sexta-feira, março 10, 2017

O Modo Português

Para os raros que se interessam seriamente por estas questões, uma obra a ler sem mais delongas:




20 comentários:

Afonso Albuquerque disse...

Do que já folheei em visitas rápidas a livrarias, o Dragão tem razão e parece muito recomendável a leitura.

Esperamos é também uma obra sua, uma compilação e continuação das Acromiomancias. Não ficará atrás.

Bic Laranja disse...

Qualquer valor que possa ter, em quanto a mim, é papel sujo, borrado de acordês.
Dou de barato que este é muito melhor.
https://www.amazon.com/Flechas-Insurgent-Hunting-Eastern-1965-1974-ebook/dp/B00L3NZ3AU
.

Engenheiro Ildefonso Caguinchas disse...

Melhor ainda é este:
https://www.amazon.com/Portuguese-Commandos-Insurgent-Hunters-1961-1974/dp/191109632X/ref=pd_sbs_14_3/153-9989570-7410200?_encoding=UTF8&pd_rd_i=191109632X&pd_rd_r=AN1W7VAJXXT89VRRKS8P&pd_rd_w=OIPBH&pd_rd_wg=ebHWB&psc=1&refRID=AN1W7VAJXXT89VRRKS8P

Mas, como dizia o outro, não julgues o livro pela capa nem, tão pouco, pela ortografia.

Há que realçar e a todos os títulos louvar o facto de um oficial de marinha português ter tido a audácia de romper o cerco. O resto é pevides.

Aliás, existem outros sinais encorajadores, de teses de mestrado na Academia Militar que vão no mesmo sentido. Já não é sem tempo.

Dragão

lusitânea disse...

Quantos flechas teriam sido fuzilados?As tropas do Tchombé foram poupadas porque passaram-se por obra do Pezarat para o lado do MPLA...

Anónimo disse...

Os Flechas passaram, uns, para a África do Sul (Batalhão 31, salvo erro), outros para a Rodésia (rasto mais misterioso) e outros ainda dissolveram-se na sua vida tradicional. De qualquer modo nunca seria fácil fuzilá-los porque o sul de Angola, sobretudo as zonas do Cuando Cubango, permaneceram dominadas pela Unita e pelos Sul Africanos (Búfalo 32) até quase à queda final do Savimbi.

Os Catangueses passaram para o MPLA (não todos), mas não foi, exactamente, por obra do Pezarat. O autor foi outro. Mas a questão também não tinha grandes espinhas: ou eram fuzilados pelo MPLA ou pelo Mobutu. Não possuíam, pois, grande alternativa. Optaram por sobreviver.

Dragão

lusitânea disse...

Bem no Luso e no Cuito pelo menos o mpla esteve lá sempre:Mas sim admito que eles soubessem cuidar de si mas a sua zona ficou a ferro e fogo durante todo o tempo até ao fim do Savimbi...
E flechas não era só Leste...

Bic Laranja disse...

Não se trata de julgar o livro pela cacografia. Trata-se de fugir ao cerco... da leitura como forma de tortura.
O oficial da marinha não rompeu o cerco. Saiu da toca a medo, a julgar da necessária e protocolar justificação por dar à estampa coisa sobre tal assunto, na entrevista que deu à T.S.F.
Adoptar a língua de pau do regime chamando «guerra colonial» à defesa do Ultramar não o deslustraria mais.
Antes ler em língua de bárbaros.
Obrigado da sugestão!

Anónimo disse...

Muito obrigado pelo alerta sobre livro do Cann, ainda fresquíssimo (na Amazon diz que é de 22 de Fevereiro de 2017).
Claro que se não fosse o Draco, teria passado despercebido. A nossa comunicação social não gosta destas coisas pouco alinhadas, prefere destacar outras...

Miguel D

Anónimo disse...

O Cann é sempre uma garantia de interesse (senão mesmo paixão) pelo assunto. É já, merecidamente, uma autoridade conceituada a nível internacional. Abençoado seja!

Quanto ao livro do autor nacional, cacografia à parte, é muito meritório e merecedor de leitura. O próprio Óscar Cardoso, absolutamente insuspeito na matéria,o reconhece (e recomenda) no prefácio.

O autor não é de modas: compara o período das nossas Informações durante a defesa do Ultramar ao período de D.João II, salientando ambos como casos superlativos. No que mais não cumpre que o dever de bom rigor histórico.

O caro Bic, que tenho na conta de sério e seriamente interessado nestas questões, caso se dê ao sacrifício formal de lê-lo, estou seguro que acabará concordante quer com o Óscar (a quem a pátria deve justo reconhecimento pelos insignes e heróicos serviços prestados), quer comigo.
Ainda não li o livro todo, mas estou a devorá-lo com grande e inusitado prazer.

Dragão

Bic Laranja disse...

O prezado Dragão, pela autoridade que lhe reconheço na avaliação, provoca-me aqui um dilema sem solução. Má fortuna o autor não ser antes oficial da marinha brasileira...
Talvez venha a haver um exemplar electrónico capaz de ser recomposto por algum anti-Lince... Até lá ficarei mutilado no assunto por conta da mutilação do idioma.
Paciência.

Bic Laranja disse...

Parece, no entanto, que não vou ter sorte. Os tinhosos da Leya vendem o livro electrónico, mas só para ser lido na aplicação deles. São exclusivistas a ceder o produto ao cliente: pode-se lê-lo só à luz do «candeeiro» deles; chamam-lhe eWook reader porque a língua inglesa fica sempre bem. Há dias aprendi a vigarice que praticam pela módica quantia de 10€ o eBook, como lhe eles chamam. Pedi-lhes o ficheiro do livro para dispor dele como entendesse, ou dinheiro de volta. São tão tinhosos com o livro que preferiram devolver-me o dinheiro.
Ao diabo com aquela m... toda!

muja disse...

Não desespere, amigo Bic.

Deixe cá, que eu lhe arranjarei a solução.

Anónimo disse...

É incrível que tenha que vir um americano (Cann) para inventariar o modo português de fazer a guerra de contra-insurgência e que haja tão poucos portugueses a fazer a divulgação dessa história pelo público. Sei que há estudos do exército de enorme mérito, mas não são dirigidos ao leitor comum e por isso a sua divulgação é sempre muito limitada.
Para mais, todo o conhecimento que se foi juntando durante esses anos constitui um património de enorme importância. Basta ver que as guerras modernas têm em comum serem conflitos de contra-insurgência ou com elementos dessa natureza.
O facto de sermos um dos países com mais ciência nesta área não só é totalmente desaproveitado, é mesmo motivo de vergonha e constrangimento.

Miguel D

Anónimo disse...

Por falar em Óscar Cardoso, teria muito interesse em ler umas memórias do Inspector. Imagino que por ele deve ter passado muita informação que ainda não viu a luz do dia.
Sem embargo, sempre me pareceu estranho o relato que fez do 25/4, com umas atribulações para tirar o Marcello do Quartel do Carmo. Estranho como a DGS se deixou comer daquela maneira, mas seria talvez a difícil relação com as Forças Armadas a razão principal.

Miguel D

Anónimo disse...

Miguel,

Não somos um dos países com mais ciência, somos o país com mais ciência nesta área. Ou melhor, fomos, éramos... mas isso é coisa para um postal dos grandes só para explicar por vivência própria o que foi o desmazelo, a delapidação e o deitar ao lixo do património.

Quanto à DGS ter sido comida... Bem, eles não gostavam nem confiavam no Caetano. Pressentiam que o regime tinha ido a enterrar com o Oliveira Salazar... Portanto, tiveram que acautelar o futuro. Em parte, suspeito bem, uns quantos também embarcaram naquela ingenuidade tansa de acreditar no Spínola como via alternativa... Outros, o Óscar Cardoso é que deve saber bem quais, transaccionaram-se mesmo às "ventosidades estrepitosas da história". A grande maioria fazia apenas o que lhes mandavam, por conseguinte...

Também suspeito que a Pide/DGS na metrópole ficou sempre muito àquem do seu extraordinário desempenho no Ultramar. A pequenez aqui do quintal não perdoa. Contamina os espíritos. Entreva os horizontes. Basta atentar no que a generalidade da gentinha deste país se tornou uma vez confinados ao rectângulo... Minúsculos e mesquinhos devotos, quase todos.

Dragão

Anónimo disse...

"Basta atentar no que a generalidade da gentinha deste país se tornou uma vez confinados ao rectângulo... " muito bem observado essa asfixia e os exemplos não faltam no nosso quotidiano. Portugal histórico era um Mundo dentro do Mundo e agora apenas um apêndice da EU, como bem demonstrou a recente "mini-cimeira" dos quatros.

Unknown disse...

Venha então esse postal dos grandes, caríssimo Draco.
Quanto 'a delapidação do patrimônio que comentava, acho estranho as próprias Forças Armadas não puxarem mais sobre esses assuntos. Como instituição, fariam bem em aprofundar e desenvolver essas capacidades, neste tempo em que a sua imagem na sociedade se encontra tão diminuída e degradada. O próprio instinto de sobrevivência institucional que vemos na chafarica mais insignificante faria prever um esforço mais visível. Mas nem isso. Ou então 'e uma questão de incompetência na divulgação das próprias qualidades. Qualquer dia são substituídas por uma direcção-geral para projectos humanitários e igualdades...


Miguel D

muja disse...

Qualquer dia?...

Qualquer dia pedem desculpa por terem de pernoitar nos quartéis em território nacional, em vez de estarem permanentemente acantonados na sede da ONU, ou coisa que o valha...

Mas sim, pelo que escreve Brandão Ferreira, não parece que haja grande actividade entre os oficiais, pelo menos. Deixam achincalhar aquilo tudo.

Aliás, mediaticamente, as Forças Armadas portuguesas só existem no estrangeiro; ou para serem enxovalhadas, quando morre alguém em instrução ou se avaria um equipamento qualquer num desfile - desfile esse que, caso contrário, ninguém veria nem seria notícia.

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Eu estou com o Bic, não se entende o critério que presidiu à escolha da ortografia. Espanta-me que os autores de obras presumidas graves e sérias pactuem com isto.

Não entendo como contam ser levados a sério.

Toda a gente que se importa com a ortografia é contra o crioulo - institucionalmente - imposto. E quem é a favor, normalmente, não se importa com ela. Eu, pelo menos, nunca ouvi ninguém queixar-se de tal ou tal livro não estar redigido em c.i. em vez do português propriamente dito...





Bic Laranja disse...

@ Muja

C.I. = crioulo institucional?
Quero-lhe agradecer a generosa boa vontade na tarefa de reversão do crioulo. Aliás, estou-lhe penhorado de me ter reprogramado Lince para escrever português, em lugar de mutilá-lo.
Cuido que não possamos ir longe neste caso porquanto do Wook não facultam ao cliente livros em forma electrónica. Apenas os facultam para leitura na sua aplicaçãozinha (que é uma m... comparada com o Kindle ou os eBooks da Apple). Descarreguei, como disse, um livreco e quis achá-lo no iPad e no Android para convertê-lo para o Kindle com o Calibre e, chapéu (ou melhor, barrete). Não no vi em lado nenhum. Pedi-lhes que mo enviassem em «atache» e está quietinho! Roeram-me a corda.
Portanto — e somando que nos haveríamos de ter de meter em negócios com acorditas e vígaros assim — cuido que não mereça a humilhação nem o trabalho.
Já me conformei.
Mas obrigado!

Vivendi disse...

http://www.sabado.pt/vida/detalhe/ao-lado-dos-portugueses-combatiam-em-angola-de-arco-e-flecha