sexta-feira, março 07, 2008

O Umbigo do Aleijadinho

Tirando Jesus Cristo (na sua dimensão "humana") creio que não deve haver sábio mais maltratado que Nietzsche. Há um Nietzsche detrás da pirotecnia -dos humores, como sensatamente viu Cioran -, mas a malta fica-se pela rama, pelo foguetório. Cada qual agarra o que lhe interessa, o que lhe convém, enfeita-se com ele e sai em procissão de psicoflagelantes. O problema é que Nietsche não se deixa digerir, ainda menos jiboiar, facilmente. Kant esconde-se atrás da teia abstrusa, Nietzsche envolve-se em fogo de artifício. Porque, além do filósofo que poderemos ou não apreciar, está, muito provavelmente, a melhor literatura da língua alemã. Um duplo génio portanto. E mesmo aqueles que desgostem da sua ética, dificilmente encontrarão motivo de reparo na sua estética. Como diz o povo, sentir-se-ão tentados a perdoar-lhe o mal que faz pelo bem que sabe. Fernando Pessoa, um "nietzschiano", haveria de tecer o diagnóstico adequado: o poeta é um fingidor. Poderia o poeta Nietzsche fugir a esta inexorável regra?
Mas vamos à célebre "morte de Deus".
Sempre que se fala em Nietzsche, lá vem o "óbito Celeste". Foi Nietzsche que fez a "proclamação da morte de Deus", acusam os magistrados retóricos. Ainda sábado passado, no DN, o mestre-escola Borges arengava disso, como prelúdio a mais não sei que ecumenismo catita. Para o vulgo, sempre predisposto à balbúrdia e à alarvajura, a notícia decorrente destes arautos peregrinos é que Nietzsche matou Deus. Naturalmente, qualquer beato de loja de conveniência desata a vociferar contra o malandro do Nietzsche que, tendo visto Deus a chilrear numa faia, tratou de abatê-lo, sem dó nem piedade, com a sua fisga de filósofo travesso. Em contrapartida, os ateístas, superbeatos ainda mais ferozes, celebram-no como um hércules mundador de hidras opressoras. Entre uns e outros, evidentemente, o diabo só não escolhe porque patrocina.
Bem, Nietzsche matou Deus? Qual Deus? Como dizia o outro da chapelada, deuses há muitos. Andamos há milénios não apenas a matar-nos uns aos outros, como, proeza ainda mais gloriosa, a matar os deuses uns dos outros. Não foram tantos como as gentes, mas ainda dão um magote razoável. "Ah, mas Nietzsche, grande monstro, matou o nosso Deus! O de todos nós!"- bramais. Deduzo, portanto, que Deus é uma propriedade vossa, um latifúndio. E vós sois "todos". Pergunto-me o que pensarão os chineses e os indianos da morte desse "vosso" Deus. Ou os tipos, alguns deles certamente bem esquisitos, espalhados por essas galáxias fora. Mas vós sois os eleitos, os principais, os queridinhos, os filhos pródigos, será isso? Pergunto-me onde tereis ido buscar uma ideia compaixonada dessas...
Estou a mangar com a simbologia, pois estou. A "morte de Deus" não é literal, é simbólica. Morreu na filosofia e no pensamento ocidental; morreu na mente da nossa civilização. É isso que Nietzsche proclama? Não proclama: constata. Verifica. Atesta. Há toda uma diferença. É o médico que passa a certidão de óbito. A malta, com a estridência arborícola digna da espécie, confunde o médico com o assassino.
Alguém andou a matar Deus. E Deus deixou-se matar? Que raio de Deus vulnerável é esse, que se deixa arrumar e varrer ao jeito das manias, conveniências e modas da turba iluminada? É um Deus sério ou é um deus-muleta, deus -prótese humana? De tal ordem que um dia o aleijadinho, ao descobrir a cadeira de rodas, festejou: "já não preciso da muleta para nada!" E ainda hoje anda nisso: "guardem lá o deus-muleta, agora já temos a ciência-cadeira de rodas!..."
Certamente, não foi Nietzsche quem fez do aleijadinho o umbigo do mundo e do Cosmos a mundana onfaloscopia de Deus. Como se Deus não tivesse outra ocupação senão contemplar o umbigo do mundo. Como se Deus não tivesse outra finalidade que não existir para essa vigilância.
E, ainda mais certamente, não foi Nietzsche quem, antes da "morte", proclamou (aí sim, proclamada e reproclamada) a ausência de Deus. Quando se fez do mundo o "reino do mal" e Satã o príncipe desse Reino. É assim que a hubris trabalha. Daí ao caos presente foi um passo breve, fatal e duplo: entregaram a alma à Razão e o corpo ao diabo. E o mais pavoroso é quererem salvar com a razão aquilo que assassinaram e continuam a chacinar com ela. Confundem o punhal com a cruz. Confiam numa rameira para guardiã da virtude e pitonisa da verdade. Haverá melhor alibi para o criminoso do que a máscara de vítima?
Nem Nietzsche pretendeu arvorar sistema, formar escola ou arrebanhar prosélitos, nem me animam a mim ímpetos oraculares ou sequazes. Do pouco que sei, sei que não se venera Nietzsche: luta-se com ele. Arranca-se a alma à sala de ópio e lança-se ao chão de Sófocles, de Ésquilo, de Aristóteles... e do Calvário.
Tanto ou mais que a "morte de Deus", o que atormentou Nietzsche foi o Seu esquecimento. Isso e um encargo inestimável de que nunca será louvado o suficiente : o de dizer ao aleijadinho possesso algo que ele, hoje ainda mais que então, merece ouvir: "Tu, piolho cósmico, não és o umbigo nem a vedeta-mor do universo! Tu és apenas o protagonista duma tragédia. E quando te ensoberbesces, afinal, só te amesquinhas."

27 comentários:

Anónimo disse...

Nietzsche, esse Génio incompreendido.
Esta corja anestesiada, não lhe chega aos calcanhares.

Elypse disse...

Escrevi num daqueles aforismos, ou reflexões (como por vezes lhe chamo), o seguinte: Nietzsche nada fez, para além do bem e do mal (parodiando com o título de um dos livros dele)

Uma curiosidade: sempre que abro o Zaratustra, não consigo conter o riso. Adoro o livro e desfaço-me a rir com cada "salmo” – entendo-o como uma imensurável ironia, escrito por uma inteligência, de facto, superior.

Quanto à questão de ateus e crentes, sempre latente: por mais absurdo que pareça, é bem capaz de estar mais perto de Deus um ateu que um crente.

zazie disse...

É isso mesmo, Dragão. Vou "linkar" o post que anda para aí muito analfabruto a vender patacoadas de filosofia de ponta.

fritz disse...

O cristianismo "morreu" quando saiu das catacumbas (e deixou de ser perseguido para herdar os vícios dos seus antigos algozes) e se tornou religião oficial, fonte de poder.

Thoth disse...

O dragão ainda vai para os infernos... :-)

Cumprimentos

Anónimo disse...

Infelizmente tenho de concordar com o Fritz.


2Bs

Silfo disse...

Reformulando:
-O cristianismo morreu quando transmigrou de protegido a protector de Deus...e o seu Deus feneceu quando começou a ser protegido pelos homens.

Por muito que se proclame ou constate o divino óbito, a verdade é que os exércitos dos vários deuses parecem perfilados para novas batalhas.

Ninguém mata os mitos. Eles sucedem-se,conquistam o território dos antecedentes,etc.

Os deuses ainda vão estourar com o mundo!

Como diria Obélix, estes deuses são loucos!!!

Anónimo disse...

Bem, eu na verdade até compreendo, de certa forma, os motivos de desgosto de crentes fervorosos e não tão esclarecidos em termos de estrutura mental que tiveram a infelicidade de ler Nietzsche - tendo em conta que (a sumidade coisas que li de Nietszche, que foram páginas de algo que nem sei o que era) me foram suficientes para implementar a noção de perspectiva humana como condição a priori para tudo - a tal teoria do espelho no canto da sala - que parece simples, mas, ao construir-se por cima disso, toda uma galáxia de novas inferências se apresenta, conduzindo inevitavelmente à destruição de qualquer possibilidade de metafísica, por coerência lógica:

o mundo só pode ser apreendido através do olhar humano, e, mais especificamente, através do nosso olhar -> o mundo só existe da forma como cada um de nós o olha -> logo, somos, cada um de nós, a única forma possível de mediar um mundo -> que, afinal, não existe para além de nós, e se inicia quando abrimos os olhos, e acaba quando os encerramos (espaço para dúvida, aqui, claro, mas assumamos que não) -> logo, simplificando, somos o centro do mundo -> logo, somos Deus?

E se formos Deus? um dEUs desimportante, vexado, humilhado, humano, que não tem poderes especiais e é tão igual a qualquer outro dos dEUSes pululantes e humanísticos que compõem a paisagem.

Não fosse o pânico terrível que temos da morte enquanto fim da nossa existência, haveria espaço para a concepção de um dEUs assim? E porque merecerá um Deus assim menos crédito que um qualquer outro Deus omnipresente? E se houver um Deus que nos criou À sua imagem e semelhança e que espera de nós o mesmo? Seria deus intolerante com a imperfeição nítida da sua criação? Estaria deus frustrado?

Bom, fosse como fosse, muito já revolvi eu em Nietszche, nessa pequena coisinha, que depois evoluiu para um bizarro xadrez de ideias e pressupostos que fui forçado a abandonar, mas realmente as conclusões que se retiram do seu niilismo podem conduzir um homem à loucura, se não souber analisá-las com uma certa distância. Aconteceu com o Hitler, aconteceria de certa forma comigo se me tivesse enrolado, e portanto a forma mais fácil de defesa e chamar-lhe, naturalmente, besta, pegar-lhe fogo aos livros, ponto final, tal como se faz ao Saramago porque afinal é assim tão difícil de ler, e até, na verdade, já ninguém tem paciência para nada disto.

Até eu nem sei porque estou a comentar aqui, e porque o fiz da forma como fiz, chamem-me niilista, peguem-me fogo, acho que só o disse porque a dicotomia "católicos praticantes vs. ateus militantes" e a tentativa de acomodar a espiritualidade em tudo o que não tenha nem um tonzinho qualquer de cinzento dentro do próprio cristianismo, porque, afinal, é de cristianismo que estamos a falar, me anda a irritar um pouquinho, mas é tudo sem ofensa e, especialmente, sem pretensões a leis universais.

É que nem a forma deste meu texto, que afinal se alongou e com as minhas desculpas, se apresenta sequer como um argumento válido, que busilis, mas sempre gostava de ver se um verme como eu, que arrotou tal posta de pescada completamente embriagado directamente dali de baixo, do chão da calçada, onde me encontro sentado e maltrapilho, merece uma resposta sua ou da zazie, meu caro dragão, mas secretamente até desejo que tenha, embora não seja - como é óbvio - necessário falar-se mais no assunto, ponto final, já fiquei feliz de qualquer das maneiras, depois dê lá um saltinho, a ver se me adivinha, aposto que não.

Anónimo disse...

ah, só mais uma coisa:

dessa teoria da perspectiva, e do canto da sala, apenas uma coisa se pode retirar com certezas: que cada homem terá sempre a sua verdade.

no caso específico de Deus,qualquer ele que seja, católico e apostólico ou hindu, escolher um ou outro lado é e será sempre uma questão de Fé, e nunca racional. Não existe argumento algum que o comprove, nem que o renegue; paradoxalmente, visto de fora, é tão idiota ter uma religião quanto não a ter. E será, certamente, indiferente para qualquer Deus que nele creiam ou não. A não ser que Deus se frustre. É possível.

E eu? eu sou idiota, obviamente, por cuidar que posso falar impunemente do assunto, como alguém que, nao tendo crença, também não a deixa de ter. O que me levou em tempos a julgar que era eu o tal dEUs desimportante, acreditando na nobreza dos meus actos e na bondade inerente à natureza humana, procurando sempre fazer o melhor e não magoar ninguém e coisas bonitas e flores e rosas, enfim, aspirar à perfeição impossível, e chamar isso de espiritualidade sem no entanto sentir a necessidade de me rezar a mim mesmo ou de me sentir superior seja a que barata for, muito pelo contrário, excepto, claro, àqueles momentos em que me sentia mesmo com muito muito medo e aí pumba! caía-me a minha educação católica inteirinha em cima e o seu peso levava-me a dizer, "senhor, por amor de deus, salva-me disto", para depois esquecer tudo isso no orgasmo seguinte,

enfim, a espiritualidade é uma coisa complicadíssima, e às vezes mais valia estar calado, como foi o meu caso, agora.

Anónimo disse...

Caro Dragão,
não é necessário escrever tanto para não dizer nada.
"Arranca-se a alma à sala de ópio e lança-se ao chão de Sófocles...?" Mas o que quer significar esta merda?
Deixe lá o Eça e ande mais a pé. Caminhe, vai ver que lhe faz bem.
Cumprimentos.

Anónimo disse...

E agora uma grande piada final:

e se os dois comentários anteriores tivessem sido escritos por Deus?

Hahahahaahaha

Anónimo disse...

(PS: o anónimo das 4:42, 4:56 e 5:03 demarca-se e manifesta o seu desconhecimento do comentário do anónimo das 4:58, ressalvando, em todo o caso e por coerência de raciocínio, que também o anónimo das 4:58 poderia ser Deus, se assim o desejasse ou talvez, até, mesmo que não o desejasse, no chão de Sófocles ou em qualquer outro local mais ou menos desadequado)

Anónimo disse...

eu anónimo das não sei quantas horas e não sei quantos minutos venho aqui, por este meio, apresentar a Vexa Dragão os meus respeitosos cumprimentos e dizer ao anónimo das 4:42 e 4:56 que dEUS é uma banda rock que só faz umas merdas de umas cantilenas e apoiar o anónimo das 4:58 que manda Vexa. o Dragão caminhar. Eu também acho que lhe fazia bem. Se Vexa. o Dragão não puder ou não quiser caminhar também pode uivar que ajuda a descomprimir.

Dragão disse...

Caro Anónimo que não das 4:58, elabore à sua vontade. Só lhe peço encarecidamente que não me transforme isto num panteão. Já temos deuses suficientes em Santa Engrácia. Ainda há pouco tempo trasladaram para lá mais um.

Caro anónimo das 4.58,
não tendo eu a pretensão nem o mau gosto de escrever para toda a gente, não tenha vosselência a veleidade de arvorar em seu concessionário exclusivo e procurador.
Da próxima vez, portanto, a bem do rigor, diga:
«não é preciso escrever tanto para não me dizer nada.»

O que não se percebe é que não lhe tendo dito eu nada, e não sendo portanto a coisa nada consigo, se tenha o cavalheiro sentido na aflição de me vir dizer não sei o quê.

timshel disse...

o anónimo das não sei quantas horas e não sei quantos minutos sou eu

timshel disse...

do Nietzsche só me lembro de um mandamento: descofiai dos que dormem mal (salvo erro no Assim Falava Zaratustra)

timshel disse...

não descofiai

desconfiai

zazie disse...

ahahahahaha

Não posso crer. O encapuxado abusou da dose e ficou biruta

":O))))

É o que eu digo, de quem aprendeu filosofia a fazer de ratinho na caixa do Skinner e de religião a ler um escritor menor que se pode esperar...

ahahaha

É um bacano este Tim. Tem medo que Deus lhe fuja pelo gargalo por onde o encontrou.

Dragão disse...

Timshel, caro teófago bulímico,
já mandar-te eu pastar seria redundante: não fazes outra coisa.

zazie disse...

ehehehe

Tive que voltar cá para ler isto. O Tim se não existisse tinha de ser inventado.

É completamente passado

Mas tem razão quanto a desconfiar-se de quem dorme mal, lá nisso concordo
":O)))))

Mefisto disse...

Nietzsche mexe com as nossas inquietações profundas, insufla os nossos demónios.

Mesmo os que não o percebem fogem dele a sete pés.

Isto diz-nos bem quão fracos somos e quão inadequada é a nossa socialização.

Há um longo caminho para chegar a casa.

josé disse...

Cheguei agora a casa, vindo de longe. Entro neste sítio de luxo e leio algo sobre Nietsche.

Vejo os comentários e reparo que falta aqui um comentador: o Modernista.

Redoutable, ce type là!

Tenho pena de ser um pouco analfabeto para poder discutir com tão alto epistemológico.

Mas, como dizia o outro, há muitos anos, ando a tratar-me.

Anónimo disse...

Mui bien sr. dragão, mui bien!

Quanto aos comentários e respondendo ao anónimo que respondeu ao anónimo que não sendo o anónimo das 4:30 é o anónimo que respondeu ao anónimo das 16:30, sem esquecer do anónimo das 10:30, entre outros arautos da anonimidade (que são um verdadeiro problema para o reumático não é verdade meus caros?), quero dizer apenas:
Os vossos comentários, opiniões e julgamentos têm todos muita piada.

Quanto ao Timmyyyy (vede:South park), é sempre o mesmo!

Quem vive apenas na aparência pouco entenderá do escrito por alguns indivíduos, especialmente pelo Fredy.

Cumprimentos,
AH

zazie disse...

O timmy South Park é que teve piada

":O)))))

Anónimo disse...

"Acho" que o Dragao tem razaoa morte de Deus na cultura ocidental: Nietzsche constata, nao mata. Nenhum homem isolado conseguiria tal proeza. Deus tornou-se uma 'peca' nao fundamental na nossa visao do mundo e na praxis do mundo e da cultura ocidentais.

Outro ponto interessante e' o niilismo: Nietzsche constata o niilismo da epoca moderna e traca a sua origem genealogica. Nietzsche nao era niilista, pelo contrario. Das minhas superficiais leituras, conclui que ele aponta o 'dedo acusador' a todos aqueles que negam as potencialidades criativas do ser humano e esses sao os niilistas. Niilistas sao aqueles que destroem quem cria valor(es) na sua vida concreta; niilistas sao aqueles que procuram sujeitar o Homem a ser mais uma roda na engrenagem. Qualquer engrenagem: ateista ou crista, socialista ou capitalista, ... Quem sao esses terriveis niilistas? Os cristaos, os ateistas, ... se bem o entendi, para o Nietzsche qualquer um pode ser um niilista e, e' a partir dessa imensa probabilidade, que ele constata o niilismo no ar dos tempos em que viveu. Pronto, agora calo-me.

(e' verdade, o' Dragao, alem do estilo sublime, o Nietzsche tem de ser lido como um grande ironistas -- quem le o nietzsche, nao pode deixar de rir com a subtileza das suas criticas; existem umas linhas sobre as 'leis fisicas' que sao um piteu -- no "Par-dela' bien et mal" -- nao o tenho aqui, nao posso dizer em que seccao..>)

MP-S

Dragão disse...

«Nietzsche constata o niilismo da epoca moderna e traca a sua origem genealogica. Nietzsche nao era niilista, pelo contrario.»

Pois leste bem, ó MP-S, Deus te abençoe. É tão raro ver alguém que não vandalize o desgraçado do Nietzsche.

josé disse...

Eu não li Nietzsche. Sou um inculto, já sei há muito. Li resumos, glosas, há muito muito tempo, era eu uma criança.

Disseram-me que não valia a pena ler e eu acreditei.

Um dia destes, tento tirar a limpo.

Quanto à questão de Deus, não se me coloca. Deus será aquilo que É.

Não pode ser outra coisa. E nós só poderemos pensar que assim seja, porque a alternativa não se sustém, do nosso ponto de vista- seja o de quem for, mesmo o dos ateístas.

Aliás, estes dão-Lhe existência ao negarem a sua essência. Porque ao mencioná-Lo, nomeiam-nO. Dão-Lhe um nome.

Ao dizerem Deus não existe, acreditam que um Deus que não conhecem, não existe.

E se houver Outro que eles nem conheçam?