terça-feira, novembro 29, 2022

Faltou a China...no arroto!

 



«O adepto que interrompeu o jogo entre Portugal e Uruguai, com uma bandeira do arco-íris, de apoio à comunidade LGBTQ+, e uma t-shirt de apoio à Ucrânia e às mulheres do Irão, foi banido do Mundial2022 de futebol.»


Todo um porta-valores oxidentais em movimento: o Irão às costas, a Ucranóia ao peito, a bandeira aberrante ao vento e as tatuagens identitárias pelas pernas abaixo. E o símbolo do ubermench americóide, claro, como plataforma de fundo. Fugido e desembestado dalguma cabine, calculo.

Irrompeu, invasor e pedante, à boa maneira das democracias autoritárias e pesporrentes. Rilhafoles grunho de exportação. Antigamente, era ir lá e conquistá-los. Agora é ir lá e enfiar-lhes clisteres de moral e xaropes de paranoia pelas televisões abaixo. Parece que foi banido. Que desilusão! Os da casa também deviam aproveitar para exportar a moral deles. Neste caso,  não só com toda a justificação, como também a mais elementar justiça... Abençoadas chicotadas em público que tanta falta nos fazem!...

domingo, novembro 27, 2022

Da Cote d'Azov à Cote d'Azur

 



Entrevista com o Vão-pirotécnico, digo querubim ultra-tatuado

«I was never paid, I in fact ruined myself economically by going to Ukraine. I couldn’t imagine doing that for any value.»

Puro amor à camisola. Um idealista.

«I support Azov, to the fullest. But I don’t support NATO, Or the EU, but ultimately I feel as if NATO gets involved there won’t be anything, as far as a nationalist goes, worth or left fighting for.

How do you see the conflict from a geopolitical perspective?

American meddling in Ukraine has caused the Russian invasion.»

 Ukraine war can be simply placed by two prospectives, the Nationalist war, and Zelenski’s war.»

 Em resumo, mais ainda que uma guerra, uma confusão. Ucranianos contra ucranianos, nacionalistas (segundo este) pouco natofilos, o proxy gang, e por aí adiante.

Agora, quando a nossa esquerda woke e a nossa direitinha toina torcerem os narizinhos sensíveis a estes companheiros de esquina, sempre podem capacitar-se que, ao menos estes, em compensação, sempre deram o coiro à causa. Não é só saliva e eloquência monga de monta-sofás e mata-gambuzinos.


E o segundo capítulo, em tandem com o primeiro:

«As Westerners send aid, here’s how Ukraine’s corrupt elites are profiting from the conflict»

The Monaco Battalion

While Ukraine has undergone a general mobilisation affecting all men under the age of 60, many former and current high-ranking officials, politicians, businessmen, and oligarchs have moved to safety abroad – mainly to the EU. 

          (...)

   “There is little to prevent a field commander from diverting some of the equipment to buyers, aka the Russians, the Chinese, the Iranians or whomever while claiming the equipment and weapons were destroyed…”

           (...)

«Medical supplies are also being stolen. The Telegraph reports that “some of the donated supplies later made their way onto the hospitals’ pharmacy shelves: priced, and listed for sale.” Health workers appropriate medicine, bandages, and medical equipment, and resell them to patients for whom they were intended to be free, the article says.»

          (...)

«War for some, Gucci for others

Enormous cash flows from Western countries are continuously used by corrupt Ukrainian officials for personal enrichment and to acquire luxury goods.

In a recently busted corruption scheme, Odessa customs smuggled shirts, backpacks, sports shoes, belts, and other luxury items by Givenchy, Gucci, Polo, Dolce & Gabbana, Michael Kors, Chanel, Louis Vuitton, and Armani under the guise of army equipment.

          (...) 

«To take another example, in May 2022, Western countries abolished customs duties for Ukraine. Within a week, over 14,000 passenger cars were imported into the country.»


  Em resumo, um mimo. Coisa edificante de se ler. 


sábado, novembro 26, 2022

Corrupção tipicamente russa

 

«Bankman-Fried's FTX, senior staff, parents bought Bahamas property worth $300 mln»

Quem sai aos seus...

Há uma obra dum grande autor russo que recomendo vivamente: "Pais e Filhos", de Ivan Turguéniev. Hei-de até tecer um postal com textos paralelos entre esta obra e "Os Demónios", de Dostoievski. Mas, de entre os muitos motivos para se ler "Pais e Filhos", sobressai um deveras memorável: a figura de Bazarov, um dos personagens principais... Emerge laureado dum epíteto inaugural (se não me engano, é aí cunhado pela primeira vez): Nihilista. 
O livro, no fundo, trata do velho confronto imarcescível entre as velhas gerações conservadoras e as novas gerações revolucionárias. Esta trapalhada não é assim tão recente quanto se julga: já Aristófanes a denunciava e ilustrava vinte e quatro séculos atrás. Desde então, ciclicamente, grassa e contamina como as epidemias. Dos goliardos às luzes, dos nihilistas aos utopistas vários, é toda uma fauna sempre viçosa, ruidosa e excitada. Nos últimos tempos, passou de cíclica a permanente. A zaragata etária, no âmago da bernarda social, tem mesmo vindo a ganhar foros de verdadeira convulsão obsessiva e pluri-subsidiada. É um investimento como outro qualquer, dir-me-ão os pragmáticos. Só que, neste caso, tem-se investido muito. A começar no Canibal Soros... e secundados, ao que rezam as crónicas, neste fedelhódromo da FTX (e respectiva parentela) - afinal, o Partido Democrático constitui a Neo-Internacional/Komintern. E é aqui que sobressai o exotismo: parece que entre os "investidores maiores" não grassa a epidemia. Serão imunes ao zaragato-vírus? Dir-se-ia até, fazendo fé nos registos históricos, que entre eles não existe conflito porque não existem contra-partes: é uma permanente revolucionarite aguda. Pais e filhos não debatem nem combatem: reforçam-se. Conservadorismo é para goyns.*

PS:_ Aqui deixo, para já, a célebre passagem de Turguéniev onde nasce o famoso conceito:

«Pois é - interrompeu Pável Petróvich -, pois é: convenceram-se de tudo isso e não fazer nada a sério?
- Decidimos não fazer nada - repetiu Bazárov, soturnamente.
De repente sentiu-se agastado consigo mesmo, por se explicar tão longamente perante aquele aristocrata.
 - Apenas injuriar?
 - E injuriar.
 - E chama-se a isso nihilismo?
 - E a isto chama-se nihilismo - repetiu de novo Bazárov, desta vez com especial impertinência.»

Anotem, se fazem favor, que não andará muito longe do ainda mais célebre "é preciso mudar tudo para que tudo fique na mesma". E sobre revolucinhações ficamos, para já, falados.

* - Sim, um certo exagero da minha parte. Existem (e sempre existiram) judeus que não estão pervertidos ao Talmud. Serão minoritários, ou até residuais, mas como eu nunca gostei muito de chusmas...

sexta-feira, novembro 25, 2022

Disfonia das Quatro Estações (rep)

(A propósito da data de hoje, parece-me sempre oportuno recordar...)



 Antes que me esqueça, há uma rectificaçãozinha que, em termos históricos, compete fazer: Não há um Portugal antes do 25 de Abril e um Portugal depois do 25 de Abril. Em bom rigor, há dois, antes e depois. Ou seja, quatro. Situando: Um Portugal antes de 27 de Setembro de 1968; um Portugal entre esta data e o 25 de Abril de 1974; um Portugal após o 25 de Abril; e um Portugal pós 25 de Novembro de 1975. chamemos-lhes, respectivamente, Fase 1, fase 2, fase 3 e fase 4, para facilitar a exposição.

Na fase 2, tentou enterrar-se a fase 1 e plantar-se sobre ela uma quimera.
Na fase 3, tratou de  liquidar-se o império e escavacar a quimera.
Na fase 4, absorveu-se a fase 3, e recauchutou-se a quimera a expensas externas, o que, como era mais que óbvio, só podia redundar na dissolução do país.
Tudo isto traduzido em termos mais poéticos, ou meramente pictóricos: À primavera Marcelista, seguiu-se o verão Comunista, donde amadureceu o outono capitalista e agora, com a fatalidade das estações, aguarda-nos o inverno...  ainda não se sabe bem de quê, mas, seguramente, será rigoroso. 
Bem avisaram os antigos que o tempo é circular. Estamos de volta a Salazar? Não, estamos de volta a 1580. Somos pequenotes, mas gostamos de viver à grande. Viver e, mais ainda, morrer, pois então. Um alcácer-quibir de larvas mercantis e consumistas, eu sei, não é bem a mesma coisa que um Alcácer-Quibir de guerreiros. Mas, dentro do microcosmos fétido, foi o que se pode arranjar... E ao menos o Ricardo Salgado não desapareceu nas areias do deserto, para nos vir assombrar durante os séculos vindouros. 


PS: Temos o monstrengo, é certo, mas esse também já não nos assusta: habituámo-nos a ele de tal modo, que até o elegemos para a presidência desta cegada (entretanto arreado e substituído por um sempre-em-pé-de-micro). É, assim, uma espécie de monumento vivo ao nosso naufrágio colectivo. Simbolicamente, instalado no mesmo e preciso local donde, há quinhentos anos, partiram as caravelas - Belém. 

PS 2: Quanto a nós, não, francamente não sei, quanto demora ainda até ficarmos exaustos... de ser a antítese de nós próprios.

quinta-feira, novembro 24, 2022

Escola de Marionetes

 Pare, escute e olhe, um Zelicoso pode sempre esconder outro... Zelicose é sempre que o Império quiser. Os slogans podem ser múltiplos e todos eles actuais.

Uma viagem ao mundo do Caos Inc - proxy wars, fake revolutions & shit values for all .

O autor é americano, ex-marine e reside na Tailândia. Um sujeito com os alqueires bem medidos, que venho acompanhando, esporadicamente, nestes últimos meses. 




Patrocínio do otariado




 «In 2022, the Flemish government will pay €175 763.87 in membership fees to the World Economic Forum (WEF) and 27 000 Swiss francs (about €27 300) as participation fees to the annual meeting of the WEF in Davos. This is according to Flemish minister-president Jan Jambon's response to a parliamentary question by Flemish MP Sam van Rooy.»

A ver se eu percebo bem: o governo flamengo exala a expensas dos contribuintes flamengos; o tal de WEF exala a expensas do governo flamengo e, quiçá, de outros (des)governos do mesmo jaez (fora os super-privados e batmãs que tais, pela porta do cavalo). Portanto, o otário contribuinte - neste caso flamengo - tem muito com que se esmifrar e espremer todo. Até porque com a propriedade distributiva da exalação não se brinca.

Não que, neste especial caso, isso me cause especial aflição. Sobre os flamengos e a Bélgica em geral Baudelaire teceu considerações muito apropriadas. As únicas merecedoras de nota que li até hoje. Assim, de memória, e salvo erro, ficou-me na retina aquela do "a Bélgica é um bocado de merda que a França segura na ponta dum pau". Parece-me uma imagem justa. Tão apropriado como a capital desta Europa invertebrada ser, justamente, em Bruxelas. Nada como estabelecer (e emanar) no centro da substância.

terça-feira, novembro 22, 2022

O dinheiro - VII. O Poder e a moeda. Parte 1






 

«CARIÃO - Oh, O mais velhaco de entre todos os homens! És então Pluto e calavas-te?
CRÉMILO - Tu, Pluto, com essa aparência desgraçada! Ó Febo Apolo e deuses e génios e Zeus, que dizes? Tu és verdadeiramente o tal?
PLUTO - Sim.
CRÉMILO - Aquele mesmo?
PLUTO - Mesmíssimo.
CRÉMILO - Donde é que vens - diz - com esse ar sujo?
PLUTO - Venho de casa de Pátrocles que se não lava desde que nasceu.
CRÉMILO - E esse mal como o sofreste? Diz-me.
PLUTO - Foi Zeus que me fez isto, por má vontade aos homens. Quando eu era rapaz, ameacei que só me dirigiria aos justos e sábios e honestos. E ele fez-me cego, para que não distinguisse nenhum deles. É assim que ele inveja os bons.
CRÉMILO - Mas ele só é honrado pelos bons e justos.
PLUTO - Concordo contigo.
CRÉMILO - Ora vejamos! Se voltares a ver como dantes, fugirás então dos maus?
PLUTO - Prometo.
CRÉMILO - Procurarás os justos?
PLUTO - Sem dúvida. Há muito que os não vejo.
CARIÃO (Apontando os espectadores) - E não é maravilha nenhuma, porque eu também não, apesar de ver.
PLUTO - Deixai-me os dois agora, porque já sabeis tudo a meu respeito.
CRÉMILO - Não, por Zeus, mas muito mais te seguraremos.
PLUTO - Não anunciava eu que vocês estavam para me arranjar sarilhos?
CRÉMILO - E tu - peço-te - deixa-te persuadir e não me abandones, porque não descobrirás, ainda que o procures, homem de melhor carácter do que eu.
CARIÃO (Para os espectadores) - Não, por Zeus, não há outro senão... eu
PLUTO - Isso é o que todos dizem. Mas quando verdadeiramente me apanham e se tornam ricos, simplesmente ninguém os excede em velhacaria.
CRÉMILO - É assim, realmente, mas nem todos são maus.
PLUTO - Pelo contrário, por Zeus, todos sem excepção
    - Aristófanes, "Pluto" (A Riqueza)

Nos nossos dias existe uma convicção um tanto ou quanto mal amanhada, mas deveras conveniente, que proclama aos quatro ventos e brisas associadas a seguinte lei indiscutível: o Poder corrompe. Pensemos no Deus Omnipotente e teríamos então qualquer coisa como o Absoluto Corrupto (reductio ad absurdum). Ah, mas não, é só entre os homens que funciona assim, até porque Deus é, por natureza, incorruptível. Mas nem todos os poderosos foram corruptos, citando alguns na nossa própria história: D.Afonso Henriques, D.Pedro I, D.João II, Salazar. Vou dizer-vos onde funciona inexoravelmente assim: nos romances do Marquês de Sade. Porque onde também não funcionava dessa forma era na Grécia Antiga. Aristófanes, a experimentar em primeira mão o fenómeno, vai direito ao cerne: o que corrompe o homem é a riqueza. É o próprio Pluto que o declara: "quando me apanham e se tornam ricos simplesmente ninguém os excede em velhacaria.» E assim deparamos, pela primeira vez, preto no branco, o carácter corruptor e degradante do dinheiro. 
Voltando agora ao nosso tempo. Testemos a tese. O nossos primeiros-ministros de fancaria, mesmo com maioria absoluta na assembleia palramentar, é o poder que os corrompe? Muito mais poder, poder a sério, não corrompeu D.Afonso Henriques, D.João II ou Salazar. Como é que um poderzinho de cacaracá causa tamanhos vícios nestes? Que significa a corrupção senão compra e venda (activos, passivos), ou, em muitos casos, ainda mais insidiosos e venais, pura chantagem, ameaça velada, torpe sedução. Digamos doutra forma: homens fortes, homens fracos. Um homem fraco qualquer coisinha o tomba, o tenta, o salda, o varre. Porque, na essência, aquilo que faz forte um homem é uma forte convicção no espírito, uma tenacidade na vontade, uma certa auto-suficiência na vida. E um módico de inteligência que, uma vez na política, lhe permite saber que o todo é mais importante e, necessariamente, mais forte que cada uma das partes; e que representar esse Todo, consiste, per si, numa posição dominante, acima, nomeadamente, dos agentes económicos e dos circos da riqueza. É por isso que mais facilmente descamba no totalitarismo (ou seja, num excesso de poder) do que na corrupção. Hitler ou Stalin são casos emblemáticos disso mesmo. A corrupção dum homem de estado equivale, bem vistas as coisas, a uma alienação de poder, ou melhor dizendo, de função. A criatura cede (qual quota em sociedade comercial) parte da sua função, da sua comodidade, ao comprador. Ou seja, deixa de ser um homem de estado, um político, e degrada-se a traficante. A sua dignitas devém mercadoria, a sua posição um balcão, o seu cargo uma loja. É o poder que o corrompe?  Antes diria que é mais o seu contrário: a sua impotência, enquanto político e homem de estado. A sua impotência intelectual, ética e política. Isto convertido em sistema dá qualquer coisa como a "democracia liberal". Na realidade não passa duma acracia: duma ausência efectiva de poder ao nível do Estado, e ainda mais ao nível do Povo. É irrelevante haver eleições, como são irrelevantes os resultados das mesmas. O processo está pervertido e viciado à partida. O governo não é soberano, o povo não só nada ordena, como refocila avidamente na desordem e vegeta num estado de alienação induzida e bombada ininterruptamente por cadeias de desinformação e deformação opressivas e calafetantes. Entretanto, esta acracia efectiva assenta num tripé sustentador: anomia, abulia e aloarquia. Que traduzem, respectivamente, a desordem dos valores, o desânimo da vontade própria, a dependência duma governação alógena. Que, nestas degradadas circunstâncias, a trafulhice, a velhaquice, a venalidade, a resignação, a morbidez, a cobardia, a traição, o mercenarismo, a corrupção e o sicofantismo geral vicejem, frutifiquem e se tornem infestantes é o efeito óbvio e necessário. De resto, basta atentar no nosso próprio exemplo enquanto nação: monarquia -> poliarquia  -> aloarquia.
A quem convém então esta tese do "poder corrompe"? Precisamente àqueles que vicejam da implantação da impotência e da desordem entre os povos e respectivos governos. Os mesmos que, com base numa riqueza sem freio e sem limite, tudo pervertem, infiltram e contaminam; a começar pelas  próprias estruturas governativas - desde os respectivos processos e trampolins eleiçoeiros até aos critérios de gestão subsequentes e, sobretudo, ao controle pela trela de todo o aparato de sicofantas vigilantes na Mass-media. No regime de acracia, a imprensa cripto-controlada passa por livre, a expressão ultra-filtrada trafica-se como voz do progresso e o totalitarismo implícito, em construção e hermetização permanentes, mascara-se de fim da História - fim, enquanto realização plena e corolário definitivo. Toda e qualquer não aceitação, disputa ou cepticismo é, de chofre, degradado a retrogradismo hirsuto, conspiração contra o melhor dos mundos, crime de lesa-enxame. O regime de acracia é, assim, um estado terminal. Na medida exacta em que, para lá dele, só o apocalipse, a catástrofe global, o fim do mundo. Por analogia, é uma espécie de pistola apontada, com percutor armadilhado, à cabeça da humanidade. Tentar afastá-la ou afastar-se dela é premir o gatilho. O outro aspecto, especialmente ilustrativo da irracionalidade do fenómeno é, nessa declaração absurda, arbitrária e aleivosa de fim/conclusão do processo, estar a negar-se em absoluto o próprio conceito, princípio e totem supersticioso que lhe deu corpo e justificação desde a eclosão revolucinhária: a própria ideia de progresso. É o mesmo que dizer: a partir daqui não há cá mais progresso nem necessidade dele. Acabou; é comer e calar.
Mas tornemos à riqueza. Corrompe necessariamente o homem? Aristófanes é pessimista, nesse aspecto. Todavia, não me parece que seja fatal. Socorro-me de exemplos da vida prática e histórica da nossa própria comunidade: Alfredo da Silva, no antigamente; Rui Nabeiro, no pós-abrilice, só para citar dois exemplos. Não cederam à corrupção e enriqueceram a comunidade, beneficiaram substancialmente o país. Decerto a CUF não era uma empresa angélica, mas era um empório a muitos títulos extraordinário.  E extraordinário no bom sentido: um autêntico modelo. A Delta confunde-se com a própria vila de Campo Maior. Estes homens enriqueceram e enriqueceram os outros; respeitaram, nomeadamente os seus empregados, e foram e são respeitados. Merecem um lugar na história, tal qual um general competente e audaz. Por conseguinte, mesmo nos tempos actuais, problemáticos a muitos títulos, e sobretudo em sede da riqueza, não é forçoso que o dinheiro corrompa. Corrompe a maioria, mas nunca foi a maioria que decidiu coisa que se visse. O caso é que, assim como, na economia, (r)existe uma minoria cada vez mais reduzida de gente heróica, também na para-economia, existe igualmente, e em contrapartida, uma minoria cada vez mais escroque e facínora geradora não de riqueza benéfica, porque integrada na comunidade, mas de corrupção plutofacciente, isto é, riqueza extraída como tortuoso malefício, gangrenante parasitismo anti-social, anti-económico, anti-cultural e anti-político (no sentido de anti-histórico). Àquela riqueza poderíamos também chamar de fundamental, e a esta de infundada e afundadora. E, neste paralelismo, lá regressamos nós às origens do problema, como o colocou inauguralmente Aristóteles: a diferença, e o confronto, entre o firmado na natureza, fundado na terra; e o ficcionado estritamente no ar e multiplicado indefinidamente sobre os mares do comércio. Ou, por outras palavras, o dinheiro enquanto meio cujo princípio e fim se conhecem e o dinheiro como princípio e fim de si mesmo, enquanto mera ampliação desarvorada, do qual, em bom rigor, ninguém sabe donde veio nem para onde vai. Dinheiro absoluto, em suma. Cripto-riqueza. Não instrumento de soberania, mas soberano instrumentalizante de pseudo-soberanias, soberanias fictícias, meramente convencionais. E note-se que quando se diz "absoluto", é na sua plena acepção etimológica: des-ligado. Desligado e desarvorado como em tempos já aqui se descreveu:

Ora, o dinheiro absoluto desliga-se do homem, tal qual o homem absoluto se desliga do cosmos e de Deus. Este Des-ligamento do dinheiro ao homem -este absolutismo "monetário" - traduz-se numa redução ao nada: ad nihil enquanto origem/proveniência; para-nihil, enquanto fim. Engendra-se dinheiro a partir do nada, do ar, do infundado; almeja-se com esse macaqueamento rasteiro do próprio Génesis,  com essa antítese manifestamente satânica (Satã, significa, na etimologia da aramaico onde foi vertido o texto original, o adversário, o antagonista), o vazio e a própria negação da Criação e da espécie humana enquanto agente duma civilização. Ou seja, enquanto intérprete nobre, legítima e diversificada de políticas (políticas, em suma, sediadas (fundadas) na própria diversidade geográfica e histórica). Donde a emergência duma cripto-economia (uma teo-finança) que se arvora e a tudo se pretende sobrepujar como apolítica. Leia-se, antipolítica na tripla síntese  de para-política, epipolítica e supra-política.  Manifestações e epifenómenos emblemáticos disso são todos aqueles casulos criptocráticos onde se refinam e alambicam, com ares de convénio anual de superdruidas, todo um neo-mundo devidamente desossado e convertido em papa universal (entenda-se, geoculinária única e definitiva). Não são fruto da política, mas, isso sim, da sua negação, do seu banimento, cancelamento e redução ao absurdo.
Por outro lado, mas na mesma lógica, o desligamento do dinheiro ao Homem  acompanha, ao longo dos tempos, o desligamento do dinheiro à própria moeda. No fundo, o esvaziamento religioso do dinheiro. E é essa viagem, assaz sombria e tortuosa, que tentaremos acompanhar ao longo dos próximos episódios. Entretanto, e como fecho deste, julgo já não ser possível recusar o óbvio: o absolutismo monetário é, na verdade, um amonetarismo (ou desmonetarismo). No que as eclosões caóticas mais recentes do circo das cripro-moedas é um sinal mais do que esclarecedor: estarrecedor. Aguardem só pelos efeitos...





Death Star

 Pretende ser uma compilação exaustiva do desastre FTX até ao momento, com escalpelizações e vislumbres adicionais. Para mim vale como fonte de mais dados e dangerous liaisons. 

A Grand Unified Theory of the FTX Disaster


No centro, parece-me, uma teoria curiosa da "Death Star":

What is the Death Star, exactly?

Much has been said about the obviously inappropriate relationship between FTX and Alameda. Thankfully, Arnold Kling provides the correct explanation from the chair of an actual Economist:

Let’s retell this story using entities of the U.S. government. The Treasury is like FTX, issuing tokens that it calls bonds. The Fed is like Alameda Research, taking these tokens on its balance sheet to try to support their price.

You’re going to say, “Wait. The Fed is issuing its own tokens, called money. The analogy does not hold.”

But Quantitative Easing did not work by issuing money. Instead, the Fed borrowed from banks, by paying interest on reserves and doing “reverse repos.” Just like Alameda Research, it took a levered position in Treasury tokens. Now the Fed is bankrupt. It has to be bailed out by the Treasury (you and me). Unlike FTX, the Treasury can still get away with issuing tokens.

Who could even think up such a scheme?



segunda-feira, novembro 21, 2022

Hoplita X.0




Uma entrevista muito interessante a Bernard Wicht, um erudito francófono em questões de estratégia. 

Texto longo, mas replecto de passagens deveras inquietantes. Chamo a atenção para os conceitos de "naked man" (o texto é em inglês), e "a-polis". Não podia estar mais de acordo.

Algumas passagens sugestivas:

(...)



«On the Ukrainian side, on the other hand, the situation is much more blurred, as the regular conscript army was already in disarray before the conflict broke out, thus forcing the Zelensky government to rely on paramilitary groups, in particular the sinister Azov battalions, whose abuses against the civilian population are now well known. Nevertheless, they are the only real fighting forces on which the “failing” Ukrainian state (let’s be honest and use this term) can rely to confront the Russian offensive. Let us specify that these units are not directly dependent on the Ukrainian state; they have their own mode of financing, based on trafficking and mafia racket of the local populations whom they do not hesitate to use as human shields.»

LS-SD: To conclude, let us return to the initial question. Is self-defense still relevant in such a state of chaos and disorder, of war without limits?

BW: Now more than ever—especially in a Western Europe incapable of defending itself, where the Ukrainian pattern is likely to be repeated. For, if the nation-state is no longer the subject of war, then it is the individual himself who becomes the subject of war (hence self-defense). Moreover, this individual is no longer a citizen, but a “naked man” stripped of all protection, without a city (a-polis) and liable to be put to death by the police as well as by the gangs or the aforementioned actors of the conventional NG war without limits. For this naked man, from now on, self-defense represents the only horizon in terms of residual freedom and security, the last means of preserving some snippets of the status of political animal that citizenship in arms (the hoplitic polis) previously conferred on him.»


Julgo que não perdem nada em ler tudo na íntegra. 

domingo, novembro 20, 2022

Poliamorália ou Suruba?




 

É um rato, é uma nerd?... Não, é a super-girlfriend do SBF e, bacoreja-se, o génio detrás da golpada.  Caroline Ellison, cavalheiros e senhoras, em todo o seu esplendor. Mera coincidência: filha de...

O papá Ellison:




Formado em Harvard e head of department of Economics at MIT .

A Mamã Ellison:


Também professora do MIT. Departamento de Economia.

Serão judeus? O que é que acham?... 

Entretanto, algumas curiosidades adjacentes sobre a filha:

«Disgraced Alameda Research CEO Caroline Ellison penned graphic blog posts about polyamory and masochism before the implosion of her FTX-linked cryptocurrency hedge fund.»

Que raio vem a ser "polyamory"? Deixem-me só ir ver ao google... bem, eram poliamorosos, quer dizer, regime de regabofe geral, ou suruba, como diriam as amigas do Ildefonso Caguinchas. Ainda no outro dia passou por mim cheio de pressa e à minha pergunta "vais onde, nessa bisga?", respondeu ele: "estou atrasado. Tenho uma suruba marcada para as três!"  (As três, eram as horas, e a quantidade de amigas brasileiras com quem confraterniza, em modo núcego)... Está cada vez mais brasilófono, o sacana. 

Voltando à Caroline rato. A poliamorosidade da sujeita com o pessoal da Alameda Research (e da FTX, por via analogica?), surge enriquecida logo adiante:

«The post — along with a series of other sexualized entries — was unearthed by the tabloid just days after CoinDesk claimed Ellison, 28, and Bankman-Fried, 30, were part of a 10-person “cabal of roommates” that managed operations for FTX and Alameda from a luxury penthouse in the Bahamas. CoinDesk claimed the group “are, or used to be, in romantic relationships with each other.”»

"Relações românticas"... apreciem só o eufemismo. Imaginem-me agora a mim a dizer ao Ildefonso: "Caguinchas, como é que vão as tuas relações românticas com as brasileiras?" "As minhas quê?! Escamar-se-ia ele, garanto-vos. "Só as f...., pá. Nada de paneleirices!»

E continua a Caroline filha, refinando o critério:

«“But tbh I’ve come to decide the only acceptable style of poly is best characterized as something like ‘imperial Chinese harem.’ “»

O Harém Imperial chinês, caramba!... A coisa aqui complica-se: é que aquilo varia muito segundo as dinastias. E as dinastias são um ror delas.

Todavia, uma questão premente irrompe:

Mas aquilo era um busyness center ou a Grande Farra?

Enter, não the dragon (que já aqui está) , mas o psicanalha. Digamos assim, o personal trainer do canil. Ou será ratil?... Enfim, o Dr. George. K. Lerner, essa eminência parda:

«Dr. Lerner said he got to know Mr. Bankman-Fried years ago while working as a psychiatrist in San Francisco; he declined to say more about their relationship at that time, citing confidentiality requirements. (He also spoke to Vice by email.) He moved to the Bahamas in June, he said, and began offering his coaching services to FTX employees 32 hours a week, while keeping a small private practice on the side.»

Eis, pois, o Dr. Lerner, o Coach de serviço ao bacanal. Desculpem, à poliempresa. Lamentavelmente, não dispomos de fotografia curricular, mas adivinha-se a emblemática penca grouxomarxista. Aposto 20 contra 1.

Ora, do que se sabe é que aquilo, lá na poliempresa, decorria a toque de anfetaminas e outros fármacos ainda mais trepidantes ( como selegiline, uma droga para tratar parkinson). Da prescrição e receituário devia tratar o bom doutor Lerner, presume-se. Curiosamente, o mesmo que agora vem protestar junto do Je..., perdão New York Times pela inocência e hagiolepsia  obsessiva do bando, digo, do poliscritório e, sobremaneira, do Sam... tíssimo.

Só as más línguas poderiam dizer que « “The whole operation was run by a gang of kids in the Bahamas,” a person familiar with the matter told CoinDesk on the condition of anonymity.» Porque,  o coach residente  «rejected that idea, saying the company’s culture was far from orgiastic.  “It’s a pretty tame place,” Dr. Lerner said. “The higher-ups, they mostly played chess and board games. There was no partying. They were undersexed, if anything.”

Não passava pois tudo, segundo o providencial psico-treinador, dum bando de crianças a brincar ao jogo do Monopólio, na versão revista e aumentada, de Bernie Madoff. Uma autêntica república das bahamas.


Não obstante, confirma, assim, que os pacientes viviam numa espécie de mosteiro, encafuados e gastando aí as "longas noites no escritório". Adivinhamos entretidos em quê. Uma concentração demasiado precoce  de amor e polimocada. Não sei porquê vem-me à ideia aquele mosteiro famoso duma grande obra literária do século XVIII. Saint-Marie-des-Bois, se não me falha a memória, era o nome do mosteiro. "Justine", intitula-se a obra. Preciso de dizer quem foi o autor?  Arrepiem-se, porque, bem mais ainda que Kafka,  Nietzsche ou Dostoievski, deveio o profeta deste vosso tempo. Porque meu é que ele não é. 


PS: cereja no topo do bolo? Ora, não pode faltar. Aqui fica:


sábado, novembro 19, 2022

Técnicas de coacção




 Reconheço que continuo a ser, não raramente, um bocado ingénuo. E ainda bem. Porque no dia em que me tornar um completo cínico mais vale que Zeus envie um raio e me fulmine logo ali. E sou ingénuo, deixem que esclareça, quando, por exemplo, ainda acredito num resquício de vértebra nos governantes actuais. Quer dizer, se bem que rastejar seja o seu modo usual de locomoção política, nada impede que, ao menos, rastejem na vertical - por uma parede, árvore ou poste acima - e não, forçosa e invariavelmente, na horizontal - pelo chão e pela lama a fora. Quanto mais não fosse para desenjoar, para desopilar  - para variar, que diabo!... 

A propósito, especificamente, disto.

Síntese: 

«when US disagrees with what Germany does on important issues, they resort to blackmail with secret service materials.»

Explica os actuais vermes ao leme do naufrágio alemão? O chanceler, pelo menos. O gang dos verdes é mesmo assim: invertebrados militantes, por vocação, profissão e volúpia. Não requerem estímulo artificial. Basta inoculá-los e deixá-los actuar.

sexta-feira, novembro 18, 2022

Slavia Ukranóia!

  Um pouco de propaganda ucranicosa para não dizerem que é só o Putin que me paga. Agora, à boa maneira do espertevelho tuga, estou a receber dos dois lados. Chama-se a isto ser ambidestro, nada de confusões. Tenham, pois, vossências, a amabilidade de reparar, no video que se segue, das melhores origens e proveniências, como os ukranicosos dizimam, massacram  e varrem a eito os estúpidos e aparvalhados russo. Uma razia, que sim senhor! Por este andar, começo até a entusiasmar-me: depois de vindimarem os russos, os ukraníssimos marcham à conquista da Europa. Não é por acaso que o Homero era ukranião, bem como Jesus Cristo e o próprio Beethoven.

Que alegria, meus amigos. Finalmente, e já que nos falha a 4ª República, como sonhavam alguns líricos, aos menos vamos ter o 4º Reich. O Reich dos mil asnos. Para mim pode ser com baunilha, avelã e chocolate, sff.






O título do vídeo, então, é o máximo: 

«Russia was not ready for such devastating strikes from Ukraine»

Pudera, nem a Rússia, nem a China, nem ninguém. E os States que se ponham a pau. Ponham-se com forretices que vão ver como elas lhes mordem!...

Uma palavra de louvor ao Rogeiro pela assessoria técnica do vídeo.

A Nova Religião, ou o Disangelho segundo a Serpente

 



Os cientistas são uma espécie de novos-sacerdotes ultra laicos e devidamente pasteurizados. Já alguém, por exemplo, viu os jornalistas a irem espreitar (ou a montar mesmo torre de vigia) na sexualidade dos cientistas? Nem por sombras. São absolutamente castos e puros, imunes ao pecado e à prevaricação. Tanto quanto novos-sacerdotes, são também os novos-anjos. Acumulam. E não são vigiáveis, suspeito, porque velam, espreitam, vigiam por todos nós... e sobre todos nós. Desde as entranhas, literalmente, (pelas radiografias, ecografias, microscópios e ressonâncias magnéticas), até aos insondáveis éteres e vastidões galácticas (pelos telescópios e imaginoscópios)... Nada lhes escapa. Escarafuncham, espiolham e esquadrinham sem dó nem piedade, sem intervalo nem cansaço. Porque, na verdade, como todos os dias os novos-sacristães (os jornalistas) não param de nos despejar pelos canais da percepção abaixo, estamos cercados de ameaças e perigos eminentes. Cercados e sitiados. Mais, se queremos ser rigorosos, vítimas permanentes de assédio e assalto. O mais recente, persignemo-nos em cagaço pré-traumático,  ei-lo que irrompe dos escalfúrnios recessos siderais: o asteróide assassino!.... Um calhau psicopata que vaga pela exosfera imbuído dos piores intuitos e misantropias. Nas mitologias ancestrais davam nomes a estes fenómenos ambulantes; mas a coisa era embalada numa certa simbologia poética, que lhe conferia um certo sentido cósmico. Agora também tratam de nomear a coisa, só que fica tudo embrulhado em papel de peixaria astrofóbica e remetido a mero acesso meteórico em sofá de matemágica alucinogénia. O nome resume-se a uma sigla. Neste caso, em vez de Tifon, ou monstruosidade que o valha, temos o AP7. Hollywood não faria melhor. Mas, aqui entre nós, assustam-nos ou entediam-nos? Causam-nos o terror ou o bocejo? É para levar a sério ou para descartar pela retrete abaixo? Os dinossauros ainda tinham um meteorito. Nós estamos apontados ao AP7. Que é assassino, psicopata e, eventualmente, racista, machista e anti-semita. Subentende-se. É, seguramente, no mínimo, um pedregulho voador a babar-se de ódio.  É para fugir, ou para rir? Como é que os nossos activistas de arremeço (e arre-medo) ainda não estão na rua a ladrar à volátil iminência? A apelar ao boicote, ao cancelamento, ao despedimento imediato e deportação para o limbo do desemprego vitalício? Deve ser o aquecimento mental que o atrai,  que diabo!... Acodem, desarvorados, às emissões de CO2, estes projécteis astrais. Lá está: pare, escute e olhe - uma sigla esconde sempre outra. Depois do COVID-19, eis que espreita o AP7... na senda do CO2. Mas, afinal, habitamos um planeta, ou ficámos trancados no laboratório de físico-química do liceu? De combustível à luta perpétua, a adolescência permanente. O acne ou pintelho ideolófago com babete-fralda vitalício.

Os sacerdotes clássicos mantinham-nos na linha com as penas e as recompensas no Além. Moralmente, auferíamos duma certa "liberdade" até lá. Estes novos sacerdotes decidiram acabar com o recreio: é aula, estudo e matéria sem interrupção - desde o berço à sepultura. E a matéria regurgita-se, ad nausea, como revisão da matéria. Nada de pausa nem intervalos. Confinamento e internamento ininterruptos, obsessivos e compulsivos. Obrigatórios! Os novos padres e os novos sacristães entaiparam a porta e calafetaram as janelas. Regime de suspeita colectiva. Sobretudo, nada de distrações, devaneios ou brincadeiras. Banimento do riso, da piada, da conversa e, sobretudo, da ida à casa de banho. As evacuações e despejos são sublimados em forma de cultura (e política). Estamo-nos todos a cagar mesmo uns para os outros (é uma das morais instiladas pelo sermão; uns dos novos deveres e virtudes teologais). Concentração total e absoluta na lição, na nova-prédica iluminada e ofuscante. As penas e recompensas desceram à Terra; são já aqui. Pré-fabricadas. Liberdade agora é sem aspas? Sim, e sem letras: foi cancelada e é apagada da memória todos os dias. Liberdade, igualdade, fraternidade traduz-se, na realidade por reclusão, exclusividade e hostilidade. Reclusão para a maioria, exclusividade para alguns e hostilidade para todos. 

Os antigos sacerdotes, da medieval idade  em diante, desarrincaram a inquisição? Sim, em paralelo com os tribunais seculares.  Estes, ultra-sofisticados, dispensaram ambos: a inquisição não é inquisição nem  seculares são os tribunais: fundiram tudo em forma de bufaria apofântica.  Inquisição, tortura e execução são simultâneos e instantâneos. E ao gosto do freguês. Chama-se agora informação. Os sacristães funcionam em triplo tandem: delatores, esbirros, e carrascos. Apontam, sentenciam e erradicam. Os sacerdotes consagram e salmodiam: Conforme os deuses e semi-deuses lhes determinam e encomendam. Não do Além, nem dum qualquer Olimpo ou  Asgard, mas também cá da terra, dos altares, mansões e fóruns económicos mundiais. É tudo rasteiro. Uma nova religião que rasteja. Que não cria nem sai de cima. Deus, o antigo, grunhem eles, está morto (ou ausente em parte incerta). Não adianta pois pedir-lhe o que os seus sucedâneos de excremento não têm nem conhecem, em tempo ou modo algum: Piedade.

quinta-feira, novembro 17, 2022

Uma entrevista muito pedagógica


 

Ainda é pior do que se pensava

 Rescaldo da FTX... (e muita água vai ainda correr debaixo da ponte).


) FTX LENT SAM BANKMAN OVER $1 BILLION DOLLARS FOR PERSONAL USE

Quanto, ao certo, para aquisição eleitoral? Pois, porque convém nunca esquecer: isto da democracia é um luxo caro.

quarta-feira, novembro 16, 2022

Pena não ter sido em Varsóvia

 




«NATO admite que explosão na Polónia se deva a míssil de Kiev, mas responsabiliza Rússia»

Faça o que fizer, diga o que disser, haja o que houver, a culpa é da Rússia. Estamos, assim, no grau zero, ou melhor dizendo, no pré-infantário da geopolítica. Optimismo meu, eu sei: o fulano Stoltenberg mais parece um espermatozoide doido às cabeçadas na proveta.

Por outro lado, isto faz lembrar cada vez mais aquela fábula do lobo e do cordeiro, à beira do riacho. Mas o mais anedótico e delirante é o facto do lobo (a Nato) estar a rosnar ao cordeiro, tão arrogante e convencido, e por impulso tão atávico e automático, que nem sequer se digna olhar para o lado. Pelo que nem repara que, na realidade, não é propriamente um cordeiro: é um urso.

PS: Entretanto, quer-se pintar as beiças à porca com a teoria de "falha acidental" na intersecção dos mísseis russos por parte dos anti-mísseis ucranicoisos. Isso explicaria a falha de um. Mas foram dois, na mesma zona. E um, logo por azar, nem explodiu. Os ucranicoisos, provavelmente com bafo inglês, alvejaram de propósito a Polónia. Tentaram arranjar um incidente (só que, à revelia dos Pupet-masters supremos, a coisa não é garantida; longe disso. Até porque eles apreciam pouco a espontaneidade nos brinquedos).
Notem aqui um papagaio de serviço a desenvolver a teoria óbvia da intencionalidade dos "dois mísseis", subentendendo a origem à Rússia. Sendo a origem na Ucrânia vão tratar de branquear, como é da praxe. Deixa de ser um "incidente gravíssimo", deixa de ser "o território da Nato atingido e violado", etc. Foto do míssil não detonado:

Mas o Império registou. E não sei se apreciou muito que os minions britânicos andem a mexer com a marionete dele.

PS2 : Reverberação inglesa, logo de supetão e em verdadeira histeria pró-III Guerra Mundial:




Além da trela, é melhor os americanos pensarem seriamente em colocar-lhes açaime. E chip para caninos perigosos.

terça-feira, novembro 15, 2022

Das Quimeras

 



A Quimera não era apenas o monstro  mitológico descrito na mitologia grega. A quimera existe. Sobretudo, entre nós, portugueses, por alturas do verão. Quem é que acham que, todos os anos, deita fogo às matas. e florestas deste país? Isto quanto ao monstro lendário. Porque quanto a outros tipos de quimeras, também as há. Umas de ordem vegetal, como em tempo aqui dilucidei e transcrevo de novo, porque permanece duma actualidade inoxidável:

Tal qual o Homem tem muito a aprender com as plantas, e não propriamente com hortaliças do género nabo e abóbora que dessas já há seguidores em demasia, também a História tem com que se instruir na Botânica.
Na taxonomia, por exemplo. Cito um breve mas elucidativo caso: ao designar-se vulgarmente a Robinia, usa nomear-se essa singular espécie como Pseudo-acácia ou acácia-bastarda. Parece uma acácia, mas na verdade não é. O mesmo poderia fazer-se em relação ao Portugal pós-Dinastia de Avis. Também devia designar-se vulgarmente Pseudo-Portugal ou Portugal Bastardo.
Da mesma forma os seus habitantes seriam vulgarmente designados como pseudo-portugueses ou portugueses-bastardos.
Não digo isto com intuito desprimorante para os tais, país e habitantes (onde obviamente me incluo). Trata-se apenas de constatar, lucidamente, uma realidade. Parecem, mas não são. O país parece um país, mas não é um país; os habitantes parecem pertencer ao país, mas, de facto, pertencem de alma e coração a outros países - em seu esperto entender- mais modernos e gratificantes. Também, estruturalmente, os verdadeiros portugueses eram de cerviz altiva e braço vigoroso. Estes não, e não nos alonguemos nos detalhes por piedade. Fossem árvores e seria o mesmo que comparar a árvore de copa bem erecta e altaneira ao arbusto retorcido e rasteiro. Ou mesmo ao capim forrageiro, segundo alguns eruditos.
Poderia ainda citar outro caso sugestivo da botânica: refiro-me à enxertia.
Neste caso, talvez fosse possível entender-se o Pseudo-Portugal como um enxerto bizarro executado sobre a raiz e tronco decapitado do verdadeiro. O lastimável é que tudo indica (e daí a bizarria) que a operação equivaleu a enxertar uma silva sobre uma roseira (e não o contrário, como recomenda a arte). Prova disso são até as "rosas" actuais que não é preciso matutar muito para perceber que são, na verdade, pseudo-rosas, ou efectivamente, silvas. E quem diz as rosas, diz as laranjas e outros frutos ou flores claramente falsos ou imaginados.
Finalmente, num terceiro caso, só a título de curiosidade e ainda no campo da enxertia, lembro a chamada "quimera". Esta ocorre quando sobre um mesmo cavalo (a planta que serve de base radicular ao conjunto) se enxertam várias outras espécies e não apenas uma. Resulta daí que a mesma árvore ramifica na forma de diversas folhagens e cria frutos de diversas qualidades: poderei mostrar-vos, até num pomar aqui bem perto, laranjeiras que dão laranjas doces, laranjas amargas, limões, tangerinas, limas e goiabas. O Pseudo-Portugal seria, portanto, segundo este paradigma, uma Quimera. Com efeito, ao longo destes últimos séculos, objecto de todo o tipo de enxerto, cada qual mais extravagante e peregrino que o anterior, poderia a sua desafortunada história ser contemplada como uma sucessão de ensaios mais ou menos alucinados de pô-lo a dar franceses, ingleses (na verdade, pseudo-franceses ou pseudo-ingleses), ou o que parecesse melhor e mais rentável ao fruticultor da época. Até russos tentaram. Ultimamente, parece que se tenta uma variedade híbrida de espanhol-americano. Aguardemos os frutos. Até hoje, apesar dos denodados esforços, das mais diversas podas e adubações, o mais que tem dado é bananas. É um facto que são cada vez maiores. Estas, a fazer fé no percurso e no crescimento -já por esta altura - desmesurado, devem vir a ser gigantes. Quase abóboras.
Nisto tudo, talvez haja (oxalá!) um grande exagero e lapidar crueldade da minha parte. Mas que dá que pensar, lá isso dá.

E, finalmente, uma outra quimera, quase tão antiga como a mitológica, mas bem mais daninha, pelo alcance e difusão. Há um grande autor russo que  disseca a alimária. Mas não está traduzido, nem vai estar, e mesmo que estivesse era cancelado. Gumilev, chamava-se o cavalheiro. Os soviéticos não gostavam dele e mataram-lhe a família. Os neo-soviéticos, esses, detestam-no. Como abominam Soljenitsyne ou Dostoievski. Os três elaboraram acerca da tal quimera. Deve ser por isso.

Um artigo introdutório ao assunto pode ser lido aqui.

Notem bem, mesmo em relação à amálgama mítica, toda a simbologia: o leão pervertido por uma cabeça de bode retrovisora e uma cauda de serpente que faz cauda de todo o restante conjunto. E cospe fogo. De artifício.




segunda-feira, novembro 14, 2022

Separados à Falência

 







Em epígrafe, dois beneméritos: o Wonder Boy, SBF, e o Marvel Boy, David Moscovitz. Eram sócios... ou apenas sósias?

O Estado do Oxidente, e os bois pelos nomes

Os russos, dizem os oxidentais da claque belicosa, canibalizam as máquinas de lavar. Os oxidentais, dizem as notícias, vivem (à grande) dentro duma.





Entretanto, o Wonder Boy, ukrasuporter devoto, agora alegre e opulentamente falido, é filho de dois professores da Stanford Law School... Quem sai aos seus... 



Aproveito para esclarecer, e deixar bem vincado, que nada tenho ou me move contra o facto dos judeus serem, comprovadamente, exímios e atávicos em todo o tipo de falcatruas monetárias. Considero até que isso é, neles, uma virtude idiossincrática. Tão própria como os ciganos venderem nas feiras, os ingleses roubarem tudo o que possam ou os portugueses odiarem a verticalidade e o estado de vertebrado com todas as suas forças. Tenho até uma certa admiração por essa faceta dos tais cujos. Ninguém diga ao pé de mim que o Madoff não foi um grande homem. O problema dos judeus é quando se incrustam no Estado e ganham acesso à política interna/externa  dum país. Aí, sim, conseguem ser puramente malfazejos e, invariavelmente, arruinadores. Veja-se o caso emblemático dos neoconas ou dos Rothshild da loja de acessórios para pet-políticos. Duas coisas deviam ser estabelecidas como tabus civilizacionais: não fazer mal aos judeus por atacado; não  permitir aos judeus, em modo ou tempo algum, o acesso à coisa pública. Querem politicar, emigrem para Israel. Quanto a serem ricos, é como os outros varrascos congéneres: à vontade.