segunda-feira, novembro 27, 2023

Troca de Reféns e exorcismos kosher

 A contragosto, os imaculados israelitas lá tiveram que libertar alguns perigosos terroristas que mantinham devidamente aferrolhados nos seus santos presídios, digo, retiros de meditação.

Uma terrível terrorista posta agora em liberdade (notem a capa que lhe confere superpoderes destrutivos e conspiratórios): Aseel Mousa...


Entretanto, num apontamento de reportagem não recomendável a almas sensíveis, uma cena do Exorcista IV: um sacerdonte kosher enfrenta um hediondo demónio que se alojou numa criança internada (desde os 13 anos) no campo de férias.


A mesma criança, agora liberta, 8 anos depois, já devidamente desparasitada do pestilento inquilino:


Pelo sim, pelo não, é melhor conferirem os órgãos, aquando da entrega.

domingo, novembro 26, 2023

Entre a Extrema-Direita e a Extrema-Estupidez



« Crescimento da extrema direita "é culpa dos partidos 'mainstream' que não enfrentam os problemas"»


Os partidos "mainstream" (fica logo tudo esclarecido no barbarismo do termo) não enfrentam os problemas nem, sejamos honestos, essa constitui a sua função, missão ou compromisso. Pelo contrário,  criam-nos, nutrem-nos, desenvolvem-nos e zelam, com carinho e enlevo maternais, para que se reproduzam. Poderíamos até chamar ao pseudo-regime destes formidáveis partidos o problemódromo, que é como quem diz, uma espécie, particularmente alavancada e alambicada, de aviário de problemas. Ou problemo-pecuária industrial. Quanto ao método, nada mais simples, patenteado e recorrente: para resolverem um problema, geram e destilam, no mínimo, mais dois ou três. A seguir, perante a multiplicação dos problemas, cegamente fiéis à lógica abstrusa que os obsidia, disparam na proliferação descontrolada.  Acresce que não contentes com isto, ainda se entregam ao requinte de inventarem problemas, importarem problemas, e, de emergência, constituírem inúmeras comichões para a imaginação, restauro  e estudo de pseudo-problemas, ex-problemas e cripto-problemas.

Aqui há uns anos, meia dúzia se tanto, um sujeito meu conhecido, amigo inveterado da piada, surgiu-me com a seguinte observação: "Já viu, como se queixam amargamente da extrema-direita?" Resposta minha: "Pois é, meu caro, creia: estamos entre Cila e Caribdis: dum lado a extrema-direita, do outro a extrema-estupidez."

Ora, com efeito, a ocupação dos "partidos mainstream" (ou quaisquer outros, devo desde já reconhecer e avisar, porque, no fundo, todos aspiram a subir do saguão "offstream" ao púlpito "mainstream"), mais não corporiza que o "sistema" da Extrema-estupidez. O primeiro mandamento dos seus tripulantes e curandeiros é apodarem de extrema-direita toda e qualquer alternativa que coloque em causa a perpetuação do seu  problemaviário. Isto - não barafustem, leitores - é perfeitamente compreensível; insere-se na sua mania  - atrás referida - de imaginar problemas. Claro que um problema imaginário, mesmo sem pés nem cabeça, é acarinhado e submetido ao processo multiplicativo de qualquer outro, real ou fictício. Não tarda, uma série de problemas-pimpolhos germina do problema da "extrema-direita" imaginária: peido mestre democrático, jugulação das liberdades, brutalização das minorias, aspereza social aos imigrantes, etc, etc. Lá está, o que mais preocupa - aliás, ofende! - a Extrema-estupidez é o surto de algo que se proponha atacar, resolver ou beliscar que seja os problemas. Mais que a forma, o critério, ou até mesmo o absurdo descabelado, é mesmo essa ideia - herética, demoníaca! - de resolução que os afronta e transporta à birra furiosa (com o absurdo até podem eles bem, já que o ordenham, aspergem e transaccionam todos os dias). Um problema, segundo a Extrema-estupidez, não é, de modo nenhum, para resolver, mas apenas para polir, gerir e explorar. Assim, não surpreende que, nesse seu idílio tosco com a fantasia, quando, insatisfeita com os problemas que herda, mantem e cria, ainda importa mais problemas, aos quais confere um  valor quase mágico para a modernização e ampliação do aviário. Dir-se-ia até que a importação de problemas constitui o ramo mais sagrado do sua superstição. Problema importado é problema sagrado! E não pensem sequer que estou apenas a falar em gente avulsa (estilo emigrantes, turistas, traficantes coisas assim). Não, isso é o menos. Quando desatam a importar crenças, fanatismos, guerras, catástrofes, manicómios, programas informativos, alucinações colectivas, taras de aluguer, tretas para consumo, etc, etc, é que a extrema-estupidez ganha contornos de avalanche. A ameaçar tsunami. Perante uma tal ameaça, massacrados por problemas como os cães vadios pelas pulgas, os otários eleitores, às tantas, cedem ao desespero e à publicidade. Sucumbem à infernalização dos parasitas.  Já estão por tudo, viciados que são no nada. Viram-se para a extrema-direita?

Não sei exactamente para onde se viram. Ou sequer se chega a ser espontâneo ou mero reflexo automático... como a cauda-espanador das cavalgaduras a sacudir as moscas. Sei, isso sei, de ciência limpa, que totalitária, absurda e realmente extrema, nesta hora que passa, só mesmo a Estupidez. A sua obsessão pelos problemas ultrapassa a paixão, a devoção ou até a idolatria. Já deveio toxicopendência.


sábado, novembro 25, 2023

25 de Novembro, se bem me lembro...

 Para não me repetir:

Acromiomancia Revisitada - XXII. Centuriões e Decorativos


sexta-feira, novembro 24, 2023

Chalaças e carnavais trans

 

«Membros da IL anunciam saída por o partido se ter "tornado numa caricatura"»

E antes era o quê - uma anedota? Uma pilhéria? Uma chalaça? 
Enfim, claramente, não apreciam sínteses mais adiantadas no processo cómico. Só coisas que me apoquentam. Um deles já fez as malas e migrou para o Chega. Vislumbra certamente uma melhor oportunidade de negócio. É o mercado a funcionar, presumo. Quanto aos restantes também não admira: com o paraíso ultraliberal a abrir na Argentina, como resistir? Já devem até ter comprado bilhete. De avião e pró circo, num package tour, com estadia e pequeno almoço. Muitos  mais se seguirão, espero bem. Afinal, não é todos os dias que o eden recauchutado reabre para neo-crentes.

Outra coisa, o messias argent-ino é um fulano, dizem, anarco-capitalista, que quer tornar a Balbúrdia das Pampas na quinquagésima qualquer coisa (estado?) do Grande Israe..., perdão, dos Estados Unidos da Amnésia (G. Vidal copyright)... Podem ler aqui uma radiografia canonizante  de primeira ordem. Mais uma vez, rebento de perplexidade: como é que a Extrema Estupidez consegue apodar de "extrema-direita fascista" (enfim, toda a Extrema-direita é, por inerência, segundo estas abéculas, fascista - com ou sem o eufemismo de populista) um "libertário", ou liberdadeiro, em suma, um wannabe "Lindo&Puro destes? É o que eu desconfiava: estamos a lidar com malucos e alucinados de burríssima extração. É gente, além de acéfala, inculta e monótona. A bem da instrução, eu explico: fascismo significa absolutismo estatal - o Estado, a limite, como Neo-Teose (ou "apo-teose" da nação). Ora, uma marionete cabeluda que pretende, em bom rigor, acabar com o Estado Argentino por degradação a um "cripto-estado norte-americano", e que, assim,   se propõe desnacionalizar por completo, até às mais fundamentais consequências, a Argentina, poderá ser muitas coisas: fascista é que não. Trata-se, na realidade, dum democrata liberal no estágio derradeiro da sublimação. Proclama expressamente, e sem ambages, toda a obscena fantasia que tanto excita e ocupa, em secreta e tímida punheta, a generalidade dos direitalhas onano-argentários cá da paróquia. Emigrem, pá, emigrem! Aproveitem!... Buenos aires para todos!... 
Sempre era metade da Extrema-Estupidez que nos desamparava a loja.

PS: Digam lá se não é poesia do mais elevado gabarito:


He also studies Torah regularly.

In an interview with Spain’s El Pais newspaper over the summer, Milei talked about his study with Rabbi Shimon Axel Wahnish, who heads ACILBA, an Argentine-Moroccan Jewish community based in Buenos Aires. Milei said he has considered converting to Judaism but worries about how Shabbat observance would clash with the duties of the presidency.

He demonstrates his passion for Judaism at rallies and public events, often walking out on stage to the sound of a shofar, the ram’s horn blown on Rosh Hashanah. At one rally in August, the shofar sound was accompanied on a screen by a photo of a man wearing a Jewish prayer shawl.

PSS: No fundo é mais do estilo conservador trans, sub-ordem  católico que se identifica como judeu. Moralmente não binário.  Nem sequer é original ou coisa rara.

quinta-feira, novembro 23, 2023

Pretty and pure 2.0

 Antigo conselheiro duma treta qualquer do Ex-Presidente do oxidente, B. Obama (e do anterior também). Um tal Seldowitz. Só para nos imbuirmos bem do nível a que aquilo carbura....

AQUI 

Foi de tal ordem a chutzpah na via pública, que agora até tiveram que simular que o prendiam por banalidades:



Não tarda, o AIPAC e a ADL vêm libertar o seu herói, vítima do preconceito e do imarcescível antissemitismo postiço.

E parece que o fulano era ( e seguramente vai continuar a ser) useiro e vezeiro na arte do assédio herpe-vocal. Conforme atesta o First Deputy Permanent Representative of Russia  to the UN.:

«Before harassing Muslims this “repellent cretin” had for months got a good training harassing our personnel in the Upper East Side, especially women, and stalked them shouting Russophobic insults. Only bypassers tried to stop him and bring to his senses. NYPD distanced itself from our complaints.»

terça-feira, novembro 21, 2023

The pretty and the pure (Os Lindos e puros)

 «Israel diz já ter matado “dezenas de combatentes” em Gaza»

Dos cerca de 13.000 palestinianos, segunda as estimativas oficiais, mortos até agora, quais são as "dezenas de combatentes"? Significa que 12.900 eram civis?

E se matou "dezenas de combatentes", então onde andam os terroristas, não matou nenhum?

Entretanto, para memória futura, um vídeo com alguns baluartes civilizacionais dignos, sei lá, da civilização azteca. Não vi tudo, mas recomendo uma canção de criancinhas capaz de ganhar a próxima Eurovisão e a promessa de sanções à escala planetária por um sujeito claramente humilde e parcimonioso. Isso e uma guerra mundial entre Israel e o resto do mundo. Não sei se amerdicanos incluídos (no resto do mundo ou no furúnculo kosher deste).



PS: Dado que os lobisomens do Hamas já terão abatido umas dezenas de querubins das IDF, deveremos inferir que a contenda vai empatada?... Fora os civis, bem entendido.



segunda-feira, novembro 20, 2023

Democracia top

 Escuto e leio, entre perplexo e divertido, clamores de lesa-democracia e golpe de estado judiciário!... Parece que o Ministério Público, segundo os alarmes e sereias, atirou com o governo abaixo. Para não variar, tenho muitas dúvidas. Uma palete delas, no mínimo. Até porque, por um lado, era impossível o Ministério (e seja ele Público, Expresso, Correio da Manhã, jornal de Notícias, ou o quer que esteja a florir no momento) derrubar uma coisa que não existe ou que, pelo menos, erecto se não avista. O que estava, se insistem mesmo em definir, era um desgoverno porfiado, falando eufemisticamente, e uma moléstia nacional, em concreto. A verificar-se a veracidade da denúncia, então o país o mais que deve é ficar agradecido ao tal Ministério putativamente golpista e bota-abaixo. Por mim, envio já daqui as minhas sinceras gratulações e votos de feliz natal e próspero ano novo! O flagelo ameaçava tornar-se insuportável, o povo gemia, arfava e arrancava os cabelos, pelo que benfeitoria mais urgente se não lobrigava. Abençoadinhos, os afanosos esbirros!... Ah, mas foi à surrelfa do direito, à sarrafada aos códigos, tocando marimba para as leis, esganiçam-se as vestais de serviço ao templo da Babilónia!... Ora, ora, pentelhices, minudências! Era uma emergência, ora essa! Não havia tempo para mesuras ou protocolos! Em tempo de incêndio não se afiam lápis (perdoem, mas acabo de inventar). E se cometeram meia dúzia de atropelos ou trapalhadas foi sob a pressão e a pressa, legítima e abnegada, de acudirem às chamas...  Uff, confesso que começava a ver o caso mal parado.

Por outro lado, as minhas duvidas ganham contornos de abismal cepticismo quando, como se não bastasse o golpe de estado peregrino, acrescentam ainda, os alvoroçados, uma crise de regime de contornos cataclísmicos. Se depois disto sobrevier o dilúvio, ninguém se admire! Vamos lá  ver, se persistem em massacrar-nos com ficções, ao menos que estas apresentem o mínimo de verosimilhança. Se governo não havia, ainda menos qualquer espécie de regime. Regime, como o próprio termo indica, pressupõe um "rex", seja ele coroado ou não. Um "rex",  uma regra soberana,  enfim, real soberania. Ora, desde 1974 - a última data em que, embora gasto e titubeante, foi avistado regime neste país -,  o que grassa, em formato de praga ambulante, é uma competição alternada entre ausência de regime e regime nenhum. Garatujaram, em arraial de feira, um papel de faz-de-república, ao qual limpam sistematicamente o dignitário fundilho, e eis, por passe de mágica e anedota, o neo-rex: o povinho ambliope. O saudoso Almada dizia com propriedade: "o país onde Camões morreu de fome e todos enchem  a barriga de Camões". No actual caso anedótico é mais o "país onde o povinho passa miséria e todos os  democratas enchem a pança em nome do povinho". Por conseguinte, queiram desculpar a realidade, o regime não estremece coisa nenhuma: desapareceu para parte incerta. É irrelevante o que se queira fazer passar por ele. A surreal suberania, enfim... Do povinho? É mais o polvinho e os choquinhos com tinta.

Além do mais, compete declarar o seguinte: a legitimidade charlatã dos presentes comensais do erário & orçamento, SARL, não estava em causa. Isto, não obstante os episódios eleiçoeiros, à escala oxidental, devirem cada vez mais esquisitos e suspeitos. Contudo, vamos dar de barato que sim, que foi sem trampolinices suplementares (apenas as processuais). Mas o caso evidente é que, cevadíssimos e enfastiados, entraram já sem grande apetite nem gulodice na rês-pública, posta, temperada e amarrada para o sacrifício. A maioria absoluta, qual maná fora de horas, caiu-lhes do céu aos trambolhões. Foi mesmo entediado e contrafeito que o primo-demissionário Costa se viu forçado a mais quatro anos de desgoverno. Ora, o desgoverno já propicia um certo tédio: imaginem um desgoverno absoluto. Justiça se lhe faça que tratou de rodear-se, em calafetante casco, duma pandilha abnegada e competente para o efeito. Astros cintilantes da envergadura dum Galamba anunciavam, se é que não garantiam, um naufrágio empolgante ao virar da esquina. O pensamento elevado que presidiu ao empreendimento deve ter sido qualquer coisa como: "com estes estropícios, em menos de nada estou na alheta!"  Agora que a mobília e os destroços boiam ao sabor da maré, insistem em culpar quem - o tal Ministério Correio da Manhã, ou Público ou lá o que é? Só se for de cumplicidade, conluio ou conjura. 

Sobra ainda todo um conjunto de malfeitores de idêntico jaez, que aguardam, impacientes e resfolgantes, à porta do refeitório. Com a voracidade com que se apresentam, não tenho quaisquer dúvidas que se arvoram capazes de desgovernar melhor que os defuntos e perfunctórios comilões. É preciso dar oportunidade a esta gente! Ainda não lhes adentrou o fastio. Depois do fartar camaradagem, vai decerto advir o fartar vilanagem. O povinho ambliope, que nunca se farta destas coisas, lá saberá, como lhe compete, eleiçoar a rigor.

Por último, convém enaltecer o grande serviço prestado à democracia pelo Ministério de Notícias da Beira, ou do Tal&Qual, ou Jornal 1X2, etc. Já que não somos todos iguais perante a lei, ao menos somos todos iguais perante a ausência dela: o inefável Ministério destrata todos por igual, e não apenas o cidadão comum. É bom saber que também os tratantes eleitos e aboletados no Estado experimentam o seu fueiro apofântico. E para quem a defenestração até era a justa pena, o linchamentozinho em praça pública quase beira a semi-amnistia. Pior: se pensarmos que, ainda por cima, pagam às prestações, mais suave um pouco.

E que dizer sobre o esclarecimento da verdade que tudo isto indicia?...Um mimo! Uma conquista de Abril, ou Novembro se preferirem. Ficamos todos a saber, de ciência certa, que, nesta república - como alguém aqui justamente lapidou - catatónica, o nível entre os órgãos de soberania é mesmo todo igual. Uma bela trampaplenagem. Melhor democracia seria difícil.


PS: Quem prefira outras perspectivas menos imparciais sobre o fenómeno, pode sempre visitar:

a) para um tratamento de pau de marmeleiro a rigor do MP - o Portugal Contemporâneo;

b) para uma hagiografia sempre viçosa do MP - A Porta da Loja (não leva link, para não ofender o proprietário).



sábado, novembro 18, 2023

Oximorologia para totós - 2. Civilização Ocidental

 



A última vez que o termo "ocidental" foi utilizado com plena propriedade foi pela pena dum poeta do século XVI. "Ocidental praia lusitana", lapidou ele. E, de facto, Portugal é o "ocidente" da Europa; e a civilização mediterrânia teve na aventura marítima portuguesa o seu ultimo avatar. Com a singularidade de se ter transposto do "mar fechado" (ou familiar/doméstico), para o oceano aberto (ignoto e selvagem). Essa é também a sua face negra: a viagem ao abismo, ao indefinido/desconhecido/indeterminado. Entenda-se a "viagem para lá do ocidente"; e sendo que Ocidente, geograficamente, significa o local onde o sol se põe e a luz morre, então, infere-se, a "viagem à treva, à noite". Não é por acaso que, por exemplo, uma das grandes obras literárias do século vinte se intitula "Viagem ao Fim da Noite". A América simboliza isso mesmo: o anoitecer da Europa. O mergulho nas trevas. Ao contrário do que a propaganda "iluminista" pretende impingir à martelada, a Idade das Trevas não equivale à Idade Média: a idade da treva inauguram-na eles. Ao seu mais recente estágio degradante chamam "Ocidente".

Todavia, tal qual o exemplo de Alexandre, o Grande (paradigma de todos os impérios) a odisseia portuguesa não segue na direcção oeste: demanda leste (toda a vida e tudo o que é vital, aliás, experimentam essa tendência - procuram a luz natural). Como os altares das igrejas, ou a boca da lareira e, sempre que possível, a própria fachada das casas. No caso português ainda é mais premente: do oeste sopra o vento, vem a humidade e a neblina, que tudo corroem e apodrecem.

Chamemos-lhe assim: o "Caminho da Corrupção". Acontece aos seres vivos, como acontece às ideias e às edificações artificiais que os seres humanos implantam, convertendo ou subvertendo aquilo que cobiçam na Natureza. Este caminho, como o sol ao longo do dia (a tal metáfora da Esfinge perante Édipo), progride do nascimento à morte, do oriente ao ocidente, passando pelo auge do meio-dia - a plena luz, o vigor pleno. O fim do caminho dum homem, quando o cadáver se decompõe, não é um espectáculo bonito de se ver. Por isso o escondemos em sepulturas, ou o abreviamos por incineração. Aquilo que, por definição e verdade ôntica, se chama "Civilização" é, originariamente, a Hélade e estabelece-se segundo dois vectores: por oposição à barbárie (numa analogia entre o cosmos e o caos); por comunidade de uma língua, o grego. Se queremos um corpo essencial para atribuir, dum modo genérico, a civilização: helenismo. O cristianismo, por exemplo, e porque é muito importante no decurso subsequente da cultura clássica europeia, é um helenismo. O que seja o helenismo é assunto vastíssimo e com muitas implicações e afluxos orientais, ao longo dos séculos e da própria posição de charneira e entreposto que os gregos sempre mantiveram (afinal, os povos indo-europeus vieram de leste como o sol, antes de se fixarem mais a oeste) na geografia e na história. Delfos é o umbigo do mundo antigo, ou melhor dizendo, da civilização. Uma ilha do Mediterrâneo. Como Ítaca.

Toda a matéria é corruptível. Esta é uma lei básica da física e universalmente verificável. Então a "matéria da civilização" também é corruptível? Como para todas as coisas, existe a matéria e existe o espírito. Ora, se o espírito duma coisa, seja um homem, seja uma civilização, se encerra ou conforma à respectiva matéria, então esta, necessariamente, arrastará aquele no seu vórtice decadente. Este pequeno parágrafo que ora termino traduz a essência do pulsar helénico, a grande questão da civilização. E registe-se que questão não significa sòmente pergunta: significa também demanda. Busca. Da verdade.

Saltemos de chofre para o século vinte. Para o novo "grau zero" da História. Nos escombros da Europa pós Segunda Grande Guerra. A grande apoteose "iluminista". Pouco importa agora se os carniceiros vencedores eram melhores ou piores que os carniceiros derrotados. Nestas coisas da estrita matéria só mesmo os vermes finais para espiolharem as minúcias. O facto é que assistimos a um culminar de vários fenómenos. Um dos mais determinantes: o estabelecimento duma espécie de absolutismo da matéria, isto é, a implantação massiva da crença que só a matéria existe, só a razão conta e apenas o conhecimento científico é digno. Fazendo fé nisto, teremos então uma "civilização do lixo". Não há mesmo como contornar: se apenas a matéria conta, então a finalidade  - a causa última - duma cultura destas é o lixo. Por mais espampanante, luxuriosa e sofisticada que seja a forma com que se embale essa matéria, nos seus diversos artifícios, o destino fatal é a ETAR do cosmos. Daí à lixeira a boiar no espaço e os gritos aflitos de imberbes lixados, clamando que lhes querem lixar o futuro é o hospício em que vamos. Em que estado fica o helenismo, isto é, a civilização, no meio disto tudo? Bem, se não está morto, cheira já pelo menos dum modo extremamente esquisito. E pestilento.

Haver cultura é haver um espírito que transcende e ultrapassa as limitações óbvias da matéria. Se só existisse a matéria nunca teria havido civilização. Se se decreta a matéria absoluta estabelece-se o fim da civilização. Proibe-se o pensamento pleno; confina-se a milenar demanda a um parque de  diversões infantilizadas culminado num circo de monstros e abortos escandalosos.

Nunca, em milénios, antes de 1946, existiu uma "civilização ocidental". Este "ocidental" emerge a partir duma zona geográfica fictícia estabelecida segundo uma Cortina de conveniência. Macaqueia a civilização original na medida em que se contrapõe a uma "barbárie": a barbárie socialista soviética. O Ocidente é aquilo que não está fechado a Leste; e que partilha não uma língua, mas essencialmente uma moeda franca: o dólar, todo poderoso. E resume-se a pouco mais, na vida mental mais elevada, do que esguichar um anti-comunismo de alguidar por infantilizados crónicos no carrocel do mira gaitas e toca píveas. A realidade é que o que triunfou da Segunda Guerra foi um materialismo desenfreado que, velozmente, se cindiu em dois: um materialismo benigno, ou capitalista; e o materialismo maligno, ou socialista. Assim taxado, visto do lado de cá; o contrário, se visto de lá. Pelo menos até a famosa Queda do Muro. A partir daí, restou apenas o dito "Ocidental", que se arvorou campeão, superlativo, perpétuo, absoluto e receptáculo sacrossanto e definitivo de toda a civilização, passada ou futura.

Todavia, tivesse acontecido ao contrário e a diferença não seria assim tão grande. O facto é que nenhum deles, a Leste ou Oeste, garantia grande saúde ou cuidado com a civilização, entenda-se a tradição e cultura helénicas. Ambos apenas constituíam fórmulas particularmente hostis e simiescas de aviltamento, contrafacção, perversão e, enfim, corrupção acelerada da "matéria dessa civilização", dado que nenhum do seu espírito cultivando. Em rigor, duas formas virulentas de barbárie a armar à civilização. A barbárie ocidental em confronto com a barbárie de leste. Vamos agora naquela parte em que a Barbárie Ocidental, onde quer que tripudie e barbarize, fá-lo travestida de "civilização" e em nome de combater as diversas (e não raro imaginárias) barbáries que infestam o mundo. A barbárie russa, a barbárie árabe, a barbárie persa, a barbárie chinesa, a barbárie sérvia, etc... Enfim, todo um planeta reduzido a mero geo-talho de conveniência. O triunfo roncante, nesta fase, não do mundo civilizado, mas do mundo às avessas.


quinta-feira, novembro 16, 2023

A Síndrome de Gaza

 

Quem pense que toda esta actual carnificina em Gaza é algo de extraordinário, dada a fúria justíssima dos enxofradinhos por via da inaudita petulância hamasiana em 7 de Setembro, anda a comer muito queijo e a memória junto com ele. O que, de resto, não é novidade: todos estes jagunços de psico-aluguer e culturistas da tanga apenas sabem exercitar e promover a monomania instilada pelo momento mediático a ferver. A sua efervescência é tão fulminante quanto instantânea e esgota-se na sua própria guturalidade repetitiva. Operam, invariavelmente, num misto de disenteria moral e retro-alimentação conceptiva, ou seja regurgitando e destilando, em canora matraca, a substância vácua  daquilo que desovam. Chafurdam e refocilam, assim, em perpétuo e fétido êxtase.

Só que não há nada de extraordinário neste mais recente episódio. Nada do apregoado e grunhido "acesso agudo": apenas manifestação duma arreigada síndrome. Crónica, incurável, sistémica e auto-imune.

Basta relembrar, ainda há meia dúzia de anos o célebre "Método Mordechai". Bem como o postal seguinte, de 2016, que me permito repostar para avivar as memórias:


Se pensarmos que o professor Mordechai é um caso patológico isolado estaremos a ser  desenfreadamente optimistas. Passo à apresentação do não menos emérito professor Amitai Etzioni. Qual o seu método?

- Varrer Beirut  inteirinha do mapa.

A que propósito ou pretexto severo?  Simples: porque é em Beirute que o Hezbollah esconde os mísseis. Ou pelo menos ele imagina que sim. Donde que,  pelo sim, pelo não, arrasa-se a cidade inteira e depois logo se vê. Mas primeiro avisam-se os habitantes, para  que, de livre vontade e com sorridente compreensão, abandonem a área e entreguem as suas habitações, comércios, indústrias e infraestruturas públicas (escolas, hospitais, monumentos, etc) à devastação metódica e solene. O exército libanês, reforçado pela ONU, presumo, deverá até supervisionar e fiscalizar pressurosamente a retirada.
Estou a mangar convosco? Infelizmente não:




E por aí fora. Trata-se, no fundo, de estender, paulatinamente, Gaza ao universo. 

Estamos perante um indivíduo alucinado e psicótico? Tirem o "indivíduo" da equação. Estamos perante uma mentalidade. E também perante uma ideologia, radicalmente perversa, racista e agressiva, que, na medida em que goza de impunidade e facilitação sempre crescente, já raia o carcinoma planetário. Isto já nem sequer é o sionismo: é a malignização desarvorada do sionismo. Descambaram. Como os nazis depois da Noite das Facas Longas descambaram. E enquanto não se compreender que Israel não é uma teocracia (como os detratores de esquerda invocam), mas uma teofania, como a deriva satânica exibe cada vez mais a bandeiras despregadas, não percebem nada.
O que o Estado de Israel proclama - com farronca e arrogância desatadas - a quem quiser ouvir, é:  Iahvé
 sou EU.

Um dia destes Ihavé vinga-se da soberba ímpia? Não confundam o Chefe dos Exércitos de Israel com o Deus de Aristóteles e de São Tomás. Há milhares de anos, os Hebreus inspiraram-se no deus maior do panteão Assírio - Assur, o senhor da guerra e dos exércitos, para cunhar Iahvé. Na mentalidade semita, desde há milénios, o massacre e a razia das cidades não é impiedade. Pelo contrário, é o tributo devido ao deus, e, por conseguinte, é a forma mais pia e superlativa de culto. 
Freud era um manhoso que dum modo geral projectou as próprias taras na própria teoria. Mas teve um discípulo que não é desinteressante de todo: Jung. Falava dum "inconsciente colectivo". Resta-nos a nós adivinhar, ou tentar decifrar, nas deambulações de certos povos sonâmbulos, os monstros arcaicos que os obsidiam e tripulam.
O Cosmos não cabe em certos becos. E toda a Hubris, é fatal, convoca uma cobradora: a Némesis. Não há paleio contra isto.


PS: falta acrescentar um pequeno mas importante ponto: os deuses semitas não são "deuses morais". A questão da moral enquanto confronto entre o mal e o bem, a liberdade subjacente à "escolha moral" e até os conceitos de salvação e redenção não são oriundos das culturas semitas, mas sim da cultura persa. Segundo  Zoroastro, também conhecido por Zarathustra.  Não é por acaso que a mais bela obra literária da Filosofia se intitulou "Assim Falava Zarathustra". Caso não saibam, é a obra com mais edições e traduções da história da humanidade. Sim, mais ainda que a Bíblia. O que é que herdámos da cultura judaica (notem que judaico não é sinónimo de hebraico, apenas uma degradação/decadência)? Segundo Nietzsche e aí, em boa medida concordo com ele: o Ressentimento. Aparece sobretudo nas épocas de decadência avançada e nos grupos socio-marginais ou contra-culturais. Exemplos: os migrantes transatlânticos,  de trânsfugas sectários variados, que viriam a corporizar o "evangelismo americano"; os kazares judaizados do Pale of Settlement , que viriam a corporizar a esbirraria soviética; dum modo geral, todos os medíocres ou mesquinhos que invejam a grandeza - e por isso ao judeu se chamava tradicionalmente o "Invejoso". Ir empenhar no agiota também se dizia "entregar ao Invejoso".  O judeu como "filho do diabo" , segundo a Idade-Média - ou "enteado do mesmo cornúpeto", segundo mestre Gil, pois... Enfim, ainda hoje se pode reconhecer esse carácter ou, de certo modo, esse atavismo cultural quando nos deparamos com um indivíduo invejoso ou ressentido, ou, dito com propriedade, "um judeu". Não é forçoso que partilhe a raça, o credo ou a fortuna: basta que partilhe o espírito, entenda-se, a ausência dele. 

PSS: Evidente e felizmente, também existem, quero acreditar, muitos judeus, de raça ou de credo, que não são nem invejosos nem ressentidos. São pessoas.  E de valor. Precisamente porque não respeitam o estereotipo e estão-se nas tintas para a idiossincrasia da tribo. Deus os proteja e abençoe!

quarta-feira, novembro 15, 2023

A Antilíada, ou O certame de bandalhos

 Se repararmos no nosso país com atenção, constataremos que, a partir duma determinada data, abdicou da soberania efectiva. Assim sendo, desembaraçou-se também, inerentemente, da independência plena. Deveio, por assim dizer, uma espécie de protectorado  sabe Deus do Quê. Não obstante, enquanto na realidade, se menorizava e submetia a tutoria externa, desenvolvia toda uma sofisticada ficção para mascarar a coisa. Soberania não precisava (o último que a tinha praticado de facto foi mesmo demonizado, anatemizado e lançado nas chamas eternas do inferno da História), mas tinha agora "órgãos de soberania" resplandecentes e deveras catitas, de importação pacóvia  - Presidente da república, Assembleia da República, governo da república e os tribunais da república. Independência também dispensava, porque, em contrapartida, dispunha doravante duma tremenda e vertiginosa "independência interna", às fatias e aos molhos. Isto é, embora o estado não seja soberano, dispõe duns tremendos  órgãos de soberania; embora a nação se manifeste impotente e dependente, transpira e resfolega de poderes independentes que só visto (e a cartilha pateta e sinistra dos corta-cabeças de 1789 atesta e recomenda). O resultado está à vista. E duma forma cada vez mais grosseira e atabernada, a cada escândalo que passa. Sendo que a cegada é tanto mais alucinada e degradante quanto é putativamente legitimada, numa espécie de ritual mágico, por eleições de imitação. Consistem estas em escolher entre projectos de oposição e de desgoverno, ou, dito mais concretamente, em preencher os cargos e guichés dos "órgãos de soberania" sem soberania, e dos poderes independentes sem independência. É, fatalmente, toda uma república de ficção. Terminado o anedótico cerimonial, os eleitores, quase instantaneamente, descobrem que o presidente não preside, o governo não governa, a assembleia não congrega e os tribunais desprezam o direito. Pudera!... Donde que, em menos de nada, a toque de corneta (do diabo), clamores para novo acto eleitoral, ou seja, insistir nas mesmíssimas causas esperando os efeitos opostos. Dir-se-ia uma tentativa furiosa de exigir  a Deus  o milagre através do cansaço. Os que escolhem sem terem escolha lá são convocados mais uma vez. Para perpetuarem o marasmo implantado e externamente vigiado. Já esteve mais longe de ser dia sim, dia não.

Entretanto, no meio de todo este badanal imarcescível, sobressai um detalhe esplendoroso: os órgãos de soberania sem soberania que não são independentes de forças maiores externas também o não são das forças menores internas, onde sobressaem, com destaque ruidoso, os chamados mass-media. E não fora a fabulosa independência destes, escorada numa deontologia profissional à prova de bala, não sei, francamente não sei, onde já teríamos todos, enquanto projecto colectivo, ido parar.

A sério: É uma bandalheira a esmo? Completa e nunca acabada. Das mais toinas e luxuriantes que imaginar se possa.

E tem toda esta choldra o barrete que merece? Bem justinho!

PS: Mas ninguém negue a tremenda coesão nacinhal: entre os "órgãos de soberania" é uma corrida ombro a ombro na demanda do pódio do aviltamento da função. Já levam meio século nisto.

terça-feira, novembro 14, 2023

Oxidentalização em Curso

 O Oxidente está a libertar a "comunidade LGBTQ+ clandestina de Gaza". Hallelluia!, tudo vai terminar, em apoteose, com um desfile/parada Pride. Vão ter é que voltar a enfiar o Ihavé no armário.






sexta-feira, novembro 10, 2023

O Último-Ministro

 Estávamos sentados à mesa da tasca, digo ciber-tasca, eu, o Dino e o Caguinchas, degustando uma aguardente sénior, devidamente subtraída à vigilância esbirra da ASAE, quando o Dino teceu o seguinte comentário notífago:

-"Eh pá, Ó Dragão, parece que o Ministério Público se atirou destrambelhado ao Costa!"

Eu ia para ripostar qualquer coisa como "Só se perdem as que caem no chão!" ou "Que não lhe doam as biqueiras!", mas o Ildefonso Caguinchas nem deu tempo. Atalhou, sentencioso, do seguinte e idiossincrático jaez:

-"O Ministério do Público?!  Mas esse Costa é uma perfeita abécula!  Que toino! Especialmente a escolher ministros, foda-se... Além de não valerem um caralho nem lhe passarem cartão, agora até já porrada lhe atestam!... Esse ministro do público deve ser fresco. Na volta, ainda é primo do Galambão... Ó Dino, passa-me aí o Correio da Manhã para eu lhe catrabispar as fuças!..."

Nem sei bem se aturdidos ou afónicos, concentrámo-nos na aguardente sénior e deixámos apressadamente a política.  E enquanto ele prosseguia, com energúmena verve - "Primeiro-Ministro, sim sim!... Só se for na república das beterrabas de Cona da Mãe Street! Um banana metido a Chamuceler que enfarda do próprio subordinário não é Primeiro, é Último-Ministro!...Derradeiro-Ministro!!..." - , nós, concertados, adoptámos as expressões e posturas necessárias a tudo fazer por indiciar, urbi et orbi, que não o conhecíamos de lado nenhum.

terça-feira, novembro 07, 2023

A Decadência da Ficção

 Numa apreciável quantidade de casos, a filosofia, em todo o seu aparato livresco, não excede a ficção de má qualidade. Péssima literatura, enfim. Pelo contrário, a História é toda ela ficção, mas de  razoável qualidade em  muitos casos. Já a literatura propriamente dita é de baixa extracção em quantidades industriais, mas, nos seus raros génios, consegue produzir filosofia e história de excelência, bem acima dos respectivos - e putativos  - especialistas ou catecúmenos.

O nosso tempo, entretanto, já não produz nem filosofia que se apresente, nem literatura que se recomende. Quanto à história, desde há mais de cem anos que anda a prostituir-se no bordel da propaganda (não que antes fosse virgem no estabelecimento, mas agora salda-se  em moldes estritamente comerciais - no prévio, a vocação era mais de índole religiosa, benemérita, estilo babilónico). A pessimização, não admira, é sinónimo de anglo-saxonização. Estou a empalar de palito uma miríade de lombrigas estéticas e microcéfalos da cultura? Ainda bem. A ideia é mesmo essa. Da literatura é melhor nem falar. Até por falta de assunto ou caso real.

Serve este justo e sempre oportuno introito para falar na mais recente erupção ficcionista do Oxidente. Como é sabido, e está vastamente documentado, este, na sua guerra encarniçada à Realidade, tudo submete à ficção. Mas à ficção de péssima e intragável qualidade. Muito pior que a filosofia medíocre ou a história de pechisbeque. Na forma, consiste numa espécie de pantanovela (panta de totalitária e panta de pantalha) em emissão ruidosa e ininterrupta. O clima é uma das suas peripécias principais. Querem o mais recente exemplo? Leiam só este cartaz parangonal:

«Vem aí um episódio de chuva forte»

Portanto, a meteorologia, como tudo, virou telenovela. Em episódios. E a nós, perante a mesma, compete-nos o papel de consumidores/espectadores. Assistimos às chuvadas, às ventanias e enxurradas, como a qualquer outra série da Netflix ou equivalente. E se na forma telenoveleja, no conteúdo, segundo os argumentistas de plantão e produtores de pornochuvada, limita-se a meia dúzia de dogmas parolos, mascarados de "estudos" e repetidos ad nausea. Quanto ao título para tão trepidante quão deprimente espectáculo... Não lhe chamam "E tudo o flato levou", como o apocalipse de alguidar sugeriria. É algo mais solene e minimalista, como decerto já adivinharam: "CIÊNCIA". 

domingo, novembro 05, 2023

O Germano em penitência onomástica

 

Só para termos uma vaga noção do estado da arte no Império Sacro-annillingânico do Oxidente.


«Há uma "diferença clara" entre os crimes de guerra de Israel e do Hamas

À vista desarmada, poderá parecer um bandalho homuncular, mas, com o devido microscópio, revela-se o humorista de alto coturno (ou baixa extracção, como é a generalidade destes piadistas de telejornal). Todavia, está escorado na mais elementar das realidades: Israel não tem como objectivo - isto é, não manifesta a menor das intenções em matar pessoas. Em primeiro lugar, porque elas morrem, não é Israel que as mata (e morrem por culpa e vontade própria, quer dizer, suicidam-se); e, em segundo lugar, porque nem sequer são pessoas que morrem, como injusta e criminosamente é apontado, mas animais, monstros, insectos. 

De resto, há nisto tudo um ror de mal entendidos, senão mesmo perpétuas calúnias.  Enumeremo-las detalhadamente.

1. Israel não tem intenção de matar, nem, tão pouco, mata. Pessoas, entenda-se. É indiscutível e patente à vista de todos. Como pode então falar-se - aludir-se sequer - em "crimes de guerra" de Israel? 

2. Mas Israel bombardeou, repetidamente, um campo de refugidos; obstarão os invejosos do costume. Israel não bombardeou campo de refugiados nenhum, ora essa! Israel bombardeou um monstro hammasiano; o campo de refugiados é que se pôs à frente. 

3. Aliás, Israel não bombardeia: as IDF bombardeiam. Mas as IDF, por sua vez, também não bombardeiam porque são apenas instrumento de Israel. Que, por seu turno, é apenas instrumento de Ihavé. Ora, Ihavé não reconhece a ONU nem os tratados e leis humanas. Genocídio, para ele, não é crime: apenas expediente atávico - vastamente documentado, aliás, numa obra muito conceituada.

4. Mas Ihavé não existe, bradarão os incréus e desgnósticos de plantão, escandalizados. Não quero entrar em debates teológicos a uma hora destas. Mesmo que Ihavé não exista: na realidade, Israel também não. Mas a realidade é uma coisa e a Crença é outra. Ora, a Crença em Israel é formidável e sustenta-se em dois dogmas sumptuosos: o holocoiso e a concessão iIhavetusa. Ora, os monstros hediondos (e nazis descarados, descobriu-se recentemente após a última cavadela mediática) não reconhecem a existência de Israel. Recusam-na mesmo liminarmente. Trata-se, de facto, e sob o labéu decorativo de conveniência ("terrorismo") de ateísmo desenfreado, torpe e contumaz, ou seja, blasfémia, heresia, impiedade absolutas! Perante isso, como é que alguém ainda se espanta quando acontece o castigo divino, na forma dum auto-de-fé colectivo? 

5. Outros mal intencionados poderão ainda argumentar (quer dizer, bolçar inanidades e asnolálias) que, na medida em que, como se vem revelando, Israel mata indiscriminadamente terroristas e reféns (quer dizer, palestinianos e israelitas), Israel mata também pessoas (os israelitas reféns, imagine-se). Patetice! Pessoas somos nós, os oxidentais devotos; os israelitas são anjos, seres superiores, imaculados. Nessa condição, são necessariamente eternos e imortais, apenas ascendendo a um plano de luz ainda mais sulfurosa  e transcendente, em caso de aparente óbito. Simplesmente, deixam de ser vistos à vista desarmada. Das pessoas, claro. Porque à vista armada, dos clarividentes tribais,  continuam a existir, como boa parte daqueles seis milhões imaginários, digo, de fé, que nunca ninguém viu, mas existem pela eternidade. Uma espécie de neo-santos (não de pau carunchoso, mas de cabinda, no mínimo, já que sempre viçosos) com narizinho peculiar e hordas de devotos crentes, em sabuja peregrinação, demandando favores, lugares no ascensor social e cunhas pró currículo (passe a redundância).

6. Em resumo, tenham juízo.

quarta-feira, novembro 01, 2023

O salto em frente

 O Bibi Nataleão (de hospício) não deve ser desconsiderado nem destituído do justo mérito pelos extraordinários prodígios que tem realizado: conseguiu unir chiitas e sunitas (isto, depois de todo aquele esforço e investimento no ISIS precisamente para o desiderato oposto); conseguiu congregar na mesma barricada a Turquia e o Irão; conseguiu pôr de acordo os rebeldes do Iémen e o governo do Iémen; enfim, dum modo geral, logrou aquilo que, desde, sensivelmente, Saladino, nunca tinha sido restaurado nem revisto: a união de todos os muçulmanos numa causa comum. 

Vem-me assim à mente aquele célebre aforismo do Nietzsche: "Quando olhas dentro do abismo, o abismo para dentro de ti". A reformulação do Bibi é mais ou menos esta: "O abismo saltou para dentro de mim; e eu vou atirar-me para dentro dele."

E, realmente, parece estar a convocar e atrair um belo tsunami para o efeito. De tanto bradar ao holocausto, um dia destes ainda lhe bate o dito cujo à porta. Os negócios com o diabo têm esse proverbial senão: um dia ele comparece com a factura.

PS: Que o Bibi se despenhasse no abismo não traria grande mal ao mundo nem me ocasionaria, a mim, qualquer lamento ou preocupação. O problema é a rataria que ele leva  atrás, em suicidário cortejo (como aquele flautista famoso). Permito-me apenas recordar-vos que, à frente deste, cheios de garbo e entusiasmo, marcham os vossos queridos líderes oxidentais (e os súbditos destes, convém nunca esquecê-lo, é que pagam...e amortecem). Vão imaginando o resto, que eu, como sou mauzinho, tratarei de fantasiar num próximo postal.

PS2: A única certeza do momento é outra das proezas do Bibi: alcançou, também com todo o mérito e justiça, o título de maior Antissemita ao cimo da Terra.

domingo, outubro 29, 2023

A Catástrofe que vela por nós

 A partir duma certa idade, e de alguns anos de indignação debalde, um tipo habitua-se às chacinas, aos genocídios, às limpezas. Tornou-se uma espécie de rotina planetária. Trabalho de casa ou lida doméstica, enfim. O pagode tele-embrutece com telejornais ininterruptos. Chega a ser anedótico: os putativos humanos, absolutamente inertes e bovinos perante as tropelias diárias e recorrentes da sua própria espécie, entendendo-as como naturais e absolutamente necessárias (isso e o permanente gang-bang económico em que é flagelado na agro-pecuária onde o mantêm recluso), mas, em contrapartida, altamente atentos, preocupados e em luta ruidosa, fanática, contra os fenómenos climatéricos. Agora deram em ladrar à chuva, ao sol, aos ventos e marés. Coisas que, como é consabido, dominamos e manipulamos desde os primórdios dos tempos e da História (aliás, desde o primeiro traque com que agredimos a atmosfera e inaugurámos o planeticídio em larga escala). Ou seja, e traduzindo: o artificial foi declarado natural (e normal, por inerência);  e o natural foi degradado a artificial (e retrógrado, obscuro, conspirativo, ameaçador do futuro da espécie e do planeta, por taxação). Assim, só para dar um irrisório exemplo: Um tipo ser eleito miss portugal é perfeitamente natural; em contrapartida, a família tradicional, a reprodução da espécie, já tresandam a aberrante... As hordas crescentes de desempregados, sem-abrigo, bombardeados, despejados em frentes picadoras de carne são também inteiramente naturais - afinal, emanação desse corolário mor e sacrossanto da natureza: o "mercado a funcionar"; já a meteorologia é completamente artificial, produto acabado da maldade e do egoísmo humanos.  Seria para rir se não representasse algo de muito sério, insidioso e pervasivo. E não existe outro termo para denominá-lo: Mal. Há qualquer coisa de extremamente maligno e anti-humano, porque sobretudo anti-vida, a funcionar no âmago deste aparente manicómio aplicado às massas. Chegámos a um extremo, à beira dum precipício, onde não se avista nada mais anti-americano do que o governo americano, nem ninguém mais anti-europeu do que os (des)governos europeus, ou anti-português do que o (des)governo português. A esta antítese de tudo o que, outrora, representava uma civilização, apelidam, os falsários e sociopatas instalados, de "Ocidente", ou "Comunidade Internacional", ou "Os Nossos Valores".  E todavia, nada menos geolocalizado, comunitário ou axiológico do que aquilo que eles brandem, fermentam e representam. Não apenas estão contra todos os outros povos, mas sobremaneira contra o seu próprio povo, numa dis-topia permanente o obsessiva; não apenas, minam todas as outras formas de comunidade e comunicação, como envenenam e dissolvem a sua própria  comunidade; não apenas destroem e criminalizam todos os valores autênticos que serviram de eixos à civilização europeia, como os substituem, pervertem e macaqueiam com toda a espécie de aberrações e desumanizações peregrinas. Quando iniciei este blogue, há mais de vinte anos, o sub-título rezava: "Agora é o caos, no princípio era apenas uma pequena confusão." Tratava-se duma glosa à célebre abertura da Teogonia de Hesíodo ("No princípio estava o Caos"). Ora, o que se verifica é que, em vez da frase razoavelmente humorística, descubro, algo estarrecido, que, na realidade, se tratava duma premonição sombria. Dir-se-ia que vivemos um regresso ao caos em modo turbo, e que outra febre não ocupa todo este bestiário ao leme do Oxidente senão o devolver-nos a esse estágio primordial e absolutamente informe, porque destituído de qualquer espécie de ordem, sentido ou beleza. Ou seja, há toda uma força maligna anti-cósmica em acção. Podemos chamar-lhe muitas coisas. Desde a mitologia à ciência, passando pela religião, a arte e a filosofia, o cardápio é vasto. Cada qual tenta encaixar o fenómeno na taxinomia que tem mais à mão. Mas, independentemente disso, da arrumação na linguagem, o essencial é que todos lhe experimentam os efeitos. Mesmo aqueles que se derriçam e enlevam, chafurdando e grunhindo no conforto dum qualquer chiqueiro climatizado ou pedestal de barro esterquilínio. Uma coisa é certa, porque verificada e comprovada por séculos de experimentação: uma catástrofe natural não escolhe entre justos e injustos, naturais e aberrantes: quando varre, varre a eito.  Mesmo o ápice da catástrofe artificial - o armagedão atómico - procede com igual preceito. Não faz destrinça.  Em ambos os caso, se atentarmos bem., é duma reinstalação sumária do caos que se trata. De resto,  o nosso mundo acontece sob essa condição:  a ordem e a vida paredes meias com o caos e a morte. Assombram-nos e visitam-nos todos os dias,  em todas as épocas, em todas as culturas. São absolutamente necessários e pedagógicos: sem eles, sem o seu extremoso cuidado, onde pararia a nossa soberba, onde dispararia a nossa arrogância, que torres babilónicas não urdiria a nossa ganância, escorada e fogueteada pela nossa estupidez?... Nem quero imaginar! A verdade é que a besta que  em nós palpita  só aprende à chapada - à chapada, à bordoada e à reguada cósmicas-, só assim observa a humildade essencial, a piedade cívica, a educação vital.  É toda uma escola que acontece por ciclos, como bem viram e estipularam os antigos. E nem tinham universidades, vejam lá bem!

A catástrofe que  nos aguarda é precisamente, não aquela imaginária que forjamos, mas aquela que com a nossa estupidez e reptação convocamos. O Oxidente não é um estado último da civilização: é um estertor, um clamor à vassoura cósmica, uma infecção planetária que o organismo cósmico tratará de extirpar. Que instrumentos ou recursos empregará para o efeito, só Deus sabe. Afinal, muito mais ( e muito pior) do que contra o ambiente, é contra Ele que a matéria purulenta opera, todos os dias. Deus, o de Aristóteles, entenda-se. Tenho Fé.

sábado, outubro 28, 2023

Tirocínio, tiranicídio, tiroteio, whatever.

 




Convoca-nos uma interrogação obrigatória: Quantos tiranos é que ele terá abatido no Mayne, USA? Enfim, mais um democrata desenfreado.

sexta-feira, outubro 27, 2023

As três espécies da equação

 Nos primórdios da civilização, Hesíodo falava-nos em quatro raças de homens - a de ouro, a de prata, a de bronze e a de ferro. Relatava-nos também acerca duma decadência sucessiva. Eu, já neste século, por via de observação atenta, acrescentei a de plástico (a actual). Mas, no fundo, a actualidade, para lá da metáfora, processa-se dum modo, tenho que reconhecê-lo, assaz simples... São três as espécies a concurso: os sub-humanos, os humanos e os sobre-humanos. Os sub-humanos são todos e quaisquer uns que estorvem os sobre-humanos; os humanos são todos e quaisquer uns que lambuzem, annilinguizem e venerem bonzamente os sobre-humanos; os sobre-humanos, esses, como já devem ter adivinhado, são aqueles que eu me dispenso de enunciar.  São uma espécie de ídolos fetichistas da raça de plástico. E estão, sacra e necessariamente, acima de todas e quaisquer leis, princípios, sistemas ou morais humanas. Tal qual os sub-humanos estão abaixo. Isto é, uns, aqueles, não lhes devem respeito; e outros, estes, não lhe têm acesso. Ficou bem explicada a Palestina dos últimos 50 anos?

quinta-feira, outubro 26, 2023

A idade do Drone


 Num canal  qualquer do youtube, apercebi-me de raspão, discutiam a qualidade dos Merkava (o principal tanque israelita). Até aqui bacorejava-se que era o melhor do mundo; agora já se interrogam: "Merkava ou Merdava".  Bem, nem antes era o melhor nem agora é o pior. Está ao nível dos principais tanques russos e oxidentais. A questão, todavia, já é outra. Lembram-se quando, no Senhor dos Anéis, um dos feiosos proclama: "The age of the Man is over; the age of the Orc as become." Transponham: A idade do Tanque acabou; principia agora a idade do Drone.  De facto, estamos a assistir a uma daquelas mutações paradigmáticas na História da Guerra.

terça-feira, outubro 24, 2023

Prolegómenos a toda a mitofísica futura

 1. O Hamas é uma congregação de hediondos terroristas; em contrapartida o ISIS é (e sempre foi) um bando de terroristas fofinhos, que até mereceu apoio aéreo e hospitalar por parte de Israel. Porque, evidentemente, o ISIS só trucidava, com requintes de malvadez, sírios, iraquianos, kurdos, drusos, cristãos e tudo o que lhe aparecesse pela frente, excepto, adivinhem... pois, israelitas. Já o Hamas foi aquele despautério que se sabe. Pior que terroristas, são autênticos satãs: rebelaram-se contra o criador. Neste momento já foram até degradados a nazis... pelos próprios nazis em exercício.

2. Os trumpistas (seja lá isso o que for ou tenha sido) apregoavam o "América First". Estavam deslocados no local e no tempo: na actualidade americana é, em absoluto, "Israel First". Deviam aqueles, para realização plena da sua fantasia, ter atravessado o oceano. Deste lado, na União Europeia Sociopata e Soviética é que vigora, com fulgor e vigor viçoso o "América First". Aliás, a nível das "elites" (nulites, de facto) reina mesmo o América Only. Em Portugal, como as elites não se distinguem do resto, generalizou-se. Em forma de monturo - infecto-contagioso, por tele injecção e supositório merdiático.

3. Faz imenso sentido basear uma ocupação em remotos e abstrusos direitos de há 2500 a 3000 anos. Se bem que, para efeitos de jurisprudência e deliberação,  deveriam também ser ouvidos os tardo-representantes, sucessivamente, de Egípcios, Assírios, Hititas, Filisteus, Gregos, Romanos, Persas e Turcos, entre outros (quanto aos britânicos, nem vale a pena ouvi-los; já sabemos o que pensam).

4. Já que estamos no canal memória, permito-me também relembrar um caso de há apenas 60 anos, mais coisa menos coisa. Passou-se no antigo Ultramar português. Cerca de 3.000 portugueses, sobretudo mulheres e crianças, bem como umas dezenas de milhar de umbundos avulsos (indígenas do centro/sul), foram chacinados à catana, a tiro de canhangulo e à paulada. Esquartejaram, violaram, plantaram cabeças em paus, submeteram grávidas a cesarianas sumárias, etc, etc. Tudo em ambiente eufórico de grande e abençoada empreitada liberdadeira. Para o governo português de então, gente claramente perversa e retrógrada, o evento foi catalogado como "Terrorismo". Assim, com todas as letras, imagine-se. Todavia, para os preclaros e donairosos governos dos Estados Unidos, Reino Unido, União Soviética, China e todos esses promontórios do progresso na História, tratou-se, outrossim, de legítimo expediente da luta pela independência nacinhal. Tanto assim era, e acabou - na pós-debandada de Abril - por triunfar, que a UPA (o benemérito grupo excursionista dos massacres), renominada FNLA, se sentou depois, durante a descolhonização, à mesa das partilhas, no Alvor. Com a maior das solenidades, diga-se, bem como  o carinhoso bafo  das "potências" e do patego nacinhal,  agora devidamente aparelhado e atrelado à carroça da civilizaçona e do Puguesso, zurrando, glorioso e ufano, pois também ele finalmente emancipado da bipedia e da sobriedade. Experimentem, ainda hoje, perguntar a  qualquer um  destes direitalhos de trazer por causa (ou cauda, ou o raio que os parta), cuja principal ocupação consiste em estar de plantão ao urinol das ideias no voyeurismo  excitado do deita-mijo da esquerda, o que entendem do episódio sangrento de 61 e vereis como, em concordância zarolha com a esquerdalhada acéfala que tanto espreitam, logo papagueiam a tese puguessista e dão de barato ao colhonialismo toda a responsabilidade pelo açougue. Ou então foram os flatos da História, era fatal. É o que dá não idolatrar o Poder e a Força, perguntem ao Prometeu. Pois bem, a toda esta amostra de gente que se arrepela tanto com o putativo terrorismo do Hamas e faz olhos de mercador ao terrorismo da UPA, permitam que interrogue: são assim tão mais preciosos, mimosos e comoventes os mortos israelitas se comparados com os mortos portugueses? Então, e disglosando o ditado, pimenta no cu dos nossos é refresco, mas no cu dos israelitas enche-nos dum ardor excruciante e aflitivo? Pois, tenho uma novidade para vós todos, ó cavalgaduras: se connosco foi passado alvará de "luta de libertação", então na Palestina é "luta de libertação" também, pura e dura. Habituem-se: a "Luta de Libertação" quando nasce também é para todos. Até porque como não há moralidade, comem mesmo todos. E pela medida grande.

5. O chamado "Direito internacional" - regras e leis da ordem não sei quantos, resume-se ao aleive do momento do auto-glorificado país mais poderoso e absoluto não apenas da actualidade, mas de toda a História, da Criação e do Cosmos. Isto é, o baluarte da Democracia neste Mundo é o Absolutismo mais desenfreado, violento, torcionário e repressor de que há memória. Um verdadeiro Despotismo Grunho, nada esclarecido, à escala global.

domingo, outubro 22, 2023

O léxico e o Tabu

 O léxico ainda nos permite espreitar na psique dos interlocutores. Se atentarmos na verborreia do actual mandarim dos neo-hebraicos de fantasia, ao invectivar os possíveis inimigos, seja o Hamas, o Hezbolla ou a Seita secreta do Mancha Negra, utiliza um invariável termo: exterminar. Reparem, não ameaça derrotá-los estrondosamente, arrasá-los militarmente ou conferir-lhes uma tremenda carga de porrada. Não, vai directo ao absoluto, ao infinito (versão popular do Nada) ou, por assim dizer, ao livro de Josué e, mais intimamente ainda,  ao panteão Assírio, donde fanaram e mafiaram a divindade. O que é apreciável nestes neo-judeus é que não estão ali para enganar ninguém. Até porque nem precisam. A malta trata disso sozinha, por um reflexo já automatizado de auto-endrominação. E em regime de compulsão colectiva. E  o mais curioso, e até patego-engraçado, é que "israel" tornou-se, num certo sentido - ou seja, na dimensão "global", mercantilosa - o último reduto do sagrado neste mundo. Embora, muito graças à regressão mental ao primitivismo entretanto cultivada, esse "sagrado" se manifeste num plano meramente feiticista, ou seja, enquanto Tabu.

PS: Ainda a propósito da psique e suas derivações, não sei donde me ocorreu esta expressão, mas julgo que, mesmo pagando os direitos de autor, não deixa de ter a sua piada e justiça: Nataleão de hospício.

sexta-feira, outubro 20, 2023

Inusitada modéstia

 Em princípio, nada me move contra chacinas. Enquanto estão a chacinar, as pessoas, mesmo de etnias pulcras e ultra-pasteurizadas, não se entretêm com coisas muito piores como, por exemplo...  Bem, assim, de repente, não me lembro de nenhuma, mas deve ser defeito da minha memória que já não é o que era (aliás, nunca foi grande espingarda). Mas decerto existem por aí, senão aos molhos, seguramente às paletes.... Entretenimentos piores, que só visto!...  Ah, esperem...ocorre-me agora um: enclausurar as pessoas em campos de concentração e torturá-las e assassiná-las a conta gotas, com requintes sádicos e bombardeamentos ocasionais. Vêem?... E lá está, como agora é tudo relativo, o sofrimento e os seus fautores também. Comparado a matar à fome, à sede, ao desespero, em suma, ao lado do massacre lento e metódico, uma boa e rápida chacina chega mesmo a parecer um acto humanitário. Não chegarei ao ponto de considerar um gesto de caridade, mas, enfim, não andará longe.

Por conseguinte, quando vejo os israelitas, de facto e de aluguer, no púlpito e no coro, a chacinarem, com alacridade e benemerência, todo um conjunto de gente industrialmente mortificada e sistematicamente flagelada (às vezes, até fica a impressão que os santos jucoisos  continuam a projectar Cristo em cada palestiniano avulso), não me indigno ou sequer perturbo muito. Convenhamos: É o seu lado bom a vir ao de cima. Contra o seu lado negro, tortuoso, rancoroso e sádico. No fundo, é preciso que se emocionem (ainda que reduzidos e monotonizados pela emoção única da fúria) para que o sentimento humano se imponha à circunvolução cerebral alienígena. E quando chacinam um hospital avulso, aí, ninguém duvide, é claramente para atenuar, abreviar e, por piedade, erradicar o sofrimento de toda aquela gente agonizante. Uma eutanásia em larga escala, digamos assim. Nem consigo perceber porque tentam agora, no rescaldo, não assumir a benfeitoria. No seu apogeu vangloriar-se-iam sem pejo nem tibieza. Esmurrariam a peitaça entoando roncos. Descobriram a modéstia? Presságio da decadência fulminante?... Ou a profecia antiga paira, nebulosa, fúnebre, e assombra-lhes a fanfarra?... É que Ihavé não brinca.


terça-feira, outubro 17, 2023

Mutualismos (ex)terminantes

 Vou repor um postal de 2012, 21 de Novembro mais exactamente, sobre este mesmo prato do dia na época - Palestina com Israel a cavalo. Não é que eu seja assim tão inteligente ou arúspice, a coisa é que chega a tresandar de tão óbvia e previsível.

Em zaragatas entre tribos árabes, como aquela que decorre sempreviçosa ali para as bandas da Palestina, decidi adoptar rigorosa neutralidade. Como é universalmente sabido, aquela gente - entenda-se os Autóctones (assim denominados porque acusam os outros de alienígenas) e os Autoclismos (assim denominados porque pretendem limpar nódoas no seu mapa) não diferem nem na qualidade, nem na vontade, nem na finalidade - diferem apenas nos meios. Matam-se uns aos outros, recorrendo a todo o ódio, brutalidade e  terrorismo de que são capazes.  Simplesmente, aqueles que têm mais meios, matam mais. Como a desproporção é gigantesca, o balanço final é invariavelmente desequilibrado. Se por algum acaso do destino, houvesse equivalência de meios, não tenho dúvidas que se entregariam de corpo e alma ao extermínio mútuo. Empreendimento que consumariam em três tempos, caso ninguém os detivesse. Da forma como as coisas estão, só os Autoclismos pensam seriamente em formas sofisticadas e engenhosas de exterminar os outros; estes, por enquanto, estão numa fase bastante mais atrasada: envidam ainda denodados esforços para conseguirem meios e engenhos que, por seu lado, lhes permitam começar também a pensar   seriamente no extermínio alheio.
Atá chegaram ao olho por olho ainda vai demorar. Por enquanto ainda vão no olho por família inteira, habitação e quintal..
Isto, ao contrário do que a superficialidade julga, favorece os Autóctones. Vão endurecendo cada vez mais. Ao contrário dos Autoclismos: viciam-se a bater em desgraçadinhos, isto é, a degradar meios militares em acções de polícia interna, pelo que um dia destes (como, aliás, já se viu da última vez contra o Hezbollah) quando tiverem que enfrentar exércitos a sério correm o sério risco de estar minados e amolecidos pela facilidade, a arrogância e a poltranice.
Mas como entre aquela gente parece que a hubris, vulgo chutzpah, é entendida como uma virtude, só hão-de parar dentro do abismo.

E pronto, já chegaram ao tal ponto em que a cobardia cultivada  (facilidade, arrogância, poltranice) começa a dar os seus frutos. E, suspeito bem, ainda só vão na primeira colheita. 

segunda-feira, outubro 16, 2023

Da Palestina à Panlestina


 

«Matei um homem porque me feriu, e um rapaz porque me pisou. Se Caim foi vingado sete vezes, Lamec sê-lo-á setenta vezes sete.»
                                                      Genesis 4, 23-24


 Mas faz de conta que estou perplexo.
O dogma fundamental em voga nos israelitas é mais ou menos este: temos que brutalizá-los, o mais implacável e ininterruptamente possível, senão eles perdem-nos o respeito, quer dizer, o medo. "Brutalizar", entendam, é um eufemismo, daqueles desmesurados.  Acreditam, assim, que o terror, devidamente ministrado, com meios industriais e panóplia arrasadora, é o melhor antídoto para a monstruosidade empedernida e militante que vislumbram do outro lado. Não vou estar aqui a barafustar que os palestinianos são fofinhos ou merecedores sequer do ar que respiram. Concedamos até que são péssimas criaturas, indígenas inoportunos e empata-países de primeira ordem. Vou mais longe: mesmo a sua inscrição na humanidade é muito discutível, senão caduca, falsificada até (e milhares de pastores evangélico-mediáticos, vulgo jornalixeiros poderão certificá-lo com reconhecimento notarial e selo branco) - na humanidade?!,  onde é que eu tinha a cabeça!, na ordem dos vertebrados do reino animal queria eu dizer, dado que está cada vez mais cientificamente comprovado, por inúmeros estudos e experiências no terreno, que antes se circunscrevem na classe dos insectos, na melhor das hipóteses, e dos micróbios, segundo a maioria dos peritos, especialistas e entendidos. Aliás, cair-me-ia em cima toda a confraria de beatos e energúmenos de Jeovu, que monta guarda feroz ao sacrossanto excremento noticioso do instante fanático a ferver, caso eu, desde logo, não admitisse todos estes artigos de Fé hodiernos, supercatitas e ultra-sofisticados. Ainda mais agora, quando, depois do anillingus ininterruptus à Ucranato, compete  sorver  - com deleite e volúpia imarcescível toda (mas mesmo toda, e ela é desmesurada)  - a cloaca anal de Israel (seja lá, na realidade, o que isso seja, mascare ou represente). Ora, como eu tenho mais amor à minha pele  do que à verdade, aqui fica. E quanto ao essencial estamos conversados. Passemos pois ao acessório. Que, de resto, até recomendo ao leitor incauto que não desperdice tempo a ler, pois de mera ninharia e abaixo de zero se trata.
Tentemos apenas descortinar a lógica. Façam o que fizerem, são brutalizados. Um puto atira uma pedra, a merda do F16 vai lá a casa e escavaca um quarteirão. Um psicopata áspero esfaqueia um psicopata fofinho, outro F16 e menos outro quarteirão. Como método lá terá as suas virtudes, dado que a ideia é varrer aquilo dali para fora, mas também tem um pequeno (pequeníssimo, quase invisível, entenda-se) defeito: às tantas, toda aquela gente  infestação começa a suspeitar, seriamente, que pretendem exterminá-los. E da suspeita à certeza, geralmente, não vai uma grande a distância. Ora, como diz o ditado: perdido por dez, perdido por mil. Criança batida perde o medo; com os insectos é semelhante. De aterrorizados como convém (e a comunidade internacional abençoa)  a terroristas por desespero (e o ódio e a raiva adubam) é um instantinho. No fim da linha, não é difícil adivinhar o balanço: o terrorismo benigno e quiduxo do Estado de Israel transforma, em boa velocidade, uma percentagem cada vez maior de aterrorizados em terroristas. Do lado de cá, entre os instigadores de sofá e rabino-sacristães de pantalha, vocifera-se e taxam-se as emanações de terroristas. Mas do lado de lá, entre os insectos, lamento muito, chama-se legítima defesa. Ou classifica-se ainda, na natureza em geral, último recurso do animal encurralado. Todavia, grunhe-se a bacoreja-se, à bocarra cheia,  tom beato e para quem quiser ouvir: "Ah, mas o Hamas não representa os insectos!" Então representa quem? Ou o quê? Além do diabo de conveniência para os mata-percevejos de atalaia e biqueira pronta... Em bom rigor, colocam a questão como usam a inteligência: de patas para o ar. Não é o Hamas que representa quem quer que seja. Segundo somos elucidados pelo próprio Estado de Israel, ao longo pelo menos dos últimos vinte anos, os palestinianos é que representam o Hamas. Tanto que o Hamas faz e eles, os avulsos, é que as pagam. À bomba, invariavelmente. 

Outra pérola retórica dos necrófagos de plantão (desde a direitalha na bancarrota moral à escumalha instalada por controlo remoto e desvertebração prévia nos desgovernos oxidentais por encomenda, passando por toda a casta de troca-tintas, puxa-sacos e lambe-crias de passerelle): "Ah, Israel tem todo o direito a defender-se!..." Pois sim, mas então porque é que não se defendeu? Porque é que que os tais fulanos hediondos se entretiveram a destruir, desmilitarizar e abater a seu bel-prazer e com toda a calma deste mundo?  Israel, os insectos, a Cochimchina, o reino do Nunca, todos têm o direito - nem sequer é o direito ou dever, mas o instinto básico de sobrevivência - a defender-se. Convém é que o exerçam no devido local e ocasião. Ora, a verdade é que Israel, quando se devia ter defendido, não se defendeu. Quer defender-se agora, segundo estas bestas universais, à posteriori? Já perdeu a boa da oportunidade. Agora, para não variar, com o nariz partido e o rabinho dorido, propõe (e apregoa mesmo aos berros) vingar-se, isso sim. Porém, não se trata, em bom rigor, duma questão de direito, mas de força. E essa, evidentemente, não lhe falta. Nem força nem apoio da "Comunidade Internacional". Pelo menos para trucidar, digo, brutalizar uns milhares de representantes do Hamas. Numa espécie de vooduismo industrial de grande espalhafato. Assim, de repente, até me lembra aquela grande obra da história da filosofia, do pessimista mor da Irmandade: "O Mundo como Vontade e Representação". Ora, a Israel, vontade (de exterminar) é coisa que nunca lhe falta, e representações (bem como representantes) também não.
É legítimo, humano, sequer decoroso? Segundo a gritaria assanhada nos mass-media é sobretudo urgente. Imperativo categórico, no mínimo. Já nem assobiam para o lado, ou fingem que não vêem: incitam, acicatam, ululam... és maricas se não lhe partes já a cara e massacras a família! Descortina-se todavia, entre os azougados israelitas, algum progresso civilizacional: já promovem os insectos a animais e propõem-se abatê-los nessa categoria. Embora fúnebre, sempre é uma promoção.
De resto, segundo o estereotipo mas também a exaustiva comprovação histórica, os judeus são um povo muito devoto da contabilidade. Na última contagem, segundo me apercebi, de judeus indefesos colhidos pela razia, a soma ia nos 1400. Lá está, desgraçados, que não foram defendidos quando se impunha e servem agora de mero pretexto para a chacina ritual e sacramentícia. Setenta vezes sete, já recomenda a receita, no pantagruel lá deles, pelo que, pelas minhas contas, não hão-de frear antes dos 100.000.
Isto é mau? Apenas para o Ucranistão. Matar palestinianos é muito mais excitante do que matar ucranianos russófilos ou mesmo russos inteiros (ou, pelo menos, é uma convocatória muito mais virtuosa, obrigatória e solene), pelo que a malta muda de canal, e claque, em bloco. E mesmo que não mudasse, a verdade é que a programação foi tomada de assalto... em todos os canais; pelo que não lhe restaria alternativa. Mas o fazer de conta, esse, não muda: esta escória necrófila, de mirones da porno-guerra e masturbadores da teclo-belicosidade, faz de conta que são os israelitas a defender-se, coitadinhos e sitiados, como antes fazia de conta que não eram os ucranianos a morrer às carradas. Lá está, mais até que vontade e representação, vontade de representação. Cada qual alivia a excitacinha e esgrime a pilinha escaganifobética, dos valores e da virtude reptiliana, com a teleporcaria que mais lhe quadra e inflama.
Aos representantes do Hamas, outrora palestinianos, sobrecarrega o infortúnio: como se já não bastasse a chusma global que, em festiva romaria, os quer exterminados e tele-linchados, têm ainda que arrostar  com a qualidade daqueles que  alardeiam sofrer e ganir em sua defesa. A esquerdalhada acéfala, na perpétua venda ambulante de t-shirts de contrafacção  e bijuteria ideológica de pechisbeque marado à esquina da História, não ajuda... Apenas polui e inquina. Aliados destes apenas descriminalizam o inimigo. Entre a sonsice peçonhenta dum Daniel Oliveira qualquer e a grunhice compulsiva dum Fernandes, Hiena Matos, ou quaisquer desses uber-pensadores de aluguer, venha o diabo e escolha.
Pessoalmente, não tenho galo nesta luta. É zaragata lá entre entre árabes: espectrais contra pingarelhistas, e vice-versa. Suspeito seriamente que só terminará com o extermínio de uma das partes. Mas não aposto.
Entretanto, os desvalidos civis israelitas que, subitamente, acordaram sob ataque, sequestro e massacre por parte de sujeitos armados particularmente impiedosos e sinistros poderemos alguma vez imaginar  como se terão sentido?... Sim: como autênticos palestinianos. Afinal, ironia ou lei eterna do destino, a Palestina, quando nasce, é mesmo para todos. Já não há árabes nem israelitas, são mesmo todos palestinianos.

PS: Não menos simbólica e significativa é a declaração do estado de guerra por parte do Nataleão de serviço. Israel está de facto em guerra: consigo própria. E não, não é com a sua consciência: é com os resquícios de inibições. Como os esquizofrénicos. Ou os possessos.




sábado, outubro 14, 2023

O Apocalipse tenha piedade de nós!




 Como se já não bastasse o desgoverno do Costa, mais o sado-masoquismo da Ursula doida e o regime implantado de escatofagia compulsiva que lhe é imposto, o povo (perdoem o anedonoma*, como diria o Cioran) tem agora também que aturar e padecer os activistas da Climáximo. Não direi que são uma espécie  de talibãs. Porque, na verdade, são tão genuínos e ainda mais alarves e perniciosos. Apenas diferem no invólucro: em vez de sandálias e turbantes, actuam de chupeta e fraldas. Estão dispostos a varrer a civilização para que ela não pereça. Isto é, matam-na de modo a impedir que ela se suicide. Em síntese,  para nos salvarem (na figura abstracta do "planeta"), propõem-se dar cabo de nós. Pior que os que se masturbam com abstracções são aqueles que trancafiam coisas concretas em abstracções. Já nem sequer é uma nova ideologia: é um neo-totemmismo aberrante. E abjeccionista quanto ao método.

Sejamos honestos: se são eles o futuro, seus sacerdotes, invocadores ou guardiães, então qualquer catástrofe não só é preferível como desejável. E urgente. Até parece que já estou a vê-los de alcatra poisada nas administrações das indústrias e tecnopatias do amanhã. Os hippies viraram yupis e foi o que se viu e assiste. Estes,  seguramente, corporizarão uma qualquer nova espécie de canibalismo disneyléxico e milupampanante (acabo de criar uma nova palavra na língua portuguesa, não percamos, pois, a esperança).

Em suma: se a alternativa é entre eles e o apocalipse, serei franco: estou com o apocalipse. Já nem se trata duma forma de destruição, mas apenas de higiene... Em larga escala. No entretanto, e dado que a malta está a ficar cada vez mais lixada e relixada com a vida e todo o sado-aparelho reinante, estimo que, ao menos, desopile a condizer e os espanque a rigor. A bem do ambiente, o autêntico, da sanidade mental sobretudo, só se perdem as que caírem no chão. (Muito) mais importante que separar o lixo é tratá-lo como ele merece.

PS: Do mal o menos: aliviaram as necessidades num Picasso... Imaginem que o faziam no Bosch que está no Museu de Arte Antiga. Seria caso para encostá-los a uma parede.

* onoma, no grego, significa nome. Igualmente, no grego, anekdota significa literalmente "não editado", "inédito", e daí veio o nosso termo anedota. Anedonoma, portanto, pode traduzir-se por "nome anedótico". Daí chegarmos à democracia como o "poder de anedota" ou "pela anedota"? Tirem as palas, larguem as peias mentais por um instante e olhem à vossa volta.

terça-feira, outubro 10, 2023

A ser verdade...

 


Entre a Terra Santa I e a Terra Santa II ainda resulta algum Sem Abrigo Geral made in Némesis. A Hubris é fodida.

segunda-feira, outubro 09, 2023

O mercado a (dis)funcionar?

 Donde vieram as armas americanas que o Hamas usou, em barda, na operação?

Podem ter vindo,

a) do Afeganistão, via Paquistão;

b)  do mercado negro do Ucranistão;

c) do Isis, na Síria, via Hesbolla (armamento capturado);

d) da Somália (black op);

e) de todas as proveniências anteriores.

Escolham a que mais vos agradar.

PS: Estou em crer que não apenas a "Inteligência israelosa" sabia da operação: a CIA também; idem para o FSB. Convinha a todos.  Apenas os coirões europeus, como lhes compete e é apanágio do tempo e da estirpe, fizeram o papel de cornúpetos geoestratégicos. A impotência e a passividade típicas do gado em fila para o abate. E adivinhem quem é que vai levar em cheio com o  choque petrolífero que aí vem?...  estilo Yom Kippour 2.0... Com o primeiro, ainda me lembro bem, foi o nosso primaveril Caetano de vela. Muito antes das "primaveras árabes" e dos "fake outonos", já nós experimentávamos, senão inaugurávamos mesmo, as "revoluções floridas".

A Queda



 «Como caíste dos céus, Halel (Lúcifer), filho da aurora? Como foste abatido por terra, ó dominador das nações? Tu que dizias no teu coração: "Subirei aos céus, estabelecerei o meu trono acima das estrelas de Deus, sentar-me-ei na montanha da Assembleia, na extremidade do céu; subirei acima das nuvens e serei semelhante ao Altíssimo". Infeliz! Foste precipitado no abismo, no mais profundo do mundo dos mortos!»

       - Isaías, 14-12

Bem a propósito deste Israel de pacotilha, é claro. Quem semeia a soberba, o ódio e a impiedade tem, fatalmente, frutos bem amargos a colher. 

Que lhe façam bom proveito. Embora não me restem quaisquer dúvidas que é imune à aprendizagem, toda aquela para-gente raivosa.



domingo, outubro 08, 2023

Ao Panteão Nacinhal, já!





Desculpem lá a demora, mas tenho andado extremamente ocupado com outros assuntos de ordem urgente. 

Reparação e indemnizações a caminho!...

Entretanto, com imensa pena minha, até perdi a oportunidade de opinar sobre aquele arrastão tanatocoiso do Eça ao "Panteão" nacinhal. Ora, como é sabido, o actual regime transformou o panteão numa espécie de aterro sanitário onde despeja de acordo aos caprichos ideológicos e necessidades mentirológicas. Trasladar para lá o Eça equivale a despejá-lo, dum cemitério digno, numa lixeira. Para turista ver. A família do escritor está dividida. O escritor, no Além, seguramente vomita só de pensar na rebaixada honra. Emporcinam-lhe a memória. Não é seguramente um sítio recomendável, nem digno dele.

Em contrapartida, abundam por aí os talentos, esses sim, merecedores da homenagem. Nesse sentido, de modo a colmatar essa injustiça, e sempre animado dum espírito benemérito e generoso, o Dragoscópio inicia aqui, e desde já, uma petição nacinhal com carácter de urgência:

JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS AO PANTEÃO! JÁ!!!!....

Mas, rosnarão os incréus, ainda não está completamente morto...

Embalsamem-no, ora essa. Melhor: preservem-no para o posteridade (e o turismo), como lhe compete e é devido: num enorme frasco de álcool.