sexta-feira, novembro 10, 2006

Fraquezas Armadas



«Reestruturação Forças Armadas definida em 2007, diz ministro».

Façam o que fizerem, dispenso-me de comentários. Comprem submarinos, pechinchem fragatas, troquem de helicópteros, saldem aviões, rifem generais, fardem raparigas, tenentas, alferas, capitoas, despachem-nos para a Cochichina ou para o Arquipélago das Malvinas, é-me indiferente. Façam como entenderem. Reestruturem, triestruturem, pentestruturem, estruturem como o caraças. Nem um suspiro da minha parte. Qual, até levam a minha benção ubi et orbi!... (para não confundir com urbi et orbi).
Façam-me somente um favor. Uma coisinha de nada, uma insignificanciazita de somenos. Por um resquício de pudor párem lá com essa farsa ridícula e descarada de chamar Forças Armadas ao Grupo Excursionista "Os Amigos da Ajuda de Custo". Fraquezas Armadas, isso sim. E não digo em quê por respeito à Pátria.

Uma coisa é certa, se no passado se sangrou heroicamente no campo de batalha, agora sangra-se em qualquer parte. De menstruação.
Além das munições, faço votos para que nunca faltem os pensos. Mais uma preocupação para o ministro.
Monty Python - Upper Class Twit Of The Year

Dedicado às lusas réplicas e demais classe pata-brava cheia de arrufos upgradescos.

Saber

Até onde alcanço, há, pelo menos, duas coisas que não me oferecem grandes dúvidas: Seis milhões de judeus são seis milhões de pessoas e seis milhões de pessoas não são seis milhões de frangos.
Diariamente, são abatidos milhões de animais para consumo humano. Ao contrário dos nossos animais de estimação, que têm nome, são registados, vacinados e agora até já usufruem de direitos, os animais de matadouro são apenas números. Chegam em caixas e contentores e são despachados e processados industrialmente. Há pois duas classes de animais: os animais nomeados e os animais numerados. Cá em casa existem quatro gatos e um cão. São semi-pessoas. Lá fora, nas quintas e nos aviários, existe um número indeterminado de animais-coisa. Mas não apenas aí. Também na natureza, em estado selvagem, existem quantidades de animais não invividualizáveis. O caçador que passa com três coelhos pendurados à cintura chama-lhes três coelhos, não os conhece por qualquer nome próprio, nem eles trotam pelos campos portadores de BIs como os seguranças dos supermercados.
Tudo isto para reforçar o seguinte: os putativos seis milhões de pessoas que foram exterminados sistematicamente pelo regime nazi têm direito a um nome. Têm direito à sua humanidade.
Se o regime sionista, em demasiados aspectos semelhante ao nazi, apregoa o imperativo "não esquecer", a humanidade inteira tem um imperativo maior que esse, que, já agora, devia ser extensível a todos os massacres: Saber!
Não foram apenas milhões de judeus, de arménios, de ruandeses, de irlandeses, etc. Não foram apenas coisas, animais, espécies, pretextos políticos. Foram pessoas. É essa dignidade que ainda não recuperaram depois da morte. Parece que há quem viva de explorar e parasitar essa indignidade cultivada e preservada numa espécie de redoma.

Desenvolvimentos

«Noruega lidera no desenvolvimento humano.»

Ora, ora, mas isto não interessa para nada. Importante mesmo é quem lidera no desenvolvimento desumano.

(2006 HDI Ranking)

quinta-feira, novembro 09, 2006

Por um Desfile Alternativo

A propósito da Parada Gay Pride que era para se realizar em Jerusalém...
Jerry Golden, um judeu como deve ser, esclareceu-nos sucintamente que "These people who call themselves gay are sin sick, they are perverts. I remember when I was a small child we called them queers, then we got a little nicer and started calling them homosexuals, and then we started calling them gay, there is nothing gay about these sick people, they stand far everything that is against God, in fact God has condemned them to hell if they don’t repent and accept the Messiah.".
Não surpreende, portanto, que os "Haredi Rabbis (Kabala Rabbis) will use the dreaded Black Magic to curse the organizers of the gay parade". Quer dizer, os "rabis não sei das quantas" ameaçam atirar-lhes em cima, aos pervertidos, com a temível magia negra cabalística (por Toutatis! eu nem sabia que isto existia! Julguei que era mais em África e no Haiti...estou perplexo.)
Para aperitivo à da tal magia negra, os Ortodoxos lá do sítio, amotinaram-se e, indignados com a perspectiva do imoral desfile, tentaram lapidar o Mayor de Jerusalém. Presume-se, além disso, que garantam igual tratamento à abominação, caso esta teime em realizar-se.
Entretanto, do Vaticano, veio também uma condenação frontal do circo garrido. E um apelo veemente ao governo Israelita para que banisse tamanha aberração.
Perante tais tumultos, tamanhas pressões e tão fúnebres perspectivas, a "Comunidade Gay Israelita cancelou o controverso tatu".
Ora bolas! Que desilusão... Um festival tão prometedor!...

Mas não desistam, que diabo. Se não vos deixam fazê-lo em Jerusalém, animem-se: lembrem-se que graças aos denodados esforços e bravas conquistas democratizantes da nossa civilização, já podeis fazê-lo em Bagdad!...
Aproveitem. Meia dúzia de quilómetros e estais lá!... A sociedade alternativa não pode parar.

Do Desamor

Ao tipificar governos ou costumes nacionais, segundo naturalmente os modelos constatáveis na sua época, Stendhal elabora a seguinte lista:
«1º - Despotismo asiático tal como se vê em Constantinopla.
2º - A monarquia absoluta à Luís XIV.
3º- A aristocracia encoberta por uma carta, ou seja, o governo duma nação em proveito dos ricos, segundo se pratica em Inglaterra, seguindo em tudo as regras da moral chamada bíblica.
4º - A república federativa, ou seja o governo em proveito de todos, como nos Estados Unidos da América.
5º - A monarquia constitucional, ou...
6º - Um estado em revolução como Espanha, Portugal ou França. (...) Tal estado pode durar muito tempo e formar os costumes duma geração. Em França começou em 1788, foi interrompido em 1802 e voltou a iniciar-se em 1815, para acabar Deus sabe quando.»

( -Stendhal, "Do Amor")

Parece que só os turcos e os americanos se alteraram.
Na mesma continua a Inglaterra, a Espanha, Portugal e França. Se bem que em Portugal a "revolução" tenha adquirido, entretanto, perfil de "convolução. Onde duas forças poderosas laboram: A Maçonaria para dissolver Portugal na Europa; a Opus Dei para dissolvê-lo em Espanha. Já não falando na esquerda moderna, que luta por entregá-lo como reparação de guerra e ocupação às ex-colónias, às minorias ruidosas e aos toxicodependentes profissionais.
Que é que o amor tem que ver com tudo isto? Boa pergunta.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Pessimismo atropelógico

Os chamados pessimistas antropológicos, como eles pomposamente gostam de se autoproclamar, são geralmente dum optimismo doentio no que concerne às suas nobilíssimas e excelentíssimas pessoas. Bem como aos familiares chegados, confrades, compadres e correlegionários.
E tal regime, temos que extrapolar, ou por vastíssima e convenientíssima excepção à regra; ou por estatuto especial exo-humanitário.
Trata-se, assim, dum pessimismo antropológico para levar à missa. Um pseudo-pessimismo de fachada e fancaria. Na verdade, se quiséssemos denominá-lo pelo nome correcto, a tão fátuo pessimismo, em vez de antropológico, passaríamos a chamar-lhe "atropelógico".

Psicoterapia de compensação?

Convém, de antemão, deixar bem sublinhado que não concordo com a justeza do cartoon que se segue. A expressão "defenseless women" (mulheres indefesas), sobretudo, parece-me tremendamente injusta para os bravos soldados israelitas.
De indefesas é que elas não têm nada. Já não falando na poderosa e, dizem, venenosa mordedura, é preciso não esquecer que são capazes de correr em qualquer direcção e, ninguém duvide, cada pontapé seu -horripilante brutalidade! - é coisa para deixar um tanque Merkava seriamente avariado. Tem que se dar um grande desconto a estes cartoonistas...

Reader's indigest

Em todo o caso, extraindo Swift, Sterne, Quincey, Twain e mais dois ou três - vá lá, quatro -, comparar a literatura inglesa à francesa é comparar o buraco do cu ao firmamento. Acima dessa, só existe uma verdade ainda mais retumbante: todas as obras geniais - e felizmente são muitas - que essa meia dúzia anglófona mais a centena francófona produziram só alcançam verdadeiramente esse estatuto, singrando então pelas estratosferas do sublime imortal, depois de bem traduzidas para português. Eis o seu zénite!
Só uma língua superior, como a de Camões, tem o poder de lhes conferir tal dignidade.
Literatura, Deus só lê em português. Ora, por mim, antes imitá-Lo a Ele que a uma chusma de macacos. Ainda por cima de imitação.
E muito precariamente evoluídos.

Florilégio tauromáquico



Veio Muley - Acmet marroquino
Com duros trigos entulhar Lisboa;
Pagava bem, não houve moça boa
Que não provasse o casco adamantino:

Passou a um seminário feminino,
Dos que mais bem providos se apregoa,
Onde a um frade bem fornida ilhoa
Dava d'esmola cada dia um pino:

Tinha o mouro fodido largamente,
E já basofiando com desdouro
Tratava a nação lusa d'impotente:

Entra o frade, e ao ouvi-lo, como um touro
Passou tudo a caralho novamente,
E o triunfo acabou no cu do mouro.

- Manuel Maria Barbosa du Bocage

Para a poesia inglesa toda, chega o nosso Bocage sozinho. Só o verso "passou tudo a caralho novamente" arruma com as veleidades delicodoces de qualquer Larkin, Shelley ou Yeats de meia tigela. Sai em ombros, em apoteose, o nosso lidador, depois de cortar orelhas e rabos a torto e a direito. Com fanfarra e volta ao redondel.

Rompem olés de norte a sul
chovem chapéus e até cuequinhas.
Filho de cão com bruxa trinca-espinhas
- puta que pariu o John Bull!!

terça-feira, novembro 07, 2006

A Internacional Corrupcionista



O ranking 2006 da corrupção mundial, segundo a Transparency International.

O índice de corrupção, curiosamente, é tanto mais elevado quanto mais pobres e desorganizados são os países.
Caímos no paradoxo do ovo e da galinha: os países são pobres porque são corruptos; ou são corruptos porque são pobres? E o que é que, efectivamente, está mal organizado nesses países: o próprio país ou a corrupção que nele grassa? Quer dizer, não está organizada dum modo sofisticado e camuflado, de modo a não parecer corrupção.
Axioma hipotético: o país é tanto mais pobre e caótico quanto menos capaz é de dissimular a sua corrupção. Nem sequer tem uma contabilidade organizada.

À atenção dos nossos liberalóides de plantão:
«Countries with a significant worsening in perceived levels of corruption include: Brazil, Cuba, Israel, Jordan, Laos, Seychelles, Trinidad and Tobago, Tunisia and the United States. Countries with a significant improvement in perceived levels of corruption include: Algeria, Czech Republic, India, Japan, Latvia, Lebanon, Mauritius, Paraguay, Slovenia, Turkey, Turkmenistan and Uruguay.»


À atenção do vernacular e chavista Timshel:
A Venezuela já vai num despique ombro a ombro com Angola!

Uma última nota:
Afinal, a revolução democrática no Iraque está a resultar em pleno: à frente deste, no ranking da corrupção, só já mesmo Myanmar (Birmânia) e o Haiti.

QIs e QEs



"Baixos Coeficientes de Inteligência são a maior praga que afecta África", afirma um investigador da London School of Economics.
Como refere a notícia:
Portanto, segundo este cientista, África terá superiores Coeficientes de Estupidez.

De África, eu falo de cátedra. Mas antes de me pronunciar sobre esta matéria, deixo aberta a discussão.
Isto promete.


PS: Entretanto, para irem testando o vosso QI, tentem o chamado "teste de Einstein". Segundo o grande génio, somente 2% das pessoas conseguem resolvê-lo. Aqui entre nós, devia estar a brincar: eu, que sou estúpido que nem uma porta, levei menos de cinco minutos.

Aforismo do dia

Fora dos funerais, momento solene em que se confrontam com a ninharia que realmente são, as pessoas tendem a tonar-se chatas, venais e insuportáveis.
Se dantes se babavam diante da telenovela, agora é pior: vivem lá dentro.

Línguas

A Literatura fala francês; A Filosofia, grego e alemão.
A Economia e a finança debitam em inglês.
Português fala o passado, o mar e o coração.
E o futuro? - Bem, por este andar, fala chinês.

segunda-feira, novembro 06, 2006

A Pseudo-Execução

Em séculos passados, para certos e graves crimes, andando o condenado a monte, existiu a "execução em efígie". Várias vezes, a Inquisição, por exemplo, na ausência do invólucro carnal do herege arredio, queimou simbolicamente a efígie respectiva.
Pois bem, os Americanos, no Iraque, sempre pioneiros nestes serviços, estão em vias de inventar uma nova modalidade: "a execução em duplo". À falta do meliante, enforcam o sósia deste.
O que vale é que para a pseudo-justiça bastam pseudo-execuções. Um simulacro a bem do simulucro.

Transbordo Lacrimejante



Os Neoconas queixam-se amargamente da administração Bush. Elucidam-nos de como as suas ideias maravilhosas foram delapidadas por um bando de trolhas incompetentes, que deram com tudo de pantanas por alturas da sub-empreitada.

- Richard Perle (dito "Prince of Darkness")

- Michael Ledeen

- Kenneth Adelman

- Eliot Cohen

- Richard Perle (dito "Prince of Darkness")

- Keneth Adelman


Conclusão: eles só vendem ideias. Não têm culpa do que os outros fazem depois com elas.

domingo, novembro 05, 2006

Glosando Bocage

Algum anónimo mais destemperado, ou seguidor de ínclitos exemplos, bem poderia desabafar:
"A filha do Ferro Rodrigues?! 'tou-me a cagar para a filha do Ferro Rodrigues!"

Mas tal desabamento não seria digno de um cavalheiro. Um cavalheiro, de joelho em terra, endereçar-lhe-ia, em vez de vociferações descabeladas, odes de enleio e afecto... Como por exemplo:


Desovando estava a Rita mais formosa
e nunca se viu cu de tanta alvura;
Porém o ver obrar a formosura
Mete nojo à vontade mais gulosa!

Ela a massa expulsou fedentinosa
Com algum custo, porque estava dura;
Uma carta d'amores de alimpadura
serviu àquela parte mal cheirosa:

Ora mandem à moça mais bonita
Um escrito d'amor que lisonjeiro
afectos move, corações incita:

Para o ir ver servir de reposteiro
À porta, onde o fedor, e a trampa habita
Do sombrio palácio do alcatreiro!

(soneto de Bocage, ao qual apenas alterei três palavrinhas).

À Beira do Abismo, isto é, do Divórcio



Prossegue a bom ritmo, em todos os meios de comunicação, a bárbara campanha anti-semita contra o Estado de Israel:
- «Gaza: 25 palestinianos mortos em três dias»
- «Atirador de elite do Exército israelita matou hoje à noite, por engano, uma menina palestiniana»
- «Israelitas matam a tiro mulheres palestinianas»
- «Gaza town shocked and battered by Israeli raid»

Um chorrilho de notícias claramente tendenciosas, como é bem de ver. Uma vergonha! Exemplo de imparcialidade é o JN, que descreve exemplarmente a situação:
- «Escalada mortal em Gaza atinge mulheres e crianças»
Cá está, assim é que é informar. Em vez de difamarem os israelitas, chamam o assassino pelo nome: "escalada mortal". Todos nós sabemos que as "escaladas mortais" são criminosas do pior grau. E andam por aí à solta. Se ninguém lhes põe cobro, às "escaladas mortais", não sei o que será do mundo. Hoje são os palestinianos, amanhã poderemos ser nós. As próprias "escaladas simples" não são flor que se cheire. Ainda há pouco tempo, aquele alpinista luso que se entretinha a escalar não sei que Himalaia, morreu tragicamente, resvalando desamparado para um qualquer precipício inóspito. Dizem que foi já na descida. Mas a descida é só a segunda parte da escalada. Em suma: até uma "escalada simples" degenera rapidamente numa "escalada mortal".
Entretanto, e para completar este ramalhete noticiabundo, diz o Vice-Primeiro-Ministro Israelita:
«Jews and Arabs can never live together!»
O que é, no mínimo, estranho. Bizarro até. Durante mais de mil anos eles não fizeram outra coisa, e com grande desembaraço. Não só viveram juntos, como são originariamente a mesma gente. Até partilham o mesmo Deus. Claro que têm lá as suas cismas. Mas quem as não tem?
Aliás, até à primeira metade do século vinte eles conseguiram viver juntos em relativa harmonia. Desde então passaram a matar-se conjuntamente. É sempre triste ver um casal tão antigo à beira do divórcio.

A Moralidade a Dias



«Saddam condenado à morte»

Condenados à morte somos nós todos. O Homem não tem o poder de condenar ninguém à morte: tem apenas o poder de antecipar o dia e forma da execução.
Geralmente, para esse efeito, apresenta ele dois géneros de justificação: Justiça ou mera Força Bruta, sendo que esta é uma justificação que dispensa códigos e argumentos. E pode ser praticada quer por bandidos de estrada, quer por Estados que mais não fazem que amplificar desmesuradamente os princípios, meios e fins do "bandido de estrada".
Que se antecipe a execução do tal Saddam não deve causar lágrimas a muita gente. A mim não causa.
Para ser honesto, causa-me apenas um reparo: não há forma mais repugnante de "Força Bruta" do que aquela que se mascara de "Justiça".
Na verdade, a pretexto de ter mandado massacrar 148 xiitas, Saddam Hussein vai ser massacrado por uma engrenagem que, a esta hora, já causou a chacina de algumas centenas de milhar dos mesmos.
A Moralidade é mulher a dias da Força.

A Europa faria bem em largar a droga.

sábado, novembro 04, 2006

Um cartoonista de talento



Pirateado daqui. A merecer visita.