quinta-feira, junho 01, 2006
De Nietzsche, sobre os blogues
quarta-feira, maio 31, 2006
Porque hoje é quarta-feira...
- Raymond Queneau, "Zazie dans le Metro"
O meu recolhimento eremitérico não me permite grandes efusões. Mas para boa entendedora...
Anelídeos e gastrópodes
- Nietzsche, "Da Utilidade e dos Inconvenientes da História para a Vida"
terça-feira, maio 30, 2006
A Irmandade das Demolições
Mencken, entretanto, prossegue, ao ritmo das grandes demolições. Eu, recolhido em profunda meditação, deleito-me. Acabo de descobrir uma alma gémea!...
- Henry Louis Mencken, "On Being an American on prejudices" (trad. port. da Antígona)
domingo, maio 28, 2006
Os Caldos Imperiais
sexta-feira, maio 26, 2006
Pirilampos trágicos e doutas gambosinices
Não há pensador humano, de vão de escada rolante ou poço de elevador celeste, que não parta do tesouro das suas conclusões e dos seus preconceitos para se lançar no tricoteio dos seus argumentos. Melhor dizendo: logo que os seus preconceitos se sedimentam e cristalizam no montículo sólido das suas conclusões, ei-lo que se encafua nas profundezas duma masmorra mental, qualquer uma serve, onde, com requintes de verdugo e ganas de inquisidor, se entrega à tortura metódica da realidade, a fim de que esta, heresiarca relapsa e contumaz, lhe forneça as premissas convenientes à apoteose do seu raciocínio. E a todo este ignóbil, sebento e refalsado processo chama ele “filosofia”.
Esta, uma vez extorquida após tão cruéis sevícias, ou há-de servir de fralda da Religião, de babete da Ciência, ou de vaselina para a Ideologia.
A verdade - na irrisória porção que lhes compete, a estes pirilampos da sabedoria -, é que traficam filosofobia por filosofia.
Ser cão do próprio cão
quarta-feira, maio 24, 2006
O fado é que induca, o vinho é que instrói!
‘Da-se!, que mundo este! Quando até já os furacões vão para a universidade. O meu velho é que tinha razão, especialmente quando estava c’os copos:
«O fado é que induca, o vinho é que instrói!”
As universidades, acreditem, é que fodem esta merda toda. Acabem com as universidades e vão ver que o mundo melhora. Pouco, mas melhora. E antes pouco que nada. Caso contrário, é vê-lo piorar todos os dias!
"O que é que se aprende numa universidade?", perguntei eu, um dia destes, ao Labaredas, que foi gajo para andar metido naqueles quintais. “Não digo tu, ó moinante (tive que esmiúdar), que já sabemos que só lá andaste para arranjar pito à borla e foder o juízo aos prófes... Refiro-me, anota bem, àqueles totós que lá andaram contigo, mais as feiozas, os estafermos e toda aquela ganadaria imprópria para consumo que acabam vestidos de corvo a queimar não sei o quê, benzidos pelo abade!...” (tem que se explicar tudo bem explicadinho ao Dragaredas, senão desata numa letra que até nos dá dores de cabeça, larga a metralhar-nos de adjectinos, metafodas e alegrunhias, que até dá vertigens).
Assim, bem instruído, açaimado, estrangulado, como convém, o Caga-Lume lá me respondeu:
-“Caguinchas, irmão de putaria, basicamente, nas universidades cá do burgo, os totós aprendem a dar graxa, a lamber-cus e a cheirar-rabos. Em suma: adestram-se para toda uma carreira na política e nas artes.”
Juro que foi isto que o gajo me disse. Sem tirar nem pôr. E o gajo sabe. Fala não sei quantas línguas, conhece o Plantão de ginjeira, é tu-cá-tu-lá com o Aristosto-lhos e - já vi eu, com estes que a terra há-de comer e vomitar logo a seguir – lê o Hei Edgar que nem uma cigana lê a pata dum otário! Mesmo assim, por via das dúvidas, ainda lhe arregalei os olhos e espremi:
-“Olha lá, isso é mesmo assim, não me estás a mintir?!...”
O papa-princesas garantiu-me a dica. Que era a mais pura das verdades. Ele morresse já ali ceguinho e de gaita mirrada se aquilo era milonga. Etcétera e tal , por alma da avózinha que terá morrido virgem. E até jurou pelo Madjer...
-“Jura já aí, a pés juntos e sem figas, pelo Pinto da Costa!...” Exigi-lhe, à queima-roupa. E o gajo, sem hesitar, jurou.
Portanto é verdade. Tão certo como o céu ser azul e branco quando não chove.
Agora digam lá se não tenho razão para me orgulhar do meu velho. Não distinguia uma letra dum tamanho dum boi, arriava-nos forte e feio sempre que o Glorioso perdia, bebeu este mundo e o outro... Mas era um sábio. Pôs-me logo a engraxar sapatos com sete anos. Constatem e mordam-se de inveja, ó totós: ainda os outros andavam na primária, no bê-a-bá, e já eu estava na universidade. Menininho, chavalito, já eu engraxava a preceito e cheirava cona da gorda. E estes marmanjões retardados de agora, bajolos do caralho, com idade para já serem homenzinhos e saberem o que é a vida, ainda andam a cheirar-cus e a aprenderem os rudimentos do gamanço. No meu tempo, com a idade deles, já eu tinha a Mimi, a Filó e a Madalena do Broche por conta, e sociedade com o Manolo Cigano na venda de eléctricos e monumentos aos parolos e saloios das berças que vinham à cidade em excursões. Tínhamos escritório ali à rua da Palma, que saudade!... Era simultaneamente escritório e marisqueira. Não andávamos ali para enganar ninguém! Não é como estes políticos da agora, filhos da universidade, que é bem pior que ser filho da puta, quer-me cá parecer, pois não enganam o parolo uma só vez: enganam-no toda a vida. 'Tá bem que o parolo não serve para outra coisa, nasceu para isso. Mas acho mal os filhos vigarizarem os pais.
Sim, eu sei, o Dragão também me disse: de vez em quando, no dia de São Nunca à Tarde, a universidade lá produz um génio. Também acontece, estilo excepção à regra, admito.
Mas eu pergunto-vos:«Neste cabrão de mundo, para que serve um génio?”
Basta acompanhar as notícias:
«Decifrado gene causador da epilepsia hereditária»
«O primeiro gene causador da obesidade humana, que recebeu o nome de beta-3»
Estão a ver? Ele é leucemia, ele é epilepsia, ele é obesidade e aposto que até diabetes! É nisto que dão os génios. Que ninguém se engane: os génios são os piores!
E os filhos da puta dos jornalistas, outros chouriços de universidade, só dão erros de ortogradia. Até mete nojo tanta ingnorância!...
terça-feira, maio 23, 2006
A linguagem secreta da gaja
Pirateado, mais uma vez, daqui.
segunda-feira, maio 22, 2006
Paintbull-fighting
A imagem é a que se segue:

Eu, para ser franco, além dessas tais (que, por regra, não vejo), também não compreendo como é que alguém consegue gostar de um "espectáculo" que nos mostra imagens destoutras ( às quais igualmente, com fervor ainda mais religioso, não assisto):
Provavelmente, nestas, o digníssimo JCD garantirá que não há mistério nenhum. Que é apenas o Mercado a funcionar. Eu é que tenho a mania que sou elitista e não respeito os gostos do vulgo. Milhares, milhões de vulgo. E, além disso, não tem qualquer comparação: a tortura sanguinária e brutal do pobre cornúpeto e a exibição destes programas verdadeiramente educativos para as massas. De resto, são touradas modernas. Não são touradas obsoletas, anacrónicas, tradicionaleiras. E tudo o que é moderno é bom. Ou, pelo menos, não é mau, não é cruel, não é horrível. Não andam a espetar farpas nos lombos dum pobre bovino gladiador. E ainda têm o patrocínio do BES ou da Coca-Cola. É verdade. De facto, apenas toureiam os nossos filhos; apenas torturam a nossa própria espécie; apenas estupidificam e ajavardam os nossos vizinhos e semelhantes. No entanto, dado que se trata duma tortura psicológica, não conta. É subjectivo. E as vítimas até gostam, juram que sim, pelam-se por cada novo episódio. Vociferariam se lhes retirassem a dose. Não, compenetremo-nos: A tortura física, a espirrar sangue, é que é. O touro sangra, muge de dor (e raiva, presumo); os alarves só dão gargalhadas, casquinam como macacos ou ululam em manada. A tortura física magoa a besta; a psicológica apenas bestializa o humano. Não se fala mais nisso.
O touro, portanto, coitadinho... Chacinam-no, aqueles grandessíssimos sádicos, e a TV, não raras vezes, ainda transmite em directo. E o pior, não sei se o caro senhor reparou, é que neste último sarau torcionário, a lotação estava esgotada. Esgotadíssima. Ora, isto é terrível. Quer dizer que há público, que há clientela, que pululam, salivam e reclamam consumidores. Alguns até, conforme sugere no seu pungente postal, amigos seus, gente usualmente meiga e de bom coração. Que -estimo - esquiam consigo pela Serra Nevada abaixo. Ou o acompanham, de cachecol e buzina, às tragédias da Alvaláxia. Mas que uma vez abivacados no redondel sinistro, basbaques daquela barbárie arcaica, desatam aos olés, a atirar flores, chapéus e algumas, sobrexcitadas, segundo me contou um amigo meu que foi forcado, até as cuequinhas.
Mas público é público. Consumidor é consumidor. Estamos, como deve calcular, a entrar em território santo; largamos o profano e embrenhamo-nos destemidamente no sagrado. É o Mercado a funcionar, pois claro. Um catecúmeno da sua categoria não precisa, com certeza, que eu, um ignóbil herege, lhe faça o croquis da coisa, ou, ainda menos, lhe recapitule a cartilha, pois não? Seria bonito!... Em todo o caso, mesmo que o devaste amnésia súbita, estou certo que o seu confrade João Miranda saberá socorrê-lo a rigor.
Aqui há tempos a cantadeira Ágata brindava a nação com o seguinte desabafo: "Sou pimba, mas tenho um Mercedes". "Esta gaja é uma puta duma liberal, caralhos a fodam!", fumeguei eu para com os meus botões, mas isso agora não vem ao caso. O que importa é reconhecer que os torturadores-de-bois, que tanto o desgostam, em fogozo tandem com a flausina, podem dizer o mesmo: "Somos cruéis, mas temos público". O que resulta que também têm quintas, casas nas quintas, Mercedes, BMWs, Volvos, Jipes, em suma: são pessoas de sucesso, cidadãos eméritos, vedetas do showbiz, cometas do jet-set, estrelas da "Caras", da "Lux", comendadores condecorados e, não tenha dúvidas, se abrissem um blogue, davam-lhe dez a zero com uma perna às costas e um braço ao peito. Pronto, não são americanos, não falam inglês, não massacram árabes por esse mundo fora, ou torturam comunas na américa latina, mas não se pode ter sempre tudo, não é?
E tem outra coisa, estimado JCD: chacinar o infeliz ruminante cria riqueza, gera emprego, promove turismo. Não me diga que quer torpedear o melhor dos mundos com essa erupção destrambelhada de escrúpulos morais?! Não me diga que os valores cristãos -tais como a compaixão- são péssimos para as pessoas, mas indispensáveis para os bovinos!... Ainda para mais quando milita num blogue cujo lema emblemático é "acabar com a bovinidade". Lamento, mas a coerência cobra tributo. Ou devia cobrar. Não gosta de ver, tapa os olhos. Faz como eu, não compra bilhete, não assiste. O touro em causa, porventura, é propriedade sua? Se o matam à missionário, no açougue municipal, ou com preliminares e requintes, na arena, em que é que isso são contabilidades do seu rosário? É o seu direito à indignação? Sem dúvida, Deus, digo, o Mercado lho guarde. Permita até que me indigne consigo. Indignemo-nos juntos! Podemos também indignar-nos por causa daqueles míudos nos teares paquistaneses, indonésios et al, que produzem aquele belo calçado Reebok com que fazemos jogging (bem, eu não, eu é mais putedo, mas também se percorrem grandes distâncias, verdadeiras maratonas atrás das putas, ou em cima delas, tanto faz, o Caguinchas é testemunha)?... Não? Porque isso é indústria, não é "espectáculo", ou seja, não se vê, está escondido, longe da vista, longe do coração?... Ah, pois, que cabeça a minha. Sim e não são animais do primeiro mundo, são apenas pessoas -ainda por cima monhés, chinocas ou escarumbas - do terceiro, cujo dever essencial é trabalhar e sacrificar-se para que nós, abençoadinhos, predestinados, liberdadeiros, consumamos produtos cada vez mais baratos. Poderá parecer uma tortura, mas não é. Ou melhor: não é uma tortura gratuita, frívola, com lentejoulas. Pelo contrário, é uma tortura útil, fundamental, filantrópica e necessária. Um sacrifício que uns fazem pela felicidade dos outros. Puro amor ao próximo, se bem que longínquo, convenhamos. Cristianismo aplicado, há que reconhecê-lo (no calvário deles repousa a nossa salvação). Por isso mesmo nem se lhe chama tortura: chama-se-lhe trabalho. Há lá coisa melhor que o trabalho deles e o nosso emprego e respectivas férias?! E de pequenino é que se torce o destino. Além disso, entre estarem ali bem arrecadadinhos e concentrados horas a fio, a treinarem e adestrarem-se para o desemprego, ganhando o seu dinheirinho, se bem que diminuto, ou andarem a prostituir-se a pedófilos, a serem esquartejados para tráfico de órgãos, ou a darem tiros como aprendizes numa qualquer milícia de bandidos muçulmanos ou animistas, só temos que agradecer à globalização que permite estes notáveis progressos. Verdadeiros milagres, sou forçado a concordar.
Que género de blogador és tu?
Pirateado daqui.
(This comic is copyright © Neil Swaab 2006. All rights reserved. Rehabilitating Mr. Wiggles is supported through book purchases. If you like it, please buy a book and help me to keep making these. You can contact him at mail@neilswaab.com. If you want to see more comics, please visit his website at neilswaab.com. )
domingo, maio 21, 2006
Olivença é nossa!
(Reposição de um postal de o2 de Junho do ano passado. E, talvez, o postal que mais gozo me deu escrever em toda a história do Dragoscópio...)
Pronto, temos o caldo entornado! Li por aí, algures, qualquer coisa sobre a Olivença mártir, ocupada pelo castelhano ímpio. Está tudo estragado. Eis que um manto vermelho me tolda as vistas e ímpetos tigrinos me revolvem a figadeira. Esta, má de sua usual natureza, está agora péssima, segregando uma bílis capaz sabe-se lá de que homéricas façanhas e belicosas audácias. Um vulcão de rompantes homicidas envinagra-me os azeites e trepa-me à mioleira. Não, não me deviam ter falado numa coisa dessas. Agora aturem-me!...
Fez ontem quantos anos? Duzentos e quatro?!! E ainda tendes o descaro de me dizer uma coisa dessas?!! São duzentas e quatro punhaladas no meu coração!, são duzentas e quatro marretadas na minha cabeça!, são duzentos e quatro coices nos meus digníssimos testículos!
Mas somos homens ou larvas rastejantes?! Somos varões ou galinholas?! Estamos à espera de quê? Hem?!
Para Olivença e em força! Já! Imediatamente! A todo o vapor! E, de caminho, a título de juros de mora, tomamos também Badajoz. Aproveitamos e enfardamos caramelos –ou seja, em linguagem técnica, reabastecemos -, e aí vamos nós, direitos a Sevilha, a Algeciras, a Ayamonte se os cabrões dos espanhóis não ajoelharem prontamente, em rogo de misericórdia e juras cegas de vassalagem perpétua. Em se prostrando, os biltres, os cães, agarrados às mulheres e aos filhos, lavados em lágrimas, ainda vá que não vá: cobramos tributo, pagam uma choruda indemnização, (a fórmula será défice x 2 + total de anos de usurpação x Pi) e vamos comprar casacos de cabedal a Ceuta. Caso contrário, se armarem em esquisitos, se se puserem com procrastinanços, não me telefonem nos próximos doze meses: vou andar extremamente ocupado em razias pela Estremadura, a pôr a ferro e fogo a Andaluzia, a desertificar a Serra Nevada (sobretudo de turistas, para lhes arruinar o turismo parolo) e, nec plus ultra, a violar chicas ali prós lados da Meseta. Hei-de flagelá-los com tal rigor, que, diabos me levem, se, em menos de dois meses, não hão-de andar de joelhos, aos gritos, a implorar a Deus por tsunamis e dilúvios alternativos. (Nota: não esquecer de passar por Andorra para ver a que preço estão os Hi-Fis).
Entretanto, caso os olivenses (ou olivenceses, ou olivedosos, ou lá o que são) actuais, segundo malsinam certas línguas escamosas, não nos receberem com a aclamação e fanfarra devidas, e, pelo contrário, escandalosamente, nos presentearem com umas lúgubres trombas cravejadas de olhos de carneiro mal morto absolutamente remelosos, fazemos como os primeiros cruzados na Santa Jerusalém libertada: passamo-los de mal-mortos a bem-mortos. Em três tempos. É esse, aliás, um costume típico destas romarias, um procedimento que fica sempre bem em qualquer festividade, e como "ética" quer dizer "segundo o costume" tratamos de fazer "segundo a ética". Sobretudo, para que depois não apareçam aqueles estrábicos torcicolados da ONU, que só vêem para um lado, filhos da puta, com conversas parvas de crimes contra a humanidade e queixinhas palermas de famílias pulverizadas sem mandato internacional ou valas comuns desrespeitadoras do PDM. Que pandilha! Julgam eles que quando um herói está com a mão na massa, assoberbado num alto empreendimento, tem tempo e disponibilidade para minudências?!...Irra, paladinos do ar condicionado, é o que eles são. Ordenhadores do palanfrório! Burocratas de merda, sempre com a mania dos alvarás, das resoluções, das assembleias gerais. Beija-cus dos americonas, um pénis os fecunde!
Creiam-me: nunca as circunstâncias, cá e lá, e em toda a parte, foram tão propícias. Basta reparar, com olhos de ver, nos astros e respectivas confluências. Perguntem ao Delgado, à Helena Matos, ao Almôndega Prado Coelho, ao João Miranda (a pedido da Zazie, não digam nada ao VPV). Ide mais longe, se a certeza científica vos apoquenta: matai um galo preto e espreitai-lhe as vísceras; depois um galo branco; depois, uma galinha careca e, finalmente, por via das dúvidas, uma carpa dourada. Mesmo as fezes dos recém-nascidos, emulando Picasso, ultrapassando Miró, não falam doutra coisa. Multiplicam-se os prodígios.
É a hora! Às armas!
Tanto desempregado que anda para aí ao alto, a coçar a micose; mais outros tantos funcionários públicos, do quadro, inamovíveis, sedimentários, obesos, a precisarem de exercício; e igual hoste de gays e ateus suicidas, habituados aos rigores da campanha e ao trabalho de sapa; para já não falar nos políticos ociosos, nos jornalistas sanguinários e nos - sobretodos ferozes, impiedosos, carniceiros - bloguistas liberais (incluindo-se neste termo geral todas as diversas e incontáveis seitas, estirpes e castas: neoliberais, anarcoliberais, conoliberais, pimboliberais, liberais gays, liberais ML, liberais TDI, liberias DDT, 605 Forte, SOS-prostituta, cartel de Medelin, "A Mão Invisível", "O Pé Invisível", esquisoliberais, Testemunhas de Bush, Igreja Universal do Reino do Tio Patinhas, Fãs do Capitão América, etc, etc, etc). Basta mobilizar toda esta gente, que diabo, municiá-los dum objectivo, documentá-los da peregrina táctica e inseri-los numa estratégia mirabolante, mas vencedora. Dai-me uma ideia fixa, que eu dou-vos uma alavanca capaz de jogar bilhar com planetas!...
Dir-me-ão, os cépticos bananas do costume, que eles, os Castelhudos, têm a Divisão Não Sei Quantos, mais o Batalhão Fulano de Tal e ainda um Porta-Aviões todo equipado, pintado de novo e com muitas bandeirinhas, enquanto nós nem submarinos decentes e modernos temos: os que submergem não emergem, e o que submerge e emerge não navega.
Realmente os submarinos davam jeito, um jeito do caraças...certamente para irmos Tejo acima e atacarmos Toledo. Depois, criada a testa de ponte, retrocedíamos até Alcantara (em Espanha, não confundir com aquela zona de discotecas em Lisboa) e fazíamos um desembarque anfíbio, precedido do desfile da Banda da GNR, para dar mais colorido à cena. Aposto que seria este o plano do Loureiro dos Santos, se alguém caridoso não o amordaçasse e acorrentasse a um poste de electricidade qualquer, de modo a poupar-lhe figuras tristes, mas compulsivas, diante das câmaras duma qualquer televisão. Francamente, e depois queixam-se estes gajos que são os rabejadores da Europa!... Mas alguém precisa de submarinos, tanques, bombardeiros, mísseis, porta-aviões ou sequer porta-chaves daqueles tipo 007, capazes de tudo e mais alguma coisa, quando dispõe de "políticos de destruição maciça", várias Brigadas deles; "gays e ateus suicidas", um leque completo de Batalhões de Choque, capaz de se fazerem enrabar ou cobrir de infâmia em qualquer ponto do globo; e, verdadeiro suprassumo bélico, arsenal único no mundo, "uma Mão e um Pé invisíveis" susceptíveis de todas as assimetrias e chacinas mais retumbantes?!... Tenham juízo.
Basta atentar na nossa Ordem de Batalha para perceber como estamos condenados a uma hegemonia, para já, ibérica, logo de seguida europeia e, finalmente, mundial. Considerem, fora as tropas convencionais que são despiciendas e podem ficar de piquete aos incêndios, considerem, dizia eu:
- 5 Brigadas de Políticos de Destruição Maciça
- 4 Batalhões de Choque Suicidas (o 1º -Gay Homos; o 2º-Gay Lesbos; o 3º -Ateus Furiosos; o 4º - Logística, simpatizantes e acólitos)
- 1 Corpo de exército de Jornalistas nosferatus e Necrófagos
- 1 regimento de bombeiros pirómanos
- 1 Escola Prática de Infantaria Metrossexual
- 1 Escola Prática de Cavalaria e Pingarelho
- 3 esquadrões aéreos, com destaque para os F.Abaixo-de-zero, o famoso "Esquadrão de acrobacia aérea "Os Patos Bravos""
- 1 Task Force de bloguistas Liberabundos (constituída por Gabinete de Agiprop; D.I.T.A -Departamento de Intoxicação e Técnicas de Automutilação; Brigada de Lorpas Paraquedistas e Comandos Peregrinos; Grupo Especial de Fogueteiros Pirotécnicos, etc)
- 1 Agrupamento Zootécnico, formado por um regimento de papagaios louros; quarenta pelotões de macacos de imitação; duas companhias de varejeiras jet-set e um batalhão de insectos tele-rastejantes )
- Arsenal Top-Secret das armas estratégicas de persuasão: os já lendários "Mão e Pé invisíveis".( Depois da dissuasão, eis que Portugal retoma a liderança global através do conceito de persuasão, congratulemo-nos!...)
Estais estarrecidos, não é?... O caso não é para menos. Nunca tal arsenal bélico, tal potência destrutiva, se reuniu e congregou sob o auspícios e as fronteiras duma mesma nação. São o sonho de qualquer marechal de campo em tirocínio para Deus. Mas serenai: não estarrecereis sozinhos. Em breve, todo o mundo, a começar nos Castelhudos, se estarrecerá também. Depois do polícia global americano, esse bandalho inoxidável, chegou a hora do GNR global português, esse enigma biodegradável. E onde os badamecos anglonóicos falharam na instauração forçada de democracias (ou seja, convenientes badernas na casa alheia), nós triunfaremos na sementeira de Alentejos (inexcedíveis parques de gastrópodes assimilados) até à Taprobana.
Quanto ao plano de operações para esta epopeia inaugural –o resgate de Olivença mártir, não esqueçam -, é matéria de elementar estratégia.
Em primeiro lugar, enviamos as quintas colunas infiltradas, que vão minar a vontade e a organização inimiga, já de si, segundo rezam as notícias, deveras debilitadas e previsivelmente claudicantes. Os espanhóis masculinos estão ocupadíssimos defronte do lavaloiças, a pilotar fogões ou aspiradores; enquanto os femininos fumam cigarros, mimam a carreira e vão ao psicanalista. Todos eles dormem religiosamente a sesta. Depois de almoço é todo um país prostrado no leito, a ressonar. Óptima ocasião para as nossas manobras hostis.
Para não fatigar o leitor pouco familiarizado com o léxico militar, passo a resumir o programa de festividades.
- Infiltração do Grupo Especial de Fogueteiros Pirotécnicos, disfarçado de contrabandistas de tabaco ou cabedais. Associam-se às feiras religiosas locais, sempre abundantes em honra deste ou daquele santo, e, sincronizadamente, à hora H, de dentro dos arraiais, lançam os seus engenhos infernais e pegam fogo às matas.
- A pretexto de ajuda, o Regimento de Bombeiros Pirómanos entra no país vizinho e ajuda a alastrar os incêndios, de modo a que estes irrompam alegremente pelas aldeias e vilórias.
- Entretanto, o 1º e o 2º Sub-Batalhões de Choque Suicidas (Gay-Homos e gay-lésbicas), numa ofensiva motorizada, assediam e seduzem as forças de segurança espanholas, em especial a Guardia Civil. Os Homos fazem-se enrabar heroicamente por tudo quanto é berma, gerando o pandemónio nas estradas; e as lésbicas chafurdam e lambuzam-se com não menos valentia, até à morte, de roda das chicas fardadas e das oficialas, arruinando de vez com a disciplina nas fileiras. Ao mesmo tempo, o 3ºBatalhão Suicida, o dos Ateus furiosos, imobiliza e transtorna, infernizando com argumentos absolutamente imbecis, o poderoso clero espanhol. Desamparada dos seus presbíteros, barricados e cercados nas suas sacristias, a população espanhola cairá num completo desnorte, logo seguido dum pânico generalizado, que lançará o caos nas comunicações inimigas, mergulhadas, é mais que certo, numa overdose de notícias contraditórias.
- Largada das Brigadas de Políticos de Destruição Maciça nas principais cidades espanholas. Rapidamente reforçados pelos políticos e aspirantes a políticos locais, devorarão recursos e energias, desviarão fundos e receitas, inventarão desculpas e subterfúgios, desmoralizarão à esquerda e à direita. Os sindicatos organizarão marchas e greves, os partidos farão comícios, o parlamento apelará ao Rei que, em desespero, chamará Julio Iglésias em socorro da pátria. No entanto, Julio Iglesias, conforme previsto, estará retido por uma brigada de Jornalistas Nosferatus, reforçada a uma companhia aérea de Varejeiras Jet-set e dois batalhões motorizados de insectos tele-rastejantes. Finalmente, de modo a impedir definitivamente que o colosso cante, o que seria catastrófico, senão mesmo mortífero, para as NT (Nossas Tropas), em especial para os F.Abaixo-de-Zero "Patos Bravos" e o Agrupamento Zootécnico, forças mistas da Brigada de Lorpas Paraquedistas e Comandos Peregrinos silenciarão a mais perigosa arma inimiga, através do lançamento de Misses teleguiadas que o neutralizarão sem dó nem piedade, castrando-o. O timbre vocal ficará irremediavelmente arruinado, excepto para trinados maricas, mas inofensivos, estilo "Ala dos Namorados".
- Por esta altura, já só o poderoso Estado Maior General Espanhol ainda resistirá. O general chefe estará reunido com os seus oficiais, tentando accionar o plano de emergência que movimentará as tropas e o porta-aviões que, em seu néscio entender, irão devolver a ordem e a soberania ao país. O risco da emergência dum novo Franco é por demais evidente. Momento crucial da nossa estratégia, este: o derrube do baluarte derradeiro da resistência inimiga. Terrível hora, essa, em que, com a inexorabilidade dum super-poder, faremos avançar a "Mão Invisível". (Benzamo-nos e afastai de fronte do monitor as crianças e os idosos mais sensíveis a certas cenas!...) Mas eis que a tremenda arma avança. Lá vai ela, sem que ninguém a veja... O general castelhudo debruça-se sobre mapas, traça azimutes, apascenta blindados e fragatas, orienta raides e bombardeamentos devastadores. Os outros bebem-lhe, reverentes, a peroração tonitruante; estremecem aos murros na mesa, aplaudem as retaliações arrasadoras. Lisboa não perde pela demora. A Mão, porém, invisível, já entrou descontraidamente na sala. Horror!, aproxima-se do General-Chefe e, mais inteligente que qualquer bomba inteligente, que qualquer míssil catedrático, e até mesmo que José Pacheco Pereira, não hesita e apalpa o cu ao grande estratego. Sacrílega, profana-lhe, sem remissão, o templo da dignidade máscula. Talvez seja melhor não descrever o caos subsequente; o escândalo que, primeiro, a murro e, depois, a tiros de pistola, o emérito cabo de guerra, furibundíssimo, tentará aliviar. Certo é que cinco minutos mais e com cinco coronéis a menos, o mesmo cavalheiro, na mesma zona superiormente determinada, é, podemos estar certos, de novo alvejado. Em cheio. O sistema de pontaria da "Mão" é infalível. Aí, se já tinha passado das palavras aos actos, agora, com a lógica própria da corrida aos armamentos, passa da pistola à granada. À medida que o Estado-maior, por artes auto-redutoras, vai descambando em Estado-Menor e, por fim, Estado-Mini, a "Mão Invisível", pré-programada, prossegue a sua missão aniquiladora. Já só resta o General-em-Chefe, arquejante, espumado, de olhos esbugalhados e a retaguarda dorida. Entre a caliça e o fumo levantados pela última explosão, fita, alucinado, em redor... "Puercos! Maricóns! Sodomitas!", urra, descabelado. A "Mão", ainda e sempre, "invisível", inexorável, vai aplicar o cheque-mate. Insinua-se, por baixo, entre os joelhos, sibilina, e sobe...lentamente, letal, como uma tenaz impiedosa. A vítima continua aos urros, ignorando o fatal desenlace que a espera. A "Mão Invisível", esqueci-me de dizer, tem dedos de aço invisível, é inodora mas não é molengona nenhuma. Pelo contrário, possui uma força descomunal, é mão de Hércules, com força de prensa e ganas de alicate. O efeito dominó está prestes a consumar-se. A última peça tomba no preciso instante em que a "Mão" se fecha, invisível como sempre, mas tendo com reféns (bem espremidos) os mui dignos –e notáveis à vista desarmada - tomates do bravo General. Rendição incondicional, como é evidente.
- Decapitados os exércitos, restará o Rei. Como no xadrez, não é detalhe despiciendo. Uma palavra sua pode ainda ressuscitar um país; uma interjeição sentida pode ainda reacender a resistência (o que para nós, há que reconhecê-lo, como forças invasoras, não é nada conveniente). É a torre de menagem da alma dum povo, o monarca. Pois bem, o rei não é tão poltrão como o pintam. Mais que a pátria, sente o trono em perigo. Teme pelas mordomias, tanto quanto pelos vândalos abrutalhados que aí vêm. Ouviu falar das desumanidades mentais de que os Bloguistas Liberabundos são capazes. Teme o Gulag psicológico, a deportação para o Limbo. Suspeita que, em comparação, Hitler, se calhar, até merecia o Nobel da paz. A multidão imensa, consternada, suspensa, lacrimejante, aguarda defronte do palácio. Toda a praça geme, suspira, reza. Até que o rei, num brio que foi pescar às estranhas, assoma à varanda... Clamores, gritos, delíquios... O povo, em delírio, aclama, pressente o milagre. A Espanha, firme e orgulhosa, não ajoelhará diante do invasor. No limiar da História, fitando a eternidade, o rei emociona-se. Ao fervor tumultuoso do povo, responde com uma vénia emocionada, debruça-se do parapeito para recolher as flores rubras, os olés apoteóticos, para prestar homenagem à fé inabalável das simples almas...
Sem saber que, secreto e letal, como a "Mão", bem atrás de si, se embosca, armado e catapultante, o "Pé Invisível"... (Tumph!...)
Que ninguém duvide: Olivença é nossa!
sábado, maio 20, 2006
Uma questão controversa
«Como o correspondente Alan Riding, do New York Times, escreveu, no seu best-seller, "Vizinhos distantes: Um retrato dos Mexicanos", no México, a Vida pública pode ser definida como o abuso de poder para aquisição de riqueza, e o abuso da riqueza para aquisição do Poder.»
É esta brilhante definição que me interessa e que, certamente, nos deveria convocar - a mim e a vós, ó génios que daí me decifrais - não só ao riso mas, sobremaneira, à reflexão.
Confesso que acho deslumbrante: "O abuso do Poder para aquisição de riqueza, e o abuso da riqueza para aquisição de Poder"... Até apetece sair pelas ruas a pintar nos muros e a carimbar nos autocarros.
Mas...(não consigo suster esta perplexidade), acuda-me daí uma alma caridosa que me esclareça: Não é esse o lema do "Ocidente" desde o Império Romano paradigmático?... Não tem sido esse o "Abre-te Sésamo"dos Impérios e magnas Potências?...
De tal modo vício já virou tique: Andamos sempre a armar em virgens impolutas. E, com igual constância, a descarregar a própria infâmia em cima dos costados alheios.
sexta-feira, maio 19, 2006
O Mercado explicado aos otários
«Antes de 1980, o Afeganistão produzia 0% do ópio mundial. Até que a CIA entrou em campo, e em 1986 já produziam 40% do fornecimento mundial de heroína. Em 1999, já processavam industrialmente 3.200 toneladas de heroína/ano, ou seja, cerca de 80% do abastecimento de todo o mercado. Só que então algo de inesperado aconteceu: os talibãs chegaram ao poder e, em 2000, tinham destruído quase todas as plantações de ópio. A produção caiu de mais de 3.000 toneladas para apenas 185 toneladas, uma redução de 94%! Esta enorme queda de receita causou danos não apenas nos projectos de Orçamento Coberto da CIA, mas também no fluxo de dinheiro [livre de taxas e impostos] “lavado” nos Bancos Controladores.»
Entendamos o seguinte: o Tráfico Ilícito de Estupefacientes, recorrendo à terminologia da moda, tão do agrado dos nossos mercantileiros desinsofridos, produz tanta riqueza como a indústria do petróleo. Basicamente, o produto final das colheitas traduz-se em dólares – narco-dólares. Narco-dólares, esses, que, depois de lavados em Wall Street e noutras instituições filantrópicas da mesma e fina estirpe, servem, na sua componente menos pornográfica, para financiar digníssimas empresas, casinhotas para o burguês (ou candidato a burguês) ocidental, automóveis a prestações e viagens pelos trópicos. É claro que durante o processo há uns infelizes que se quilham, às vezes os próprios filhos do putativo candidato, mas isso, enfim, são danos colaterais e, afinal, conforme nos explicam os entendidos, ninguém os obriga. Vivemos numa sociedade livre, de indivíduos magnificamente equipados com turbo-livre-arbítrio, os quais, nunca duvidemos, são plena e exclusivamente responsáveis pelos seus actos. Sobretudo, quando estes actos são auto-destrutivos ou irracionais.
Acresce que o Tráfico de Drogas Ilegais serve também, e de que maneira, como ferramenta de ingerência e manipulação geopolítica. A descrição adequada do processo não parece andar muito longe disto:
"The CIA functionally gains influence and control in governments corrupted by criminal narco-trafficking. Politically, the CIA exerts influence by leveraging narco-militarists and corrupted politicians... This is really NEO-narco-colonialism, whereby local criminal proxies do the bidding of the patron government seeking expanded influence. But because of the quid-pro-quo of protecting the criminal proxies' illicit pipelines, the result is still a functional narco-colonialism, involving a narcotics commodity in the actual practical execution of policy, with the very different twist of covert action.”
Claro que tudo isto são conjecturas, delírios pré-estivais. Conversas com as paredes.
Atenhamo-nos aos factos:
1. «A produção de ópio no Afeganistão bateu recorde em 2003, segundo informações divulgadas neste domingo em conferência em Cabul. A produção de ópio não pára de crescer desde a queda do regime extremista islâmico Taleban, em 2001.»
2. «Segundo o relatório, no Afeganistão, a produção ilegal de drogas chegou a um nível recorde em 2004 e está comprometendo a estabilidade do país»
quinta-feira, maio 18, 2006
Crédito Inquilino
Pois, basta pedirem um empréstimo ao Banco. Aliás, já deve estar na rampa de lançamento - o "Crédito Inquilino".
Viva a Argentina!...
Viva a Argentina!...
Argentina Allez!
Até porque as cores são mais portuguesas que esta fralda verde-rubra, de borrados e imberbes, a imitar Marrocos!...
quarta-feira, maio 17, 2006
Bad news e Altermanias (rep)
Mais que um qualquer modo de afirmação, o seu exibicionismo obsceno - outras vezes simulado, protocolar, mas sempre emulador dum alterpadrão público -, resume-se a uma sórdida súplica, um enerve requerimento de adesão a uma qualquer manada preponderante.
É toda uma imensidão de hiper-egos paradoxalmente junkies dos outros, do número, da manada. É uma espécie de massa levedante, que quanto mais exorbita mais se agrega e empastela. Pastam e, ao mesmo tempo, vigiam-se, controlam-se, perseguem-se. Levantam a cabeça apenas o suficiente para espreitar o grosso da manada, para avaliar do fluxo dominante, das áreas de maior aglomeração. Se é superlotado é bom; se está enxameado de peregrinos, então é por aí certamente o caminho. O lema estrutural resume-se a "sou o que os outros acham", "sou por sufrágio universal", "candidato-me, propagandeio-me, sufrago-me em cada instante", "aconchego-me". No fundo, vão na enxurrada humana, não tanto para onde escolhem, mas para onde a multidão irracional, a chicote de um qualquer inefável piloto, os empurra. E atrai.
Entretanto, esse irresistível vórtice magnético que são os outros tem doravante um nome, um nome que impera sobre todos: Opinião Pública. É a estrela guia e o astro radioso que ilumina.
É a suposta "opinião de todos", a "opinião universal", no mínimo, a "opinião dos outros".
E quem são esses que os teleguiam?
São os mesmos que estipulam aquilo que é gostável e desgostável, aquilo que é estimável ou execrável. Curiosamente, os mesmos que lhes amputam a alma e lhes implantam, em forma de prótese indispensável, género cadeira de rodas espiritual, uma sórdida maquinazinha defecante, palradora, onanogâmica e hetero-dependente.
Convertidas a um quase vegetal merdificante e palrador, incontinente e mirrado, absolutamente submisso ao cuidado e à vigilância alheia, ambulam, quais espantalhos grotescos, à mercê de estímulos e próteses que os transportam e que, providencialmente, sempre providencialmente, como soro através de tubo, ou realidade através de ecrã, lhes fornecem.
domingo, maio 14, 2006
Objecções à Democracia
- Aldous Huxley, "Proper Studies"
Em resumo, as três principais objecções à democracia, segundo Huxley: 1. Demagogia; 2. Manipulação plutocrática; 3. Corrupção.
É difícil não concordar com este gajo. Não obstante, duas breves notas, que o tempo e o local não dão para mais:
segunda-feira, maio 08, 2006
Da Autocracia e da Xenocracia
- Aldous Huxley, "Proper Studies"
Ocorre-nos, de imediato, uma questão interessante:
O pior é que espanhóis, alemães, ingleses ou americanos também já não sabem muito bem quem é que os governa. O "quem" é uma benevolência da minha parte. Mais justo seria dizer o "aquilo".
Mas concentrem-se na questão proposta e entretenham-se com ela até ao meu regresso. Ou então ide bugiar ou ler blogues de referência, passe a redundância.
domingo, maio 07, 2006
A Crise como subterfúgio
- Aldous Huxley, "Proper Studies"
Provérbios...
- Provérbio alemão
sexta-feira, maio 05, 2006
O ouro, esse enigma ancestral
Women Liberation...



Pois bem, as primeiras duas mostram «estudantes iraquianas em 1963-1964; a terceira é de estudantes iraquianas em 2006!! Por outras palavras, mulheres iraquianas antes e depois da "libertação"...»
As imagens e a denúncia foram pirateados daqui. Um blogue duma iraquiana. Recomendo uma visita.
Resta-nos cantar, com Frank Zappa:
«Women liberation
Came creepin’ across the nation
I tell you people I was not ready
When I fucked this dyke by the name of freddie
She made a little speech then,
Aw, she tried to make me say when
She had my balls in a vice, but she left the dick
I guess it’s still hooked on, but now it shoots too quick
Oh God I am the american dream
But now I smell like vaseline
An’ I’m a miserable sonofabitch..."
Sonofabitch ou sonofabush, tanto faz.
quinta-feira, maio 04, 2006
Iberismo à Portuguesa
Israel e a Judiaria
Dois breves aperitivos:
«Today only a tiny minority of outsiders see Israelis as victims. The true victims, it is now widely accepted, are the Palestinians. Indeed, Palestinians have now displaced Jews as the emblematic persecuted minority: vulnerable, humiliated and stateless. »
(...)
« When Israel breaks international law in the occupied territories, when Israel publicly humiliates the subject populations whose land it has seized - but then responds to its critics with loud cries of ‘anti-Semitism’ - it is in effect saying that these acts are not Israeli acts, they are Jewish acts: The occupation is not an Israeli occupation, it is a Jewish occupation, and if you don't like these things it is because you don't like Jews. »
quarta-feira, maio 03, 2006
Às armas!...Contra os cabrões, marchar, marchar!
A propósito das recentes atoardas do Ministro iberalho, enquanto preparo maiores artilharias, repito o que já aqui tinha dito (e não me canso de repetir):
Um Admirável Outsourcing Novo
E é mais um triunfo e atestado eloquente do progresso planetário que em cada dia nos deslumbra e glorifica: enquanto uns retomam nacionalizações selvagens, outros ripostam com privatizações ainda mais selvagens. Aleluia!...
LSD
Falta, por conseguinte (com imenso pesar deste pensador fulgurante, presume-se), uma "coesão alucinada" ao Ocidente. Eis a panaceia, senhores: equipado com uma "coesão alucinada", o Ocidente, enfim, para grande alívio destas tias histéricas a descabelarem-se aos gritos diante dum ratinho, triunfará. De outro modo, céus!, é melhor nem pensar... Cavemos bunkers, corramos aos abrigos: será certamente o caos, a tragédia, o apocalipse em figura de gente.
Em todo o caso, alucinados não faltam, lá como cá. É só questão destes nossos (os Vascos, Pachecos et al) se compactarem mais. Se bem que já escrevam, mujam e pensem em manada, falta-lhes apenas a coerência de assinarem com uma única e comum chancela. Que tal LSD?...
A coesão alucinada do Ocidente tem que principiar por algum lado. Nada como os teóricos começarem por dar o exemplo. Senão, o que vai ser de nós?...
segunda-feira, maio 01, 2006
Analfabrutismo com Todos
É tal qual como vos digo: a minha filha, por exemplo, tivemos que ensiná-la, eu e a mãe, porque a srª profª tinha outras prioridades (o "meio social", chamam-lhe as luminárias da nova pedagogia). Até se propunha, a avantesma docente, fazer uma viagem de fim de curso pela estranja - que os totós dos pais gentilmente financiariam – na Quarta classe!! Quer dizer, na imaginação megalómana destes mestres-escola altamente perfunctórios, os fedelhos, ao fim de míseros quatro anos de escolaridade mínima, já se alcandoram ao estatuto de "finalistas" - quiçá com queima - em vez de fitas - de fraldas e chuchas. E as visitas de estudo aos cabarés culturais mais inverosímeis? -Infinitas! E as efemérides do calendário mais os treinos para as efemérides? - Um circo! E o festival de encerramento do ano lectivo, com as criancinhas a bancarem as vedetas da canção e os papás que nem focas a baterem palmas às mongoloidices adestradas dos rebentos? - Uma americanorreia de dar vómitos! Os Simpsons ao vivo! Um tipo gasta duas horas a interrogar-se se a escola serve para ensinar alguma coisa de útil aos filhos, ou para estupidificá-los desde a mais tenra idade, bem como justificar uma série de parasitas catrafilados, que nem sanguessugas, nos úberes do erário. Não digo público, porque sei de amigos que vão depositar os filhos em colégios particulares, pagam balúrdios, e o folclore é o mesmo. O que, de resto, só atesta da superior otariedade destes adeptos do "atendimento personalizado": a merda é a mesma, só que os papalvos, por pagarem mais, desenvolvem a muito parola fantasia de ficar mais bem servidos. Chega a ser anedótico: além de pagarem o colégio, ainda pagam depois um exército de explicadores e trituradores de dúvidas a esmo, senão os querubins não frutificam. Limitam-se a patinar na tronchice herdada dos pais.
É que as p**** das criancinhas não fazem mais senão ir decalcar na escola os paradigmas eloquentes que são as bestas dos pais. Queiram desculpar-me, Vosselências, a rudeza, mas não vislumbro melhor descrição.