quarta-feira, agosto 17, 2022

As últimas da MacacoPox




 Segundo a "Lancet", emérita publicação científica (isto, nos dias que correm é 2 abaixo de astrologia e 3 acima de cartomancia, mas pronto), foi documentado o primeiro caso de transmissão homem-bicho, no caso um cão. Não quero ser mauzinho, nem sequer sarcástico, mas ajudem-me a interpretar a notícia:

Passa-se em França. Trata-se dum casal de homossexuais masculinos não exclusivos. Significa, penso eu, que acasalaram ou coabitam, conubiolam ou o raio que os parta, sem voto de fidelidade. Apresentaram-se no hospital  no seguinte estado (isto é um bocado nojento, mas cerrem os dentes):

«The men had presented with anal ulceration 6 days after sex with other partners. In patient 1, anal ulceration was followed by a vesiculopustular rash on the face, ears, and legs; in patient 2, on the legs and back. In both cases, rash was associated with asthenia, headaches, and fever 4 days later.»

«Monkeypox virus was assayed by real-time PCR (LightCycler 480 System; Roche Diagnostics, Meylan, France). In patient 1, virus was detected in skin and oropharynx samples; whereas in patient 2, virus was detected in anal and oropharynx samples.»

Mas a parte que me intriga vem a seguir: 12 dias depois, o cão do "casal", um greyhound qualquer, apresentou também sinais e sintomas, que vieram a confirmar-se, de macacoPox

«(...) their male Italian greyhound, aged 4 years and with no previous medical disorders, presented with mucocutaneous lesions, including abdomen pustules and a thin anal ulceration.»

Quer dizer, o tipo andou a escarafunchar no desgraçado do animal? E, caso afirmativo, Deus nos proteja, estaremos perante um caso de bestofilia gay, isto é, o coitado do cão foi convertido abusivamente - em bom rigor, pervertido - à causa? Dito noutras palavras: o cão é violado rotineiramente pela besta?... 



terça-feira, agosto 16, 2022

A bem da demokracia

 Tomem nota:

«SCL Group[1] (formerly Strategic Communication Laboratories[1]) was a private British behavioural research and strategic communication company that came to prominence through the Facebook–Cambridge Analytica data scandal involving its subsidiaries Cambridge Analytica and Crow Business Solutions MENA.[1] It was founded in 1990 by Nigel Oakes, who served as its CEO.[2] The company described itself as a "global election management agency".[3] The company's leaders and owners had close ties to the Conservative Party, the British royal familyBritish militaryUnited States Department of Defense and NATO and its investors included some of the largest donors to the Conservative Party.[4]»

(...)

«After an initial commercial success, SCL expanded into military and political arenas. It became known for alleged involvement "in military disinformation campaigns to social media branding and voter targeting".[12] SCL began targeting elections in developing countries in the early 1990s, and has engaged in psychological warfare in military contexts as a contractor for the American and British militaries during the Afghanistan War and the Iraq War.[13] It performed data mining and data analysis on its audience. Based on results, communications would then be specifically targeted to key audience groups to modify behaviour in accordance with the goal of SCL's client.»


Depois, oiçam a entrevista adiante com muita atenção... Estão lá muitas pistas e pontas soltas.




segunda-feira, agosto 15, 2022

O Lado Banal das Coisas (e dos Coisos)




Uma leitura ligeira e educativa qb (nada de novo, todavia, e já quase banal):

«Dr. Volodymyr & Mr. Zelensky: o lado negro do presidente ucraniano»

Ênfase apenas neste pequeno trecho:

 «Poderíamos multiplicar os exemplos, tantos são as citações e vídeos de atrocidades cometidas pelas tropas do defensor da democracia e dos direitos humanos que preside o destino da Ucrânia. Mas seria tedioso e contraproducente com a opinião pública convencida de que esses comportamentos bárbaros são apenas devidos aos russos.

É por isso que nenhuma ONG está alarmada, o Conselho da Europa permanece em silêncio, o Tribunal Penal Internacional não investiga, as organizações de defesa da liberdade de imprensa permanecem em silêncio. Eles não ouviram bem o que o gentil Volodymyr lhes disse durante uma visita a Butcha no início de abril: “  Se não encontrarmos uma saída civilizada, você conhece nosso povo, eles encontrarão uma saída incivilizada.  »

Vão, por exemplo, causar uma catástrofe nuclear? Sem a mínima hesitação. Aliás, tudo propende nesse sentido. Quando o desespero deles e dos seus tutores oxidentais alcançar níveis insuportáveis... 

De resto, o tal Volodomito não tem apenas o lado negro: tem também o lado castanho. E o lado cor de arco-íris. E o lado cor de burro quando foge... enfim, mais até do que um polilátero, estamos perante um verdadeiro caleidoscópio. 

Banalização do Mal, não é como arengava a outra coitada? Pois, aí, está, finalmente, um caso prático onde se ajusta às mil maravilhas.

sábado, agosto 13, 2022

Os Bulldozeres da Pseudo-História




 «Sempre pensei, nessa altura, e à medida que o tempo foi passando, que a grande solução para a Guiné, como para todos os territórios portugueses, era pensarmos num Portugal alargado numa Grande Comunidade Lusófona. Nunca gostei, nem usei, a sigla PALOP's. Como nunca disse que o Brasil é um país irmão, porque acho que o Brasil é o nosso filho mais velho.

A minha posição em relação ao 25 de Abril de 1974 tem que ver com essa ideia de que era preciso criar mais filhos. O nosso projecto era um projecto de autonomias, e por acreditar nisso conspirei contra o antigo regime, fui preso a seguir ao 16 de Março de 1974.»

- Gen. Almeida Bruno in "Os Últimos Guerreiros do Império"

Faleceu esta semana, paz à sua alma, João de Almeida Bruno, General de Cavalaria, "Comando".

Os obituários nos mass-merdia foram unânimes: que tinha falecido (o que é um facto) e que como maior glória na sua existência transportava para a eternidade o "ter sido alvo de uma tentativa de assassinato pela Pide" (o que é grosseira, obscena e descarada mentira). Mas é o trivial destas bestas.

Na Lusa (donde todos os outros copiam) temos qualquer coisa como:

«Aquando da revolta das Caldas da Rainha, em março de 1974, prelúdio do 25 de Abril, foi alvo de uma tentativa de assassinato pela polícia política do Estado Novo, a PIDE.»

Logo à partida, se o senhor fosse alvo dalguma tentativa desse jaez, seria o primeiro a denunciá-lo, ou não?. Acabamos de ouvi-lo, em epígrafe, na primeira pessoa. Foi preso. Porque o facto foi esse. Um facto equivalente, nessa altura, ao facto de ter falecido esta semana. 

Mas desmontemos, com requintes, a contrafacção inform...entira...

1. A Pide não poderia sequer ter feito isso, porque já nem existia: dera lugar à DGS (uma suavização da Primavera marcelista, não só no nome, mas, também, no músculo; e por algum motivo a DGS não gostava de Marcelo). Por conseguinte, se queríamos ser rigorosos (até na peta) dizíamos: a DGS tentou matar o tenente-Coronel Almeida Bruno.

2. Acontece que a DGS não tinha jurisdição orgânica sobre o Exército, ainda por cima oficial, e oficial superior, do quadro permanente. Isto é, a DGS não podia, por sua alta recreação, prender um oficial do exército, ou as pessoas já esqueceram que o Exército (e as Forças Armadas) constituía o pilar principal do anterior regime ?... Fará agora andar por ali, por birra ou capricho, a abater oficiais. De resto, a forma festiva, piqueniqueira e efusiva com que decorreu a conspiração que conduziu ao 25 de Abril, por parte duma quantidade apreciável de magalas, só atesta de como a DGS se estava positivamente nas tintas para o que dali germinasse. Sobretudo, porque, tudo indicava, ou eles assim tendiam a crer, o grande general Spínola telecomandava e superentendia aos acontecimentos. E quem era o braço direito do marechal: exacto, o Ten. Coronel Almeida Bruno. 

3. O que a DGS podia fazer era intervir em determinado caso ou situação, a pedido das estruturas superiores das próprias Forças Armadas. Quer dizer, a tropa pedia à DGS para proceder, por exemplo, a uma qualquer detenção. A DGS detinha e entregava à tropa. Aos serviços disciplinares e prisionais da tropa. E foi isso, precisamente, que aconteceu, nalguns casos, a seguir ao 16 de Março de 1974, a intentona da Caldas. Para quem não saiba, antigamente, existiam duas coisas que regiam os comportamentos militares: o RDM (Regulamente de Disciplina Militar) e o CJM (Código de Justiça Militar). Os militares estavam sujeitos e respondiam exclusivamente perante estes dois regulamentos, e não perante os códigos legais civis, nem perante as suas polícias, procuradorias ou tribunais. Tanto que a pena de morte, em 1974, ainda existia na Justiça Militar - por Alta Traição. Tanto que existiam, com soberania total na sua área, instituições como Polícia Judiciária Militar, Tribunais Militares e Presídios Militares. Acresce que, por tradição no antigo regime, os serviços policiais civis, incluindo a PIDE/DGS, eram geralmente chefiados por oficiais oriundos da Forças Armadas. Imaginem o Silva Pais, ele próprio Major do Exército, a ordenar o assassinato dum oficial superior do exército, altamente condecorado na guerra, braço direito do principal general do país e que, ainda por cima, não era comunista, nem gostava de comunistas... Mesmo com dose reforçada de LSD, garanto-vos, não conseguem: porque seria impossível.

4. Mas como isto dos factos, ao contrário das atoardas manhosas e compulsivas, tem nomes, horas, locais, passemos aos ditos. Quem foi o torcionário da "Pide" que tentou, alegadamente, assassinar Almeida Bruno? Logo por azar, Óscar Cardoso. A notícia não o diz, porque nem sequer sabe, nem quer saber, e tem ódio ao trabalho de investigação e jornalismo sério, mas sim, foi o Óscar Cardoso. Há testemunhos, e lá iremos, mas ele próprio narra o episódio. Oiçamo-lo, então:

«(...)A PIDE nunca prendeu militares. Foram os próprios militares que prenderam os seus colegas golpistas. O único momento em que as coisas não se passaram dessa forma foi por causa de uma reunião que estava convocada para 16 de Março em casa do Almeida bruno. Ora, como eu morava perto, no Monte Estoril, os militares pediram-me para deitar a mão ao Almeida Bruno e aguentar as coisas enquanto eles não chegassem. Dirigi-me então para lá. Ele morava num bloco com vários apartamentos. Já estavam todos lá dentro. Identifiquei-me então como inspector-adjunto da DGS a um morador do prédio e pedi-lhe para me deixar telefonar para a António Maria Cardoso. Já não sei com quem falei, mas lembro-me de ter dito ser necessário os militares virem depressa porque os outros já estavam todos reunidos e eu não podia fazer nada sozinho. E vim para a rua. Entretanto, saiu de casa do Almeida Bruno o capitão Farinha Ferreira. Eu disse-lhe o que estava ali a fazer e enganei-o dizendo que aquilo estava tudo cercado, que havia militares em vários telhados vizinhos e que, por isso, era melhor ele manter a calma. Contudo, ele estava excitadíssimo, não havia maneira de acalmá-lo. Disse-lhe: Eu não lhe quero fazer mal nenhum, mas olhe que os tipos que estão ali nos telhados ainda lhe dão um tiro!... Pedi-lhe então para se encostar a uma árvore, abraçando-a, e pus-lhe as algemas. Dali ele já não saía. Só se arrancasse a árvore pela raiz! E o tipo diz-me: Senhor inspector, eu sou um oficial do Exército e nunca me senti em toda a minha vida tão humilhado como neste momento. Disse-lhe que, desde que ele me desse a sua palavra de honra em como não saía dali, eu lhe tirava as algemas. Respondeu-me que sim e eu tirei-lhe as algemas. Entretanto chegaram os militares e levaram todos para o governo militar de Lisboa. »  (in, Histórias Secretas da PIDE/DGS, pp.149-150 - de Bruno Oliveira Santos).

Portanto, o homem da DGS nem sequer adentrou a reunião. Se tanto, atentou contra a ecologia, submetendo a árvore a afagos e apertos indesejados. Pode ter tentado matar o outro por telepatia? Quem sabe. Nisto das "teoria da conspiração", tudo é possível.

5. O insuspeito Otelo Saraiva de Carvalho, corrobora a "visita" de Óscar Cardoso aos "spinolistas" :

«O inspector (Óscar Cardoso) era, nessa noite (16 de Março), o visitador especialmente destacado para o Movimento, a partir do momento em que um velho general, ministro do Exército (Andrade e Silva), resolvera tomar a atitude que não se julgava possível: requerer a Marcelo a utilização da PIDE para a perseguição e prisão de oficiais, só por suspeita de spinolismo e mesmo em suas casas! Óscar Cardoso "falhara" Almeida Bruno mas prendera Farinha Ferreira e obtivera finalmente uma boa pista sobre Monge e Casanova. Fora já um bom avanço! Mas o regime perdia ainda mais, perante nós, a face e a vergonha!»
   - Otelo Saraiva de Carvalho, "Alvorada em Abril" (pp.273)

Nota de rodapé: nestes pequenos pormenores é que se nota uma certa falta de jeito de Marcelo para a poda: com Salazar, jamais a PIDE/DGS seria autorizada a meter-se abertamente no assunto.  Controlaria, mas não agiria directamente. Isso competia exclusivamente aos militares - aos leais, bem entendido. Chamar a DGS é o mesmo que dizer que já não se confia no principal sustentáculo da nação. Ora, isso é meio caminho andado para o desastre. Se um pilar oscila, reforça-se, repara-se, conserta-se ; não se vem lançar o alarme público e suscitar a suspeita generalizada. Quando Otelo refere que "o regime perdia ainda mais, a face e a vergonha", perante eles, conta apenas metade da cantiga: ambos, eles e o regime, iriam em breve perder completamente a face a a vergonha, perante a Nação e perante a História. 

Por outro lado, nem Otelo, nem nenhum dos revolucionários abrileiros, se queixam de qualquer tentativa de assassínio da parte da DGS, nem ao longo da animada conspiração, nem depois. Muito menos de Óscar Cardoso, que os conhecia a todos e tinha andado com grande parte deles na Guerra. Até porque estamos a falar dum indivíduo que não era exactamente um amanuense, mas, bem pelo contrário, um grandíssimo operacional, nada indigno de ombrear com os nossos maiores vultos guerreiros do Ultramar. Convém apenas relembrar que foi Óscar Cardoso quem criou os Flechas.

6. O Relato do General António de Spínola sobre o episódio em análise:

«Entretanto, o Tenente-Coronel Almeida Bruno, que estivera reunido na Academia Militar com o Coronel Rafael Durão e o Major Mensurado, passou também por minha casa para me esclarecer sobre o inesperado evoluir da situação, informando-me, ao mesmo tempo, que o General Costa Gomes pernoitaria no Regimento de Cavalaria 7. Ainda durante a noite, procurou-me novamente para me informar que a sua casa se encontrava cercada por elementos da DGS e que o coronel Leopoldo Severo o avisara ter ordem para o prender caso ele voltasse à Academia Militar. Aconselhei-o a apresentar-se naquela Unidade, o que ele efectivamente fez.»

- António de Spínola, "País sem Rumo", pp.99

Em suma, não restam dúvidas que, por requisição das autoridades militares (o Ministro do Exército), a DGS, na pessoa do inspector Óscar Cardoso, recebeu ordens para deter os oficiais "spinolistas". Facto. A treta mirabolante do assassínio é pura fake-news por retro-escavação, uma especialidade típica dos marteleiros desinformativos cá do burgo (e arredores). Não lembra ao diabo, e mesmo aos filhos deles, só àqueles que resultaram da reprodução avulsa  com senhoras de vida fácil.

O Futuro duma nação traduz-se na capacidade de respeito pelo seu próprio Passado. Entre nós, apenas piora a cada dia que passa. E já vai abaixo de zero.



quinta-feira, agosto 11, 2022

Para avaliarmos das linhas com que nos cosem.

Transcrevo, na íntegra, um providencial email que um estimado amigo, sábio de leis, teve a bondade de me enviar. 


« Vi que postou, há uns dias, algo sobre uma campanha da ONU + UE contra teorias da conspiração.


A propósito desse tema, foi hoje publicada uma alteração à Lei n.º 27/2021, de 17 de maio (aprova a denominada "Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital"), mais especificamente ao artigo 6.º dessa Lei, que dispõe acerca do "Direito à proteção contra a desinformação".

Antes desta alteração, o artigo 6.º dizia isto ( Lei n.º 27/2021 | DRE )

Artigo 6.º

Direito à proteção contra a desinformação 1 - O Estado assegura o cumprimento em Portugal do Plano Europeu de Ação contra a Desinformação, por forma a proteger a sociedade contra pessoas singulares ou coletivas, de jure ou de facto, que produzam, reproduzam ou difundam narrativa considerada desinformação, nos termos do número seguinte.
2 - Considera-se desinformação toda a narrativa comprovadamente falsa ou enganadora criada, apresentada e divulgada para obter vantagens económicas ou para enganar deliberadamente o público, e que seja suscetível de causar um prejuízo público, nomeadamente ameaça aos processos políticos democráticos, aos processos de elaboração de políticas públicas e a bens públicos. 3 - Para efeitos do número anterior, considera-se, designadamente, informação comprovadamente falsa ou enganadora a utilização de textos ou vídeos manipulados ou fabricados, bem como as práticas para inundar as caixas de correio eletrónico e o uso de redes de seguidores fictícios.4 - Não estão abrangidos pelo disposto no presente artigo os meros erros na comunicação de informações, bem como as sátiras ou paródias. 5 - Todos têm o direito de apresentar e ver apreciadas pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social queixas contra as entidades que pratiquem os atos previstos no presente artigo, sendo aplicáveis os meios de ação referidos no artigo 21.º e o disposto na Lei n.º 53/2005, de 8 de novembro, relativamente aos procedimentos de queixa e deliberação e ao regime sancionatório. 6 - O Estado apoia a criação de estruturas de verificação de factos por órgãos de comunicação social devidamente registados e incentiva a atribuição de selos de qualidade por entidades fidedignas dotadas do estatuto de utilidade pública.

Em suma, este artigo dizia o que se deve entender por desinformação (e destaco o "comprovadamente falsa"). E estabelecia que a entidade competente para sindicar casos de suposta desinformação é a ERC, isto é, uma entidade Portuguesa.

Com esta alteração da treta ( Lei n.º 15/2022 | DRE ) o artigo 6.º passou para isto:

Artigo 6.º

Direito à proteção contra a desinformação

1 - O Estado assegura o cumprimento em Portugal do Plano Europeu de Ação contra a Desinformação, por forma a proteger a sociedade contra pessoas singulares ou coletivas, de jure ou de facto, que produzam, reproduzam ou difundam narrativa considerada desinformação.

2 - (Revogado.)

3 - (Revogado.)

4 - (Revogado.)

5 - (Revogado.)

6 - (Revogado.)

Ou seja, passou a ser a UE a definir, através da respectiva legislação - em especial o tal "Plano Europeu de Ação contra a Desinformação", disponível aqui: https://digital-strategy.ec.europa.eu/en/library/2022-strengthened-code-practice-disinformation - o que se deve entender por desinformação e as consequências da mesma dentro da jurisdição Portuguesa.


Uma pérola para terminar: parece que a UE, na sua tusa insaciável em aniquilar a "desinformação", se propôs educar o povo sobre a temática "A desinformação e a filosofia". E saiu isto: https://eurocid.mne.gov.pt/artigos/desinformacao-e-filosofia »


Os Sioux até eram Homéricos




 «A América é um país que saltou do barbarismo para a decadência sem passar pela civilização.»

                                                                                                                 John O'Hara

 Há muito de comum entre a América e África: nunca se chegaram, por assim dizer, a europeizar. Em todo o caso, há uma certa injustiça no aforismo. Em boa verdade, a América até era civilizada... Até à chegada dos colonos europeus.

quarta-feira, agosto 10, 2022

Tempos do Tenebrio

 


Na imagem em epígrafe, podemos contemplar, gulosos, o novo pitéu autorizado e recomendado pela EUSSR  para alimentação do gado contribuinte. O escaravelho Tenebrio e a sua simpática prole estão replectos de proteínas apetitosas e altamente benéficas à saúde dos galinomens, bem como, nec plus ultra, à salvação do planeta. Mais uma vitória crocante da agenda Verde. 

terça-feira, agosto 09, 2022

NATO standards

 https://www.bitchute.com/video/hWNY5iUMYPnv/

Compreende-se agora a urgência da Suécia em entrar para a NATO. Os mais elevados padrões de operacionalidade e valentia. Nem precisam de quaisquer treinos de adaptação ou aperfeiçoamento.

Parte II:

«PART 2 OF SWEDEN'S NATO ENTRANCE EXAM»

segunda-feira, agosto 08, 2022

Decoro, senhores, decoro!...



Agora foi a CBS. Tinha publicado um comentário onde denunciava que apenas cerca de 30% da assistência militar ao Ucranistão chegava às linhas da frente. Subitamente, apagou o dito cujo. Tudo ficou reduzido doravante a  “The page cannot be found” error. 

Espanto? Nenhum.

Alguém deve ter explicado, superiormente, à CBS, que chegam as que devem chegar, e nem mais uma. E alvitrar que são 30, 35, 29, 50, ou 80%, tudo isso não passa de mero exercício de adivinhação, palpite ou, pior ainda, teoria da conspiração. Que é o mesmo que insinuar que alguém, um grupo de pessoas (de elite, judeus, anjos de Kiev, ou equivalente), animadas das piores intenções, desvia, escamoteia, sonega ou, de algum modo pérfido, trafica a maior parte das armas, algures, entre os paióis abastecedores e o palhadinos necessitados. Ou nem sequer as envia, vade retro.

Depois, falar em "Frente" é muito relativo, para não dizer efabulativo ou nebuloso. Qual frente? Há várias e o Império está sempre a semear e enxertar novas, todas elas famintas e necessitadas. Com a agravante de, no caso ucranoiscoiso em análise, as frentes não pararem quietas e estarem sempre a andar para trás. Não espanta, pois que quando as armas lá chegam, já o recipiente mudou de endereço e paradeiro. Impossível fazer a entrega. Sendo que, ainda por cima, grande quantidade delas são destruídas, de modo grosseiro e brutal, pelos russos, durante a viagem. Uma dor d'alma! E aquelas que, para cúmulo,  mal foram entregues e já, por via da retirada apressada, os chechenos, os wagners, os cossacos, enfim, toda aquela horda bárbara a soldo do Putin deita mão nelas? Lógico, mais que lógico, inteligente e prudente mesmo, é que as armas, em vez de serem desperdiçadas na frente, fiquem depositadas e preparadas cá atrás, até que a frente retroceda até elas.

Ora, sejamos honestos: No meio duma balbúrdia destas, como é que alguém consegue ainda pôr-se com minudências e picuinhices? Pior, com aritméticas e estatísticas?!... Haja decoro e sentido das realidades, que diabo!... 30%?... Isso já seria um acto heróico, um feito assombroso!....

PS: Desnecessário ( e contraproducente) apenas foi a «CBS News announced Monday that it had “removed a tweet promoting” the doc, assuring that since it was filmed, control over deliveries had improved».  Mas melhorar, o quê, senhores? Toda uma coisa santa, sagrada, universalmente delambida e lambuzada, que corre às mil maravilhas, sob o bafo merdiático abençoadeiro e a teia  fina e estratégica urdida pelos génios congregados, em brainstorm trovejante, entre Langley e o Pentágono!... Que gente resmungona e hipocondríaca!... Já nem a perfeição lhe basta.

PS2: Já agora, aqui fica o tal documentário "auto-cancelado" pela CBS:

https://www.bitchute.com/video/2qaJyA9dJcXS/


sábado, agosto 06, 2022

Teorias da Constelação


«The United Nations has declared war on conspiracy theories, describing the rise of conspiracy thinking as “worrying and dangerous”, and providing the public with a toolkit to “prebunk” and “debunk” anybody who dares to suggest that world governments are anything but completely honest, upstanding and transparent.»


É a nova campanha peregrina das Nações Unidas (mai-la EURSS, claro), o novo panfletarismo sarnento. Eis o menu:


Escalpelizemos então o pestilento e comichoso assunto .

O que é afinal uma teoria da conspiração? Um exemplo actual e banal, segundo o dejecto ONUlulante: os Neoconas controlam a política externa americana, Israel telecomanda os Neoconas (a ideologia sionista endemoinha-os a todos). Se eu disser isto, que é a realidade, posso ser, e devo ser denunciado a um "fact-checking" qualquer, que funciona como mescla de ciber-esbirro e polícia do pensamento do Big Brother. Pois, mas acontece que isso 1. Não é segredo nenhum, nem nada que seja minimamente ocultado, portanto, que se processe em segredo; 2. Não se trata de nenhuma conspiração, antes pelo contrário, é uma forma de administração. Posso não gostar, pode até ser prejudicial para vastas regiões do mundo, a médio prazo para os próprios Estados Unidos, mas é assim. É a realidade geopolítica. Se podem, fazem; se podem, deixam-nos fazer; se podem, vão continuar até que já não possam mais. Até ao esgotamento. Por conseguinte, há que aproveitar, que espremer, que esfarrapar, enquanto podem. É assim, sempre foi assim, ao longo da História humana, com pessoas, grupos de pessoas, bandas musicais e gangues armados.
O mesmo, e ainda com maior ênfase, se pode dizer da "conspiração" das elites. Repito e tentem, mais uma vez, acompanhar-me no óbvio: Quem tem o poder não conspira: exerce. As elites (que primam pela inexistência, pois são na verdade o seu oposto, uma lumpanagem plutocrática e pantaficiente) não precisam de conspirar porra nenhuma: fazem o que lhes apetece e sobra-lhes tempo. Detêm a vontade, os meios, a oportunidade e o motivo, mais os jornalistas, os tribunais, os cientistas e a polícia, iam conspirar contra quem? Só se fosse uns contra os outros. Ora, podem ser lúmpens, mas não são malucos. E conspirar contra a inteligência, a ética, a História ou Deus, não conta, até é muito bem visto e aplaudido. Sobretudo pelas massas, que se sentem devidamente representadas e culminadas por zénites dignos da maior inveja e emulação. A volúpia com que o pequeno filho da puta venera e contempla o Grande Filho da Puta. E apenas isso. Conspiração? Qual conspiração!...Constelação apenas.
Donde emerge então a perplexidade: a excreção peregrina da ONU pretende então combater o quê - assaltos a conspirações que não existem? Repressão de neo-quixotes em batalha contra falsos gigantes?
Como é mais que evidente, pois, não é a efabulação, mais ou menos desarvorada, que os preocupa, ou que pretendam silenciar: é a crítica, a dúvida, toda e qualquer forma de expressão de dissonância, discordância, dissidência, a limite, de questionamento das... Teorias da Conspiração oficiais, ou seja, as Teorias da Conspiração emanadas pela Administração. Não são as "teorias da conspiração" avulsas, de vão de escada ou saguão, os alvos do papelaço vergonhoso; os alvos efectivos são os "conspiradores": os antissemitas instantâneos, os negacionistas de ocasião (do que quer que seja, desde o Holocoiso às fast-vacinas ou ao refrigério global), os não-vacinados, os não crentes cegos no novo-evangelho à pressão ou no mais recente estudo encomendado da treta. Aí, entre vários outros hereges laicos da hora a correr, é que o garrote aperta e eles dão voltas ao parafuso. 
Exemplos de "teorias da conspiração" que, na medida em que são emanadas da Administração, passam automaticamente a "dogmas sagrados":
1. O ser humano conspira contra o próprio planeta, aquecendo-o criminosamente;
2. O vírus "não sei quantos", numa longa fila de espera de vários outros, conspira contra a humanidade;
3. O monstro Putin conspira com ele próprio para conquistar toda a Europa, de modo a convertê-la num inferno anti-liberal e, desse modo horrível, a destruir todo o stock de vaselina com que interagimos com os nosso amigos americanos;
4. As vacas também conspiram contra o planeta ;
5. Os fertilizantes, aliados aos combustíveis fósseis, participam junto com as vacas na conspiração hedionda que já faz os glaciares debulharem-se em lágrimas;
6. O sol conspira com  a ciência contra os cientistas de conveniência;
7. A realidade conspira contra as elites e os seus porta-vozes merdiáticos;
8. A verdade conspira com os factos contra os mass-merdia;
9. O tempo conspira com a natureza contra as modas do instante a ferver;
10. A Morte conspira com a decadência contra o Império;
11. Os iranianos conspiram com os sírios para aniquilar Israel;
12. Todos os Goym conspiram no âmago da sua alminha para exterminar os judeus (é genético e patológico), o que requer uma vigilância policial,  tele-sedativo  e lobotomia mediática constante;
13. Todo e qualquer homem, branco, europeu, heterossexual (ainda mais se agravado de pai e marido) é, no fundo, célula viva duma conspiração civilizacional ancestral, e, nessa medida, um antissemita, racista, machista, homofóbico, transfóbico e negacionista geral que urge desmascarar, confinar, punir e, de forma sistemática, cancelar. Sob pena de destruição e aniquilamento de todos os valores oxidentais santíssimos, produzidos pelas mais recentes ONGs avançadas, nos últimos cinco minutos de litleBang maravilhoso, por obra e graça da mais genuína refundação cósmica em perpétua ebulição e remaquilhagem cosmética.
Etc, etc... Os leitores podem acrescentar as que me escapam.

Entretanto, para não variar da burrocracia instalada (que se traduz numa espécie de ditadura mal atamancada da mongloidice pomposa) o texto do próprio panfleto desarticula-se e anula-se a si próprio... E nem sequer é preciso entrarmos em critérios ou tabelas lógicas, de curso básico ou aplicação simples. Peguem, por exemplo, na mais recente e gritante "teoria da conspiração administrativa", ou seja, a "conspiração hitlostalinista do hediondo Putin (com os oligarcas atrelados) para conquistar a Europa e, de seguida, o Mundo, a Lua e várias estrelas incautas de Andrómeda e arredores... Apliquemos-lhe, de seguida, a grelha, tal qual tem acontecido, ao vivo e a cores. Vamos, então, passo a passo:

1. (The belief that events are secret manipulated...) Exactamente, não se trata duma mera guerra civil, instalada e patrocinada (e combatida) do exterior, o que, de resto, está exaustivamente documentado e repetidamente reportado ao longo de quase 10 anos. Não, trata-se duma alucinada e súbita invasão russa, apenas explicável como plano maquiavélico  para tomar posse da Ucrânia e do Mundo civilizado, isto é, uma conspiração contra o Ocidente e os nossos "valores".

2. 1 (... a secret plot) O plano secreto de Putin (o último avatar do Diabo).
  2.2. (a group of conspirators) O Putin, o seu mentor Dugin, a múmia de Stalin, o fantasma de Pedro o Grande, o ectoplasma de Catarina, Átila por interposto médium, e ainda o mancha negra e  darth vader.
 2.3. (Evidence...) Nuvens de papagaios, fontes anónimas, porta-vozes dos serviços de inteligence britânicos, americanos, australianos, franceses, alemães e até polacos, fábrica, forjas e repenicos amplificados dos mais diversos enredos, fábulas, abracadabras, todos eles peremptórios, instantâneos, descartáveis e reutilizáveis no minuto seguinte com embalagem oposta. Dispenso-me de republicar toda a diarreia da CNN, MSN, WaPost, NYtimes, e seus derivados nacinhais, etc,  etc, basta que o leitor faça uma retrobusca. Mas aviso já que o espectáculo não é edificante.
  2.4. (they falsely sugest that nothing happens by acident....) É todo um plano Putinesco. Arquipérfido. Uma filigrana maléfica que passa pela destruição exclusiva e sistemática de maternidades, jardins de infância, escolas, hospitais, lares de terceira idade e civis avulsos em estado desprevevenido. Tudo por estrito ódio e figadal inveja da primeira república angélica do mundo... e da História. Nada escapa a esse encadeamento fatal, obsessivo e retroalimentante. Uma espécie de loop eterno e inisterrupto. Chega ao fim, repete de novo.
  2.5. (they divide the world into good and bad)  Com certeza: os ucranianos (os "nossos" representantes no concurso), são santos, imaculados, angélicos, mimosos; os russos, os "outros ucranianos", os "deles", são, intrinseca e automaticamente, maus, péssimos, inhumanos, orcs, ásperos, brutos, zeros.
  2.6. (they scapegoat people and groups) Russos, soviéticos, os czares, a estepe siberiana, é tudo para culpar e sancionar. Políticos, mercadores, desportistas, artistas, povo avulso. Vai tudo a eito. Até os mortos: Dostoievski, Tolstoi, Tchaicovsky, Dvorak, Oparin, Eisenstein, Rostropóvitch cancela-se tudo. Varrer tudo isso da História seria mesmo o ideal de toda esta histeria ensandecida  a ferver!...

3. (why they flourish)
  Transcrevo a resposta deles na íntegra: "oferecem uma explicação de eventos ou situações difíceis de compreender, convocando assim uma falsa sensação de controlo e agência. Esta necessidade aumenta em tempos de incerteza como durante a Covid 19." Não é preciso acrescentar mais nada.

4. (How do they root...) Pois, começam pela suspeita - está ali o Putin que não faz o que nós mandamos, nem defende, como lhe compete, os nossos interesses. Atenção, o que ele pretende é dominar o mundo! É muito suspeita a sua atitude de independência e de autonomia geopolítica... Trata-se de um tirano sanguinário e enlouquecido, não há outra explicação possível! Quem não rasteja para nós, é contra nós, quer dizer, contra a humanidade e o progresso! Ele avisou, tentou negociar, assinou acordos, aturou pacientemente a nossa má fé e sacanice durante anos a fio? Ora, tretas. É tudo manha, subterfúgio, simulação! As suas intenções estão devidamente radiografadas e certificadas por resmas de especialistas, cartomantes, arúspices, embaixadores: conspira contra nós e o nosso maravilhoso modo de vida! Não quer saber de nós para nada? Lérias! Isso é conversa. Morre é de inveja e cobiça! pelos nossos amplos recurso minerais, pelas nossas abundantes matérias primas, pela nossa engenharia espacial, militar e... Bem, é mau, é mauzíssimo e ponto final.
Nada disto faz sentido? Está às avessas? Como?! Quem disse? Quem se atreve?! O céptico, o incrèu!... Putinista!... Russófilo!... Quinta coluna do maligno!... Às canelas da besta, Rogeiro! Morde, Milhazes! Vai nele, CNN! Não o poupes, Ricardo Sabujo Pereira! Morte ao herege, fofinhos! Nada de tolerâncias nem delicadezas com o conspirador, o apaniguado, e de trazer pela trela!... A ele, matilha!

5. Finalmente, (why do people spread them): "muitos acreditam que é verdade. Outros querem apenas provocar, manipular ou atingir pessoas por intuitos políticos ou financeiros. Cuidado,  eles podem vir de muitas fontes:  - internet, amigos, familiares!.."

Seria para rir, a bandeiras despregadas, se  não fosse, realmente, para chorar. Um tal paiol de desfaçatez furiosa a cavalo na imbecilidade roncante augura as mais espalhafatosas explosões.

Derradeiros avisos, segundo A ONU:
Nada de associar o canibal Soros, os Rothschilds ou o Estado de Israel a "teorias da conspiração". Livrem-se. Se detectarem alguma heresia, repito, corram a denunciar num coiso chamado "fact-checking" - leia-se "fake-checking". Um vazadouro municipal para o delator que resfolega, impaciente, no fundo de cada cidadão acéfalo. Não faltam por aí candidatos, estou seguro.

E para os mais curiosos, ou suspicazes de serviço, aqui fica o genérico da fita: Esta campanha de bosta foi obra conjunta duma quadriga solípede composta pela Unesco  (palmas!), o Tweeter (palmas!), a Comissão Europeia (palmas e bis!) e, last but not least, o World Jewish Congress (palmas, ovação e aclamação de pé! Alguns cheliques de emoção...). Estão a ver, ó conspiradores de plantão: não precisam de teorizar. Não há segredo nenhum. É à vista de todos: administram. Supervisionam a manada. O parque. A reserva.

O colectivo ocidental já nem sequer mete nojo. Mete apenas dó.

sexta-feira, agosto 05, 2022

Pelourinhos ortopédicos, ou Entre o Pinóquio e o Príncipe



 «The Swedish TV channel SVT had to apologize to the audience because of the story about Ukrainians who cried with happiness while receiving a Russian passport in Kherson»



Explicando detalhadamente...

Uma equipa da Reuters fez uma reportagem em Kherson, na Ucrânia libertada dos nazis rançosos telecomandados pelos americórnios zombis. Eu sei que isto parece um filme da Disney/Marvel, mas é mesmo assim. Se acham que estou ao serviço da propaganda russa, tanto melhor, isso enche-me de vaidade e satisfação. Pena que não seja real, nem o pagamento nem a vaidade, mas pronto, como diriam os homéricos, antes a fama que nada! Porém, digressiono. Voltemos a Kherson. Estavam os ucranianos a receber passaportes russos e a chorar. De felicidade. Experimentai ser brutalizados oito anos seguidos e um dia logrardes os algozes pela sanita, a ver se também não chorais de alegria, ó pessoas incrédulas e capciosas!... Chorais, cantais e apanhais uma bebedeira, garanto-vos eu. Eu e a História Universal, se queremos mesmo entrar em rigores.

Feita a reportagem, a televisão sueca, no canal SVT, transmitiu-a. O que terá gerado, em reacção, uma campanha de protesto da (presumo) esquerda lá do sítio. Nestas coisas de protestar contra a realidade em nome da fantasia, ou melhor ainda, da aldrabice pura, ou da hipocrisia inveterada, ninguém bate a esquerda. E quando eu digo esquerda, nem percam tempo com interpretações ideológicas: entendam imbecilidade ufana, retardada e festiva (portanto, desde os socialistas aos liberais, mais os neos todos da estrumeira). Depois, não há excremento mais reaccionário que  essa mixórdia: reage não apenas em modo instantâneo, como em modo ao retardador ou até retro fúngico. Coisas do momento, tanto quanto coisas que se passaram há trezentos, quinhentos, mil ou dois mil anos, tudo lhe serve. Quer é reagir. Ressentir-se. Largar rancores e baba corrosiva. Já não lhe basta ratar o presente e carcomilar o futuro: afana-se a viciar e putrificar o passado. O próprio tumulto pré-orgânico não lhe escapa. Fuça já na twilight zone (se é que alguma vez de lá saiu)!...Mas lá estou ou a divagar de novo.

Pronto, a verdade não agradou à "audiência"... Não estava conforme à ficção. Um desplante! É suposto os russos fazerem as pessoas lacrimejar de horror, de sofrimento imenso, jamais de felicidade. Essa é a versão oficial, hollywodesca da produção jumentográfica. Como é que alguém se atreve a vir com factos e testemunhos da realidade? Ainda por cima na Suécia, esse baluarte de resistência que há-de vir!... Por conseguinte, toma lá o labéu: propaganda pró-russa! Ora, na presente hora, logo no degrau abaixo do  ranho superlativo (da esbirraria assanhada) - antissemita (nunca esquecer), pauta doravante o russofilo ou pró-russo, calhando que este, na essência, consiste em tudo aquilo que não repita, regurgite ou, de algum modo, chafurde, o mais acefalamente possível, no esgoto da propaganda dominante (eufemismo para "norte-americana").

Sim, como é que alguém pode sequer insinuar (quanto mais exibir) que o que se passa na Ucrânia, no fundo, é uma guerra civil em que os russos intervieram em defesa duma das partes (e já que ali estão, se insistirem muito, vamos ao resto), e o oxidente apostou no quanto pior, melhor - o ideal é que todos se fodam e matem uns aos outros. E toma  lá armas, e toma lá dictatum, e toma lá veneno, e toma lá, passe a redundância, propaganda mundial para o efeito. Sinceramente, é preciso mesmo um grande descaramento!...

PS: Se calhar até efabulei um montão de letras. O mais provável é nem ter havido protesto nenhum. Alguém de cima, dos editores globais, sob queixa dos psicopatas instalados em Kiev, exerceu a conveniente  censura. Fizeram acto de contrição pública, os pecadores, e cancelaram a reportagem. Mais a verdade junto com ela. E toda a hipótese de coluna vertebral que ainda lhes restava.


PS2: Eh pá, e ganhem juízo - na Ucrânia, o certame não é entre a democracia e a autocracia; é entre a tele-ditadura e  o despotismo esclarecido . Dum lado, a marionete - o Pinóquio; do outro, o Príncipe. Embrulhem.

quinta-feira, agosto 04, 2022

Feiras de ponta e imunidades de rebanho





« If you wanted to jump onstage to be bound in chains and whipped Sunday to the delight of the Up Your Alley street fair audience, you had to first be vetted — with proof you’d been vaccinated for monkeypox.»

Sim, porque, entretanto, o governador da Califórnia decretou  o estado de Emergência sanitária naquele estado americórnio por via da varíola dos macacos. E se alguém, no zénite do exercício da mais fantástica civilizaçoa de todos os tempos, quiser fazer-se chicotear, devidamente acorrentado, na via pública, em modo feira, só pode fazê-lo após inoculação da vacina (seja lá o que isso signifique nos dias que correm). Na idade Média, o espectáculo já existia; mas, para orçarmos de quão atrasados e obscurantizados estavam, era considerado, então, um castigo público. 

Enquanto o último grito da civilizaçoa não chega ao Martim Moniz, ou, quem sabe, à feira da Luz ou da Ladra,  é melhor que os avançados culturistas da nossa paróquia vão pondo as depilações de molho e o nalguedo a jeito. No vax, no fetish!...

PS: Não sei se sabem, mas aqueles que andam sempre a escarafunchar no universo (vulgo cientistas) agora segregaram um novo estudo onde revelam o quão perigoso é escarafunchar no nariz. (O perigo (inesperado) que corre sempre que tira 'macacos' do nariz)...

Fica aqui o apelo solidário com a ciência: Por amor de Deus (ou dos Estados Unidos, para a maioria da população) não tirem macacos do nariz! Deixem-nos lá estar, até formarem belas e saudáveis estalactites, que isso só demonstra a pujança do vosso sistema imunitário. Cuidai, com todas as forças, da vossa imunidade de rebanho!... Imunes à dúvida, imunes à suspeita, imunes à razão, imunes à humildade, imunes à verdade, imunes à sensatez, imunes ao humor, imunes ao óbvio, em suma, imunes a todas essas coisas que vos ameaçam, no mínimo, um lugar à manjedoura. Ou, no máximo, um destaque na fila para o cancelamento.



quarta-feira, agosto 03, 2022

O Bom Ve...Novo Faroeste

 Mas também há coisas boas nos Estados Unidos. Ou melhor, ainda restam algumas dessas coisas. O atendimento ao cliente, por exemplo, nos últimos tempos parece até ter descoberto os mais  apreciáveis melhoramentos. Serviço notável e plenamente funcional, é o mínimo que podemos dizer. (Claro, como beneficia o povo,  as ratazanas "democratas", elitistas e corruptas como a puta que as pariu, querem acabar com ele; mas oxalá um meteorito lhes acerte na cabeça!...) Entretanto, aproveitem para dar uma olhada num documentário recente sobre tão desassombrada técnica comercial  (digna, ela sim, de exportação worldwide) .

"HE SHOT MY ARM OFF!" - Elderly store owner opens fire on would-be robber armed with AR-15 (bitchute.com)

terça-feira, agosto 02, 2022

Hermenêutica da baboseira

 



Decifrando esta notícia do "Expresso":


«Os ataques da Rússia prosseguem na zona do Mar Cáspio, e esta terça-feira o porta-voz do Comando da Força Aérea da Ucrânia, Yury Ihnat, adiantou que foram intercetados sete dos oito mísseis lançados pelos russos.

Nestes ataques, a Rússia utilizou mísseis Tupolev Tu-160, que causam bombardeamentos supersónicos pesados, com vista a atacar localidades a sul, centro e oeste da Ucrânia, segundo especificou o porta-voz da Força aérea da Ucrânia...»

Caso o vosso domínio da geografia não seja excelente, tenham a bondade de atentar no mapa acima... Estão a ver onde fica o mar Cáspio? Portanto, se os russos estão a atacar a zona do mar Cáspio, ou estão a atacar o Turquemenistão, o Irão, o Casaquistão, o Uzbequistão, a Azerbeijão, ou a eles próprios; aos ucranistões é que não. Que, como é bom de ver, estão ainda consideravelmente afastados. 

Depois, nestes ataques na "zona do mar cáspio", utilizaram, os tais russos, "mísseis Tupolev Tu-160". Nem mais.

Passo a mostrar-vos a imagem dum Tupolev Tu-160:


 Vêem? É um míssil? É um avião? É o super-homem?... Não, é o Tupolev Tu-160, Blackjack, famoso bombardeiro estratégico  que já vem do tempo da União Soviética.

Com estes dados, reais, bem presentes, tentemos agora decifrar a notícia.

Hipótese 1: Eles pegam nos comunicados directos dos ucranistões, pespegam-lhes em cima com o google traductor e fazem do resultado "notícia". Já nem sequer é fake-news: é fake-fake, sendo que neste caso, a negação do falso não dá verdadeiro, mas apenas ultrafalso, hiperfalso ou falso como o caraças.
Uma tal fancaria de sub-cave revela, mais ainda do que um desprezo olímpico pela verdade, um desprezo completo pelos leitores, ou seja, pelo vulgar cidadão. Não que este, dum modo quase geral, não faça tudo para merecer um tal tratamento. Esmera-se até. Mas, tudo somado, entramos na velha questão entre o ovo e a galinha: eles agem assim porque os condicionam avassaladoramente; ou condicionam-nos a agir assim porque eles transportam neles uma predisposição atávica à bimbice? Confesso que não encontro uma resposta peremptória e certa a um tal dilema.

Hipótese 2: A mesma que a hipótese 1. Afinal, vivemos a lógica das democracias, não é?... Há que respeitá-la, se é das suas culinárias que cuidamos.

Em todo o caso, tragam-me qualquer notícia, em qualquer órgão de "informação" oxidental acerca daquela salsicharia na Ucrânia, e, garanto-vos, é tão mal atamancada e inverosímil quanto esta. Carrega em si, invariavelmente, o seu próprio contraditório, a sua intrínseca anulação. Há nisto tudo qualquer coisa de completo desatino, de fulgurante estupidez alcandorada aos lemes do universo. A mediocridade, agremiada e reforçada em forma de bando auto-mesmerizante, conduziu a uma pessimização fogosa da política americana. São mesmo mongos elevados à enésima potência. E depois há todo um efeito de cascata, desde o fundo da esterqueira, onde ubuficam, até ao fundo do abismo, donde os merdia (e remerdia) descendentes ( mais seus derivados e estalactites dejectivas) cacarejam em repetição ad nausea. Acresce nisto tudo a velha definição de Platão que equaliza ignorância e mal. Ora, a ignorância no mundo actual é proliferante e endémica, no que o mundo actual não se distingue por aí além dos anteriores. Mas se, por um lado, a ignorância tem aumentado apenas na medida e proporção que a população aumenta, por outro há um tipo de ignorância que, não sendo novo, tem, todavia, disparado: a ignorância voluntária. O não poder saber e o não deixar saber têm-se escudado e alicerçado, crescentemente, no não querer saber. E é quando este não querer saber se incrusta no poder político que a ignorância se torna especialmente maligna, porque mero exercício de perfídia.

O que, convenhamos, não é exactamente o caso do actual secretário de Estado americórnio, um tal Blinken. É apenas atrofiado mental. Só para encerrar a prédica, que já vai longa, dou-vos um exemplo simples. Citando a criatura:

Olha que revelador, no presente do indicativo. Então se as elites russas administram empresas que geram enormes receitas, serve para quê o arraial de sanções que a manada oxidental, capitaneada pelo declarante, desovou pelas pernas abaixo e a condenou agora a patinar, atolada e mugibunda, na própria bosta? Vão dar cabo da Rússia como: fazendo-a rebentar por  super-enfarte de lucros?... 

Pão e Parlamento

 Quem é Oleh Lyashko (ou Olé Elástico, como diria o Engenheiro Ildefonso), perguntará o leitor. Bem, mesmo que não inquira, eu digo: é um deputado - melhor, chefe de seita deputativa - duma das três maiores e mais santas democracias mundiais. Neste caso, já devem ter adivinhado, o Ucranistão. O Olé, em pessoa, ou besta, melhor dizendo, é o cacique dos Populares Radicais.

Sendo eu, por natureza, um céptico consomado das qualidades inerentes ao esquema democrático (chamar-lhe sistema oscila, gritantemente, entre o delírio e o optimismo desenfreado), vejo-me todavia periclitar nestas minhas reservas, ao testemunhar tão eloquente upgrade ao mesmo, como podereis testemunhar, em flagrante, no vídeo seguinte:


Assim, sim. Assim até dá gosto. Espero que a EURSS se ucranize com a maior brevidade. Os bons exemplos não vêm só de cima: às vezes, vêm donde menos se espera. E se a plebe romana (mai-los patrícios, o imperador, enfim, toda a populaça) tinham o Coliseu, ao menos  tenhamos nós um Parlamento que - já não direi nos divirta, mas, ao menos - nos entretenha. Ou seja, que tenha alguma utilidade, no vil e inamovível esquema geral das negóc..., digo, coisas. Por exemplo, quanto mais  edificante e democrático não seria assistir ao energúmeno do Chega a debater com o energúmeno presidente da praça ao belo e santo modo ucraniscoiso?  

segunda-feira, agosto 01, 2022

The Power of Debt

 


Vêem?, somos mais importantes que os russos! E se contabilizarmos todo o "Combinado West", então, é esmagadora a abada. Compreende-se agora o desprezo e a sobranceria com que o Costa e aquela coisa esquisita (aquele com cara de isca radioactiva) que faz de Ministro dos Negócios tratam os eslavos moscovitas. Pelintras! Nem têm onde cair mortos.