"After the victory over communism, we need a split of Orthodoxy and the collapse of Russia, and Ukraine will help us in this, where betrayal is the norm of public morality."- Zbigniew Brzezinsk, in “The Grand Chessboard: American Primacy and Its Geostrategic Imperatives”
terça-feira, dezembro 13, 2022
Clássicos da geoestratreta
The Three Categories of Brainwashing
Há qualquer coisa em George Carlin que, não sei bem porquê, me lembra os Sopranos. Isto é um grande elogio a um grande humorista e a uma grande série. Mas ele, de facto, parece ter saído directo do submundo da mafia para metralhar uma plateia. Com humor sério, vertebrado, negro, não coninhas. Nos exactos antípodas dos lambe-cricas de serviço à tele-galhofa cá da paróquia. RAPs, Markls e outros caniches de colo mediático. Não fazem humor: fazem amor com a perna do telespectador incauto. Acariciam-no e aliviam-se nele. Em simultâneo.
Pensando bem, há também em Carlin qualquer coisa dum Mencken oral.
- George Carlin
Ursula Job
«Von der Leyen diz que caso de corrupção é muito grave e defende órgão de ética»
segunda-feira, dezembro 12, 2022
Sinfonia da Sensatez (em Três Andamentos)
2º Andamento
domingo, dezembro 11, 2022
Prioridades democráticas
Num país onde se instaurou um regime de morte politicamente assistida, faz imenso sentido chegarmos àquele ponto grotesco em que uma das grandes prioridades dos assistentes seja a morte medicamente assistida.
A malta, no fundo, tem o que merece... Até porque, bem medido, acaba tudo a descansar em paz. Só que até lá chegar, e em ritmo frenético, é cada vez mais aquela máxima chunga do antigamente: Na peida é um descanso. Começaram por ser vítimas, mas agora já são aficionados.
A seguir, presumo, vamos ter um qualquer sobressalto altamente moral e liberdadeiro, onde se legislará, com carácter de urgência e desígnio civilizacional, a mudança de sexo das criancinhas abaixo da idade eleitoral. Ou a calibragem de ambas pelos 10 anos de idade, perdoem-me o delírio optimista.
Isso, se antes não estabelecerem a obrigatoriedade cívica do aborto com base no IRS. O bombardeamento mediático já terraplena consciências e tece carpetes, passadeiras vip e cooperativas de imbecilidade colectiva. O sucesso musical do momento é "Portugal, paz à tua alma!"
sábado, dezembro 10, 2022
A Paz, pois claro.
«Nobel da paz ucraniana defende que caminho para a paz não passa por baixar armas»
Os ucranicoisos, liderados pelos Kievitas furiosos, abençoados por estas vozinhas esganiçadas e ávidas de sangue, telecomandados pelos anglossauros beneméritos, estão, decididamente, no bom caminho. Que descansem todos. Em paz.
sexta-feira, dezembro 09, 2022
Sub-Rogações e intérpretes
«As funções duplas do padre, o qual é simultaneamente "inspector das coisas vagas" e médico das almas, foram distribuídas no mundo moderno sem padres e são exercidas não por uma classe de homens mas por muitas. Na sua qualidade de administrador de sacramentos e intérprete do mistério circundante, o padre é representado agora, bastante inadequadamente, pelo artista. A extraordinária e bastante desproporcionada importância atribuída pelo mundo contemporâneo aos artistas como tais, sem olhar ao seu mérito, é devida ao facto de o artista ser o evocador daqueles estados emocionais que são o divino. É verdade que o deus que evoca é muitas vezes um deus de paupérrima qualidade. Considere-se, por exemplo, a deidade implícita na novela de maior venda ou a balada popular. Contudo, para aqueles que são constituídos de maneira que sejam capazes de gostar dessa espécie de deus, essa é a espécie de deus de que eles irão gostar. Há uma hierarquia tanto entre os deuses como entre os homens. Aqueles cujo lugar na hierarquia humana é inferior, adoram deuses cujo lugar na hierarquia corresponde à deles. Os padres-artistas que evocam deuses inferiores para adoradores inferiores são eles próprios inferiores. Todavia, seja qual for a qualidade do deus evocado, o acto do artista é sempre sacramental. Ele produz genuinamente um deus de qualquer espécie. Daí a sua importância no mundo moderno. O seu nome está escrito em letra grande nas páginas do Who's Who; os anfitriãos condidam-no para jantar; os escritores tagarelas relatam os seus feitos na imprensa; correspondentes desconhecidos escrevem-lhe acerca das suas almas e pedem-lhe um exemplar da sua fotografia; as raparigas estão dispostas de antemão a apaixonarem-se por ele. Para o artista que goza desta espécie de celebridade, o mundo moderno deve ser um verdadeiro paraíso.
O padre é um confessor, assim como um intérprete de mistérios. O artista pode encontrar meio de desempenhar as suas funções sacramentais, mas falta-lhe a espécie de treino e saber que torna um homem apto a ser um director de consciência. Foi ao advogado e ao médico que o padre legou esta parte dos seus deveres. O médico, e principalmente o especialista dos nervos, ocupa uma posição extraordinária no nosso mundo. O seu prestígio foi sempre elevado, mesmo durante aqueles períodos em que as doenças do espírito eram tidas como estando fora da sua jurisdição. Agora que o exorcista está extinto e o confessor é uma raridade, agora que a psicoterapia se proclama ela mesmo uma ciência e uma arte regular, o prestígio do médico duplicou. A sua posição no mundo moderno é quase a do curandeiro entre os primitivos.
Com o declínio do poder sacerdotal a importância do advogado também aumentou. O advogado da família assume responsabilidade vicarial pelos actos dos seus clientes. Ele é o recipiente dos seus segredos mais íntimos; ele dá-lhes não simplesmente conselho legal mas até moral. Os sacerdotes podem desaparecer; mas o número de pessoas que não gostam de responder pelas suas próprias acções, que se esquivam a tomar decisões e desejam ser conduzidos, não diminui. O director de consciência surgiu como resposta a uma genuína necessidade humana. O médico e o advogado preenchem entre eles o seu lugar vago.»
- Aldous Huxley, "Sobre a Democracia e outros estudos"
Realmente, o sr. Huxley, de parvo e mentecapto não tinha nada. É um facto que a nossa época, mais ainda do que qualquer outra, assiste a um proliferar de sucedâneos e imitações de padre. Corrijo, não apenas de padre, mas também de reverendo evangélico e pastor de seita. E, sobretudo, de padrecas. O padreca é uma mistura, assaz espaventosa, de sacristão e beato assanhado. Os novos padrecas? Acima de todos, o jornalista (que já não é apenas o "escritor tagarela", como retrata Huxley; ascendeu a cónego-alcoviteiro, de guarda ao templo-bordel e ao altar da ortodoxia da treta). E que dizer do ambientalista? É a testemunha de Jeová postiça e reciclada. Todavia, sendo tudo isto muito justo, óbvio e interessante, há um mistério que, sobretodos, me intriga. Se abunda, em regime de autêntica praga bíblica, toda uma chusma de faz-de-padres, já os ex-padres, quer dizer, os padres genuínos, em vias de extinção, ou sejam, os padres da Igreja... fazem de quê? Pode parecer uma interrogação malévola. Mas não é. Não pratico, mas respeito. A religião, entenda-se. E a prova de que a minha pergunta faz todo o sentido reside no actual Padre-em-chefe. O Papa F., pois. Faz de quê?... Alguém me consegue explicar?
quinta-feira, dezembro 08, 2022
A ponta do iceberg
O estado geral do palramentarismo europoide. Uma breve e sucinta radiografia.
Como eu não me canso de escrever, a democracia, tanto quanto um flagrante embuste, constitui não uma forma de governo, mas de auto-destruição. A começar por ela própria. Negócio e negação, sendo os seus principais eixos dinâmicos, são igualmente parentes chegados e cúmplices. Na cegada.
terça-feira, dezembro 06, 2022
Mictofísica a jacto
«Os modernos apóstolos do comércio estão a tentar persuadir as pessoas a aceitar o negócio como um substituto da religião. Fazer dinheiro, asseveram eles, é um acto espiritual; a eficiência e a honestidade vulgar são um serviço à humanidade. O negócio em geral é o deus Supremo, a Firma individual é a deidade subsidiária a quem as devoções são directamentte pagas. Para os ambiciosos, para os clamorosamente prósperos e para aqueles demasiadamente envolvidos numa vida esforçada para poderem realizar qualquer pensar esforçado, a adoração do negócio talvez possa preencher a falta de religião genuína. Mas a sua inadequação é profunda e radical. Ela não oferece nenhuma explicação coerente de qualquer universo fora daquele cujo centro é a bolsa de valores; nos momentos de aflição, ela não pode consolar; não compensa nenhumas misérias; os seus ideais são realizáveis demasiado depressa - abrem a porta ao cinismo e à indiferença. As suas virtudes são praticadas tão facilmente que, literalmente, qualquer ser humano que acredite na religião do negócio pode imaginar-se a si próprio um homem verdadeiramente bom. Daí a tremenda auto-satisfação e farisaísmo consciente tão característicos dos devotos do negócio. É uma religião justificatória para os ricos, e para os que se tornam ricos. E mesmo para eles só dá resultado quando os tempos são bons e estão livres de infelicidade pessoal. Ao primeiro sinal de uma tragédia ela perde toda a eficácia; o mais simples colapso é suficiente para a fazer evaporar. Os pregadores deste substituto comercial da religião são numerosos, barulhentos e pretensiosos.»
- Aldous Huxley, "Sobre a Democracia e outros textos"
Mais uma vez, é caso para dizer: nem imaginava ele a que extremos haveria de chegar esta banha-da-cobra metida a hóstia!... Esta espécie de "metafísica instantânea e efervescente", por inalação e arroto, a que poderíamos, talvez, taxar de Cripofísica. Ou Mictofísica. A jacto.
sábado, dezembro 03, 2022
Cocó, Ranheta e Facada
Desde pequeno que ouvi falar nos "Três da vida airada: Cocó, Ranheta e Facada". Isto dos Três, como todos sabemos, há séculos, é um número que tem muito que se lhe diga. Em múltiplos sentidos, para cima e para baixo, da teologia à sexologia, enfim, é toda uma variedade. Mesmo os três mosqueteiros... na verdade eram quatro, mas ficaram na lenda como "os três". Portanto, e resumindo, o 3 é um número com muita força. E não só na vida airada, mas também no mundo cão que nos cerca (sitia e confina), dir-se-ia que lá anda ele a impor a sua influência. Deve ser por isso que os dois excepcionais da História agora viraram três. Desde Fevereiro deste ano, mais precisamente. Já havia "o todo o imperialismo é mau, excepto o Americano"; e também o não menos famoso, "todo o colonialismo (ou apartheid, ou racismo, ou limpeza étnica, etc) é péssimo, excepto o Israelita". Pois, doravante, eis o terceiro: "todo o nazismo é hediondo e repugnante e merecedor da mais severa repressão e censura, exceto o Kievita". Por conseguinte, ao Cocó e ao Ranheta, eis que se junta o Facada. E a quem devemos mais este prodígio, este milagre dos diabos? Nem mais: a Santo Vladimiro (Putin).
Se pensarmos, entretanto, como também lhe devemos a extinção da Covid e o apagamento de toda a História antes de Fevereiro de 2022, é caso para, no mínimo se lhe erigir uma catedral. Daquelas góticas e abracabardantes.
São Vladimiro, com aquele acto arrojado de purgar a Kievlândia, não iniciou uma guerra: criou o Mundo. Deu início à História e à Civilização, quer dizer, à própria Linguagem e Pensamento. Antes era, como não se cansam de nos enfiar pelas pantalhas e folhas de couve a dentro, o Nada, o Vazio, o Caos inominável. Mesmo o Tempo, não contava. Não existiu. Ainda nem sequer relojoava. Antes do genesis Vladimirífico, tudo não tinha passado duma heteróclita nuvem de fragmentos e vapores a boiar no espaço. Entulho cósmico, em suma. Que para nada interessa à consideração das massas geniais, super-informadas, esclarecidas e psicomusculadas nos ginásios da certeza absoluta.
Lavou-nos, finalmente, de todo o pecado, o grande Taumaturgo. Nada de maçãs ou explosões siderais filhas de pai incógnito. Quatro mil e trezentas guerras, mais duas mundiais de imensa estupidez e fragor. E seus derivados também. Aquela Fria, altamente chata e paranóica, pela pia abaixo. Tudo lavadinho. Mandado para o esgoto do esquecimento e da nulidade.
Holocautos, holodomores, hologramáticas de fantasia e outras frioleiras que tais?... Bem, isso foi quando: no tempo em que não havia ainda tempo nem as galinhas tinham perdido os dentes? Antes da Criação do Mundo? Temos pena. Nem sequer há palavras.
PS: Dizem-me que os excepcionais detêm o poder exclusivo de inventar, engendrar ou aperfilhar novas excepções... Sim, são eles e os malucos internados no Júlio de Matos.
quinta-feira, dezembro 01, 2022
Autópsia do Palramento, ou Da Cacocracia
«Conheci membros do parlamento que, fosse qual fosse a sua riqueza ou os seus poderes de arengar era quase certo não serem capazes de entrar sequer para as categorias mais baixas dos serviços públicos ou de progredir no comércio acima da categoria de empregador-copiador.
Seria possível, sem fazer quaisquer mudanças radicais no sistema actual, melhorar a qualidade da assembleia legislativa, exigindo simplesmente do legislador as mesmas provas de competência conforme são exigidas de todo o administrador. Se alguém fosse autorizado a candidatar-se ao parlamento que não tivesse provado ser capaz, pelo menos, de entrar para as categorias mais elevadas do funcionalismo público, o parlamento seria automaticamente expurgado de muitos dos seus piores incompetentes e charlatões. É possível que, se este teste fosse imposto, alguns homens de real mérito poderiam ser excluídos, mas a sua perda seria compensada pela exclusão de uns tantos indivíduos meramente palradores ou meramente ricos ou influentes, de tantos curandeiros e vagabundos ignorantes. Se ao mesmo tempo o direito de votar ficasse dependente da capacidade para passar um teste de inteligência toleravelmente puxado - se ninguém fosse autorizado a participar no governo do País desde que não tivesse pelo menos uma idade mental de quinze anos - é provável que a influência dos demagogos e dos jornais fosse consideravelmente reduzida. Os adultos são mais judiciosos, menos facilmente sugestionáveis, do que as crianças.
Que somente os crescidos-mentais deveriam votar e que ninguém deveria ser autorizado a fazer leis desde que não fosse pelo menos inteligente e bem informado como os homens que as administram - estes são princípios políticos que o senso comum vulgar tem de aprovar. Somente os democratas misticamente mais fervorosos, que consideram a votação como uma espécie de acto religioso, e que ouvem a voz de Deus na do Povo, podem ter qualquer razão para desejar perpetuar um sistema pelo qual pode ser dado poder aos cavalheiros de indústria, aos homens ricos e aos quacres, através do voto de um eleitorado composto em grande parte por Peter Pans mentais, cuja infantilidade os torna peculiarmente susceptíveis às blandícias dos demagogos e às sugestões incansavelmente repetidas nos jornais dos homens ricos.»
- Aldous Huxley, "Sobre a Democracia e outros textos"
Entre nós, e à presente data, todas estas fórmulas - de lhana sensatez de Huxley -, perderiam qualquer hipótese de implementação. Os que administram são os mesmos que legislam e também os mesmos que seleccionam. Nesse aspecto, já não se corre o risco de discrepâncias. Afinal, é um dos efeitos comprovados e universais de décadas de democracia: primeiro, a proliferação e homogeneização da mediocridade; depois a ascensão metódica, quando não meteórica, dos piores. Nesse sentido, a democracia, como já bem tinham bispado os grandes pensadores gregos, é o contrário da aristocracia, quer dizer, é o governo não pelos melhores mas pelos piores. E geralmente até pelos piores princípios, razões e motivos. Nesse sentido, pode ser definida, a dita democracia, como um genuína Cacocracia. Do grego Kakos - (mau, feio, disforme, defeituoso, cobarde...) e kratos - (poder, domínio, governo...). Traduzindo: Mau-Governo. Deficiência dominante. Na realidade, tirania da estupidez, da malignância e da mediocridade.
quarta-feira, novembro 30, 2022
Entre a superstição e a superficção
«Os preconceitos a favor da democracia pertencem à segunda classe: parecem, àqueles que os acarinham, sagrados, bem como razoáveis, moralmente certos, tanto quanto verdadeiros. A democracia é natural, boa, justa, progressista, e assim por diante. Os seus opositores são reaccionários, maus, injustos, antinaturais, etc. Para um vasto número de pessoas, a ideia de democracia tornou-se uma ideia religiosa que é dever tentar pôr em prática em todas as circunstâncias, indiferentemente dos requisitos práticos de cada caso particular. A metafísica de democracia, a qual foi na origem a racionalização dos desejos de certos homens franceses e ingleses para melhorarem os seus governos, tornou-se numa teologia universalmente e absolutamente verdadeira, que é do mais alto dever de toda a Humanidade colocar em prática. Assim, a Índia tem de ter a democracia, não porque o governo democrático seja melhor do que o governo indemocrático existente - é quase certo que seria incomparavelmente pior - mas porque a democracia, em toda a parte e em todas as circunstâncias, está certa. A transformação da teoria da democracia em teologia teve outro resultado curioso: criou um desejo de progresso no sentido de mais democracia entre numerosos povos cujos interesses materiais não são de qualquer modo prejudicados, sendo até activamente melhorados pela forma existente de governo que eles desejam modificar. Este alastramento do socialismo entre as classes médias, a concessão espontânea de reformas humanitárias pelos detentores do poder, para quem traria vantagens materiais exercer o seu poder cruamente e dele nada ceder - são fenómenos que se tornaram tão familiares que quase deixámos de os comentar. Mostram como pode ser grande a influência de uma teoria quando, pela sua familiaridade, se torna parte da mente daqueles que nela acreditam. No princípio é desejo; o desejo é racionalizado; a lógica elabora na racionalização e extrai conclusões; a racionalização, com todas estas conclusões jamais sonhadas em muitos casos por aqueles que primeiro desejaram e racionalizaram, torna-se num preconceito dos Homens nas gerações futuras; o preconceito determina o seu julgamento sobre o que está certo e errado, verdadeiro e falso; confere direcção aos seus pensamentos e desejos; arrasta-os à acção. O resultado é que um homem cujos interesses estejam ligados à ordem existente das coisas desejará fazer modificações nessa ordem muito mais extensas do que as desejadas pelo seu avô, embora os interesses materiais deste último fossem genuinamente prejudicados por isso. Nem só de pão viverá o Homem. A divina injunção era desnecessária. O Homem nunca viveu só de pão, mas sim de toda a palavra que procede da boca de todo o Deus concebível. Há ocasiões em que seria de grandes vantagens para o Homem se ele se confinasse, por um pouco, exclusivamente ao pão.»
- Aldous Huxley, "Sobre a Democracia e outros estudos"
Huxley terá escrito este texto em redor de 1927. Já passaram quase cem anos. Nem imagino o que ele escreveria agora. Num certo sentido, e com a devida vénia, escrevo eu por ele. O resultado mais evidente - e incontestável- da tal democracia, fazendo fé nesta nossa realidade circundante, é que, pura e simplesmente, constrói e redunda na sua - perfeita, concreta e completa - negação. Quer dizer, a prática devasta e aniquila a teoria. Parece que é uma maldição fatal dos "socialismos".
terça-feira, novembro 29, 2022
Faltou a China...no arroto!
«O adepto que interrompeu o jogo entre Portugal e Uruguai, com uma bandeira do arco-íris, de apoio à comunidade LGBTQ+, e uma t-shirt de apoio à Ucrânia e às mulheres do Irão, foi banido do Mundial2022 de futebol.»
domingo, novembro 27, 2022
Da Cote d'Azov à Cote d'Azur
Entrevista com o Vão-pirotécnico, digo querubim ultra-tatuado.
«I was never paid, I in fact ruined myself economically by going to Ukraine. I couldn’t imagine doing that for any value.»
Puro amor à camisola. Um idealista.
How do you see the conflict from a geopolitical perspective?
American meddling in Ukraine has caused the Russian invasion.»
Ukraine war can be simply placed by two prospectives, the Nationalist war, and Zelenski’s war.»
Em resumo, mais ainda que uma guerra, uma confusão. Ucranianos contra ucranianos, nacionalistas (segundo este) pouco natofilos, o proxy gang, e por aí adiante.
Agora, quando a nossa esquerda woke e a nossa direitinha toina torcerem os narizinhos sensíveis a estes companheiros de esquina, sempre podem capacitar-se que, ao menos estes, em compensação, sempre deram o coiro à causa. Não é só saliva e eloquência monga de monta-sofás e mata-gambuzinos.
E o segundo capítulo, em tandem com o primeiro:
«As Westerners send aid, here’s how Ukraine’s corrupt elites are profiting from the conflict»
The Monaco Battalion
While Ukraine has undergone a general mobilisation affecting all men under the age of 60, many former and current high-ranking officials, politicians, businessmen, and oligarchs have moved to safety abroad – mainly to the EU.
(...)
“There is little to prevent a field commander from diverting some of the equipment to buyers, aka the Russians, the Chinese, the Iranians or whomever while claiming the equipment and weapons were destroyed…”(...)
«Medical supplies are also being stolen. The Telegraph reports that “some of the donated supplies later made their way onto the hospitals’ pharmacy shelves: priced, and listed for sale.” Health workers appropriate medicine, bandages, and medical equipment, and resell them to patients for whom they were intended to be free, the article says.»(...)
«War for some, Gucci for othersEnormous cash flows from Western countries are continuously used by corrupt Ukrainian officials for personal enrichment and to acquire luxury goods.
In a recently busted corruption scheme, Odessa customs smuggled shirts, backpacks, sports shoes, belts, and other luxury items by Givenchy, Gucci, Polo, Dolce & Gabbana, Michael Kors, Chanel, Louis Vuitton, and Armani under the guise of army equipment.
(...)
«To take another example, in May 2022, Western countries abolished customs duties for Ukraine. Within a week, over 14,000 passenger cars were imported into the country.»
Em resumo, um mimo. Coisa edificante de se ler.
sábado, novembro 26, 2022
Corrupção tipicamente russa
«Bankman-Fried's FTX, senior staff, parents bought Bahamas property worth $300 mln»
«Pois é - interrompeu Pável Petróvich -, pois é: convenceram-se de tudo isso e não fazer nada a sério?- Decidimos não fazer nada - repetiu Bazárov, soturnamente.De repente sentiu-se agastado consigo mesmo, por se explicar tão longamente perante aquele aristocrata.- Apenas injuriar?- E injuriar.- E chama-se a isso nihilismo?- E a isto chama-se nihilismo - repetiu de novo Bazárov, desta vez com especial impertinência.»
sexta-feira, novembro 25, 2022
Disfonia das Quatro Estações (rep)
(A propósito da data de hoje, parece-me sempre oportuno recordar...)
Antes que me esqueça, há uma rectificaçãozinha que, em termos históricos, compete fazer: Não há um Portugal antes do 25 de Abril e um Portugal depois do 25 de Abril. Em bom rigor, há dois, antes e depois. Ou seja, quatro. Situando: Um Portugal antes de 27 de Setembro de 1968; um Portugal entre esta data e o 25 de Abril de 1974; um Portugal após o 25 de Abril; e um Portugal pós 25 de Novembro de 1975. chamemos-lhes, respectivamente, Fase 1, fase 2, fase 3 e fase 4, para facilitar a exposição.
Na fase 2, tentou enterrar-se a fase 1 e plantar-se sobre ela uma quimera.Na fase 3, tratou de liquidar-se o império e escavacar a quimera.
Na fase 4, absorveu-se a fase 3, e recauchutou-se a quimera a expensas externas, o que, como era mais que óbvio, só podia redundar na dissolução do país.
quinta-feira, novembro 24, 2022
Escola de Marionetes
Pare, escute e olhe, um Zelicoso pode sempre esconder outro... Zelicose é sempre que o Império quiser. Os slogans podem ser múltiplos e todos eles actuais.
Uma viagem ao mundo do Caos Inc - proxy wars, fake revolutions & shit values for all .
O autor é americano, ex-marine e reside na Tailândia. Um sujeito com os alqueires bem medidos, que venho acompanhando, esporadicamente, nestes últimos meses.
Patrocínio do otariado
terça-feira, novembro 22, 2022
O dinheiro - VII. O Poder e a moeda. Parte 1
«CARIÃO - Oh, O mais velhaco de entre todos os homens! És então Pluto e calavas-te?CRÉMILO - Tu, Pluto, com essa aparência desgraçada! Ó Febo Apolo e deuses e génios e Zeus, que dizes? Tu és verdadeiramente o tal?PLUTO - Sim.
CRÉMILO - Aquele mesmo?
PLUTO - Mesmíssimo.
CRÉMILO - Donde é que vens - diz - com esse ar sujo?
PLUTO - Venho de casa de Pátrocles que se não lava desde que nasceu.
CRÉMILO - E esse mal como o sofreste? Diz-me.
PLUTO - Foi Zeus que me fez isto, por má vontade aos homens. Quando eu era rapaz, ameacei que só me dirigiria aos justos e sábios e honestos. E ele fez-me cego, para que não distinguisse nenhum deles. É assim que ele inveja os bons.
CRÉMILO - Mas ele só é honrado pelos bons e justos.
PLUTO - Concordo contigo.
CRÉMILO - Ora vejamos! Se voltares a ver como dantes, fugirás então dos maus?
PLUTO - Prometo.
CRÉMILO - Procurarás os justos?
PLUTO - Sem dúvida. Há muito que os não vejo.
CARIÃO (Apontando os espectadores) - E não é maravilha nenhuma, porque eu também não, apesar de ver.
PLUTO - Deixai-me os dois agora, porque já sabeis tudo a meu respeito.
CRÉMILO - Não, por Zeus, mas muito mais te seguraremos.
PLUTO - Não anunciava eu que vocês estavam para me arranjar sarilhos?
CRÉMILO - E tu - peço-te - deixa-te persuadir e não me abandones, porque não descobrirás, ainda que o procures, homem de melhor carácter do que eu.
CARIÃO (Para os espectadores) - Não, por Zeus, não há outro senão... eu
PLUTO - Isso é o que todos dizem. Mas quando verdadeiramente me apanham e se tornam ricos, simplesmente ninguém os excede em velhacaria.
CRÉMILO - É assim, realmente, mas nem todos são maus.
PLUTO - Pelo contrário, por Zeus, todos sem excepção.»- Aristófanes, "Pluto" (A Riqueza)
Ora, o dinheiro absoluto desliga-se do homem, tal qual o homem absoluto se desliga do cosmos e de Deus. Este Des-ligamento do dinheiro ao homem -este absolutismo "monetário" - traduz-se numa redução ao nada: ad nihil enquanto origem/proveniência; para-nihil, enquanto fim. Engendra-se dinheiro a partir do nada, do ar, do infundado; almeja-se com esse macaqueamento rasteiro do próprio Génesis, com essa antítese manifestamente satânica (Satã, significa, na etimologia da aramaico onde foi vertido o texto original, o adversário, o antagonista), o vazio e a própria negação da Criação e da espécie humana enquanto agente duma civilização. Ou seja, enquanto intérprete nobre, legítima e diversificada de políticas (políticas, em suma, sediadas (fundadas) na própria diversidade geográfica e histórica). Donde a emergência duma cripto-economia (uma teo-finança) que se arvora e a tudo se pretende sobrepujar como apolítica. Leia-se, antipolítica na tripla síntese de para-política, epipolítica e supra-política. Manifestações e epifenómenos emblemáticos disso são todos aqueles casulos criptocráticos onde se refinam e alambicam, com ares de convénio anual de superdruidas, todo um neo-mundo devidamente desossado e convertido em papa universal (entenda-se, geoculinária única e definitiva). Não são fruto da política, mas, isso sim, da sua negação, do seu banimento, cancelamento e redução ao absurdo.
Por outro lado, mas na mesma lógica, o desligamento do dinheiro ao Homem acompanha, ao longo dos tempos, o desligamento do dinheiro à própria moeda. No fundo, o esvaziamento religioso do dinheiro. E é essa viagem, assaz sombria e tortuosa, que tentaremos acompanhar ao longo dos próximos episódios. Entretanto, e como fecho deste, julgo já não ser possível recusar o óbvio: o absolutismo monetário é, na verdade, um amonetarismo (ou desmonetarismo). No que as eclosões caóticas mais recentes do circo das cripro-moedas é um sinal mais do que esclarecedor: estarrecedor. Aguardem só pelos efeitos...
Death Star
Pretende ser uma compilação exaustiva do desastre FTX até ao momento, com escalpelizações e vislumbres adicionais. Para mim vale como fonte de mais dados e dangerous liaisons.
A Grand Unified Theory of the FTX Disaster
What is the Death Star, exactly?
Much has been said about the obviously inappropriate relationship between FTX and Alameda. Thankfully, Arnold Kling provides the correct explanation from the chair of an actual Economist:
Let’s retell this story using entities of the U.S. government. The Treasury is like FTX, issuing tokens that it calls bonds. The Fed is like Alameda Research, taking these tokens on its balance sheet to try to support their price.
You’re going to say, “Wait. The Fed is issuing its own tokens, called money. The analogy does not hold.”
But Quantitative Easing did not work by issuing money. Instead, the Fed borrowed from banks, by paying interest on reserves and doing “reverse repos.” Just like Alameda Research, it took a levered position in Treasury tokens. Now the Fed is bankrupt. It has to be bailed out by the Treasury (you and me). Unlike FTX, the Treasury can still get away with issuing tokens.
Who could even think up such a scheme?




