terça-feira, abril 25, 2017

Partidofagias e Contos do Vigário (r)



Podia lá eu faltar a uma efemérdia festiva destas...


Mas alguma vez os partidos, em Portugal, se guiaram coisa que se visse por ideologia, doutrina, receita (culinária, que fosse), programa de partido ou sequer de governo? Mal se apanham no poleiro, passam por isso tudo com o maior desembaraço, velocidade e amnésia súbita. Mesmo os comunistas (dos vários credos e alambiques) quando, no pós-25 de Abril, se entretiveram a desmantelar a nação à boleia da peregrinice zoina dos moderados (como já tinha sido em Outubro de 1917, na Rússia), mesmo esses, nunca deixaram, no essencial, de acautelar a vidinha e o futuro sem sobressaltos na "democracia burguesa" pós-Novembro. Nos restantes quarenta anos, os partidos têm sido nada mais que agências de emprego, feiras de contactos e influências, trampolins sociais e trambicódromos para safardanas, sicofantas e arranjistas das mais diversas estirpes, cores e proveniências. E quanto mais instalados ou com acesso ao Poder, pior. A não ser no folclore da treta, não há socialistas nem não socialistas, sociais-democratas ou populares, esquerdistas ou direitistas, conservadores ou liberais: é tudo devoristas, trepadoristas  e empalmadores. A máquina partidária encarrega-se de produzir, em regra, enchidos desses. Mesmo indivíduos honestos e genuinamente bem intencionados que, por algum milagre da santa, escapassem à filtragem interna, acabariam rapidamente submersos e varridos pela marabunta infestante.
Fora tudo isso, as únicas agendas que cumprem vêm de fora e fazem parte do kit/alvará comercial. Ou do estojo de emergência, por dictatum ainda e sempre externo. Resume-se o fenómeno inteiro num aforismo simples: sacrifica-se o pagode para salvação dos eleitos.

Os partidos são o cancro. Está provado e servido, à náusea e à exaustão, desde a cegada de 1820. E também já vimos a cura, pelo que não requer descobertas da pólvora ou da roda dentada. Não há metásteses boas nem metástases más: há metástases que se tornam particularmente nefastas e malfazejas logo que abocanham o Poder. A diferença no malefício é directamente proporcional à quantidade de poder nas unhas da quadrilha e à duração da mamada. A dinâmica da mediocridade, da chicana, da safadeza e da filha-da-putice que reina no interior das cloacas partidárias (dos quais o modelo universal e perpétuo é o do próprio Partido Comunista - cada Secretário-geral converte-se num tótem tribal a prazo, e, uma vez no Poder, degenera num Kim-Kong-ill à solta, a arder em frémitos de eternidade) alastra ao país e instaura a dispersão, o oportunismo, a velhacagem e a zaragata permanente. Acangotada na Administração Pública, numa cascata de alvéolos, casulos e bolsas marsupiais, esmera-se, afana-se e desunha-se, a um ritmo cada vez mais frenético, em extorquir e brutalizar, sem dó nem piedade (e toda a burrocracia de que é capaz), o contribuinte e o desamparado em geral.  Desamparado, entenda-se como todo aquele que não pertence ou é patrocinado por qualquer uma das camarilhas em exercício: dos partidos à maçonaria,  das Ordens às Opus, dos Clubes  às seitas (excepto naquele caso emblemático em que o clube e a seita se confundem), passando por todas as mancebias e manjedouras a jusante, cujo elenco me dispenso de explicitar por economia de espaço e nojo. O certo é que é toda uma escumalha - que não vale a ponta dum corno nem serve para nada de útil à nação - a armar ao importante, ao fino e, sobretudo, ao caro. Mainates que se fazem pagar como arquiduques.

Os partidos, entretanto, foram todos socialistas no pós-25 de Abril; foram todos democráticos no pós-25 de Novembro; e serão todos o que for preciso para garantir o estipêndio dos seus comensais (devidamente hierarquizados à boa moda feudal, pois claro, que isto da democracia é só mesmo para inglês ver e otário aplaudir). Acreditar na reforma deste esquema, ou, ainda pior, na sua cura milagrosa, é o mesmo que acreditar na redistribuição da riqueza. Os mesmos que não impedem os ladrões de roubar e, ainda por cima, os ajudam a sacar a seu bel-prazer, apregoam  depois projectar persuadi-los a devolver o que quer que seja? Os mesmos que facilitam são depois os mesmos que moralizam? No menos mau dos casos, é o mesmo que pretender educar um filho na idade adulta, depois de deixá-lo adquirir todos os vícios, taras e más tendências. Uma nódoa, parafraseando o Eça, não se reforma: remove-se.
Mas pior ainda é tentar camuflar o surro duns debaixo do tapete do lixo dos outros. Quem o faz não o realiza por amor genuíno à higiene, mas por  frete escuso ou interesse escaninho numa das imundícies. Repito: Não é devoção à limpeza: é propaganda eleitoral. E das rascas.
Ou então não, dir-me-ão as almas mais caridosas; que é mero fruto da ingenuidade, de boa fé, com boa intenção. Pois, contra bem intencionados desses já fiquei eu  vacinado (e pena não ter também ficado o país) no 25 de Abril. Já sei qual vai ser o resultado da "boa intenção"... Que, diz o provérbio, povoa os infernos.

PS: consta que as "câmaras corporativas"  rosas e laranjas que infestam a blogosfera (quem a viu e quem a vê!...) são, em larga percentagem, tripuladas por funcionários públicos. Faz todo o sentido. Em pleno mundo às avessas, numa sociedade em putrefacção acelerada, o parasita ascende a guardião da moral pública.

segunda-feira, março 13, 2017

Lendas com pés de barro e nariz desmedido



A propósito de obras sobre a nossa última Guerra Ultramarina, chamou-me a atenção no livro de Simon Innes-Robbins, "Dirty Wars: A Century of Counterinsurgery", um capítulo sobre os portugueses (na verdade, o 2. The last to leave: The portuguese experience, 1961-74). Dei uma leitura rápida, mais a sondar de eventuais e recorrentes minas do que propriamente em digressão colectora e não é que, a páginas tantas, tropeço nesta pequena pérola (relativa à Guiné):
«Following the breakdown of talks and the departure in 1973 of Spinola, who left  morale at an all-time high, the counterinsurgency campaign was continued under General Bettencourt Rodrigues. However, the situation on Guinea begun to deteriorat during 1973, and it was clear that Spínola's inspiring leadership had served only to paper over serious cracks in the portuguese war effort. After his departure attitudes hardened on both sides, especially following Cabral's assassination by PAIGC dissidents in January 1973.»
Ora bem, a literatura anglo-saxónica é de um modo geral benevolente para os militares, em contraposição com um certo desdém pela inabilidade dos políticos (leia-se, do regime). Todavia, e mesmo assim, já não embarca nos mitos negros sobre a DGS como autora ubíqua de assassinatos a esmo.

Em suma, a lenda negra do assassínio de Cabral pela DGS e pelos portugueses já só resiste enquanto pinoqueira inveterada dos papagaios ideológicos do costume (como estes; ou estoutros, passe a redundância, e por desplante conveniente, recorrente e óbvio). 
Qualquer historiografia minimamente séria, juntamente com multíplos testemunhos de dentro do próprio PAIGC da época, há muito que clarificaram o embuste propagandalheiro. Cito apenas alguns desses testemunhos:
 «O ex-comandante de navio da força marinha do PAIGC, Álvaro Dantes Tavares, afirma que Amílcar Cabral foi assassinado por Inocêncio Kani, um dos principais elementos da força da marinha. Numa entrevista ao Ocean Press Álvaro Dantes Tavares considera que este facto foi desprestigiante para a marinha, a principal base do PAICV.»

O ódio dos guineenses aos cabo-verdianos é antigo. Mesmo o Marcelino da Mata, que é guineense retinto (etnia Papel), se lhe perguntarem o que é um Cabo Verdiano (ou mestiço de qualquer zona de África) ele responde, sardonicamente, com um termo pejorativo: "Fotocópia". E depois há outro conceito entranhado no PAIGC (e nas estruturas reinantes da Guiné-Bissau) que diz tudo: a promoção aos altos cargos processa-se por extinção sumária e expedita do superior.  A lista é vasta, metódica e conhecida. Principiou no próprio fundador.

domingo, março 12, 2017

Malditas Cassandras!








Chamo a atenção para a data desta entrevista: 2011. Portanto, as pessoas podem confrontar o que foi diagnosticado e prognosticado nos fenómenos históricos entretanto decorridos. Mas um trecho é sobremaneira significativo: quando ele refere o carácter praticamente marxista (por incubação neo-trotskeira, acrescento eu) da nova ideologia promotora das guerras: a "democratanóia globalhabunda". Isso, e o vaticínio, por arrasto implícito, de uma "nova-Al Caeda"...
Delírio? Três anos depois, em 2014, o Exército Islâmico fazia a sua proclamação ao mundo.

sexta-feira, março 10, 2017

O Modo Português

Para os raros que se interessam seriamente por estas questões, uma obra a ler sem mais delongas:




quinta-feira, março 09, 2017

Dia Mundial da Gaja

Ontem, escutava-se a esmo, nos mérdia, um grande rumor festivo. A propósito do dia Mundal da gaja, celebravam-se conquistas e emancipacinhas deveras crocantes. Como, por exemplo, hossana nas alturas!, o acesso a baluartes masculinos do estilo alancar no fundo das minas, ou  guiar um táxi, ou, nec plus ultra,  pegar em picareta para efeitos de jardinagem. Assim mesmo, cada qual mais formidável que a anterior. Babo-me diante de tão indiscutível progresso feminil: já se entoupeiram pelo chão abaixo, já guiam táxis e já se deleitam com uma picareta nas unhas. Esqueceram-se apenas de proclamar uma outra conquista emancipadeira ainda mais sublime, verdadeiro corolário das anteriores: também já podem alistar-se nas fileiras do Exército Islamico. Melhor e mais urgente convocação missionária não encontro para as nossas feministas de plantão. E duvido mesmo que exista.

terça-feira, março 07, 2017

Ironias do Destino

 O pigmeu, fanfarronca ele, vai fazer exigências ao gigante. Está, claramente, a confundir o Putin com o Trump. O Vlad vai responder-lhe, diplomática e caridosamente, que sim, pois claro, vai pedir aos Iranianos que se retirem com suavidade. Ao que estes responderão, com humana modéstia e cordial afecto, que sim, que o farão com todo o gosto, assim que acabem de desinfestar a zona (na companhia dos Sírios e Russos).
Entretanto, o pigmeu vai meditar sobre a sua própria estupidez caiada a esperteza saloia. Quando segregou a peregrina ideia de patrocinar a praga de antropófagos islamicoisos na área achou que era bestial e supimpa. O resultado, porém, para qualquer racional minimamente equipado de neurónios activos, era mais que previsível: os Iranianos vieram (viriam sempre) atrás dos islamicoisos, que lhes serviram de pretexto excelente (e facilitado) para confraternizarem, em modo piquenique bélico, com os seus amigos do Hezbollah. Estes, antes com imensas dificuldades para receberem armamento, puderam assim, sem grandes embaraços, encetar um upgrade catita nos seus arsenais balísticos. Agora, os israelinhos têm os iranianos à porta de casa, os chiitas libaneses devidamente  equipados e amanhecem todos os dias, os pequenotes, justamente sentados em cima dum barril de pólvora.
Mesmo quando aparentemente dorme, Deus não descansa. No mínimo, tem sempre a ironia do Destino a trabalhar por Ele.
Ou então rememoremos aquela fábula engraçada do João a gritar que vem lobo.


domingo, fevereiro 26, 2017

Apocalipses de alguidar

«* Some 1,271 government organizations and 1,931 private companies work on programs related to counterterrorism, homeland security and intelligence in about 10,000 locations across the United States.
* An estimated 854,000 people, nearly 1.5 times as many people as live in Washington, D.C., hold top-secret security clearances.
* In Washington and the surrounding area, 33 building complexes for top-secret intelligence work are under construction or have been built since September 2001. Together they occupy the equivalent of almost three Pentagons or 22 U.S. Capitol buildings - about 17 million square feet of space.
* Many security and intelligence agencies do the same work, creating redundancy and waste. For example, 51 federal organizations and military commands, operating in 15 U.S. cities, track the flow of money to and from terrorist networks.
* Analysts who make sense of documents and conversations obtained by foreign and domestic spying share their judgment by publishing 50,000 intelligence reports each year - a volume so large that many are routinely ignored.»
Este trecho, onde transparece todo um aparato algures entre um 1984 rilhafolesco, um dédalo kafkiano e um scketch montypytonesco, não foi retirado de nenhum alfobre de teoria da conspiração. Não, foi mesmo do Washington Post. De 2010. Ou seja, bem antes do Washington Post se ter dedicado, em exclusivo, a debitar teorias da conspiração. Cada qual mais descabelada e alucinada do que a anterior. E descreve, o trecho em epígrafe,  a IC americórnia. A IC, que é como quem diz, a Inteligence Community da Democracia Liberal mais xpto e modelar do universo. De tal ordem que se viu transformada em produto de exportação global à força de tiro e bomba. Só que, de liberal, com uma hipertrofiação estatal destas, não tem nada; e de democracia, com uma obesidade subterrânea e inescrutivável destas, também não. Aliás, como a recente e excêntrica alcandoração do Donald vem demonstrando às escâncaras. A Coreia do Norte e o seu querido líder viram-se subitamente ultrapassados no concurso para a maior anedota do planeta: os Estados Unidos, com o seu abominado, vituperado e por todos os meios desancado e gozado presidente, ultrapassou-a. E, realmente, entre um país onde um povo lobotomizado idolatra o mandarim, ou um outro onde uma súcia de funcionários públicos e prostibulares se serve do  legitimamente eleito pelo povo como saco de chacota, palhaço de feira e penico de necessidades, convenhamos, os norte-coreanos sempre dão ao mundo uma imagem mínima de ordem e lógica (poderá ser a pior governação do universo, mas sempre patenteia uma arrumação à vista de todos - o querido líder, rei-deus na terra, absolutismo sem Deus, decide e quando decide está decidido). Pelo contrário, os norte-americanos da hora que passa exibem um líder ao mundo que, afinal, revela-se agora sem margem para mais tretas, não decide nem comanda (nem nunca decidiu ou comandou) grande coisa. Só que, doravante, a fantochada degenerou em carnaval desatado, com lançamento de excrementos e frutas podres a céu aberto e ao desbarato. Porque, de facto, bem mais ridículo, grotesco e pavoroso do que ver os órgãos de comunicação social duma nação a fazerem a permanente apologia do seu dirigente máximo, é assistir a esses mesmos canais a executarem a mais completa, ininterrupta insidiosa e descarada pelourinhação pública do mesmo. Em suma, mais estapafúrdio ainda que ter deus no trono é fazer deste retrete pública e sentar nela o diabo eleito.

quinta-feira, fevereiro 23, 2017

O Método da Necrose


África e o Médio-Oriente, sobremaneira, têm vindo a tornar-se autênticas fábricas de produção de refugiados em larga escala. Se pegarmos num mapa-mundi e confrontarmos as regiões mais exportadoras desse novo produto de desestabilização global constataremos que coincidem com os espaços de acção e intervenção da chamada "revolução democratizante", geralmente executada sob a bênção legal, o beneplácito militar e a propagandalha assanhada da famigerada "comunidade internacional".  É indesmentível que, do ponto de vista do principal agente infeccioso, a "revolução democrática" constitui um upgrade providencial à "revolução socialista". Nesta, as vítimas permaneciam  encarceradas e hermeticamente confinadas aos laboratórios experimentais; naquela, bem pelo contrário, vêem-se, brutal e desenfreadamente, expelidas para fora deles. Como chegaram a esta ideia tenebrosa? Ao que tudo indica, apenas recuperaram a ideia inicial: o inferno imposto só funciona de feição se abarcar todo o planeta. A infernização ou é geral ou sucumbe à contra-infernização. Portanto, em vez de manter o gado incubado em parques herméticos, há, isso sim, que dispersá-lo de modo a infectar e criar condições para a infernização de todas as regiões humanas. Donde emergiu esta bestialidade? Parece que aconteceu quando os gestores e doutores frankensteins do inferno soviético se viram, súbita e abruptamente, destituídos das suas batas e seringas, e transformados em refugiados. De como se transplantaram, de armas e bagagens, para a América do Norte e, daí, lenta mas cavilosamente, trataram de reanimar a monstruosidade, a História conta. Só que, coitada, passou à clandestinidade.

PS: Já vamos na "Descolhonização 3.0". E os resultados, invariavelmente trágicos e sanguinorreicos, continuam os mesmos. Por conseguinte, não se trata de lapso recorrente ou sequer estupidez compulsiva: é mesmo um método.

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

A Mira-esquerda pornomarxista




"O Óbito Marxista revisitado".

Um artigo interessante, com algumas teses indespiciendas.

Sobre uma delas  - a de que a actual esquerda é pós-marxista, aponto-lhe um anexo escancarado: apenas uma parte dela; já que a restante, que geralmente se traveste de "contra-esquerda" ululante, é tão ou mais marxista que a original. Aliás, esta "mira-esquerda" de vão de escada, copiou todos os tiques ruidosos (propagandalheiros) do objecto obsessivo do seu voyeurismo perverso.  Só que duma forma, naturalmente, invertida. De tal modo que, para o observador imparcial, o fenómeno nem semelha confronto, mas apenas onanismo maníaco. Tanto espalhafato fariseu só pode significar uma coisa: os mira-esquerdas não combatem a esquerda: excitam-se e masturbam-se com ela. Incapazes de decifrar a ideologia, ficam-se pela pornografia. E  pelas fantasias húmidas, geralmente S&M,  que com ela esgalham.

PS: Aproveito para relembrar, parafraseando-me, o "Método do Cuco":
« Primeiro, o marxismo incubou a postura no ninho do cristianismo; agora a "neo-direita" choca no ninho do marxismo.»

sexta-feira, fevereiro 10, 2017

Feed their Frankenstein

«The U.S. government’s multi-billion-dollar effort to counter narcotics in Afghanistan is a humiliating failure that’s resulted in a huge increase in poppy cultivation and opium production. Despite the free-flow of American tax dollars to combat the crisis, opium production rose 43% in the Islamic nation, to an estimated 4,800 tons, and approximately 201,000 hectares of land are under poppy cultivation, representing a 10% increase in one year alone.»

Existem as notícias falsas (fake news, em dialecto bárbaro, ou barbaranhol)  e existem, por outro lado, as notícias invertidas (ou meramente equívocas), como é o caso em epígrafe. Nele se enuncia, com alguma angústia, que o investimento de vários biliões de dólares por parte do Império Americórnio (ou Impropério Global) foi um clamoroso falhanço. Não foi. Bem pelo contrário, foi um mui consequente êxito. Seria um desastre se eles tivessem, de facto, investido no combate. Mas já todos sabemos como funciona a semântica da propaganga improperial: "Combate", na retórica, significa, na realidade, o seu contrário, ou seja, apoio, catalisação, patrocínio. Por conseguinte, tratou-se dum formidável triunfo. A produção da preciosa mercadoria aumentou em 43%; e a área cultivada cresceu em cerca de 10%. Presume-se que, assim, no geral, houve igualmente um aumento galopante da produtividade laboral (ao qual a introdução de métodos mecanizados e maquinaria moderna não deve ser alheia). Este enorme aumento a montante (na produção) causará seguramente um exorbitante acréscimo nos lucros a jusante (na distribuição e retalho), que será, ainda assim, sempre escasso. Pois as despesas da CIA com guerras, guerrinhas e guerrilhas perpétuas, embrulhadas em revoluções e revolucinhas caleidoscópicas, constituem um sorvedouro insaciável de dinheiro. Sorvedouro, que digo eu, um autêntico maëlstrom!...

O combate ao narcotráfico é exactamente igual ao combate ao terrorismo. Aliás, os lucros do primeiro servem para cobrir as despesas do segundo. Neste momento, o ISIS, segundo certos rumores, disponibiliza bolsas de 1000 USD/mensais a todo o voluntário-estudante disposto a ingressar nas vagas de "refugiados-migrantes" em digressão/estágio europeu.

E tudo isto já nem é segredo nenhum, ou sequer teoria da conspiração. É apenas o mundo a (dis)funcionar.

terça-feira, fevereiro 07, 2017

Histeria premeditada. E crónica.





«President Trump had paid a hefty advance to the Jews. He did (almost) all they wanted for their Jewish state: he promised to move the US embassy to the occupied Jerusalem thus legalising their annexation of the holy city; he condoned their illegal settlements, he gave them starred positions in his administration; he told the Palestinians to drop their case in the ICC or else, he even threatened Iran with war. All that in vain. Jewish organisations and Jewish media attack Trump without slightest hesitation and consideration. His first step in curbing the soft invasion wave had been met with uniform Jewish vehemence.

He was called a new Hitler and accused of hatred of Muslims: what else could cause the President to arrest, even for a few months, the brave new migration wave from seven Middle Eastern states? Today he singles out Muslims, tomorrow he will single out Jews, said Jewish newspapers. Migration is the lifeblood of America, and the Muslim refugees are welcome to bring more diversity to the US.

Massive demonstrations, generously paid for by this notable Jewish philanthropist Mr George Soros, shook the States, while judges promptly banned the banning order. They insisted the orders are anti-Muslim, and therefore they are anti-constitutional. Somehow the constitution, they said, promises full equality of immigrants and does not allow to discriminate between a Muslim and a Christian. This sounds an unlikely interpretation of the US Constitution. The US, and every other state, normally discriminates, or using a less loaded word, selects its potential citizens. The choice of seven states hasn’t been made by Donald Trump but by his saintly predecessor: President Barack Obama, this great friend of Muslims, made the choice personally some years earlier.

So Trump had made a most moderate and modest step in the direction of blocking immigration by picking states already selected by the Democratic President. One could reasonably claim that people of the seven states have a very good reason to hate America, and the reasons were supplied by previous US Presidents.

Libya, the most prosperous North African state until recently, had been ruined by President Obama: NATO invasion had brought Libya down; instead of stopping migration wave Libya had been turned into a jumping board for the Africans on their way North.

Syria is another Obama’s victim: by his insistence that ‘Assad must go’, by massive transfer of weaponry, money and equipment (remember white Toyota pickups?) to the Islamic extremists, he ruined this country.

Iraq has been ruined by President Bush Jr: he invaded the most advanced Sunni state, broke it to pieces and gave the centre of the country to the Isis.

Somalia has been ruined by President Bush Sr: he invaded this unfortunate country in the early nineties, when the USSR collapse allowed him to do so under the UN flag. Since then Somalia has become the supplier of choice of migrants and refugees for Sweden (there they formed the biggest community in Malmo and elsewhere), the US is also keen on getting them.

Yemen has been destroyed by Obama with Mme Clinton playing an important role: she facilitated delivery of weapons to Saudi Arabia in real time as they bombed Yemenis.

Sudan was bombed by President Clinton; afterwards this country had been dismembered and separate South Sudan had been created. Both halves became dysfunctional.

Iran is the odd one in the Magnificent Seven. It has not been invaded, has not been bombed, just threatened with invasion and bombardment for many years since President Carter. This country has no terrorists, it did not fail, its citizens are not running seeking for asylum. It was placed on the list by President Obama, who planned to bomb it, but never got to do it.

While Bush, Clinton and Obama bombed and invaded these countries, the Democratic humanitarians including their Jewish leaders just applauded and asked for more bombs. But they became appalled when Trump promised: no more regime change, end of “invade the world/invite the world” mode. Wikileaks put it well: bomb the Muslims, and you are fine; ban the Muslims, and you are the enemy.

Apparently, the people who instigated the Middle Eastern wars wanted to create a wave of refugees into Europe and North America in order to bring more colour and diversity to these poor monochrome lands. Welfare state, national cohesion, local labour and traditions will disappear, and these countries will undergo a process of homogenisation. Never again the natives will be able to single out Jews, for there will be no natives, just so many persons from all over the world, celebrating Kumbaya. The Jews will be able to get and keep their privileged positions in Europe as they do in the US. They won’t be alone: by their success, they will establish a pattern to copycat for whoever wants to succeed in the new world, and masses of imitation-Jews will support the policies of real Jews. Still, Jewish insistence on the Syrian refugees’ acceptance and on Muslim immigration in general is a strange and baffling phenomenon. Hypocrisy is too mild a word to describe that. We may exclude compassion as a cause for it. There are many thousands of natives of Haifa in Israel who suffer in Syria and dream to come back to their towns and villages, but the state of Israel does not allow these Syrian refugees to return for one crime: they aren’t Jews. Israel accepts Jews only; and American Jews do not object to it; they do not compare Israeli leaders with Hitler or Trump. Israel had build a wall on its border with Sinai, and this wall stopped the black wave of African migrants. American Jews did not shout “No wall, no ban” in front of Israeli Embassy. Mystery, eh?»

Foi um copy-paste desenfreado porque o artigo merece. Uma síntese eloquente do rilhafoles instalado.

quinta-feira, fevereiro 02, 2017



Há mais de um mês atrás, alinhavava eu o postal que se iniciava assim:

«Schumer Says Trump “Dumb” To Cross Intelligence Community — Payback Likely»


Em primeiro lugar, investiguemos quem é este Chuk Schumer, senador dumucrático (não é lapso, é mesmo assim que deve ser grafado)...

Sobre o referido cromo, informa-nos a Wikicoisa tratar-se do  resultado do cruzamento duma doméstica com um exterminador ao domicílio . De como um tão improvável espermatozóide acabou a espadanar em Harvard e, desse trampolim inefável, se esguichou aos cumes da pulhítica americórnia, uma palavrinha apenas: jewish. O que, de resto, desde logo pressenti no apelido, mesmo antes de confirmar na Wiki. Quanto ao diagnóstico do proboscídeo, logo acolchoado de prognóstico sombrio, parece que são influências da costela paterna (o tal mata-carochas de Brooklin). "Terminating Trump", tudo indica, estará na ordem do dia, ou na agenda da noite (conforme preferirem), duma certa franja cratopata lá do sítio. Se a coisa vai a pedal de impeachment (afinal, é a mesma gente que processou o Brasil ainda este ano ou o próprio Nixon aqui há uns decénios atrás) ou a força de gatilho, o futuro dirá. Para já, vão cavilando e confeccionando no sentido do primeiro. Depois, estou em crer, caso o refugado não resulte, entram em modos mais extremos.

....

Ora, acontece que este Schumer não abranda no seu frenesim infeccioso. A sua mais recente aparição é toda ela um portento. Nem mais nem menos que o crocodilo lacrimejante por alma e tripa dos "muçulmanos interditados"...
«Chuck Schumer Cries During Speech Against Trump Immigration Order (Full Speech) | ABC News»

Há imagens e, mais ainda, figuras que dispensam mil comentários.

quarta-feira, fevereiro 01, 2017

A Indústria dos Refugiados


A Indústria dos refugiados? É um esquema de proxenetismo macabro como outro qualquer. Como o do Holocoiso, por exemplo.  O entrevistado aí abaixo explica. Os otários, digo, os contribuintes (e então nos States, como eles são numerosos e adestrados!) subsidiam.


sábado, janeiro 28, 2017

PDEC - Processo de Divinização em Curso

«“@WhiteHouse statement on #HolocaustMemorialDay, misses that it was six million Jews who perished, not just ‘innocent people,’” Greenblatt tweeted. “Puzzling and troubling @WhiteHouse #HolocaustMemorialDay stmt has no mention of Jews. GOP and Dem. presidents have done so in the past.” »

O tal Greenblatt é, não direi em pessoa mas seguramente em cretino, o presidente da ADL (a famigerada Anti-Defamation League). Segundo ele, o Donald cometeu mais um atentado grosseiro à fofice instalada, confundindo (na verdade, difamando) os "Judeus" com "pessoas inocentes". Para quem teima, porcinamente,  em não constatar o óbvio ululante, atestado ao longo duma psicopatia reiterada de séculos, fica mais este apelo desarvorado  à evidência. Registem: A convergência entre os Greenblatt de hoje e o Goebbels de ontem é total: para todos eles 1. os "Judeus" não são "pessoas" e 2. ainda menos, "inocentes". O que o Trump perpetrou, no seu discurso efeméridal, constituiu assim, acima de "lesa-majestade", um crime de "lesa-divindade". É que segundo o Processo de Divinização em Curso, dois imperativos categóricos prevalecem: 1. Um "judeu" não é uma pessoa - está acima das pessoas; 2. Nenhuma pessoa é inocente: todas, intima ou publicamente, odeiam, invejam e urdem conspirações contra os judeus. E mesmo aquelas que os lambuzam, babujam e engraxam a todas as horas, dias e meses serão tudo menos de confiança. Mais ainda que idiotas convenientes, todos eles, são imbecis descartáveis.




quinta-feira, janeiro 19, 2017

Da exogenia antiga à endogenia moderna (rep)

Revisitando, muito a propósito da interessante conversa na caixa de comentários anterior, um postal de Maio de 2012...

«Mas escutai as misérias dos homens; escutai como, no começo, eram eles ignorantes e os tornei cientes e senhores da sua inteligência. Digo isto sem qualquer censura aos humanos, mas só para vos mostrar como nasceram do coração as minhas dádivas. No começo, eles olhavam e não viam, escutavam e não ouviam, passavam a vida alongada e néscia como sombra de fantasias. (...) Viviam em cavernas, nas eternas trevas dos profundos antros, como formigueiros fervilhando. Faziam tudo sem entendimento, até eu lhes ensinar o nascimento e o acaso das estrelas mais difíceis de avistar. Para eles inventei o número, suprema sabedoria, e a arte de juntar as letras, memória de todas as coisas e infatigável mãe das Musas.»
- Ésquilo, "Prometeu Agrilhoado"


Este, quanto a mim,é um dos textos mais espantosos e fascinantes da nossa cultura. Em primeiro lugar, dá-nos conta duma evolução inaugural que coincide com uma progressão efectiva: a mera matéria animal adquire uma característica humana - o cavernícula torna-se homem. Mas repare-se que não é apenas uma questão de um intelecto ou espírito que lhe é concedido - é uma sensibilidade, um entendimento e uma inteligência.  Quer dizer, é  o aparato completo do pensamento que a filosofia, durante quase três milénios, não mais cessará de avaliar e prospectar nos seus limites e realizações, aparato esse, pormenor ainda mais importante, que lhe permite uma autonomia existencial e uma elevação acima da natureza. Isto é, concede-lhe uma emancipação da matéria bruta e uma capacidade de atenuação das leis e voragens da necessidade. Afinal, a dádiva é uma dádiva divina, oriunda directamente do coração de uma forma de ser superior. E não é por acaso que Prometeu, para pagar a elevação do homem se veja ele próprio, por castigo, rebaixado à condição anterior daquele. E cá voltamos nós ao paradoxo: o preço da ascensão do Homem é a queda de um Deus. Episódio que, de certa forma, se repetirá mais tarde: quando também para resgate do Homem decaído, um Deus aceitará o Calvário e o suplício da Cruz.
Entretanto, esta ideia de dávida divina como ignição antropológica também está presente noutra das principais fontes do pensamento medieval. o Génesis. Aí pode ler-se: «então o Senhor Deus formou  o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida, e o homem transformou-se num ser vivo.»
De novo, a entidade divina intervém sobre a matéria bruta: conforma-a, ordena-a, anima-a. Este animá-la é, em simultâneo, dotá-lo de vida e de espírito (e note-se que no latim spiro significa respirar, como anima significa alma). Para Aristóteles, por exemplo, os animais são dotados de alma - e "animal" denota isso mesmo, algo que respira, que está animado -, mas apenas de uma "alma vegetativa", quer dizer, não possuem intelecto activo, sòmente dispõem de intelecto passivo. E não apenas os animais, alguma gente também (e não, não estou a ser sarcático: em rigor, no De Anima, Aristóteles demonstra isso mesmo: que os homens são [animais] racionais - melhor dizendo, lógicos-, mas nem todos são inteligentes. E é esta diferença fundamental  - e abissal, entre razão e inteligência, bem como respectivos objectos, que até aos dias de hoje todas as alforrecas intelectuas continuam, por paixão e impotência, a não discernir. Até porque a maior ambição da imbecilidade, tanto quanto a proliferação e o império,  consiste na hegemonia).
Bom, mas o que importa registar para o tema desta nossa demanda, é, em ambos os momentos fundantes, o carácter exógeno da especificação humana. Essencialmente, o Homem é obra de algo exterior à estrita matéria e à ordinária operação da natureza. O Homem é, bem distintamente, algo de extraordinário, de prodigioso, tal qual aparece descrito por Sófocles, na Antígona. "Muitos são os prodígios do cosmos, mas o antropos é o mais extraordinário de todos". Máxima que a tradição fundada no Génesis conduzirá a um extremo limite: "Deus disse: Façamos o ser humano à nossa imagem, à nossa semelhança..."
Ora, esta antropovisão reinará na tradição antiga e medieval, com cambiantes variadas, como veremos adiante. Todavia, chegados ao século XIX, o conceito de evolução terá sofrido uma revolução completa, e em vez duma antropovisão exógena celebrar-se-á uma antropovisão endógena: dum ser humano como mero resultado das operações naturais, súbdito não já de regras da ordem inteligível, mas de singulares leis da estrita função mecânica e, inerentemente, material. Ou seja, na origem, do homem, assume-se que nada houve que o elevasse ou enobrecesse acima dos outros seres vivos. Por conseguinte, à falta dum princípio superior, adoptam-se, por meios capciosos, princípios reles em cujo nome se autoriza a engendração de fins soberbos e sumptuosos: através da ciência (ela agora o novo - e usurpador imaginem de quem - prodígio dos prodígios) pode fabricar-se geneticamente uma raça pura de semi-deuses (arianos, judeus, anglosandeus, enfim, o que se queira e a hegemonia da macacada dominante do momento permita e patrocine). O extraordinário, doravante, não está mais no princípio: está no exclusivo meio e promete os mais prodigiosos fins. Só que a palavra que no grego traduz prodigioso - deynos - também significa "terrível", "funesto", "perigoso", "mau". E, como o século XX demonstrou à exaustão e o século XXI parece ainda ir provar com mais exuberância, nada de extraordinário ou digno de admiração prevaleceu.

...
PS: Dinossauro é uma palavra e um conceito cada vez mais sugestivo. Também ele era um "deynos" -um deynos-saurio (um sáurio terrível, assombroso)... À semelhança de Hamlet, deviamos meditar-lhe sobre as ossadas.

sexta-feira, janeiro 13, 2017

Papagangues e feedbacks



Volto aqui a recordar o caso Litvinenko: Num tempo em que a terra está convertida à emulação daquele trecho do Hades onde se exercitam, perpetuamente, as Danaides, convém cultivar contra-medidas (entenda-se: memória).  Portanto, recapitulem.
A que propósito?
Estão a ver o actual relatório da treta, patrocinado por coprofactores para deleite de escatofágicos, onde se acusa até o Donald de douradas pluviometrias?... E o perito inglês que alugou o nome para credibilizar o excremento... Sim, um tal Cristopher Steel... esse mesmo... a sumidade parda. Então oiçam só um bocadinho do curriculo (e não é sítio da conspiração, acalmem-se as florzinhas; é a bosta do Guardian da conspiracinha):
«he was, sources say, head of MI6’s Russia desk. When the agency was plunged into panic over the poisoning of its agent Alexander Litvinenko in 2006, the then chief, Sir John Scarlett, needed a trusted senior officer to plot a way through the minefield ahead – so he turned to Steele. It was Steele, sources say, who correctly and quickly realised that Litvinenko’s death was a Russian state “hit”

Pescadinhas de rabo na boca... umas das outras. O Litvinenko? Foi o Putin. O Trump? Foi o Putin. É por isso que a Conspiracinha nem a teoria chega: é uma cassete. Coro de papagaios em ruído de feedback. Tão verdadinha, que até rima.

PS: O Steele pôs-se em fuga porque sabe como as coisas funcionam e a peripécia que se segue. No mínimo, aparece suicidado um dia destes. Por quem? Pelo Putin, homessa!...

Wonderful news


«Billionaire George Soros Lost Nearly $1 Billion in Weeks After Trump Election»


Os cometas são assim: suscitam toda a variedade de prodígios. Nem sempre beneméritos e amigos do ambiente, mas neste caso de uma poesia sublime e maviosa. Das notícias mais reconfortantes que li nos últimos anos! Afinal, não é só desgraças e desgraceiras!...


quinta-feira, janeiro 12, 2017

De fenêtre ou não-fenêtre, eis a questão

Estávamos ontem a rilhar uns tremoços, de mão dada com uns finos, e diz-me ele, o Jorra-Lumes:
« - Ildefonso, meu velho, não sou de desejar a morte de ninguém, nem mesmo dos políticos abrilabundos! e até por muito abrilabundos que estejam, regista e nota bem! ( E sabes como isso pode feder a léguas, de assarapantar rebanhos!). Até porque seria estúpido: desejar-lhes uma coisa que eles têm garantida. Aliás, por império absoluto da única entidade genuinamente democrática deste mundo, pois a todos nos irmana e despacha com idêntica presteza e fatalidade. Também, que o país celebre os seus enterros e faça uma festa de arromba em volta das suas urnas, só me enche de regozijo: para ser perfeito só falta fazerem como os Bakongos, que transportam a urna em braços, à maneira de concerto rock por alturas de stage-diving (ou crowd surf, como se diz agora), por entre granda fanfarra e festim, num verdadeiro comício final, que termina - em apoteose - no cemitério, escavacando a urna à machadada, antes de descer à cova, para acautelar roubos futuros dos pilha-sepulturas em busca de madeira fácil. Isso é que era! E até constituiria, no vertente e recente caso, um tributo condigno à bela e exemplar descolonização que ajudou a burilar. Sim, agora que medito nisso, até os olhos se me humedecem com a justeza do avanço (que puggesso, Deus meu!): em vez de transportado, em turné pela urbe, por bestas quadrúpedes e irracionais, levado e sacudido em braços por semi-racionais bípedes e cantarolantes! Com pífaros e tambores, em troante algazarra, abrindo o cortejo, pois então e que maravilha!...
Não, Caguinhas, aos nossos abrilabundos, sejam eles de fedor esquerdista ou de pivete contra-esquerdista, mas todos igualmente traidores e estrangeiralhados até às profundezas da cloaca que neles faz as vezes de alma, eu, uma vez falecidos, não dedico nem desperdiço qualquer vitupério, praga ou ruído vocal menos digno dum homem (fará dum dragão adulto e esclarecido). Estão mortos, já pertencem a outro juízo que não o das modas, chusmas e opinorreias humanas. Já prestam contas a Quem de direito verdadeiro. Perfilo-me e nada mais. Em respeito não tanto ao morto como Àquele que o espera e àquela que o empandeira. Porque ambos também me esperam a mim. Faço uso daquilo que espero seja também dispensado para comigo: misericórdia. Ontem, a enterrar, foi um desgraçado. Tão nu e desvalido como nós todos. É preciso estar vivo para saber respeitar a Morte. Toda ela, até porque a dos outros é também a nossa. Já a vi passar demasiadas vezes - para amigos e inimigos na guerra -, para amigos, inimigos e familiares ao longo da vida. Já fui demasiadas vezes ao cemitério para saber que com ela não se brinca. Sobretudo aos julgamentos. Debalde tentar explicar isto a zombies.
Juro-te, pois, meu caro amigo, por tudo quanto é sagrado: aos púlhitos da nossa triste terra é em vida, de saúde, arroto e pesporra, que eu arremeço  votos, combates ou confrontos. E se algum desses votos sinceros reponta sobre todos os restantes, que ainda são uns quantos, é que viajem... Que viajem mais! Que viajem muito!...  Mas não de aeronave, ferrovia ou viatura rodoviária, que isso não preenche adequadamente o seu porfiado e compenetrado mérito. Uma viajem verdadeiramente ao nível deles, acredita, não é de barco nem de avião (ou sequer de tartaruga ou elefante): é de fenêtre

Bem, leitores, disse-me ele isto e eu fiquei a matutar:
"Mas que raio será uma fenêtre? Este gajo debita cada palavrão mais cabeludo!..."

segunda-feira, janeiro 09, 2017

Nana, o Abana do Gana



Estou desolado. Apanharam o Nana Akufo Addo em flagrante democracia!... (Confessem: estavam à espera que eu dissesse "macacada", ou "papagaeira", - ou "fodeback, os mais nerdos, aposto - não estavam?... Mas esta foi de uva branca, que é para aprenderem.)

Imaginem só, o Nana, Akufo Addo e tudo... Que mundo este!... Ou então é a Amérdica que está cada vez mais parecida com a África. Ou vício-versa, que sei eu!...

domingo, janeiro 08, 2017

Pré-enterros e Carnavais Zombis

A Democracia, coitadinha, acordou órfã; a Liberdade, essa galdéria, chora viúva; a Nacinha está de luto.
Aguardo, piedosamente, que o cortejo fúnebre passe e depois falamos.

Passando a coisas ligeiramente menos mortas...


Mais detalhes humorísticos sobre esta "teoria da conspiracinha", aqui:
 
 
Lá está, primeiro quesito: que seja verosímil; segundo quesito: que não manifeste, às escâncaras, uma trampolinice sórdida e mal atamancada. Existem teorias da conspiração particularmente alucinadas - que o  Barata Obama ou o ex-primeiro ministro italiano são casados com trannys, por exemplo -; ou fogosamente imbecis - que existe uma conspiração de génios de esquerda (marxista. neomarxista, criptomarxista e toinomarxista) nos mass-media de modo a estupidificar as populações desvalidas que se cevam mentalmente em jornais, televisões e emissões rádio avulsas, entre outras )portanto, os génios malignos da esquerda são culpados de mentecaptizarem acéfalos, pasme-se). Mas todas estas teorias, por muito desvairadas e obsessivas que sejam, são igualmente inofensivas, senão mesmo divertidas e pitorescas. Não causam grande mal ao mundo e em matéria de devastação é mais aquela que atestam, de ordem mental, do que aquela que acarretam, de ordem material. Todavia, o mesmo não pode ser dito das tais "teorias das conspiracinhas oficiais". Esta, da transposição - desenfreada e compulsiva - dos super-poderes do Mancha Negra para o Vladimir Putin, pode, entre outros fenómenos inquietantes, ocasionar uma guerra mundial entre potências nucleares. Nada que apoquente as várias tribos de gambosineiros furiosamente entretidos com a duvidosa genitália das primeiras-damas ou  com os sinistros conspiradores em prol da zombificação histórica por arte televoodu, mas que a mim, como a qualquer pessoa normal, causa um certo desconforto.

quinta-feira, janeiro 05, 2017

Uma etnopatia milenar


«Zionist Extremism as Outcome of the Internal Dynamics of Judaism»  

- Uma digressão sempre instrutiva de Kevin MacDonald. Não se perde nada na leitura dos cinco capítulos.


Aperitivo:

I am the God who created heaven and earth. I shall increase you, and multiply you exceedingly; and kings shall come from you and shall rule wherever the foot of the sons of man has trodden. I shall give to your seed all the earth which is under heaven, and they shall rule over all the nations according to their desire; and afterwards they shall draw the whole earth to themselves and shall inherit it forever.5»

Bem a propósito, há uma obra do Konrad Lorenz, intitulada "Agressividade", cuja leitura, sobretudo no capítulo referente às ratazanas, muito recomendo. A tese fundamental do livro prende-se com os "benefícios da malignidade" para as espécies, em ambiente natural. É, bem entendido, uma noção de "natureza" muito pós-medieval, mas, na emulsão darwinóide da nossa época, transparece plena de fulgurações muito lógicas. Aqui entre nós, aquilo não vale grande coisa (pelo menos enquanto trafulhice transpositiva para o "caso humano", ou não fosse Lorenz um amigalhaço de Popper)), mas, em termos de ratazanas e seus emuladores humanóides, faz imenso sentido e poreja pleno de interesse. Isto tudo apenas para deixar um pouco mais escalpelizado o  "triunfo" crónico e sistemático do "fanatismo" na "história judaica", como descreve Kevin Macdonald na peça em epígrafe.




quarta-feira, janeiro 04, 2017

Algures, entre o sonho e a realidade

É sempre refrescante ler Shamir. E embora eu não partilhe, por profissão, do seu inoxidável optimismo, devo reconhecer que neste seu artigo abundam umas quantas verdades óbvias, duras como punhos.
O breve elenco de algumas delas:

« Mainstream media easily outperformed by producing so many “fake news” stories that Putin could never compete. Just by virtue of Putin’s approval? Do they think a Russian agent gets a service magic wand to bend American minds?

Tradução: Seria um escândalo de lesa-exclusividade que os russos (ou quaisquer outros unicórnios de arremesso) ousassem influenciar a eleição dos presidentes americórnios: afinal, esse, como tantos outros, é um direito exclusivo dos pencudos e da sua máquina de ruídos infernais (vulgo mainstream mérdia - MSM).


Tradução: A Máquina de Ruídos Infernais não é perfeita. E a saturação acarreta efeitos secundários e danos colaterais. Ou de como não se pode enganar toda a gente durante todo o tempo.

«What is this obscure entity, and why is it so hostile to Donald Trump? I’ll tell you. In my young son’s class there was a bully. A silly, but big and strong boy who made the life of other kids, including my son, quite miserable. He enjoyed beating the weak ones, and there was not a nasty trick that he did not try. The bully had a sidekick, a minnow of a boy, who could not harm a baby. We paid little attention to him. It happened that the sidekick was transferred by his parents to another school, as they moved to a far away suburb. And to my great surprise, the big boy ceased to bully other kids. Moreover, he became a good friend of my son and of other classmates. It turned out that the sidekick was actually the evil spirit behind the big boy’s shenanigans. As he was gone, the big boy turned out to be a rather good fellow, real sport, and even his academic marks improved drastically.

Tradução: Neoconas à cabine. Entre outros...

 «A few days ago, in Cincinnati, Ohio, the President-Elect had vowed that the US will stop trying to overthrow world governments. No more regime changes, he said. This is a sea change.
Tradução: A CIA é uma organização global, senão mesmo a epítome-mor de todas elas. Para efeitos de confeitaria de regimes o território dos Estados Unidos não se distingue de qualquer outro no planeta. Por via das coisas, mesmo antes da investidura (e ainda durante a própria campanha eleitoral) , o Trump foi sendo ungido de todos os requisitos que podem justificar (isto é, que podem constituir num "imperativo de segurança nacional" - vá, não riam) o seu "processamento democrático". As formas de remoção do corpo indesejável são múltiplas e variáveis.

Tradução: da Obscure Entity e dos seus agentes sabiam, de cátedra, os medievais. Pena que estejam cada vez mais esquecidos e ostracizados. Compreende-se porquê. Espero, a terminar, que o optimismo do bom Shamir tenha alguma âncora na realidade futura.