quarta-feira, abril 06, 2016

Coisas da Pérsia





«O estudo da religião iraniana está replecto de surpresas e decepções. Aproximamo-nos do assunto com o mais vivo interesse, pois conhecemos antecipadamente a contribuição iraniana para a formação religiosa do Ocidente. Se a concepção do Tempo linear, substituindo a noção do Tempo cíclico, já era familiar aos hebreus, muitas outras ideias religiosas foram descobertas, revalorizadas ou sistematizadas no Irão. lembremos apenas as mais relevantes: a articulação de vários sistemas dualistas (dualismos cosmológico, ético, religiosos); o mito do Salvador; a elaboração de uma escatologia "optimista", que proclama o triunfo definitivo do Bem e a salvação universal; a doutrina da ressurreição dos corpos; muito provavelmente, certos mitos gnósticos, e, finalmente, a mitologia do Magus, reelaborada durante o Renascimento, tanto pelos neoplatónicos italianos como por Paracelso ou John Dee.»
- Mircea Eliade, "Zaratustra e a Religião Iraniana ", in História das Ideias e Crenças religiosas


Se queremos a origem das soteriologias várias, é na Pérsia Antiga que a vamos encontrar. Como essa influência depois se manifestou nas diversas religiões e respectivos etno-suportes, variou de acordo às idiossincrasias de cada caso. Entre os hebreus ganhou especial relevância a ideia messiânica, que se traduz na esperança pela vinda dum Messias, descendente de David, ungido por Ihavé com o propósito de restaurar a monarquia radiosa do tempo dos grandes reis de Israel. De acordo ao carácter exclusivista e narcisista do povo hebreu, o Messias é um assunto interno e exclusivo dos Judeus, e cura apenas dos seus interesses e expectativas (tal qual Iahvé é o seu deus privado). Continuam a aguardá-lo. O termo Messias  é originário do aramaico mexiha (hebreu  maxiah), e significa "ungido".
Para os cristãos, Jesus Cristo é já o Salvador, o Ungido (christos, em grego, também significa "ungido"), realização viva e plena dessa esperança antiga e pungente. Abre já o caminho da salvação, convoca e anuncia também o desenlace dos tempos e do mundo. É nesta futura e fatal adveniência que, segundo o Livro do Apocalipse, encerrador da Bíblia Sagrada, capítulo 20,  acontecerá o que vem descrito nestes literais termos: «Um anjo que descia do céu. Trazia na mão a chave do Abismo e uma grande corrente. Agarrou o Dragão, a serpente antigo, que também se chama Diabo ou Satanás: prendeu-o por mil anos e lançou-o no abismo que depois selou, para que ele não enganasse as nações, até que se completassem mil anos. Depois deste período, o Diabo deve ser solto por algum tempo.»
Durante estes mil anos acontece a primeira ressurreição, de apenas parte dos mortos. O texto informa: «Felizes e santos os que tomam parte na primeira ressurreição! Sobre eles a segunda morte não tem qualquer poder, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com Ele durante mil anos.»
Ora, é do culto exacerbado e peregrino deste Milénio profetizado no Livro da Revelação que resulta o fenómeno apelidado de Milenarismo. Ao longo da História do cristianismo, algumas seitas mais ou menos alucinadas entregaram-se a êxtases ou meras excitações colectivas, que se propunham invocar, agilizar ou velar a eclosão iminente do Milénio (procurando garantir, assim, por antecipada beatitude ou martírio, um lugar entre os eleitos da primeira ressurreição). O Milenarismo é um fenómeno, por inerência óbvia, especificamente cristão ou pseudo-cristão. O milenarismo não é uma consequência necessária do messianismo: os judeus não são milenaristas E os muçulmanos, mesmo aqueles heterodoxos que acreditam no triunfo final do Madhi, também não especificam compartimentações da temporalidade para esse estado radiante. Sendo um "messianismo" helenizado, o cristianismo não é, todavia, um messianismo em bom rigor, porque "christos" ganha uma carga cultural que transporta o "messianismo" cristão a uma dimensão meta-étnica, ou seja,   e perdoe-se o aparente absurdo, o cristianismo não é um estrito messianismo porque, precisamente, é um cristianismo, ou seja, uma superação do messianismo (da exclusividade para a universalidade). Da mesma forma que o Madhismo não é um messianismo em completo rigor porque tem mais afinidades com o cristianismo do que com o judaísmo. Sendo que ambos, cristianismo e madhismo coincidam numa reinstauração do modelo originário, em contraposição  estrita apropriação judaica. Eventualmente, explicável a partir da a tal matriz das estruturas mentais dominantes não semitas. De resto, o Imã Oculto e o "Deus vivo", traduzindo-se no Paracleto, podem encontrar alguma espécie de paralelismo entre ambas as formas de crença.

Quanto ao Islão, em mais geral, não cometerei qualquer inconfidência nem alcançarei inaudita descoberta, se disser que o problema começa na sucessão do proteta Maomé. A cisão entre Sunitas e Xiitas provém daí - os segundos, espécie de legitimistas familiares, não aceitam a sucessão que haveria de dar corpo à tradição e ortodoxia islamica. Esta objecção dinástica, todavia, existiu sem conflitos de grande dimensão até à ocorrência dum evento que haveria de transformar abruptamente toda  relação de forças: a conversão da Pérsia ao Islão. A partir de então, o xiismo adquire proporções não apenas de recusa da doutrina religiosa, mas também da hegemonia étnica árabe. Em primeiro lugar, porque os persas têm uma bagagem cultural, sobremaneira religiosa, absolutamente superior aos cameleiros; depois, porque não suportam os semitas e o seu, por assim dizer, formalismo claustrofóbico (uma espécie de tardo-fariseísmo ampliado). O resultado é que todas as heterodoxias islamicas (ou tendências desestabilizadoras) advêm e radicam no xiismo, contando-se um número considerável de ramos, quase todos etnocentrados, excepto o mais importante de que falarei adiante. Assim, elencam-se os kaysanis, zaydistas, septimâmicos, druzos, aghas-khans, alauítas (do presidente Assad, na Síria) e até a ordem dos Hashashin (ou Assassinos, do Velho da Montanha), entre os ramos minoritários; e, finalmente, os duodecimãmicos do Irão, ou xiismo maioritário.
É muito curioso que no auge da carreira dos Assassinos, estes se tenham distinguido, sobretudo, por executar e aterrorizar as estruturas do poder sunita da época. Tentaram, por exemplo, assassinar Saladino em duas ocasiões.  Num certo sentido, se podemos conotar o sunismo com uma "liga árabe", os xiitas, sem grande margem de erro, poderão ser enquadrados numa liga contra-árabe. Isto tem séculos de história e não é sanável nem conciliável. Toleram melhor um cristão do que um sunita, os xiitas. A feroz hostilidade que ainda hoje opõe Iranianos (e seus aliados) a sauditas e turcos radica nesta antiquíssima chaga.
Também todo o misticismo islamico entronca e viceja no xiismo "Como ficou demonstrado em investigações recentes, Ja'far al-Sãdik, o IV Imã (morto em 148/765) e um dos grandes mestres do sufismo antigo, já definira a experiência mística em termos de amor divino («um fogo divino que devora completamente o homem"). O que comprova a solidariedade entre o xiismo e a primeira fase do sufismo.» - diz-nos Mircea Eliade. E acrescenta: «Efectvamente, a dimensão esotérica do Islão (bâtin), específica do xiismo, foi a princípio identificada na sunna com o sufismo. Segundo Ibn Khaldun "os sufis estavam extremamente impregnados das teorias do xiismo". De igual modo, os xiitas consideravam as suas doutrinas como a fonte e a inspiração do sufi. Entretanto, a mística sufi teve influência e alguma relação com a própria filosofia, expresso em figuras como al-Farabi, Avicena e Averróis (um aristotélico sui-generis). De al-Farabi também se disse "um Platão vestido com o manto de profeta de Maomé".
Mas vamos aos tais xiitas maioritários. Além do martírio de Karbala, há outro episódio importante na sua saga crente: em 685, Muhamad ibn al-Hanafiyya liderou uma revolta em nome do filho de Ali e proclamou-se Imã, ou seja, verdadeiro e legítimo chefe dos muçulmanos. Foi derrotado em 687, mas o seu movimento persistiu. De tal modo que, quando em 700, o próprio al-Hanafiyya morreu, enquanto alguns sustentavam que a dignidade de Imã transitava para o seus filho, outros houve que asseguraram que ele não estava verdadeiramente morto, mas que se fora ocultar nas montanhas de Radwa, perto de Mecca; quando Alá assim entendesse, regressaria de lá e triunfaria sobre os seus inimigos. É assim que nasce o dogma do "Imã oculto", ou Madhi ("aquele que é orientado para o bem"). O ponto essencial desse dogma é que o Imã oculto, desde a sua "apoteose", exerce a sua autoridade sobre os fiéis tendo como intermediário, não apenas admitido mas imposto, uma hierarquia, totalmente sui-generis, de mujtadine, literalmente, "gente que faz um esforço (ijtihád) de procura da verdade». Esses guias têm títulos que evocam as suas competências e as suas atribuições: mollah (mestre), áyatollah (sinal de Deus), hojjatolislám (argumento do Islão). Através dos séculos, o debate iria ser o de verificar se essa hierarquia se submetia ao poder político ou se o submetia a ele.»  -"O Islão", por Azzedine Guellouz , pp.257 ( in Jean Delumeau, "As Grandes Religiões do Mundo").


Ficam assim perfeitamente mapeadas as eventuas contaminações de pseudo-messianismo na religião islamica. Afinal, nem em importação se pode falar, porque , na origem, a ideia era deles, dos iranianos. E é essencialmente uma posição heterodoxa (contra a sunna), como, de resto, o corpo geral do xiismo. Da mesma forma que o milenarismo, entre os cristãos, também constituiu, invariavelmente, uma insurgência contra a ortodoxia eclesiástica.


Posto isto, ou seja, e em síntese, como todo o esoterismo e heterodoxia do Islão assentam no xiismo,de que modo explicar então O ISIS (ou Estado Islamico com vista para a instauração do Grande Califado) como uma manifestação de "milenarismo" islamico?
Esse é o assunto para o próximo Consultório Oracular. Embora a perplexidade se instale de antemão na plateia: querem lá ver que o ISIS, contra todas as evidências concretas e factos comprovados e abundantes da realidade, afinal, não passa duma fabricação do Irão?... Depois do ataque às torres em 11 de Setembro, vão ser agora também condenados pela responsabilidade do ISIS? Tudo isto são já os indícios de novo processo no Tribunal revolucionário Internacional?... Ou não passa, a tese peregrina, de mais um surto agudo de porteirice ambulatória a armar à rata sageza?...

Da burka para o pelourinho, é só mais um bocadinho.

terça-feira, abril 05, 2016

Tanatopédia e vivissecção social




É muito curiosa a administração da morte pelo "estado"/ seus predecessores ou equivalentes ao longo da História. Chamemos-lhe, a este ministério da Morte, a Tanatopédia.
Pois bem, assim como para a cronologia histórica em geral se toma em consideração  a figura de Jesus Cristo, na Tanatopédia, há também um antes e um depois... da Revolução Francesa.
Vamos ao antes. A execução da pena de morte varia nos seus trâmites e requintes consoante a geografia, mas também conforme a gravidade dos crimes e a própria posição social do condenado. Um nobre não é executado da mesma maneira que um plebeu: aquele é decapitado à espada; este, a machado ou passado pela  forca. Por outro lado, um simples homicida não recebe a mesma morte que o cúmulo da classe - o regicida. Se aquele é sumariamente executado, este padece um suplício prévio de estarrecer o mais indómito espectador. Por conseguinte, não há suavizações patibulares. Pelo contrário, há uma gradação de suplícios consoante o grau de horrores perpetrado pelo criminoso. Num rigoroso sentido, o patíbulo é já a antecâmara do inferno. E tem duas funções primordiais, tanto quanto o castigo merecido, a dissuasão e a pedagogia para o futuro. Por muito que os estômagos delicados dos ensaistas do século XX efabulem meras repressões, a verdade é que, bem mais que repressiva, a função dos pavorosos espectáculos no cadafalso tem um carácter dissuasor. Aliás, só assim se compreende como as sociedades europeias viveram durante séculos sem , pasme-se, polícia.  Não houve polícia na antiguidade, não houve polícia na idade média e não houve polícia em larga fatia da idade moderna. Em rigor, o primeiro corpo de polícia aparece já em pleno absolutismo francês; e em Portugal, também durante o absolutismo, pela mão dum iluminista: o Marquês de Pombal.  É, aliás, natural e lógico que depois transite, o expediente, para o absolutismo do estado. Experimentem agora tirar a polícia (as várias centenas de esbirraria especializada, e sempre a crescer e a sovietizar o mundo) dos Estados Unidos ou da Europa, só para referir o Nec plus ultra da civilização e da virtude, digo, da democracia. Conclusão: antes da Revolução Francesa o aparato repressivo era mínimo e a dissuasão máxima. 
Depois da Revolução, gradualmente, o aparato repressivo foi crescendo e a dissuasão diminuindo. Atingindo, destarte, o paradoxo actual: nunca se gabou tanto a liberdade, e nunca a repressão (policiamento, legislação, controlo, proibição, vigilância, etc) foi tão omnipresente e desorbitada. Adentra-se já a passos largos e frenéticos, sob a supervisão de brigadas de psicovigilantes, à auto-censura selectiva e stardartizada.
A revolução teve ainda outro efeito fundamental: a igualitarização tanatopédica: todos passavam a ser mortos da mesma maneira, não já directamente pelo representante da coroa - o executor-, mas por uma máquina - a guilhotina. Nesta democratização da morte, assiste-se assim, tanto a uma banalização desta, quanto a uma industrialização da mesma. É a primeira linha de produção em série da História, antes ainda das mercadorias e dos pinchavelhos: cabeças cortadas. O patíbulo cede lugar a uma espécie de matadouro municipal: a maior partre dos clientes da degola nem são contra-revolucionários assumidos, mas desgraçados  que, por alguma bagatela, compareçam diante do Tribunal revolucionário. Lendo-se as memórias de Samson, o carrasco da monarquia que depois transita para a revolução (constitui, aliás, o único alto funcionário que transita do antigo regime para o regime lavado: vê-se apenas despromovido de "alto executor" a "servente da máquina"), é de estarrecer a vulgarização da pena de morte. Vai tudo a esmo. Um tipo qualquer embebedou-se  e manifestou algum reparo menos beato à nova religião? Cabeça fora! Um sapateiro foi apanhado com notas falsas? Cabeça fora. De facto, não são só os nobres (a maior parte, por habilidosa sugestão de Mirabeau, expatriou-se) ou os clérigos fiéis ao passado que alimentam o engenho benemérito: a esmagadora maioria da clientela são cidadãos avulsos, por delitos que, na maior parte dos casos,  raiam o ridículo.  Tudo isto, não obstante, decorre no melhor dos mundos (na hora do carnaval prático, Voltaire mascara-se de Leibnitz): a máquina foi concebida para ministrar não apenas uma morte igual, mas, sobretudo, segundo os preceitos iluministas, uma morte com o menor sofrimento possível, ou seja, uma boa morte, enfim, uma "eutanásia". Fisicamente, bem entendido. Argumenta-se em realce e prova do avanço humanitário (não estou a ser irónico) a liquidação instantânea do freguês. Claro que o suplício prévio é agora de ordem psicológica; e a tortura, embora acelerada, é meramente judicial: se antes o povo assistia em silêncio, não raras vezes com velada compunção e piedade, agora vocifera e injuria, faz tricot e chacota (e anuncia as caixas de comentário do futuro); se antes o processo legal procurava cumprir todos os preceitos judiciais, agora marcha a toque de caixa em despacho sumário: a investigação apenas antepara e anuncia a sentença; a comparência é não apenas bastante, como inequívoca prova da culpa. "Como, vem sob escolta?  - é um tratante, um faccínora comprovado e culpado à priori!" Basicamente, o Tribunal, por atacado e empreitada purificadora, despacha e abastece a nova "indústria". De local de pedagogia, o patíbulo converte-se em simples local de espectáculo. Não por acaso, entre os deputados à nova assembleia legisladora e instauradora do novo mundo admirável, a grande maioria provém das profissões tidas por imundas nos tempos medievais: advogados e palhadinos do direito são às mancheias.
Toda esta terraplenagem patenteia o abandono da qualificação criminal e a respectiva hierarquia de penas (como, acima e antes disso, destrói a qualificação moral e a hierarquia social), em prol da mera quantificação perante a lei. Tudo se submete doravante à lei,  numa espécie de tábua rasa que alastrou da alma/mente empirofictícia ao próprio tecido do mundo, sendo que aquela, a lei, se encontra em permanente e fervilhante processo engendrativo, por obra e graça dos seus sacerdotes-demiurgos. Quer dizer, nunca está (nem estará nunca) acabada nem concluída, mas em perpétua expansão. Ao contrário da regra que vem depor, varrer e usurpar, e estava fixada como princípio eterno da própria humanidade, a lei nunca está fixa, evolui, adapta-se e é alfaitada segundo o humor e o capricho de cada nova vaga mundifeciente.  Dito dum modo mais sugestivo: o big-bang legal precedeu o a teoria do big-bang sideral: as leis científicas foram precedidas e pré-enformadas nas leis sociais. A ciência enquanto Nova-religião do estado também arfa prenha de uma pulsão criacionista - o seu Fiat lux chama-se Direito.  A justiça na idade média e, ainda em grande medida, no Ancien Régime, fundava-se na regra natural e procurava ajustar-lhe a sociedade humana; a justiça revolucionária passa a decorrer da lei artificial (fruto duma sofística), remove Deus e submete o mundo a essa cama de Procusta em perpétua manobra e cirurgia plástica. Visa agora adoptar o humano ao artificial da conveniência hegemónica do instante a ferver (e de quem lá subministra).

O paroxismo é de tal ordem que, actualmente, na Europa, só para  citar o espaço que mais nos interessa e afecta, o absurdo nem reside tanto naquela fórmula muleta da seita neo-liberalóide, segundo a qual  se tentam resolver problemas atirando-lhes dinheiro para cima (isso, quando muito, apenas identificaria a seita rival, socialique). Não, o que é geral e comum a todas as seitas é, diante do problema, resolvê-lo da forma consagrada, compulsiva e sacrossanta desde o Princípio do Mundo (1789): atirando-lhe leis para cima. Porque é que existe corrupção? É simples: uma falha do enquadramento jurídico. Mesmo as falhas e atamancamentos por encomenda  evidentes das leis, como é que se resolvem? despejando e encomendando outras leis no montículo. Já não é um palimpsesto universal: é uma lixeira. Um aterro de entulhos.

PS: O novo mundo pós-revolucionário, como lhe compete, é dualista (maniqueísta, leninista, etc, é toda uma linhagem de metamorfoses ao longo dos tempos...) - reflectindo a assembleia constituinte (dele, Mundo), divide-se, esencialmente, em dois hemiglobos: direita e esquerda.
Que a coisa, com o aprofundar da doença, patenteia cada vez mais, em regime de caquexia avançada, o manicómio global, não espanta. O problema maior é que (como confidenciou uma alta figura Estado Unidense da época a um ministro dos negócios estrangeiros português, a propósito da política americana de então e seguintes), os internados tomaram conta da administração do asilo.



domingo, abril 03, 2016

Núpcias no Inferno




Na doutrina de subversão e contra-subversão, o terrorismo constitui um instrumento da subversão (pode também ser praticado a nível de estado, pelas próprias autoridades - caso do Terror na Revolução Francesa e seu arraial de guilhotina, ou do terror nas depurações soviéticas, ou o terror cultural de Mao, etc - mas aqui só nos interessa o seu carácter instrumental subversivo, como é o caso em análise). Os objectivos do terrorismo são, entre outros, a maior reverberação mediática possível (o seu impacto), a criação do ambiente de insegurança nas populações alvo. Quanto mais estas sentirem que as forças da autoridade não os protegem, mas vulneráveis se tornam à acção sequestrante das forças subversivas. A limite, o fim último destas é usurpar o lugar do Estado que minam. Como aconteceu, de resto, nos territórios ocupados pelo tal ISIS no médio-oriente: as populações ou fogem ou submetem-se. À força de terror. Não obstante,  afirmar que estes psicopatas são anti-iluminismo dá vontade de rir. Bem pelo contrário, eles representam uma das práticas recorrentes do iluminismo: as pessoas concretas submetem-se à terraplenagem ideológica.Vai tudo a eito, se for preciso, para instaurar o parque sanitário na Terra. Chame-se este Democracia ultra pasteurizada ou república da divina Razão & Mercado SA, Éden Socialista, ou Califado Última geração. O que anima esta gente não é uma simples religião espremida ao fanatismo: é uma ideologia montada numa religião. Direi mais: é o casamento no inferno (não o são todos?) entre o Islão e o Iluminismo. Se quiserem um paralelismo mais antigo e mais conhecido, que talvez permita uma melhor compreensão: o casamento entre o judaísmo e o iluminismo, mais conhecido por sionismo. Aliás, os dois fenómenos parecem evoluir, com a devida décalage temporal, ao espelho.
Aquilo que animou os sionistas desde o início foi uma nova ideia de judaísmo à qual todos os judeus, por força de todos os meios possíveis) devem submeter-se (os sionistas começaram por ser anti-semitas no sentido em que viam a principal ameaça na "assimilação", ou seja, na integração dos judeus nas sociedades em que viviam); o que é exactamente o mesmo propósito dos Novos-islamitas: todos os muçulmanos devem prostrar-se à nova e mais avançada (porque depurada) ideia de Islão. Tanto que não hesitam em chacinar ainda  mais muçulmanos do que  infiéis: é que perante a Nova-Ideia todos são infiéis até adesão e prostração em contrário. E como os muçulmanos são os mais próximos e os que compete esclarecer em primeiro lugar...
As ideias puras são, por regra e atavismo histórico, imperativos e dinâmicas de depuração. A purga social /cultural devém modus operandi por excelência. A diferença das sociedades ditas democráticas para estas mais exacerbadas que, de alguma forma, tele-segrega, é que não chacinam, aquelas, desenfreadamente: remetem apenas ao lixo. À insignificância. Ou à fastasmagoria estatística. Os campos de concentração não têm doravante vedações: apenas números.
Estes híbridos iluminados têm outra característica essencial: vão sempre, numa segunda fase instrumental, radicar em perversões de algo arcaico, que funciona como monstro animador e motriz lá do subterrâneo da coisa. O iluminismo fundou-se em perversões grosseiras de transplantes e canibalizações do pensamento grego clássico; o sionismo alicerçou-se em mitologias hebraicas; e o Estado Islâmico radica-se na reposição exacerbada e urgente de fórmulas arcaicas do próprio Islão .  O califa da Nova-Ideia é, passe a metáfora, o anel que une todos; e o califado é, nessa nova ordem de ideias, a restauração do Grande Islão, na sua época dourada ou de maior expansão na história - o que dará qualquer coisa de Lisboa ao Punjab. Tudo isto, pelo menos, enquanto propaganda (o que realmente está por detrás ninguém pode, em  rigor absoluto, definir; por enquanto. Mas há fortes indícios e pegadas abundantes...)
O passado, nestes híbridos, serve como fonte de legitimação e congregação do presente. O racionalismo grego e a idade de ouro da filosofia (devidamente passevitados no filtro escolástico e na "filosofia da liberdade" cristã) serviu aos iluministas, como o Grande Israel dos reis bíblicos serve aos sionistas, ou o Grande Islão serve a estes novos peregrinos da psicopatia. O sionismo começou por ser um ateísmo, como o iluminismo potenciou e o islamismo furioso consoma. No fundo, todos participam do mesmo culto: o da Morte. É o corolário lógico do cogito cartesiano: Massacro, logo existo.


PS:  As semelhanças ao espelho entre o sionismo e o movimento ISIS são demasiado óbvias e gritantes para se tratarem apenas de mera coincidência.

PSS: Quando vejo por aí, nas pantalhas televisivas, a exibição das vandalizações arquitectónicas e das atrocidades decapitantes dos fanáticos do ISIS como prova da sua medievalidade bárbara, apenas constato a chutzpah da mentira grosseira selada na ostentação da ignorância cultivada em prol do mal comum: os jacobinos da revolução francesa distinguiram-se superlativamente em duas coisas: chacinas metódicas por decapitação em barda; incitamento a destruição sistemática dos monumentos históricos, porque, precisamente, representavam símbolos de uma cultura mediavalesca que importava varrer da face da terra, em nome da nova-Ideia lucilante. Se não sabem, estudem.

sexta-feira, abril 01, 2016

Primeiro de Abril



Hoje é o dia Mundial da Democracia, da Liberdade, da Cultura e da Informação
Entre nós, graças ao 25 de 74, não é carnaval e natal  todos os dias apenas porque é ainda melhor: é 1 de Abril todas as manhãs, tardes e noites.
Primeirio de Abril sempre!...

Os pinóquios unidos jamais serão vencidos!

quinta-feira, março 31, 2016

Naturofobia

«The majority of humans in developed countries will stop having sex to procreate within decades, a leading academic has predicted.»

Em síntese, a procriação vai ser privatizada. Há aqui uma distopia qualquer a todo o vapor. Deve ser eventualmente a LCD- Liga dos Contra-utópicos Distópicos. E como vai à força de Rule of Law e de  Santa Ciência do Assobia, mais fofinho não há.  Não é difícil antever o admirável amanhã novo... Criminalização da gravidez por via sexual (e aborto compulsivo como pena);  acesso à procriação vedado ao pobrezinhos. E aos heterossexuais irrecuperáveis. O reverendo Malthus, lá da retrete do inferno onde presta serviço pela eternidade, há-de sorrir, embevecido.

quarta-feira, março 30, 2016

Corruptus dei




Diz-se por aí que o Brasil está com um caso agudo de Sorosite. Alguns detalhes ilustrativos aqui.

Não percebo grande espingarda da política brasileira. Se calhar também não há muito para perceber. Que salta à vista que aquilo é uma mescla mais ou menos anedótica de  carnaval e telenovela, parece-me óbvio. Que para obviar ao saque doméstico se acabe a instalar o mega-saque internacional também é a lei actual dos esquemas. E o passo seguinte na engrenagem. O querubim justiciante lá do sítio há-de ter as costas bem quentinhas dum hálito protector e proteseico. E tem para muitos e bons séculos (os trinetos ainda andarão nisso) : combater a corrupção no Brasil deve ser como combater o défice em Portugal. O que vale é que se trata, como refere o articulista em epígrafe, apenas da "corrupção má". Sim porque isto da corrupção é como tudo na terra: há a boa e a má. Aliás, um pouco como os genocídios e bombardeamentos industriais. O tal querubim, tudo o indica, deve obrar para a "boa". Podemos até imaginar para essa tal obra descomunal um nome catita: corruptus dei.
Em todo o caso se o tal Bat-esbirro (parido de novela da Globo) acabar a remover a Vilma (dos neo-flinstones) mais o pachorrento Lula, e, de caminho, a dar um bom motivo para se varrer a tal democracia da tanga, não serei eu a verter lágrimas. Só espero que os militares não vendam aquilo ao desbarato tão depressa como os da "corruptus dei". O único óbice a todo este meu wishful thinking é que a "corruptus dei" não dorme - ao mesmo tempo que dissemina o caos nas ruas, vai também erradicando, a desastre de avião, as hipóteses reais dum alternativa de nova ordem brasileira. O Agneli foi a semana passada, com a família toda. O Eduardo Campos foi nas últimas eleições, para a Marina Silva (da Soros Inc) ascender à rampa de lançamento. Gente capaz e vertical não interessa. Apenas corruptos. Mas dos bons.


PS: A propósito deste circo fui estudar a política dos nossos irmãos transatânticos. Fui dar com um valhacouto extremamente pedagógico. Chamam-lhe a "Nova direita" brasileira. Ao tomar atenta nota das características, reconheci não apenas uma série de espécimes ungulados que em tempos vieram aqui grunhir-me nas caixas de comentários, como outro detalhe ainda mais espantoso: que a nova direita brasileira é muito idêntica à nova direita portuguesa. Ou seja, a nova direita brasileira é...americana. Do norte.
Depois conto em pormenor. Até porque é sempre um prazer espicaçar aquelas chocas.

segunda-feira, março 28, 2016

Ad nihil







A diferença entre a União Soviética e os Estados Unidos não reside na essência mas na forma. Dito em termos simples, é a diferença entre o capitalismo de seitas alapadas ao estado e o capitalismo de Estado (ocupado por uma única e exclusiva seita). Portanto, a limite, é o que vai do poli-sectarismo ao mono-sectarismo. No resto, o materialismo motriz é o mesmo e o evangelismo operativo também. Ambas, segundo os seus ideólogos militantes, disputavam a instauração do paraíso na terra. Os comunas no amanhã, os anti-comunas já hoje, com muito sacrifício, trabalho e bom investimento. E ambas, também derivavam (os americoisos continuam a derivar, bem entendido) a cura do mundo através do alastramento do seu paraíso doméstico à generalidade do bairro global. Por outro lado, como seitas rivais, o seu paraíso avantaja-se a partir da infernalização da concorrência, mero e típico subterfúgio comercial. A melhor promoção do peixe de uns passa pela denúncia do apodrecimento do peixe dos outros.
Para uma melhor compreensão do fenómenos, dissequemos qualquer uma dessas seitas evangélicas de vão de escada que, entre nós, desde que o país foi entregue de repasto à democracia importada,  proliferam que nem cogumelos na podridão...
Um energúmeno qualquer, dotado de histrionismo loquaz, recruta um rebanho de imbecis, mentecaptos e papalvos que passa a explorar económicamente (proxenetismo ou alcoviteirismo religioso, se quisermos entrar em rigores técnicos). A operação consiste em transformar os papalvos  em clientes e os clientes em contribuintes - cada minúsculo pastor evangélico é um micro-estado em embrião, levedura  e efervescência; cada igrejeta de cave e subúrbio é uma empresa de marketing e investimento a galope. Naturalmente, à medida que o rebanho cresce, aumentam as necessidades de controle, ordenha e administração do mesmo, ou seja, o pastor precisa de colaboradores- enfim, acólitos caninos que o auxiliem na transumância. A certa altura, caso o negócio e a embrumadela corram de feição, a lógica da propagação por filiais e metásteses impõe-se. E eis que o pastor chefe delega e subaluga (franchisa, como agora se diz) em sub-pastores (que são promovidos entre os seus mais acrisolados acólitos, o que, não raramente, coincide com a própria família). Num ápice, é toda uma hierarquia terreal e lodosa em movimento. Como é fácil de constatar, isto transpõe-se facilmente. e com idêntica e perfeira adequação tanto à nomenklatura soviética quanto à administração e  gestão de qualquer mega-empresa capitalista. Um papalvo que compra um Ford, ou um Mercedes ou um Toyota não é apenas um consumidor: é um contribuinte que urge seduzir e fidelizar, ou seja, que compete transformar num crente. Outra das diferenças é que, entre os soviéticos, o partido-estado-igreja tem uma liderança absolutamente personalizada (até porque entre eles a divinização do Partido cumpre duas receitas milenares: a emulação da autolatria judaica e a perversão da hierarquia católica) enquanto entre os Americórnios, na marca-seita-estado a direcção é representativa: o pastor em exercício oficia em nome do Deus dinheiro.
Entretanto, o "a todos segundo as suas necessidades" dos comunistas, ou mono-capitalistas, corresponde o "a cada qual segundo as suas possibilidades (nunca esquecendo que "possibilidade" e "liberdade" são perfeitamente intercambiáveis) dos poli-capitalistas. Na União Soviética, a ascenção processava-se dentro da seita única, conseguindo subir do grau básico da necessidade (nas massas) ao grau superlativo da mesma (na Nomenklatura); nos Estados Unidos, e em variados cambiantes no Ocidente inoculado em geral, a ascensão processa-se nas "marcas". Cada seita evangélica luta por estabelecer o seu produto/mercadoria como uma verdade superior: a Rolex avantaja-se sobre a Timex, a Ferrari sobre a Ford, ou a Aple sobre a Samsung. Depois, em tandem com o fetichismo da representação, há toda uma teoria da participação sacra: é na medida em que participa das "verdades superiores", ostentando-as por aquisição, que o gado bíblico, desde o pastor à ovelha, se arvora, arroga, assume e é celebrado como Vigário na terra. Quanto mais opulento mais Vigário. Donde decorre, na quantidade equivalente a sensivelmente 1% da população mundial, toda uma chusma de para-papas e respectivas orbes gravitacionais de para-cardeais, para-bispos e por aí abaixo, até aos beatos crentes, sacristães e acólitos (isto, porque, como é sabido, cada reverendo pastor tem como íntima vocação constituir-se papa duma igreja privada - a sua). Sem querer adentrar na coiutada legítima do Pedro Arroja, mas brada à evidência que o protestantismo traduz sobremaneira uma privatização e mercantilização da fé e, num sentido perverso, do próprio cristianismo. É por isso que Deus deixa de ser um bem comum publico e vê-se degradado a  um bem empresarial privado. E é também por isso que o protestantismo criou condições propícias ao capitalismo mais desarvorado (o anglo-saxónico), tal qual nunca este foi o mesmo, nem semelhante em países de tradição católica, ou mista, como a Alemanha. Pelo que faz tanto sentido falar em capitalismo como em socialismo: há capitalismos e socialismos,  isso sim, decorrendo cada caso do próprio hospedeiro nacional onde se instala. O capitalismo americano nunca foi igual ao capitalismo francês; o socialismo soviético distinguiu-se do chinês, ou o albanês do cubano. O capitalismo inglês estava nos antípodas do capitalismo alemão, e tanto assim foi que em resultando destas incongruências e incompatibilidades resultaram duas guerras mundiais (tanto quanto soviéticos e chineses se tornaram ferozmente hostis).O fermento de todos eles, capitalismos e socialismos, bem apuradas as coisas, é o mesmo. Mas a condições geoculturais onde se realizam historicamente variam sempre, tal qual a terra é diversa em toda a parte e as pessoas também. O que acontece, muito por falta de discernimento ou sequer interesse pelo estudo, é que impera o pensamento por atacado, a monomania-chiclet e o  pronto-a-pensar   das seitas evangélicas da propaganda. E lá voltamos ao início deste postal: cada peixeira tenta denegrir o peixe da rival como forma de tentar impingir o seu. Porém, ambos estão impróprios para consumo e só o que realizam é causar intoxicações alimentares generalizadas. O resultado, que é também a prova mais evidente e eloquente disso, é que prolifera a esmo a diarreia mental. Entre panditabundos e sequelas, é todo um desfile, mais até que de nano e micro parapapas, de pataratas borrados e papagaios fétidos. Que têm para nos dizer os anti-capitalistas?  O mesmo que os seus reflexos antagónicos ao espelho, os anti-socialistas: que o que têm defronte é péssimo. Ambos têm razão e, fatalmente, ambos se desmontam e atestam da sua nulidade absoluta. Mas, ao mesmo tempo, e perversamente, sabem que a sua existência depende umbilicalmente um do outro: persistem enquanto  se mantiverem nessa especulação permanente, contínua, fixa. Não tendo nenhum bem para oferecer ou com que preencer a realidade, abastecem-se no mal um do outro como forma de engendramento dum falso bem, o tal "mal menor". Nâo auferindo de ser próprio, apenas existem enquanto alternativa. No fundo, é a actualização moderna do passo da Odisseia que eu não me canso de evocar: Cila e Caribdis.  Porém, a armadilha é agora ainda mais vasta e atroz: pretende-se afunilar, miniaturizar, atrofiar toda a história, cultura e experiência da Humanidade a um século XX de açougue e carnificina global (epítome gloriosa do Iluminismo), fechando o discurso, o  pensamento e a própria linguagem neste narcisismo abjecto entre duas formas geminadas do mesmo nihilismo. A sua grande  e frenética ocupação é obrigar a crer que, fora deste Nada a remirar-se e injuriar-se ao espelho, não existe...nada.
O prémio é um mundo cada vez mais absurdo e palinfrénico.

sábado, março 26, 2016

Rinoplastia & Lipoaspiração aérea (ou Healthcare simulation)



Já é a terceira vez, em 2 anos, que os bombardeamentos cirúrgicos dos americanos matam o nº2 do ISIS. O estranho fenómeno, tudo o indica, deve ser atribuido ao carácter "cirúrgico" dos raids. Cirurgia plástica decerto. Cirurgia e combate anti-terrorista...

Aliás. nem de propósito, reparem bem nesta instituição de Washington - o Washington Institute fou Simulation in healthcare-, em cujo cardápio de actividades, pode ler-se:

«ISIS Community Outreach

ISIS HMC Mock Code (In-Situ)


É claro que estou mocking arround. Mas também tenho direito, ora essa. Eles também estão sempre mocking on us. E também passam o tempo a simular tratar da saúde ao ISIS (o dos canibais terroristas, entenda-se), não é?...

O Alto Nível do Império dos Gambosinos

Começo por chamar a atenção para o elevado nível do funcionário. Depois, o teor eloquente da mensagem.
Quanto ao primeiro, trata-se do moço de recados da bruxa Nuland (vagina do Kagan), um tal de Mark Toner, portador de fronha a lembrar não sei que estereotipo.



quinta-feira, março 24, 2016

Euro-corrupção gráfica



Estamos no meio da tabela. Ombro a ombro com a Alemanha, imagine-se. Talvez porque corrupto, como panasca, tanto é o que vai como o que leva. Só que entre nós só o passivo é criminalizado. O outro, o agente, é assim uma espécie de manifestação inefável não apenas da mão mas do pénis invisível manipulado.
Enfim, muito trabalhinho para os senhores doutores juizes. Mas  a ver se atentam mais à essência e menos ao espectáculo: sobretudo, porque quando alguém se vende ou leiloa, alguém compra ou arremata. 

E nem foi preciso cesariana

terça-feira, março 22, 2016

Há mortos? Não há problema: cobram-se ao Irão.




A notícia do dia refocila em mais um ataque terrorista, desta vez em Bruxelas. Sobre questões políticas, geopolíticas, metapolíticas e outros queijos, nada tenho a acrescentar ao que já foi dito ao longo do dia (e que, em bom rigor, repete o que já tinha sido dito em anteriores deflagramentos). Apenas julgo oportuno realçar a oportunidade de negócio que, mais uma vez, desponta e cintila. Não sei exactamente a nacionalidade das vítimas (aliás, não sei nem exactamente nem por palpite, confesso; e não me sinto lá muito intressado em descobrir). Mas basta um norte-americano que seja (se acumular com judeu, então, nem é preciso que tenha falecido ou sequer ficado ferido, basta que se tenha assustado com a explosão, contraindo um trauma horripilante com um nome esquisito), e já é mais do que matéria para abrir um processo em New York, no balcão do juíz Daniels, de modo a cobrar ao Irão uma cornucópia de indemnizações. Ao Irão, ao Hezzbolah, ao teimoso da Síria, ao Estado-pirilampo da Palestina, ou, até, segundo a mais recente moda, ao demoníaco Putin, que é para isso que eles existem. Aliás, nesca coisa do terrorismo é como tudo na vida: há uns que gozam e outros que pagam.

Entretanto, congratulemo-nos ainda mais com a espécie: lembram-se do Strangelove? Já tem um sucessor à altura: é o Breedlove. Todo este carnaval macabro já oscila entre a banda desenhada e o cine-piolheira.


PS: Mas não desesperemos, irmãos. Afinal, os jovens e bravos paladinos do ocidente, e da Europa sobretudo, já treinam afincadamente para resistir, com denodo e bravura, às sevícias da horda invasora (enquanto vão entretendo a ocupante):
«Two Welsh Guard soldiers 'forced to rape each other' during initiation ceremony»

Zombifactura e necrofagia





O Singer, já aqui falei nele, é um daqueles penca-boys que, depois que o próprio filho saiu do armário, largou em grande patrocinador da causa LGTB nos States. Portanto, pilha cadáveres por uma "boa causa" (além de Israel, evidentemente). Quanto à justiça anglofónica já não se trata de ser cega: é mais exercer com o olho invisual. 
Por outro lado, já só não vislumbra quem faz muita questão disso, preferindo também aquele onde se sentam àqueles que não usam na cara: a mesma fauna subsidia e patrocina a esquerda social e neodireita anti-social. Assim, os primeiros (maluquice terraplenante, corrupção crónica, subversão igualhitária) tratam do falecimento dos estados e da falência orgânica dos povos; os segundos (mais maluquice, mais corrupção, cacoelitose e traição requintada) desossam e depilam as carcaças, confeccionando, com volúpia gourmet, o banquete dos abutres, hienas e demais necrófagos globais. A democracia, tudo somado, é só o aperitivo para a fagodemose. O meu projecto de Luna-park no Alentejo nunca esteve tão actual e devia ser implementado com carácter de urgência  (até porque, com a graça de Deus, ainda lograria o milagre de se constituir como modelo à escala mundial). Aproveito para declarar aqui, desde já, e solenemente, que prescindo da estátua émula do Colosso de Rodes que os vindouros me iriam devotar.

sábado, março 19, 2016

Mais Globalheira S&M





Mais pistas sobre o inefável "funcionamento dos mercados"...



Se isto são modos de tratar as colónias!... Bem, a verdade é que são.

Chama-se TTIP ou "Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento".  A palavra parceria, então, é de ir às lágrimas. Mas, em todo o caso, adequa-se. Sobretudo se tivermos em consideração  que se trata dum contrato entre um sádico e um masoquista.


quinta-feira, março 17, 2016

Intelectuais da treta

A propósito de "supremacias intelectuais"... Não consta que o meu primo do Apocalipse, ou o seu avatar herpemorfo no éden bíblico,  sejam deficitários em termos de capacidade intelectual. O problema, aliás, consiste na finalidade em que eles empregam essa sua grande "capacidade intelectual", que, só para citar o mais famoso dos portentos, chega ao ponto de falarem todas as línguas , vivas e mortas.
Capacidade intelectual não é sinónimo de inteligência ou , mais longe ainda, "génio".. Nos últimos séculos, bem pelo contrário, vem-se convertendo, precisamente, na antítese disso. Vá-se lá saber porquê...
E isto não são palpites. São factos documentados e diariamente certificados. Em catadupa.

terça-feira, março 15, 2016

Tomem lá que eu não duro sempre






Uma recensão muito ilustrativa do Culture of Critique, de Kevin Macdonald. Uma obra controversa apenas porque expõe, sem subterfúgios nem fumigenações, o óbvio ululante:
«The Culture of Critique reviewed by Stanley Hornbeck»
Segundo o próprio autor:
«This is a great review of The Culture of Critique. It shows a deep understanding of the issues and arguments’ »

Agora a melhor parte da oferta... o "Culture of Critique" pode ser lido integralmente aqui:
«The Cuture of Critique - An Evolucionary analysis of jewish involvement in twentieth-century intellectual and political movements»

Confeitarias

«This week begins the 2nd half of March and the lead in to massive 1st quarter bank write-downs. The Rumors of the Deutsche Bank Derivative Implosion have been confirmed by the pending sale of $1.1 TRILLION in derivatives to the “3 Horsemen” of the USA derivative implosion: JP Morgan, Goldman Sachs and Citigroup.»

Sente-se  um tilintar de copos nas prateleiras...  Mas pode não ser nada. Por enquanto. Apenas uma golpada dos américas na colónia forçada.  Os canibais do Goldman apostam que o petróleo vai subir. Os russos também não iam retirar da Síria a troco de nada... Enfim, os próximos dois meses dirão.

segunda-feira, março 14, 2016

Fronteiras, moeda, soberania



Se há portugueses que ainda me merecem respeito e admiração são os pescadores e agricultores deste país. Em qualquer das classes, o quotidiano oscila entre o heroísmo e o martírio.
A situação difícil porque passam muitos destas pessoas, no entanto, é facílima de resolver. Em primeiro porque nem sequer são empresários - esse título salvífico está reservado para os urbanolálios da paróquia. Ora,  aquela gentinha do campo e dos mares não passa duma catrefa de brutos e pacóvios que não domina a nova língua dos inefáveis cabedais - como aquele monhé que presidia à PT e tantos outros da mesma lucilante extracção. Em segundo, porque não sendo empresários da mais fina estirpe, não entendem as astrologias e delicadezas do mercado, pelo que se expõem fatalmente aos piores dissabores e naufrágios financeiros. Assim, o melhor que têm mesmo a fazer é fechar a loja e virem actualizar-se, o quanto antes, na internet e respectiva rede de esgoto sociais, sobre as formas assépticas, inodoras e desembaraçadas de criar valor e atrair investimento, ganhando, no entretanto, graças ao pedal invisível, competitividade zinha . Não custa nada. Sentam-se a ler os trolls estrangeirados que escrevem e os trolls estrangeirados que repetem.
Rapidamente, perceberão que tudo isto é muito natural, lógico e perfeito. Chama-se o Mercado a funcionar. Como quando se levantaram sanções imbecis e bloqueios aos russos, ou se lançou o caos na Ucrânia e no Médio Oriente. É o mercado a funcionar. Ou seja, o mercado ultimamente anda com tendências suicidas: auto-estrangula-se e mutila-se. Droga-se. Ceva-se na depressão crónica. Já se sabia que não regulava lá muito bem da caixa dos pirulitos, mas isto, ultimamente, já reclama camisa de forças e um quartinho almofadado.

PS: Esta "Europa" só serve a dois luxos inúteis: os burrocratas da EURSS e os burrolatras domésticos. 

domingo, março 13, 2016

O Politicamente Correcto ao microscópio

É dos melhores gozos ao PC que já li. Recomendo vivamente!... Uma imagem fidedigna da "liberdade" galopante destes nossos gelatinosos dias.


The Story of Admiral Nelson, Updated


Nelson: Order the signal, Hardy.

Hardy: Aye, aye, Sir.

Nelson: Hold on, this isn't what I dictated to Flags. What's the meaning of this?

Hardy: Sorry Sir?

Nelson (reading aloud): "England expects every person to do his or her duty regardless of race, gender, sexual orientation, religious persuasion or disability"? What gobbledygook is this, for God's sake?

Hardy: Admiralty policy I'm afraid, Sir. We're an Equal Opportunity Employer now. We had the devil's own job getting 'England' past the censors lest it be considered racist. Strictly speaking, I shouldn't be calling you "Sir," Sir, but rather, "Person of Consensus-Based Enhanced Authority."

Nelson: Gadzooks, Hardy! Hand me my pipe and tobacco.

Hardy: Sorry Sir, all naval vessels have now been designated smoke-free working environments.

Nelson: In that case, break open the rum ration. Let us splice the mainbrace to steel the men before battle.

Hardy: The rum ration has been abolished Admiral. It's part of the Government's policy against excessive enjoyment.

Nelson: Good heavens Hardy! I suppose we'd better get on with it, then. Full speed ahead.

Hardy: I think you'll find that there's a 4 knot speed limit in this stretch of water.

Nelson: Damn it man, we are on the eve of the greatest sea battle in history; we must advance with all dispatch. Report from the crow's nest, please.

Hardy: That won't be possible Sir. Health and Safety have closed the crow's nest. No harness, and they said that rope ladders don't meet regulations. They won't let anyone up there until proper scaffolding can be erected.

Nelson: Then get me the ship's carpenter without delay, Hardy.

Hardy: He's busy knocking up a wheelchair access to the foredeck, Admiral. Health and Safety again, Sir—we have to provide a barrier-free environment for the differently-abled, wheelchair-mobile.

Nelson: Differently abled? I've only one arm and one eye and I refuse even to hear mention of the words. I didn't rise to the rank of Admiral by playing the disability card.

Hardy: Actually, Sir, you did. The Royal Navy is under-represented in the areas of the differently-sighted and the differently-limbed.

Nelson: Whatever next?! Give me full sail. The salt spray beckons.

Hardy: A couple of problems there too, Sir. Health and Safety won't let the crew up the rigging without hard hats. They don't want anyone breathing in too much salt either. Apart from the racism inherent in its whiteness, it's full of sodium. Haven't you seen the Ministry of Health adverts?

Nelson: I've never heard such rubbish. Well, break out the cannon and tell the men to stand by to engage the enemy.

Hardy: The men are a bit worried about shooting at anyone, Admiral.

Nelson: What?! This is mutiny!

Hardy: It's not that, Sir, it's just that they're afraid of being charged with murder if they actually kill anyone. There are a couple of Legal Aid lawyers on board, watching everyone like hawks.

Nelson: Then how are we to sink the Frogs and the Spanish?

Hardy: That's "residents of France and Spain," Sir. And actually Sir, we're not.

Nelson: We're not?!

Hardy: No Sir, the residents of France and Spain are our European partners now. According to the Common Fisheries Policy, we shouldn't even be in this stretch of water. We could get hit with a claim for compensation.

Nelson: But you must hate a Frenchman as you hate the devil.

Hardy: I wouldn't let the ship's Diversity Coordinator hear you saying that, Sir—you'll be up on Disciplinary Report for Hate Speech.

Nelson: You must consider every man an enemy who speaks ill of your King. That's a matter of black and white.

Hardy: That's "monarch-person," Sir. And your point is controversial and problematic, Sir. Apart from "black and white" being offensive to people of colour, we must be inclusive in this multicultural age. Now, put on your Kevlar vest. It's the rule. It could save your life.

Nelson: Don't tell me, Health, Safety and Disability. Whatever happened to Rum, Sodomy and the Lash?!

Hardy: As I explained sir, rum is off the menu and there's a ban on corporal punishment.

Nelson: What about sodomy?

Hardy: Good news there, Sir—sodomy is now compulsory.

Nelson: In that case ... kiss me, Hardy. 

sábado, março 12, 2016

United States of Africa




Aberrante? Anedótico? Chutzpah de alto coturno? Isso tudo e a famosa "separação de poderes" da treta (todos separados e todos unidos na mesma vassalagem ao "Money Lord")...
Até porque o juiz, em boa verdade, é o mesmo que já tinha parido isto:


E foi ainda o mesmo juiz que despachou isto:

«US Judge approves Generali Holocaust settlement»

Portanto sempre que a rapaziada da penca quer sacar uma massas dirige-se ao honorable judge. Será judeu o judge?
Melhor: