domingo, outubro 29, 2023

A Catástrofe que vela por nós

 A partir duma certa idade, e de alguns anos de indignação debalde, um tipo habitua-se às chacinas, aos genocídios, às limpezas. Tornou-se uma espécie de rotina planetária. Trabalho de casa ou lida doméstica, enfim. O pagode tele-embrutece com telejornais ininterruptos. Chega a ser anedótico: os putativos humanos, absolutamente inertes e bovinos perante as tropelias diárias e recorrentes da sua própria espécie, entendendo-as como naturais e absolutamente necessárias (isso e o permanente gang-bang económico em que é flagelado na agro-pecuária onde o mantêm recluso), mas, em contrapartida, altamente atentos, preocupados e em luta ruidosa, fanática, contra os fenómenos climatéricos. Agora deram em ladrar à chuva, ao sol, aos ventos e marés. Coisas que, como é consabido, dominamos e manipulamos desde os primórdios dos tempos e da História (aliás, desde o primeiro traque com que agredimos a atmosfera e inaugurámos o planeticídio em larga escala). Ou seja, e traduzindo: o artificial foi declarado natural (e normal, por inerência);  e o natural foi degradado a artificial (e retrógrado, obscuro, conspirativo, ameaçador do futuro da espécie e do planeta, por taxação). Assim, só para dar um irrisório exemplo: Um tipo ser eleito miss portugal é perfeitamente natural; em contrapartida, a família tradicional, a reprodução da espécie, já tresandam a aberrante... As hordas crescentes de desempregados, sem-abrigo, bombardeados, despejados em frentes picadoras de carne são também inteiramente naturais - afinal, emanação desse corolário mor e sacrossanto da natureza: o "mercado a funcionar"; já a meteorologia é completamente artificial, produto acabado da maldade e do egoísmo humanos.  Seria para rir se não representasse algo de muito sério, insidioso e pervasivo. E não existe outro termo para denominá-lo: Mal. Há qualquer coisa de extremamente maligno e anti-humano, porque sobretudo anti-vida, a funcionar no âmago deste aparente manicómio aplicado às massas. Chegámos a um extremo, à beira dum precipício, onde não se avista nada mais anti-americano do que o governo americano, nem ninguém mais anti-europeu do que os (des)governos europeus, ou anti-português do que o (des)governo português. A esta antítese de tudo o que, outrora, representava uma civilização, apelidam, os falsários e sociopatas instalados, de "Ocidente", ou "Comunidade Internacional", ou "Os Nossos Valores".  E todavia, nada menos geolocalizado, comunitário ou axiológico do que aquilo que eles brandem, fermentam e representam. Não apenas estão contra todos os outros povos, mas sobremaneira contra o seu próprio povo, numa dis-topia permanente o obsessiva; não apenas, minam todas as outras formas de comunidade e comunicação, como envenenam e dissolvem a sua própria  comunidade; não apenas destroem e criminalizam todos os valores autênticos que serviram de eixos à civilização europeia, como os substituem, pervertem e macaqueiam com toda a espécie de aberrações e desumanizações peregrinas. Quando iniciei este blogue, há mais de vinte anos, o sub-título rezava: "Agora é o caos, no princípio era apenas uma pequena confusão." Tratava-se duma glosa à célebre abertura da Teogonia de Hesíodo ("No princípio estava o Caos"). Ora, o que se verifica é que, em vez da frase razoavelmente humorística, descubro, algo estarrecido, que, na realidade, se tratava duma premonição sombria. Dir-se-ia que vivemos um regresso ao caos em modo turbo, e que outra febre não ocupa todo este bestiário ao leme do Oxidente senão o devolver-nos a esse estágio primordial e absolutamente informe, porque destituído de qualquer espécie de ordem, sentido ou beleza. Ou seja, há toda uma força maligna anti-cósmica em acção. Podemos chamar-lhe muitas coisas. Desde a mitologia à ciência, passando pela religião, a arte e a filosofia, o cardápio é vasto. Cada qual tenta encaixar o fenómeno na taxinomia que tem mais à mão. Mas, independentemente disso, da arrumação na linguagem, o essencial é que todos lhe experimentam os efeitos. Mesmo aqueles que se derriçam e enlevam, chafurdando e grunhindo no conforto dum qualquer chiqueiro climatizado ou pedestal de barro esterquilínio. Uma coisa é certa, porque verificada e comprovada por séculos de experimentação: uma catástrofe natural não escolhe entre justos e injustos, naturais e aberrantes: quando varre, varre a eito.  Mesmo o ápice da catástrofe artificial - o armagedão atómico - procede com igual preceito. Não faz destrinça.  Em ambos os caso, se atentarmos bem., é duma reinstalação sumária do caos que se trata. De resto,  o nosso mundo acontece sob essa condição:  a ordem e a vida paredes meias com o caos e a morte. Assombram-nos e visitam-nos todos os dias,  em todas as épocas, em todas as culturas. São absolutamente necessários e pedagógicos: sem eles, sem o seu extremoso cuidado, onde pararia a nossa soberba, onde dispararia a nossa arrogância, que torres babilónicas não urdiria a nossa ganância, escorada e fogueteada pela nossa estupidez?... Nem quero imaginar! A verdade é que a besta que  em nós palpita  só aprende à chapada - à chapada, à bordoada e à reguada cósmicas-, só assim observa a humildade essencial, a piedade cívica, a educação vital.  É toda uma escola que acontece por ciclos, como bem viram e estipularam os antigos. E nem tinham universidades, vejam lá bem!

A catástrofe que  nos aguarda é precisamente, não aquela imaginária que forjamos, mas aquela que com a nossa estupidez e reptação convocamos. O Oxidente não é um estado último da civilização: é um estertor, um clamor à vassoura cósmica, uma infecção planetária que o organismo cósmico tratará de extirpar. Que instrumentos ou recursos empregará para o efeito, só Deus sabe. Afinal, muito mais ( e muito pior) do que contra o ambiente, é contra Ele que a matéria purulenta opera, todos os dias. Deus, o de Aristóteles, entenda-se. Tenho Fé.

sábado, outubro 28, 2023

Tirocínio, tiranicídio, tiroteio, whatever.

 




Convoca-nos uma interrogação obrigatória: Quantos tiranos é que ele terá abatido no Mayne, USA? Enfim, mais um democrata desenfreado.

sexta-feira, outubro 27, 2023

As três espécies da equação

 Nos primórdios da civilização, Hesíodo falava-nos em quatro raças de homens - a de ouro, a de prata, a de bronze e a de ferro. Relatava-nos também acerca duma decadência sucessiva. Eu, já neste século, por via de observação atenta, acrescentei a de plástico (a actual). Mas, no fundo, a actualidade, para lá da metáfora, processa-se dum modo, tenho que reconhecê-lo, assaz simples... São três as espécies a concurso: os sub-humanos, os humanos e os sobre-humanos. Os sub-humanos são todos e quaisquer uns que estorvem os sobre-humanos; os humanos são todos e quaisquer uns que lambuzem, annilinguizem e venerem bonzamente os sobre-humanos; os sobre-humanos, esses, como já devem ter adivinhado, são aqueles que eu me dispenso de enunciar.  São uma espécie de ídolos fetichistas da raça de plástico. E estão, sacra e necessariamente, acima de todas e quaisquer leis, princípios, sistemas ou morais humanas. Tal qual os sub-humanos estão abaixo. Isto é, uns, aqueles, não lhes devem respeito; e outros, estes, não lhe têm acesso. Ficou bem explicada a Palestina dos últimos 50 anos?

quinta-feira, outubro 26, 2023

A idade do Drone


 Num canal  qualquer do youtube, apercebi-me de raspão, discutiam a qualidade dos Merkava (o principal tanque israelita). Até aqui bacorejava-se que era o melhor do mundo; agora já se interrogam: "Merkava ou Merdava".  Bem, nem antes era o melhor nem agora é o pior. Está ao nível dos principais tanques russos e oxidentais. A questão, todavia, já é outra. Lembram-se quando, no Senhor dos Anéis, um dos feiosos proclama: "The age of the Man is over; the age of the Orc as become." Transponham: A idade do Tanque acabou; principia agora a idade do Drone.  De facto, estamos a assistir a uma daquelas mutações paradigmáticas na História da Guerra.

terça-feira, outubro 24, 2023

Prolegómenos a toda a mitofísica futura

 1. O Hamas é uma congregação de hediondos terroristas; em contrapartida o ISIS é (e sempre foi) um bando de terroristas fofinhos, que até mereceu apoio aéreo e hospitalar por parte de Israel. Porque, evidentemente, o ISIS só trucidava, com requintes de malvadez, sírios, iraquianos, kurdos, drusos, cristãos e tudo o que lhe aparecesse pela frente, excepto, adivinhem... pois, israelitas. Já o Hamas foi aquele despautério que se sabe. Pior que terroristas, são autênticos satãs: rebelaram-se contra o criador. Neste momento já foram até degradados a nazis... pelos próprios nazis em exercício.

2. Os trumpistas (seja lá isso o que for ou tenha sido) apregoavam o "América First". Estavam deslocados no local e no tempo: na actualidade americana é, em absoluto, "Israel First". Deviam aqueles, para realização plena da sua fantasia, ter atravessado o oceano. Deste lado, na União Europeia Sociopata e Soviética é que vigora, com fulgor e vigor viçoso o "América First". Aliás, a nível das "elites" (nulites, de facto) reina mesmo o América Only. Em Portugal, como as elites não se distinguem do resto, generalizou-se. Em forma de monturo - infecto-contagioso, por tele injecção e supositório merdiático.

3. Faz imenso sentido basear uma ocupação em remotos e abstrusos direitos de há 2500 a 3000 anos. Se bem que, para efeitos de jurisprudência e deliberação,  deveriam também ser ouvidos os tardo-representantes, sucessivamente, de Egípcios, Assírios, Hititas, Filisteus, Gregos, Romanos, Persas e Turcos, entre outros (quanto aos britânicos, nem vale a pena ouvi-los; já sabemos o que pensam).

4. Já que estamos no canal memória, permito-me também relembrar um caso de há apenas 60 anos, mais coisa menos coisa. Passou-se no antigo Ultramar português. Cerca de 3.000 portugueses, sobretudo mulheres e crianças, bem como umas dezenas de milhar de umbundos avulsos (indígenas do centro/sul), foram chacinados à catana, a tiro de canhangulo e à paulada. Esquartejaram, violaram, plantaram cabeças em paus, submeteram grávidas a cesarianas sumárias, etc, etc. Tudo em ambiente eufórico de grande e abençoada empreitada liberdadeira. Para o governo português de então, gente claramente perversa e retrógrada, o evento foi catalogado como "Terrorismo". Assim, com todas as letras, imagine-se. Todavia, para os preclaros e donairosos governos dos Estados Unidos, Reino Unido, União Soviética, China e todos esses promontórios do progresso na História, tratou-se, outrossim, de legítimo expediente da luta pela independência nacinhal. Tanto assim era, e acabou - na pós-debandada de Abril - por triunfar, que a UPA (o benemérito grupo excursionista dos massacres), renominada FNLA, se sentou depois, durante a descolhonização, à mesa das partilhas, no Alvor. Com a maior das solenidades, diga-se, bem como  o carinhoso bafo  das "potências" e do patego nacinhal,  agora devidamente aparelhado e atrelado à carroça da civilizaçona e do Puguesso, zurrando, glorioso e ufano, pois também ele finalmente emancipado da bipedia e da sobriedade. Experimentem, ainda hoje, perguntar a  qualquer um  destes direitalhos de trazer por causa (ou cauda, ou o raio que os parta), cuja principal ocupação consiste em estar de plantão ao urinol das ideias no voyeurismo  excitado do deita-mijo da esquerda, o que entendem do episódio sangrento de 61 e vereis como, em concordância zarolha com a esquerdalhada acéfala que tanto espreitam, logo papagueiam a tese puguessista e dão de barato ao colhonialismo toda a responsabilidade pelo açougue. Ou então foram os flatos da História, era fatal. É o que dá não idolatrar o Poder e a Força, perguntem ao Prometeu. Pois bem, a toda esta amostra de gente que se arrepela tanto com o putativo terrorismo do Hamas e faz olhos de mercador ao terrorismo da UPA, permitam que interrogue: são assim tão mais preciosos, mimosos e comoventes os mortos israelitas se comparados com os mortos portugueses? Então, e disglosando o ditado, pimenta no cu dos nossos é refresco, mas no cu dos israelitas enche-nos dum ardor excruciante e aflitivo? Pois, tenho uma novidade para vós todos, ó cavalgaduras: se connosco foi passado alvará de "luta de libertação", então na Palestina é "luta de libertação" também, pura e dura. Habituem-se: a "Luta de Libertação" quando nasce também é para todos. Até porque como não há moralidade, comem mesmo todos. E pela medida grande.

5. O chamado "Direito internacional" - regras e leis da ordem não sei quantos, resume-se ao aleive do momento do auto-glorificado país mais poderoso e absoluto não apenas da actualidade, mas de toda a História, da Criação e do Cosmos. Isto é, o baluarte da Democracia neste Mundo é o Absolutismo mais desenfreado, violento, torcionário e repressor de que há memória. Um verdadeiro Despotismo Grunho, nada esclarecido, à escala global.

domingo, outubro 22, 2023

O léxico e o Tabu

 O léxico ainda nos permite espreitar na psique dos interlocutores. Se atentarmos na verborreia do actual mandarim dos neo-hebraicos de fantasia, ao invectivar os possíveis inimigos, seja o Hamas, o Hezbolla ou a Seita secreta do Mancha Negra, utiliza um invariável termo: exterminar. Reparem, não ameaça derrotá-los estrondosamente, arrasá-los militarmente ou conferir-lhes uma tremenda carga de porrada. Não, vai directo ao absoluto, ao infinito (versão popular do Nada) ou, por assim dizer, ao livro de Josué e, mais intimamente ainda,  ao panteão Assírio, donde fanaram e mafiaram a divindade. O que é apreciável nestes neo-judeus é que não estão ali para enganar ninguém. Até porque nem precisam. A malta trata disso sozinha, por um reflexo já automatizado de auto-endrominação. E em regime de compulsão colectiva. E  o mais curioso, e até patego-engraçado, é que "israel" tornou-se, num certo sentido - ou seja, na dimensão "global", mercantilosa - o último reduto do sagrado neste mundo. Embora, muito graças à regressão mental ao primitivismo entretanto cultivada, esse "sagrado" se manifeste num plano meramente feiticista, ou seja, enquanto Tabu.

PS: Ainda a propósito da psique e suas derivações, não sei donde me ocorreu esta expressão, mas julgo que, mesmo pagando os direitos de autor, não deixa de ter a sua piada e justiça: Nataleão de hospício.

sexta-feira, outubro 20, 2023

Inusitada modéstia

 Em princípio, nada me move contra chacinas. Enquanto estão a chacinar, as pessoas, mesmo de etnias pulcras e ultra-pasteurizadas, não se entretêm com coisas muito piores como, por exemplo...  Bem, assim, de repente, não me lembro de nenhuma, mas deve ser defeito da minha memória que já não é o que era (aliás, nunca foi grande espingarda). Mas decerto existem por aí, senão aos molhos, seguramente às paletes.... Entretenimentos piores, que só visto!...  Ah, esperem...ocorre-me agora um: enclausurar as pessoas em campos de concentração e torturá-las e assassiná-las a conta gotas, com requintes sádicos e bombardeamentos ocasionais. Vêem?... E lá está, como agora é tudo relativo, o sofrimento e os seus fautores também. Comparado a matar à fome, à sede, ao desespero, em suma, ao lado do massacre lento e metódico, uma boa e rápida chacina chega mesmo a parecer um acto humanitário. Não chegarei ao ponto de considerar um gesto de caridade, mas, enfim, não andará longe.

Por conseguinte, quando vejo os israelitas, de facto e de aluguer, no púlpito e no coro, a chacinarem, com alacridade e benemerência, todo um conjunto de gente industrialmente mortificada e sistematicamente flagelada (às vezes, até fica a impressão que os santos jucoisos  continuam a projectar Cristo em cada palestiniano avulso), não me indigno ou sequer perturbo muito. Convenhamos: É o seu lado bom a vir ao de cima. Contra o seu lado negro, tortuoso, rancoroso e sádico. No fundo, é preciso que se emocionem (ainda que reduzidos e monotonizados pela emoção única da fúria) para que o sentimento humano se imponha à circunvolução cerebral alienígena. E quando chacinam um hospital avulso, aí, ninguém duvide, é claramente para atenuar, abreviar e, por piedade, erradicar o sofrimento de toda aquela gente agonizante. Uma eutanásia em larga escala, digamos assim. Nem consigo perceber porque tentam agora, no rescaldo, não assumir a benfeitoria. No seu apogeu vangloriar-se-iam sem pejo nem tibieza. Esmurrariam a peitaça entoando roncos. Descobriram a modéstia? Presságio da decadência fulminante?... Ou a profecia antiga paira, nebulosa, fúnebre, e assombra-lhes a fanfarra?... É que Ihavé não brinca.


terça-feira, outubro 17, 2023

Mutualismos (ex)terminantes

 Vou repor um postal de 2012, 21 de Novembro mais exactamente, sobre este mesmo prato do dia na época - Palestina com Israel a cavalo. Não é que eu seja assim tão inteligente ou arúspice, a coisa é que chega a tresandar de tão óbvia e previsível.

Em zaragatas entre tribos árabes, como aquela que decorre sempreviçosa ali para as bandas da Palestina, decidi adoptar rigorosa neutralidade. Como é universalmente sabido, aquela gente - entenda-se os Autóctones (assim denominados porque acusam os outros de alienígenas) e os Autoclismos (assim denominados porque pretendem limpar nódoas no seu mapa) não diferem nem na qualidade, nem na vontade, nem na finalidade - diferem apenas nos meios. Matam-se uns aos outros, recorrendo a todo o ódio, brutalidade e  terrorismo de que são capazes.  Simplesmente, aqueles que têm mais meios, matam mais. Como a desproporção é gigantesca, o balanço final é invariavelmente desequilibrado. Se por algum acaso do destino, houvesse equivalência de meios, não tenho dúvidas que se entregariam de corpo e alma ao extermínio mútuo. Empreendimento que consumariam em três tempos, caso ninguém os detivesse. Da forma como as coisas estão, só os Autoclismos pensam seriamente em formas sofisticadas e engenhosas de exterminar os outros; estes, por enquanto, estão numa fase bastante mais atrasada: envidam ainda denodados esforços para conseguirem meios e engenhos que, por seu lado, lhes permitam começar também a pensar   seriamente no extermínio alheio.
Atá chegaram ao olho por olho ainda vai demorar. Por enquanto ainda vão no olho por família inteira, habitação e quintal..
Isto, ao contrário do que a superficialidade julga, favorece os Autóctones. Vão endurecendo cada vez mais. Ao contrário dos Autoclismos: viciam-se a bater em desgraçadinhos, isto é, a degradar meios militares em acções de polícia interna, pelo que um dia destes (como, aliás, já se viu da última vez contra o Hezbollah) quando tiverem que enfrentar exércitos a sério correm o sério risco de estar minados e amolecidos pela facilidade, a arrogância e a poltranice.
Mas como entre aquela gente parece que a hubris, vulgo chutzpah, é entendida como uma virtude, só hão-de parar dentro do abismo.

E pronto, já chegaram ao tal ponto em que a cobardia cultivada  (facilidade, arrogância, poltranice) começa a dar os seus frutos. E, suspeito bem, ainda só vão na primeira colheita. 

segunda-feira, outubro 16, 2023

Da Palestina à Panlestina


 

«Matei um homem porque me feriu, e um rapaz porque me pisou. Se Caim foi vingado sete vezes, Lamec sê-lo-á setenta vezes sete.»
                                                      Genesis 4, 23-24


 Mas faz de conta que estou perplexo.
O dogma fundamental em voga nos israelitas é mais ou menos este: temos que brutalizá-los, o mais implacável e ininterruptamente possível, senão eles perdem-nos o respeito, quer dizer, o medo. "Brutalizar", entendam, é um eufemismo, daqueles desmesurados.  Acreditam, assim, que o terror, devidamente ministrado, com meios industriais e panóplia arrasadora, é o melhor antídoto para a monstruosidade empedernida e militante que vislumbram do outro lado. Não vou estar aqui a barafustar que os palestinianos são fofinhos ou merecedores sequer do ar que respiram. Concedamos até que são péssimas criaturas, indígenas inoportunos e empata-países de primeira ordem. Vou mais longe: mesmo a sua inscrição na humanidade é muito discutível, senão caduca, falsificada até (e milhares de pastores evangélico-mediáticos, vulgo jornalixeiros poderão certificá-lo com reconhecimento notarial e selo branco) - na humanidade?!,  onde é que eu tinha a cabeça!, na ordem dos vertebrados do reino animal queria eu dizer, dado que está cada vez mais cientificamente comprovado, por inúmeros estudos e experiências no terreno, que antes se circunscrevem na classe dos insectos, na melhor das hipóteses, e dos micróbios, segundo a maioria dos peritos, especialistas e entendidos. Aliás, cair-me-ia em cima toda a confraria de beatos e energúmenos de Jeovu, que monta guarda feroz ao sacrossanto excremento noticioso do instante fanático a ferver, caso eu, desde logo, não admitisse todos estes artigos de Fé hodiernos, supercatitas e ultra-sofisticados. Ainda mais agora, quando, depois do anillingus ininterruptus à Ucranato, compete  sorver  - com deleite e volúpia imarcescível toda (mas mesmo toda, e ela é desmesurada)  - a cloaca anal de Israel (seja lá, na realidade, o que isso seja, mascare ou represente). Ora, como eu tenho mais amor à minha pele  do que à verdade, aqui fica. E quanto ao essencial estamos conversados. Passemos pois ao acessório. Que, de resto, até recomendo ao leitor incauto que não desperdice tempo a ler, pois de mera ninharia e abaixo de zero se trata.
Tentemos apenas descortinar a lógica. Façam o que fizerem, são brutalizados. Um puto atira uma pedra, a merda do F16 vai lá a casa e escavaca um quarteirão. Um psicopata áspero esfaqueia um psicopata fofinho, outro F16 e menos outro quarteirão. Como método lá terá as suas virtudes, dado que a ideia é varrer aquilo dali para fora, mas também tem um pequeno (pequeníssimo, quase invisível, entenda-se) defeito: às tantas, toda aquela gente  infestação começa a suspeitar, seriamente, que pretendem exterminá-los. E da suspeita à certeza, geralmente, não vai uma grande a distância. Ora, como diz o ditado: perdido por dez, perdido por mil. Criança batida perde o medo; com os insectos é semelhante. De aterrorizados como convém (e a comunidade internacional abençoa)  a terroristas por desespero (e o ódio e a raiva adubam) é um instantinho. No fim da linha, não é difícil adivinhar o balanço: o terrorismo benigno e quiduxo do Estado de Israel transforma, em boa velocidade, uma percentagem cada vez maior de aterrorizados em terroristas. Do lado de cá, entre os instigadores de sofá e rabino-sacristães de pantalha, vocifera-se e taxam-se as emanações de terroristas. Mas do lado de lá, entre os insectos, lamento muito, chama-se legítima defesa. Ou classifica-se ainda, na natureza em geral, último recurso do animal encurralado. Todavia, grunhe-se a bacoreja-se, à bocarra cheia,  tom beato e para quem quiser ouvir: "Ah, mas o Hamas não representa os insectos!" Então representa quem? Ou o quê? Além do diabo de conveniência para os mata-percevejos de atalaia e biqueira pronta... Em bom rigor, colocam a questão como usam a inteligência: de patas para o ar. Não é o Hamas que representa quem quer que seja. Segundo somos elucidados pelo próprio Estado de Israel, ao longo pelo menos dos últimos vinte anos, os palestinianos é que representam o Hamas. Tanto que o Hamas faz e eles, os avulsos, é que as pagam. À bomba, invariavelmente. 

Outra pérola retórica dos necrófagos de plantão (desde a direitalha na bancarrota moral à escumalha instalada por controlo remoto e desvertebração prévia nos desgovernos oxidentais por encomenda, passando por toda a casta de troca-tintas, puxa-sacos e lambe-crias de passerelle): "Ah, Israel tem todo o direito a defender-se!..." Pois sim, mas então porque é que não se defendeu? Porque é que que os tais fulanos hediondos se entretiveram a destruir, desmilitarizar e abater a seu bel-prazer e com toda a calma deste mundo?  Israel, os insectos, a Cochimchina, o reino do Nunca, todos têm o direito - nem sequer é o direito ou dever, mas o instinto básico de sobrevivência - a defender-se. Convém é que o exerçam no devido local e ocasião. Ora, a verdade é que Israel, quando se devia ter defendido, não se defendeu. Quer defender-se agora, segundo estas bestas universais, à posteriori? Já perdeu a boa da oportunidade. Agora, para não variar, com o nariz partido e o rabinho dorido, propõe (e apregoa mesmo aos berros) vingar-se, isso sim. Porém, não se trata, em bom rigor, duma questão de direito, mas de força. E essa, evidentemente, não lhe falta. Nem força nem apoio da "Comunidade Internacional". Pelo menos para trucidar, digo, brutalizar uns milhares de representantes do Hamas. Numa espécie de vooduismo industrial de grande espalhafato. Assim, de repente, até me lembra aquela grande obra da história da filosofia, do pessimista mor da Irmandade: "O Mundo como Vontade e Representação". Ora, a Israel, vontade (de exterminar) é coisa que nunca lhe falta, e representações (bem como representantes) também não.
É legítimo, humano, sequer decoroso? Segundo a gritaria assanhada nos mass-media é sobretudo urgente. Imperativo categórico, no mínimo. Já nem assobiam para o lado, ou fingem que não vêem: incitam, acicatam, ululam... és maricas se não lhe partes já a cara e massacras a família! Descortina-se todavia, entre os azougados israelitas, algum progresso civilizacional: já promovem os insectos a animais e propõem-se abatê-los nessa categoria. Embora fúnebre, sempre é uma promoção.
De resto, segundo o estereotipo mas também a exaustiva comprovação histórica, os judeus são um povo muito devoto da contabilidade. Na última contagem, segundo me apercebi, de judeus indefesos colhidos pela razia, a soma ia nos 1400. Lá está, desgraçados, que não foram defendidos quando se impunha e servem agora de mero pretexto para a chacina ritual e sacramentícia. Setenta vezes sete, já recomenda a receita, no pantagruel lá deles, pelo que, pelas minhas contas, não hão-de frear antes dos 100.000.
Isto é mau? Apenas para o Ucranistão. Matar palestinianos é muito mais excitante do que matar ucranianos russófilos ou mesmo russos inteiros (ou, pelo menos, é uma convocatória muito mais virtuosa, obrigatória e solene), pelo que a malta muda de canal, e claque, em bloco. E mesmo que não mudasse, a verdade é que a programação foi tomada de assalto... em todos os canais; pelo que não lhe restaria alternativa. Mas o fazer de conta, esse, não muda: esta escória necrófila, de mirones da porno-guerra e masturbadores da teclo-belicosidade, faz de conta que são os israelitas a defender-se, coitadinhos e sitiados, como antes fazia de conta que não eram os ucranianos a morrer às carradas. Lá está, mais até que vontade e representação, vontade de representação. Cada qual alivia a excitacinha e esgrime a pilinha escaganifobética, dos valores e da virtude reptiliana, com a teleporcaria que mais lhe quadra e inflama.
Aos representantes do Hamas, outrora palestinianos, sobrecarrega o infortúnio: como se já não bastasse a chusma global que, em festiva romaria, os quer exterminados e tele-linchados, têm ainda que arrostar  com a qualidade daqueles que  alardeiam sofrer e ganir em sua defesa. A esquerdalhada acéfala, na perpétua venda ambulante de t-shirts de contrafacção  e bijuteria ideológica de pechisbeque marado à esquina da História, não ajuda... Apenas polui e inquina. Aliados destes apenas descriminalizam o inimigo. Entre a sonsice peçonhenta dum Daniel Oliveira qualquer e a grunhice compulsiva dum Fernandes, Hiena Matos, ou quaisquer desses uber-pensadores de aluguer, venha o diabo e escolha.
Pessoalmente, não tenho galo nesta luta. É zaragata lá entre entre árabes: espectrais contra pingarelhistas, e vice-versa. Suspeito seriamente que só terminará com o extermínio de uma das partes. Mas não aposto.
Entretanto, os desvalidos civis israelitas que, subitamente, acordaram sob ataque, sequestro e massacre por parte de sujeitos armados particularmente impiedosos e sinistros poderemos alguma vez imaginar  como se terão sentido?... Sim: como autênticos palestinianos. Afinal, ironia ou lei eterna do destino, a Palestina, quando nasce, é mesmo para todos. Já não há árabes nem israelitas, são mesmo todos palestinianos.

PS: Não menos simbólica e significativa é a declaração do estado de guerra por parte do Nataleão de serviço. Israel está de facto em guerra: consigo própria. E não, não é com a sua consciência: é com os resquícios de inibições. Como os esquizofrénicos. Ou os possessos.




sábado, outubro 14, 2023

O Apocalipse tenha piedade de nós!




 Como se já não bastasse o desgoverno do Costa, mais o sado-masoquismo da Ursula doida e o regime implantado de escatofagia compulsiva que lhe é imposto, o povo (perdoem o anedonoma*, como diria o Cioran) tem agora também que aturar e padecer os activistas da Climáximo. Não direi que são uma espécie  de talibãs. Porque, na verdade, são tão genuínos e ainda mais alarves e perniciosos. Apenas diferem no invólucro: em vez de sandálias e turbantes, actuam de chupeta e fraldas. Estão dispostos a varrer a civilização para que ela não pereça. Isto é, matam-na de modo a impedir que ela se suicide. Em síntese,  para nos salvarem (na figura abstracta do "planeta"), propõem-se dar cabo de nós. Pior que os que se masturbam com abstracções são aqueles que trancafiam coisas concretas em abstracções. Já nem sequer é uma nova ideologia: é um neo-totemmismo aberrante. E abjeccionista quanto ao método.

Sejamos honestos: se são eles o futuro, seus sacerdotes, invocadores ou guardiães, então qualquer catástrofe não só é preferível como desejável. E urgente. Até parece que já estou a vê-los de alcatra poisada nas administrações das indústrias e tecnopatias do amanhã. Os hippies viraram yupis e foi o que se viu e assiste. Estes,  seguramente, corporizarão uma qualquer nova espécie de canibalismo disneyléxico e milupampanante (acabo de criar uma nova palavra na língua portuguesa, não percamos, pois, a esperança).

Em suma: se a alternativa é entre eles e o apocalipse, serei franco: estou com o apocalipse. Já nem se trata duma forma de destruição, mas apenas de higiene... Em larga escala. No entretanto, e dado que a malta está a ficar cada vez mais lixada e relixada com a vida e todo o sado-aparelho reinante, estimo que, ao menos, desopile a condizer e os espanque a rigor. A bem do ambiente, o autêntico, da sanidade mental sobretudo, só se perdem as que caírem no chão. (Muito) mais importante que separar o lixo é tratá-lo como ele merece.

PS: Do mal o menos: aliviaram as necessidades num Picasso... Imaginem que o faziam no Bosch que está no Museu de Arte Antiga. Seria caso para encostá-los a uma parede.

* onoma, no grego, significa nome. Igualmente, no grego, anekdota significa literalmente "não editado", "inédito", e daí veio o nosso termo anedota. Anedonoma, portanto, pode traduzir-se por "nome anedótico". Daí chegarmos à democracia como o "poder de anedota" ou "pela anedota"? Tirem as palas, larguem as peias mentais por um instante e olhem à vossa volta.

terça-feira, outubro 10, 2023

A ser verdade...

 


Entre a Terra Santa I e a Terra Santa II ainda resulta algum Sem Abrigo Geral made in Némesis. A Hubris é fodida.

segunda-feira, outubro 09, 2023

O mercado a (dis)funcionar?

 Donde vieram as armas americanas que o Hamas usou, em barda, na operação?

Podem ter vindo,

a) do Afeganistão, via Paquistão;

b)  do mercado negro do Ucranistão;

c) do Isis, na Síria, via Hesbolla (armamento capturado);

d) da Somália (black op);

e) de todas as proveniências anteriores.

Escolham a que mais vos agradar.

PS: Estou em crer que não apenas a "Inteligência israelosa" sabia da operação: a CIA também; idem para o FSB. Convinha a todos.  Apenas os coirões europeus, como lhes compete e é apanágio do tempo e da estirpe, fizeram o papel de cornúpetos geoestratégicos. A impotência e a passividade típicas do gado em fila para o abate. E adivinhem quem é que vai levar em cheio com o  choque petrolífero que aí vem?...  estilo Yom Kippour 2.0... Com o primeiro, ainda me lembro bem, foi o nosso primaveril Caetano de vela. Muito antes das "primaveras árabes" e dos "fake outonos", já nós experimentávamos, senão inaugurávamos mesmo, as "revoluções floridas".

A Queda



 «Como caíste dos céus, Halel (Lúcifer), filho da aurora? Como foste abatido por terra, ó dominador das nações? Tu que dizias no teu coração: "Subirei aos céus, estabelecerei o meu trono acima das estrelas de Deus, sentar-me-ei na montanha da Assembleia, na extremidade do céu; subirei acima das nuvens e serei semelhante ao Altíssimo". Infeliz! Foste precipitado no abismo, no mais profundo do mundo dos mortos!»

       - Isaías, 14-12

Bem a propósito deste Israel de pacotilha, é claro. Quem semeia a soberba, o ódio e a impiedade tem, fatalmente, frutos bem amargos a colher. 

Que lhe façam bom proveito. Embora não me restem quaisquer dúvidas que é imune à aprendizagem, toda aquela para-gente raivosa.



domingo, outubro 08, 2023

Ao Panteão Nacinhal, já!





Desculpem lá a demora, mas tenho andado extremamente ocupado com outros assuntos de ordem urgente. 

Reparação e indemnizações a caminho!...

Entretanto, com imensa pena minha, até perdi a oportunidade de opinar sobre aquele arrastão tanatocoiso do Eça ao "Panteão" nacinhal. Ora, como é sabido, o actual regime transformou o panteão numa espécie de aterro sanitário onde despeja de acordo aos caprichos ideológicos e necessidades mentirológicas. Trasladar para lá o Eça equivale a despejá-lo, dum cemitério digno, numa lixeira. Para turista ver. A família do escritor está dividida. O escritor, no Além, seguramente vomita só de pensar na rebaixada honra. Emporcinam-lhe a memória. Não é seguramente um sítio recomendável, nem digno dele.

Em contrapartida, abundam por aí os talentos, esses sim, merecedores da homenagem. Nesse sentido, de modo a colmatar essa injustiça, e sempre animado dum espírito benemérito e generoso, o Dragoscópio inicia aqui, e desde já, uma petição nacinhal com carácter de urgência:

JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS AO PANTEÃO! JÁ!!!!....

Mas, rosnarão os incréus, ainda não está completamente morto...

Embalsamem-no, ora essa. Melhor: preservem-no para o posteridade (e o turismo), como lhe compete e é devido: num enorme frasco de álcool.