quarta-feira, dezembro 22, 2004

Abruptamente

O Clark59, nitidamente fragilizado pela suave quadra que atravessamos, entrega-se à candura. Depois duma tolerância inaudita para com uma súcia inominável, eis que volta à carga com novo acesso de benevolência cristã. Refere ele, num misto de perplexidade e –desconfio eu – nojo (ou tédio, se preferirem, os mais sensíveis) que o "Abrupto", essa farol da blogosfera, debitando uma palha de teor incaracterístico, cativa todavia que nem mel e já ultrapassou mesmo o milhão de visitas. Pressinto que através deste pasmo agoniado, o Clark abana a cabeça e interroga misticamente o Cosmos. Não vá o Cosmos estar ocupado com planos apocalípticos ou a dar à luz mais não sei quantas constelações pelo buraco do telescópio parteiro dalgum cientista anglófono, acudo eu ao meu bom amigo (antes que ele, tomado pelos arranques, se entorne sobre algum presépio).
Pois, ó Clark, o fenómeno é elementar. Não tem nada de surpreendente, nem, muito menos, constitui atestado ISO de excelência. É sabido que o bom povo português, vá de carro ou vá de cibernave, aprecia sobretudo embasbacar-se com escabrosidades e desastres. Pela-se por descarrilamentos e alúvios.
De resto, é sinal inequívoco: quanto maior o enxame em redor, maior o aparato do despiste e a monumentalidade da asneira. Dito mais simplesmente: O número de moscas atesta, única e exclusivamente, da qualidade da bosta. Da qualidade, que é como quem diz: do alcance e exuberância do fedor.

Quando não souberes, pergunta.

4 comentários:

josé disse...

Ahahahahahah! Esta foi a melhor da semana!
Ainda hoje dei a ler a penúltima página da Visão, com uma crónica confrangedora da última descoberta no génio nacional do humor: Ricardo Araújo Pereira que escrevia textos impagáveis no Gato Fedorento e agora optou por se pagar por textos fedorentos na tal revista.
Este teu texto recompôs-me o humor. Devia vir lá- na penúltima página em vez daquela sensaboria forçada e mastigada para se vender a pataco.

Já agora, com atraso e adiantado, ao mesmo tempo: parabéns pelo aniversário ( a mim ninguém mos dá...)e votos de Bom Natal que é sempre algo que se deve desejar a amigos, mesmo virtuais!

clark59 disse...

Sabes o que é que me fode? Que o cabrão tenha a audiência que tem, independentemente do que escreve.

Constituição da Rés Pública: No dia em que o claque e o dragoscópio forem os mais lidos da blogosfera, juramos a pés juntos que deixamos de escrever. E esta, hein?... Alinhas?

dragão disse...

Creio bem que essa desgraça nunca nos acontecerá, ó Clark. :O) Eu, pelo menos, estou mais livre disso que duma camada de chatos!...
Os leitores são como os amigos: poucos e bons!...

Em todo o caso, se por alguma pirraça do diabo, meu primo, isso viesse a suceder, eu nem precisava de deixar de escrever: suicidava-me antes!...

zazie disse...

Vou aproveitar aqui este cantinho que está mais sossegado para desejar um bom Natal ao nosso Dragão e mais outro para o José que não o esqueci (será que continuo a trocar o mail? É?...já não me lembro... “:O.