quarta-feira, agosto 10, 2022

Tempos do Tenebrio

 


Na imagem em epígrafe, podemos contemplar, gulosos, o novo pitéu autorizado e recomendado pela EUSSR  para alimentação do gado contribuinte. O escaravelho Tenebrio e a sua simpática prole estão replectos de proteínas apetitosas e altamente benéficas à saúde dos galinomens, bem como, nec plus ultra, à salvação do planeta. Mais uma vitória crocante da agenda Verde. 

terça-feira, agosto 09, 2022

NATO standards

 https://www.bitchute.com/video/hWNY5iUMYPnv/

Compreende-se agora a urgência da Suécia em entrar para a NATO. Os mais elevados padrões de operacionalidade e valentia. Nem precisam de quaisquer treinos de adaptação ou aperfeiçoamento.

Parte II:

«PART 2 OF SWEDEN'S NATO ENTRANCE EXAM»

segunda-feira, agosto 08, 2022

Decoro, senhores, decoro!...



Agora foi a CBS. Tinha publicado um comentário onde denunciava que apenas cerca de 30% da assistência militar ao Ucranistão chegava às linhas da frente. Subitamente, apagou o dito cujo. Tudo ficou reduzido doravante a  “The page cannot be found” error. 

Espanto? Nenhum.

Alguém deve ter explicado, superiormente, à CBS, que chegam as que devem chegar, e nem mais uma. E alvitrar que são 30, 35, 29, 50, ou 80%, tudo isso não passa de mero exercício de adivinhação, palpite ou, pior ainda, teoria da conspiração. Que é o mesmo que insinuar que alguém, um grupo de pessoas (de elite, judeus, anjos de Kiev, ou equivalente), animadas das piores intenções, desvia, escamoteia, sonega ou, de algum modo pérfido, trafica a maior parte das armas, algures, entre os paióis abastecedores e o palhadinos necessitados. Ou nem sequer as envia, vade retro.

Depois, falar em "Frente" é muito relativo, para não dizer efabulativo ou nebuloso. Qual frente? Há várias e o Império está sempre a semear e enxertar novas, todas elas famintas e necessitadas. Com a agravante de, no caso ucranoiscoiso em análise, as frentes não pararem quietas e estarem sempre a andar para trás. Não espanta, pois que quando as armas lá chegam, já o recipiente mudou de endereço e paradeiro. Impossível fazer a entrega. Sendo que, ainda por cima, grande quantidade delas são destruídas, de modo grosseiro e brutal, pelos russos, durante a viagem. Uma dor d'alma! E aquelas que, para cúmulo,  mal foram entregues e já, por via da retirada apressada, os chechenos, os wagners, os cossacos, enfim, toda aquela horda bárbara a soldo do Putin deita mão nelas? Lógico, mais que lógico, inteligente e prudente mesmo, é que as armas, em vez de serem desperdiçadas na frente, fiquem depositadas e preparadas cá atrás, até que a frente retroceda até elas.

Ora, sejamos honestos: No meio duma balbúrdia destas, como é que alguém consegue ainda pôr-se com minudências e picuinhices? Pior, com aritméticas e estatísticas?!... Haja decoro e sentido das realidades, que diabo!... 30%?... Isso já seria um acto heróico, um feito assombroso!....

PS: Desnecessário ( e contraproducente) apenas foi a «CBS News announced Monday that it had “removed a tweet promoting” the doc, assuring that since it was filmed, control over deliveries had improved».  Mas melhorar, o quê, senhores? Toda uma coisa santa, sagrada, universalmente delambida e lambuzada, que corre às mil maravilhas, sob o bafo merdiático abençoadeiro e a teia  fina e estratégica urdida pelos génios congregados, em brainstorm trovejante, entre Langley e o Pentágono!... Que gente resmungona e hipocondríaca!... Já nem a perfeição lhe basta.

PS2: Já agora, aqui fica o tal documentário "auto-cancelado" pela CBS:

https://www.bitchute.com/video/2qaJyA9dJcXS/


sábado, agosto 06, 2022

Teorias da Constelação


«The United Nations has declared war on conspiracy theories, describing the rise of conspiracy thinking as “worrying and dangerous”, and providing the public with a toolkit to “prebunk” and “debunk” anybody who dares to suggest that world governments are anything but completely honest, upstanding and transparent.»


É a nova campanha peregrina das Nações Unidas (mai-la EURSS, claro), o novo panfletarismo sarnento. Eis o menu:


Escalpelizemos então o pestilento e comichoso assunto .

O que é afinal uma teoria da conspiração? Um exemplo actual e banal, segundo o dejecto ONUlulante: os Neoconas controlam a política externa americana, Israel telecomanda os Neoconas (a ideologia sionista endemoinha-os a todos). Se eu disser isto, que é a realidade, posso ser, e devo ser denunciado a um "fact-checking" qualquer, que funciona como mescla de ciber-esbirro e polícia do pensamento do Big Brother. Pois, mas acontece que isso 1. Não é segredo nenhum, nem nada que seja minimamente ocultado, portanto, que se processe em segredo; 2. Não se trata de nenhuma conspiração, antes pelo contrário, é uma forma de administração. Posso não gostar, pode até ser prejudicial para vastas regiões do mundo, a médio prazo para os próprios Estados Unidos, mas é assim. É a realidade geopolítica. Se podem, fazem; se podem, deixam-nos fazer; se podem, vão continuar até que já não possam mais. Até ao esgotamento. Por conseguinte, há que aproveitar, que espremer, que esfarrapar, enquanto podem. É assim, sempre foi assim, ao longo da História humana, com pessoas, grupos de pessoas, bandas musicais e gangues armados.
O mesmo, e ainda com maior ênfase, se pode dizer da "conspiração" das elites. Repito e tentem, mais uma vez, acompanhar-me no óbvio: Quem tem o poder não conspira: exerce. As elites (que primam pela inexistência, pois são na verdade o seu oposto, uma lumpanagem plutocrática e pantaficiente) não precisam de conspirar porra nenhuma: fazem o que lhes apetece e sobra-lhes tempo. Detêm a vontade, os meios, a oportunidade e o motivo, mais os jornalistas, os tribunais, os cientistas e a polícia, iam conspirar contra quem? Só se fosse uns contra os outros. Ora, podem ser lúmpens, mas não são malucos. E conspirar contra a inteligência, a ética, a História ou Deus, não conta, até é muito bem visto e aplaudido. Sobretudo pelas massas, que se sentem devidamente representadas e culminadas por zénites dignos da maior inveja e emulação. A volúpia com que o pequeno filho da puta venera e contempla o Grande Filho da Puta. E apenas isso. Conspiração? Qual conspiração!...Constelação apenas.
Donde emerge então a perplexidade: a excreção peregrina da ONU pretende então combater o quê - assaltos a conspirações que não existem? Repressão de neo-quixotes em batalha contra falsos gigantes?
Como é mais que evidente, pois, não é a efabulação, mais ou menos desarvorada, que os preocupa, ou que pretendam silenciar: é a crítica, a dúvida, toda e qualquer forma de expressão de dissonância, discordância, dissidência, a limite, de questionamento das... Teorias da Conspiração oficiais, ou seja, as Teorias da Conspiração emanadas pela Administração. Não são as "teorias da conspiração" avulsas, de vão de escada ou saguão, os alvos do papelaço vergonhoso; os alvos efectivos são os "conspiradores": os antissemitas instantâneos, os negacionistas de ocasião (do que quer que seja, desde o Holocoiso às fast-vacinas ou ao refrigério global), os não-vacinados, os não crentes cegos no novo-evangelho à pressão ou no mais recente estudo encomendado da treta. Aí, entre vários outros hereges laicos da hora a correr, é que o garrote aperta e eles dão voltas ao parafuso. 
Exemplos de "teorias da conspiração" que, na medida em que são emanadas da Administração, passam automaticamente a "dogmas sagrados":
1. O ser humano conspira contra o próprio planeta, aquecendo-o criminosamente;
2. O vírus "não sei quantos", numa longa fila de espera de vários outros, conspira contra a humanidade;
3. O monstro Putin conspira com ele próprio para conquistar toda a Europa, de modo a convertê-la num inferno anti-liberal e, desse modo horrível, a destruir todo o stock de vaselina com que interagimos com os nosso amigos americanos;
4. As vacas também conspiram contra o planeta ;
5. Os fertilizantes, aliados aos combustíveis fósseis, participam junto com as vacas na conspiração hedionda que já faz os glaciares debulharem-se em lágrimas;
6. O sol conspira com  a ciência contra os cientistas de conveniência;
7. A realidade conspira contra as elites e os seus porta-vozes merdiáticos;
8. A verdade conspira com os factos contra os mass-merdia;
9. O tempo conspira com a natureza contra as modas do instante a ferver;
10. A Morte conspira com a decadência contra o Império;
11. Os iranianos conspiram com os sírios para aniquilar Israel;
12. Todos os Goym conspiram no âmago da sua alminha para exterminar os judeus (é genético e patológico), o que requer uma vigilância policial,  tele-sedativo  e lobotomia mediática constante;
13. Todo e qualquer homem, branco, europeu, heterossexual (ainda mais se agravado de pai e marido) é, no fundo, célula viva duma conspiração civilizacional ancestral, e, nessa medida, um antissemita, racista, machista, homofóbico, transfóbico e negacionista geral que urge desmascarar, confinar, punir e, de forma sistemática, cancelar. Sob pena de destruição e aniquilamento de todos os valores oxidentais santíssimos, produzidos pelas mais recentes ONGs avançadas, nos últimos cinco minutos de litleBang maravilhoso, por obra e graça da mais genuína refundação cósmica em perpétua ebulição e remaquilhagem cosmética.
Etc, etc... Os leitores podem acrescentar as que me escapam.

Entretanto, para não variar da burrocracia instalada (que se traduz numa espécie de ditadura mal atamancada da mongloidice pomposa) o texto do próprio panfleto desarticula-se e anula-se a si próprio... E nem sequer é preciso entrarmos em critérios ou tabelas lógicas, de curso básico ou aplicação simples. Peguem, por exemplo, na mais recente e gritante "teoria da conspiração administrativa", ou seja, a "conspiração hitlostalinista do hediondo Putin (com os oligarcas atrelados) para conquistar a Europa e, de seguida, o Mundo, a Lua e várias estrelas incautas de Andrómeda e arredores... Apliquemos-lhe, de seguida, a grelha, tal qual tem acontecido, ao vivo e a cores. Vamos, então, passo a passo:

1. (The belief that events are secret manipulated...) Exactamente, não se trata duma mera guerra civil, instalada e patrocinada (e combatida) do exterior, o que, de resto, está exaustivamente documentado e repetidamente reportado ao longo de quase 10 anos. Não, trata-se duma alucinada e súbita invasão russa, apenas explicável como plano maquiavélico  para tomar posse da Ucrânia e do Mundo civilizado, isto é, uma conspiração contra o Ocidente e os nossos "valores".

2. 1 (... a secret plot) O plano secreto de Putin (o último avatar do Diabo).
  2.2. (a group of conspirators) O Putin, o seu mentor Dugin, a múmia de Stalin, o fantasma de Pedro o Grande, o ectoplasma de Catarina, Átila por interposto médium, e ainda o mancha negra e  darth vader.
 2.3. (Evidence...) Nuvens de papagaios, fontes anónimas, porta-vozes dos serviços de inteligence britânicos, americanos, australianos, franceses, alemães e até polacos, fábrica, forjas e repenicos amplificados dos mais diversos enredos, fábulas, abracadabras, todos eles peremptórios, instantâneos, descartáveis e reutilizáveis no minuto seguinte com embalagem oposta. Dispenso-me de republicar toda a diarreia da CNN, MSN, WaPost, NYtimes, e seus derivados nacinhais, etc,  etc, basta que o leitor faça uma retrobusca. Mas aviso já que o espectáculo não é edificante.
  2.4. (they falsely sugest that nothing happens by acident....) É todo um plano Putinesco. Arquipérfido. Uma filigrana maléfica que passa pela destruição exclusiva e sistemática de maternidades, jardins de infância, escolas, hospitais, lares de terceira idade e civis avulsos em estado desprevevenido. Tudo por estrito ódio e figadal inveja da primeira república angélica do mundo... e da História. Nada escapa a esse encadeamento fatal, obsessivo e retroalimentante. Uma espécie de loop eterno e inisterrupto. Chega ao fim, repete de novo.
  2.5. (they divide the world into good and bad)  Com certeza: os ucranianos (os "nossos" representantes no concurso), são santos, imaculados, angélicos, mimosos; os russos, os "outros ucranianos", os "deles", são, intrinseca e automaticamente, maus, péssimos, inhumanos, orcs, ásperos, brutos, zeros.
  2.6. (they scapegoat people and groups) Russos, soviéticos, os czares, a estepe siberiana, é tudo para culpar e sancionar. Políticos, mercadores, desportistas, artistas, povo avulso. Vai tudo a eito. Até os mortos: Dostoievski, Tolstoi, Tchaicovsky, Dvorak, Oparin, Eisenstein, Rostropóvitch cancela-se tudo. Varrer tudo isso da História seria mesmo o ideal de toda esta histeria ensandecida  a ferver!...

3. (why they flourish)
  Transcrevo a resposta deles na íntegra: "oferecem uma explicação de eventos ou situações difíceis de compreender, convocando assim uma falsa sensação de controlo e agência. Esta necessidade aumenta em tempos de incerteza como durante a Covid 19." Não é preciso acrescentar mais nada.

4. (How do they root...) Pois, começam pela suspeita - está ali o Putin que não faz o que nós mandamos, nem defende, como lhe compete, os nossos interesses. Atenção, o que ele pretende é dominar o mundo! É muito suspeita a sua atitude de independência e de autonomia geopolítica... Trata-se de um tirano sanguinário e enlouquecido, não há outra explicação possível! Quem não rasteja para nós, é contra nós, quer dizer, contra a humanidade e o progresso! Ele avisou, tentou negociar, assinou acordos, aturou pacientemente a nossa má fé e sacanice durante anos a fio? Ora, tretas. É tudo manha, subterfúgio, simulação! As suas intenções estão devidamente radiografadas e certificadas por resmas de especialistas, cartomantes, arúspices, embaixadores: conspira contra nós e o nosso maravilhoso modo de vida! Não quer saber de nós para nada? Lérias! Isso é conversa. Morre é de inveja e cobiça! pelos nossos amplos recurso minerais, pelas nossas abundantes matérias primas, pela nossa engenharia espacial, militar e... Bem, é mau, é mauzíssimo e ponto final.
Nada disto faz sentido? Está às avessas? Como?! Quem disse? Quem se atreve?! O céptico, o incrèu!... Putinista!... Russófilo!... Quinta coluna do maligno!... Às canelas da besta, Rogeiro! Morde, Milhazes! Vai nele, CNN! Não o poupes, Ricardo Sabujo Pereira! Morte ao herege, fofinhos! Nada de tolerâncias nem delicadezas com o conspirador, o apaniguado, e de trazer pela trela!... A ele, matilha!

5. Finalmente, (why do people spread them): "muitos acreditam que é verdade. Outros querem apenas provocar, manipular ou atingir pessoas por intuitos políticos ou financeiros. Cuidado,  eles podem vir de muitas fontes:  - internet, amigos, familiares!.."

Seria para rir, a bandeiras despregadas, se  não fosse, realmente, para chorar. Um tal paiol de desfaçatez furiosa a cavalo na imbecilidade roncante augura as mais espalhafatosas explosões.

Derradeiros avisos, segundo A ONU:
Nada de associar o canibal Soros, os Rothschilds ou o Estado de Israel a "teorias da conspiração". Livrem-se. Se detectarem alguma heresia, repito, corram a denunciar num coiso chamado "fact-checking" - leia-se "fake-checking". Um vazadouro municipal para o delator que resfolega, impaciente, no fundo de cada cidadão acéfalo. Não faltam por aí candidatos, estou seguro.

E para os mais curiosos, ou suspicazes de serviço, aqui fica o genérico da fita: Esta campanha de bosta foi obra conjunta duma quadriga solípede composta pela Unesco  (palmas!), o Tweeter (palmas!), a Comissão Europeia (palmas e bis!) e, last but not least, o World Jewish Congress (palmas, ovação e aclamação de pé! Alguns cheliques de emoção...). Estão a ver, ó conspiradores de plantão: não precisam de teorizar. Não há segredo nenhum. É à vista de todos: administram. Supervisionam a manada. O parque. A reserva.

O colectivo ocidental já nem sequer mete nojo. Mete apenas dó.

sexta-feira, agosto 05, 2022

Pelourinhos ortopédicos, ou Entre o Pinóquio e o Príncipe



 «The Swedish TV channel SVT had to apologize to the audience because of the story about Ukrainians who cried with happiness while receiving a Russian passport in Kherson»



Explicando detalhadamente...

Uma equipa da Reuters fez uma reportagem em Kherson, na Ucrânia libertada dos nazis rançosos telecomandados pelos americórnios zombis. Eu sei que isto parece um filme da Disney/Marvel, mas é mesmo assim. Se acham que estou ao serviço da propaganda russa, tanto melhor, isso enche-me de vaidade e satisfação. Pena que não seja real, nem o pagamento nem a vaidade, mas pronto, como diriam os homéricos, antes a fama que nada! Porém, digressiono. Voltemos a Kherson. Estavam os ucranianos a receber passaportes russos e a chorar. De felicidade. Experimentai ser brutalizados oito anos seguidos e um dia logrardes os algozes pela sanita, a ver se também não chorais de alegria, ó pessoas incrédulas e capciosas!... Chorais, cantais e apanhais uma bebedeira, garanto-vos eu. Eu e a História Universal, se queremos mesmo entrar em rigores.

Feita a reportagem, a televisão sueca, no canal SVT, transmitiu-a. O que terá gerado, em reacção, uma campanha de protesto da (presumo) esquerda lá do sítio. Nestas coisas de protestar contra a realidade em nome da fantasia, ou melhor ainda, da aldrabice pura, ou da hipocrisia inveterada, ninguém bate a esquerda. E quando eu digo esquerda, nem percam tempo com interpretações ideológicas: entendam imbecilidade ufana, retardada e festiva (portanto, desde os socialistas aos liberais, mais os neos todos da estrumeira). Depois, não há excremento mais reaccionário que  essa mixórdia: reage não apenas em modo instantâneo, como em modo ao retardador ou até retro fúngico. Coisas do momento, tanto quanto coisas que se passaram há trezentos, quinhentos, mil ou dois mil anos, tudo lhe serve. Quer é reagir. Ressentir-se. Largar rancores e baba corrosiva. Já não lhe basta ratar o presente e carcomilar o futuro: afana-se a viciar e putrificar o passado. O próprio tumulto pré-orgânico não lhe escapa. Fuça já na twilight zone (se é que alguma vez de lá saiu)!...Mas lá estou ou a divagar de novo.

Pronto, a verdade não agradou à "audiência"... Não estava conforme à ficção. Um desplante! É suposto os russos fazerem as pessoas lacrimejar de horror, de sofrimento imenso, jamais de felicidade. Essa é a versão oficial, hollywodesca da produção jumentográfica. Como é que alguém se atreve a vir com factos e testemunhos da realidade? Ainda por cima na Suécia, esse baluarte de resistência que há-de vir!... Por conseguinte, toma lá o labéu: propaganda pró-russa! Ora, na presente hora, logo no degrau abaixo do  ranho superlativo (da esbirraria assanhada) - antissemita (nunca esquecer), pauta doravante o russofilo ou pró-russo, calhando que este, na essência, consiste em tudo aquilo que não repita, regurgite ou, de algum modo, chafurde, o mais acefalamente possível, no esgoto da propaganda dominante (eufemismo para "norte-americana").

Sim, como é que alguém pode sequer insinuar (quanto mais exibir) que o que se passa na Ucrânia, no fundo, é uma guerra civil em que os russos intervieram em defesa duma das partes (e já que ali estão, se insistirem muito, vamos ao resto), e o oxidente apostou no quanto pior, melhor - o ideal é que todos se fodam e matem uns aos outros. E toma  lá armas, e toma lá dictatum, e toma lá veneno, e toma lá, passe a redundância, propaganda mundial para o efeito. Sinceramente, é preciso mesmo um grande descaramento!...

PS: Se calhar até efabulei um montão de letras. O mais provável é nem ter havido protesto nenhum. Alguém de cima, dos editores globais, sob queixa dos psicopatas instalados em Kiev, exerceu a conveniente  censura. Fizeram acto de contrição pública, os pecadores, e cancelaram a reportagem. Mais a verdade junto com ela. E toda a hipótese de coluna vertebral que ainda lhes restava.


PS2: Eh pá, e ganhem juízo - na Ucrânia, o certame não é entre a democracia e a autocracia; é entre a tele-ditadura e  o despotismo esclarecido . Dum lado, a marionete - o Pinóquio; do outro, o Príncipe. Embrulhem.

quinta-feira, agosto 04, 2022

Feiras de ponta e imunidades de rebanho





« If you wanted to jump onstage to be bound in chains and whipped Sunday to the delight of the Up Your Alley street fair audience, you had to first be vetted — with proof you’d been vaccinated for monkeypox.»

Sim, porque, entretanto, o governador da Califórnia decretou  o estado de Emergência sanitária naquele estado americórnio por via da varíola dos macacos. E se alguém, no zénite do exercício da mais fantástica civilizaçoa de todos os tempos, quiser fazer-se chicotear, devidamente acorrentado, na via pública, em modo feira, só pode fazê-lo após inoculação da vacina (seja lá o que isso signifique nos dias que correm). Na idade Média, o espectáculo já existia; mas, para orçarmos de quão atrasados e obscurantizados estavam, era considerado, então, um castigo público. 

Enquanto o último grito da civilizaçoa não chega ao Martim Moniz, ou, quem sabe, à feira da Luz ou da Ladra,  é melhor que os avançados culturistas da nossa paróquia vão pondo as depilações de molho e o nalguedo a jeito. No vax, no fetish!...

PS: Não sei se sabem, mas aqueles que andam sempre a escarafunchar no universo (vulgo cientistas) agora segregaram um novo estudo onde revelam o quão perigoso é escarafunchar no nariz. (O perigo (inesperado) que corre sempre que tira 'macacos' do nariz)...

Fica aqui o apelo solidário com a ciência: Por amor de Deus (ou dos Estados Unidos, para a maioria da população) não tirem macacos do nariz! Deixem-nos lá estar, até formarem belas e saudáveis estalactites, que isso só demonstra a pujança do vosso sistema imunitário. Cuidai, com todas as forças, da vossa imunidade de rebanho!... Imunes à dúvida, imunes à suspeita, imunes à razão, imunes à humildade, imunes à verdade, imunes à sensatez, imunes ao humor, imunes ao óbvio, em suma, imunes a todas essas coisas que vos ameaçam, no mínimo, um lugar à manjedoura. Ou, no máximo, um destaque na fila para o cancelamento.



quarta-feira, agosto 03, 2022

O Bom Ve...Novo Faroeste

 Mas também há coisas boas nos Estados Unidos. Ou melhor, ainda restam algumas dessas coisas. O atendimento ao cliente, por exemplo, nos últimos tempos parece até ter descoberto os mais  apreciáveis melhoramentos. Serviço notável e plenamente funcional, é o mínimo que podemos dizer. (Claro, como beneficia o povo,  as ratazanas "democratas", elitistas e corruptas como a puta que as pariu, querem acabar com ele; mas oxalá um meteorito lhes acerte na cabeça!...) Entretanto, aproveitem para dar uma olhada num documentário recente sobre tão desassombrada técnica comercial  (digna, ela sim, de exportação worldwide) .

"HE SHOT MY ARM OFF!" - Elderly store owner opens fire on would-be robber armed with AR-15 (bitchute.com)

terça-feira, agosto 02, 2022

Hermenêutica da baboseira

 



Decifrando esta notícia do "Expresso":


«Os ataques da Rússia prosseguem na zona do Mar Cáspio, e esta terça-feira o porta-voz do Comando da Força Aérea da Ucrânia, Yury Ihnat, adiantou que foram intercetados sete dos oito mísseis lançados pelos russos.

Nestes ataques, a Rússia utilizou mísseis Tupolev Tu-160, que causam bombardeamentos supersónicos pesados, com vista a atacar localidades a sul, centro e oeste da Ucrânia, segundo especificou o porta-voz da Força aérea da Ucrânia...»

Caso o vosso domínio da geografia não seja excelente, tenham a bondade de atentar no mapa acima... Estão a ver onde fica o mar Cáspio? Portanto, se os russos estão a atacar a zona do mar Cáspio, ou estão a atacar o Turquemenistão, o Irão, o Casaquistão, o Uzbequistão, a Azerbeijão, ou a eles próprios; aos ucranistões é que não. Que, como é bom de ver, estão ainda consideravelmente afastados. 

Depois, nestes ataques na "zona do mar cáspio", utilizaram, os tais russos, "mísseis Tupolev Tu-160". Nem mais.

Passo a mostrar-vos a imagem dum Tupolev Tu-160:


 Vêem? É um míssil? É um avião? É o super-homem?... Não, é o Tupolev Tu-160, Blackjack, famoso bombardeiro estratégico  que já vem do tempo da União Soviética.

Com estes dados, reais, bem presentes, tentemos agora decifrar a notícia.

Hipótese 1: Eles pegam nos comunicados directos dos ucranistões, pespegam-lhes em cima com o google traductor e fazem do resultado "notícia". Já nem sequer é fake-news: é fake-fake, sendo que neste caso, a negação do falso não dá verdadeiro, mas apenas ultrafalso, hiperfalso ou falso como o caraças.
Uma tal fancaria de sub-cave revela, mais ainda do que um desprezo olímpico pela verdade, um desprezo completo pelos leitores, ou seja, pelo vulgar cidadão. Não que este, dum modo quase geral, não faça tudo para merecer um tal tratamento. Esmera-se até. Mas, tudo somado, entramos na velha questão entre o ovo e a galinha: eles agem assim porque os condicionam avassaladoramente; ou condicionam-nos a agir assim porque eles transportam neles uma predisposição atávica à bimbice? Confesso que não encontro uma resposta peremptória e certa a um tal dilema.

Hipótese 2: A mesma que a hipótese 1. Afinal, vivemos a lógica das democracias, não é?... Há que respeitá-la, se é das suas culinárias que cuidamos.

Em todo o caso, tragam-me qualquer notícia, em qualquer órgão de "informação" oxidental acerca daquela salsicharia na Ucrânia, e, garanto-vos, é tão mal atamancada e inverosímil quanto esta. Carrega em si, invariavelmente, o seu próprio contraditório, a sua intrínseca anulação. Há nisto tudo qualquer coisa de completo desatino, de fulgurante estupidez alcandorada aos lemes do universo. A mediocridade, agremiada e reforçada em forma de bando auto-mesmerizante, conduziu a uma pessimização fogosa da política americana. São mesmo mongos elevados à enésima potência. E depois há todo um efeito de cascata, desde o fundo da esterqueira, onde ubuficam, até ao fundo do abismo, donde os merdia (e remerdia) descendentes ( mais seus derivados e estalactites dejectivas) cacarejam em repetição ad nausea. Acresce nisto tudo a velha definição de Platão que equaliza ignorância e mal. Ora, a ignorância no mundo actual é proliferante e endémica, no que o mundo actual não se distingue por aí além dos anteriores. Mas se, por um lado, a ignorância tem aumentado apenas na medida e proporção que a população aumenta, por outro há um tipo de ignorância que, não sendo novo, tem, todavia, disparado: a ignorância voluntária. O não poder saber e o não deixar saber têm-se escudado e alicerçado, crescentemente, no não querer saber. E é quando este não querer saber se incrusta no poder político que a ignorância se torna especialmente maligna, porque mero exercício de perfídia.

O que, convenhamos, não é exactamente o caso do actual secretário de Estado americórnio, um tal Blinken. É apenas atrofiado mental. Só para encerrar a prédica, que já vai longa, dou-vos um exemplo simples. Citando a criatura:

Olha que revelador, no presente do indicativo. Então se as elites russas administram empresas que geram enormes receitas, serve para quê o arraial de sanções que a manada oxidental, capitaneada pelo declarante, desovou pelas pernas abaixo e a condenou agora a patinar, atolada e mugibunda, na própria bosta? Vão dar cabo da Rússia como: fazendo-a rebentar por  super-enfarte de lucros?... 

Pão e Parlamento

 Quem é Oleh Lyashko (ou Olé Elástico, como diria o Engenheiro Ildefonso), perguntará o leitor. Bem, mesmo que não inquira, eu digo: é um deputado - melhor, chefe de seita deputativa - duma das três maiores e mais santas democracias mundiais. Neste caso, já devem ter adivinhado, o Ucranistão. O Olé, em pessoa, ou besta, melhor dizendo, é o cacique dos Populares Radicais.

Sendo eu, por natureza, um céptico consomado das qualidades inerentes ao esquema democrático (chamar-lhe sistema oscila, gritantemente, entre o delírio e o optimismo desenfreado), vejo-me todavia periclitar nestas minhas reservas, ao testemunhar tão eloquente upgrade ao mesmo, como podereis testemunhar, em flagrante, no vídeo seguinte:


Assim, sim. Assim até dá gosto. Espero que a EURSS se ucranize com a maior brevidade. Os bons exemplos não vêm só de cima: às vezes, vêm donde menos se espera. E se a plebe romana (mai-los patrícios, o imperador, enfim, toda a populaça) tinham o Coliseu, ao menos  tenhamos nós um Parlamento que - já não direi nos divirta, mas, ao menos - nos entretenha. Ou seja, que tenha alguma utilidade, no vil e inamovível esquema geral das negóc..., digo, coisas. Por exemplo, quanto mais  edificante e democrático não seria assistir ao energúmeno do Chega a debater com o energúmeno presidente da praça ao belo e santo modo ucraniscoiso?  

segunda-feira, agosto 01, 2022

The Power of Debt

 


Vêem?, somos mais importantes que os russos! E se contabilizarmos todo o "Combinado West", então, é esmagadora a abada. Compreende-se agora o desprezo e a sobranceria com que o Costa e aquela coisa esquisita (aquele com cara de isca radioactiva) que faz de Ministro dos Negócios tratam os eslavos moscovitas. Pelintras! Nem têm onde cair mortos.

domingo, julho 31, 2022

Explicação do conflito

 A balbúrdia no Ucranistão explicada aos confusos... O intrépido e alucinado cavaleiro negro representa os Ucranistões . O seu comportamento em batalha poderá não ser o mais eficaz, mas o seu domínio da narrativa é praticamente absoluto. A forma como devasta e coloca em fuga  o oponente é, a todos os títulos, formidável.





sábado, julho 30, 2022

VOGUE

 



         

Superfood...for the Bugman


 É a sério. Os cientistas acreditam. E andam sempre na brecha a escarafunchar no universo. Agora vão ordenhar baratas.

 «the scientists discovered that cockroach milk (which is not technically milk, by the way, but a yellowish fluid that solidifies into crystals in the offspring's stomachs) is one of the most nutritious substances on the planet.»

A Conspiração contra as vacas continua. Tem que se acabar com elas a qualquer custo. Ou isso ou o apocalipse por peidos bovinos. 

sexta-feira, julho 29, 2022

Pandemia da Fome?




Nos últimos anos, a Monsanto, a Cargill e a Dupont compraram 16 milhões de hectares de solo arável na Ucrânia. Isto significa que cerca de 60% dos melhores terrenos agrícolas ucranianos estão nas garras destas multinacionais. Ao que tudo indica, faz parte dum esquema manhoso para contornar as proibições europeias de culturas GMO.

Esta campanha actual contra a agricultura tradicional, na Holanda, no Canadá, etc, que pode, muito provavelmente, vir a acarretar riscos sérios de penúria na alimentação global, deve fazer parte do pacote. Primeiro gera-se a crise, a emergência, e depois, por necessidade imperiosa, introduzem-se as GMO. Como uma espécie de "vacina" contra a pandemia da fome. 

Adivinhem quem é que está ostensivamente na barricada oposta contra as GMO? - A Rússia de Putin, pois. Que entretanto, já ultrapassou o Canadá e os Estados Unidos como maior exportador mundial de trigo. 

São complexas, as guerras.


PS: Entretanto, ainda o cadáver não arrefeceu, e já os vermes comilões preparam o festim:

«The Ukraine Reform Tracker analyzed the neoliberal policies already imposed in Ukraine since the US-backed 2014 coup, and urged for even more aggressive neoliberal reforms to be implemented when the war ends.»

Uma das reformas, seguramente, será a ultrapassagem das derradeiras reticências e entraves à plena introdução de culturas GMO.

Notem, na lista dos comensais, lá está Portugal. Que orgulho!...

Terrorismo gastrópode


 

«Caracol gigante africano causa alarme nos EUA»

Embora lento, é um molusco voraz que ameaça os Estados Unidos. O terrorismo gastrópode chegou às terras do Titio Sam e alastra perigosamente, desfolhando a esmo. Compreende-se agora todo o tumulto no Congresso americórnio em prol da declaração da Federação Russa como estado patrocinador do terrorismo. A Al-Cagada, o Daesh, o bakoram da Nigéria, ou aqueles  animados corta-cabeças de Moçambique, criados e bem nutridos pela CIA, são apenas grupos excursionistas e ranchos folclóricos em digressão turistico-filantrópica. Agora o caracol gigante, com aquela enorme chifradura retráctil, a concha medonha, meu Deus, é todo um armagedão em movimento, se bem que vagaroso. Terrorismo da pior espécie, acreditem!; tentáculo mais que evidente do maléfico e tenebroso Putin, esse novo Stalitler aos saltos. Se chega a Portugal, nem posso imaginar que tremendos horrores não desencadeará. O Abrunhosa,  coitado, deve correr a barricar-se num daqueles bunkeres da EspaZo , enquanto emite lancinantes apelos ao desgoverno da República para que envie os F16s, no mínimo. O talento da figurinha, sendo mirrado e pouco viçoso, não periga; agora o oportunismo merceeiro, duma frondosidade feérica e tropical, o caracol, ainda por cima gigante (e africano), chama-lhe um figo. 

Para cúmulo, já temos a classe política tomada de assalto por lesmas. Ver agora a classe "artística" emboscada  e perseguida por caracóis gigantes, que ulterior desgraça ainda nos poderia acontecer?... As lombrigas que habitam e pastam a mioleira do Rogeiro começarem a sair pelas orelhas, em directo?...

quinta-feira, julho 28, 2022

Boa ideia!

 




«Ucranianos lançam petição para dar a Boris Johnson cidadania ucraniana e nomeá-lo primeiro-ministro»


Uma ideia brilhante e justíssimo prémio para tão denodado e estrénuo esforço em prol do monguismo internacional. Para a ideia ser excelente, teria apenas que equipar-se, a petição, de alguns anexos. Que passo a especificar:

- Tó Costa, a ministro da Defensiva;

-Urrsa Von der Lina, a ministra dos Negócios Estranhos;

- O Não-sei-quê Schultz, a tapete do gabinete do nanopresidente e kriptofuhrer kosher Zelento.



Notas acerca da Cultura - III. Aculturação e estabelecimento comercial

 Em termos aristotélicos, poderíamos enquadrar a dicotomia "cultura/aculturação" na dicotomia fusis/téchne, ou dito em termos mais compreensíveis, natureza/aritificialidade. A cultura é qualquer coisa que radica na natureza dum povo; a aculturação prende-se com uma artificialidade ou sofisticação introduzida ou adquirida de uma forma não natural, mas técnica (comercial, publicitária, sobretudo). Os projectos da esquerda traduzem sempre essa artificialidade contra a própria natureza lusa - a cultura lentamente adquirida ao longo de séculos é, invariavelmente, substituída ou avassalada por aculturações importadas -, desde a "república" dos jacobinos ao paraíso socialista dos marxistas de arribação, trata-se sempre duma "revolução", isto é, uma imposição abrupta, apressada, urgente, quase instantânea. Acredita-se numa nova espécie de milagre: o milagre socio-político. O que denota como (mesmo quando possesso do furor aculturante) o indígena não escapa, completamente incólume, à cultura. Também, a "a-cultura" de esquerda reflete um descontentamento permanente e mais ou menos radical com o presente e, por arrasto, uma culpabilização invariável do passado. É sempre contra um passado mau e criminoso que urge construir um futuro bom e salvífico. Daí o conceito predominante do "progresso", ou seja, a certeza de que a linha recta temporal (herdada do cristianismo) constitui um percurso inequívoco (infrascendente e necessário) do pior para o melhor. Daí, igualmente, a putativa superioridade moral destes peregrinos. Quanto mais não seja, por decreto: porque o "estado de direito", enquanto superstição totemística de arremesso, garante superpoderes apofânticos, e não se submete à realidade: engendra-a. E não apenas a contrafaz como trata de bombá-la a todas as horas por todos os meios e sulfatações.  Por outro lado, a origem do descontentamento é intrinsecamente material, ou dito em termos de jargão: produção e distribuição da riqueza. (Produção pelos do costume - os otários, distribuição por eles, os representantes estabelecidos e respectivos séquitos). No que se defrontam com a seita rival, de putativa direita (mas, em bom rigor, esquerda mascarada de direita), que professa a produção e apropriação da riqueza (produção pelos do costume - os otários; apropriação por eles, os instalados em cima, familiares e amigos ). Donde deriva a inveja/ganância como força motriz do processo. São os teres e haveres, os trecos e matrecos, que estão em causa (não essências ou coisa que o valha). No âmbito interno, a esquerda (no seu duplo avatar de serviço) inveja as posições privilegiadas da classe dominante e da "elite instalada"; no âmbito externo, inveja este ou aquele país mais rico e anafado, que apregoa como padroeiro da sua demanda e modelo a decalcar. A luta política, entretanto, jamais excede a disputa pelo poder, pelo estatuto, pelo pedestal/trampolim; e o poder é apenas visto como  apropriação da regalia, ostentação da vaidade, usufruto do mero poleiro na gaiola. De tal modo, que o poder, doravante, é apenas "estar no poder". Já não é sequer meio para determinado fim segundo preliminar causa: É, mais uma vez, fim e causa em si mesmo - uma forma estritamente burguesa de conforto, uma masturbação social, um fetishismo político. Em bom rigor, nada mais que bacoco desfile,  show-off, exibição. Não há qualquer projecto ou projecção para lá do "estar no poder". Tudo se esgota nesse aparecer enquanto se pode, e nesse tudo fazer para estar o mais possível. Esvaziado da sua essência, fica o poder reduzido a mera aparência de poder, simulacro de governação, fazer de conta. Assim, o Poder "Democrático", tal qual se exibe - de imitação barata (mas financiada a peso de ouro) - nas nossas paragens, constitui dupla vacuidade e redundância: ambos, o poder e a sua forma (a "democracia") na  ausência mútua, reiterada e compulsiva de princípios e fins, confinam-se a meios absolutos, e tornam-se não modos de servir à comunidade, mas expedientes para se servirem dela. Pelo que, a finalidade do poder não é fazer qualquer coisa em prol do país: é apenas fazer do país estância. Albergue. Hospedaria. As eleições pouco ou nada definem (e ainda menos implementam), de qualquer programa minimamente efectivo para a vida do quadrienalmente lambuzado povo: apenas determinam quem vai "estar", e de que modo, hospedado no erário público nos próximos quatro anos. Claro que há diferenças, no domínio do acessório, entre os candidatos da esquerda e os da esquerda a fazer de direita, mas essas diferenças nunca são 1. de ordem genuinamente cultural; 2. de poder. Porque uma coisa é garantida: Ambas as procissões, quais cortejos carnavalescos (mescla de matrafonas, carros alegóricos e cabeçudos),  são, invariável e compenetradamente, aculturadas e impotentes. 


PS: Porque o Poder é cada vez menos uma forma de fazer e cada vez mais uma forma de estar, redunda, crescente e perigosamente, numa mera forma de parasitagem. Tanto quanto a bancada parlamentar se confunde, quase sempre, com a bancada de feira ou  de secos e molhados. E um partido mais não é, na actualidade, que misto de trampolim de classe e  estabelecimento comercial. De esquina.

quarta-feira, julho 27, 2022

The Mordor way




 WEF Klaus Schwab: «Let’s be clear the future is not just happening the future is built by us, a powerful community here in this room. We have the means to impose the state of the world».

One ring (one government) to rule them all...


Antigas citações - I

 «Um coração de porco, uma alma de macaco, um cérebro de galinha, uma língua de papagaio, um sexo de ornitorrinco e uma coluna de molusco bivalve - eis a perfeita assemblagem, o Admirável Homem Novo!...»

- César Augusto Dragão (aqui, no Dragoscópio, em 26NOV2007)

segunda-feira, julho 25, 2022

Mudanças climatéricas, pois.

 O Oxident, enquanto Circo de Aberrações e Contra-Civilização em curso, está de boa saúde e recomenda-se.

Pensem por exemplo na trilogia Freudeana do Id (inconsciente), Ego e Super-Ego. A acção deste último traduz aquilo que se foi sedimentando ao longo dos séculos enquanto civilização. As estruturas sociais - legais, morais, políticas, etc - são projectadas (e gravadas) na cabeça dos indivíduos pela educação, instrução e mimética dos costumes. A esse aparato, que nos inibe, humanos, de nos matarmos, roubarmos, fornicarmos entre pais e filhos, irmãos e irmãs, adultos e crianças, ou de nos devorarmos uns aos outros, chamou, Freud, o Super-Ego. A civilização e o super-ego estão umbilicalmente interligados. Ou seja, o super-ego representa o colectivo, o social, o comunitário no individuo. Na medida em que o Ego concilia o Id (as pulsões vitais/instintos) e o Super-Ego (as representações/determinações sociais), assim o indivíduo aufere duma psicologia saudável ou patológica. Consoante haja um equilíbrio ou um desequilíbrio para qualquer dos lados, assim se manifestará a normalidade ou a patologia. A norma, por conseguinte, em nada contradiz a tradição: equilíbrio. Voltamos, aliás, num certo sentido, a Aristóteles: o problema reside ou num excesso ou num defeito de repressão.

Vamos traduzir isto em exemplos práticos: Caso 1: a Reprodução; Caso 2: a Alimentação.

1.a) Ausência (proibição geral, por ex.) de sexo. Resultado: a Humanidade extingue-se. Os indivíduos contraem sérios problemas mentais. (Embora no momento actual da teconologia, eu sei, já se conseguisse criar pessoas por incubação artificial, mas, para já, coloquemos isso de parte). 

1.b) Desenfreamento absoluto do sexo: todas as parafilias (da homossexualidade à pedofilia, passando pelo incesto, a necrofilia, o bestialismo, que sei eu...) ascendem à normalidade. Logo, o paradoxo interessante: a anormalidade devém normalidade, isto é, tornam-se indistintas, a coisa e o seu contrário. A Humanidade mergulha num caos que a conduzirá, senão à extinção, seguramente a uma balbúrdia destrutiva donde emergirá, se tanto, uma nova era ou ciclo.

2.a) Proibição de comer carne, por exemplo. Resultado: Vegetarianismo obrigatório ou insectivorismo alternativo. Eventuais disfunções nutritivas ou mutações psicocomportamentais. 

2.b) Permissão de comer todo e qualquer tipo de carne. Resultado: Canibalismo legalizado. Se não existem restrições nem inibições, vale tudo. A carne humana pode até ser considerada como muito nutritiva e o seu consumo amigo do ambiente e da salvação planetária, dado que redutora do principal agente fomentador do aquecimentro global: o homem. 

Não é difícil perceber, portanto, que no equilíbrio reside a virtude, ou seja, a forma benigna e comunitária do costume. Costume que, em grego, se diz "ethos". Donde a Ética.

A tradição na civilização (seja ela ocidental, oriental, meridional, dos antípodas ou esquimós) é essa: um balanço entre voluntariedade/voluptas e repressão/inibição. Não augura boa saúde ao tecido/organismo social tanto a ausência de repressão como o excesso da mesma. Ora, há inibições que se tornaram naturais - ser humano é não matar, devorar ou, de alguma forma mais ou menos sádica ou aleivosa, tripudiar o seu semelhante -, essa é a "natureza humana"; assim como existem desinibições que são puramente artificiais, porque mero  desbobinar de sofisticações pseudo-avançadas. Entramos aí no domínio da seita religiosa ou da superstição tribal/totemística. Não se trata dum cultura transgeracional adquirida ao longo de séculos e hábitos verificados e autenticados, mas duma irrupção virulenta e desatada duma fantasia qualquer peregrina, fruto, quase sempre exuberante, de desequilíbrio mental induzido e multiplicado. Exemplo evidente disso, na actualidade, é, por exemplo, o delírio LGTBQ Etc e ad infinitum. Passa por uma sofisticação cultural (contra obscurantismos retrógrados e opressões hetero-patriarcais), mas outra coisa não significa que ausência de freio e tino em todo um esplendor de esgoto a céu aberto. Brota apenas da diluição de fronteiras/definições, a principal das quais aquela que delimita o espaço público e o espaço, mais até que privado, íntimo. Ora, isto, logo à partida, reflecte não uma rusga na direcção da liberdade, mas, antes pelo contrário, um perigoso descambe rumo a um totalitarismo aberrante. Não é por acaso que a procissão do espalhafato se faz acompanhar dum aparatoso reforço de medidas repressivas legais, judiciais e comunicacionais. A tolerância decretada e implementada a chicote. Todo um novo policiamento de choque, escorado em redes de bufos de plantão e tribunais publicitários de serviço.

 Voltando ao equilíbrio. Uma cultura radicada no equilíbrio dos costumes almeja, de alguma forma, a harmonia social. Entre esta harmonia e a perfeição vai sempre uma distância: não estamos a tratar de reinos ou repúblicas angélicas. Mas, longe da estabilidade absoluta, prevalece sempre um modo de convívio e coabitação entre as diferentes pessoas e categoria de pessoas. Ora, uma anti-cultura, ao invés, opera contra esse equilíbrio e aposta na desarmonia, no atrito, no confronto, na redução das pessoas a categorias, grupelhos, tribos, seitas, e tudo a uma efervescência de zaragata fútil, de luta fictícia em prol duma qualquer pentelhice de ocasião, tão efémera e descabida quão rapidamente descartável e substituída por outra de igual ridículo. Neste Execrável Mundo Novo, o essencial já nem sequer é substituído pelo acessório: já vai pela irrisão abaixo.

Dir-se-ia até que o profeta desta "terra santa" se não é o Marquês de Sade, é o diabo por ele. Só que da analogia cruel, do humor negro e acerbamente crítico de certas lógicas mecanicistas estas bestas retiraram apenas o sentido literal. E deste a receita.

Exercício final: À luz deste postal, tentem decifrar esta notícia:

«New York Times: Thanks To Climate Change, Now Is the Time For… Cannibalism»





sexta-feira, julho 22, 2022

Paracivilizações

 Parece-me já não ser suficiente chamar àquilo que está a acontecer no Ucranistão uma Proxy War (uma guerra por procuração). Afigura-se mais como um novo conceito, do estilo Outsourcing Army ou Nato Franshising. Enfim, é todo um business sempre em ebulição. Se não me falha a memória, já desde Galileu se sabe que o movimento por um declive é uniformemente acelerado. E, neste peculiar caso, sobremaneira celerado também.

quinta-feira, julho 21, 2022

International Caos Inc

Dantes era a International Socialist; agora é a International Community. A porcaria é a mesma. Só muda o nome e a embalagem. 

quarta-feira, julho 20, 2022

Notas acerca da Cultura - II. Aculturação e opressinhas

 Postos os princípios da cultura, da nossa cultura, ponderemos então o seu contrário: aquilo que não é a cultura. O termo para o definir é este: aculturação. Aculturação não é uma forma de cultura, pelo contrário, é o desprezo e o abandono desta. Aceitemos, à partida, a própria definição no dicionário. Assim: "Aculturação - conjunto de fenómenos que leva um grupo humano, em contacto com outro grupo humano de cultura diferente, a adoptar os valores culturais desse outro grupo; adaptação de um indivíduo a uma cultura estrangeira, com a qual está em contacto permanente."

Por conseguinte, a aculturação traduz-se colectivamente, numa adopção, e, individualmente, numa adaptação. Um grupo adopta uma cultura alógena, um sujeito adapta-se a uma cultura estrangeira. Por outro lado, nem um grupo constitui um povo, nem, ainda menos, o preenche um indivíduo. Mas, se pensarmos naquilo a que vulgarmente se pode chamar uma (pseudo)elite, um partido, uma seita, aí temos o grupo; ou se pensarmos num dirigente, num activista, num revolucionário, ou, mesmo, num mero oportunista, aí teremos o indivíduo. Com isto apenas pretendo significar o seguinte: a dimensão dum povo transcende, invariável e necessariamente, a mera pulsão do grupo e, ainda mais, a do mero indivíduo. Donde lhe advém uma resistência natural à aculturação, bem como uma renitência arreigada  ao postiço. A suspeita e o cepticismo são, à partida, a posição de partida de qualquer povo perante o estrangeiro. Mas o povo enquanto instalação, enquanto residência. Porque se pensarmos nesse mesmo povo enquanto transplantação, ou seja, enquanto peregrinação, emigração, ausência, teremos já não "o povo", mas um grupo - o conjunto de emigrantes. E aí, rapidamente, constataremos, primeiro a "adaptação à" e, de seguida, em certa medida, a "adopção da"  cultura estrangeira, isto é, da cultura para onde se transplantaram. 

Todavia, a própria emigração não é homogénea nos seus motivos e causas; donde não é igual nas consequências e, sobretudo, nos níveis da "aculturação". A gente humilde, por exemplo dos anos 60, emigra para tentar melhorar a sua própria vida. Os pseudo-intelectuais e pseudo-políticos da mesma época, evadem-se, refugiam-se e aninham-se no exterior, a título da  melhoria da vida dos outros, - duns "outros", curiosamente, de quem se auto-nomeiam, em simultâneo, tutores, porta-vozes e curadores". Não, não fogem da guerra: porque acabam de fantasiar e aderir a uma luta mais universal e pasteurizada. Ora, o que acontece é que aqueles, os egoístas, vão, de alguma forma, embora superficialmente, aculturar-se; enquanto estes, os "altruístas", já partem mentalmente cativos duma outra cultura e apenas vão aprofundar, entranhar e tornar compulsiva, difusiva e incontinente essa aculturação. Os primeiros vão, mas transportam consigo a saudade de casa; os segundos piram-se,  estrategicamente animados dum rancor imarcescível contra a sua própria origem, pior dizendo: contra a sua própria cultura. Dizem as más línguas que quando regressaram instalam uma "ditadura cultural" - a tal, opressiva e lendária, "ditadura cultura da esquerda".

Se repararmos logo bem, à partida, este argumento é o argumento "neo-marxista" típico: somos oprimidos pela esquerda opressora e ditadora. Embora usado, pasme-se, por quem se arroga e fantasia contra a esquerda, de forquilhas e archotes. Quer dizer, que diferença faz dizer-se: sou oprimido pela ditadura fassista, ou sou oprimido pela ditadura anti-fassista? Apenas o ponto geográfico da bancada, apenas a mascarilha. Na essência, é o mesmo tipo de curto-circuito mental. A única genuína, real e concreta opressão que existe neste mundo é a da estupidez humana, que, aproveito para alertar, se abeira perigosamente do totalitarismo. Quanto ao resto, citando-me a mim como exemplo, que é o melhor que conheço e sei, não me estou a ver armado em queixinhas de opressão alguma, muito menos da esquerda. Quero que a esquerda se foda com todas as suas fantasias e diarreias mentais! Mas que se foda mesmo, por plenitude e vocação! E ande ela travestida de esquerda ou de direita ou da puta que a pariu! Assim mesmo, sem paninhos. E digo o que tenho a dizer enquanto me for permitido. Se me censurarem, perseguirem ou prenderem, acho justíssimo. Honra-me por inteiro. Se me cortarem o pio, a mesma coisa. Dentro da artificialidade reinante, considero até a "coisa mais natural" deste imundo. Os labéus todos, as falácias de arremesso todas que entendam grunhir-me, estou mais que habituado: estou imune. Couraça de dragão até à ponta da alma. Imaginem que me entra um polícia em casa e decreta na ponta da pistola e cassetete: o senhor, aí, ouviu? - caluda! Não escreve mais." Acham que me queixe, que denuncie, que faça greve de fome e arme à vítima, ao coitadinho?!" Não me conheceis, então. Ah, não escrevo, na ponta dos tribunais, esbirros e sevícias? Pois muito bem; vou plantar couves. Não é menos digno. Vou falar com as árvores e ouvir os pássaros. Vou atirar-me ali ao mar e nadar, nadar até que já não oiça ninguém e, por fim, embalado pelas ondas, adormeça a boiar de papo para o céu, sozinho com a eternidade. Este falso mundo de cacaracá dos simulacros vaidosos de coisa nenhuma não vale a puta duma lágrima e, ainda menos, o pingo duma lamúria. Oprimido, eu? Apenas pela minha dose, nem sempre modesta, de estupidez. É uma luta até à morte, pois é; e, mais ainda,  um sacana dum combate desigual.

terça-feira, julho 19, 2022

Notas acerca da Cultura I. Ponto de partida

 Uma coisa é ou não é. Não pode ser e não ser em simultâneo. Ou dito de outra forma: uma coisa não pode ser o contrário dela própria. Isto, segundo a lógica. Segundo a ala de furiosos do Júlio de Matos, a claque do Clube X ou a seita dos adoradores da Treta Y, isto não se aplica, naturalmente. E segundo qualquer sofista de vão de escada também não: a falácia mais recorrente é que a coisa muda e, embora transformada no seu contrário, continua a ser a mesma. Ora, se é a mesma, não se percebe como houve transformação; e se houve transformação não se entende como poderá ser a mesma. Mas, enfim, da sofística, mesmo hiper-serôdia (25 séculos ainda é algum tempo...) e rançosa, tudo é expectável.

Mas vamos a um caso típico e concreto: a cultura. Sendo negação da cultura,  a aculturação não pode ser a mesma coisa.. Excepto para os malucos e os sofistas, como atrás foi exposto. Todavia, se alguém quiser conceder-lhes o benefício da razão, nesse caso terão que aceitar que anarquia é o mesmo que arquia, que atopia é o mesmo que topia,  que abulia é o mesmo que bulia. Ou seja, que desordem é o mesmo que ordem, que alhures é o mesmo que algures, ou que imobilidade é o mesmo que movimento. Ora, as coisas não são assim. Mesmo que a CNN e toda a propaganda o bombeiem a todas as horas, não são. Mesmo que as televisões, os jornais, as revistas o debitem sem interrupção, o avesso não é o direito, o simulacro não é o real, o aparente não é a essência. Compreender essa realidade básica que distingue algo do seu contrário, e o contrário do seu algo, nisso, consiste o cerne daquilo a que chamamos (ou chamávamos) cultura, civilização. É a base elementar, o alicerce primeiro e fundamental. A cultura parte da definição, e esta consiste em todo um processo de elevação a partir do caos, do indiferenciado. A Terra, o Céu, os Astros, os deuses, a noite, o dia, os sonhos, a morte, a vida, os heróis, o destino, as musas, a efemeridade, a eternidade, a necessidade, os campos elísios, as profundezas infernais, tudo isso, e tudo o que constituiu derivação e voo em redor de tudo isso, em forma de literatura, pintura, musica, filosofia, arquitectura, etc, etc, tudo isso, reforço, é a origem e força motriz da cultura. A nossa, pelo menos, europeia.

Se tivessemos que a definir segundo Aristóteles, eu talvez arriscasse o seguinte: a civilização/cultura é o processo da realização humana, o percurso através do qual o Homem actualiza todas as suas potencialidades. Um trajecto que, realmente, o aproxima do Primeiro Motor, ou seja,  de Deus. Quer dizer, um caminho que o coloca nas imediações da sabedoria autêntica, da liberdade genuína e, inerentemente, da autonomia perfeita. O culminar deste pensamento e desta definição não é pura fantasia minha, ou efabular utópico dum espírito alucinado. Bem pelo contrário, é algo de muito concreto e presente neste mundo. Podereis constatá-lo, ainda hoje, por exemplo, em qualquer partitura de J.S.Bach ou na monumentalidade maravilhosa, e anónima, de qualquer grande catedral.

O Homem não "é tudo igual", nem é uma porcaria que só come e caga. Quem criou sinfonias e construiu catedrais, não pode aceitar a redução ao micróbio e, ainda menos, a devolução ao caos.

segunda-feira, julho 18, 2022

Geo-toto

 

«Israeli expert: Hezbollah soldiers more experienced than Israelis»

Chama-se a isto canção de embalar.  Pois então se nem capacidade têm para a sucursal como é que se vão haver com a sede principal? Nem os Hezbollah são assim tão eficientes, nem os askenazis são assim tão desactualizados. Cautela e caldos de galinha... Notícias deste jaez apenas traduzem desinformação e propaganda pura. 
É evidente que o Hezbollah constitui uma força de respeito e está "endurecido e adestrado na batalha". Ao contrário, os askenazis e respectivos serventes americórnios estão viciados em lutas com aleijadinhos. O que, convenhamos, não sendo o melhor dos ginásios, não augura o melhor dos desempenhos. Todavia, há uma grande dose de brutalidade e disparidade de meios, sobretudo aéreos e navais, por parte da parelha sionergúmena que jamais deve ser subestimada. Duvido que os chiitas libaneses embarquem em cantos de sereia, ainda mais com apêndices pinoquiais tão evidentes. Jogo de tripla, com uma ligeira (muito ligeira) preponderância para o factor casa.


domingo, julho 17, 2022

Da Unicornicrânia, ou o Império da Corrupção

 




«Zelensky to consider replacing Catherine the Great statue with gay porn star monument in Odesa»


Existe aquele aforismo famoso de Nietzsche: "quando olhas para o abismo, ele também olha para dentro de ti."
Não é bem a mesma coisa, longe disso, até porque, no vertente e aberrante caso, será mais "enquanto dum lado se ucranizam, do outro americaneiam-se". 

Duas ou três notas suplementares...
É evidente que isto da aberração não é a essência: é apenas um pretexto, mais um fait divers na confeitaria. Como a própria guerra - toda aquela carnificina, em que as pessoas masculinas de todas as idades já são arrancadas dos carros, na rua, na ponta da espingarda, e despachadas para o triturador russo no leste -,  não passa disso, dum pretexto, duma cortina de fumo. O osso do assunto é, ainda e sempre, o dinheiro, a massa, o carcanhol. O que está em curso é toda uma operação, não militar, mas de mega-saque a coberto. São biliões a desaparecerem pelos bolsos do deep-corruption americórnio e dos caciques delegados na unicornicrânia. O que é preciso, de transcendente importância, é que o sarrabulho perdure o mais tempo possível. Cada hora conta, e é medida em milhões a verterem nas contas dos eleitos, dos iluminados, literal e metaforicamente falando. É toda uma máquina da felicidade em hiperfuncionamento...quase em êxtase, diria mais. Debitando uma tal intensidade de prazer/minuto, estou em crer, jamais visto. São orgasmos financeiros de rajada! 
Todos os países têm corrupção. Todos os regimes em todas as épocas. A corrupção faz parte da condição humana, desde o paraíso primordial. É mesmo uma das formas do movimento, segundo Aristóteles. É porque se deteriora ao longo dos anos, que um homem envelhece, adoece e morre. Portanto, a corrupção, dito com rigor, constitui uma forma de mudança - um metabolismo na direcção do abismo (da sepultura, do retorno aos caos, ao todo indiferenciado). Acontece nos homens e, por inerência e proliferação, acontece nas sociedades e nas culturas/civilizações. Torna-se um problema ou é fatal, 1. Quando, em vez de residual, se torna preponderante; 2. Quando. em vez de acessório inerente da existência. devém a sua forma determinante e força motriz. O drama dos Estados Unidos, no seu momento presente, é que, na aparência é, ou pretende manifestar-se, como a maior potência do globo, mas na essência é apenas a mais corrupta. A prova mais arrepiante disso, é que o dinheiro que o estado americano despende no complexo militar é oitenta vezes superior ao dos russos. O facto destes terem ultrapassado, em larga medida, o nível de capacidade militar efectiva daqueles, só atesta um fenómeno muito simples: o dinheiro delapidado pelo estado americano outra coisa não traduz que um hiper-esquema de corrupção, ou seja, de assalto ao erário público por uma associação desenfreada de gangsters, parasitas e falsários.
Mas ninguém se engane: claro que também há corrupção entre os russos. Só que nestes, é controlada pelo Estado (como era por exemplo, em Portugal, no tempo do Estado Novo); enquanto entre os Américas já não é apenas ela, a corrupção, que o controla, ao estado: Ela é o Estado. 
Não espanta por isso que ao fitarmos hoje, as ventas do energúmeno decrépito, rancoroso e com os pés para a cova que a "representa" e pseudo-dirige, apenas vislumbremos o esgar perverso da pura malignidade.
Não é a democracia o principal produto de exportação americórnia actual: é a corrupção. Mas nem sempre foi assim. Foi à medida que os produtos vitais foram diminuindo e desaparecendo que o mais mortal de todos eles passou a imperar. Foi à medida que os produtos da indústria se viram substituídos pelos produtos da finança que o precipício para a decadência ficou hiantemente escancarado. A corrupção desabrida do capitalismo degenerou no financeirismo. A tragédia, com toda a sua catástrofe, está aí ao virar da esquina. Parafraseando Nietzsche (e o livro do Apocalipse), quem tiver ouvidos que ouça, quem tiver olhos que veja.

sábado, julho 16, 2022

Anedotas e profecias

 



O episódio anedótico que relatarei de seguida até custa a acreditar. Eu próprio experimento algumas dificuldades. Mas parece que foi mesmo assim. Segurem-se...

Passa-se em 2002. Vão chamar-lhe o "Millenium Challenge"; trata-se do maior e mais dispendioso war-game da história do Pentágono. 250 milhões USD, para simular um confronto entre os Estados Unidos (as forças azuis) e o Irão (as forças vermelhas). Pelos azuis, toda a vasta tecnologia americórnia e um grupo completo de ataque naval - porta-aviões e compª. Já não falando em toda aquela panóplia de napoleões do ar condicionado, mais conhecido por Estado maior Pentagónico.

Para bombo da festa, ao comando dos "Iranianos", requisitam o general Marine Paul Van Riper. A sua missão, especialmente ingrata, é ser triturado pelas forças super avançadas, e autoproclamadas avassaladoras, do bem e da democracia. Acontece que o Marine, guerreiro eficaz, ser com vértebras e estratega compenetrado da sua missão, entende levar o seu papel muito a sério. E age em conformidade. 

Os azuis, com a prosápia habitual, iniciam as hostilidades com um ultimato aos vermelhos. Von Riper manda-os bugiar e aguarda até que eles avancem para onde lhe convém. Uma vez aí, point of no return, e sem aviso prévio nem qualquer comunicação radio-electrónica denunciadora, desencadeia uma descarga geral, demolidora, de mísseis, lanchas-rápidas e, enfim, tudo o que tinha ao dispor. Em 20 minutos, os azuis, com as defesas totalmente saturadas e ultrapassadas, desaparecem da face das águas e vão peregrinar o fundo do Golfo Pérsico. 20.000 alminhas. Completa e desastrosa aniquilação. Imaginem as caras dos napoleões do ar condicionado... Toda aquela burrocracia em hiper-ventilação.

Moral do exercício? Agora é que vem a parte melhor, a verdadeiramente crocante e educativa:

«It was a total catastrophe – not to mention a shocking humiliation for Pentagon planners who had expended a quarter billion dollars setting up the elaborate exercise in the first place.

So, what did they do? Well, like a teenage boy playing war in a video game, they simply pressed the "reset" button, “refloated” the sunken ships, and then entered “cheat codes” into the simulation that guaranteed the Blue Team would win.

I kid you not.

General Van Riper was outraged, and quit on the spot. Another more pliant general was assigned to take his place; the exercise proceeded “according to plan”; the Blue Team achieved a great and glorious victory over the “inferior forces” of the Red Team.»


Agora reparem: este "espírito" é o mesmo que tem presidido à abordagem oxidental do actual conflito na Ucrânia. Só que o "reset" button não funciona. Embora eles tentem, desalmadamente, premi-lo. Pelo que  o exercício infantil apenas resulta em escalada, em agravamento do problema, ou seja,  no cumular das causas e condições que conduzem aos mesmos efeitos. Quer dizer, atiro com esta bola contra a parede e levo com ela nas ventas. Isso magoa-me, enfurece-me. Dedução da correcção: vou atirar com a mesma bola contra a mesma parede, mas cada vez com mais força. Até porque estou cada vez mais furioso. Está-me a acertar porque eu não atiro com suficiente força. Voilá! Dá para calcular como o resultado final deste tipo de birra  não será brilhante.

E agora, para cúmulo, já estão, de novo, os do costume, com planos mirabolantes (e sempre-viçosos) de ataques devastadores ao Irão. Americórnios e askenazis de arribação aos urros. Temo que não seja a melhor das ideias. Sobretudo no momento actual. Assim, de relance mnésico, a última aventura dos segundos contra o Hezbollah foi tudo menos gloriosa. Raiou mesmo a humilhação. E sendo que, apesar de tudo, os askenazis ainda são de alguma eficácia na guerra, não estou a ver como é que o conjunto se irá desenvencilhar com um Irão que está muito acima do que eles alguma vez enfrentaram na puta da história. Direi até que, depois da Rússia (e também apoiado por ela) serão talvez o país mais bem preparado para lidar com certo tipo de "war-games" coquetes. À partida, no esgoto da Propaganda, a vitória certa, festiva e esmagadora está garantida. O pior é depois... no terreno. 

Van Riper, esse, após aquele episódio caricato,  afastou-se repugnado, mas foi quem deixou bem lavrada a verdadeira moral da história:

«Nothing was learned from this. And a culture not willing to think hard and test itself does not augur well for the future."»

Absolutamente profético.