terça-feira, novembro 07, 2006

Línguas

A Literatura fala francês; A Filosofia, grego e alemão.
A Economia e a finança debitam em inglês.
Português fala o passado, o mar e o coração.
E o futuro? - Bem, por este andar, fala chinês.

63 comentários:

Anónimo disse...

A literatura fala francês???? Por cada bom escritor francês existem 10 bons escritores ingleses e irlandeses.

Realmente, há gente que acredita em tudo o que quer.

josé disse...

Um professor da Clássica de Lisboa( António Feijó), de Letras, uma vez contou-me uma história:

Conhecia uma pessoa que só lia Dickens. Lia e relia toda a obra. Achava que estava lá tudo o que era preciso ler.

Para Dickens, haverá algum francês a cheirar a alho que o tempere?

Balzac, peut être?

E onde estarão os outros nove?

Acoral disse...

Chinês? Se não morrerem todos (ou alguns muitos) da poluição q produzem!

JSM disse...

Caro Dragão
Concordo e discordo: ter e haver, ser e estar, em inglês é "to be or not to be", não têm tantos verbos, e portanto, tantas alternativas como nós! O francês 'avoir' quer dizer duas coisas, como na língua pobre dos indígenas!
Chinês é língua de chineses, ponto final.
Vá, então responda lá: qual é a língua do pensamento humano? Aquela que tem tantas alternativas que nem nós que a falamos a entendemos?
Se não falássemos português não tínhamos chegado à Índia.
Um abraço.

dragão disse...

As pessoas quando são ignorantes deviam cultivar o silêncio.

Rabelais
Villon
Racine
Moliere
Rostand
Cyrano
Diderot
Sade
Perrault
Voltaire
Rousseau
Montaigne
Beaumarchais
Baudelaire
Rimbaud
Allais
Barbey d'Aurevilly
Huysmans
Jarry
Victor Hugo
Chateaubriand
Stendhal
Flaubert
Zola
Gautier
Gide
Cravan
Céline
Vian
Apolinaire
Gautier
Verlaine
Nerval
Queneau
...

Chega?

MP-S disse...

Marguerite Yourcenar.

eheheh desculpa la', o' Dragao, nao resisti!! :O))

dragão disse...

Bem, nesse caso, se formos para a 2ª e 3ª divisão, é um dilúvio.

Anónimo disse...

Camus...

dragão disse...

Ao JSM:

meu caro, essa é uma conversa que pertence a outro nível, que não o público.
E não é. Mas poderia ser - se houvessem navegadores audazes, agora no oceano do espírito como os antepassados no da matéria, a arrostar essa destemida aventura.

Anónimo disse...

Quem acha que Dickens tem tudo é porque nunca leu Zola...

Anónimo disse...

Malraux?...

josé disse...

O que achei piada foi que na lista draconiana não aparece Balzac...

Ahahahah! Nem era preciso.

dragão disse...

O Balzac já tu tinhas mencionado. Mas podia ter acrescentado esse e mais cinquenta e tantos outros.
Lixo, então, são aos milhares. Assim ao nível de 90% dos anglo-saxónicos. Bem, minto, ao nível desses, são milhões: qualquer porteira ou taxista de Paris. :O)

Anónimo disse...

Que lista tão curta a dos escritores franceses e ainda por cima inclui filósofos e dramaturgos que não são tradicionalmente considerados literatura. Teve que ir mesmo raspar o fundo do barril!..

Para o José, alguns dos outros nove, escolhidos entre os mais populares:
Ingleses: Shakesperare. Wilde. Joyce. Byron. TS Elliot. Woolf. W Yeats. T Hardy. DH Lawrence. Austen. Pound. Huxley. Waugh. Greene. Golding. Lessing. Rushdie. Naipaul. Americanos: Allan Poe. Twain. Fitzgerald. Hemingway. Steinbeck. Dos Passos. Faulkner. Wolfe. H James. G Stein. P Buck. Bellow. Burroughs. Miller.

Warsalorg disse...

Grande Baudelaire...Tambem pode por o Pascal na lista...

zazie disse...

dispensa-se:

Woolf? (Virginia?); Byron; Waugh; Rushdie?!?!; Steinbeck; H. James; P. Buck (Pearl Buck??!!?); Miller(todo para o lixo) e grande parte do Burroughs.

zazie disse...

lessing? que Lessing inglês?

Na verdade, salvava o Shakespeare;O. Wilde; Yeats; T.S. Elliot; Pound; Quincey; William Carlos Williams; o Allan Poe, Mark Twain; Faulkner e acrescentava-lhe o Philip Larkin em poesia. Esse sim.

dragão disse...

E estão a esquecer J.K.Rowlands e Dan Brown...

MP-S disse...

"J.K.Rowlands e Dan Brown..." E a Enid Blyton, o' meu!

Bellow e' uma grande estucha (li o Ravelstein e ainda nao recuperei da cretinice...). O Dos Passos e' muito bom, sim senhor. Deixaram de fora o Conrad!!...

Entao e os alemaes, hem? Thomas Mann, Max Frisch, Joseph Roth, Alfred Doblin, Brecht, Goethe, Kafka (escreveu em alemao), Musil (idem), Schiller, Nietzsche, Buchner, Broch, ... va' la', deem uma ajudinha e continuem a lista.

Nos franceses, tambem devia ir o Camus. Ja' sei que achas que e' da segunda divisao, o' Dragao, mas o Maniche tambem vinha da segunda (segundo ouvi dizer) eheheheh

Anónimo disse...

Doris Lessing. Também haverá uns que gosto menos, tal como também não me interessa a poesia deprimida e paranóica de Larkin. Mas compreendo que os sorumbáticos portugueses gostem dele.

MP-S disse...

E agora apetecia-me acrescentar o Bulgakov, mas o sacana era russo.... va' la', um dois tres: Dostoievski, Tolstoi, Chekov,...

zazie disse...

Não conheço. O Lessing é genial mas é um tipo de poesia que requer inteligência.

O Larkin é mesmo um caso à parte na poesia. Não é sorumbático, é pessimista. Aliás, se gosta do Elliot, não se percebe como não entenda Larkin.

Mas se gosta de Pearl Burke fica tudo entendido. Nem é preciso mais nada.

zazie disse...

mp-s: os russos são os maiores!

zazie disse...

Os ingleses não têm grande tradição artística. O que ha´de melhor ainda é Irlandês mas a Irlanda é outra coisa.
A tradição pictórica inglesa é uma das maiores desgraças. Se não fossem para lá os flamengos nem retrato tinham
ehehe
Têm sentido de humor. Do melhor do mundo, isso sim. Só pelos Monty Python está salvo o convento. E têm uma boa Idade Média.

zazie disse...

mp-s: tens razão- o Conrad e o dos Passos.

zazie disse...

errata: o Larkin é que é genial!

Não gostar do Larkin e incluir P.S. Burke... assim como assim o Dan Brown

E o Miller é asqueroso. Nunca percebi como se pode gostar daquela trampa.

Anónimo disse...

"Os ingleses não têm grande tradição artística."

O que interessa isso na literatura? Sensibilidade é o mais importante, a essência, o conteúdo. Os europeus pelo contrário ligam muito à forma, à estética, não admira que produzam melhores pintores.

zazie disse...

Pois não interessa. Foi uma derivação. Também falei do sentido de humor. Mas os ingleses não são europeus?

O que se estava aqui a mostrar é que os franceses têm literatura mil vezes melhor que a Inglesa. E é um facto, absolutamente verdadeiro.

zazie disse...

Nesse caso também não se entendia o Larkin que é umas das mais conseguidas misturas entre sensibilidade e inteligência. No caso do Larkin é que nã o estou a encontrar paralelo deste lado. Mas posso estar a ver mal

Anónimo disse...

"O que se estava aqui a mostrar é que os franceses têm literatura mil vezes melhor que a Inglesa. E é um facto, absolutamente verdadeiro."

Então no seu entender quais serão os franceses melhores poetas que Shakespeare ou Larkin?

zazie disse...

Acabei de dizer que não encontro paralelo com o Larkin.

zazie disse...

mas o Larkin também não tem paralelo com muito mais e nem é assim tão conhecido. V. até lhe chamou sorumbático.

MP-S disse...

E o Melville.

zazie disse...

Dawn

to wake, and hear a cock
Out of the distance crying,
to pull the curtins back
And see the clouds flying-
How strange it is
For the heart to be loveless, and as cold as these.

Anónimo disse...

I rest my case.

zazie disse...

só mais este:

Talking In Bed

Talking in bed ought to be easiest
Lying together there goes back so far
An emblem of two people being honest.

Yet more and more time passes silently.
Outside the wind's incomplete unrest
builds and disperses clouds about the sky.

And dark towns heap up on the horizon.
None of this cares for us. Nothing shows why
At this unique distance from isolation

It becomes still more difficult to find
Words at once true and kind
Or not untrue and not unkind.

zazie disse...

e agora vou postar um Larkin para o Timshel

";O)

zazie disse...

Só uma pergunta:

Leu o Rabelais e o Molière?

zazie disse...

Só uma pergunta:

Leu o Rabelais e o Molière?

dragão disse...

Vale mais o nosso Pessoa que a poesia inglesa toda junta.
E o Larkin nem os calcanhares do Bocage aflora.
Quem tiver dúvidas, desafio já para um duelo florilégico.

MP-S disse...

Par les soirs bleus d'ete, j'irais dans les sentiers,
Picote' par les bles, fouler l'herbe menue:
Reveur, j'en sentirais la fraicheur 'a mes pieds.
Je laisserais le vent baigner ma tete nue.

Je ne parlerai pas, je ne penserais rien:
Mais l'amour infini me montera dans l'ame,
Et j'irai loin, bien loin, comme un bohemien,
Par la nature - heureux comme avec une femme.

*********

Le loup criait sous les feuilles
En crachant les belles plummes
De son repas de volailles:
Comme lui je me consume.

Les salades, les fruits
N'attendent que la cueillette;
Mais l'araignee de la haie
Ne mange que des violettes.

Que je dorme! que je bouille
Aux autels de Salomon.
Le bouillon court sur la rouille,
Et se mele au Cedron.

dragão disse...

Ó Zazie, faz favor traduz isso para uma língua civilizada. Eu, em inglês, só leio jornais. :O)

dragão disse...

Ah-ah!,que vejo eu? - O MP-S já lhes está a cascar com o Rimbaud!... Ah, valente!...

Anónimo disse...

A Zazie escolheria Moliére a Shakespeare? Comparo os dois porque são da mesma época.

zazie disse...

ehehehe O Larkin é muito bom. Podes crer.

Tina: não tem comparação.

O malandro do mp-s é que já respondeu a preceito.

Mas o Rimbaud também não tem qualquer comparação com o Larkin.

zazie disse...

Quero dizer, são coisas diferentes.

zazie disse...

agora essa do Larkin ao pé do Bocage é que me mata a rir

":O)))

dragão disse...

Isso não se faz, Zazie. Desmascaraste a nossa "anónima misteriosa" apreciadora de José.
Eu aqui caladinho que nem um rato (um rato-dragão, diga-se) e tu catrapás.

Mas para te matar a rir não tenhas dúvidas que o Bocage é o indicado. :O)
É o nosso Rabelais em verso.

Anónimo disse...

"Não tem comparação"

Desaponta-me que queira ganhar um argumento a toda a força sem conseguir substanciá-lo minimamente. Afinal, não adianta ler-se muito e ser-se muito erudito quando de facto não se aprende nada.

zazie disse...

ups! foi sem querer. Juro! também estava caladinha desde ontem mas agora escapou

":O))))

JMS disse...

Dragão, vejo que és francófilo e francófono, e ninguém te nega o gosto e o direito de o ser, mas a literatura em língua inglesa é muito superior à de língua francesa. A França só fica a ganhar se a compararmos exclusivamente com a Inglaterra, e mesmo assim só na prosa, pois na poesia leva uma cabazada das antigas. E a sua superioridade na prosa deve-se toda aos maravilhosos 1o0 anos que vão de 1850 a 1950. Depois disso...

Anónimo disse...

Bem, se formos a falar dessa época nessa altura prefiro mil vezes os russos.

Em resumo:
Literatura - Inglês
Economia e finança - Inglês
Ciência e Tecnologia - Inglês

Hahahahaha! A looser is always a looser. How sad...

dragão disse...

jms, precisamente, não sou francofilo nem francofono. Sou lusofilo e lusofono.
Aliás, em matéria literária, e per si, considero o português superior a qualquer outra língua.
Os franceses certamente terão muitos deméritos.Mas não me parece a literatura o melhor parque para garimpá-los.
É claro que não podem nada,por exemplo, contra a literatura americana do século XVI ou XVII. Mas quem é que pode? Nem o nosso Camões, coitado.
Se bem que no fundo,se quisessemos ser mesmo rigorosos,a literatura, a filosofia e a ciência, tudo isso fala grego.
As pessoas confundem muito modas e berras com realidades. É um sinal da superficialidade contentinha com que promovem o umbigo a astro rei da criação.

MP-S disse...

Em resumo:
Literatura - Inglês
Economia e finança - Inglês
Ciência e Tecnologia - Inglês


Pois, pois... A grande fisica do seculo XX foi, em grande parte, obra de europeus. De varias nacionallidades, com os alemaes e colegas continentais em grande destaque. A criacao da biologia molecular foi ombro a ombro europeia e americana. Na literatura, esquecem-se que a Franca tem o tamanho do Texas e, ainda assim, compete nas calmas com os EUA e a Inglaterra juntos. Na economia, temos a Alemanha como o primeiro exportador mundial e a UE e' um igual dos EUA. Portantos...

ab disse...

"...a literatura americana do século XVI ou XVII."

LOL!
Ahahahahhaha

(essa foi injusta, mas está engraçada)

Anónimo disse...

"Se bem que no fundo,se quisessemos ser mesmo rigorosos,a literatura, a filosofia e a ciência, tudo isso fala grego.
As pessoas confundem muito modas e berras com realidades."

Ora vejam lá, então quem é que começou a dizer que a literatura falava francês? E depois chamou ignorante a quem discordou? E agora quando se lhe prova que está errado, diz que é tudo uma questão de moda.

E a sua amiga Zazie, onde é que ela se meteu depois de proferir que "se estava aqui a mostrar é que os franceses têm literatura mil vezes melhor que a Inglesa. E é um facto, absolutamente verdadeiro.", e depois não consegue dizer porquê, diz alguma coisa sobre Rabelais e Moliére, desconversa muito e desaparece.

Ladies and gentlemen, I introduce you the biggest fraud of the Portuguese blogosphere of 2006, Mrs. Zazie and her companion, Mr Dragonfly!!! Clap, clap, clap...

zazie disse...

pronto... já temos galinha a bordo. Foi-se a Sílvia vem a tina...

é sempre assim. cócorócórócó...
c'um caraças... até dão mau nome ao género

":O.

MP-S disse...

Convem reconhecerf que o Shakespeare e' muito atipico (ler muito acima da media) dentro da literatura inglesa. Tal como o Pessoa na portuguesa. Concluir que a literatura inglesa e' a melhor do mundo invocando Shakespeare e' como dizer que a portuguesa e' a melhor do mundo por causa de Pessoa. Talvez tenha sido a melhor dramaturgua do mundo num certo periodo no sec. XVI, tal como a nossa poesia foi brevemente a maior do mundo no inicio do sec. XX. E espero ter convencido os leitores que a poesia francesa foi a melhor do mundo nos 60s/70s do seculo XIX. :O) Nao me obriguem a ir buscar o Albatros, mas e' que vou mesmo, ca' vai:

Souvent, pour s'amuser, les hommes d'équipage
Prennent des albatros, vastes oiseaux des mers,
Qui suivent, indolents compagnons de voyage,
Le navire glissant sur les gouffres amers.

A peine les ont-ils déposés sur les planches,
Que ces rois de l'azur, maladroits et honteux,
Laissent piteusement leurs grandes ailes blanches
Comme des avirons traîner à côté d'eux.

Ce voyageur ailé, comme il est gauche et veule!
Lui, naguère si beau, qu'il est comique et laid!
L'un agace son bec avec un brûle-gueule,
L'autre mime, en boitant, l'infirme qui volait!

Le Poète est semblable au prince des nuées
Qui hante la tempête et se rit de l'archer;
Exilé sur le sol au milieu des huées,
Ses ailes de géant l'empêchent de marcher.

E ficamos conversados acerca do dito "success".

E, coerencias 'a parte, o Dragao tem razao quando recorda os gregos e as tragedias perante as quais todos nos (Shakespeare incluido, e ele sabia mais disso que nos) devemos prestar homenagem.

zazie disse...

mas aqui está a desperdiçar-se. É uma pena. Devia voltar para o Blasfémias que tem lá o Arroja para debates à altura.

zazie disse...

Eles também tiveram o Chaucer. Tiveram uma boa Idade Média.

zazie disse...

Este mp-s é que é um espanto!

(no outro dia disseram-me que pensavam que fosses meu filho
looooooooooooollll)

dragão disse...

Pôça, ó Tina, só mesmo uma inteligência relampejante como a sua para nos desmascarar com tanta argúcia e limpeza. Uau! Que maiêutica!...
Como é que adivinhou? Vigiou o mordomo?

Anónimo disse...

"Devia voltar para o Blasfémias que tem lá o Arroja para debates à altura."

Olha também a lata que esta tem!.. A menina querida de PA, como eles se derretiam de amores um pelo outro, ela achava-o tão engraçado ao princípio, e conseguia perceber tudo o que ele queria dizer com aqueles post sms, e o cristo pendurado na cruz, e nós todos boquiabertos, como ela lhe conseguia ler os pensamentos, que sintonia tão grande, feitos um para o outro, o casal perfeito!.. O que é que aconteceu então, zangaram-se? Levou assim tanto tempo à Zazie a perceber que ele era um tonto completo? É o que eu digo, não adianta ler muito quando não se aprende nada.