quinta-feira, junho 23, 2022

Transhumanismo INC

 




2SLGTBQQIA+....

Desafio-vos, ó leitores: que raio enuncia o acrónimo  em epígrafe?

Intrigado, tive, eu próprio, que ir investigar...ao google. Para estas ultra modernices ultra sofisticadas, nada como o google. Ripostou-me, de lá, o motor de busca:

Two Spirit/Lesbian/Gay/Transexual/Bisexual/Queer/Questing/Intersexual/Asexual/Plus

O Plus, segundo a última contagem, parece que rondava à volta dos 70 géneros, e fermentando.

Calculo que isto, sendo o último -na verdade, o penúltimo - grito da disciplina Moral & Religião no Portentado Ocidental (vulgo USA), ainda não chegou aos subúrbios, coisa que, geralmente, ainda leva uns anitos. Mas agora com a internet, parece que é mais rápido. Por conseguinte, deve estar aí a rebentar.

Mas, dizia eu, não é o último grito, porque o "último grito", segundo os gritadores de plantão, é, registem: SSI. Traduz-se por Syntetic Sexual Identities.  As duas bestas que aparecem na fotografia acima, a Jennifer (que nasceu James) e o J.B. Pritzker, são os principais apóstolos deste novo apocalipse. Existe todo um "investimento" à volta do fenómeno (coisa de triliões USD), patrocínios e promoção social em barda, legal também, e toda uma indústria farmacêutica a rebocar o circo. Enfim, se tiverem um estômago forte, podem acompanhar aqui , ou aqui, alguns detalhes da frankenstoinoforia. Não li tudo. Confesso que, de rilhafoles-city, já nada me surpreende. E pornografia, apesar de tudo, ainda prefiro a clássica. Todavia, por descargo de consciência, peguei em todos os nomes que lá apareciam e fui investigar o background: todos de ascendência judaica. Nem uma excepção. Puta de coincidência!... Realmente, quando se trata de vanguarda, ninguém os bate.

Alguns excertos peculiarmente óbvios:

«Through investments in the techno-medical complex, where new highly medicalized sex identities are being conjured, Pritzkers and other elite donors are attempting to normalize the idea that human reproductive sex exists on a spectrum. These investments go toward creating new SSI using surgeries and drugs, and by instituting rapid language reforms to prop up these new identities and induce institutions and individuals to normalize them.»

«We are making God as we are implementing technology that is ever more all-knowing, ever-present, all-powerful, and beneficent.»

«I found exceedingly rich, white men with enormous cultural influence are funding the transgender lobby and various transgender organizations. These include but are not limited to Jennifer Pritzker (a male who identifies as transgender); George Soros; Martine Rothblatt (a male who identifies as transgender and transhumanist); Tim Gill (a gay man); Drummond Pike; Warren and Peter Buffett; Jon Stryker (a gay man); Mark Bonham (a gay man); and Ric Weiland (a deceased gay man whose philanthropy is still LGBT-oriented).»

Etc,etc.


Em jeito de epílogo, e para moral da história, ocorre-me discorrer sobre a etimologia. Da palavra "aberração".

Do latim "aberrare" (ab-errare)- desviar, afastar, sair do caminho. Este descaminhar ou desencaminhar, este andar ao acaso, à toa (cf. Gil Vicente)* é a negação, ou, pior, a perversão, do "odos" grego. Se pensarmos na nossa civilização como a "odisseia", em que o princípio e o fim coincidem - Ítaca, a que os cristãos chamarão Deus -, o que define o caminho é o haver um sentido, uma razão, um fio condutor. Sem esse fio, o homem torna-se condenado ao labirinto e à Besta que lá habita. Ora, o "ab-errar" é igualmente um "ab-ratio", uma "ab-razão", ou seja, uma des-razão, um arrazoado, em suma, um absurdo. Um não haver sentido, nem orientação, nem princípio, nem fim. Não é sequer uma nova linguagem: é a negação da própria linguagem. Estamos ao nível da destruição radical e absolutamente malignizante da sua estrita possibilidade. O Ruído que usurpa e cala a Voz Humana. A partir daqui, quando os bárbaros chegarem, só uma certeza persistirá: Já vêm tarde.


* "À toa"  significa ir puxado por um cordel/baraço, que é como a barca do Diabo leva a reboque um determinado barquinho que, a limite, não ascende ao céu, nem aufere da dignidade mínima para descer ao inferno. Simboliza o nada. Vulgarmente, mais conhecido por dinheiro.


quarta-feira, junho 22, 2022

Reduzir a carvão

 Segundo creio a Alemanha é actualmente governada por uma coligação de três partidos: Os sociais-democratas, os amigos do negócio e os verdes. Logo à partida, soa assim um bocado a saco-de-gatos, dado que os verdes e os amigos do negócio representam o oposto em termos ambientais (e todos sabemos como o ambiente é sacrossanto por estes dias).  Mas como aquilo não serve para nada, quem governa a Alemanha não é o governo alemão, a balbúrdia acaba por ser irrelevante. Entretanto, como os russos, em resposta às sanções tresloucadas, começaram a cortar o gás: já se postula, neste pseudo-governo alemão, o regresso em força ao carvão.

Dir-se-ia que os tais Verdes jamais tolerariam ou patrocinariam um retrocesso civilizacional destes. Em nome do amor acrisolado à Ucrânia, vamos matar mais depressa o querido planeta? Vamos emitir carbono como se não houvesse amanhã?... Não se espantem. É mesmo assim: por essa mesma paixão ensolapada, estão até dispostos, e não param mesmo de escavar nesse sentido, de arriscar o holocausto nuclear, o que, convenhamos, em termos de poluição e agressão ao ambiente, é mesmo do mais radical e desenfreado que se possa imaginar. E conceber.

Porém, não se trata de amor. Experimentem falar com algum destes zombis puguessistas da hora a ferver, e rapidamente percebereis, que ali não há amor a coisa nenhuma, sequer a uma causa: tudo se resume e revolve à volta dum ódio. Tudo dele emana e nele se concentra, destila. Memória, razão, prudência, o que seja, vai tudo de roldão, dissolvido instantaneamente nos vapores daquele ácido corrosivo: já não estamos ao nível de qualquer ditadura do proletariado, agora é sòmente a tirania do ódio. Neste caso, ódio ao Putin. A coisa já nem sequer alcança os níveis da mania: trata-se apenas duma super-birra. A selvajaria pura da chamada "cultura do cancelamento" não vai além disso. Acesso de guincharia do jovem símio furioso com qualquer coisa que o estímulo condicionado o convoca a detestar. Dostoievski, Tolstoi, Tchaikovsky, Tchekov, Shostakovich, Prokofiev, vai tudo de escantilhão. Para o índex, para o esgoto, para o gulag democrático. E se estes vão, imaginem os russos vulgares!... Cresce a indignação porque raio ainda não estão a exterminá-los, os nossos mísseis e aviaozarrões justiciabundos! Porque diabo não estão já reduzidos ao caos, à idade da pedra (como reclamava ainda há pouco o judeu Kasparov, a chispar peçonha)!... Em suma: a birra é tão grande, o estímulo tão aguilhoante, que estão dispostos a escaqueirar esta merda toda, isto é, a Europa inteira sobretudo!...

Voltam ao carvão? Isso não é nada, é zero. Se servir para fazer mal aos russos, que se foda o planeta. Ele que espere, temos uma urgência mais urgente entre patas. Mas 50% do carvão, na Alemanha, é importado da Rússia... E dizem que na Polónia chega aos 100%... Eh pá, não compliquem!... 

Importante é odiá-los ainda com mais força!

terça-feira, junho 21, 2022

Mass-shooting

 

«At least 6 dead, 42 injured in weekend mass shootings across US»


Bem, parece que afinal a III Guerra Mundial está mesmo aí a rebentar. E segue em tudo um paralelismo com a Segunda. A única diferença é que a guerra civil preambular desta vez, no lugar de Espanha, decorre nos Estados Unidos. E não são nacionalistas contra republicanos, é mesmo todos contra todos.
A ressacarem a falta de mass-shooting no exterior, os amerdicanos entregam-se ao mass-shooting doméstico. A essência da guerra, no Ocidente, descambou mesmo nesse requinte: matar civis. O efeito perverso nos próprios civis americanos é de assinalar: faltando-lhe imagens tranquilizadoras das suas pujantes forças armadas nos mass-media, entregam-se eles próprios, com pundonor, à tarefa.
Imaginem o que será de Israel no dia em que as IDF, por algum capricho ou greve, deixarem de massacrar palestinianos... Nem quero pensar.

segunda-feira, junho 20, 2022

O Mamute na sala

 Mais um peso-pesado - ex-CIA, com uma larga e importante carreira no sector -, que vem descrever o óbvio ululante, na sua dupla dimensão:

a) A Rússia vai triturar o Zombistão;

b) E - aqui, sim, deveras preocupante, tão preocupante e ruidoso que até me acordou -, uma campanha de propaganda e desinformação compulsiva, como não há registo nos anais da História...

«One of the most disturbing features of this US-Russian struggle in Ukraine has been the utter corruption of independent media. Indeed Washington has won the information and propaganda war hands down, orchestrating all Western media to sing from the same hymnbook in characterizing the Ukraine war.  The West has never before witnessed such a blanket imposition by one country’s ideologically-driven geopolitical perspective at home. Nor, of course, is the Russian press to be trusted either. In the midst of  a virulent anti-Russian propaganda barrage whose likes I have never seen during my Cold Warrior days, serious analysts must dig deep these days to gain some objective understanding of what is actually taking place in Ukraine.

Would that this  American media dominance that denies nearly all alternative voices were merely a blip occasioned by Ukraine events. But European elites are perhaps slowly coming to the realization that they have been stampeded into this position of total “unanimity”; cracks are already beginning to appear in the façade of “EU and NATO unity.” But the more dangerous implication is that as we head into future global crises, a genuine independent free press is largely disappearing, falling into the hands of corporate-dominated media close to policy circles , and now bolstered by electronic social media, all manipulating the narrative to its own ends. As we move into a predictably greater and more dangerous crises of instability through global warming, refugee flows, natural disasters, and likely new pandemics, rigorous  state and corporate domination of the  western media becomes very dangerous indeed to the future of democracy. We no longer hear alternative voices on Ukraine today.»

O mais arrepiante é o ponto a que isto chegou: um unanimismo fogoso, desinsofrido, acéfalo, como se a tão badalada imprensa livre, à escala Ocidental, tivesse encetado, em bloco, em procissão sacra, festiva e miseravelmente, todo um processo colectivo e amalgamante de auto-lobotomia cognitiva e invertebração moral.

Mas vale bem a pena ler o artigo todo.



América

 Numa palavrinha apenas... Pelo mais alto representante do circo.


domingo, junho 19, 2022

Advertências da História

 

«Há advertências sintomáticas que a História dirige a uma sociedade ameaçada ou à beira de perecer: por exemplo, o declínio das artes ou a ausência de grandes estadistas. Por vezes as advertências tornam-se palpáveis e directas: o âmago da vossa democracia e da vossa civilização viu-se privada de electricidade durante umas escassas horas quando muito; ora, eis que subitamente surgem nuvens de cidadãos americanos pilhando e violando, tal é a finura da película, tais são a fragilidade de vossa estrutura social e a ausência de saúde interna!
Não é amanhã ou qualquer dia que a batalha - física, espiritual e cósmica - pelo nosso planeta se travará: essa batalha já começou. Desencadeando o assalto decisivo o Mal universal já está em marcha e já faz sentir a sua pressão enquanto os vossos "écrans" e as vossas publicações continuam a estar cheios de sorrisos de encomenda e de copos erguidos em saúdes. Todo este regozijo, é para quê, afinal?»
- Alexandre Soljenitsyne, "O Declínio da Coragem" (1978)


Quanto a estadistas, no "colectivo Ocidental" do presente, nem grandes, nem médios, nem pequenos... Na verdade, nem amostra de estadismo que seja. Mais lembra a ala dos furiosos e delirantes alucinados de qualquer hospício.  Sobre o declínio das artes, é preciso mesmo acrescentar alguma coisa?

Quanto ao Mal, todo aquele ajuntamento de íncubos, entre o sabatt e a missa negra, do World Economic Forum - com os rastejantes do costume, do Soros ao Schwab, passando pelo Gates e arredores, está para quaisquer genuínas elites da Humanidade, como os anteriores estão para o estadismo.   A civilização, como organismo, foi tomada pelos vermes. Uma revolução já não basta: tem que ser mesmo um clister. Daqueles que só Deus tem poder para ministrar.

sábado, junho 18, 2022

Insólito

 Há qualquer coisa de insólito nisto, mas é um facto: todos adoram vir para Portugal. Excepto o primeiro-Ministro portugês.

sexta-feira, junho 17, 2022

A Máscara

 

«Reino Unido aprova extradição de Julian Assange»

É lamentável, que digo eu, é desumano, indecoroso, obsceno, como essa democracia liberal primogénita, ou quase, se prepara para entregar Julian Assange - um ser humano digno de estátua, louvor e comenda vitalícia por serviços prestados à humanidade e à transparência nos negócios públicos e actividades políticas - nas garras e mandíbulas dum feroz tirano transnacional, predador inveterado, por interposto exército, de criancinhas, idosos e senhoras grávidas como  é o sr. Vladimir Putin!... Esse facínora! Esse Hitler superlativo e recauchutado!... Ah, não é ao sr. Putin?... Então só pode ser o Assad, essoutro monstro!... Também não?... O Mancha Negra do Irão?... Negativo?... Bem, não digam... O soba antropófago Somali?... Frio?... Ah, já sei: o amorável Líder da Coreia de Cima?... TAMBÉM NÃO??? Então quem, pôrra?!!...

Os semi-antigos diziam que um dos maiores truques do diabo consiste em fazer-se passar por anjo, ou então induzir os homens a crerem que não existe.

Não há totalitarismo mais perigoso do que aquele que se mascara de democracia último grito.

quinta-feira, junho 16, 2022

O Ocidente, ou Da Desesperança

 Partindo do postal anterior, em especial do conceito de "coacção", poderíamos talvez indagar o seguinte: o 25 de Abril de 1974 enformou a materialização dalgum tipo de coacção? E por quem?

Facto é que houve uma tentativa de "coacção política interna", por parte dos especialistas da coisa, em Abril de 1961. Ficou conhecido como a "Abrilada", e consistiu numa tentativa de golpe militar, pelo General CEMG Botelho Moniz mais os seus apaniguados, com o beneplácito americano.

O golpe falhou, não é fake news, nem teoria da conspiração, falhou mesmo, e Salazar, arrumando a casa e assumindo ele a pasta da Defesa, fez a célebre declaração "Para Angola e em força!"

O que estava em jogo e viria a estar sobremaneira nos anos seguintes, até 1974, não era se o regime era isto ou aquilo, censurava ou não censurava, regredia ou progredia: o busílis tinha outro nome: Ultramar Português. O resto era paisagem.

Em teoria, Portugal era aliado dos Estados Unidos. Estava até na NATO, membro fundador e tudo - a única "não democracia" do clube, pasme-se! -  (por via das Lages e do seu alto valor estratégico), mas isso, na prática, como ficou justamente exposto no postal anterior, não o isentava de ser coagido. Pelo que, gorada a "coacção política interna" de 61, os americórnios passaram a desfilar todos os outros estilos: coacção diplomática (circo da ONU, propostas de aquisição a pataco, semi-ultimatos via embaixador, etc), coacção psicológica (os mass-merdia aos gritos e às denúncias sonoras, por seca e Meca mais arredores), enfim: um fartar vilanagem. Só faltou mesmo desatarem aos tiros, abertamente - a tal coacção militar; se bem que o tenham exercido por proxy army, no caso a UPA, em Angola. Um caso, aliás, em tudo semelhante, ao presente circo da Ucrânia, ou ao anterior da Síria, e por aí arrecuante. A sensação de estar a combater zombis  não é, portanto, assim tão recente, embora nunca perca a actualidade. Só muda a embalagem: a mixórdia é sempre a  mesma. E o marteleiro também. Se é o imarcescível que procurais, aí o tendes.

Entretanto, alguns apontamentos sobre esta coacção americana, pós 1961, pelo testemunho do nosso ministro dos negócios estrangeiros da altura:

6 de Maio de 1965 -« Salazar ficou particularmente irritado com os americanos: com efeito, Williams (o dos sabonetes), disse a Garin que a nossa política em África estava a pôr em perigo a segurança dos Estados Unidos. Por outro lado, um americano de alto nível (Salazar não me disse quem) teria afirmado ser necessário modificar a situação interna portuguesa, na Metrópole.»

31 de Dezembro de 1965 - (Lamenta-se Salazar) «Tenho muitos receios para 1966. Vai ser um ano muito difícil. Talvez mais do que os anteriores. Isto da Rodésia vai ser uma crise grave, complexa, prolongada. quem sabe se, por acto do Ocidente, não estaremos a assistir ao princípio do fim do homem branco em África?! Talvez seja propósito dos Estados Unidos e da Inglaterra destruir toda a África, utilizando para o efeito a subversão e a autodeterminação e o comunismo, sabendo que depois de tudo destruído a África há-de voltar a apelar para a Europa e para o Ocidente - mas então só para os grandes. E assim se eliminaria Portugal da África. Sinto alguma revolta quando penso que já não existirei para denunciar isso.»

4 de Outubro de 1966 - «Prolongada entrevista depois com o embaixador dos Estados Unidos. pela primeira vez, uma pequena fricção: mas tudo acabou em sorrisos de parte a parte. Tese americana é sempre a mesma: eles defendem a liberdade do mundo, e portanto de nós todos, e fazem grandes sacrifícios para isso, e assim todos lhes devemos estar gratos; nós, portugueses, defendemos estreitos interesses de Portugal, o que é absolutamente secundários, e fazemo-lo de uma forma que é contrária aos ventos da história e dos interesses daquele mundo que os Estados Unidos defendem; estamos deste modo a prejudicar tudo, e até a nós próprios, devendo por isso estar reconhecidos àqueles, como os americanos, que sobre nós exercem pressões para que mudemos de política e entremos num caminho benéfico para a humanidade.»

Podia continuar por algumas horas, mas julgo bastante para avaliarmos do requinte da coisa. Então esse último relato quase alcança a geopoesia das Caldas. E todavia reflecte fielmente a abordagem, melhor dizendo, o recheio com que ainda hoje embalam a pílula, o baton com que, invariavelmente, pintalgam as fuças à porca.

Vendiam-nos armas porque eramos parceiros na NATO... Mas não as podíamos usar em África. Candidamente, Salazar interrogava-os: então mas podemos usá-las para combater os soviéticos na Europa, mas não podemos usá-las para  combatê-los em África?... "Claro que não, Dr. Oliveira. Porque é do nosso exclusivo e soberano interesse que cace gambosinos apenas aqui na Europa. Em África, nem pensar nisso. Estaria a combater-nos também a nós, que estamos, de fino direito e recorte, na parceria, na joint-desventure internacional."

Não me parece incorrer em erro clamoroso se considerar que a perspectiva que Salazar tinha dos americanos não era exactamente dum aliado. «Os americanos, ou conseguem matar-me, ou eu morro. Caso contrário, terão de lutar anos para conseguirem deitar-me abaixo.» Não deitaram. Deitou-o a cadeira e a própria vida com as suas leis eternas e imutáveis. Permitam-me uma confidência de pouco valor: o meu falecido pai, que Deus tenha, conheceu pessoalmente o Dr. Oliveira Salazar e ara amigo pessoal de algumas pessoas dele próximas. Uma vez perguntei-lhe sobre isso da cadeira e ele respondeu-me: "Qual cadeira, qual carapuça! Foram eles..." O que quer que ele queria significar com o "eles" nunca mo disse. O "eles", suspeito bem, teria a ver com o mesmo "eles" do caso Delgado. Inside Job, como sói dizer-se. Mas aqui é mesmo a minha "teoria da conspiração". Pessoal e intransmissível. E não tem mais valor que esse. Até porque acaba por ser irrelevante, ou quase, para o que aqui vamos dilucidando.

Voltando atrás. A perspectiva, dizia eu. Um realista, o Dr. Salazar. Dos quatro costados. Com o qb de Maquiavel. Mas, sobretudo, uma visão muito clara e lúcida da "independência". Independência sem soberania é impotência geopolítica. Podemos assistir a esse espectáculo degradante na União Europeia dos nossos dias. Países não independentes, numa união não soberana, em vassalagem rasteira a um Império de Fancaria e Fantochada. Ora, sendo um realista consumado, não via os americanos nem como aliados, nem como inimigos: via-os como eles eram. E são. Curiosamente, uma das definições mais certeira que pude constatar nos últimos tempos sobre os tais, passo a transcrevê-la:

«O Oeste demonstrou que não tem aliados nem inimigos - tem apenas um inimigo: quem quer que se oponha aos seus interesses materiais. Comunismo, Islamismo, Nazismo, China, Rússia  ou qualquer outro não são inimigos do Oeste. Se obedecem aos interesses do Oeste, são amigos; se se opõem a esses interesses, são inimigos. Noutras palavras: não têm princípios nenhuns.»

Foi o Presidente Assad, da Síria, outro dos monstros fabricados e fantasiados pelo "Oxidente", que disse isto. Quem quer que o dissesse, mesmo o Tio Patinhas, o Mancha Negra ou a Fada dos Dentes, seria igualmente na mouche. Traduza-se apenas o "Oeste" pelos Estados Unidos. Poupemo-nos a coberturas e cortejos carnavalescos.

Uma palavrinha para definir toda aquela cegada prometida à catástrofe (esperemos apenas que não seja global): materialismo. Esse não ter princípios, como justamente apontado, condena também a não ter fins - por isso a guerra sem fim, a competição sem fim, o ódio sem fim, a mentira sem fim - a limite, o caos. E do caos percebo eu. É mesmo a minha especialidade académica, desde Hesíodo. Ora, onde não há princípios, nem fins, sobram os meios. Os meios como princípio e fim deles próprios; meios para outros meios, utensílios e instrumentos ad infinitum. Isto, se pensarmos na Grécia Antiga como berço da Civilização Ocidental, temos a anti-civilização, ou então chamar-lhe ocidental é já, na etimologia, taxá-la de crepúsculo, morte, local do homicídio - a morte do Homem, corolário fatal da morte de Deus. Mas mesmo nisso, nesse consumar duma tragédia milenar, estaríamos provavelmente a ser optimistas. A morte seria já, de si, um fim, o desfecho de algo que principiara algures, neste caso, na Grécia de Homero. Ora o materialismo e o seu Ocidente sem principio nem fim, é algo que não morre porque nem vive: é puro artificial, absoluto sintético.  E é também, mais ainda, na medida em que abdica de princípios e causas (cf. Aristóteles), algo impossível de definir, sequer de pensar, dizer ou lembrar. Um inominável paredes meias entre o nada e o caos. Os medievais, especialmente na Alta Idade Média (antes dela ter desabado) chamar-lhe-iam a negação da Obra de Deus. A corrosão da alma humana pela Des-Criação. Havia até um tutor para este tipo de fenómenos que eles tinham em mente e eu me dispenso de enunciar.

Por outro lado, a própria raiz da palavra já parece incliná-la ao precipício. É do latim occidere que o Ocidente traz o estigma. A morte do dia, a matança da luz, o abater-se do sol, etc. Curiosamente, se fosse do grego, e não da Roma obscura (o latim é uma língua cujas origens se desconhecem), não diríamos Ocidental: diríamos  da Esperança (do grego esperos). A esperança de Ulisses ( de regressar a casa), a esperança de Jesus (de regressar à vida), a esperança do sol que há-de levantar-se na manhã seguinte. Em suma: um haver um sentido, para a vida, para a morte e para a viagem. E não apenas um absurdo, uma babilónia, um caos. E a carnificina a escorrer de tudo isso, que é nada. Porém, não há acasos nos ocasos. Ai de nós!...

Quando é que Salazar perdeu a esperança? Poder-se-ia perguntar. E há muitas declarações suas, especialmente nos anos 60, ou seja, no seu crepúsculo, que revelam um certo desalento com o que lhe havia de suceder, a ele e ao país - uma certa premonição que consigo ruirá o Estado Novo. O Estado Novo que, recorde-se, era suposto ter corporizado uma revolução nacional, uma transformação plena da nação. Mas também se poderá colocar a pergunta noutros termos: quando é que nós trocámos a Esperança pelo Ocidente?

Mas afinal o que significa a "Esperança"? É, mais ainda que fé, saber intimamente, que para lá da treva que se abate, chamada noite, outro dia virá. Que o negrume não é o fim do tempo nem da História. Precisamente nos antípodas desse acreditar dogmático e fanático, porque absolutamente cego e amorfo, que o Ocidente é o meio absoluto, isto é, ausência total e totalitária de princípio e fim arvorada a universo.

Qual era então a interrogação inaugural, que já me evadi?... Ah, sim, o 25 de Abril de 1974 enformou a materialização de algum tipo de coacção? 

Bem, conspiração houve. Os militares conspiraram, uns contra os outros e depois contra o governo. Contra a honra, também. Em barda. Os principais estrategas, ou assim eles julgavam, galopavam um paradoxo: tinham esperança no ocidente.  Mas era uma contradição viva, uma quimera a digladiar-se consigo mesma, que não augurava fulgurantes desenlaces. Tal qual se viu.

O Ocidente tratou-lhes da esperança. Esperar a próxima crise ou a próxima bancarrota também é uma "espécie" de esperança. A mais indigente a antitética de todas elas, mas, enfim, no mundo às avessas, até passa por luxo. Senão mesmo desígnio nacional. Nos intervalos, vão ser a Florida da Europa. Que por sua vez, vai ser o Novo Alasca dos Estados Unidos.

Quanto à coacção, e para terminar que isto vai longo, mas deu-me gozo, aquilo chega a um ponto que já passa por automatismo. E mais não escrevo.




terça-feira, junho 14, 2022

Da Coacção Soberana (Rep)

Este postal é uma reposição. De algo que  escrevi em 2015, aqui no Dragoscópio, a propósito, imaginem só, da "Ucrânia".


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 «Geopoliticamente, a América é uma ilha ao largo da grande massa continental da Eurásia, cujos recursos e população excedem de longe os dos Estados Unidos. A dominação por uma única potência, por qualquer das duas principais esferas - Europa ou Ásia-, é uma boa definição de perigo estratégico para a América, com guerra fria ou não. Tal agrupamento teria a capacidade de ultrapassar economicamente a América e, no final, militarmente. Seria necessário resistir então a esse perigo, mesmo que o poder dominante fosse aparentemente benevolente, pois, se as intenções alguma vez mudassem, a América achar-se-ia com a capacidade de resistência efectiva bastante diminuída e uma crescente incapacidade para moldar os acontecimentos

Henry Kissinger, in "Diplomacy", pp.709, trad. port. Gradiva 


Lendo isto, percebe-se muito bem o que os americanos andam a fazer na Ucrânia. O que não se entende é o que a Alemanha, com a Europa a reboque, lá faz. Quando o interesse da Alemanha e da França, especialmente,  seria precisamente o oposto, só se pode entender  a actual circunstância da seguinte forma: os governos da Europa não representam nem defendem os interesses dos seus próprios povos, mas são, isso sim, de alguma forma ou por acção de um qualquer dispositivo coercivo  obscuro, títeres de outros cordelinhos. Os mesmos, aliás, que manipula a "mão invsível" por detrás do aparato bélico americano. 

Só que convém perceber o real e completo significado de "bélico"...


«A coacção é hoje sinónimo de guerra, quer se caracterize pelo emprego da força militar, quer por uma qualquer aplicação de outros elementos do potencial nacional sem recurso ao emprego da força militar. (...)
As formas de coacção relacionam-se com os elementos do potencial nacional. Assim, a coacção pode ser exercida através de cinco formas principais: a coacção psicológica, a coacção diplomática (ou política externa), a coacção política interna, a coacção económica e a coacção militar. Esta classificação diz respeito aos meios empregados e não aos efeitos obtidos.
Estas formas de coacção podem ser empregadas isolada ou concorrentemente e, em qualquer dos casos, com diferentes gradações. A guerra diz-se total quando emprega todas as formas de coacção, embora tal não signifique que a acção militar seja nela a mais importante.»

- in Regulamento de Campanha - Operações, Vol I (do Estado Maior do Exército)


Os geostrategas de sofá acham que guerra pressupõe obrigatoriamente tiros, bombas e violência bélica. Como nos filmes onde cursaram e tiraram o brevet de think-tanquistas de alguidar. Na verdade, a coacção militar (aquela coisa com tiros e explosões) constitui geralmente um último recurso. Antes de irem lá dar tiros, onde quer que lhes contenda com a veneta, os americanos, por exemplo, exercem coacção psicológica (mass-media aos gritos), coacção diplomática (sanções na ONU, etc), coacção política interna (promoção de distúrbios, indução de protestos - revoluções primaveris ou coloridas) e coacção económica (sanções financeiras, bloqueios, proibição de exportações ou importações, expulsão de organizações internacionais, manipulações de mercado, etc, etc). Só depois disto tudo bem exploradinho é que avança o porta-aviões ou os F16. Neste momento os Estados Unidos estão em guerra com a Rússia em todos os departamentos de coacção, excepto na componente militar aberta. Pois, falta apenas esse detalhezinho para entrarmos na III Guerra Mundial. E só ainda não entraram nesse detalhezinho por causa de outro nada despiciendo: a capacidade russa em armamento nuclear estratégico. Os americanos estão também em guerra (actual ou potencial) com o resto do planeta, que se divide entre aqueles que são suavemente coagidos (como A União Europeia), e os que se encontram ou no estágio intermédio ou brutal de coação, conforme a respectiva atitude ou unilateral necessidade do superior e soberano interesse da potência hegemónica. Àqueles que se submetem mansamente à suave coacção, os americanos chamam aliados. Àqueles que exigem uma coacção brutal, chamam inimigos. Há apenas um com estatuto excepcional.

domingo, junho 12, 2022

Oximoros e anedotas

 



Mas alegremo-nos, o Mundo tem um oximoro novo: "British intelligence".


PS: Entretanto, em Mariupol 2.0, o drama, a tragédia:

«Soldado britânico morto em combate em Severodonetsk»


Notem o requinte da mensagem: se o tipo era um soldado britânico e não um mercenário, isso quer dizer que o  Reino unido está em guerra aberta com os russos? É capaz de não ser lá muito saudável para o toy army lá das ilhas. Faz até lembrar aquela anedota do tipo que começou a ver uma série de coelhinhos castanhos e mal cheirosos onde era suposto aparecerem coelhinhos brancos... Seguiu o rasto até detrás duma moita e só então decifrou o mistério: estava um grande urso a limpar o cu com os coelhinhos.


sábado, junho 11, 2022

State of the Art

 «À medida que a democracia é aperfeiçoada, o cargo de Presidente representa, cada vez mais, a alma íntima do povo. Num grande e glorioso dia destes, os vulgares tipos desta terra alcançarão finalmente o seu mais profundo anseio e a Casa Branca será então adornada com um completo retardado mental.»

- H.L. Mencken

Já é para aí a quarta vez que eu posto a citação em epígrafe, dum dos meus americanos favoritos. Pois bem, contemplando o Gerontossauro da hora actual, no corolário dos antecessores, há  uma questão sobre a democracia americana que, legítima e premente, me assalta: será possível que consigam aperfeiçoá-la ainda mais?

Começo a ter algumas dúvidas.

sexta-feira, junho 10, 2022

A realidade é fodida

 



E, subitamente, no New York Times (Jew York Times para os amigos):

«U.S. Lacks a Clear Picture of Ukraine’s War Strategy, Officials Say»

Claro, já sabemos, a vitória tem sempre muitos pais; enquanto a derrota, coitadinha, acaba invariavelmente órfã.

Mas a questão essencial nem é que eles não saibam - não sabem, não querem saber e até têm raiva de quem sabe. Daí não resultaria dano maior do que a mediocridade confrangedora em que, compulsiva e sistematicamente, chafurdam - agências, inteligences, think-tanques e toda o jornalixo à pendura. Não, o problema é que eles começaram a acreditar na própria patranha desenfreada que impingem, desataram a crer na própria intrujice que aspergem, ad nausea, sobre o pagode ávido e semi-lobotomizado. Ou seja, começaram a fumar do próprio estupefacciente que traficam. Já não são eles que tripulam a mentira: é a própria mentira, automática e despótica,  que os pilota e transporta a eles. Uma espécie de possessão noticieira, que se manifesta numa incontinência desatada, num feedback permanente entre o orifício oral e o buraco anal. Em português: uma realimentação desinsofrida e directa do próprio esgoto.

Todavia, desmontemos esta tentativa tosca de alibi à pressa. Então aquela rapaziada (CIA, Pentagono, NATO & Compª, passem as redundâncias) andou 8 anos a preparar uma operação toda xpto - lavagem ao cérebro e zombificação expresso de hordas de ganzados militantes, ISIS 2.0 on steroids; fortificação monumental do Donbass, numa rede de bunkers, casamatas, abrigos e hiper-trincheiras ao nível duma linha maginot para chimpanzés -, treinou, armou, rearmou, assessorou e dirigiu em directo todas as grandes operações no teatro de operações, e agora vem proclamar que não sabia bem o que se passava, que a culpa é dos zombis de serviço?!... Os títeres é que fizeram merda, pasme-se.

Não tenho quaisquer dúvidas: os zombis, sozinhos, sempre teriam feito melhor figura. Afinal, vinham da mesma escola que os odiados russos. Não teria sido tão escandalosa a toinice táctico-estratégica. Ou, pelo menos, não se teriam enfiado, tão grosseira e toscamente, na boca do lobo. Aquelas luminárias do oxidente, ao fim de décadas, nem se deram ao trabalho de estudar o inimigo. A Realidade é fodida. E agora descobriram, à bruta, que o tigre de papel não mora em Moscovo. Pelo contrário, fita-os, esgazeado, do espelho da sua própria megalomania delirante.


quinta-feira, junho 09, 2022

E então as alternativas, pá?

 

«Oil Prices Are ‘Nowhere Near’ Peak Yet, Says Key OPEC Member UAE»

Traduzindo: O pico dos preços do petróleo está longe de ser atingido. Porque a economia chinesa está ainda a meio gás. Quando carburar em pleno, os preços vão disparar ainda mais. Aumenta muito a procura, mantém-se a oferta, logo...
2 euros/litro é um preço ruinoso que, a médio/longo termo a nossa treta de economia não aguenta. Imaginem acima ou muito acima disso.
Os árabes não vão aumentar a produção. Grande parte do aumento do consumo energético chinês, quando a coisa funcionar em pleno, não é difícil adivinhar de onde virá: Rússia, a preços de desconto (mesmo assim, altamente lucrativo para o tal país ridículo com uma economia abaixo da italiana). Ora, se o consumo aos árabes não vai subir muito, serão os primeiros a promover ainda uma maior subida de preços, para aumentar o lucro. Com os dois maiores produtores mundiais em sintonia, resta ao Império da Propaganda  coisar com Venezuela. 
A Europa? Como diria a vaca Nuland: Fuck the EU

PS: A certa altura o Império manda as agências de Ratos lixar (literalmente) esta EUSSR  de invertebrados e compra o quer houver de interesse a preço de saldo e liquidação geral.

PS2: Incêndio num dos maiores terminais americanos parece que fez subir o preço do gás... ainda mais.

PS3: A propósito do pedigree da Nuland: neta de judeus ucranianos. O Pale of Settlement não perdoa.

quarta-feira, junho 08, 2022

O rotundo mas feroz caniche



Em 21 de Maio de 2022: 

«Portugal concede apoio financeiro de 250 milhões à Ucrânia»

Em 08 de Junho de 2022:

«Segurança Social corta apoio alimentar a milhares de famílias.»


Pois, lá está , o dinheiro não estica. Ainda menos para quem vive de empréstimos. E isto de botar figurinha lá fora, armando ao barão da geocaridadezota e vociferando iracundos béu-béus ao monstro russo, sai caro. Sai mesmo por um balúrdio. A pressa do rotundo caniche em alcandorar-se aos úberes da burrocracia eurotonta, também, coitado, não ajuda. Raia mesmo a fronteira da pelintrice esfaimada. 

Portanto, no exterior, para anglo ver, sua excrescência deita calcanhares ao rabo, todo ufano, e larga a pedir dinheiro aos mercados... para despejar nos bolsos do regime do Zombistão. Mas cá dentro, ide bugiar, otários!, e tomai lá austeridade.  Que é para irmos treinando já, de antemão (em stress pré-traumático, como os coisinhos, o que só nos calafeta a alminha), para a próxima bancarrota. Veremos como se acastelam nuvens e aragens lá pelo outono...

Entretanto, por diversas e repetidas ocasiões, perante o estardalhaço roncante do personagem (não raro ao despique com a lombriga acólita), oscilei abalado por duas sensações concorrentes e avassaladoras: dum lado, a vergonha, imensa, perplexa, repugnada; do outro, um certo e justo temor... Ao menos que os americanos lhe ponham um açaime. Era o mínimo, que diabo. O alemão, embora grande, não faz mal a uma mosca. Mais sedado não poderia estar. Mas este pequenitates, quem o oiça, só ocorre uma de duas coisas: ou fugir para bem longe; ou munir-se de um bom pau.


PS: Mas também, que são 250 milhões ao pé das dezenas de biliões que os amerdicanos já despejaram e vão tornar a despejar?... Peanuts! Já a Darknet, essa, parece que vai de vento em popa:

«Darknet sales

It has never been easier to get hold of various NATO shipments – directly from Ukraine – to anywhere in the world to anyone with money. The assortment from Kiev includes rifles, grenades, pistols, body armour. Just one of the listed sellers already had 32 successful transactions to his name. (...)»


terça-feira, junho 07, 2022

Emolduramentos penais

 Na Noruega, esse promontório escandinabo do oxidente, aconteceu o seguinte:

«Norwegian feminist faces three years in prison for 'hateful' tweets criticizing transgenderism».

E que disse ela assim de tão grave? (Quer dizer, não disse, tweetou, o que é bastante mais ominoso).
Segundo pude perceber, que um tipo qualquer, transexual, se assume como lésbica, e que isso não é viável porque se trata dum gajo armado em gaja, e bla bla, por aí fora. Em síntese: um gajo não pode ser lésbica (e, ainda menos, e em consequência, candidatar-se a cargos no sindicato, ou liga protectora, ou lá o que seja, das jovens lésbicas). 
Anedótico? Grotesco? Trica de cabeleireiro? Tudo isto e mais cinco tostões. Todavia,  incorre em crime de ódio, a feminista; três anos de moldura pedal. 
Não vou sequer pronunciar-me (todo o avacalhamento soaria a irrisório) sobre o nível de aberração patética que todo este episódio ressuma. Mas dá para ver o nível de liberdade cada vez mais empolgante das tais "democracias oxidentais". Quando não estão a cancelar, andam a emoldurar. 

PS: E dá para aquilatar também da nova "hierarquia celeste": a classe dos LGTBI&Etc, registe-se, paira acima das feministas, assim como os serafins sobre os querubins. Lá no topo?, nem perguntem: aqueles cujo nome não se pode pronunciar.

segunda-feira, junho 06, 2022

Parafraseando-me

 «Há muitos séculos atrás, Aristóteles, que não teve o desgosto de conhecer o jornalismo, já definia não obstante o percursor deste, a história, como inferior à literatura (no caso, a tragédia ática). Por uma razão muito simples, evidente e indiscutível: é que a literatura obedecia a critérios determinantes de verosimilhança. Podia não ser verdade (como no caso dos episódios míticos), mas, ao menos, era verosímil (cumpria uma lógica inatacável da necessidade intrínseca do enredo). Ora, a verosimilhança tem uma qualidade sobretodas estimável: confere sentido. A tragédia (ou a epopeia, ou um bom romance) é uma "história que faz sentido". O problema do jornalixismo, que faz as vezes da própria História nos tempos que correm, é que já nem se preocupa em fazer sentido. Faz apenas pouco do pagode. E faz de conta. (E faz o frete à santissíma propaganda). A limite isto acabará por descambar em sarilhos muito grandes. Mas até lá o manicómio vai bem e recomenda-se... tirando essa minudência cabeluda de as teorias da conspiração oficiais serem apenas, e por regra, imensamente mais estúpidas e descabeladas (quer dizer, inverosímeis) que aquelas que suscitam, na tentativa sisifiana, de lhes recauchutarem algum nexo lógico causal.»


domingo, junho 05, 2022

Mais antídoto para a palha alucinogénia

 Kim Iverson. Decorem. É o nome da beldade. E ainda por cima é inteligente. E não anda com a manada. Ronronar-lhe-ia mesmo sem  esses atributos, mas com esses bónus todos, caramba, faço o quê... uivo?...



E aqui sobre o nível rastejabundo da "propaganda anti-russa" mascarada de "cobertura mediática" oxidental:




sábado, junho 04, 2022

Carnavais da Ucrânia - II. Sob o signo do Unicórnio

 O Zombistão já dispunha das Forças Especiais, a Forças Muito Especiais e as Extremamente Especializadas. Algumas delas, senão mesmo o grosso descabelado (e estamos a falar do sistema nervoso do exército Zombi) eram constituídas por neo-nazis pitorescos, fogosos e sobremaneira russofóbicos. Por conseguinte, e a bem dos interesses do Império da Treta na região, neo-nazis fofinhos, com chip, coleira e registo loop. Sim, e também com as vacinas em dia e licença legal, pois claro. São neo-nazis, mas são os "nossos" neo-nazis!, ora essa, e como diria o outro. Foram devidamente adestrados, treinados e educados apenas para atacar russos. Ou Chechenos. Ou Ucranianos, digo cossacos. Enfim, "caçar orcs", como eles ladram.

Todavia, mesmo assim, a salganhada começava a ficar um bocado obscena. Sobremaneira, na europa delicada e sensível, caquética e semi-lobotomizada, mas com um focinho treinado e ainda extremamente sensível a certos aromas. Se o "populismo" já a transporta a histerias e descabeladuras, o neo-coisismo ainda a desgovernava  pela epilepsia a fora.    Está bem que se a voz do dono mandar, ela cheira e cala, até a cloaca mais fétida, mas mesmo assim... E a censura, digo, o critério editorial, está a funcionar a todo o vapor, em verdadeiro modo tsunami informativo, mas...nunca fiando.

Em suma: Convinha maquilhar. Portanto, eis que a operação de maquilhagem se desencadeia.

Primeiro, uma notícia que só por si merecia o óscar da trampolinice catita:

«Azov Battalion drops neo-Nazi symbol exploited by Russian propagandists»


E logo no Times, caramba! Essa referência. Portanto, explicam-nos, educam-nos, formatam-nos que o problema não estava nos símbolos, que estavam lá com todo o garbo, mas, isso sim, na exploração que a "propaganda russa" fazia deles. Pois claro, quando o Times e toda a propaganda anti-russa proclamam o Putin como o novo Hitler, lhe pintam bigodes e suásticas monumentais, aí não há problema. É a verdade soberana e oxidental, em todo o seu esplendor hermenêutico. Mas que alguém se atreva a reparar que o suprassumo das tropas palhadinas da liberdade, da sociedade aberta e da democracia liberal, ostenta o emblema de antigas Waffen SS, exibe, em ufania, cruzes gamada à História, e desfila com decalques e estandartes múltiplos de acefalia militante e perigosa, aí, cuidado, são propagandistas russos, é gente maligna e retorcida. Na verdade, é mas é o leninismo recauchutado, em kit para gastrópodes e invertebrados mentais: quem não repete cegamente com nós é contra nós.
Mas pronto, os símbolos nas fardas já se benignizaram, as tatuagens não tardam a ir pelo mesmo caminho: adolfos hitleres viram charlis chaplins, suásticas germinam trevos e por aí adiante. Roi-te, propaganda russa!...
Só que o bolo não seria bolo sem a cereja a culminá-lo. E como parece que um "presidente judeu" não era suficiente para branquear a coisa (como se o sionismo e o nazismo não fossem velhos companheiros de viagem), eis as Forças LGBTI&Etc!...E pasmai, ó incréus, contemplai o Unicórnio para exorcizar a "besta":



Duas notas suplementares:
Agora além de equipas e pelotões, as tropas zombis  também manobram em casais.
E quando os russos malvados os despacharem com algum tiro ou granada, isso só vem confirmar os nazis  expansionistas e homofóbicos que eles são.

PS: Não resisto a acrescentar: até teria  a sua piada colocar os Unicórnios a  combater ao lado dos Azovs. Isto sou eu a ser mauzinho, porque o mais provável, era os Azovs andarem tão entretidos a matar e brutalizar ucranianos que nem reparavam.

sexta-feira, junho 03, 2022

Carnavais da Ucrânia - I. Tatuagens peregrinas

 Antes de visionarem, se tiverem paciência para isso, o vídeo abaixo, seria essencial que lessem este postal antigo aqui da casa:

 Os Nazis de Carnaval 

Posto isso, aproveito para confessar que comecei a ver - hilariante e folclórico qb, heavy metal neo-nazi, ou satânico sempre faz algum sentido; afinal, Satanás e os seus avatares políticos alimentam facilmente a mesma circunvolução mental (seja dos prós, seja dos antis) -, mas, convenhamos, quando irrompem rappers neo-nazis e hiphop neo-nazi, o carnaval zombi já ultrapassa as marcas elementares da indecência: é o rilhafoles a céu aberto. 

Mas pronto, é o mundo que temos e o Novo Jerusali a que nos obrigam.




quinta-feira, junho 02, 2022

Da Psedudo-Ucrânia à Ucrânia, ou Uma Anedota particularmente sangrenta

 



A ilustração que se segue traduz uma grande fidelidade histórica. Mas também, e em simultâneo, uma grande carga anedótica. A Pseudo-Ucrânia actual, de resto, é uma síntese concreta dessas duas vertentes: a história e a anedota. Não é mesmo simples acaso, penso eu, que seja ornamentada, na presidência, por um misto de palhaço e psicopata. O anterior, um tal Poroshenko, era apenas psicopata.
Para introdução a um entendimento minimamente eficaz do presente rilhafoles , que ameaça seriamente transportar o globo à 3ª Guerra Mundial, recomendo que a leiam com devida atenção. Foi escrita no ano 2000 e dá para perceber que o problema vem de longe e, em larga medida, resulta duma série de trapalhadas mal atamancadas que só podiam acabar mal. Se acrescentarmos a tudo isso a pata americana, sempre pronta a transformar uma racha num abismo, então, ficamos esclarecidos. Sff, prestem especial atenção ao último parágrafo...


«Mal o Estado da Ucrânia foi constituído, logo se puseram lá a brandir - com o objectivo de cerrar as fileiras políticas - o espectro de uma pretensa ameaça militar da Rússia. Quando começaram a formar o exército ucraniano, exigiram oficiais que prestassem juramento de manifestar uma solicitude muito especial em combater contra a Rússia. Tinham uma tal necessidade de se sentirem ameaçados militarmente (era preciso reforçar uma "consciência nacional ucraniana" ainda demasiado difusa), que bastou a Rússia declarar a sua intenção de vender o seu petróleo aos preços mundiais e não a preços baixos, para que a Ucrânia erguesse a voz: "É a guerra!" (Kutchma, em 1993: "Não há economia que resista se for preciso pagar o petróleo aos preços mundiais!")
Durante todo o período de 1992-1998, não houve uma única ronda de negociações russo-ucranianas em que a parte ucraniana não tenha ficado em vantagem; estávamos longe das garantias de Kravtchuk em Belojev sobre a "transparência de fronteiras" e "união indissolúvel da Rússia e da Ucrânia": de agora em diante tratava-se de oposição permanente e sistemática da Ucrânia à Rússia, tanto no seio da CEI como na arena internacional. Passo a passo, a parte russa limitou-se a perder terreno. Não parou de fazer cedências (e continua a fazê-lo) no plano económico na esperança de aplacar a intransigência dos ucranianos. Sacrificou uns após outros os comandantes da frota do mar Negro - os inflexíveis almirantes Kassotonov e Baltin. Após uma enésima retirada, vejamos os que pudemos ouvir (9 de Junho de 1995): "Felicito a Ucrânia, a Rússia e o mundo inteiro!" Felicitar a Ucrânia - com certeza; o mundo inteiro - sem dúvida nenhuma; mas a Rússia, de que é que se podia felicitá-la?... É às descaradas que a Ucrânia se ocupa a correr connosco para fora do mar Negro! E a organização recente de "encontros informais" (uma forma de diplomacia que nos faz recuar ao feudalismo) não fez mais do que aumentar o número das nossas cedências.
Ao longo dos anos 50, encontrei, nos campos em que estive preso, muitos nacionalistas ucranianos e acreditei que estávamos todos sinceramente unidos contra o comunismo (na altura não os ouvi pronunciar a palavra moscals). Nos anos 70, nos Estados Unidos e no Canadá onde a emigração ucraniana constitui um maciço imponente, perguntava-lhes ingenuamente por que razão não dizem nem fazem nada contra o comunismo, mas têm palavras tão duras sobre a Rússia? Eu era ingénuo, de facto, porque foi só muitos anos depois que fiquei a saber que a infame lei americana "sobre os povos oprimidos" (86-90) tinha sido virada contra os Russos e que a sua formulação tinha sido ventilada no Congresso justamente por nacionalistas ucranianops (o congressista L. Dobrianski):
Quanto mais tempo passava, mais a ideologia dos nacionalistas ucranianos era dominada pelas concepções e palavras de ordem mais absurdas. Assim, ficámos a saber que a nação ucraniana era uma "supernação", que o seu passado se enraizava em tais profundezas milenares que não só S.Vladimir era ucraniano, mas também, de acordo com todas as possibilidades, o próprio Homero! E é este tipo de tolices que inspira os autores dos novos manuais escolares na Ucrânia, pois, apesar de os nacionalistas não passarem de uma pequena minoria, obstinam-se em elevar a sua ideologia a ideologia de todos os Ucranianos. "A Ucrânia aos Ucranianos!" - quanto a isso, claro, não há qualquer dúvida a esse respeito (embora vivam na Ucrânia dezenas de povos diferentes), mas também: "A Rus Kievana até aos Urales!" Os Russos são excluídos dos povos eslavos como um "híbrido fino-mongol". Foi criado em Odessa um Instituto de Geopolítica Nacional; tem o nome de Yuri Lipa, autor do livro A Partilha da Rússia, que, ainda em 1941, desenvolvia o seguinte programa: "Não é possível abater a Rússia senão através da aliança da Ucrânia com o Cáucaso e a Transcaucásia". Foi com este espírito que os nacionalistas ucranianos celebraram em 1992 o aniversário da divisão SS "Galícia" (o que não suscitou nem censuras nem indignação da parte dos Estados Unidos). Durante uma das suas conferências em 1990: "Nós professamos o uso da força, a força é tudo!" Foi por essa razão que a Assembleia Nacional Ucraniana (UNA) se dotou de tropas de choque (UNSO) e de um slogan: "A UNA - ao poder; a UNSO - ao ataque!" No congresso de 1994: "Apoiar op separatismo regional na Rússia com vista a favorecer a sua desintegração!"
E esta posição anti-russa da Ucrânia é precisamente o que interessa aos Estados Unidos. As autoridades ucranianas, tanto sob Kravtchuk como sob Kutchma, são solícitos em fazer coro com os Americanos, os quais procuram enfraquecer a Rússia. Foi assim que se chegou rapidamente a relações privilegiadas entre a Ucrânia e a NATO, e aos exercícios da frota americana no mar Negro (1997). Não podemos deixar de pensar no plano imortal de Parvus em 1915: utilizar o separatismo ucraniano para desmembrar a Rússia. Este retalhamento que faz a alegria do mundo político contemporâneo terá consequências tão dolorosas quanto duráveis sobre o conjunto dos três povos eslavos. Quanto aos bons sentimentos manifestados à Ucrânia por um Ocidente longínquo, muito longínquo, eles derivam de um calculismo táctico e só durarão enquanto forem considerados úteis.
Infelizmente, os nacionalistas da Ucrânia ocidental, cortados durante séculos do resto do país, valeram-se da confusão que reinou em 1991 e da indecisão dos líderes ucranianos, com pressa de se limparem da nódoa vergonhosa do comunismo aderindo às posições anti-russas mais extremistas, para definir os contornos de uma orientação histórica errônea e impô-la à Ucrânia: não se contentando com a independência e o desenvolvimento normal do Estado e da cultura nas suas dimensões étnicas naturais, mas açambarcando mais e mais territórios e populações para fazer figura de "grande potência", talvez até a maior da Europa. E a nova Ucrânia, denunciando toda a herança jurídica soviética, dela apenas recolheu este único presente: as fronteiras artificialmente traçadas por Lenine! (Na época em que Khmelnitski anexou a Ucrânia à Rússia, o seu território representava apenas um quinto do território actual.)
Que Deus ajude a Ucrânia a encontrar o sucesso na via da independência. Mas o erro  que vai pesar no curso das coisas é precisamente este açambarcamento excessivo de terras que nunca haviam pertencido à Ucrânia antes de Lenine: duas regiões do Dom [o Dombass], toda a faixa meridional da Nova Rússia (Melitopol-Kherson-Odessa) e a Crimeia. (Ter aceite este presente de Krushchov revelava já no mínimo má fé, mas a anexação de Sebastopol a despeito de - já não falo dos Russos que aí morreram - documentos jurídicos soviéticos, é pilhagem de Estado).»
     - A. Soljenitsyne, " A Rússia sob a Avalanche" (Cap.12  - A Tragédia eslava)


PS: 
A negritado, como puderam constatar, está o que não pertence à Ucrânia - aquilo que eu chamo a Pseudo-Ucrânia. Exactamente a parte que o justo proprietário veio reclamar. E está a ser benévolo, se se contentar com isso. Porque, de facto, aquilo, historicamente, pertence-lhe tudo (fora a parte mais ocidental, da Galicia e Transcarpatia). O provável resultado da presente operação, será que a Ucrânia acabe reduzida a si própria, caia na real e se deixe de megalomanias furiosas e de arrogâncias e novo-riquismos balofos a armar à super-potência. O povo ucraniano, nas suas múltiplas etnias, línguas, afeições e culturas, é que sofre e morre (e vem sofrendo e morrendo desde 2014)  em impiedoso sacrifício aos delírios esquizoides de meia dúzia de alucinados e ganzados militantes, ainda por cima sob tutela dos interesses da oligarquia global. Da qual cuja tanta, reconheça-se, o Gerontossauro Bidens e os neoconas imarcescíveis constituem apenas mainates de serviço.
Que, entretanto, um mero show de fantoche se tenha transformado no espectáculo de maior sucesso do Ocidente, confesso, ultrapassa todas as minhas capacidades de entendimento. Porém, como a estupidez, sobretudo das massas, é um fenómeno para o qual não se conhecem limites... Mas daí até ao abandono eufórico do próprio instinto de sobrevivência, caramba... Qual caramba: foda-se!...

quarta-feira, junho 01, 2022

A Rússia


  Sempre fui um bocado anti-Rússia. Um bocado, é favor... Bem, na verdade, anti-Soviético, mais propriamente. Aquela coisa da revolução de Outubro nunca deixou de me causar profunda repugnância. Depois que li Dostoievski, na minha juventude, então, pior ainda. Quando percebi o caminho e as fontes para toda aquela cegada. Todavia, constato hoje, era uma coisa que eu detestava, mas não compreendia. Como era sequer aquilo possível, todo um absurdo?...

Só depois de fermentar uns anos sobre Soljenitsyne (eu sou assim, fico a fermentar, como os alambiques, parece até  que durmo, mas não: digiro), especialmente aquele "A Rússia sob a Avalanche", é que eu acho que comecei a decifrar o nevoeiro, a ver para lá do absurdo. Estou, pois, em crer que a palavra e o momento chaves da transformação são, respectivamente, Stalin e a 2ª Grande Guerra. O primeiro, porque liquidou bolcheviques e trotskistas (e ainda, de bónus, e passe a redundância dos anteriores, grande parte da súcia torcionária judaica); a segunda porque restaurou o patriotismo e o "amor à Mãe Rússia". Emerge dela uma devoção, quase místico-religiosa, que, num certo sentido, transcende o estrito ateísmo comunista. Quer dizer, a União Soviética  é, doravante, a Rússia Vermelha - vermelha do sangue do seu martírio, dos seus heróis, da sua - permitam-me o termo -, "humanização". Já não é apenas uma estrita manipulação/usurpação ideológica, uma abstração utópica, uma revolução do cuspo; não, assentou na terra - a terra mãe, origem, matriz -, e recuperou parte das suas raízes. Não é, até, de todo impróprio quando se diz Stalin, o Czar Vermelho. 

Suspeito bem que as derrotas humanizam, porque nos devolvem, aos homens e povos, ao chão; tal qual as vitórias ensoberbecem e, nessa medida, endemoninham, porque nos atiram à conquista dos céus. As terríveis derrotas iniciais dos soviéticos às armas dos alemães do III Reich fizeram deles russos outra vez. Só a Rússia, a gigantesca e mística Rússia, teria força para derrotar o melhor e mais brutal exército do Século XX. Sem ela, a União Soviética teria sido varrida, como, de resto, foi, enquanto a Rússia, telúrica, antiga, profunda, não se levantou. Não foram os soviéticos que arrasaram os alemães, foram os russos. Arrepia-me, pensar nisto.

Temos o hábito de conotar império colonial com império marítimo. Porque na história fomos um império desses, em despique contra rivais do mesmo jaez: holandeses, britânicos, franceses... Escapa-nos, assim, quase por automatismo atávico, a ideia de um império colonial terrestre. Não dispersão, mas contiguidade; não mar, mas fronteira. Todavia, é  nisso que se transforma a União Soviética com Stalin no pós-guerra: num império colonial Russo. As repúblicas da URSS são colónias da Rússia. E todas, ou quase todas, com comunidades de colonos russos nelas implantadas. E mais ou menos numerosas. Que se vão introduzindo e ampliando ao longo dos anos. Por motivações e fenomenologias várias. Acerca disso, Soljenitsyne é eloquente:

«"Eh, tu, ó russo, volta mas é para a tua terra!", "Ponham-se mas é ao fresco antes que a gente vos corte o pescoço!", "Deixem a nossa terra, malditos russos!"  Na Ásia Central, chegaram ao ponto de apregoar o seguinte slogan: "Fiquem cá, precisamos de escravos!" Insultavam os russos na rua, nos carros eléctricos, nos lugares mais frequentados, importunavam as mulheres.(...)
  Instalados num quadro familiar onde tinham passado toda a sua vida, onde tinham vivido os seus pais, muitas vezes também os seus avós, acordaram num belo dia com a notícia de que já não estavam na sua terra, que não passavam de estrangeiros indesejáveis, vítimas de discriminação e até mesmo de ódio. (...)
  Quem eram estes russos estabelecidos nas fronteiras do império? Alguns tinham sido deportados ou evacuados para ali; outros enviados para lá por serem os melhores na especialidade, por terem iniciativa, por terem capacidade de adaptação: profissionais de alto nível. Foram eles que introduziram nestas regiões a ciência e a cultura, foram eles que aí desenvolveram a tecnologia e a industrialização.»

A implosão da União Soviética é, assim, muito parecida com a implosão do Império Português: desaba por dentro, sob vapor e enlevo externo, e acarreta consigo uma catástrofe total, um cataclismo que tudo desmorona e aniquila. Não apenas na matéria, mas também  no espírito. O caos, a delapidação e a pilhagem que lhe sucedem vêm mascarados sob o manto edulcorado  duma abstração entorpecente: democracia. O beijo da aranha.

E há uma outra tragédia humana que decorre do descalabro geral: os colonos russos experimentam a mesma sensação dos colonos portugueses. A desorientação, o desespero e o abandono. Soljenitsyne queixa-se amargamente disso.

Entretanto, o Pós-Stalin, sobretudo com Khrushchev, mas também com Brejnev, traduz-se numa espécie de conflito interno entre a pulsão "nacionalista" renascida da Grande Guerra e a pulsão "internacionalista" em recaída e reincidência à anterior infecção. A virulência e resistência desta segunda estirpe acabará mesmo por conduzir à exaustão e ao colapso do império. Bem como  a todas as derrocadas subsequentes, políticas, sociais, económicas e militares. Noutras palavras, mas com idêntico sentido, já Bismarck afirmava que ninguém conseguia derrotar os russos, excepto eles próprios. Na Perestroika (Catastroika,  alguém glosou), como em Outubro de 1917, os russos entretêm-se a atirar com a casa abaixo, sob os eflúvios da droga externa. O embuste é de sentido inverso, os efeitos são os mesmos.

A herança de Putin é, pois, pesada e complexa. E resulta duma segunda "humanização" da Rússia, extraída das terríveis debacles e humilhações  do pós-império soviético. A Federação, todavia, já não é o Império, mas retoma dele as raízes, a postura e a bandeira. E não pretende renegar, estou em crer, a terra e o povo que, historicamente, são os seus. Até porque a língua russa também é, justamente, a pátria deles.

Nesta pesada herança, oriunda do comunismo sobretudo, abundam problemas, atropelos, desmazelos e injustiças grosseiras como as da Pseudo-Ucrânia.  Mas sobre isso a alongar-nos-emos detalhadamente num próximo postal.

terça-feira, maio 31, 2022

A solução do enigma

 Sobre a pandemia ió-ió, que ora vai, ora volta, não pretendo elaborar muito. Esta emoção do Zombistão foi tão grande que,  simultaneamente, operou  a cura e o milagre. Nem mais;  graças a Santo Putin,  desapareceu a pandemia, sumiu-se o apocalipse climático, evaporou-se até a fossilofobia que tanto nos urticava e escalvava a passos largos. Num ápice, até o fracking-gas americórnio (altamente dispendioso e hostil ao ambiente ) já era a solução para todos os nossos problemas, a panaceia que nos salvaria (à alemanha, sobretudo) da horrível toxicodependência energética. Ficava muito mais caro, era muito mais sujo, mudávamos apenas de dealer, ficávamos não já  parcial mas completamente dependentes, quer dizer, ainda mais vassalos dos Estados Unidos, mas isso agora que importava, eram minudências e pentelhices: Santo Putin até da superstição do Mercado e suas leis nos curara. Para quê pensar no lucro, quando nos podemos arruinar por uma má causa, aliás, nem precisamos de causa nenhuma. Fora o interesse! Só não se avançou a todo o vapor por esse precipício abaixo porque, descobriu-se com pena, faltavam terminais e torneiras onde nos prostrarmos imediatamente em submissão. Mas lá chegaremos. Para compensar desta frustração momentânea, apontámos um revólver de sanções à cabeça (paradoxo e prodígio assombroso, dada a acefalia evidente e monumental) e partimos para a roleta europeia - que, aproveito para esclarecer, se distingue e, claro, opõe à russa, na exacta medida em que se carrega não apenas com uma, mas com seis, ou seja, todas as balas. É infalível, acreditem.

Porém, divago. A pandemia, dizia eu. O copy-paste parece que passou dos humanos para o vírus. Infectado, aturdido, este, terá ricocheteado depois à procedência. E ei-lo a cavalo nas massas. Copy-paste ao quadrado. Televisões em choque, enfermarias inundadas, especialistas em catadupa. Ao menos a gripe ficou suspensa por um ano, vá lá. Mas novo passe de mágica: em tempo record, a vacina. Boa e barata. E desembaraçada duns certos empecilhos arcaicos. O melhor dos mundos já ali adiante. Mas eis que se instala um certo mal estar, uma inquietação surda, rastejante... Quinam que nem tordos alguns infelizes - criancinhas, jovens, atletas, actores (desmancha-paraísos, todos eles, é o que é)  - ouvi dizer. A mata-cavalos, a vacina, será que andava também a matar gente?... Angústia... Medo...Mais medo ainda... Perplexidade (nem me atrevo a mencionar, ao de leve que seja, as implicações disto para certas mentes inclinadas à suspeita metódica e à conspiraci.... (engasgo-me só de pensar).

Mas era uma questão legítima. Melhor, é. A ciência, afinal, avança por tentativa e erro; experimentação e melhoramento. O que está mal, corrige-se. Para o problema, procura-se a solução. Em teoria, claro, em teoria.

Pronto, não chorem, tranquilizemo-nos: eles encontraram a solução. Os nossos sacerdotes. Abençoadinhos! E estava todo o tempo bem diante do nosso nariz:  «The specific trioxides they have detected – called hydrotrioxides (ROOOH) – are a completely new class of chemical compounds.»

São os/as hydrotrioxides, meus amigos. Desencadeiam anomalias cardíacas... e respiratórias! Mas pior ainda: contribuem para o aquecimento global. Coitado do clima.

A besta Soros, com aquelas fuças que o diabo lhe deu, na sua arenga ao congresso de malfeitores planetários, já deixou o road map: depois de eliminado Santo Putin, volta-se ao combate contra o apocalipse climatérico. A toda a velocidade. E com  a maior urgência. Tremam, gambosinos!


PS: Na verdade, ninguém morreu. Apenas deixaram subitamente de respirar. E de aparecer. Exagera-se muito hoje em dia.

segunda-feira, maio 30, 2022

Quiz

 Entretanto, e de acordo com rumores e murmurejos, aceitam-se apostas sobre quem tratará primeiro da defenestração do anão Zelote:

a) os heróis do oxidente e neo-nazis fofinhos do Azov;

b) o estado-maior das AFU (as forças armadas ucranicoisas);

c) o patrocinador/director amerdicano;



Nas casas de apostas, de momento, são os da alínea a) que vão à frente.

Para quem estranhe a alínea c), convém não esquecer aquele aforismo do Kissinger: "ser inimigo dos Estados Unidos é perigoso, ser seu amigo é fatal".

domingo, maio 29, 2022

Edição genética

 



«A gene-editing experiment conducted on hamsters turned the adorable, furry pets into “aggressive” little monsters, researchers said. »

As potencialidades desta nova frankenstoria são imensas. Assim que eles afinem o alambique, bem entendido. O gado humano mal pode esperar... Mas, presumo, a manipulação (uma vez afinada, convém não esquecer) pode dar para os dois lados. Criando, por um lado, zombis de combate, e por outro, zombis de trabalho. Assim, de repente, isto até lembra uma qualquer utopia...  ah, pois, formigas-soldado e formigas-operário. Os Soros e os abertadores deste mundo até devem esfregar as patas da frente de volúpia e excitação.

Já agora, a parte da notícia que eu acho mais crocante e estaladiça:

«Researchers said they chose to work with Syrian hamsters there social structure is similar to that of humans.»

O melhor vem sempre no fim.

sábado, maio 28, 2022

Para quem não gosta de palha alucinogénia

 

«Former CIA & State Department Analyst, Larry C Johnson, on Ukraine, Donbass & Russia»


Com uma vénia muito especial a um fenómeno cada vez mais raro: Uma jornalista séria e corajosa. Eva Bartlett.

O Oxidente já quase não tem informação livre, mas apenas deformação obrigatória. E despejada alarvemente pelo funil - a fazer de cabeça - abaixo. Como eu já aqui referi, os antigos revolucinhários tinham a guilhotina, os actuais têm a televisão. O efeito é o mesmo.

sexta-feira, maio 27, 2022

Winston Chocho, ou Um Puppet nunca vem só

«Servant of the corrupt» 

ON THE RELATIONSHIP BETWEEN PRESIDENT ZELENSKY, OLIGARCH IHOR KOLOMOISKY AND 

WASHINGTON DC


Uma leitura deveras edificante. E é sempre muito educativo ter uma sucinta noção do CV do anão Zelote, presidente do Zombistão e enlevo tele-bombado das manadas globais. O Zombistão, como é público e notório, é um dos fake-países mais corruptos do mundo e o campeão da Europa nessa modalidade. Quanto às infestações que passam por estado, o fenómeno oscila e zune entre o ISIS 2.0 (agora com tatuagens neo-nazis e heráldicas  dermo-satânicas), uma junta de falsários informativos desenfreados e uma polícia política extremamente letal (SBU), mascarada algures entre a SWAT team, a Gestapo e os stormtroopers da Disney. Não há muito tempo, devíamos suicidar-nos todos, num armagedão atómico, por amor ensolapado a este circo. E em solidariedade penitente com ninguém sabe muito  bem o quê.

quinta-feira, maio 26, 2022

Banalidades do gatilho

 

«The carnage began with the 18-year-old suspect, identified as Salvador Ramos, shooting his own grandmother... 

President Joe Biden urged Americans to stand up to the politically powerful gun lobby, which he blamed for blocking enactment of tougher firearms safety laws»


Mais um massacre banal no Paraíso, vulgo Estados Unidos da Amnésia ( a expressão não é minha mas é a melhor que conheço). Pois, e a culpa é das armas, urra o Gerontossauro Bidens . Um dia destes,  atropelo em série vários peões, peoas ou peõezinhos incautos  e desculpo-me: a culpa não é minha - é do carro, da lóbi dos construtores automóveis! Aliás, se virmos a quantidade de gente que falece de morte violenta, todos os dias, por via dessas máquinas desarvoradas, e seguindo a lógica lá do Réptil Jurássico das amérdicas, era mais que caso para o nosso desgoverno, também ele a escorrer dumocracia aos molhos (embora pastoreado por um Hipopotamus Absolutos), ilegalizar o quanto antes a venda livre desses instrumentos massacrantes.

Agora a sério, dá-me a ideia, tenho mesmo a vaga suspeita, que as armas não disparam sozinhas, pois não? Ou estarei a delirar? O problema essencial, quer-me cá parecer, não é a arma, mas o atirador detrás dela. A gana de atirar... o gatilho como panaceia nacional... O culto da violência e do matadouro intrínseco a uma determinada sociedade. Sociedade, essa, que se rege por hábitos, predisposições, estímulos e "regras" cada vez mais associais, amorais, senão mesmo sociopáticos. Uma autêntica distopia à solta na realidade.

E o mesmo Gerontossauro que despeja biliões de armas (em larga medida fora de prazo)  na Ucrânia (leia-se, nos bolsos duns quantos patrocinadores e sobretudo no Complexo Armamentista), para libertar espaço em armazém para novos e reluzentes stocks no Paraíso, vem reclamar por meia dúzia de presuntos domésticos por via de talheres avulsos! Quer moralizar às carradas e duma vez por todas!... Caso para dizer: o Barão da Indústria nunca há-de tolerar o artesão ambulante.

Por outro lado, não reza a história que com a proibição de bebidas alcoólicas, durante a Lei Seca, tenha deixado de haver ébrios, pielas e regabofes adjacentes. Pior, rebentou mesmo o gangsterismo e a carnificina desatada em todo o seu esplendor.  Proíbem as armas, os sonsos e mestres da velhacaria. Deixam de poder comprá-las nas lojas, os alucinados e tarados endémicos, e passam a ir comprá-las aos gangues, aos traficantes de droga ou às redes clandestinas que, sei lá, as arrematam a preço de saldo, por exemplo... na Ucrânia. Ou na Síria. Ou na Somália... Ou na dark web... ou onde quer que o Diabo que montou bazar neste mundo abra o balcão.

quarta-feira, maio 25, 2022

Santo Putin

 A propósito desta cegada do Ucancro, digo Ucrânia, nem lembrava ao diabo - corrijo, só lembraria mesmo a ele e aos imundos  filhos dele ! - arremessar com o famigerado Reductio Ad Hitlerum ao coitado do senhor Putin. Reductio, esse, diga-se em abono da verdade, que já é rançoso e recorrente e vem quase do paleolítico inferior baixo.  Mas que raio, convenhamos, se a ideia era desqualificá-lo pelos ímpetos restauradores da defunta União, então o Ad Stalinum sempre seria, vaga e remotamente, verosímil, ou não?... Aliás, para não variar, estes chicaneiros globais, confundem-se todos e metem, sem freio nem pejo, as patas de trás pelas da frente. Quer dizer, é  o novo Hitler e quer restaurar a União Soviética.  Ah, bonito. Bem, não, se calhar é a Rússia Imperial.  Belo, ainda mais empolgante... o Pedro e a Catarina são mesmo ao estilo e escola do Adolfo maluco. Estão a ver a lógica mirabolante, o culturismo histórico, ou melhor, histérico, da coisa?... Mas estão a comentar ou a ter acessos convulsionários e epilépticos, estes moços de frete da pantalha emética? Entre a CNN, o MSN, a hirsuteria Milhazeira e o anão Zelote, o primor retórico é mais ou menos esse. A lixeira mental a céu aberto. O grunhido javardo a armar ao bastião indómito da civilizacinha apalpada. 

E aproveito para acrescentar que até nem ficaria mal ao coitado do senhor Putin - e digo coitado porque o infeliz, entre tentativas múltiplas de assassínio, atentado e desconsideração pública, vai estertorando nas vascas de vários cancros, síndromes e patologias avulsas-, pois, dizia eu, até nem lhe ficaria mal aquela virtude (rara, mas, ainda assim louvável e nada despicienda) do Joseph Stalin em despachar picadores de gelo aos cornos do Trotsky. Um moderado, é o que ele é. Um punhos de renda. Pior, a avaliar pela paciência com que atura Kasparoves, Zelotes  e Gerontossauros Caqueticus desta estrumeira a boiar no espaço, um santo.

PS:

«Perante uma super-acédia colectiva, a mentira ganhou honras de dogma. E o mal preside ao melhor dos mundos possíveis, cujo lema se esgota, doravante, no "quanto pior, melhor"»... Lembram-se? Estávamos em 2016.

Porra, mas mesmo a mim, o mais pessimista e empedernido dos oráculos, a bandalheira mediática, a desfaçatez imperiabunda a raiar a possessão infernal, enfim, a merdalheira moral e política bombada e matraqueada até à inanidade, me ultrapassaram por desmesurada escala. Confesso: estarreci.  Se o Oxidente  deu nisto, emigrar para a Rússia é pouco. É nada. Só mesmo para outra galáxia. Onde o fedor não alcance.

terça-feira, maio 24, 2022

Pay back time




 Todas as imitações - tanto mais grotescas e aleivosas, quanto mais afastadas e exorbitantes, no tempo e na história - do Império Romano, devem lembrar-se que a factura final inclui fatalmente o corolário pimpão da coisa: a Decadência. Está inscrito, em letras eternas e inexoráveis, no património vital dos homens tanto quanto dos Impérios.

Pois se os almoços não são grátis, haviam de o ser os banquetes e as orgias, ó pequeninos?!...

terça-feira, maio 02, 2017

Trumpetas do Apocalixo



Já agora, sobre o EstTrumpf Trumpetas, e após metódica observação, ocorreram-me alguns epitáfios do estilo:
1. A montanha pariu um rato, e o rato produziu uma lombriga que agora preside a ambos.

2. As notícias sobre a derrota da Bruxa estavam manifestamente exageradas... Não há almoços grátis, pois não? Nem jantares, tão pouco.

3. Entre a Bruxa e o Novo-Bush, afinal, cabia ao Demo a escolha. E este não se fez rogado: Funcionou a Democracia.

Mas acho que, de todas as que tenho lido, a síntese mais feliz é esta:

«So when is Trump sex change operation?
He´s reversed himself on everything else.»
- Justin Raimondo


Make what? Well, make Israel bigger.






terça-feira, abril 25, 2017

Partidofagias e Contos do Vigário (r)



Podia lá eu faltar a uma efemérdia festiva destas...


Mas alguma vez os partidos, em Portugal, se guiaram coisa que se visse por ideologia, doutrina, receita (culinária, que fosse), programa de partido ou sequer de governo? Mal se apanham no poleiro, passam por isso tudo com o maior desembaraço, velocidade e amnésia súbita. Mesmo os comunistas (dos vários credos e alambiques) quando, no pós-25 de Abril, se entretiveram a desmantelar a nação à boleia da peregrinice zoina dos moderados (como já tinha sido em Outubro de 1917, na Rússia), mesmo esses, nunca deixaram, no essencial, de acautelar a vidinha e o futuro sem sobressaltos na "democracia burguesa" pós-Novembro. Nos restantes quarenta anos, os partidos têm sido nada mais que agências de emprego, feiras de contactos e influências, trampolins sociais e trambicódromos para safardanas, sicofantas e arranjistas das mais diversas estirpes, cores e proveniências. E quanto mais instalados ou com acesso ao Poder, pior. A não ser no folclore da treta, não há socialistas nem não socialistas, sociais-democratas ou populares, esquerdistas ou direitistas, conservadores ou liberais: é tudo devoristas, trepadoristas  e empalmadores. A máquina partidária encarrega-se de produzir, em regra, enchidos desses. Mesmo indivíduos honestos e genuinamente bem intencionados que, por algum milagre da santa, escapassem à filtragem interna, acabariam rapidamente submersos e varridos pela marabunta infestante.
Fora tudo isso, as únicas agendas que cumprem vêm de fora e fazem parte do kit/alvará comercial. Ou do estojo de emergência, por dictatum ainda e sempre externo. Resume-se o fenómeno inteiro num aforismo simples: sacrifica-se o pagode para salvação dos eleitos.

Os partidos são o cancro. Está provado e servido, à náusea e à exaustão, desde a cegada de 1820. E também já vimos a cura, pelo que não requer descobertas da pólvora ou da roda dentada. Não há metásteses boas nem metástases más: há metástases que se tornam particularmente nefastas e malfazejas logo que abocanham o Poder. A diferença no malefício é directamente proporcional à quantidade de poder nas unhas da quadrilha e à duração da mamada. A dinâmica da mediocridade, da chicana, da safadeza e da filha-da-putice que reina no interior das cloacas partidárias (dos quais o modelo universal e perpétuo é o do próprio Partido Comunista - cada Secretário-geral converte-se num tótem tribal a prazo, e, uma vez no Poder, degenera num Kim-Kong-ill à solta, a arder em frémitos de eternidade) alastra ao país e instaura a dispersão, o oportunismo, a velhacagem e a zaragata permanente. Acangotada na Administração Pública, numa cascata de alvéolos, casulos e bolsas marsupiais, esmera-se, afana-se e desunha-se, a um ritmo cada vez mais frenético, em extorquir e brutalizar, sem dó nem piedade (e toda a burrocracia de que é capaz), o contribuinte e o desamparado em geral.  Desamparado, entenda-se como todo aquele que não pertence ou é patrocinado por qualquer uma das camarilhas em exercício: dos partidos à maçonaria,  das Ordens às Opus, dos Clubes  às seitas (excepto naquele caso emblemático em que o clube e a seita se confundem), passando por todas as mancebias e manjedouras a jusante, cujo elenco me dispenso de explicitar por economia de espaço e nojo. O certo é que é toda uma escumalha - que não vale a ponta dum corno nem serve para nada de útil à nação - a armar ao importante, ao fino e, sobretudo, ao caro. Mainates que se fazem pagar como arquiduques.

Os partidos, entretanto, foram todos socialistas no pós-25 de Abril; foram todos democráticos no pós-25 de Novembro; e serão todos o que for preciso para garantir o estipêndio dos seus comensais (devidamente hierarquizados à boa moda feudal, pois claro, que isto da democracia é só mesmo para inglês ver e otário aplaudir). Acreditar na reforma deste esquema, ou, ainda pior, na sua cura milagrosa, é o mesmo que acreditar na redistribuição da riqueza. Os mesmos que não impedem os ladrões de roubar e, ainda por cima, os ajudam a sacar a seu bel-prazer, apregoam  depois projectar persuadi-los a devolver o que quer que seja? Os mesmos que facilitam são depois os mesmos que moralizam? No menos mau dos casos, é o mesmo que pretender educar um filho na idade adulta, depois de deixá-lo adquirir todos os vícios, taras e más tendências. Uma nódoa, parafraseando o Eça, não se reforma: remove-se.
Mas pior ainda é tentar camuflar o surro duns debaixo do tapete do lixo dos outros. Quem o faz não o realiza por amor genuíno à higiene, mas por  frete escuso ou interesse escaninho numa das imundícies. Repito: Não é devoção à limpeza: é propaganda eleitoral. E das rascas.
Ou então não, dir-me-ão as almas mais caridosas; que é mero fruto da ingenuidade, de boa fé, com boa intenção. Pois, contra bem intencionados desses já fiquei eu  vacinado (e pena não ter também ficado o país) no 25 de Abril. Já sei qual vai ser o resultado da "boa intenção"... Que, diz o provérbio, povoa os infernos.

PS: consta que as "câmaras corporativas"  rosas e laranjas que infestam a blogosfera (quem a viu e quem a vê!...) são, em larga percentagem, tripuladas por funcionários públicos. Faz todo o sentido. Em pleno mundo às avessas, numa sociedade em putrefacção acelerada, o parasita ascende a guardião da moral pública.