segunda-feira, novembro 21, 2022

Hoplita X.0




Uma entrevista muito interessante a Bernard Wicht, um erudito francófono em questões de estratégia. 

Texto longo, mas replecto de passagens deveras inquietantes. Chamo a atenção para os conceitos de "naked man" (o texto é em inglês), e "a-polis". Não podia estar mais de acordo.

Algumas passagens sugestivas:

(...)



«On the Ukrainian side, on the other hand, the situation is much more blurred, as the regular conscript army was already in disarray before the conflict broke out, thus forcing the Zelensky government to rely on paramilitary groups, in particular the sinister Azov battalions, whose abuses against the civilian population are now well known. Nevertheless, they are the only real fighting forces on which the “failing” Ukrainian state (let’s be honest and use this term) can rely to confront the Russian offensive. Let us specify that these units are not directly dependent on the Ukrainian state; they have their own mode of financing, based on trafficking and mafia racket of the local populations whom they do not hesitate to use as human shields.»

LS-SD: To conclude, let us return to the initial question. Is self-defense still relevant in such a state of chaos and disorder, of war without limits?

BW: Now more than ever—especially in a Western Europe incapable of defending itself, where the Ukrainian pattern is likely to be repeated. For, if the nation-state is no longer the subject of war, then it is the individual himself who becomes the subject of war (hence self-defense). Moreover, this individual is no longer a citizen, but a “naked man” stripped of all protection, without a city (a-polis) and liable to be put to death by the police as well as by the gangs or the aforementioned actors of the conventional NG war without limits. For this naked man, from now on, self-defense represents the only horizon in terms of residual freedom and security, the last means of preserving some snippets of the status of political animal that citizenship in arms (the hoplitic polis) previously conferred on him.»


Julgo que não perdem nada em ler tudo na íntegra. 

domingo, novembro 20, 2022

Poliamorália ou Suruba?




 

É um rato, é uma nerd?... Não, é a super-girlfriend do SBF e, bacoreja-se, o génio detrás da golpada.  Caroline Ellison, cavalheiros e senhoras, em todo o seu esplendor. Mera coincidência: filha de...

O papá Ellison:




Formado em Harvard e head of department of Economics at MIT .

A Mamã Ellison:


Também professora do MIT. Departamento de Economia.

Serão judeus? O que é que acham?... 

Entretanto, algumas curiosidades adjacentes sobre a filha:

«Disgraced Alameda Research CEO Caroline Ellison penned graphic blog posts about polyamory and masochism before the implosion of her FTX-linked cryptocurrency hedge fund.»

Que raio vem a ser "polyamory"? Deixem-me só ir ver ao google... bem, eram poliamorosos, quer dizer, regime de regabofe geral, ou suruba, como diriam as amigas do Ildefonso Caguinchas. Ainda no outro dia passou por mim cheio de pressa e à minha pergunta "vais onde, nessa bisga?", respondeu ele: "estou atrasado. Tenho uma suruba marcada para as três!"  (As três, eram as horas, e a quantidade de amigas brasileiras com quem confraterniza, em modo núcego)... Está cada vez mais brasilófono, o sacana. 

Voltando à Caroline rato. A poliamorosidade da sujeita com o pessoal da Alameda Research (e da FTX, por via analogica?), surge enriquecida logo adiante:

«The post — along with a series of other sexualized entries — was unearthed by the tabloid just days after CoinDesk claimed Ellison, 28, and Bankman-Fried, 30, were part of a 10-person “cabal of roommates” that managed operations for FTX and Alameda from a luxury penthouse in the Bahamas. CoinDesk claimed the group “are, or used to be, in romantic relationships with each other.”»

"Relações românticas"... apreciem só o eufemismo. Imaginem-me agora a mim a dizer ao Ildefonso: "Caguinchas, como é que vão as tuas relações românticas com as brasileiras?" "As minhas quê?! Escamar-se-ia ele, garanto-vos. "Só as f...., pá. Nada de paneleirices!»

E continua a Caroline filha, refinando o critério:

«“But tbh I’ve come to decide the only acceptable style of poly is best characterized as something like ‘imperial Chinese harem.’ “»

O Harém Imperial chinês, caramba!... A coisa aqui complica-se: é que aquilo varia muito segundo as dinastias. E as dinastias são um ror delas.

Todavia, uma questão premente irrompe:

Mas aquilo era um busyness center ou a Grande Farra?

Enter, não the dragon (que já aqui está) , mas o psicanalha. Digamos assim, o personal trainer do canil. Ou será ratil?... Enfim, o Dr. George. K. Lerner, essa eminência parda:

«Dr. Lerner said he got to know Mr. Bankman-Fried years ago while working as a psychiatrist in San Francisco; he declined to say more about their relationship at that time, citing confidentiality requirements. (He also spoke to Vice by email.) He moved to the Bahamas in June, he said, and began offering his coaching services to FTX employees 32 hours a week, while keeping a small private practice on the side.»

Eis, pois, o Dr. Lerner, o Coach de serviço ao bacanal. Desculpem, à poliempresa. Lamentavelmente, não dispomos de fotografia curricular, mas adivinha-se a emblemática penca grouxomarxista. Aposto 20 contra 1.

Ora, do que se sabe é que aquilo, lá na poliempresa, decorria a toque de anfetaminas e outros fármacos ainda mais trepidantes ( como selegiline, uma droga para tratar parkinson). Da prescrição e receituário devia tratar o bom doutor Lerner, presume-se. Curiosamente, o mesmo que agora vem protestar junto do Je..., perdão New York Times pela inocência e hagiolepsia  obsessiva do bando, digo, do poliscritório e, sobremaneira, do Sam... tíssimo.

Só as más línguas poderiam dizer que « “The whole operation was run by a gang of kids in the Bahamas,” a person familiar with the matter told CoinDesk on the condition of anonymity.» Porque,  o coach residente  «rejected that idea, saying the company’s culture was far from orgiastic.  “It’s a pretty tame place,” Dr. Lerner said. “The higher-ups, they mostly played chess and board games. There was no partying. They were undersexed, if anything.”

Não passava pois tudo, segundo o providencial psico-treinador, dum bando de crianças a brincar ao jogo do Monopólio, na versão revista e aumentada, de Bernie Madoff. Uma autêntica república das bahamas.


Não obstante, confirma, assim, que os pacientes viviam numa espécie de mosteiro, encafuados e gastando aí as "longas noites no escritório". Adivinhamos entretidos em quê. Uma concentração demasiado precoce  de amor e polimocada. Não sei porquê vem-me à ideia aquele mosteiro famoso duma grande obra literária do século XVIII. Saint-Marie-des-Bois, se não me falha a memória, era o nome do mosteiro. "Justine", intitula-se a obra. Preciso de dizer quem foi o autor?  Arrepiem-se, porque, bem mais ainda que Kafka,  Nietzsche ou Dostoievski, deveio o profeta deste vosso tempo. Porque meu é que ele não é. 


PS: cereja no topo do bolo? Ora, não pode faltar. Aqui fica:


sábado, novembro 19, 2022

Técnicas de coacção




 Reconheço que continuo a ser, não raramente, um bocado ingénuo. E ainda bem. Porque no dia em que me tornar um completo cínico mais vale que Zeus envie um raio e me fulmine logo ali. E sou ingénuo, deixem que esclareça, quando, por exemplo, ainda acredito num resquício de vértebra nos governantes actuais. Quer dizer, se bem que rastejar seja o seu modo usual de locomoção política, nada impede que, ao menos, rastejem na vertical - por uma parede, árvore ou poste acima - e não, forçosa e invariavelmente, na horizontal - pelo chão e pela lama a fora. Quanto mais não fosse para desenjoar, para desopilar  - para variar, que diabo!... 

A propósito, especificamente, disto.

Síntese: 

«when US disagrees with what Germany does on important issues, they resort to blackmail with secret service materials.»

Explica os actuais vermes ao leme do naufrágio alemão? O chanceler, pelo menos. O gang dos verdes é mesmo assim: invertebrados militantes, por vocação, profissão e volúpia. Não requerem estímulo artificial. Basta inoculá-los e deixá-los actuar.

sexta-feira, novembro 18, 2022

Slavia Ukranóia!

  Um pouco de propaganda ucranicosa para não dizerem que é só o Putin que me paga. Agora, à boa maneira do espertevelho tuga, estou a receber dos dois lados. Chama-se a isto ser ambidestro, nada de confusões. Tenham, pois, vossências, a amabilidade de reparar, no video que se segue, das melhores origens e proveniências, como os ukranicosos dizimam, massacram  e varrem a eito os estúpidos e aparvalhados russo. Uma razia, que sim senhor! Por este andar, começo até a entusiasmar-me: depois de vindimarem os russos, os ukraníssimos marcham à conquista da Europa. Não é por acaso que o Homero era ukranião, bem como Jesus Cristo e o próprio Beethoven.

Que alegria, meus amigos. Finalmente, e já que nos falha a 4ª República, como sonhavam alguns líricos, aos menos vamos ter o 4º Reich. O Reich dos mil asnos. Para mim pode ser com baunilha, avelã e chocolate, sff.






O título do vídeo, então, é o máximo: 

«Russia was not ready for such devastating strikes from Ukraine»

Pudera, nem a Rússia, nem a China, nem ninguém. E os States que se ponham a pau. Ponham-se com forretices que vão ver como elas lhes mordem!...

Uma palavra de louvor ao Rogeiro pela assessoria técnica do vídeo.

A Nova Religião, ou o Disangelho segundo a Serpente

 



Os cientistas são uma espécie de novos-sacerdotes ultra laicos e devidamente pasteurizados. Já alguém, por exemplo, viu os jornalistas a irem espreitar (ou a montar mesmo torre de vigia) na sexualidade dos cientistas? Nem por sombras. São absolutamente castos e puros, imunes ao pecado e à prevaricação. Tanto quanto novos-sacerdotes, são também os novos-anjos. Acumulam. E não são vigiáveis, suspeito, porque velam, espreitam, vigiam por todos nós... e sobre todos nós. Desde as entranhas, literalmente, (pelas radiografias, ecografias, microscópios e ressonâncias magnéticas), até aos insondáveis éteres e vastidões galácticas (pelos telescópios e imaginoscópios)... Nada lhes escapa. Escarafuncham, espiolham e esquadrinham sem dó nem piedade, sem intervalo nem cansaço. Porque, na verdade, como todos os dias os novos-sacristães (os jornalistas) não param de nos despejar pelos canais da percepção abaixo, estamos cercados de ameaças e perigos eminentes. Cercados e sitiados. Mais, se queremos ser rigorosos, vítimas permanentes de assédio e assalto. O mais recente, persignemo-nos em cagaço pré-traumático,  ei-lo que irrompe dos escalfúrnios recessos siderais: o asteróide assassino!.... Um calhau psicopata que vaga pela exosfera imbuído dos piores intuitos e misantropias. Nas mitologias ancestrais davam nomes a estes fenómenos ambulantes; mas a coisa era embalada numa certa simbologia poética, que lhe conferia um certo sentido cósmico. Agora também tratam de nomear a coisa, só que fica tudo embrulhado em papel de peixaria astrofóbica e remetido a mero acesso meteórico em sofá de matemágica alucinogénia. O nome resume-se a uma sigla. Neste caso, em vez de Tifon, ou monstruosidade que o valha, temos o AP7. Hollywood não faria melhor. Mas, aqui entre nós, assustam-nos ou entediam-nos? Causam-nos o terror ou o bocejo? É para levar a sério ou para descartar pela retrete abaixo? Os dinossauros ainda tinham um meteorito. Nós estamos apontados ao AP7. Que é assassino, psicopata e, eventualmente, racista, machista e anti-semita. Subentende-se. É, seguramente, no mínimo, um pedregulho voador a babar-se de ódio.  É para fugir, ou para rir? Como é que os nossos activistas de arremeço (e arre-medo) ainda não estão na rua a ladrar à volátil iminência? A apelar ao boicote, ao cancelamento, ao despedimento imediato e deportação para o limbo do desemprego vitalício? Deve ser o aquecimento mental que o atrai,  que diabo!... Acodem, desarvorados, às emissões de CO2, estes projécteis astrais. Lá está: pare, escute e olhe - uma sigla esconde sempre outra. Depois do COVID-19, eis que espreita o AP7... na senda do CO2. Mas, afinal, habitamos um planeta, ou ficámos trancados no laboratório de físico-química do liceu? De combustível à luta perpétua, a adolescência permanente. O acne ou pintelho ideolófago com babete-fralda vitalício.

Os sacerdotes clássicos mantinham-nos na linha com as penas e as recompensas no Além. Moralmente, auferíamos duma certa "liberdade" até lá. Estes novos sacerdotes decidiram acabar com o recreio: é aula, estudo e matéria sem interrupção - desde o berço à sepultura. E a matéria regurgita-se, ad nausea, como revisão da matéria. Nada de pausa nem intervalos. Confinamento e internamento ininterruptos, obsessivos e compulsivos. Obrigatórios! Os novos padres e os novos sacristães entaiparam a porta e calafetaram as janelas. Regime de suspeita colectiva. Sobretudo, nada de distrações, devaneios ou brincadeiras. Banimento do riso, da piada, da conversa e, sobretudo, da ida à casa de banho. As evacuações e despejos são sublimados em forma de cultura (e política). Estamo-nos todos a cagar mesmo uns para os outros (é uma das morais instiladas pelo sermão; uns dos novos deveres e virtudes teologais). Concentração total e absoluta na lição, na nova-prédica iluminada e ofuscante. As penas e recompensas desceram à Terra; são já aqui. Pré-fabricadas. Liberdade agora é sem aspas? Sim, e sem letras: foi cancelada e é apagada da memória todos os dias. Liberdade, igualdade, fraternidade traduz-se, na realidade por reclusão, exclusividade e hostilidade. Reclusão para a maioria, exclusividade para alguns e hostilidade para todos. 

Os antigos sacerdotes, da medieval idade  em diante, desarrincaram a inquisição? Sim, em paralelo com os tribunais seculares.  Estes, ultra-sofisticados, dispensaram ambos: a inquisição não é inquisição nem  seculares são os tribunais: fundiram tudo em forma de bufaria apofântica.  Inquisição, tortura e execução são simultâneos e instantâneos. E ao gosto do freguês. Chama-se agora informação. Os sacristães funcionam em triplo tandem: delatores, esbirros, e carrascos. Apontam, sentenciam e erradicam. Os sacerdotes consagram e salmodiam: Conforme os deuses e semi-deuses lhes determinam e encomendam. Não do Além, nem dum qualquer Olimpo ou  Asgard, mas também cá da terra, dos altares, mansões e fóruns económicos mundiais. É tudo rasteiro. Uma nova religião que rasteja. Que não cria nem sai de cima. Deus, o antigo, grunhem eles, está morto (ou ausente em parte incerta). Não adianta pois pedir-lhe o que os seus sucedâneos de excremento não têm nem conhecem, em tempo ou modo algum: Piedade.

quinta-feira, novembro 17, 2022

Uma entrevista muito pedagógica


 

Ainda é pior do que se pensava

 Rescaldo da FTX... (e muita água vai ainda correr debaixo da ponte).


) FTX LENT SAM BANKMAN OVER $1 BILLION DOLLARS FOR PERSONAL USE

Quanto, ao certo, para aquisição eleitoral? Pois, porque convém nunca esquecer: isto da democracia é um luxo caro.

quarta-feira, novembro 16, 2022

Pena não ter sido em Varsóvia

 




«NATO admite que explosão na Polónia se deva a míssil de Kiev, mas responsabiliza Rússia»

Faça o que fizer, diga o que disser, haja o que houver, a culpa é da Rússia. Estamos, assim, no grau zero, ou melhor dizendo, no pré-infantário da geopolítica. Optimismo meu, eu sei: o fulano Stoltenberg mais parece um espermatozoide doido às cabeçadas na proveta.

Por outro lado, isto faz lembrar cada vez mais aquela fábula do lobo e do cordeiro, à beira do riacho. Mas o mais anedótico e delirante é o facto do lobo (a Nato) estar a rosnar ao cordeiro, tão arrogante e convencido, e por impulso tão atávico e automático, que nem sequer se digna olhar para o lado. Pelo que nem repara que, na realidade, não é propriamente um cordeiro: é um urso.

PS: Entretanto, quer-se pintar as beiças à porca com a teoria de "falha acidental" na intersecção dos mísseis russos por parte dos anti-mísseis ucranicoisos. Isso explicaria a falha de um. Mas foram dois, na mesma zona. E um, logo por azar, nem explodiu. Os ucranicoisos, provavelmente com bafo inglês, alvejaram de propósito a Polónia. Tentaram arranjar um incidente (só que, à revelia dos Pupet-masters supremos, a coisa não é garantida; longe disso. Até porque eles apreciam pouco a espontaneidade nos brinquedos).
Notem aqui um papagaio de serviço a desenvolver a teoria óbvia da intencionalidade dos "dois mísseis", subentendendo a origem à Rússia. Sendo a origem na Ucrânia vão tratar de branquear, como é da praxe. Deixa de ser um "incidente gravíssimo", deixa de ser "o território da Nato atingido e violado", etc. Foto do míssil não detonado:

Mas o Império registou. E não sei se apreciou muito que os minions britânicos andem a mexer com a marionete dele.

PS2 : Reverberação inglesa, logo de supetão e em verdadeira histeria pró-III Guerra Mundial:




Além da trela, é melhor os americanos pensarem seriamente em colocar-lhes açaime. E chip para caninos perigosos.

terça-feira, novembro 15, 2022

Das Quimeras

 



A Quimera não era apenas o monstro  mitológico descrito na mitologia grega. A quimera existe. Sobretudo, entre nós, portugueses, por alturas do verão. Quem é que acham que, todos os anos, deita fogo às matas. e florestas deste país? Isto quanto ao monstro lendário. Porque quanto a outros tipos de quimeras, também as há. Umas de ordem vegetal, como em tempo aqui dilucidei e transcrevo de novo, porque permanece duma actualidade inoxidável:

Tal qual o Homem tem muito a aprender com as plantas, e não propriamente com hortaliças do género nabo e abóbora que dessas já há seguidores em demasia, também a História tem com que se instruir na Botânica.
Na taxonomia, por exemplo. Cito um breve mas elucidativo caso: ao designar-se vulgarmente a Robinia, usa nomear-se essa singular espécie como Pseudo-acácia ou acácia-bastarda. Parece uma acácia, mas na verdade não é. O mesmo poderia fazer-se em relação ao Portugal pós-Dinastia de Avis. Também devia designar-se vulgarmente Pseudo-Portugal ou Portugal Bastardo.
Da mesma forma os seus habitantes seriam vulgarmente designados como pseudo-portugueses ou portugueses-bastardos.
Não digo isto com intuito desprimorante para os tais, país e habitantes (onde obviamente me incluo). Trata-se apenas de constatar, lucidamente, uma realidade. Parecem, mas não são. O país parece um país, mas não é um país; os habitantes parecem pertencer ao país, mas, de facto, pertencem de alma e coração a outros países - em seu esperto entender- mais modernos e gratificantes. Também, estruturalmente, os verdadeiros portugueses eram de cerviz altiva e braço vigoroso. Estes não, e não nos alonguemos nos detalhes por piedade. Fossem árvores e seria o mesmo que comparar a árvore de copa bem erecta e altaneira ao arbusto retorcido e rasteiro. Ou mesmo ao capim forrageiro, segundo alguns eruditos.
Poderia ainda citar outro caso sugestivo da botânica: refiro-me à enxertia.
Neste caso, talvez fosse possível entender-se o Pseudo-Portugal como um enxerto bizarro executado sobre a raiz e tronco decapitado do verdadeiro. O lastimável é que tudo indica (e daí a bizarria) que a operação equivaleu a enxertar uma silva sobre uma roseira (e não o contrário, como recomenda a arte). Prova disso são até as "rosas" actuais que não é preciso matutar muito para perceber que são, na verdade, pseudo-rosas, ou efectivamente, silvas. E quem diz as rosas, diz as laranjas e outros frutos ou flores claramente falsos ou imaginados.
Finalmente, num terceiro caso, só a título de curiosidade e ainda no campo da enxertia, lembro a chamada "quimera". Esta ocorre quando sobre um mesmo cavalo (a planta que serve de base radicular ao conjunto) se enxertam várias outras espécies e não apenas uma. Resulta daí que a mesma árvore ramifica na forma de diversas folhagens e cria frutos de diversas qualidades: poderei mostrar-vos, até num pomar aqui bem perto, laranjeiras que dão laranjas doces, laranjas amargas, limões, tangerinas, limas e goiabas. O Pseudo-Portugal seria, portanto, segundo este paradigma, uma Quimera. Com efeito, ao longo destes últimos séculos, objecto de todo o tipo de enxerto, cada qual mais extravagante e peregrino que o anterior, poderia a sua desafortunada história ser contemplada como uma sucessão de ensaios mais ou menos alucinados de pô-lo a dar franceses, ingleses (na verdade, pseudo-franceses ou pseudo-ingleses), ou o que parecesse melhor e mais rentável ao fruticultor da época. Até russos tentaram. Ultimamente, parece que se tenta uma variedade híbrida de espanhol-americano. Aguardemos os frutos. Até hoje, apesar dos denodados esforços, das mais diversas podas e adubações, o mais que tem dado é bananas. É um facto que são cada vez maiores. Estas, a fazer fé no percurso e no crescimento -já por esta altura - desmesurado, devem vir a ser gigantes. Quase abóboras.
Nisto tudo, talvez haja (oxalá!) um grande exagero e lapidar crueldade da minha parte. Mas que dá que pensar, lá isso dá.

E, finalmente, uma outra quimera, quase tão antiga como a mitológica, mas bem mais daninha, pelo alcance e difusão. Há um grande autor russo que  disseca a alimária. Mas não está traduzido, nem vai estar, e mesmo que estivesse era cancelado. Gumilev, chamava-se o cavalheiro. Os soviéticos não gostavam dele e mataram-lhe a família. Os neo-soviéticos, esses, detestam-no. Como abominam Soljenitsyne ou Dostoievski. Os três elaboraram acerca da tal quimera. Deve ser por isso.

Um artigo introdutório ao assunto pode ser lido aqui.

Notem bem, mesmo em relação à amálgama mítica, toda a simbologia: o leão pervertido por uma cabeça de bode retrovisora e uma cauda de serpente que faz cauda de todo o restante conjunto. E cospe fogo. De artifício.




segunda-feira, novembro 14, 2022

Separados à Falência

 







Em epígrafe, dois beneméritos: o Wonder Boy, SBF, e o Marvel Boy, David Moscovitz. Eram sócios... ou apenas sósias?

O Estado do Oxidente, e os bois pelos nomes

Os russos, dizem os oxidentais da claque belicosa, canibalizam as máquinas de lavar. Os oxidentais, dizem as notícias, vivem (à grande) dentro duma.





Entretanto, o Wonder Boy, ukrasuporter devoto, agora alegre e opulentamente falido, é filho de dois professores da Stanford Law School... Quem sai aos seus... 



Aproveito para esclarecer, e deixar bem vincado, que nada tenho ou me move contra o facto dos judeus serem, comprovadamente, exímios e atávicos em todo o tipo de falcatruas monetárias. Considero até que isso é, neles, uma virtude idiossincrática. Tão própria como os ciganos venderem nas feiras, os ingleses roubarem tudo o que possam ou os portugueses odiarem a verticalidade e o estado de vertebrado com todas as suas forças. Tenho até uma certa admiração por essa faceta dos tais cujos. Ninguém diga ao pé de mim que o Madoff não foi um grande homem. O problema dos judeus é quando se incrustam no Estado e ganham acesso à política interna/externa  dum país. Aí, sim, conseguem ser puramente malfazejos e, invariavelmente, arruinadores. Veja-se o caso emblemático dos neoconas ou dos Rothshild da loja de acessórios para pet-políticos. Duas coisas deviam ser estabelecidas como tabus civilizacionais: não fazer mal aos judeus por atacado; não  permitir aos judeus, em modo ou tempo algum, o acesso à coisa pública. Querem politicar, emigrem para Israel. Quanto a serem ricos, é como os outros varrascos congéneres: à vontade. 


domingo, novembro 13, 2022

sábado, novembro 12, 2022

Uma Lei de Alterne

 Vamos lá então falar da tal "lei internacional" que os russos violaram... Parece que é a mesma que os do costume estão sempre a violar. Aliás, é uma lei bandalho, para não lhe chamar puta: uma fulana que existe para ser violada e espancada sempre pelo mesmo - o chulo. Mas ai do cliente que reclame!... O chulo tem todo o peso duma mafia atrás de si. E os mass-merdia por conta, passe a redundância.


Em resumo, o problema não foi os russos intervirem na Ucrânia. O problema foi que a Ucrânia já estava a ser intervencionada pelos amerdicanos e respectivos minions de bolso. Portanto, e à semelhança da Síria, o escândalo  oxidental não resultou da intervenção: foi mais do facto, real e concreto, da intervenção ser uma contra-intervenção. Os fofinhos estavam a operar e os outros brutos irromperam na sala de operações.


PS: Entretanto, e a propósito da mais recente fantochada eleiçoeira, com três letrinhas apenas se escreve a palavra democracia americana: RIP. Embrulhem.

terça-feira, novembro 08, 2022

Da Catastroica à Blitzcagada

 


Alex Krainer escreveu uma obra muito interessante acerca do período em que os russos foram epicamente pilhados. O famigerado período da Catastroika. Ou seja, quando descobriram que por muito mau que o comunismo fosse, e era, havia algo, por incrível que parecesse, ainda pior.  Foi como um salto do mau para o péssimo. Aquilo que se fazia passar como redenção ou cura do inferno era, na verdade, o super-inferno. O facto da obra de Krainer já ter sido, entretanto, duplamente banida pela censura ultrademocrata oxidental indicia , sem sombra de dúvida, que parece estar recheada de evidências e factos históricos. Eu, pelo menos, vou lê-la com toda  a atenção.  

sexta-feira, novembro 04, 2022

Acesso universal




É uma espécie de slogan mágico e panaceia multiusos: acesso universal. Acesso universal à educação, acesso universal à saúde, acesso universal à justiça, acesso universal à internet, à habitação, aos transportes, ao emprego e até ao saneamento básico. Isto, em tese, chega até a ser muito bonito e longe de mim contestar o que quer que seja. Mas com tanto acesso universal o mínimo que seria de esperar é que os desequilíbrios obscenos, as desigualdades grosseiras e os atropelamentos sociais diminuíssem coisa que se visse. Que, por exemplo, o acesso universal à educação resultasse num acesso , senão universal, pelo menos crescente, ao emprego. Enfim, dava jeito. Às pessoas e ao país. Era bom sinal. Ora, o que se assiste, cada vez mais, é um acesso universal à educação que resulta num acesso esmagador ao desemprego ou à precaridade crónica. Como explicar então isto? A malta tem o melhor dos sistemas, destilado das meninges dos mais profícuos cientistas sociais, e no fim do alambique o que extrai é uma zurrapa absolutamente intragável e sem ponta de préstimo. Quer dizer, em vez de funcionar, todo o formidável aparato, disfunciona. Como reparar a coisa?

Ora, aqui, vão desculpar-me, os leitores, mas socorro-me duma ideia dum contertúlio meu. Segundo ele, há um acesso universal sem o qual nenhum dos outros, por mais bem intencionado, lubrificado ou aparafusado que pareça., não só não funciona, como é garantido que empana: é o acesso universal â corrupção. Em tempo, suspeitei seriamente da bondade desta tese. Mas hoje não vejo já como refutá-la.

Chocante? Olhem à vossa volta. Ali, guincha um saguim qualquer não sei que libelos contra uns corruptos quaisquer que escabujou numas negociatas. Mas fitem com atenção, mais a devida lupa: na verdade, escama-se e inflama-se contra uns rivais do partido adversário que, mais que roubar, impedem os da laia dele se locupletem como lhes convinha e a ressaca apoquenta. Acolá, um espectáculo em tudo equivalente: um outro sicofanta qualquer delata um papa-figos camarário porque, basicamente, se esqueceram de lhe untar as patas ou não cumpriram com a comissão prometida. Mais abaixo, duas ex-comadres zangam-se e toca de largar surro na via pública e nas pantalhas. Enfim, é um fartar gandulagem por tudo quanto é televisão, rádio, jornais e até nos blogues. Nunca vi lugarejo, e tenho dúvidas que exista, onde se movesse um tão ruidoso e desenfreado combate à corrupção, a todas as horas, dias e minutos, e, ao mesmo tempo, onde ela tão, viçosa e imarcescível, proliferasse. Aliás. já estou como o Marechal Goering quando dizia que se lhe falavam em cultura ele corria logo a pegar na espingarda. Eu sei que o marechal do Reich não é exactamente uma referência exaltante, mas a tirada tem a sua piada. E eu, em contrapartida, não é quando me vêm com a cultura: é com a corrupção. A sério, quando vejo alguém a armar ao palhadino contra a corrupção, tendo logo a levar a mão ao bolso para ver se ainda tenho a carteira e o relógio. Por outro lado, neste jardim à beira-mar estagnado, a corrupção é praticamente sinónimo de cultura. Pior, se olharmos com atenção, onde a corrupção mais grassa é entre aqueles que era suposto combaterem a corrupção. Depois, a corrupção processa-se a vários domínios, níveis e qualidades: pode ser económica, política, moral, profissional, legal, artística, científica, etc. Há para todos s gostos. Notem até alguns preceitos caricatos: Os profissionais mais corruptos do país - os jornalistas - arrogam-se, com grande pompa, como os maiores combatentes contra a corrupção. Sou só eu a vislumbrar o paradoxo? A classe cientificamente mais corrupta do país - os médicos - arvoram-se como os grandes combatentes contra a corrupção física das pessoas. Outra contradição feroz. E podia continuar por aí adiante. Portanto, combater a corrupção é, em primeiro lugar, um embuste (conversa para boi dormir) e, em segundo lugar, na maior parte das vezes, o vestibular da própria corrupção. Ora, assim sendo, se não é possível combatê-la, a única alternativa sensata que lhe vislumbro é torná-la acessível a todos. Porque é que há-de ser condição de acesso ao governo por qualquer incapaz o pertencer a um partido político? Qualquer pessoa (e quanto mais despreparada, melhor) deve auferir desse direito natural de corromper a governação do país. E quem diz postos na governação, diz cargos nas administrações, lugares nas comissões, empregos bem remunerados (e metafísicos) na função pública. Porque é que há-de ser exclusivo - ao pedigree, à casta, ao partido, à seita, à loja ou capelinha -, e não inclusivo, ou seja, verdadeiramente democrático? Problemas práticos na execução desta justiça social:  como é que um pobretanas corrompe um juiz, ministro, PCAdm, ou coisa que o valha? Então, criem-se linhas de crédito, linhas de apoio ao pequeno e médio corruptor empresário, subsídios europeus a fundo perdido, associações e carteis de pequena escala... O importante é estimular o investimento, abrir a sociedade ao empreendimento, ao bom ambiente de negócios, à iniciativa privada! Removam-se falsos entraves, vedações artificiais que não têm como intuito impedir a corrupção, mas apenas canalizá-la e cativá-la para os privilegiados da ordem, escamoteando-a à generalidade da população (que, no fundo, a paga e sustenta, mas a ela não tem acesso). Já é mais do que hora de acabar com este feudalismo encapotado!

Acesso universal ao voto? Muito bem. Mas não basta. Está mutilada a justiça, amputada duma metade essencial: eleger podemos todos, mas montar no poleiro só podem uns poucos, que lá se alcandoram já sabemos através de que manigâncias e processos tortuosos. Importa estabelecer o quanto antes também o acesso universal à lista, ao caderno, à cerimónia de posse e respectivos beberetes, coquetéis e salgadinhos!
Aliás, mesmo o acesso universal ao voto está coxo, claudica duma forma gritante: os menores de 18 anos ainda se veem barrados e oprimidos. E isto quando, mentalmente, todos estagnam, cristalizam e são mantidos em estufa nas 12 primaveras. Ou seja, todos têm 12, ou menos, e, no entanto, os que têm 12 coincidentemente com o BI não podem exercer o seu direito de voto. Nem, tão pouco, e para cúmulo, o seu direito legítimo a serem eleitos e, assim, dum modo democrático pleno, poderem contribuir para a alegre corrupção da nação. E anote-se o escândalo: um jovem racional de 12, ou 10 ou 8 anos não pode concorrer ao parlamento; todavia, um retardado mental com uma idade difusa, algures entre os 7 meses de gestação e o berreiro molhado à saída do orifício materno, para lá zanza proferindo parvoíces em série e respondendo pelo epíteto de Rui Tavares (e abichando subsídios e ajudas de custo em barda). Já estivemos mais longe se se elegerem literalmente burros ou outros muares solípedes, em reprise do senador cavalo de Calígula, e, todavia, continuam a bloquear-se as crianças da espécie humana. Que já podem até mudar de sexo, mas não podem plantar a alcatra na Assembleia ou no Conselho de Ministros.  Quem não se indigne com isto, uma tremenda injustiça destas, é porque está morto.

Em suma, e para terminar: acesso universal, sim senhor! À Corrupção, acima de tudo. Eis a chave do nosso futuro. O fecho da abóbada das nossas descobertas, a cura desta nossa paralisia ancestral.
Mas, entretanto, que escuto eu, aqui mesmo a meu lado?... Um rebate de consciência, será? Um lampejo de cepticismo atávico... Até o Engº Ildefonso Caguinchas me fita com um certo ar de gozo... "Acesso universal", pá?, mofa ele. "Aí, acabas logo com ela!" "Se é para todos, acaba por não ser para ninguém!"   
É capaz de ter razão, o sacana do engenheiro. A puta da humanidade é mesmo assim. Quando quer dar cabo duma coisa instala-lhe, à porta, o tal "acesso universal".  

quarta-feira, novembro 02, 2022

Genealogia da Russofobia




 Mas, afinal, donde emana esta nova religião do "ódio visceral e espumante aos Russos". Não estamos a falar dos Soviéticos, isso, a limite, nós e a grande maioria dos russos, fora da nomenklatura e do aparelho partidário, sempre detestámos. Todavia, os Soviéticos serviram, numa dada época, de subterfúgio, de pretexto pasteurizado. Mas para os anglos, sempre se tratou dos russos. Durante o pós-revolução apoiaram os vermelhos contra os brancos, os bolcheviques contra os imperiais, porque isso, no seu  pérfido entender, iria conduzir à destruição do grande potentado. Não conduziu, aquilo não se fragmentou. Para cúmulo, os  soviéticos e a indústria alemã tornaram-se grandes amigos: os alemães forneciam maquinaria e engenharia; os soviéticos devolviam os comboios com matérias primas. Ó da guarda, alerta, isto não pode ser! Toca de financiar o nacional-socialismo e promover a guerra entre os dois convivas. E toca de engodar os alemães até às fronteiras de Leste. No dia em que as divisões da Wermach desembestaram na "Barbarrossa", abriram-se garrafas de champagne em Londres e Washington. A coisa começou promissora, mas acabou mal. Não era bem aquilo o projectado. Agora os Soviéticos já assentavam arraiais em Berlim: não só não se haviam esfarelado, como montavam praça em metade do resto da Europa. Não faz mal, passemos ao plano B: cortina de ferro e guerra fria. Até porque temos a Bomba. Um Papão dá sempre imenso jeito. E o Medo é o melhor dos auxiliares de pastoreio. E aqui chegados, recapitulamos a essência da questão: os Soviéticos? Apenas na aparência, na maçada do momento. Mas, no fundo, os Russos.  O Imperialismo russo, o colonialismo russo, em suma, a imensidão da riqueza russa. 

Para este circo actual da Ucrânia, dispensemos até os dois principais palhaços heróis, um tal Banderas e um outro alucinado qualquer da mesma estatura. Massacres de judeus e polacos foram uma farturinha, assim na ordem das dezenas de milhar, mas isso são alcagoitas para quem vive de megalomanias gasosas como o Santo Holocausto. Passemos a coisas sérias.

Chamava-se Dobriansky e nasceu em Nova Iorque. Os pais tinham emigrado da ucrania. Estudou, na Universidade de Nova Iorque, trepou a professor universitário. E, num ápice, ei-lo entronizado perito-mor da União Soviética e anti-comunista épico. Depois, como nisto da monarquia de pacotilha também funciona a hereditariedade, ao rei-especialista Soviético, sucedeu a filha, Paula Dobriansky, a Segunda. É quem actualmente reina no potentado do cuspo anti-russo. Com a vantagem, que já nem precisa de andar mascarada de "anticomunista".  É Russofobia a vapor e a descoberto. Anything goes, como eles gostam de labiar naquela linguagem canina.

Mas voltando ao Dobrianski fundador... A criatura orna-se do título espaventoso de "anti-comunista?Significa  que não gosta nada de comunistas? Ou, mais especificamente, de soviéticos? Não: significa que não gosta de russos. Tem mesmo toda uma diarreia literária sobre o assunto. Sobremaneira num opúsculo intitulado "The vulnerable Russians". Para nosso grande espanto o feroz "anti-comunista" de plantão, afinal, até é marxista; e uma das contundentes acusações com que mima os odiados moscovitas é de terem traído e tripudiado o santo Marx. Escreve ele, a dado ponto:

«Increasing numbers o.f students dealing with the Soviet Union are recognizing the basic iпelevance of Marxism to both the policy and the practices of Moscow. However, in many cases the realities of Soviet Russian imperiocolonialism and the captive non-Russian nations in the USSR still elude them. For example, а work which has been advertised as а text on Communism, but is shot through with these defects, nevertheless makes the worthwhile point that the Russian totalitarian conspirator Lenin turned Marx's ideas upside down.»

 Portanto, a questão não é o comunismo pinoia nenhuma: o problema, a comichão, é o imperialismo russo. Sempre foi. E parece que continua a ser.  A tese de arremesso e conveniência resume-se a dois conceitos de carregar pela boca: os russos opressores; as nações cativas dos russos. Ou seja, dum lado, os malvados carcereiros de Moscovo, do outro, as nações encarceradas e amordaçadas nos seus legítimos anseios a tornarem-se... sim, claro, a limite, americanos.  Pois, em contraposição ao tal estado infernal, temos, natural e invariavelmente, o estado paradisíaco representado pelos Estados Unidos. Nada de equívocos, Dobriansky considera-se, e justamente, um "americano". E a pulsão americana, isto é, a vontade intrínseca que habita todos os povos em tornarem-se americanos é um facto soberano e avassalador que ninguém, no seu perfeito juízo, ousaria duvidar (quanto mais pôr em causa). A descrição idílica desta fantasia particularmente tonta aparece fetidamente exposta logo na abertura da famosa «Public Law 86-90 and the First Proclamation» (uma aberração jurídica, onde a típica humildade americana compete, em  correria louca,  com o respeito atávico pela soberania das outras nações): 

«Whereas the greatness of the United States is in large part attributable to its having been able, through the democratic process, to achieve а harmonious national unity of its people, even though they stem from the most diverse of racial, religious and ethnic background; and Whereas this harmonious unification of the diverse elements of our free society has led the people  of the United States to possess а warm understanding and sympathy for the aspirations of peop1es everywhere and to recognize the natura1 interdependency of the peop1es and пations of the wor1d;»

Quer dizer, "enquanto a  grandeza americana é bestial, porque resultante maravilhosa do "democratic process"... - (e, assim de repente, vem-nos à ideia toda a panóplia de processos harmoniosos e democráticos como os estados Confederados foram ocupados e terraplanados pela Seita Nortista; ou como o Novo México ou a Califórnia foram rapinados ao México; ou como o Alaska foi comprado; ou como o reino do Hawai foi americanizado na ponta das espingardas dos marines, etc. E isto já para não falar no processo justo e isento de sufrágio universal como os americanos genuínos, aka, pele-vermelhas, foram desapossados das suas terras pela chusma de colonos europeus altamente afáveis, liberais e law lovers. Em suma, o projecto colonial mais selvagem e genocida da história humana arroga-se, logo de seguida, o direito, mais: o dever semi-divino, de "descolonizar" por onde muito bem entenda e a cobiça atice.) -  já a grandeza alheia, especialmente a russa, constitui uma verdadeira afronta à harmonia e aos valores liberdadeiros, entenda-se, à "grandeza americana". Não é difícil perceber que tudo isto não ultrapassa o monte de bosta sem ponta por onde se pegue. Mas todavia constitui escola, receita, vademecum e tábua bíblica que não se cansam de esgrimir e verberar como se de um dogma transcendente e inoxidável se tratasse. É a imposição duma pseudo-sinfonia através da repetição ad nausea do mesmo ruído decapante.

Este estabelecimento do circo mais imoral de todos como a base emissora e o trampolim operativo de toda a Moral seria apenas cúmulo de anedota se não degenerasse invariavelmente em cúmulo de crime e carnificina. Como ainda hoje assistimos, em episódios consecutivos, por esse mundo fora. Chamam-lhe exclusivismo, que é uma ideia com barbas e odor a arbustros queimados.

Por outro lado,  deparamo-nos, não raramente, com o  espectáculo deprimente de ingénuos a argumentarem com zombis. Protestam, os primeiros, que os actuais russos nada têm que ver com os soviéticos. Sem  perceberem, logo à partida, dois quesitos basilares: 1. um zombi é, por natureza e vocação, imune ao argumento; 2. Soviético, não-soviético, comunista, não-comunista, tradicional, o que seja, é tudo igual; não é o acessório que o zombi, por débito de horda, odeia: é mesmo a essência. Compete odiá-los porque são russos. Têm algo que nos interessa. E se houve algo que esta cegada da Ucrânia veio escancarar é que o ódio aos russos já não precisa da máscara do anti-comunismo (embora ainda se maquilhe com as borradelas desbotadas do antifassismo ou da anti-autocracia)... Façam o que fizerem, os russos são odiosos e urdem contra nós; do mesmo modo que, façam o que fizerem, os americanos são amoráveis e só querem o nosso bem.  São inoculações e xaropadas sucessivas, metódicas e avassaladoras deste tratamento psico-esterilizante até ao estado actual de descerebração colectiva que faz as vezes de "Ocidente".  Aliás, tal qual Lev Dobriansky já tinha estipulado: o problema nem é serem comunistas (porque, bem esprimido, até nem são, de boa cepa): o problema é serem russos. A ofensa da Rússia não é ser isto ou aquilo, assim ou assado. A ofensa imperdoável, a afronta inadmissível é... existir. 

Entretanto, quem continua ainda a mascarar-se, com todos os panachos e ouropéis, é o colonialismo anglofórico. Desfila sempre vestido de descolonização último grito. O genocídio é a sua marca de água.

 

segunda-feira, outubro 31, 2022

Yankees go to hell!

 Protestos por toda a Europa. A subirem de tom e número.

"Let's Get Out Of NATO": Discontent Soars Across Europe As Russian Sanctions Backfire


Posso até aproveitar para sugerir um novo e mais apropriado slogan  (em vez do gasto e estafado "yankees go home!"): Yankees, go to hell! Pois. E ide depressa...O papá que vos ature.

Censuro, logo existo



«Hundreds of ‘woke’ Twitter employees flee to Facebook and Google so they can continue censoring users»

Falar-se num retrocesso ao tribalismo, neste nosso ocaso civilizacional, é, claramente, uma manifestação desenfreada de optimismo. Estamos, tudo o indica, de volta, isso sim, às hordas ululantes, primitivas, antropófagas e pré-racionais. Entre estes "wokes" e os chimpanzés, a distância é mínima; tanto quanto o abismo que os separa da raça humana consegue ser, na melhor das hipóteses, desmesurado. Não é o Fim da História: é a Pré-história. 
Não se trata dum retrocesso: é mesmo um colapso bramante na evolução. Vários milénios duma assentada pela pia abaixo. O maior atestado alguma vez visto da futilidade dos delírios do pastor Darwin.

sexta-feira, outubro 28, 2022

Das ordinarices à desdolarização expresso

« This is the dark origin of Schwab’s Great Reset agenda where we should eat worms and have no private property in order to “save the planet.” The agenda is dark, dystopian and meant to eliminate  billions of us “ordinary humans.”»

Neste conflito entre os super-ordinários e os ordinários, tenhamos esperança em que algo de extraordinário aconteça.


Entretanto, alguém parece estar a ficar cada vez mais isolado... E não é a Rússia, pasme-se.



Até tu, Brutus Israel!....

quarta-feira, outubro 26, 2022

Notas acerca da Cultura - IV. Os Mentecastos




O quadro geral em vésperas do 25 de Abril era, grosso modo, o seguinte: uma elevada percentagem de analfabetos honestos, uma grande quantidade de brutos e uma percentagem crescente de analfabrutos (ou analfabetos desonestos). Passados 48 anos de democracia, ou treta que o valha, diminuiu consideravelmente a percentagem de analfabetos, cresceram desmesuradamente as resmas de brutos & analfabrutos. E emergiu, entretanto, uma casta rutilante e novíssima: a dos mentecastos (que são asnautas  que adquirem misteriosos diplomas embora permaneçam virgens a qualquer tipo de cultura - ou sequer educação - séria). O Mentecasto, não obstante, entrega-se de corpo e desalma ao ascensorismo social e, se possível, caso o pedigree (ou o seminário Jota) o permitam, ao alpinismo político, entenda-se, burrocrático. Fora isso, nada mais existe, a não ser enquanto mochila ou estojo de maquilhagem. O Mentecasto, nos casos mais histriónicos, pode até dedicar-se às artes, ao jornalismo ou à comédia. Esse fenómeno, aliás, é cada vez mais frequente. Mas nada disso excede, em substância, o grau zero da publicidade, o panfletarismo de ocasião, o frete ao puxa-enxame do momento.

O mentecasto, tudo somado, é apenas um mentecapto ampliado, exorbitante, sobrexcitado. Após frequência universitária, sobretudo, não é a inteligência que vê desenvolvida: apenas a estultícia, a impostura, a brutidão intrínseca. Poderá até chegar a ministro, e em muitos casos até chega, mas isso apenas atesta da sua mentecastidade, ou seja, de sua impermeabilidade a qualquer tipo de espírito próprio ou pensamento original. Completamente destituído de resquício de princípio ético acima do seu interesse umbilical, de qualquer sentido genuíno de comunidade ou despojo altruísta, avança pela existência e - enquanto irrisão desta - pela carreira, como mera esponja aderente à coisa do momento, entenda-se: à mais recente invenção dos progressionários aflitos com a urgência urinária de tudo mudar para que tudo fique na mesma; ou para que a ilusão avance, mas a realidade não saia do mesmo sítio.

Anedotiza-se hoje, frequentemente, acerca do cinto de castidade medieval. Era usado como forma de vedação à volta do sexo das damas. Simboliza, aos olhos altamente emancipados e evoluídos do presente, todo uma época de costumes repressivos, tenebrosos e anacrónicos. Merece todo o escárnio e censura da paróquia. E com que galhofas o mimam! No entanto, se repararmos com viva atenção, sobretudo nestes últimos decénios, alastra todo um aparato repressivo e enclausurante, não já tanto do sexo, mas sobremaneira do espírito, do simples pensamento. O cinto de castidade é agora (também e sobremaneira) mental. E vem mascarado de preservativo das ideias. As damas medievais, na ausência do legítimo cavaleiro, viam-se confinadas nas partes genitais a uma espécie de armadura obstrutiva; os cidadãos actuais, masculinos e femininos, caso engulam avidamente todas as pílulas e pastilhas publicitárias que lhes subministram, da escola aos jornais e televisões, do berço à sepultura, vêem-se emparedados na alma (e, sobretudo, da alma), cercada a toda a volta pelos muros, vedações e arames farpados dignos dum presídio de alta segurança. Mais até que um presídio: um mosteiro das carmelitas descabeçadas. Em vez do voto de silêncio, o voto de amorfo: palrar até devem, o mais possível, e convulsivamente (sobretudo ao telemóvel, pela boca, pela tromba e pelos dedos); pensar é que não, ainda menos autonomamente. Até porque o não-pensar traduz-se doravante numa forma de "pensamento" colectivo, insectiforme. Massivo. Espécie de código químico das formigas transmitido a partir duma central-rainha. A massa amorfa não raciocina: debita, repete, reverbera. Os acontecimentos são-lhe explicados (e afunilados) a toda a hora. Por hordas de retransmissores e antenas repetidoras - especialistas, peritos, videntes e bruxas laicas, científicas, iluminóides, que convertem e sintetizam a complexidade noticiosa numa papa milupa digerível para enxames pueris retrocambiados, em espécie, ao estado larvar. A própria notícia já não refere ou descreve o acontecimento: interpreta-o, mastiga-o, regurgita-o, quando não o reinventa ou cria mesmo ad nihil. Também as moléculas putativamente individuas que compõem a  multidão uniformizada, em bom rigor, não é apenas na parte psíquica que experimentam a cerca: o próprio sexo é-lhe, gradual e sistematicamente, truncado, desactivado,  legalmente confiscado. O cidadão é cada vez menos homem ou mulher, pai ou mãe, masculino ou feminino: torna-se qualquer  coisa acéfala, assexuada, desossada, caótica e reduzida à tal mentecastidade induzida, cultivada e obrigatória (no caso das falsas-elites, exibida e ostentada como emblema, bandeira e totem dum novo feiticismo - travestido de racionalidade culminante da história -, como prova, certificado, diploma inquestionável do seu direito sagrado  ao pedestal definitivo  da virtude). Donde é fácil intuir que o vácuo mental é centrípeto: tudo aspira e tritura em forma de vórtice, ralo, buraco negro. No fundo, das elites postiças às maralhas avulsas, é tudo a mesma massa, sujeita à mesma batedeira, fermento e levedura.

De que riem então quando riem do tal cinto de castidade medieval? Não riem: zurram. Detrás do cabresto e antolhos, atrelados à nora ou à carroça.  Albardados e afivelados, da cabeça aos genitais, de psico-artefactos tão ou mais herméticos e repressores que o célebre protótipo medieval. E tanto mais tenebrosos e sádicos quanto mais dissimulados e reforçados com rituais delirantes de auto-flagelação, auto-mutilação e, no zénite de toda a inerme descese ao esgoto da obscenidade puritana, impotência triunfal. Ou não funcionassem esses acessórios sado-compulsores, como qualquer sistema securitário avançado, em regime de redundância. Pois, na verdade, estes cativos modernos, além de envergarem, com vaidade e ufania, a medonha e ferruginosa cueca, dão-se ainda ao requinte de se castrarem e esterilizarem todos, muito bem esterilizados e capadinhos, por devoção beata e ultramilitante. E não exclusivamente das ideias como da própria vontade. Incapacitados e vegetalizados tanto para o real pensamento, como para o genuíno amor. Seja este pelo sexo oposto, em particular, seja, em sentido lato,  pelo seu semelhante e congénere humano. 

E assim desembarcamos no promontório final: o mentecasto degenera e desfila, invariavelmente, arvorando um mentecasco. Casco de barril de surrapas e casco de ferradura. Porque, no seu simulado orgasmo pudibundo, fruto chocho do onanismo social de circunstância,  o mentecasto nada tem de angélico... Bem pelo contrário: é uma pura, maquilhada e refinada besta. Sem emenda nem remissão possíveis.