vem de fera (thêr/thêros- no mausculino) mas de presságio.

Já agora, costuma usar-se o genitivo para as derivações. No sentido de "acerca de".

haja pachorra disse...

Nem tudo está perdido, quanto não vale terem declinado ta tôn hellenôn! Estes xifópagos não alanzoam em vão. A nossa zazie não se enleia com térata, só com theres machos . Já o merencório dragão varre a mesnada, teratológica ou teriomórfica, sem pestanejar, ó portento de olhos garços! Parabéns abencerragens taumafóricas. Amen!

MP-S disse...

E' desesperante, nao e'? Isto e' tao repetitivo que so' pode ser algo de constitutivo. Para aprofundar estes fenomenos, novos escritores sao precisos. Nao vamos la' por menos... so' pela literatura.

zazie disse...

eheheh

monstrinhos é comigo. E se fossemos para a variante latina ainda encontrávamos paralelos mais engraçados.

Os monstros não eram necessariamente feras mas avisos e premonições. Eram seres que nasciam fora da norma, da órbitra e que eram vistos como sinais de males e castigos para a humanidade.

dragão disse...

Uma data muito interessante nessa matéria, ó Zazie, é o "ano 1000", não?...

Anónimo disse...

Eu cá só conheço o Theramed e serve para lavar os dentes!
Loll!!!

zazie disse...

pois foi, Dragão. E vão continuar com o Lutero que até os usa como caricatura do papado e depois acabam nos gabinetes de curiosidades.