segunda-feira, janeiro 14, 2008

Entre Pandora e Madalena




É curioso que o meu homónimo das Neves imite na metodologia os ilumino-cientistas que tanto o afligem. Estes dizem: "antes da santa razão iluminada e cientificadeira eram as trevas"; ele, pela mesma ordem de ideias, certifica: "Antes da Santa Madre Igreja eram as trevas, o paganismo obscurantista". Pergunto-me se não terão andado na mesma escola...
Por outro lado, um paganismo obscurantista que se dá ao luxo dum Homero, dum Hesíodo, dum Ésquilo, dum Píndaro, Sófocles, Platão, Aristóteles etc, etc, etc, havemos de convir, se é "obscurantista", então, como diria o Areopagita, ou alguns místicos mais exacerbados, é duma "treva muito luminosa". Tomáramos nós uma escuridão daquelas. Enfim, um paganismo que serviu de tutor mental e muleta lógica aos principais santos pensadores da Igreja, no mínimo, merecia um pouco mais de consideração. Digo eu.
Depois, como se isso não bastasse, foge-lhe a pena para a verdade, ao bom professor de economia, e acerta com a granada no próprio pé. A Igreja criou o capitalismo muito antes dos protestantes (oba, que vitória magnífica!) e foram os valores da Igreja - tolerância, caridade e progresso - "que criaram a sociedade contemporânea" ( ena, ena, temos o "progresso" hasteado a valor -não o fazia tão progressista, ó caro homónimo das Neves).
Mas então se foi uma Igreja tão luminosa, tolerante e progressista quem pariu esta bela coisa onde actualmente vagamos, de que se queixa amiúde o caro homónimo das Neves? A cria não é espectacular e um rico enlevo para qualquer progenitor? Sinto-me tentado a deduzir que a sua costumeira crítica é, bem no fundo, uma auto-crítica. A sua apologia idílica esconde afinal um profundo "mea culpa". São os Pecados da Igreja aquilo a que chamamos o mundo actual? Bem vistas as coisas, a Igreja andou, por estes milénios fora, a engendrar abortos - o protestantismo, o iluminismo, o capitalismo, o ateísmo, o racionalismo, o luciferanismo mais conhecido por humanismo, etc. Andou ela a fazê-los e nós a pená-los. Uma Igreja abortadeira, esquizóide, dividida entre Deus e mamom, que muito gáudio (e proveito) deve ter dado ao meu primo do Apocalipse. Abortos, ainda por cima, resultantes de gravidezes histéricas. Puros meteorismos fantasmagóricos. Desarranjos intestinais.
Porque, com efeito, agora que penso nisso, foi da Igreja que saiu Lutero; como foi da Igreja que manaram as universidades onde havia de ser forjado o iluminismo da santa razão; e é invariavelmente nos seminários da igreja (por piedade omito os Jesuítas) que brotam grandessíssimos revolucionários e veterinários sociais da mais virulenta estirpe. Quase apostava que o bode velho foi seminarista. Mais, a este respeito, permita até que lhe cite um episódio deveras emblemático e edificante, passado por alturas da Revolução Francesa. Tem dois capítulos. No primeiro, em 30 de Maio de 1791, um deputado da Assembleia "Constituinte" propõe a abolição da pena de morte na República, por ser "essencialmente injusta" e porque "multiplica os crimes muita mais que os previne"; no segundo, em 12 de Agosto de 1793, no mesmo local, em nome dos Jacobinos, um delegado obscuro "pede o levantamento em massa de todos os franceses e a prisão de todos os suspeitos", e termina com a fórmula famosa: "coloquemos o terror na ordem do dia!" Dando início às "grandes fornadas" para o cadafalso. Sabe qual dos dois era Maximiliano Robespierre, caro homónimo das Neves? Eu digo-lhe: o primeiro. O segundo foi uma criatura chamada Claude Royer. Abade e cura de Chalon-sur-Saône. São as ironias da História, sempre a rirem-se detrás dos paramentos da propaganda.
Serve tudo isto para lhe dizer que, se bem que em moldes menos arrogantes, até concordo consigo: a Santa Igreja é realmente a Madre de tudo isto. A Grande Incubadoura. Para o bem e também para o mal. Que o mal tenda a sobrepor-se ao bem é mistério antigo, que já Caim experimentou e a nós nos deixa sem saber, com clareza, se a qualidade de filhos que somos decorre dos pecados da mãe ou da ausência do pai.

PS: A Igreja faz cá falta. Imensa, quase me atreveria a dizer. Mas uma Igreja que deixe de rojar-se aos pés dos homens. Uma que esteja erguida diante dos homens e se ajoelhe e peça perdão diante de Deus. Bem precisa. E os senhores sacerdotes, beatos e acólitos de serviço fariam melhor se, em vez de emularem e competirem na asneira com os ateístas de plantão, fossem imitar as pedras das catedrais: firmes, verticais, significativas e, acima de tudo, silenciosas. Imunes à algazarra. Desafiantes ao tempo.
Por passatempo esporádico, confesso que gosto de comparar estes fala-baratos da virtude e da Graça com Jesus diante de Pilatos. No lugar Dele, uma vez perguntados sobre o que era a Verdade, aposto que nem teria havido crucificação: ainda hoje lá estavam a explicar ao romano e a seduzir os fariseus. Nem era pela coragem que venciam o Mundo: era pelo tédio. E pelo sono.


47 comentários:

zazie disse...

é, rapaz, Ésquilo, dum Píndaro, Sófocles, Platão, Aristóteles na Alta Idade Média, entre germânicos, godos e celtas, é um tanto estranho. Civilizaram-se a eles próprios, por assim dizer. Ou melhor: misturaram esse paganismo com o deus único.

De resto, plenamente de acordo, é um grande post.

zazie disse...

Há para aí mais uns niquitos que também não assino por baixo. Mas pronto. É sempre a velha mania que a Roma era o Mundo e tudo o que sucedeu no mundo cristão veio de Roma. Mas, no geral e particular essa velha mania da bondade do progresso e do capitalismo também ter sido uma boa obra cristã, é mesmo para cascar em cima.

zazie disse...

É claro que podes sempre dizer que a Igreja não começou por estas bandas, na Europa. Pois não. Mas também não foi no deserto dos eremitas iniciais que se deitou fora Aristóteles, Platão e a tragédia grega...

(mas acho que já tivemos este micro-debate).

zazie disse...

Pode-se é dizer que, se não fosse a Igreja nem 200 anos da Grécia clássica tinham ficado para amostra, quanto mais tudo o resto.
A menos que se diga que foi a Igreja Católica que gerou os romanos e a degenescência dos próprios quando nem Cristo existia.

zazie disse...

Mas isto é secundário.

"aposto que nem teria havido crucificação: ainda hoje lá estavam a explicar ao romano e a seduzir os fariseus. Nem era pela coragem que venciam o Mundo: era pelo tédio. E pelo sono."

Este final é genial
ahahaha

É que é mesmo esse o grande problema. A detenção de uma Verdade única para venda.

Mário disse...

Este post fica ferido de morte porque parte do que não existe no artigo citado. Obviamente que o paganismo obscurantista de que se fala não era o da antiguidade gloriosa mas sim, precisamente o que lhe colocou fim. E claro que não é tempo da ICAR se colocar de joelhos a pedir perdão. Que raio de prioridades são essas? A igreja não se vai voltar a santificar pedindo desculpa mas sim lutando novamente pelos seus valores. Qualquer dia ainda vamos ter a igreja no psicanalista. Ou o Vaticano se empenha na guerra cultural ou a civilização termina.

zazie disse...

Mário, o Dragão não falou nisso, em pedir perdão pela História. Ele não é básico.

Falou foi doutra coisa que até está bem enunciada no título: a caixa dos males que se espelharam da boceta e o arrependimento de Madalena.

Ele fala é da necessidade de uma Igreja que não seja comércio entre os homens e peça perdão a Deus, pelo que tem ajudado a desvirtuar da mensagem de Cristo.

" Mas uma Igreja que deixe de rojar-se aos pés dos homens. Uma que esteja erguida diante dos homens e se ajoelhe e peça perdão diante de Deus.

zazie disse...

Mas eu percebo o sentido do post. E ainda mais toda a desmontagem a este proselitismo à abominável das Neves que faz pela igreja o que não fazem com tanta eficácia 20 jacobinos com poder.

zazie disse...

Estou a ser chata mas estava ao telefone.

Ainda ontem pensava nisso, quando andava com as minhas historietas de folclore. É que o jacobinismo avança precisamente porque onde a Igreja devia de estar- entre o povo, não está. Mas está sempre em excesso onde não fazia falta- aos pulinhos pelo Poder.

E é por essas e por outras que nunca percebi muito bem para que servem coisas como a Opus Dei. Se ele foi santinho, não sei, mas estranha-me tanta devoção por um santo desses e tanto esquecimento por um S. Francisco, por exemplo. Ou por outros santinhos que deixaram mensagens bem mais bonitas, mas não conseguiram empórios.

Mário disse...

zazie,

Ainda assim acho que é um bocado psicanalítico. Na longa história da ICAR há muito a lamentar e também a louvar mas isso agora até é o menos importante. A meu ver a função da Igreja não é tanto divulgar a mensagem de Cristo mas mais o seu exemplo. E nas últimas décadas o principal pecado da Igreja não é o que fez mas o que deixou de fazer. Cristo não ficaria passivo ao ver os valores essenciais serem deturpados, nem faria alianças com ideologias anti-cristãs como o comunismo, nem a ficar de lado, expectante, face aos grandes debates.

Quando se perde o sentido das prioridades, perde-se tudo. É a luta que santifica, não o pedir perdão.

Mário disse...

zazie,

Ainda assim acho que é um bocado psicanalítico. Na longa história da ICAR há muito a lamentar e também a louvar mas isso agora até é o menos importante. A meu ver a função da Igreja não é tanto divulgar a mensagem de Cristo mas mais o seu exemplo. E nas últimas décadas o principal pecado da Igreja não é o que fez mas o que deixou de fazer. Cristo não ficaria passivo ao ver os valores essenciais serem deturpados, nem faria alianças com ideologias anti-cristãs como o comunismo, nem a ficar de lado, expectante, face aos grandes debates.

Quando se perde o sentido das prioridades, perde-se tudo. É a luta que santifica, não o pedir perdão.

Mário disse...

«E é por essas e por outras que nunca percebi muito bem para que servem coisas como a Opus Dei.»

Sobre a Opus Dei, penso que a única questão a saber é se merecem a fama que têm.

Agora, todas as religiões têm uma faceta suave, acessível a todos, e outra mais dura, para os não satisfeitos com a primeira e que talvez dê um entendimento superior. A maior parte dos budistas não aguentaria 2 dias num templo zen, apesar deste também ser budista.

zazie disse...

Mário, eu sei que tenho uma visão da religião muito peculiar. Porque, para começar, tenho um bom pé de fora dela e ainda maior da Instituição.

No entanto, não faço parte daqueles que também acham que se tivesse ficado tudo sem instituição- por seitas, tinha sido uma maravilha. Para já, porque não existe a história dos "se", do que não aconteceu; depois, porque há outro factor que o Dragão também tende a confundir e que eu referi: a Igreja Católica não foi o mundo- não foi o governo, os príncipes, o poder temporal, nem é e nunca foi, a responsável pela natureza humana ser como é.

Depois ainda há outro aspecto, que também se insiste em misturar. Uma coisa são os teóricos e mais os decretos e o Vaticano, e outra a vivência mil vezes diferente e longe de tudo isso, em que a religiosidade sempre esteve.

E é neste último aspecto- na religiosidade natural, vivida nas tradições, aquela que dá sentido à própria coesão das comunidades e que mantem uma ordem primordial, que não anda ao sabor do comércio dos homens (como as catedrais, de que falou o Dragão) que o jacobinismo faz estragos e onde ela mais precisava de estar.

Fora isso, estamos a falar de teoria, de leituras filosóficas ou da recíproca influência de tudo isto. E essa também nÃo tem uma única leitura e um único ponto de chegada. E muito menos explicações mecanicistas.

Quanto à Opus, não sei. Sei que é um empório e sei que também não faz a boa obra franciscana.

Se não é tão malévola como a pintam, também não será tão ingénua como se diz. E que em Portugal a igreja anda sempre mais preocupada com as beneces do poder do que com a pastoral, é bem verdade. Vive tudo encostado, e ela também.

zazie disse...

benesses, fónix!

Mas é verdade. Nunca percebi o que leva a devoções por um santo que ainda no outro dia estava vivo e se esquece um S. José, ou um S. Francisco. Ele nem faz parte da nossa história. Não é um um S. Gonçalo de Amarante, carago!

Não há-de ser por nacionalismo que se escolhe o culto do S. Escrivá. E eu sou bem nacionalista, vade retro, espanholada

":OP

zazie disse...

Isto de santos sem patine não me convence...

Mário disse...

Duvido que a religião natural, dos pequenos nadas, conseguisse sobreviver sem as catedrais. Não é uma questão de dinheiro, claro, mas de ligar a algo maior e, no limite, à transcendência.

Mas há aqui alguma ingenuidade em não perceber as razões do afastamento da religião dessa vida humana, como se tudo fosse culpa da padralhada, para utilizar a linguagem tanto ao agrado de alguns jacobinos. Ouvi da boca de comunistas que eles vão regularmente a bairros pobres unicamente para denegrir a igreja. Os grupos religiosos quando vão lá são quase recebidos à pedrada, porque já foram pintadas da pior forma. Junto a outros públicos o assalto ateísta é feito das formas como bem sabemos. Não me venham dizer que é fácil colocar a religiosidade em prática junto às gentes no meio de tanta hostilidade, alguma já institucionalizada. Por isso, o enviado do papa que recentemente veio a Portugal disse, e bem, que os católicos têm de se revoltar contra este ostracismo.

Dragão disse...

Decidamente, o Mário, desta vez e para variar, entendeu o contrário do que eu significo com "pedir perdão a Deus". Mas creia que é precisamente o contrário disso que deduziu. Foi decerto azelhice minha na exposição.
E note outro pormenor: quando, por exemplo, os Gauleses destruíram o Oráculo de Delfos, no século III aC, um dos motivos do seu escândalo foi verificar que os gregos tinham deuses antropomórficos. Para os gauleses, celtas de religião druídica, aquilo representava um "atraso" inconcebível e "bárbaro".

zazie disse...

Mário:

O exemplo das catedrais é bonito e percebo porque motivo o Dragão o escolheu. A imagem é essa. Simplesmente, fora da imagem (e da força da perenidade e beleza de uma catedral) as próprias catedrais assemelham-se muito mais à Instituição e poder do capital inicial que uma boa de uma velha igrejinha do românico.

Para o que o que eu pretendia dizer, com o exemplo dos santinhos que fizeram obra e esta não é apenas conhecida por divulgação televisiva, assim como para o que eu queria dizer com o sentido desse enraizamento no povo (e não no Estado) e na História das pequenas comunidades (e não na História dos lobbies e influências internacionais) a capela do românico explica melhor que a catedral.

zazie disse...

Quanto à barbárie mal entendida pelo Dragão, no que toca ao tal legado da Grécia clássica interrompido por Roma, a verdade é que eu acho que ninguém sabe do que fala quando fala em barbarismo

":O)))

E o problema é idêntico- escolhe-se um "representante" e o que estava antes era treta, porque o representante é puro e foi o fundador. Claro que a História não é filosofia de elite, nem sequer o foi na Grécia da altura, quanto mais no século VIII ou IX. E se o Carlos Magno aprendeu a ler e até fez renascer boa dessa cultura perdida, deve-o a mais um padre- como todos os que verdadeiramente cristianizaram. Uns no palácio, outros em palheiros e à aventura, pela floresta adentro.

A questão é outra (como diria o outro) é o que se entende por mal do que era bárbaro e domesticação que se trouxe.

E aí, do lado do Neves, já se sabe- ele até é ignorante em História- bom foi o combate à carne e à festa.

":O)))

Mário disse...

dragão,

Leio e escrevo no meio de outras coisas, pelo que a minha atenção está repartida e é natural que me tenha escapado algo. O que me pareceu foi que tinha sugerido, antes de mais, uma espécie de acto de contrição à Igreja. Que seja diante de Deus, apesar de não saber muito bem o que isso seja.

Que a Igreja tenha de ser como as pedras das catedrais «firmes, verticais, significativas e, acima de tudo, silenciosas. Imunes à algazarra. Desafiantes ao tempo.» Muito bem, mas até a rocha mais firme se quebra. Quase dois séculos de ateísmo militante fazem mossa, talvez sendo a maior a própria infiltração na Igreja daqueles que a querem colocar de feição aos "tempos modernos".

Se o artigo do professos César das Neve é um exemplo de jacobinismo invertido que só describiliza a sua religião. Não sei mas não me parece. Além de que, será de esperar que a posição individual de um católico tenha de ser alguma coisa de especial a roçar a trancendência?

Parece-me importante, acima de tudo, esclarecer a verdade. E sobre o catolicismo em particular há muita verdade que tem sido vedada aos olhos de quase todos.

zazie disse...

Quanto ao jacobinismo até percebo. Já não há povo, por isso os jacobinismos podem lá ir que eles até são capazes de perguntar se é para a tv. Isto por aqui, pelas cidades, que é onde todos vivem: jacobinos e Igreja.

O que eu dizia é que não vejo a boa da Opus a fazer caridade social fora das escolas e universidades para um dito povo que paga. E caro.

Quanto ao resto a Igreja católica tende para ter cada vez menos servidores, o que até se percebe, o mundo não está de feição para sacrifícios. E isto em falando de padres, porque fradinhos então...

e que um de nós atire a primeira pedra

";O)
...........

É por isso que eu acho que o jacobinismo só se trava politicamente, porque é fruto de partidos, não é fruto de mais nada.

timshel disse...

"A Igreja faz cá falta. Imensa, quase me atreveria a dizer. Mas uma Igreja que deixe de rojar-se aos pés dos homens."

tu serias um pedaço de asno, dragão, se eu não soubesse que a tua igreja é a do demo e não a do Filho de Deus que se rojou aos pés dos homens e até os lavou

timshel disse...

"O que eu dizia é que não vejo a boa da Opus a fazer caridade social fora das escolas e universidades"

zazie, tu não vês porque és como o pior dos cegos

até te dava exemplos na Europa mas também e sobretudo na América Latina e em África mas não tou para isso (tou cheio de vinho)

zazie disse...

e o César das Neves não é um jacobino invertido. É outra coisa: é um burguês*

no sentido mais amplo que pode entrar nessa palavra.

zazie disse...

Tim: se me desses da tua esquecida pátria agradecia.

É que por acaso até tem sido tema debatido a propósito dos "cheques educação e ensino estatal. Porque é que não se deixa que a obra da igreja lá entre?

Ora porque será? porque será que a Opus não se lembra em investir em escolas que não sejam com propinas para ricos?

cadeiradopoder disse...

Sendo a Igreja imprescrutável, penso que irão tardar essas modificações que se impõem.

zazie disse...

De qualquer forma eu não tenho grandes paranóias com a Opus, nem aquela mania de a contrapor ao lobbie maçon.

O que estava a dizer é que não representa a tradição dos santos e das ordens religiosas que ainda estão vivas na memória e devoção popular.

E por isso é que mandei a boca se as pessoas descobriam o Escrivá como descobrem o Santo António.

E falava disto a propósito do ateísmo e do vazio que a terraplanagem esquerdalha tem feito às tradições e crenças populares.

Porque, por um lado temos poder jacobino laico e por outro, mais poder religioso (nesse exemplo da Opus) que vivência popular.

Apenas por este motivo. E é claro que preferia mil vezes a defesa das velhas ordens religiosas do que de um lobbie semi-clandestino que nunca esteve entrosado na nossa tradição religiosa.

timshel disse...

as "tradições e crenças populares" são paganismo puro e simples, o demo da igreja do dragão

vão ler o último puxão de orelhas do Papa à Igreja portuguesa por esta também se deliciar por vezes com as crendices populares (deve ser esta a igreja que não se roja aos pés dos homens - roja-se apenas ao ramram formalistico e às "tradições e crenças populares")

zazie disse...

Estive a ler a crónica do gajo. Acho que o teu post é injusto. O que ele escreveu, desta vez até é praticamente inócuo e diz grandes verdades em relação à Idade Média:

Foi assim Roma e os reinos orientais. Destroçado o despotismo com a queda do império, a Cristandade gerou um surto de criatividade prática, pois as populações não temiam a pilhagem dos ditadores. Assim as realizações da Idade Média resultaram em melhorias da vida das aldeias, não em monumentos que os renascentistas poderiam admirar. Por isso esses intelectuais posteriores, nos seus gabinetes, desprezaram uma época sem mausoléus, enquanto louvavam as tiranias de que só conheciam a arquitectura e erudição.

Isto é certo e, o problema dele é ser economista e burguês e depois não perceber que está a negar tudo quando salta para o capitalismo, tirando louros à doutrina da Igreja (quando ela até o travou com o pecado da usura) e confundindo tudo:


Mais influente, nos séculos XI e XII em Itália nasceu o capitalismo (c. IV), sistema que suporta o desenvolvimento, e que tantos ainda julgam ter origem oitocentista e protestante.


Esta é a parte toina. Porque também é dos que confundo Igreja com mundo. Logo foi tudo obra do tempo do cristianismo, ainda que tenha sido feita por judeus e até contra a doutrina da Igreja.

Foi útil, mas a Igreja não se mede pela utilidade das descobertas técnicas dos homens.

E ele fez isto para vender o tal livro, que desconheço mas que deve também fazer o apanhado do 10 em 1.

Como o Cristianismo gerou a liberdade, os direitos do homem, o capitalismo e o milagre económico no Ocidente."

Por isto, sim, percebo que tenhas tido vontade de lhe mostrar que esses louros são soberba. Se vêm da dita Igreja de Roma, é falso, mas vêm do que dela se misturou em excesso com desejos terrenos.

timshel disse...

ao contrário do que alguns alucinados pensam, a Igreja preza a felicidade do Homem

e a carência de recursos é um enorme obstáculo à felicidade do Homem

leiam com atenção o último parágrafo do artigo: a igreja Católica fundou um capitalismo que permitia aumentar os recursos à disposição de todos os homens mas especialmente dos mais frágeis através do mecanismo redistributivo lá indicado

zazie disse...

Tim: tu nunca deixarás de ser um jacobino às avessas. Um lupen citadino, que saltou da revolução internacional para a globalização da crença sem nunca ter pegado numa enxada

":O)))

Tu és um desenraizado e anti-popular do caraças. As tradições populares são o que há de mais genuíno. E, isso só pode chatear-te porque nunca descobririas a religião a ler Marx. Não diria que te passou ao lado. Passou cá em baixo, e lá de tão alto nunca deu para veres esses pequenos nadas.

E gostava que me explicasses, como é que um lobbie sem raízes populares, sem nunca ter tido uma longa história viva nas populações, conseguia fazer obra em Àfrica. Possivelmente, chegando lá e matando todas as festas populares e pagãs, imagino.

É que tu estás convencido que é tudo espírito ou pouca-vergonha e ignorância profana. Mas isso nem o Papa diz, sentado no trono de S. Pedro.

O que ele disse para cá foi lido por ti às avessas. Já tinha reparado, não calhou foi a conversa.

O que ele criticou aos nossos bispos não foi o profano na tarefa de evangelização. Foi precisamente o abandono, a snobeira, o estarem-se nas tintas e não cumprirem sequer as missões. Baldarem-se tanto na catequização como se baldam aos encontros e sínodos (ou lá como aquilo se chama- que ele até contou os nºs de baldas dos nossos).

Foi isto. Precisamente o oposto do que tu dizes: elitismo e fuga do trabalho simples porque praticamente já ninguém quer ir para padre.

E isto porque a nossa igreja vive, de facto, bem mais preocupada com as benesses do poder do que com o trabalho que lhe devia competir.

E esse, meu caro, é mesmo feito com o que é vivo. E sempre subsistiu por nunca ter morto a boa da festas, das procissões, das tradições populares. Colonizou-as, colou-se-lhes em cima. E foi assim que a igreja badalhoca e não purista e fantasiada na cabeça de meia dúzia, é algo mais que seitas que duram há 2000 anos. É património histórico da humanidade.

Anónimo disse...

Uma só palavra para definir este artigo: EXCEPCIONAL!
Grande Dragão.

Um @bração do
Zé do Telhado

zazie disse...

Quem nunca admite a tradição pagã como argamassa da sua vivência são os mesmos de sempre:

Os que a querem reduzir à espiritualidade pessoal, à simples e mera fé de cada um. Em lugar privado, com muita sorte, mas bem longe da sociedade, da praça pública, da sociedade laica, como eles lhe chamam; das crendices anti-científicas e obscurantistas, como também lhe chamam. ou então os outros. Os que nunca foram História nem povo, porque são minorias modernas, de importação. E a esses, resta-lhes a luta contra a História e contra a hegemonia católica. Resta-lhes a mesma alternativa que aos jacobinos, ainda que o não sejam: o proselitismo de seita de garagem, ou o proselitismo de lobbie de salão.

zazie disse...

Sendo certo que nunca teremos fogueiras de festas de S. Escrivá nem Procissões do Corpo de Deus de budistas.

dragão disse...

Mário,
são os palradores mais ou menos fariseus que eu sugiro que aprendam mais com as pedras e usem de mais parcimónia verbal, não é propriamente a Igreja.
Em todo o caso, devo dizer-lhe que percebo epartilho grande parte das suas preocupações expressas. Assim como julgo entender algumas das questões levantadas pela Zazie (excepto no que concerne à barbárie que aí, estou farto de lhe dizer, ela não percebe nada disso ( :O) ) )
Quanto ao aclarar dalguns mal entendidos, prefiro deixá-los para alguns postais complementares a este.
Assim ganho em suspense. E não desato para aqui a perorar pelos cotovelos.

:O)

zazie disse...

O que v.s querem é o povo em museu de quinta ecológica. Por causa do perigo do nacionalismo reaccionário que é sempre lixado e estraga os internacionalismos proletários.

zazie disse...

ahahaha grande boca.

Por acaso encomendei ontem um bom livro que me apeteceu reler. O Giordano Oronzo: Religiosidad popular en la alta edad media.

dragão disse...

«tu serias um pedaço de asno, dragão, se eu não soubesse que a tua igreja é a do demo e não a do Filho de Deus que se rojou aos pés dos homens e até os lavou»

Quanto a ti,Timshel, glutão das hóstias de cavalo cansado, tendes a confundir o meu ofício com a minha religião.
Ora, nem o meu ofício é algo de que eu me envergonhe, nem a minha religião algo de que eu me vanglorie.
Ao contrário de certos bufarinheiros exibicionistas que por aí andam.
Já em relação ao acto simbólico que referes, não consta que Ele se tivesse rojado. Todo o evangelho, pelo contrário, me parece duma grande dignidade.
E uma coisa é lavar os pés, acto cujo simbolismo me dispenso de te elucidar. Outra, com um abismo de diferença, é lambuzá-los, engraxá-los e calçá-los de ferraduras almofadadas. Até porque induz em erro: quadrúpedes como tu imaginam que já não o são só porque zurram calçados. Em suma, não melhoram o homem: só adulam e mimam a besta.

Náufrago disse...

Ora pois, o que fez afinal um Francisco de Assis pela religião comparado com um Bill Gates ou uma Margaret Tatcher?

Diogo disse...

Excelente blogue, meu caro. Vou começar a ser uma visita.

timshel disse...

"uma coisa é lavar os pés, acto cujo simbolismo me dispenso de te elucidar. Outra, com um abismo de diferença, é lambuzá-los, engraxá-los e calçá-los de ferraduras almofadadas. Até porque induz em erro: quadrúpedes como tu imaginam que já não o são só porque zurram calçados"

loool

por esta e por outras é que não descolo deste blogue

não é por masoquismo (nesse caso seria também por sadismo, pois rio-me com igual prazer quando os visados são terceiros)

é apenas admiração, um gozo de admiração pelas fumarolas da besta

R.de Assis disse...

Timshel, você ainda perde tempo a argumentar com este senhor dragão...?!!!

Ele é tipo seu parente-pinto-da- costa, que tem sempre razão...

Este dragãozito do blogue, armado em deita-fuminho,que sabe ele da História da Igreja Católica, raiz e pilar da Europa, defensora dos mais pobres, pioneira na defesa dos direitos do Homem, precursora das doutrinas sociais que procuraram promover o ser humano mais débil, defendendo-o da exploração dos patrões desumanos..?

Para quê terçar razões sobre um assunto em que a outra parte (o tal dragãozito empertigado)é pura e simplesmente ignorante - e só sabe debitar ideias feitas, empacotadas,velhas e gastas, de que sempre se socorrem os figadais inimigos da Igreja...?!

É tempo perdido... Há coisas mais importantes a fazer do que gastar energias com pessoas que não querem aprender...

dragão disse...

Cá está: um beato serôdio a arrotar bóstia de pescada, este ou esta R.de Assis. De pescada, ainda por cima, com rabo pela boca, tal o teor da mensagem. E do crânio recheado por detrás.

Deve ser mais um daqueles eruditos (ou eruditas) do Seminário de Santa Lombriga, onde tem aulas de mergulho e natação.

R.de Assis disse...

Dragãozito,
pelo teor da sua resposta ao meu comentário, se vê à saciedade como é supina a sua ignorância...
Estamos conversados.
Por favor, não mais fale do que desconhece. Fica-lhe mal...

dragão disse...

O cretinozito ou zita vem todo empertigado ou gada dar paternais conselhos ao Timshel - que tem mais inteligência e lucidez (mesmo não tendo muita) no dedo mindinho do pé do que ele todo lavado, penteado e polvilhado de água benta na procissão dos aflitos -, conselhos da envergadura "não terça razões com este traste", imagine-se, e depois ocupa o guiché, não me desampara a loja a terçar babosices com o mesmo traste, ou seja, comigo.
Rica moral. Belo exemplo. Tresanda de tal ordem a fariseu, que até vou ter que mandar fazer uma desinfestação às caixas.
Eu, no lugar do Timshel, mandava-o (ou a) enfiar os conselhos na do parte terminal do tubo digestivo.

R.de Assis disse...

Dragãozito,
pela forma como escreve - sem nexo, nem sentido - se revela a sua má extracção e o seu ódio a tudo que não seja da sua cor ou da sua ideologia... Na verdade, é um déspota... malcriado e sem nível.

Não vou perder mais tempo consigo, nem como o seu blogue idiota e trapalhão.

Aqui fico conspurcado. Prefiro ares mais limpos.

dragão disse...

Pois é claro que fica conspurcado. Isso é o que a lombriga diz da água limpa.

No seu caso, para cúmulo, lombriga daltónica e nivelada. Pelo chão.