sexta-feira, março 31, 2023

Desdolarização et al

 



1. «Ministers of finance and central banks of ASEAN (Association of Southeast Asian Nations) are considering leaving the US dollar, euro and yen, and Indonesia is calling for a phased exit from the Visa and Mastercard systems.»

2. «China e Brasil abandonam dólar nas transações bilaterais e adotam yuan e real»


O isolamento da Rússia parece estar a ficar muito caro ao "combinado Oeste". Ou seja, da auto-sanção ao auto-isolamento é um pequeno passo... para o Homem. Um passo gigante para a Humanidade.

PS: Chamo a atenção para o nosso Timor. Era o mais português dos nossos territórios ultramarinos. Depois da descolhonização, muitos refugiados timorenses foram parar à Austrália. Defronte do umbral da porta, havia bandeiras portuguesas hasteadas. Aquela gente nem a sombra da bandeira, por reverência, ousava pisar. Se lhes dissessem que um calhorda qualquer,  que não só a sombra mas a própria bandeira havia pisoteado que nem uma cavalgadura, haveria de se tornar presidente e pai da democracia de pechisbeque em que sepultaram Portugal, presumo que não acreditariam, se é que não deviessem mesmo violentos.

quinta-feira, março 30, 2023

Budapest...ilências anti-democráticas


 

«Viktor Orbán aproveitou-se da guerra na Ucrânia para promover os próprios interesses»


Que despautério! Que descaramento!... Quando toda a restante União Europoia aproveita a guerra na Ucrânia para promover, caninamente, os interesses americórnios, mai-los "core values" da mesma seita, o tipo inventa e descaminha-se a defender os interesses do povo que o elegeu. Que completa ausência de espírito - e instinto! - democráticos! Mas não perde pela demora. Vai só ver, um dia destes, os tumultos e manifestações patrocinadas pelo Soros e pelo NED... Ah, também baniu o Soros?... Fássista!!...

quarta-feira, março 29, 2023

Uns fidalgos, aqueles trogloditas!...

 




«Neandertais em Portugal comiam sapateira na brasa há 90 mil anos: “Não eram tão burros quanto isso”»

Fico feliz por eles. O neo-neandertais da actualidade já nem à sardinha chegam (os sapiens nepiens manjam tudo). É enlatados - e cavala, no princípio do mês -, e já é um pau. A democracia está cada vez mais onerosa. Exorbitante, mesmo... A custar os olhos da cara (e, em género e metáfora, até o do fundilho das costas, não raramente).  Mas, enfim, todos os sacrifícios são poucos... pela liberdade de excreção. 

PS: Embora seja cada vez mais frequente a prisão de ventre (e de vento?)... da História.

PS2: Além de comerem do bom e do melhor, também, em termos de alimentação do espírito, assistiam ao cosmos e à natureza. Não aturavam televisões e jornalixo e a despejar-lhes, ininterruptamente, veneno e matéria de esgoto pela alminha abaixo. Depois venham-me cá falar de "progresso"!...


terça-feira, março 28, 2023

Civilização (mesmo) Nenhuma 2.0

 

«Biden ‘national security’ spokesman John Kirby claims ‘LGBTQ’ rights a ‘core element’ of American foreign policy»


Core? Eu diria mais: hardcore! IV escalão.

Entretanto, a pujança e disseminação dos valores vai de vento em popa a nível interno.

Neste  caso, o activista aceso identifies as Trangender:



Mera coincidência? Detalhe colateral? De modo nenhum. A Trans Resistência (sim, existe mesmo), já emitiu até um comunicado eloquente acerca da essência da questão:




A culpa é dos transfóbicos e trans-not-lovers e outros bigotristas que tais! 

Enfim, gente odiosa que não respeita os pronomes. Capacitemo-nos: Não respeitar os pronomes tem consequências. 

Adenda:

«'Trans Day of Vengeance' WILL go ahead at the Supreme Court despite Nashville school trans shooter killing six in bloody rampage: Marjorie Taylor Greene’s Twitter account is suspended over post »

O dia 1 de Abril parece-me muito apropriado para este tipo de feiras e carroceis temáticos.

segunda-feira, março 27, 2023

O Caos quando nasce é para todos






E, subitamente, Israel ficou parecida com a Geórgia... À beira da zaragata civil.


Um pequeno quiz aos leitores.

Quem acha que urde nos bastidores desta barafunda em Israel?

1. George Soros

2. Nacional Endowment for Democracy

3. Putin

4. Némesis


domingo, março 26, 2023

Inseparáveis à nascença

 



A primeira-ministra da Estónia, escandalizada com os russos, exige-lhes que levem as sanções mais a sério:


Estou absolutamente seguro que o nosso (des)governo ( e em especial o titteringtoino), está absolutamente solidário com este mais que justificado escândalo da Estoina. Realmente, é inadmissível. Os russos a rirem-se das anedotas. 

O nível de imbecilidade que se alcandorou ao topo das (des)governações europeias almeja ser qualquer coisa de transcendental. Aliás, imbecilidade transcendental, ou seja  e na exacta dimensão kantiana) imbecilidade imune e impermeável à experiência, constitui mesmo a faculdade mental única e exclusiva, tudo indica, de acesso e capacitação para as funções. 

O comentário digno desta bufonaria desatada aparece, logo mais abaixo, no twitter linkado,  por intermédio da Yuliana Duglaj (uma russa, presumo):
«LOL, why don't you sanction us over our disrespect of your sanctions?»

E, ninguém duvide, já esteve mais longe: qualquer dia sancionam-nos porque não reagem como é suposto às sanções. Ridicularizam-nas, sabotam-nas, impedem-nas de funcionarem. Querem mais grave do que isto?


sábado, março 25, 2023

Air money


 

Dar na bolha tem destes inconvenientes... Um dia a bolha rebenta. 

sexta-feira, março 24, 2023

Excepcionalismo tankster

 





«Se EUA não conseguissem pagar suas dívidas haveria consequências catastróficas, diz Yellen»

Sim, sim. Inimagináveis. Provavelmente, até deixávamos de acreditar no pai natal. 
Isto é mesmo assim: existem países devedores, países credores e países cobradores. Os Americórnios são, simultaneamente, os maiores devedores, os maiores credores e os únicos cobradores. Devem a fundo perdido, creditam a própria dívida e cobram à mão armada.

quinta-feira, março 23, 2023

quarta-feira, março 22, 2023

Civilização Nenhuma




 Diploma é uma palavra grega. Significa papel dobrado em duas faces. Traduz em boa medida o carácter da "diplomacia" (que deriva, como é bom de ver, do "diploma"): essa capacidade da ambiguidade, do jogo com alternativas, da negociação de duas partes. Ora, a diplomacia é o cerne da política. Impossível imaginar uma sem a outra. Tanto na política interna, como, ainda mais, na política externa. Dou um exemplo caseiro: a diplomacia portuguesa, durante os anos 60 do século prévio, constitui um monumento digno de estudo e contemplação. Portugal fez política a sério: defendeu, abnegada e diligentemente, os seus interesses, enquanto estado soberano, com uma história e cultura próprias. Contra os Estados Unidos, sem hostilizar os Estados Unidos; contra o Reino Unido, sem hostilizar o Reino Unido; contra a União Soviética, sem entrar em guerra aberta com a União Soviética. E Portugal já fazia parte da Nato nessa época, sendo até seu membro fundador.

Todavia, estar inserido num bloco não significa estar diluído nesse mesmo conglomerado. Aliado não significa suserano; ou vassalo. Pelo menos, em teoria. Porque na prática é o que se vê.  E o que se vê é a retórica da democracia - com a santa separação de poderes - não passar, em simultâneo, dum embuste, duma superstição e duma comédia bufa. Atentando ao momento presente, os países europeus nem sequer têm poder porque nem sequer apresentam ou manifestam qualquer espécie de soberania. O poder executivo da Alemanha (nem me dou ao trabalho de descer à sub-sub-cave do ex-portugal) está separado do poder judicial da Alemanha, mas ambos não obedecem à vontade do povo alemão, porque se sujeitam, cegamente, ao ditame da "coisa esquisita" americana. Ou seja, não há separação de poderes na Alemanha porque, na verdade, não há Poder para ser cortado às fatias. A dita União Europeia em nada ultrapassa o  consórcio de impotências, em regime de parque infantil, sob vigilância e patrulha dum psicopata clínico, que viola e abusa a seu bel-prazer. Como chegámos até aqui?

O problema é que, na verdade, não chegámos: fomos levados; conduzidos e educados, como gado abúlico, passivo, devotado ao matadouro. E ao mercado de talho e salsicharia subsequente. Tudo isto, em larga medida, não decorre apenas do resultado da última Grande Guerra: encontra-se já, pulsante, nas próprias dinâmicas intrínsecas da mesma. Que interesse tinha a Alemanha em ir suicidar-se às estepes Russas? Que interesse tinham os Britânicos em atirarem ao charco o seu Império? Que necessidade tinha a Itália dum esplendor africano de pechisbeque? Ainda e sempre, apesar de atormentados pela peste do século, foram os russos que  mantiveram a chama acesa. Quer dizer, mal ou bem, lá continuaram independentes.

Por outro lado, que vem a ser isso da "vontade popular"? Sendo que "popular", fora o dias de eleiçoamento, se tornou uma palavra maldita, falar em "vontade popular", como diria Cioran, desqualifica logo à partida quem a balbucia. O "povo" -convertido, desde os primórdios do século passado, a massa - bombardeado e sulfatado, em regime ininterrupto, por toda a espécie de lavagem mental de conveniência, não distingue opinião pública de opinião publicada, e desenvolve tanta opinião quanto o infinito alberga, desde que todas elas, na essência e eficácia, inócuas, efervescentes e a crédito. O "povo" degenerou a uma abstração tão vazia e falsificada como o "Estado". O neo-feudalismo não assenta já sobre três ordens: implanta-se, transplanta-se e locupleta-se da pura e reiterada desordem. O seu horizonte, tanto quanto a sua meta derradeira, é ordem nenhuma... Um nome para isto? Civilização Nenhuma -  a metamorfose final da pseudo-civilização ocidental, que é como quem diz, a extinção acabada da Civilização Mediterrânea (ou Helénica).

Aquilo que eu denomino como "Oxidente" é esse Nihilismo travestido de progresso, esse Nada Anti-civilizacional, culturofrénico, antropofóbico. Já lhe chamaram Império das Mentiras; Império da Morte ficava-lhe melhor: morte da política e morte da diplomacia. Dois dos pilares de qualquer civilização.

Tudo o que resta é o papel do tratado, celebrado entre tratantes e a entidade global única, tirânica, panóptica: um pacto fáustico. Onde se assina a sangue e se penhora a alma. Num planeta amorfo e amnésico, convertido em ergástulo.

terça-feira, março 21, 2023

A Coisa, ou Arma de Distracção Maciça

 





«Is 14-legged killer squid found TWO MILES beneath Antarctica being weaponised by Putin?»

Mas se julgais que o Vladimir Vladimirovitch Putin anda apenas a treinar lulas gigantes para atacar o oxidente estais redondamente enganados. Há toda uma panóplia de horrores e abominações em rampa de lançamento. Os ingleses (versão paleo ou neo) - quem mais? - revelam-no, a cada vinte minutos. Cavadelas delirantes? Minhocas radioactivas também não faltam.

Podem atestar aqui de todo o vasto cardápio, capaz de fazer corar de inveja qualquer ala dos furiosos dum qualquer super-hospício para casos incuráveis.

Mas há apenas um item que que me deixa particularmente deslumbrado. E não, não são as baratas robóticas: é mesmo a "estupidez".  O autor da revelação é duma lógica inabalável. Basta ler a conclusão do artigo:










Agora, os meus caros leitores reparem num detalhe nada despiciendo: toda esta paranoia colectiva e colectivizada com o Santo Putin que acabo de apontar não é pós-intervenção da Disneycrânia: é de 2018. Pior, este magnífico artigo sobre a "belo-estupidez" é de...2016!!

À presente data, nem sequer se pode dizer que a histeria aumentou por aí além (exceptuando talvez a parelha de muares Milhafres/Rogeiro). O que se pode asseverar, sem margem para dúvidas, é que a estupidez, a oxidente, de tão assanhada, furibunda e ribombante, constitui não apenas a principal arma com que o bloco de Aleste está equipado e promete consecutivas razias, como deveio mesmo a arma de distracção maciça...por excelência!

PS: Outra certeza que importa registar duma vez por todas, é que esta russofobia (mascarada de putinoclastia obsessiva) não tem nada a ver com a intervenção de 2022. Vem de longe. Rasteja debaixo das pedras há muito tempo. Já eram velhacos e decrépitos - a cair de podre -, os filhos da puta. Com a SMO (special militar operation) aproveitaram apenas para sair do armário. Instaurado o carnaval, no meio do bacanal e da confusão, sempre acreditam que passam mais desapercebidos.

As armas e os barões encalhados




« Uma investigação da TVI detetou que o próprio Governo está consciente do problema e sabe que a Marinha precisa de mais 30 milhões de euros por ano para manter os navios operacionais. Só que a situação é caótica. De acordo com a lista oficial a que a TVI teve acesso exclusivo, das duas corvetas que a marinha possui, só uma está disponível. Em cinco fragatas, existem apenas duas operacionais e mais grave ainda. Portugal não tem nenhum dos dois submarinos que comprou a funcionar. Já o estaleiro da Marinha em risco de ficar inoperacional por falta de trabalhadores

Mesmo tratando-se dum "investigação da TVI" não deve andar muito longe da realidade. Ora, quando até a TVI tropeça na verdade dá para ter uma ideia da dimensão do descalabro em curso. Caso para perguntar, o que raio anda a fazer o tal almirante de águas paradas, fora o desmultiplicar-se em iniciativas indecorosas e entrevistas à comunicação social de trazer à tiracolo? 
Pelos vistos, nada. A sua função é mesmo essa: não incomodar nem fazer ondas.  O vácuo governamental que o patrocina e promove sabe que favor com favor se paga. Porque convém não esquecer que estamos na presença dum comissáurio político em comissão de serviço. Aliás, todo o processo de incubação e trampolim que o conduziu ao presente cargo foi duma safadeza exemplar. Entre o faz-de-presidente, o primário-ministro e o titterington feroz, qual triunvirato da corda,  a forma bardina e capciosa como sacanearam sanearam a anterior CEMA deu brado nas touradas. A comunicação social de trazer pela trela tratou de varrer para debaixo do tapete. Afinal, o quase almirante da altura, nas funções peregrinas de veterinário-em-chefe, acabava de salvar o gado nacinhal duma tremenda epidemia de gambosinos. 

Entretanto, na área do Exército o estado próximo da sucata também não anda longe. Dos cerca de 37 blindados Leopard que existiam em stock, só três ou quatro (na verdade, dois) funcionavam (quando havia dinheiro para gasolina, presumo). Calculo que os sistemas de artilharia também não devem estar menos degradados e empanados algures, a criar ferrugem.

Perante esta calamidade geral de coisas, quais são as prioridades do (des)Governo? 

Fulminantes: Depois de conceder uma linha de crédito de 250 milhões de euros aos psicopatas de Kiev, integra agora grupo de 18 países que vai comprar munições de artilharia para a a mesma súcia. Sim, os dois últimos Leopard que ainda, vagamente, funcionavam... também os despachou para lá. 

A situação, que já não era séria, agora também deixou de ser desesperada: limita-se a ser cadavérica. 

domingo, março 19, 2023

Em directo do TPI...

 


The (freak) Show must go on!...


sábado, março 18, 2023

Junkies da propaganda

 


O estado de bandalheira reiterada, ufana e despejada a que o "Oxidente" chegou tem o seu último capítulo, particularmente alucinado, no "mandato de captura" de S.Vladimiro pelo Tribunal Internacional da Treta.

E isto verifica-se em múltiplos paradoxos ilustrativos:

1. Nem a Rússia, nem a China, nem a Índia, nem, tão pouco, os Estados Unidos, entre muitos outros, reconhecem o Tribunal da Treta (os Estados Unidos e a Rússia até assinaram inicialmente o Estatuto, mas retiraram-se dele entretanto).

2. A própria Ucrânia, pasmem, também não ratificou nem reconhece o TPI. Nem nunca assinou. O que, aliás, se compreende perfeitamente: 8 anos de crimes continuados contra civis aconselham-no vivamente.

3. O nível do elenco do inenarrável conjunto de esbirros à disposição é formidável. O procurador é um tal Karim Khan. Um causídico, adivinhem, "inglês". O respeito pela lei, esse, é superlativo... Basta atentarmos, por exemplo, nalgumas regras básicas para o funcionamento e jurisdição do dito TPI: 

Traduzindo: um tipo dum país que não é parte da jurisdição do Tribunal, por alegados crimes perpetrados num país que também não é parte, vê-se objecto dum mandato de detenção. O Oxidente não perdeu apenas a compostura: perdeu a tramontana. Está agarrado à propaganda.

Dá para aquilatar da seriedade deste hospício onde estamos metidos, não dá?

Resumindo: quando o Medvedev compara o papel emitido por um tabernáculo desta dimensão a papel higiénico está, com exagero desmedido, a ser optimista. Papel higiénico, apesar de tudo, ainda seria alguma coisa de limpo e útil. Na verdade, é papel de jornal velho. Onde embrulham as emissões, particularmente soltas e fétidas, daquilo a que chamam "direito internacional". Juntamente com o peixe fresco do tempo da avozinha.


quinta-feira, março 16, 2023

Hierarquias da Farinha Amparo

 



Começo por uma visita à minha memória, num episódio que se passou comigo. Portanto, não é retórica nem ficção: aconteceu na realidade. No regresso duma operação, cuja aproximação ao objectivo tinha decorrido em moldes particularmente penosos, demorados e cansativos (furtividade e surpresa oblige), seguíamos, eu e o meu grupo de Comandos, em passo acelerado, de modo a chegar a horas ao ponto de heli-recolha. A certa altura, já com uns valentes quilómetros nas pernas, apercebo-me dum burburinho à retaguarda. Ordenei alto e fui averiguar o que se passava. Ora, o que se passava é que o tipo do rádio estava a grunhir com outro sobre a hirsuta questão de quem devia levar o rádio, assaz desconfortável, nos próximos quilómetros. O do rádio estava exausto e o outro baldava-se à combinação prévia (porque no fundo já ia tudo entre exausto e quase exausto). Encarei friamente as duas abetardas e o que acham que fiz? Do alto da minha autoridade de comandante do grupo determinei que fulano assim e sicrano assado? Montei uma tribunal ad-hoc, com jurados, defensor e acusação, para apurarmos a verdade dos factos? Mandei uma coronhada num e um pontapé noutro e rosnei para acabarem com o escarcéu senão era pior? Alguma outra sugestão disciplinadeira? 

Bem, nada disso. Aposto que já apostavam na violência, mas a verdade é que, salvo raras excepções, sempre fui mais dado à acção psicológica do que à física. Lá está, os meus conhecimentos avançados de metafísica (e ainda há quem se persigne e empalideça quando eu informo que ao amor à Sabedoria sempre juntei a paixão pela guerra de contra-guerrilha. No fundo, as duas faces da mesma moeda). Mas deixemos estas considerações intempestivas e passemos ao concreto pretérito simples. E neste o que eu fiz, apurada a questiúncula e logo após o olhar duro da praxe, foi ordenar ao que levava o rádio: "Dá cá o rádio!"

Encararam-me ambos, juntando o temor prévio ao espanto actual.

-"O rádio, meu alferes?..." - gagueja, o portador.

- " Pois, ó fulano. O rádio! Dá cá essa merda. Eu levo isso. Não quero é mais barulho nem cenas de gajas! E passo acelerado como deve de ser!..."

Remédio santo. Escândalo instintivo entre as tropas. Nem pensar!... Agora já ambos disputavam o privilégio de levar o rádio. Até o do morteiro, indignado com a pusilanimidade, argumentava que se eles não tivessem vergonha na puta da cara, até ele carregava com o aparelho.   Determinei então, salomonicamente que se revezassem, a cada 15 minutos. Porém  o radista, doravante pletórico de brio, obstinou-se em levar o rádio até ao fim da jornada, sem abdicar dele  por nada deste mundo. E  pronto, assunto resolvido; e lá galopou tudo, na santa paz do Senhor até ao ponto de recolha.

Agora imaginem, se fosse hoje, e a fazer fé no episódio dos marujos, como seria?...

O grupo parava, assentava arraiais no descampado, e, presumo, armavam-se duas facções: os que estavam com o do radio e os que estavam com o alferes. 12 no primeiro grupo, com um cabo e um furriel, entre eles; os restantes 12 no segundo. Os primeiros argumentavam que não havia condições para continuar e elencavam os obstáculos inegociáveis: pés inchados e cravejados de bolhas; músculos fatigados e à beira da exaustão; O terreno inóspito e sem qualquer tipo de pavimento propício à marcha; insectos perigosos e animais selvagens emboscados;  noite cerrada, propiciadora de tropeções, acidentes e traumas incapacitantes; velocidade de marcha imprópria para pessoas; condições climatéricas adversas; chefia insensível às leis do trabalho e marimbante nos direitos humanos, de perfil autoritário, sarcástico e homérico; etc. Os segundos, entre o indiferente e o resignado, aceitavam ainda assim prosseguir, sobretudo porque tinham fome e queriam tomar banho. Clamores ao bom senso e à disciplina por parte do oficial; inúteis.  Queixumes redobrados e listas reivindicativas (com retroacções e coiso e tal), por uma comissão de furriel e cabo, na outra ponta. Em catadupa. Não custa imaginar muito que lá resvalava tudo para um impasse. Desamparado, o alferes comunicava com a Companhia. Atendia-o o capitão e ficava a saber que o grupo de combate não retirava nem saía de cima. O capitão, aflito, após baldados impropérios ao rádio, enviava pedidos lancinantes de socorro ao comando do Batalhão. Deste ao Estado-Maior era um instante. Finalmente, o Chefe do Estado Maior do Exército, acordado e alertado pelos jornalistas, ficava a saber do incidente e vinha em pessoa colocar a tropa nos eixos. Que é como quem diz, nas solas em movimento. 

Calculo que estejam a apreciar o ridículo - mais até que o ridículo, a inversão de todos os princípios da hierarquia  - de tudo isto. Quer dizer, o patético - uma vez ascendendo na hierarquia, qual fumo fétido - devém obsceno. O problema com o grupo de combate não era um problema do exército: era um problema meu. E o meu dever, a minha responsabilidade, em suma: a minha autoridade era resolvê-lo. Quando o exército me entregou um grupo de homens para comandar, delegou em mim uma quantidade de autoridade inerente ao meu posto na hierarquia. E o meu posto era comandante de grupo de combate. 25 militares, cinco equipas. Ninguém, a não ser eu, dava ordens a esses homens. Eu dava e zelava para que elas fossem cumpridas. Recebia-as de superiores meus, numa cadeia que vinha desde a chefia da Nação até ao último soldado na base. Se os meus subordinados não cumprissem, a responsabilidade (e, a limite, a culpa) não era deles: era minha. Eles podiam até ter sede, ter fome, ter sono, ter medo: mas eu é que não podia. Ali, ao leme, naquele pequeno leme, estava mais que eu: estava um povo e um soberano (como diz o poema do Mostrengo). Ser oficial não é ser uma fancaria qualquer, e é bastante mais que uma mera vaidade, privilégio ou posto numa qualquer burocracia fardada.

Transpondo, então, para o caso da Madeira e da NRP Mondego, vislumbram agora o problema em toda a sua evidência? Não houve falta de disciplina: houve falta de autoridade. O comandante do navio recebeu uma ordem e não foi capaz de fazê-la cumprir pelos seus subordinados. Depois, a responsabilidade imediata é acima dele, do seu comandante directo: que, além de não ter tomado medidas rápidas e eficazes de saneamento da situação, não tratou de contê-la. Se já era mau, o primeiro-tenente não ter resolvido o problema, pior foi que toda a hierarquia acima do primeiro-tenente só parece ter contribuído para criar com ele alarido, alarme e vergonha públicos. Tudo isto culminado por um Almirante péssimo e absolutamente inenarrável, digno da república das bananas, que vai ostentar,  numa espécie de gloríola castigadora para deslumbramento das porteiras, taxistas e cabeleireiras da nacinha, a sua completa falta de competência, espírito de corpo e sentido das responsabilidades. Ou seja, foi a auto-desautorização grosseira  da hierarquia da Armada - que é o mesmo que dizer, a sua total auto-desresponsabilização. A verdade é que a Armada não foi capaz de fazer sair um determinado navio numa determinada missão.  O almirante da farinha Amparo, ao descer, à posteriori, aos embaraços dum mero primeiro-tenente, mandando às malvas a própria cadeia hierárquica, não está a combater a indisciplina nas fileiras: está, outrossim, a fomentá-la, a justificá-la e a celebrá-la com solenidade. No afã de aparecer às câmaras e fazer derriços à opinião pública, esqueceu-se não apenas da farda, mas da própria roupa interior.


PS: É claro que, quando transpus o episódio do meu passado para um imaginário presente, esqueci um detalhe crucial: a certa altura a comissão reivindicadora estava quase a ceder aos argumentos da razão. Só que o furriel agitador calava o apaziguamento com esse argumento irrefutável. "Agora, camaradas, já não é possível voltar atrás! Nem por sombras! Já chamei o Correio da Manhã!...


PS2: Um último assombro do Almirante. Aproveitou a visita estrombólica para segredar  orbi et orbi a seguinte pérola retórica:  o navio russo andava a espiar os cabos submarinos.  Havia, assim, uma razão imperiosa para o navio sair em patrulha oceânica: espiar o navio espião. O que apenas agrava a dimensão da falha. Só que fica por perceber, entretanto, um certo número de coisas. Porque é que os russos, tendo submarinos absolutamente furtivos, não espiam, tranquilamente, com eles. Talvez o almirante, que no currículo até andou pelos submarinos, desconheça o facto: que os russos têm submarinos. Ou então, quem sabe, os submarinos não são o meio mais indicado para explorar as regiões debaixo de água. Já nem falando no caso de os cabos submarinos com interesse estratégico estarem situados no Atlântico Norte, acima dos Açores. E estando alguns navios patrulha estacionados nos Açores, porque raio enviaram o da Madeira? Só para gastar mais combustível e atentar contra o ambiente?... 


quarta-feira, março 15, 2023

Tubaronices do costume?



Esta miúda não dorme. Uma explicação alternativa. Se foi assim ou assado, não sei; limito-me a beber-lhe os ares. 

Entretanto, outras curiosidades rotineiras:

« So Israel's 2 largest banks were mysteriously able to move a billion usd out of SVB before the us govt halted withdrawals for everyone else»


terça-feira, março 14, 2023

A penca e a coifo-kipá

 



Entretanto, num manicómio perto de si... Não perca a estreia:

«Após o colapso da Rússia e a captura dos Urais, destruiremos a China” "A Ucrânia deve expandir suas fronteiras até os Urais e iniciar uma guerra com a China", disse Yuri Sirotyuk, ex-deputado da Verkhovna Rada e membro da Legião da Liberdade.»


FIM DE SEMANA MESMO ALUCINANTE!... Um planeta desprevenido, invadido por psico-palhaços e bobos assassinos... Tenha medo, tenha muito, muito medo!... 

Anti-heróis do mar

 


«Marinha falha acompanhamento de navio russo após recusa de militares»


O estado bélico do "oxidente" e seus miniontes (onde Portugalinha se destaca). O perigoso quebra-gelos russo passeou a seu bel-prazer sem ser devidamente cuscado pelo nosso intrépido vaso de guerra. Sabe-se lá o que os hediondos russos terão perpetrado na ausência do vigilante... Como se  não bastassem as orcas de roda dos veleiros, agora temos também quebra-gelos à solta. E depois ainda falam de aquecimento global. O certo é que os navios da república estão como a república: prontos para a sucata. Ou para serem trespassados à Disneycrânia, passe o pleonasmo.
Mas para a próxima, caramba, não hesitem. Mandem avançar a força estratégica de reserva: o Titterington no comando, com o Milhafres hirsuto a braçar ao remo do bote (e soltando pragas - eventualmente gasosas - à capitão Ad-Hoc). O cefalópode Rogeiro? Esse, vai atrás, a nado. E à toa, como o judeu vicentino. Até porque o intelecto, inversamente proporcional à desfaçatez, não dá para mais.


PS: A nau em questão, NRP Mondego, parece que entrou ao serviço em 2019. Tratando-se  duma barcaça dinamarquesa recauchutada. Na volta, os marujos recusaram-se a ir ao mar porque o esquentador estava avariado; ou então porque acharam a missão, além de parva, ridícula. O Titterington que fosse. Em qualquer dos casos, deus os abençoe. 

segunda-feira, março 13, 2023

Investimentos de super-risco, pois claro

 


Voltando ao assunto do tal banco americórnio que desabou...

É praticamente confirmado que tudo resultou, mais uma vez, não apenas de investimentos de risco, mas, pior um pouco, de super-risco. O quê, ao certo? US Treasury bonds. Obrigações do tesouro americano. 

Ou seja, andaram a financiar, entre outras peralvilhices, os empréstimos sem fundo à Disneycrânia - entenda-se ao buraco negro que se locupleta em redor disso.

Uma bela altura, de facto, para os euro-tratantes se armarem em penduras do ânus imperial.

Já estou a reforçar o meu investimento pessoal na horta e pomar. Penso mesmo em alargar a uma micro-pecuária de subsistência. Tudo devidamente guarnecido dum feroz e esclarecido sistema de defesa. Em último caso, declaro a independência. 


Adenda: O First Republic também já entrou em queda livre:

«First Republic Bank falls nearly 70%, trading halted after collapse of SVB, Signature»