segunda-feira, setembro 10, 2007

Na Corrente

Antes que me esqueça, e por incumbência desta estimada senhora, cujas sugestões para mim são ordens, passo a enumerar dez livros que foram determinantes para a besta que eu hoje sou. Refiro que, para meu uso e costume, os livros verdadeiramente importantes não são os que lemos, mas os que relemos e nunca mais deixamos de reler ao longo da vida. Assim, as minhas dez "bíblias", acompanhadas da devida vénia a Vossa Senhoria, dama de elevada estirpe e superlativa nobreza:

1- Homero, "Odisseia"
2- Homero, "Ilíada"
3- Ésquilo, "Prometeu Agrilhoado"
4- Sófocles, "Rei Édipo"
5- Sófocles, "Antígona"
6- Aristóteles, "Metafísica"
7- Aristóteles, "Ética a Nicómaco"
8- Aristóteles, "Política"
9- Nietzsche, "Assim Falava Zaratustra".
10- Fernando Pessoa, "Mensagem"

Excepcionalmente, em atenção à proveniência, segue a incumbência para o José, a Zazie, o Manuel, o Kzar, o Pedro Arroja, o Paulo e o Mário. E agora façam como entenderem.

39 comentários:

zazie disse...

Lá vem mais um...

eheheh
Já uma pessoa não pode trabalhar descansada

":OP

O Réprobo disse...

Bem, é mais fácil do que os que não mudaram a minha vida. Servi-Lo-ei amanhã em bandeja apropriada, Caro Dragão.
A propósito, ainda não esqueci a dos três filmes. Anda é uma calanzisse do diabo para botar faladura sobre eles...
Abraço

A.H. disse...

Boas escolhas.

1,2,4,8,9,10 já "li" e são de facto do melhor que há. Falta-me o 5.

"li" porque alguns deles ler não basta, há que vive-los.

Dragão disse...

Boas escolhas?

Só me arranjam problemas!...

Não recomendo a ninguém.

josé disse...

Vai-me custar um pouco da vergonha que ainda me resta, mas vou abrir excepção. Lá pensarei nos livros que não me modificaram e depois nos que me toldaram a mente de algum modo.
Tarefa difícil, porque não tenho clássicos a apresentar, a não ser por analogia.
E no fim, acabo por revelar a minha profunda incultura. Seja.

Kzar disse...

Bom, isto de expor preferências literárias mais ou menos concretizadas é, além de tão díficil quanto fútil, um pouco como exibir intimidades ao voyeurismo público. Uma vez porém que que é o caríssimo Sr. Dragão o solicita, e para mais aparentemente por determinação imperativa de Senhora tão alta que lhe comanda a sáurica vontade, aqui segue, com advertências de que há inevitáveis menções plurais (a selecção é mais de autores do que de obras), de que excepção feita a um ou dois artigos a lista seria diferente há alguns anos e sê-lo-á por certo mais ainda daqui a poucos outros) e enfim de que é uma lista, e não a impossível A lista:


1 - Jorge Luís Borges, tudo, Obras Completas, embora com destaque para "O aleph" e as "Novas inquirições".

2 - Cervantes, "D. Quixote".

3 - Shakespeare, quase tudo, com destaque para "O mercador de Veneza" e "Ricardo III".

4 - George Orwell, tudo, com destaque para "1984", "Animal farm" e "O caminho para Wigan Pier".

5 - Jack London, tudo, com destaque para "O apelo da selva", "Contos do Norte", "Memórias de um alcoólico" e "O povo do abismo".

6 - H. G. Wells, "Contos".

7 - Graham Greene, "Os Comediantes".

8 - Miguel Torga, "O Sr. Ventura"

9 - Francisco de Quevedo, "O Buscão"

10 - Aldous Huxley, "O tempo tem que parar".

A grandes penas deixo de fora desta apertada selecção o imortal Camilo, Unamuno, Padre António Vieira e muitos outros. Em todo o caso, aqueles autores e aquelas obras são inaflíveis "front benchers" da assembleia literária que me vem condicionando o ser.

zazie disse...

Estou tramada. Estou a ver que mais ninguém vai falar dos Cinco ou das aventuras do Zorro e do Tintim.

Levo sempre tudo à letra

":O.

a voz disse...

Imperial César Augusto
Quanta honra lembra-se de mim.
É com todo o prazer que vou responder.
Cumprimentos.
Mário

Dragão disse...

Lembro-me e envergonho-me, pois ainda estou em dívida.

josé disse...

O resumo é este:

1. Clássicos vários dos gregos e dos latinos e respectiva mitologia inesgotável.
2. Antigo Testamento.
3. Walter Scott. Ivanhoe
4. Dostoiewski. O Jogador.
5. O Monte dos Vendavais, Emily Bronte.
6. O Despertar dos Mágicos, de Louis Pawells e Jacques Bergier
7. O cão dos Baskervilles, de Conan Doyle
8. A Capital de Eça de Queirós.
9. Trilogia Tinker, Tailor, Soldier, Spy, de John Le Carré.
10. O Nome da Rosa, de Umberto Eco

O resto da história está por aqui

Dragão disse...

Notas breves:
O 2 e o 9 do Kzar também me souberam bem.
E o Cão dos Baskerville também é o meu preferido do Conan Doyle.
Já no Dostoievki, é mais "Os Demónios" (ou Possessos), livro duma actualidade impressionante.

Dragão disse...

Zazie, é claro que li os Cinco e o Tintin. Mas a revista de que fui mais cliente, na verdade, foi o "Falcão" e o "Mundo de Aventuras".
No Falcão, era fã do Ogan, o Vicking e sempre detestei o Major Alvega. Desde pequenino. Era como o rato Mickey. Nunca pude com chico-espertos.

:O)

Kzar disse...

Estou mortificado! É no que dá um cidadão meter-se em coisas destas. Agora mal durmo, recordando-me dos que olvidei ou exclui da listinha. Vão ser dias e dias disto, mas para já penitencio-me: como pude esquecer o Voltaire e o seu "Candide"? E deixar de fora (tem inteira razão, Sr.ª zazie!) as aventuras completas do Tintin (excluído o lastimável "Lago dos Tubarões")?! E o "Quotidiano Delirante" do Miguelanxo Prado? E "As aventuras extraordinárias de arthur Gordon Pym" do Edgar A. Poe?!

Vou ali num instante suicidar-me e já volto...

Kzar disse...

Gaita!

E o Júlio Verne da minha pré-adolescência, a espaços revisitado!? E o Walter Scott, pois claro! E o Herculano, já agora, que saudades de reler as "Lendas e Narrativas"! Que dizer da "História de Roma" do Tito lívio, ou já agora das aventuras do Alix, do Jacques Martin?!

Isto não vai acabar. Estou condenado...

Anónimo disse...

Ó Dragão, tu é que lês coisas difíceis. Deves ser um tipo mesmo esperto. Assim, erudito...percebes?
Vai-te mas é catar.

josé disse...

Tenho cá uma teoria, sobre os livros difíceis. Todos os livros fundamentalmente difíceis, já fizeram o percurso no seu devido tempo de modo que as suas ideias, entraram na corrente cultural. As ideias que veicularam e apresentaram de novo, só são novas, para quem não as reconhece noutros livros e noutras formas que influenciaram, inclusivé na política.

Aristóteles, Platão, Sócrates e os pensadores antigos transmitiram saberes e dizeres que se encorporaram na nossa vida e plasmaram o nosso modo de viver em sociedade.

Desse modo, as ideias antigas, estão aí á vista e os livros que esses sábios escreveram são apenas o testemunho de que foram eles e não outros os inovadores.

Quanto aos livros de divertimento e prazer, que são todos os de ficção, a influência que exercem em nós, é mais difusa e perene, deixando aquele sorriso de certas alturas.
É com isso que nos mudam. Não, necessariamente pelas ideias que veiculam.
Quando me lembro da personagem Dâmaso dos Maias, é um sorriso aberto, interior, ao reconhecer no pasconço, uma série de figuras actualizadas na política e na vida social.
Humor, isso conta.

zazie disse...

Dragão, estás a referir-te ao Falcão inicial? ao primeiro, ou à outra série em tamnaho pequeno?

Eu tenho a colecção inteira do primeiro Falcão. Descoberta numa ida ao Circo e depois comprada praticamente toda pelo meu pai. Os nºs que me faltaram andei anos à apanhá-los por todo o sítio.

Kzar: E o segredo do Licorne e o Tesouro de Rackham o Terrível?

Acho que o primeiro Tintin que li foi a Ilha Negra. Na versão antiga, claro.
E tem razão- o Lago dos Tubarões é mesmo o mais insípido.

zazie disse...

José. E eu tenho ideia que as influências até são muito aleatórias e dependem da altura em que se lêem determinadas obras.

Gostei muito de ler as respostas do Paulo, por isso mesmo.

(quando falo em obras, refiro-me mesmo apenas a livros. Como sou básica levei o pedido à letra.)

zazie disse...

Engraçado o José referir o Jogador. O Jogador é muito visual. Creio que foi esse efeito que, na altura, mais me atraiu.

Depois, mais tarde, até o "revi" no cinema de Bresson.

josé disse...

Quem quiser revisitar a bd de cordel ( que efectivamente se pendurava numa corda nos quiosques), pode ir ao sítio da BD Portugal. Lá encontra a reprodução de capas e de colecções inteiras, dos Falcões, Mundo de Aventuras, FBI, Texas Jack, Condor, Condor popular etc etc.

O viking era interessante, depois de uma aventura de cóbois ou do FBI. Para variar. Tal como o Luís Euripo ou a Mamselle X.

josé disse...

A leitura pode ser interessante por vários motivos. Por divertimento na descoberta da língua, por interesse no enredo e por novidade de espantar.

Dentre esses motivos, o que mais me chama a atenção é a escrita com enredo. Ou então, os contos de Lobo Antunes.

zazie disse...

E o Antigo Testamento, claro. Também não sei como me esqueci de referir. Li-o por volta dos 8-9 anos.
Muito mais o Antigo que o Novo, sendo que o Novo, em termos doutrinários me diz muito mais. Mas o Antigo é uma grande obra literária.

dragão disse...

Zazie, mais o pequeno. Cheguei a ter a colecção quase toda.

zazie disse...

Mas também pode marcar ou ajudar a construir o que somos.

Não sei bem. Nesse sentido, a obra que mais me "influenciou", por motivos vários e pessoais, foi a Viagem do Céline.
E até foi a falar nela que me entendi, aqui com o nosso anfitrião.

zazie disse...

Eu ainda devo ter grande parte dela numa velha arca que não sei bem onde pára. Mas isso é outra história.

dragão disse...

.

dragão disse...

E a "Crítica da Razão pura"?... Já vos falei na "Crítica da Razão Pura"?...

:O)

josé disse...

Essa e o Dante. Dantesco. E o Pantagruel. Opíparo.

Que podemos aprender de novo com a sua leitura, depois das glosas e dos textos escolhidos e dos comentários e dos significados e dos livros sobre livros?

E que podemos dizer sobre a leitura,se muitas obras primas foram já transpostas para o cinema e se muito do seu interesse específico que residia no enredo, já é por demais conhecido?

Os mitos gregos, têm sido glosados século após século. As peças de Shakespeare, tem sido levadas a cenas e transpostas para filme.
TO be or not to be é uma frase que já perdeu a novidade da descoberta e se transformou numa referência e num contexto.

As peças francesas, Rabelais e outros autores que dizem de novo a quem os ler, se já foram mostradas com outras roupagens e cenários?

josé disse...

Depois de ler o livrito de Pierre Bayard, aliás muito bem escrito, dou por mim a pensar que tem razão, até pelo absurdo: muitas vezes mais vale não ler, para se dizer algo sobre a leitura de determinada obra.

Carlos disse...

E depois há a poesia, a escrita em modo de récita ou cadenciada pelas palavras, conceitos ou ideias obscuras.

Neste campo, nada arrisco, porque é campo minado, de gosto próprio e inefávelmente intransmissível.

Desconfio que há muitas obras poéticas que não li e apreciaria sem qualquer dúvida.
Pobre de mim que perco o que nem tenho.

josé disse...

Não sei como é que o "Carlos" se infiltrou, mas a verdade é que nem sequer é alter ego.

Não entendo estas maravilhas da técnica...

José

zazie disse...

ahahaha Carlos?

Ò Dragão, fala lá da Crítica da Razão Pura.

A mim caiu-me em ciam da cabeça enquanto dormia. Juro. Foi assim que tive o primeiro contacto com a razão pura.

E ainda por cima em versão francesa. Doeu que se fartou.

":O))))

Kzar disse...

Fónix! O Dante! Aaaarghghghghg. Como é que pude fazer isto!

dragão disse...

Tenho um projecto encomendado pelo Ildefonso:
A "Crítica" em banda desenhada. Eu escrevo o argumento, mas preciso dum sócio que trate do desenho.

:O)

zazie disse...

Isso era tão giro, dá para imaginar um pouco do que sairia do argumento...

josé disse...

Quando o Dante tem os tratos de polé do Graça Moura, finito per me. A divina comédia? Não. Nunca aguentaria.

zazie disse...

José,

O Dante comecei por conhecer no Inferno, na edição com as gravuras do Gustave Doré.
Era uma espécie de interdito que nos fascinava, em miúdos, ao abrir aquele livro.

De resto, tenho a Divina Comédia em edição da Sá da Costa. Está claro que nunca a li toda, mas é obra de necessária consulta.

josé disse...

O a revista italiana L´Espresso e jornal La Repubblica que compro duas ou três vezes por semana ( 1,20), está a publicar uma espécie de recolha de literatura italiana, em 10 volumes. Vai no 2º.
Se estivesse em Itália ou por cá aparecesse o volume com o jornal, compraria eventualmente ( mais 12,90 que o jornal).
San Francesco; Marco Polo, Francesco Petrarca, Giovanni BOccaccio e Dante, claro, com a Comedia a Vita Nuova e o Convivio. Tudo no 2º Volume.

Seria para ler tudo? Não. Para folhear, apenas.

MP-S disse...

O' Dragao, conheces o sentier de Nietzsche? Foi tambem por la' - caminhando - que ele "criou" o Zaratustra. Nao ha' renuncia 'a vida que sobreviva aquelas luz e aquelas cores. A luz e as cores... sao as caraceristicas comuns aos senhores de um a nove... (o dez e' um bocadinho mais complicado, nao se ajusta exactamente nesta classificacao). A diferentes estados fisiologicos correspondem diferentes estados mentais. Pensas de forma diferente quando caminhas por falesias e montes escarpados.