quarta-feira, novembro 15, 2006

Cobrança com juros

Aqui, na Toinolândia, basta desembarcar um qualquer xenofalante e é logo promovido a perito. Na semana passada, um tal Allan Beane andou por cá em pregação anti-bullying. Entre outras revelações estonteantes, transcrevo a que se segue:
«Os rapazes são os principais praticantes do bullying directo, ameaçando ou batendo em colegas mais fracos, enquanto as raparigas preferem o bullying social, caracterizado pelas ofensas, pela humilhação, disseminação de boatos maldosos e rejeição, explicou ontem o perito.»

Em Portugal, por enquanto, não corremos estes riscos. É bem de ver que, a níveis preocupantes, mais do que tem sido tradição nos últimos cinquenta anos, nem os nossos pré-adultos se entregam ao bullying directo, nem as nossas pré-adultas se comprazem no bullying social. Pelo menos enquanto estiverem, todos eles, entretidos com o bullying ocupacional, caracterizado pelas ofensas -morais e corporais -, e pela humilhação, difamação e perseguição dos professores.
É a nossa brandura atávica, pois é. Desde a mais tenra idade.
E sem praticarem, saudável e devidamente (ou seja, à americana) o bullying em pequeninos, como vão eles depois tornar-se compenetrados cidadãos modernos, empresários competitivos e bem sucedidos, num mercado cada vez mais liberal e globalizado? Não admira que o país não avance, que a terrinha nunca mais saia da cepa torta.
Entretanto, segundo revela o mesmo artigo, nos Estados Unidos, os Bullies esmeram-se na moléstia rotineira, os hiperactivos; e na retaliação a tiro, de vez em quando (ultimamente, quase todas as semanas), as vítimas mais infernizadas. Já em Portugal, estas últimas, inibidas pelas deploráveis idiossincrasias da raça, acumulam mansamente toda uma série de frustrações e rancores durante a carreira escolar, que drenam depois, através dum complexo sistema de psico-algália frenética, já adultos, ao longo da carreira profissional, na forma de retaliação retardada e particularmente virulenta. Tornam-se então, quase sempre, requintados e compulsivos sociopatas, dispostos a devolver com juros todo um património de humilhações, vexames, vilezas e menosprezos, agenciado ao longo dos primeiros vinte anos de existência. De certa forma, revivem esse período, mas invertendo as posições. É assim que o português, dotado duma mente mais evoluída que o seu congénere norte-americano, recorre à sublimação: em vez de descarregar directamente a tiro no colega agressor, opta por descarregar indirectamente no ex-colega, anos depois, e na forma, por exemplo, dum blogue ou coluna de jornal desvairadamente onfalépticos*, onde o ajuste de contas pessoal com todo um sistema público culpado e abominado é manifesto.
Porque é que acham que o João Miranda ficou assim?



*Onfaléptico - preso ao umbigo

10 comentários:

Anónimo disse...

Olha este a falar do João Miranda!... Não há ninguém que eu admire mais do que o João pela sua fleuma e senso de humor. O Dragão pode ir lá insultá-lo até ficar sem voz que ele não aquece nem arrefece. Enquanto que você próprio se amofina com qualquer coisinha que os seus comentadores digam e começa logo a insultá-los. Tem a mania que é muito bom e é tão dado a basófias, mas à mínima coisa perde logo a calma. É por isso é que é tão divertido vir aqui chateá-lo de vez em quando. E agora se isso o faz feliz, pode continuar e a complicar coisas simples, e a imaginar as teorias todas que quiser, a convencer-se disto e daquilo e a acreditar no quer, como é seu costume, só porque a realidade não lhe corre de feição.

dragão disse...

Na verdade, referi o João Miranda para chateá-la a si. E,como vê, resultou às mil maravilhas.

A.H. disse...

Ehehehehehe!
E já agora: e um gajo fazia bullying com quê, fisgas?
As armas estão proibidas em portugal, só o pessoal da cova da moura e outros bairros de elite é que têm direito a usa-las. Mas o bullying puro nem é da sua maior preferência, é mais a sua venda, a protecção do tráfico de droga, o assalto à mão armada e o tiro ao bránco rasssista.

Anónimo disse...

Bem, se isso o faz feliz, prometo que venho cá chateá-lo todos os dias, não se preocupe.

dragão disse...

Chatear-me não: chatear-se.

Anónimo disse...

O dragão não tem a mania que é bom, o estuporado é mesmo bom e por isso vos deixa em estupor. De facto, tirando certas manias que caem no goto falangista e muito azucrinam os narigudos (ai o cinismo dos 'lúcidos'), há que convir: um moço do meu tempo que reconhece um ómphalos está a quilhões de anos-luz dos anencéfalos que andam por aqui a abanar o invólucro.

Anónimo disse...

subscrevo e já fui ver o que era um omphalos. sim senhor

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Acoral disse...

OFF.

Sei q não é sítio ideal para tal, mas como confio no sentido de humor do Sr. Dragão, cá vai...

SERVIÇO SECRETO EFICIENTE

George Bush vai a um colégio de ensino fundamental para falar sobre a guerra. Após o discurso, ele diz às crianças que podem perguntar qualquer coisa. Um menino levanta amão. Bush pergunta-lhe o nome:
- Bob.
- E qual é a sua pergunta, Bob?
- Tenho 3 perguntas.
Primeira: Por que os EUA invadiram o Iraque sem o apoio da ONU?
Segunda: Por que o senhor é presidente se Al Gore teve mais votos que o senhor?
Terceira: O que aconteceu com Bin Laden?
Quando Bush se preparava para responder a pergunta, o sinal do recreio tocou.
Bush disse às crianças que continuariam depois do recreio.
Quando acaba o recreio, Bush pergunta:
- Onde estávamos? Ah, sim! Estávamos nas perguntas. Alguém quer perguntar-me alguma coisa?
Outro menino levanta a mão. George pergunta-lhe como se chama.
- Steve
- E qual é a sua pergunta, Steve?
- Tenho 5perguntas:
Primeira: Por que os EUA invadiram o Iraque sem o apoio da ONU?
Segunda: Por que o senhor é presidente se Al Gore teve mais votos que o senhor?
Terceira: O que aconteceu com Bin Laden?
Quarta: Porque é q o sinal do recreio tocou 20 minutos mais cedo?
E quinta: Onde está o BOB?

Anónimo disse...

ó Dragão, por falar em "rinosalientes": não se arranja por aí o sermão da montanha aos pencudos d'A vida de Brian ?

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Anónimo disse...

afinal encontrei:

http://www.youtube.com/watch?v=XiDmMBIyfsU

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