terça-feira, abril 17, 2012

Saudação ou saudacinha?

Não discuto a ideologia que mobilizará o psicopata que se segue. Até porque entre ideologia (qualquer que ela seja) e psicopatia a relação é de pura sinonimia. Mas o que posso é garantir, através de imagens subsequentes, que o que ele gesticula não é de todo a "saudação nazi".
Assim, e para já, o tal psicopata nórdico (inconcebível como paraísos perfeitos daqueles produzem monstros destes):

De seguida, uma imgem com a indubitável "saudação nazi" para que todos possam constatar a diferença:


De notar, pormenor curiosíssimo, que esta mesma "saudação nazi" também era utilizada pelos fascistas italianos:

Detalhe ainda mais espantoso: a "saudação nazi" também já era praticada na Roma Antiga, em pleno Império. Só que então, em vez de urrarem "heil Hitler", os nazis bradavam: Ave Caeser!



E agora a parte mais inquietante, desde já à atenção de Araújos Pereiras, Quadros, Nogueiras e outros truões patrulheiros do anti-fassismo  serôdio, para que possam gafanhotá-la e defenestrá-la o quanto antes  com as suas piadetas de cuspo e alguidar: a sempiterna "saudação nazi", maldita seja, sempre pontificou nas fileiras do exército português, onde, ainda hoje, por alturas dos Juramentos de Bandeira, é impudicamente arvorada:


Mas...mais grave ainda: no Brasil também a exibem sem qualquer pejo ou vergonha:

E até em Angola!  Quando tiver tempo, hei-de scannar fotos de  pretos nazis em parada. Oh tempora, oh moraes!...

Geostraténia pelintra



Vai uma mini-frota portuguesa -uma fragata, uma corveta e um navio de apoio - a caminho da Guiné. De prevenção para um estrito e eventual resgate dos portugueses em risco  naquele antigo território português, proclama o actual governo da treta. Esqueceu-se entretanto de esclarecer, com rigor,  duas ou três minudências catitas , a saber, a) quanto custa a brincadeira? b) quem paga? c)  quantos são os portugueses em lista de putativa espera para o heróico resgate?. Calha que conheço bem o sítio. Não posso precisar à unidade o número de portugueses em duvidosa aflição com a rotina lá da terra, mas posso garantir que são imensamente menos que os vários milhões que padecem e desesperam entre o Algarve e o Minho. E imensamente menos, note-se, quer em número, quer em angústia periclitante.  Portanto, se a questão era resgatar portugueses em efectivo perigo e cruel ameaça, não era preciso  irem tão longe. Francamente, não era.  Só a poupança  em combustível e ajudas de custo!...
A austeridade, em suma, não sei onde anda nem aonde foi.

domingo, abril 15, 2012

Dragão na Presidência

O postal que se segue foi escrito e editado neste blogue em 20 de janeiro de 2004. Repito: 20 de janeiro de 2004! Pois tenham  a bondade de o ler hoje, passados quase dez anos, procedendo apenas aos seguintes ajustes prévios: substituam simplesmente o nome dos então Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças pelos actuais, bem como o nome Bush pelo nome Obama. Depois, caso não estejam ainda perfeitamente lobotomizados, experimentem aquele calafrio profundo, mescla de raiva, desespero e tristeza, que resulta da constatação da perfeita e sumptuosa actualidade de tudo o que nele vem ilustrado. É preciso maior atestado da putrefacção em que, sob a cobertura do actual regime, andamos metidos?

                                    ....//.....



Como dizia a canção do Chico Buarque, “agora eu era o herói, e o meu cavalo já falava inglês”. Pois, e a primeira coisa que eu fazia era dar um tiro no cabrão do cavalo que era pra não armar em esperto ou anglófono (o que vai dar ao mesmo). Abatido o solípede poliglota, imaginem que eu era também Presidente da República. Portuguesa, pra não forçar muito a imaginação.

Pois muito bem...agora eu, Dragão, era o Presidente da República...

Cá estou eu, todo repimpado, na minha cadeira plenipotenciária, a mirar o mapa na parede e a coçar os tomates. Qual é a primeira coisa que faço?...Não tem nada que saber: Vou convocar o Primeiro Ministro e a ministra das Finanças. De emergência, já, imediatamente, a galope nos mercedes pretos, com as sirenes a romperem caminho. Uma telefonadela e já está!...
Não demora nada... Já os oiço. As portas batem...Ouvem-se passos apressados, nervosos. Esboço o meu sorriso maquiavélico nº 3.
Agora um pormenor essencial: vou fazê-los secar duas horas que é pra verem quem manda. Antes, já mandei retirar toda a espécie de revistas ou jornais da sala de espera. Quero que experimentem o chamado síndrome do dentista, mas sem paliativos de qualquer espécie.
Eis-me, portanto, a tamborilar os dedos e a escrever cartas anónimas ao procurador geral da República, onde enfatizo as pernoitas da esposa com gente de aluguer. E uma paixão avassaladora pela criada. Aproveito pra escrever também aos juízes do Supremo, aos directores dos jornais e ao presidente Bush a insultá-lo (esta, porém, assino como Bin Laden). O tempo arrasta-se. Até que as duas horas, a custo, lá se esgotam.
Lá vem o PM e a acólita. A bruxa da acólita, devo acrescentar, o que ainda mais me enfurece. Não poder imaginá-la de cinto de ligas sem que isso me cause náuseas e vómitos, confesso que me irrita. Estou com ar de poucos amigos e nem me levanto quando entram. Prescindo do protocolo, cago deveras na etiqueta e ordeno que se sentem sem mais delongas. Vamos lá fazer o balanço da “governação”..."Olha lá, ó badameco, explica-me aqui uma coisinhas!...", irrompo, qual avalanche justiceira.

Começa o interrogatório em forma:

-“O Défice baixou?”, pergunto.

-“Na verdade manteve-se.”, responde ele.

-“O investimento?...”, interrogo.

-“ Diminuiu...” – murmura.

- “O Desemprego?”, inquiro.

-“ Disparou em flecha!”, confessa.

-“ A produção?”

- “Caíu...”

- “ As falências?”...

- “ Multiplicaram-se...”

- “A criminalidade?...”

- “Aumentou!...”

- “O património do Estado?”

- “Já está quase todo alienado:::”

- “A política externa e a imagem do país no exterior?”

- “Uma desgraça: maltrapilhos, pedófilos, prostitutos!...”

-“ As instituições?...”

-“À beira do colapso...”

-“ A educação e a investigação científica?...”

-“ De rastos...”

-“ O nepotismo e a corrupção?

-“Na mesma, senão pior!...”

Nesta altura suspiro. Não vale a pena continuar. É demasiado penoso.

Agora eu, Dragão, Presidente da República imaginário do vosso país quase imaginário, pergunto-vos: No meu lugar o que é que dírieis a um c***** dum primeiro ministro destes?
Pois eu digo-vos o que é que eu, no meu lugar, dizia a um c***** dum primeiro ministro destes: Nada. Nicles. Patavina.
Chamava era o oficial às ordens, aquele soldadinho com ar de músico filarmónico que pr’ali ciranda feito mainate, e dizia-lhe: "Ó coiso, ó bombeiro, traga-me cá o meu cavalo marinho e mande entrar a imprensa!"
Depois, em directo prá nação, no horário nobre, calma e pausadamente, fazia um belo e esclarecedor discurso, com o cavalo marinho, em cima dos costados governamentais. Era malhar nos dois estafermos até que me viessem as cãibras. Havieis de ver se a depressão, a crise, ou lá o que é, no dia seguinte, não tinha desaparecido!... Havieis de ver se o povo não ficava todo alegre e de grimpa levantada!...
Isto, meus amigos, o que faz falta não são receitas de propaganda nem demagogias da trêta: o que é preciso é saber falar ao coração das pessoas!...



PS: Já perceberam agora que, tivesse eu pachorra, e o útil que não seria elegerem-me, ó otários?!...



sábado, abril 14, 2012

Coisas de grunhos, digo primatas




Meus amigos, duas perguntas: o que é um campo de batalha? E o que é um campo de futebol? 
Agora a resposta: entre outras coisas menos óbvias e eventualmente mais subtis, um campo de batalha é um sítio onde se podem matar pessoas sem incorrer no risco de ser preso pela polícia. E um campo de futebol, sem nenhuma outra subtileza adicional, é um local onde se pode  injuriar e ofender publicamente  sem experimentar o perigo de ser processado. Poderia até dizer-se que um campo de futebol é apenas um campo de batalha suavizado. Mas, lá está, para compensar de não esfacelar ou chacinar o inimigo, sobrecarrega-se no vitupério e no basqueiro menoscabante. Em vez do troar dos canhões, do silvar da metralha, redobra-se no troar do impropério, no vociferar da bojarda. Resumindo, e dum modo geral, à falta de tomates para matar (e morrer) pela pátria, congregam-se em estádios a urrrar pelo clube. Não há nada de espantoso nisto. E muito menos de sério. Até porque, tanto quanto um sucedâneo, é um regresso nostálgico: à quadripedia. À guturalidade  da infãncia e da caverna pré-histórica. Acresce, só para concluir, que no campo de batalha poderá o combatente, na melhor das hipóteses, alcançar o heroísmo e cobrir-se de glória, enquanto no estádio de futebol o mais elevado que o basbaque ululante atinge é a chimpanzézice formidável  e o auto-soterramento pimpão numa ordinarice pegada.
Pois bem, agora imaginemos um tipo qualquer em plena batalha a desatar num clamor de queixa às autoridades, num chamamento histérico à polícia. Que lhe tentaram acertar com um balázio ou uma granada de morteiro. Que planearam  assassiná-lo com um bombardeamento aéreo. Estão a ver? Não é lá muito plausível, pois não? E, no entanto,  é exactamente a mesma coisa que um tipo qualquer no campo da bola a lamuriar-se que lhe aspergiram das bancadas com um qualquer mimo típido dos símios residentes: "filho da p...", "cabrão do cara,,,", etc, etc. O árbitro, especialmente, no fim de cada jogo, se fosse a dar parte de todas as injúrias e calúnias com que os adeptos da equipa derrotada o brindaram, passava o resto da semana a preencher papéis. Também não acontece por regra e há compreensível tradição nisso.
Todavia, recentemente, surgiu uma moda onde o anedótico vai de braço dado com a bufaria. De repente, tornou-se, mais que aceitável, obrigatório que o tal tipo em pleno jogo rompa a lamuriar-se que lhe chamaram preto, ou, como num caso recente,  que chegaram ao ponto de lhe atirar uma banana (insinuando com isso, presume-se, uma sua qualquer ancestralidade duvidosa). Repito, é equivalente ao sujeito em plena batalha a queixar-se à polícia que o querem matar porque é preto. E é tanto mais ridículo quanto resulta do melindre estapafúrdio dum preto por lhe chamarem preto, ou, mais grave ainda, dum tipo que se enxofra muito porque um bando de chimpanzés o classifica como seu parente afastado.
Até porque se fossem minimamente inteligentes, os alegados agressores (verbais e simbólicos), em vez da banana tinham lançado amendoins... Era mais acintoso e dava menos nas vistas.

PS: Mas, por via das dúvidas, comparem o grunho adepto típico (na fotografia superior) com um honesto orangotango (foto inferior). Concordareis que, bem mais que as vagas semelhanças, sobressai uma diferença evidente e clamorosa: a tímida expressão duma inteligência embrionária na fronha do segundo perante o puro vácuo omnívoro e logofágico na  fuça do primeiro. Daí  ressalta a questão fulcral: como é que alguém consegue sentir-se insultado por um fanático futebolístico? É o mesmo que alguém sentir-se abalroado por uma lesma. Ou atropelado por um micróbio.

quarta-feira, abril 11, 2012

Feriados e Pseudo-feriados



Falemos então de "feriados"...
Começando pela própria palavra... Do latim "fèriae", onde significava "dias consagrados ao repouso", "festas" ou "regozijo público", não parece ter-se deteriorado muito desde a origem. De facto, as "férias e feriados" ainda hoje são dias consagrados ao repouso, embora nem sempre sejam de festa, nem, tão pouco, esse mesmo repouso, como na antiguidade romana, seja necessariamente em honra da divindade. A verdade é que temos actualmente duas espécies - para alguns, antagónicas ou rivais - de feriados: os feriados religiosos e os feriados civis. Dito por outras palavras, mais justas e assertivas: os feriados genuínos e os pseudo-feriados. Porque, com efeito e sem sombra de dúvida, dizer "feriado religioso" é uma perfeita redundância de termos - é por ser dedicado a instâncias de índole religiosa que o dia devém "feriatus",   que nele a comunidade se entrega ao ócio festivo. Da mesma maneira, proferir "feriado civil" soa a falsificação e usurpação do termo. É "feriatus" de fancaria laica e balalaica. E tanto assim é  que, enquanto o "feriatus" autêntico subentende uma pausa nas ocupações deste mundo de modo a festejar (ou, no mínimo, a honrar) uma outra dimensão mais livre, feliz e superior (a dimensão divina), já o "pseudo-feriatus" mais não alcança nem almeja que fazer do dia uma jornada de celebração de certas mundaneidades mais ou menos divinizadas (a república, a democracia, o trabalhinho), isto é, não exactamente um dia de pura festa, mas sobretudo de propaganda - de convénio, congresso e feira de falsários, trafulhas e trampolineiros. Não lhe deveriam, pois, chamar feriado, mas simplesmente "desdia", "não-dia", "a-diamento" - que é como quem diz: dia de nada ou coisíssima nenhuma. Ou dia de mentira, já que falso dia. E assim chegamos ao Primeiro de Abril, essa data sempre tão consagrada ao assunto...
Mas antes, recapitulemos os tais "feriados civis"cá do burgo... Num desgraçado lugarejo onde impera o mais ignóbil feudalismo partidocrático e sectofágico, celebra-se que república no dia 5 de Outubro? Num insectódromo olímpico de venalidades, vacuidades e falsos-prestígios onde vigora a ditadura alarve do cacique eleito e telecomandado do momento, celebra-se que liberdade e democracia no dia 25 de Abril? Numa suinicultura de comadres, compadres, nepotes, mastins, pinóquios, esquemas endogâmicos a vapor e castas a diploma, onde viceja a açambarcamento do emprego pelas pseudo-elites e o desemprego, a precaridade ou o exílio para a generalidade da população, festeja-se que Trabalhador no Primeiro de Maio? Num país falido e restejabundo, entregue ao futebol, à telelobotomia, à ignorância ufana e roncante, e, para cúmulo da invertebrância pato-bravosa,  à ditadura financeira externa, consagra-se que Independência no primeiro de Dezembro? E, finalmente, como dizia o Almada, num sítio mal frequentado onde Camões morreu de fome e Portugal morre de nojo e vergonha dos seus habitantes a cada dia que passa, exalta-se que Camões, comemora-se que Portugal?
É tudo falso! É tudo postiço! É tudo de aluguer! É tudo, em suma, mentira!...
Por conseguinte, quando agora falam,  naquele tom sonso e pastoso que entretanto preside à situacinha, que, a bem do orçamento, urge abolir dois feriados civis e dois feriados religiosos - traduzindo: dois pseudo feriados e dois feriados -, daqui proclamo aos quatro ventos e às inúmeras brisas o seguinte: nos feriados, os genuínos, eles que nem toquem e a Igreja que não vá nisso! (Só de ver as Câncios e os Araújos Pereiras (ou Nogueiras ou lá o que é) desta pocilga aos pinotes e a espumarem da cloaca até é motivo para maior festejo e duplo foguetório!...) Agora, com o exagero inaudito, com a  infestação absolutamente obscena de falsos-feriados nada de piedades! - Acabem com eles todos! Ou, mais condignamente, convertam-nos apenas num - o único que se impõe, realiza e justifica. Pois... é isso mesmo que estais a pensar e cuja demonstração aqui ficou  patente  à exuberância: Qual Primeiro de Maio, qual Primeiro de Dezembro, qual carapuça! Façam (pseudo)feriado do Primeiro de Abril e não se fala mais nisso!...
Afinal, a Mentira é tudo o que, na realidade, resta, triunfa e é celebrado neste país.

domingo, abril 08, 2012

6ª Lei da Ratafísica Desantropológica




- Mais depressa! Mais depressa"...

- Lá está ele de novo! Mais depressa como? Não entendo essa ordem!...

- Essa tua iliteracia financeira até mete nojo! Não entendes como?...

- Muito simples: se estamos estacionários - direi mais: atascados até ao coruto da pinha - como raio podemos ir mais depressa? Só se for para nos afundarmos ainda mais velozmente: Para ser franco, não vislumbro a utilidade e ainda menos a vantagem dessa manobra.

- Corrijo: não é iliteracia, é estupidez mesmo! Qualquer raciociniozinho mais elaborado causa-te vertigens! Ó imbecil, não percebes que temos que afundar-nos a toda a velocidade de modo a atingirmos o fundo com a maior rapidez possível. Uma vez aí, em pista sólida, com as patas bem assentes no fundo, engrenamos a nossa tracção total e largamos a pleno galope directos a amanhãs chilreantes e cornucópias de pasmar!...

- Mas isso era o que tu já dizias ontem?   Olha onde estamos hoje!...

- Hoje não é amanhã, hoje é hoje! Eu nunca disse hoje, disse amanhã! Aliás, se não estivesse sempre a olhar para ontem, percebias facilmente. Assim, não adianta explicar-te. És burro que nem um penedo. Um verdadeiro calhau com olhos!

- Pois, serei, não discuto. Mas o problema é que a cada hoje que amanhece nunca é o amanhã prometido que encontramos. Damos  sempre de trombas  com quem? Com o ontem, nem mais! Eu, transportado pelos teus conselhos e perícias, sempre a tentar descortinar o amanhã e, em vez dele, a dar de focinho invariavelmente  com o ontem! E agora, para cúmulo, já nem é o ontem: é o anteontem escarrado e chapado!...

- Umas boas chapadas é o que tu merecias por guinchares tamanha descarga de dislates! Digo mais : uma carga policial das boas só te fazia bem! Não vês porque te falta a capacidade, a cultura, a inteligência!...

- Queres ver que  esse teu tão cantado amanhã é como aquele monarca que desfilava núcego sob o alto patrocínio de solertes e inefáveis costureiros...

- Ah, agora estamos a ser sardónicos!... Estudar não é contigo. Adquirires valências e mais-valias não te quadra. Mas para a piadola fácil já estás aí todo pronto e despachado!... Pois regista, encaderna e fica sabendo que ainda bem que não vês o amanhã: tudo onde pões a lupa, estragas! De resto, dito com apropriada analogia, nesta árvore que ambos desempenhamos, a ti compete-te a raiz, a mim a rama verdejante. Pelo que, de modo a que eu ascenda luminoso aos céus em foto - e também cine- síntética saga, convém - e está prescrito na ordem natural das coisas e das leis - que tu mergulhes nas profundezas. Onde, com denodado e estrénuo afã, deves  garimpar no esterco toda a variedade de pérolas que nutrem  este nosso vertiginoso processo!...

- Ah... Então, se assim é, alguém não está a cumprir a sua parte.

- Quem? Não me dizes?...

- Tu. Tu todo, Em vez de estares a elevar-te como, dizes, te compete, andas aqui comigo, de escantilhão, a fussar no pântano. Quer dizer, eu mergulho, como está prescrito e receitado. Mas tu não sobes. Bem, na verdade. até sobes, mas apenas para as minhas cavalitas. Para o céu, 'tá quieto ó mau. O preto que suba. O preto, sobretudo o angolano, e o dólar; que tu já nasceste cansado e grudado ao meu cangote. E assim, se hás-de comandar-me, guiar-me ou lá que diabo é, só o que sabes é andar atrás de mim, envcavalitado, a mandares-me andar para a frente. Ou melhor, para baixo, para o fundo, para a merda!... Pois cá vou eu; mais que o hábito, já me equipa o calo. Todavia, quando era suposto já ires a caminho das estrelas, de modo a conferir sentido a este meu crónico suplício, o que é que acontece? Eis que andas pr'aqui comigo a disputar a bosta.


6ª Lei da Ratafísica - O produto do esquecimento pela falsificação do passado é igual  ao quadrado da ausência de futuro sobre a confiscação do presente. 

sexta-feira, abril 06, 2012

Ecce Homo









« Então saiu Jesus com a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Disse-lhes Pilatos: "Eis o Homem!"»
  - João, 19, 5

Durante muito tempo, devo confessá-lo, achei uma extravagância muito grande o acto de Jesus lavar os pés aos discípulos (tanto mais que a minha simpatia pelo Mestre é inversamente proporcional à irritação que me suscitam os pusilânimes dos aprendizes). Mas na verdade, o espírito de Deus que no princípio contemplou o espelho das águas, tanto ou mais que pela boca de Jesus e da sua inelutável sapiência, é pelos seus pés que se manifesta. A Palavra é indissociável do Caminho. Não basta que o homem fale, que o homem pense: é necessário que o homem caminhe e atravesse a terra; que se levante e saia da caverna pelo seu próprio pé. O estar na caverna equivale ao estar fechado na terra, o recusar-se a nascer e contemplar o céu. Este homem na caverna é um homem soterrado, jazida, sepulcro. A caverna, entrementes, é o mundo e o seu próprio corpo: fechado e encasulado inertemente neles, negando-lhes o espírito, o ânimo e a luz que deveria emprestar-lhes, corrompe-se, deteriora-se, putrefaz-se e condena-os também, ao mundo e ao corpo, à sepultura. Deus confiou  no Homem, confiou-lhe, designadamente, poder sobre a terra. Se, entretanto, em vez de a velar, guardar e amar como deveria, o homem a amaldiçoou e contaminou com sangue de fratricídio e teias de esquecimento, a ele competirá necessáriamente purificá-la e redimi-la. Inerentemente, a redenção do mundo decorre da sua própria redenção. Os pés que o levaram para longe, para fora do olhar de Deus, são os pés que terão de perfazer o caminho de regresso. O sulco da ferida será também o sulco da cicatriz. Ao lavar os pés, Deus despede-se: prestes a terminar a sua peregrinação, prepara o homem para a dele. Ao mesmo tempo, abre-lhe o caminho pelo seu próprio exemplo. A descida ao homem encerra-se com a descida aos pés do homem: o pé representa o fundamento, o princípio, o que faz o caminho e transporta. A lavagem simboliza a regeneração, a refundação, a restauração do princípio. A Palavra desligada do fundamento, como a rama sem pé, é estéril, vazia, artificial. Jesus, como Deus através Dele, não procura papagaios nem fariseus hipócritas: as palavras podem ser fingidas, mascaradas, forjadas, como o fazem os sacerdotes e os doutores da lei, mas não o Caminho. É no caminho que o coração - a coragem - se mostra; como é com a sua acção na terra que o Homem alcança o Céu. Não é depois da Vida que está a gratificação: a gratificação é já a própria Vida. O coração não está apenas no fim do caminho: o coração é o caminho. Caminhar é ser esse coração vivo, que palpita, que aquece, ilumina e, sobretudo, ama a vida e todo o ser vivo.

Ecce Homo!  Ao mostrar o Homem, Deus mostra-se ao Homem.

E serve este breve trecho, retirado do Tratado da Besta, embrulhado neste claro  momento de sinceridade rara, para vos notificar duma coisa muito simples, alta e fundamental, ó leitores (com as leitoras em camarote presidencial, naturalmente): eu gosto de vós. Embora não pareça. Embora a maior parte do tempo eu até pareça morar noutro planeta, numa qualquer galáxia a anos luz. Porque escrever, para mim, mais - muito mais - que uma forma de contender ou exorcizar o que me desgosta, é um acto de atingir quem e o que eu gosto. E, diga-se solenemente, é a única  forma genuína de libertação que conheço: a libertação do umbigo através do amor aos outros. Essa bitola, aliás, pela qual são medidos e sacrificados os grandes heróis da antiguidade (e da Civilização), de Prometeu a Jesus: a filantropia. Fica assim dito, porque é preciso dizê-lo... Antes que me esqueça, antes que anoiteça, antes que desapareça...

E uma garrafa de rum!...





Foi mentira de Abril, ó almas crédulas! Estou aqui para as curvas, ou melhor dizendo, para as ondas!... Ainda não é desta que se livram de mim.


Uma digna e corajosa Páscoa a todos!

domingo, abril 01, 2012

Fim




O Dragoscópio acaba aqui. A minha gratidão aos irredutíveis leitores, beijinhos às leitoras e um até sempre.

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Desumanidade social

Ser uma autêntica besta, nalgum país ou planeta que eu desconheça, poderá até ser um desprimor censurável. Mas neste, e  especialmente no  portugalzinho actual, é apenas a fórmula instituída de escapar à solidão.

segunda-feira, janeiro 30, 2012

Dos bois, dos otários e das galinhas




Bem, à falta gritante de ideias próprias, o cromo que nos pastoreia teve a humildade de apelar às ideias dos outros. Louve-se o público reconhecimento e auto-penitência deste vácuo cabeludo. O problema é que, para bucólico enredo, as ovelhinhas são de todo dignas do pastor. E como se tal monturo não  bastasse, sobram  umas regras ainda mais lazarentas que o presépio. Atente-se só neste detalhe formidável: a melhor ideia é necessariamente a mais votada. Supimpa! Fazendo fé nos últimos trinta anos, o resultado acabado e resplandecente duma série de votações maioritárias em determinadas "ideias" a concurso  é, entre várias outras maravilhas, a bancarrota, a perda da independência, a ruína moral e económica, a usurpação da república por seitas e séquitos, a administração da injustiça, a cleptocracia burocrática. Convenhamos que não abona muito do método. Tão puco o recomenda. Dizer que é assim porque assim é que é democrático não colhe como argumento. Mesmo que tendam, não significa que sejam forçosamente a mesma coisa - estupidez e democracia. Se não, atentemos na ideia que neste momento colhe maior número de votos: o que é que as corridas de Touros têm de prioritário para a resolução dos reais problemas da nacinha? Não seria mais premente propor a abolição das Corridas de Pessoas - para o desemprego, para o estrangeiro, para o limbo da impotência e da insignificância? Ou se insistem em dar prioridade às alimariazinhas que sofrem, mais dignos de piedade e socorro urgente não serão, bem mais que os bovinos cornúpetos, os otários contribuintes (sobretudo quando acumulam com assalariados)? Abolição por abolição, não seria imensamente mais profícuo acabar com as corridas de otários às urnas, às portagens, às bilheteiras e demais manjedouras de estupefacção e da lobotomia suavizada?
E quem nos garante que os mesmos que elegeram esta besta rigorosamente destituída de ideias (geminada por partogénese fecal da anterior) que nos atormenta, não acabam a eleger uma ideia qualquer peregrina que lhes lustre ao aleive? E depois o (des) governo faz o quê com ideia? Faz o mesmo que fez ao ror de ideias, cada qual mais milagreira que a anterior, com que se apresentou a votos: manda-a para a retrete. Que é o que trinta anos de desgovernos têm andado a fazer aos respectivos programas eleitorais. A seriedade deste tipo de "ideias simples"? Nula, zero, nenhuma. Puro arrelvamento propagandulo.  Enfim, mais do mesmo. Ao animal feroz sucedeu um coelho ilusionista. O circo continua.

PS: Mas a peste não se confina ao nosso território. Alastra pela Europa que nem praga de gafanhotos legisladeiros... Cá ainda vamos nos bois. Lá já estão de roda das galinhas:

«A Comissão Europeia abriu hoje um processo de infração contra 13 Estados-membros, incluindo Portugal, pelo atraso na aplicação da legislação sobre as gaiolas das galinhas poedeiras, que deveria estar em vigor desde dia 1.»



 



A 5ª Lei da Ratafísica (rep)



Antes de publicar a 6ª Lei da Ratafísica Desantropológica, convém recordar a 5ª  Lei da mesma ciência.
  
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- Então? Não corremos mais, agora?...

- Não, agora caímos.

- Então, mas se não corremos não existimos. Não foste tu que estipulaste o dromo-cogito, ou seja, o "corro, logo existo"? Afinal, em que é que ficamos? Desistimos (que é como quem diz: "des-existimos")?...

- Além de estúpido, crónico, tens acessos de burrice, aguda! As regras têm excepções. Esta é uma delas. Quando se cai, não se corre. Neste momento não corremos porque estamos em queda livre e quando se está em queda livre a corrida torna-se redundante e dispensável!...

- Ah, portanto, despenhamo-nos. Quer dizer, caímos num enormíssimo buraco, cratera, falésia ou abismo. É isso?

- Não, pá. Chama-se uma crise. Estamos a precipitar-nos por uma crise abaixo. Uma situação excepcional e complexa que não adianta explicar-te. Jamais entenderias.

- Mas assim, vista por dentro, deixa que te diga: parece um grande buraco. Poderá chamar-se crise, não discuto, mas é da cor dos poços imensos, tenebrosos. Todas estas trevas à nossa volta... mais parece que vamos pelo cano do infinito abaixo!... estou pasmado.

- Isso é porque estás a cair às cegas. Não compreendes. Ciclicamente, há quedas!...

- Foi pena que não te lembrasses disso antes de cairmos. Nós corríamos, num tal galope, como se nada mais houvesse, então e para todo o sempre, senão corrida e mais corrida!

- Se fossem previsíveis, as crises, não seriam crises. Nem teriam piada. A piada toda está em sermos surpreendidos por elas. É como nos filmes de terror! Toda uma volúpia do suspense, do frisson, do stress. Sem as crises, caía-se na monotonia!...

- Ah, finalmente, percebo: toda aquela correria era para nos despenhar-nos na crise!... Por conseguinte, "corro, logo existo, ou seja, vou prá crise." E, por outro lado, a queda na crise é boa porque é para nos salvar da queda má: caímos na crise para não cairmos na monotonia.

- Mais ou menos isso. A finalidade da corrida é a queda. Corremos para cair.

- Bem, então está alcançado o objectivo. Deveríamos comemorar. Todavia, estranhamente, toda esta escuridão está repleta de choro e ai Jesus-Deus nos acuda!... Em vez duma festa, mais parece um velório. Dir-se-ia que a surpresa não lhes agradou assim tanto.

- É porque são como tu: caem às cegas! De olhos fechados ou vendados.

- Bem, mas há uma certa lógica nisso, não?...

- Como assim?

- Então, uma vez que corriam às cegas, é natural que caiam da mesma maneira.

- Nem por sombras! Tu cais às cegas mas não corrias às cegas por uma razão muito óbvia e simples...

- Ah sim, qual é?

- Corrias atrás de mim. Logo não corrias às cegas: corrias atrás de mim.

- Bem, então eu corria doidamente, atrás de ti, é um facto. Tu é que corrias às cegas.

- Não eu também não corria às cegas: eu corria atrás deles.

- Óptimo, acho que percebo. Então ambos corríamos feitos doidos, eu atrás de ti e tu atrás deles: eles é que corriam às cegas.

- Nada disso. Eles corriam à nossa frente, nós corríamos atrás deles. E nós corríamos atrás deles precisamente porque eles corriam mais avançados que nós. Tornava-se impossível, portanto, não correr atrás deles. Já que eles corriam à nossa frente.

- Enfim, para não cairmos na monotonia, além da crise, caímos também na tautologia! Mas se ninguém corria às cegas, como é que agora um ror de gente cai às cegas?

- Pela mesma razão que tu cais às cegas embora não corresses às cegas: porque já não cais atrás de mim, mas à minha frente.

- Olha...pois é! Mal desatámos a cair, deixaste de estar à minha frente para passares logo para trás de mim.

- Pois, porque na queda as posições da corrida invertem-se, necessariamente. O mais avançado deixa de estar à frente para passar a estar detrás, ou seja, por cima. E o mais atrasado chega-se à frente, isto é, cai mais depressa, de modo a servir, entre outras coisas, de almofada, quando se bater no fundo.

- Muito bem, corríamos então para isto - para cair. E quando acabarmos de cair, quando batermos no fundo, o que é que fazemos?
- Batermos não: bateres. Tu é que bates no fundo; eu bato em cima de ti. Depois disso, é simples: corremos outra vez. Corremos para cair e caímos para correr de novo, é a lei das coisas. Tu, atrás de mim; e eu, à tua frente. Até à próxima crise.
- Francamente, não percebo porque é que depois desta crise não hei-de eu correr à frente. Até estou a ganhar uma certa perícia por aqui abaixo!... Só é pena esta escuridão toda que não deixa ver nada.

- Não podes correr à frente porque és um cegueta. Não terias discernimento para escolher atrás de quem é que haveríamos de correr, de modo a caírmos na crise e não na monotonia! Só eu possuo essa faculdade. Herdei-a dos meus pais, que a herdaram dos pais deles e por aí fora. Ou então comprei-a, vai dar ao mesmo. Seja como for, há prerrogativas que são pessoais e intransmissíveis. As ideias, por exemplo.

- Ah, pronto. Se assim é... Entretanto, quanto tempo é que vamos estar a cair, fazes alguma ideia?...
- Aí não há problema. Logo que iniciámos a queda, comecei de imediato a elaborar um cálculo exacto, complexo e meticuloso. A todo o momento estabeleço uma estimativa quase perfeita, que burilo, transmito e aperfeiçoo no instante seguinte!...
- Fico muito feliz. É bom saber que os mesmos que não foram capazes de prever minimamente o abismo, se sentem, em contrapartida, plenamente aptos para calcular a fundura e a duração do despenhamento. Despencados pela falésia abaixo é que se acham em excelentes condições para lhe adivinhar as medidas!...

5º Lei da Ratafísica Desantropológica: A finalidade da corrida é a liberdade. Através da queda.

domingo, janeiro 22, 2012

Balanço e (ajuste de) Contas. - I



O ano transacto foi pródigo em episódios  múltiplos, que oscilaram garridamente entre o caricato e o deplorável. O caso do vídeo dos americoisos a urinarem ufanamente em inimigos defuntos escapou, porém,  a essa lúgubre fatalidade. Comprova como nalgumas áreas da civilização sempre vão acontecendo sérios progressos. Nem pensem que brinco. Não há muito tempo, os americanos, com desenvoltura análoga, nem sequer esperavam que eles morressem.!... 
Abu não-sei-quantos, lembram-se?...

sábado, janeiro 21, 2012

Re-enter the Dragon



Há duas coisas, pelo menos, em que os chineses nos ganham de abada: a medicina e a astrologia. Ultimamente, parece que também na economia, mas isso não vem agora ao caso. O certo é que, segundo a astrologia chinesa, essa venerável e milenar sabedoria, termina hoje o ano do Coelho e inicia-se amanhã o ano do Dragão. Bem a propósito, convenhamos. Tratarei de agir em conformidade.
Assim, declaro solenemente encerrada a minha licença blogo-sabática. A bordoada - melhor dizendo: o churrasco - segue dentro de momentos. Há que aproveitar, tanto quanto o sorriso dos astros, a bênção dos planetas! Ou não nos ensinassem eles as virtudes da visão superior: a de cima... Lá muito de cima!


quinta-feira, novembro 24, 2011

Joint Desventure

Não sei qual será mais deprimente e penoso de assistir (e padecer) para o comum dos portugueses: se o ser tão alarvemente atacado por esta esquerda disfarçada de direita, se o ser tão javardamente  defendido por esta esquerda mascarada de esquerda. O certo é que sob o garrote da finança ou debaixo da canga da súcia, a economia real do país lá desliza pastosamente pelo esgoto abaixo.

segunda-feira, novembro 21, 2011

Deste, já posso dizer o que disse do anterior sem errar muito

A demissão do actual governo não é, em bom rigor, um caso de política, como se pretende fazer crer: é um caso de polícia. Mas não apenas do actual - o precedente, mais o precedente do precedente, a somar ao seu antecessor e a culminar, em retroactivo, ao Kavaquistão (já para não falar nos anteriores) - todos eles foram casos de polícia. O estado actual das contas públicas atesta-o soberanamente. O estado actual do património nacional revela-o às escâncaras. O estado actual comatoso do ex-Estado português brada-o aos quatro ventos!
Aliás, nem caso, nem crise - política? Rigorosamente nenhuma. Apenas de polícia.

Aliás, os putativos políticos outra coisa não fazem, nem têm feito ao longo destes anos, que convocar a polícia. Esta, porém, assim como a política genuína, séria, consequente, não se avista nem comparece. A nossa desgraça, por isso germina e floresce dessa dupla ausência: de política e de polícia. Tanto quanto do excesso galopante, triunfante e imperador dos seus contrários. Se apenas nos faltasse a política, mas nos acudisse a polícia, ao menos ainda haveria esperança. Ou se nos desfalcasse a polícia, mas nos valesse a política, sempre se poderia emendar o desfalque. Mas assim não. Sem política nem polícia, penamos sem esperança nem emenda. Sem política nem polícia, ficamos à mercê da contrafacção mixordeira de ambas, reféns sob inapelável sequestro do capricho, do apetite, em suma, da venalidade aleivosa de falsos políticos e falsos polícias. Falsos políticos que não nos representam por inteiro, mas apenas nos nossos defeitos e desqualificações; que não nos estimulam para nada, a não ser naquilo que temos de mais baixo e desprezível; que não nos guiam a lado nenhum, a não ser no caminho para o estrangeiro, para a servidão e para a penúria. Falsos polícias que não nos defendem, nem protegem; que não guardam nem investigam. Mas apenas defendem, e protegem, e guardam pretorianamente a falsa política. Mas apenas acolitam à missa negra onde o erário e a fazenda pública são imolados, sem dó nem piedade, aos ídolos tenebrosos da situação. Mas apenas zelam pela tranquilidade do latrocínio instituído e pela segurança comilona do cancro transplantado. Da falsa democracia, da falsa política e da falsa administração, que não servem à polis nem aos seus cidadãos, mas apenas se servem - abusiva e ferozmente - deles. Donde resulta um estado hipertrofiado e autofágico que devora o país; administrações burgessas e africanizadas que se locupletam e refastelam nas empresas; militares castrados e obedientes com mais amor à promoção do que à Pátria; e uma miríade de palradores, mais ou menos escritos, publicados e embrulhados, desatados e untados numa vaselina multiusos de importação, para lubrificar o mega-supositório (mais ou menos instantâneo, mais ou menos recorrente) com que se auto-empalam e, simultaneamente, com o maior escarcéu e espavento possíveis, se expõem à curiosidade pública e à estupefacção do incauto. Afinal, nada como o enxame da falsa informação para nos atestar dos poderes estupefacientes da contrafacção.

Em resumo, não nos promove nem melhora a falsa política: esbulha-nos, desanima-nos e confisca-nos sòmente;. Como não nos defende a falsa polícia: vigia-nos e ameaça-nos apenas. Não sendo política, de todo, a crise, é, sobretudo e até mais que moral, existencial. A questão íntima que se coloca doravante a Portugal, depois da abdicação forçada de império, é saber se se resigna a esta Liliput rilhafolesca em que pretendem interná-lo.

Seremos, infelizmente, tudo isto que nos torpedeia, intoxica e auto-mutila; mas não somos apenas isto. Nem podemos consentir que nos reduzam a tal. Sob pena de mais valer um maremoto ou super-furacão que nos varra duma vez por todas da face do planeta. Sempre era mais digno e meritório ser varrido pelo Mãe Natureza do que por uma chusma coleoptérica e concertada de burocratas, moços de frete, macacos de imitação e parasitas profissionais. Disse.





Balde de minhocas

O fóssil Soares manifestou-se preocupado com as perspectivas futuras da democracia. Por um lado, é enternecedor: um pai que vive do proxenetismo da filha  a angustiar-se muito com a falência técxnica desta. Por outro, é empolgante:  assistir ao despique frenético entre superstições: duma banda os da democracia; da outra, em tandem vertiginoso, os do mercado.
Como corolário, atente-se  no significativo detalhe: as guerras míticas, na antiguidade, exigiam para ignição o sacrifício de virgens; os apaziguamentos dos ídolos míticos, no presente, requerem a imolação de rameiras. Digam lá que não há todo um perfeito sentido e uma força de equilíbrio no mundo!...

sexta-feira, novembro 04, 2011

Dilema, uma palavra genuinamente grega

Segundo garantem os papagaios de serviço,  é o caos global se os gregos saírem. Ou é o caos na Grécia se os gregos ficarem. Teria imensa piada, e seria de elementar justiça, ir perguntar aos gregos o que é que preferem. Eu, no lugar deles, nem hesitava. A bem da higiene, o mundo agradecia.

quarta-feira, novembro 02, 2011

Superstições de conveniência

Lendo isto:
«Líder mundial de banqueiros não perdoa dívida portuguesa»
avassala-me uma tremenda perplexidade... Mas afinal não eram os Mercados, essas destilarias inefáveis, os nossos sublimes credores?

Mas que Ixionismo vem a ser este?


quarta-feira, outubro 26, 2011

Da intrusão profissional

Claramente preocupada com os tempos sombrios que se avizinham, uma idosa senhora inquiriu-me sobre como proteger-se de eventuais larápios. Talvez reforçando as portas e janelas, alvitrou. 
"Sim, respondi, essa será uma medida que, com grande grau de probabilidade, a porá a salvo dos ladrões menos perigosos.
" Ah, espantou-se ela, então e os mais malfazejos e ferozes? "
"São os profissionais, minha senhora. Esses entram-lhe em casa a qualquer hora, sem passar por porta nem janela."
"Mas entram por onde, então?"
"Ora, é fácil: entram pela televisão."

terça-feira, outubro 18, 2011

Vão acabar connosco se não acabarmos com eles

O que venho expondo em termos histórico-filosóficos não é fruto de delírio. Não que eu não cultive os meus delírios e fantasias, como toda a gente, mas porque pode ser facilmente comprovado, por qualquer ser medianamente inteligente e não auto-lobotomizado, na realidade circundante. Querem uma tradução nesta, e no nosso caso nacional específico, do que ficou exposto?
Basta recordar o que, já em Setembro de 2007, aqui ficou publicado (e, pelos vistos, profetizado). Intitulava-se "A Disfunção Pública". Nunca será demais reler  e rezava assim:


Fala-se muito em desembaraçar o Estado do seu número excessivo de funcionários. Ainda há dias, na entrevista à RTP, o ministro das Finanças apregoava não sei quantas centenas de funcionários em rampa de lançamento para um qualquer limbo ou aterro sanitário.


É evidente que o Estado, na medida em que se tornou refém de seitas e receitas partidárias (e não só), descambou numa espécie de cancro maior da Nação. Brada aos céus de escândalo a quantidade de mamíferos que por lá se recreia e locupleta. Mas, a bem do rigor, convém que sejamos sérios na análise destes problemas. Por isso mesmo, compete que se diga, com toda a clareza, que se há algo excessivo no Estado Português, e há, esse excesso, essa demasia não reside certamente no número de funcionários. Pelo contrário, os funcionários, tal qual o país, são poucos para tamanho Estado. Relembro até que no tempo em que ainda existia um Império para administrar, o Estado era menos de um quinto do que é actualmente. O País diminuiu, mas o Estado aumentou. Significa que o Estado vive a parasitar a Nação. Essa, de resto, é uma lei antiga e fatal em toda a parte do mundo, só que entre nós ganhou foros de regabofe épico. Porém, repito, e por estranho que pareça, não são os funcionários do Estado os responsáveis por tão descomedida voragem. Acreditem, espantem-se, arrepiem-se, façam como entenderem, mas não são. Querem a demonstração? Aí vai.
Os funcionários do Estado, efectivamente, são poucos: os disfuncionários é que são muitos. Este detalhe é sistematicamente escamoteado. E não devia. Pelo contrário, devia constituir ponto de partida para toda e qualquer diagnóstico sério da epidemia. Como é bom de ver, existe a Função Pública e existe a Disfunção Pública. O país está todo ele disfuncional porque o peso da Disfunção Pública é esmagador em relação à sua congénere. Querem exemplos?


Na educação (que é igual à Saúde, à Justiça, etc): lá estão os funcionários - os professores e os contínuos; e lá estão os disfuncionários - os administradores, os burrocratas do ministérios, a pandilha das DREs, os sindicalistas, os inspectores da pevide, etc. Os professores - isto é, os funcionários - padecem concursos, suportam nomadizações, aturam os educandos das televisões e dos futebóis (e na hora de tocar píveas aos orçamento, vão de charola para o desemprego, ou nem de lá escapam); os disfuncionários ninguém sabe como ali vão parar, mas, uma vez lá catrafilados, uma coisa é sabida: nunca mais de lá saem. A missão dos disfuncionários é impedir que os funcionários funcionem. Quanto pior os funcionários funcionem, ou seja, quanto melhor disfuncionem, mais disfuncionários são precisos para analisar, perceber e engenhar soluções para a disfunção dos funcionários. Invariavelmente, os disfuncionários, após grandes marchas e serões forçados, autênticas maratonas de fazer corar um kafka, descobrem que há funcionários a mais. A coisa não está a disfuncionar como deveria e inicialmente era previsto (por eles, naturalmente). É preciso espiolhar, avaliar e descobrir quem teima em funcionar. E pô-lo no olho da rua. A disfunção Pública só tem e cumpre um dogma inexorável: o único problema, fonte de todos os problemas, é a escassez de disfuncionários e o excesso de funcionários. Essa lei única, soberana e absoluta deriva do facto de todo o disfuncionário ter sempre um familiar, amigo ou confrade cujo contributo é imprescindível para a Disfunção Pública. Toda a Disfunção Pública será sempre pouca. Tudo isto pode parecer absurdo, mas não é: é apenas perverso.


E a perversão imbrica na mentalidade assaz cavilosa mas típica do disfuncionário: está convencido que ele é que é o funcionário e que a Função Pública é uma disfunção. Traduzindo para o concreto: o Estado não existe para servir os contribuintes; os contribuintes é que existem para servir o Estado. A escola não serve para instruir, nem educar; os tribunais não existem para ministrar a justiça; os hospitais não estão lá para zelar pela saúde dos cidadãos. Não, tudo isto existe para os disfuncionários brincarem às reformas, às experiências, às cobaias com o dinheiro e o coiro alheios -isto é: para os disfuncionários perseguirem, torturarem e sanearem os funcionários. A seguir ao 25 de Abril, faziam-no em nome da higiene política, agora fazem-no em nome da higiene económica. Não tarda muito e será em nome da higiene sexual.


Por outro lado, logo que se apanha na Disfunção Pública, o disfuncionário adquire a firme convicção que não é condignamente tratado: o dever do Estado é promovê-lo e subsidiá-lo em todos os seus caprichos e mariscadas. E ele não está ali para outra coisa. Desata pois a disfuncionar com todas as suas forças. Sabe que quanto melhor disfuncionar, tanto maiores serão as suas chances. Quando não andam a perseguir, torturar e sanear funcionários, os disfuncionários conspiram, insidiam, manobram e intentam ultrapassar-se uns aos outros. O pior, invariavelmente, vence e adquire poderes, privilégios e prorrogativas acrescidos.


De tudo isto, com é facil de calcular, resulta um panorama deveras pitoresco:


Há todo um Estadão a cavalo na Nacinha. Compõem-no um número cada vez mais reduzido de funcionários e um número sempre crescente de disfuncionários. Os disfuncionários apregoam o "estado mínimo", ou seja, um número mínimo de funcionários que sustentem laboralmente um número máximo de disfuncionários. Bem como um número máximo de contribuintes que paguem ambos, claro está. A tarefa dos funcionários é canalisar as receitas dos contribuintes para os disfuncionários e carrear as directivas e receitas destes para o país. Não há qualquer exagero em dizer que os disfuncionários são parasitas compenetrados de todo o restante dispositivo: parasitam laboralmente os funcionários e parasitam monetariamente os contribuintes. Alcançamos assim a demonstração inicialmente requerida: na verdade, o Estado não tem funcionários a mais, até tem a menos: o que tem a mais, disparatadamente, é parasitas. Consequentemente, o que qualquer governo sério precisa de reduzir, com a máxima urgência, caso pretenda impedir o fatal colapso de tamanho rilhafoles e rilha-orçamentos, é, sem sombra de dúvida, o número de parasitas, não o de funcionários.


Cito um caso emblemático e verídico: fulano X trabalha no Instituto Y. Não tem mesmo feito outra coisa na vida nos últimos 25 anos. Desunha-se todos os dias executando as tarefas de três mais a chefe e a chefe da chefe. Atura, além do som ambiente do galinheiro, os ralhetes e os humores pré-menstruais (ou pós-menopáusicos) da hierarquia. Ciclicamente, ainda contempla, a cada fim-de-mês, a passagem do cometa Z, um assessor/avençado/ou lá o que é misterioso, que só ali passa para receber a renda choruda inerente à sua condição fantástica (uma entre várias, manantes de diversos institutos, direcções e empresas). Pois bem, o Instituto Y já se desembaraçou de diversos funcionários, mas os cometas, esses, prosseguem inexpugnáveis. Cometas, plural, digo bem, porque, entretanto, de um passaram a dois. Lá vão surgindo, todo o fim-de-mês. São aos milhares, às constelações por todo esse país desgraçado. Provenientes e ioiozantes das galáxias partidárias. Dos buracos negros clientelares. Vão acabar connosco se não acabarmos com eles.


Este postal é caótico e a raiar o alucinante, mas não me culpem nem refilem comigo. Limitei-me a transcrever o mais cruamente possível a realidade duma terra lançada aos bichos.








segunda-feira, outubro 17, 2011

Moral da História





Moral da História: Páre, escute, olhe e não perca tempo com votos - um Pinóquio, de certeza, esconde sempre outro.



Nota editorial: agradecem-se as compilacinhas, respectivamente, aos blogues 31 da Armada e Aventar.

domingo, outubro 16, 2011

Para que Conste - II



Inicialmente, o Estado emerge sob o pretexto do engrandecimento (ou até construção) da nação (que se confunde quase sempre com o engrandecimento dos seus príncipes). Mas o que se verifica, passado o ídilio inaugural e os fumos da retórica, é quase sempre o paulatino engrandecimento do Estado de modo a garantir já não o engrandecimento da Nação mas da Finança e respectivo Poder. O resultado, que ciclicamente se reveste na forma de crise, é nações devoradas, desagregadas e corroídas pelos respectivos "estados" e suas lógicas intrínsecas. Este resultado é fruto duma regra universal. E digo que é universal pela simples verificação de ter acontecido invariavelmente a todas as nações.



Desde o século XVIII, duas perspectivas do Estado têm vindo a digladiar-se encarniçadamente: a utopia liberal e a utopia socialista. No essencial, não diferem: na instrumentalização desenfreada do Estado. Os liberais entendem que o Estado deve ser mero instrumento dos príncipes mercantis; os socialistas sustentam que o estado deve converter-se em absoluta ferramenta dos príncipes burocráticos (vulgo partidos ou nomenklaturas). Dito em função da propriedade, esse conceito mágico que nos dois casos omnipreside: os liberais procuram no estado o mero garante para  a preservação e cristalização da propriedade dalguns indivíduos (quanto mais predadores económicos, melhor); os socialistas servem-se do estado como meio providencial e oportuno de aquisição e acumulação de propriedade. Donde não espanta que o destino sempre fatal dos socialistas, mai-la respectiva utopia. é devirem, após estágio potestativo, liberais. Outra curiosa singularidade que os gemina é a perversão intrínseca que os habita, camufla e dirige. Principia nos próprios títulos que arvoram: liberal traduz-se na realidade e na acção por liberticida; socialista comprova-se nos efeitos e obras como socioclasta. Quer dizer, tal qual o desempenho das políticas ditas liberais conduz invariavelmente à sujeição larvar a uma  pura tirania financeira e publicitária, a prática dos preceitos e receitas ditas socialistas transporta fatalmente a  uma desagregação social, movida a polícia e propaganda,  que apenas prepara e antecipa uma "solução liberal".  No fundo, liberais e socialistas, por aparente diversidade de meios, servem o mesmo fim. Obedecem à mesma lógica... e a quem a destila. Assim, ao longo dos dois últimos séculos, estes instrumentistas do estado têm por sua vez vez servido de instrumento a algo que os utiliza, alternadamente, na paulatina, sinuosa e consecutiva dissolvência de toda e qualquer genuína liberdade e sociedade, passe a redundância. Sabemos hoje, plena e sobejamente, o real significado de "Liberdade, Igualdade e Fraternidade": "Submissão, Desigualdade e Fratricídio". Houve traição aos princípios?  Na revolução francesa, como na russa, como em todas as revoluções modernas, não pode haver traição a algo que não existe. Há e houve, isso sim, a cegueira mental, entre venal e obtusa, entre profissional e induzida, de fantasiar princípios em algo que, ausente de todos eles, apenas esbanja meios e serve fins. E quando digo fins, nem sequer subentendo concretas finezas ou reais finalidades, mas, tão sòmente, finanças.
Porque "finança", etimologicamente, revela bem da sua raiz: fin. O verbo da "finança" é o verbo "finar" - neste caso, finar-se. O finar-se e refinar-se da nossa civilização. O toque de Midas, o toque a finanças é, não duvidem, o toque a finados. De todos nós.







sábado, outubro 15, 2011

Para que conste - I




«Bailly, que passa as noites na sua comissão de abastecimento, enquanto Lafayette dá ordens às patrulhas, conhece bem a verdade. Ouviu rondar esse homem invisível que trafica nas épocas de crise: o especulador. (...)


«Em dois meses, expedem-se duzentos mil passaportes. Os nobres emigram, arruinando todo um comércio que lhes alimentava os prazeres. O dinheiro segue o mesmo caminho e o numerário torna-se raro. A desocupação é geral. Acabam a criar-se, em Paris, oficinas nacionais: as oficinas de caridade, para dar trabalho a cento e vinte mil desempregados. Nem por isso se tornam menos frequentes os ajuntamentos, que precediam os motins. Bailly confessa que se alegrava com "os dias de chuva". A situação financeira é lamentável. O deficit (um deficit que hoje nos faria rir) é de cinco milhões de libras. Os impostos são opressivos e arbitrários. O regime fiscal destrói o país, provoca o desemprego, o marasmo dos negócios, o descontentamento geral.»

Nestes trechos, Henri Robert faz-nos uma descrição sucinta do ambiente que precedeu a Revolução Francesa. Concentremo-nos, para já, na frase "o regime fiscal destrói o país". Terá acontecido então, no crepúsculo do século XVIII, mas experimentamo-lo também agora, na aurora do século XXI. Pelos vistos, repetem-se as cenas históricas, como se repetem as crises e alguns dos seus ingredientes característicos. E não deixa de ser espantoso como o "estado" dum determinado país atenta contra ele, país, e, por conseguinte, e a limite, contra si próprio. Enigma capital: o que levará um aparelho de estado ao suicídio - à cegueira de não ver que quando agride alarvemente aquilo que o sustém é a sua própria derrocada que escava? Em suma, o que é que transporta aquilo que é suposto ser uma sofisticação civilizacional, num súbito roldão, à barbárie revisitada?

Note-se que quando digo "barbárie" não quero significar apenas o tumulto asselvajado nas ruas, vulgarmente conhecido como "revolução". A revolução é apenas uma barbárie decorrente, uma prossecução, senão fatal, seguramente lógica. Não: é a barbárie inaugural, desencadeadora (e "legitimadora") de todas as outras, que sobremaneira alvejo e que se traduz, por exemplo, em fórmulas aparentemente assépticas como "regime de impostos". Quando este "regime de impostos" mais não camufla que um "esquema de metapredação", não há volta a dar, estamos de regresso à barbárie que só não é pura porque é sofisticada, que só não é selvagem porque é burocrática. Ora, um Estado que assim se coloca fora da civilização, porque atentador-mor contra a vida dos próprios povos, é um mecanismo pária, hipertrofiado e insaciável que, tanto quanto justifica, convoca à legítima defesa. Até porque um Estado que assim age não serve os interesses da sua própria comunidade nacional, mas os meros apetites de partes corruptas dela, bem como as estratégias de potências externas. Como se procede à legítima defesa? Fazendo uma revolução? A revolução é só o culminar da acção desagregadora do Estado. Chamar-lhe solução para o problema é o mesmo que confundir o colapso final dum organismo com o remédio santo da sua cura. A verdade é que não existem remédios santos, abracadabras mágicas nem panaceias instantâneas para infecções e neoplasias cuja génese decorre há séculos. Tão pouco dispomos de ciências, ainda menos históricas, com capacidade de decifração exacta e infalível (que é como quem diz, matemática) da imensidão de factores, condicionantes e incógnitas em jogo. Não é apenas mega-iludido quem assim pensa: é criminoso. E gera, regularmente, ruínas, quando não catástrofes.


O facto é que os reinos, ao descambarem em nações, contraíram o Estado Moderno como quem contrai um cancro - daqueles em forma de necrose particularmente autofágica. De resto, o Estado e o "Mercado" não poderiam ter germinado e crescido um sem o outro (isto é, sem uma circulação desembaraçada de capitais e uma protecção proficiente e estratégica das rotas e das lógicas comerciais) . Estado e Finança são inseparáveis. Entretecem-se e reforçam-se. Afinal, sempre foi preciso financiamento para exércitos e obras públicas. Só que como o Estado em relação à Nação, também a Finança começa por servir o Estado e acaba a servir-se dele. Por outras palavras, assim como a Nação desenvolve um Estado, o Estado desenvolve uma Finança. À medida que se hipertrofia o Estado, hipertrofia-se ainda mais a Finança. Necrose com necrose se paga. Quanto mais o Estado devora a Nação, mais a Finança digere o Estado. De modo que a sujeição nanificante (e nadificante) da nação a um estado descomunal agrava-se pela subserviência deste a uma Finaça desorbitada e exorbitante. E tanto assim é, e tem sucedido, que podemos hoje em dia testemunhar o nosso próprio Portugal a ser estrangulado por um Estado que a Finança traz pela trela.



terça-feira, agosto 16, 2011

O Nascimento da Besta









Sendo certo que Maquiavel é visto como um dos teorizadores do "Estado Moderno", não é menos seguro que o "Estado moderno" há muito vinha germinando na realidade concreta. Quero com isto dizer que os pensadores políticos raramente são os pais da criança. Regra geral, limitam-se a tentar compreender e conceptualizar o mundo que os embala. E mesmo aqueles mais visionários e nefelibatas (que não é exactamente o caso de Maquiavel, bem pelo contrário - mas é o de Marx), quando anelam a outros-mundos, é deste que partem, é neste que firmam e montam trampolim. Resumindo: a ideia estritamente política (e uma ideia é estritamente politica quando se esgota no mundano) nunca é fundamento nem fonte da realidade, mas mera excrescência desta, não raramente, destilado subtil ou, ainda mais frequentemente, pura mixórdia tóxica. Não espanta até por isso que tantas vezes os seus crentes se comportem como verdadeiros alcoólicos, vociferando toda a incasta série de grosseiras alarvidades ou ébrias aleivosias.




Dito isto, vamos então ao mundo e àquele que nele, em meu entender, inaugura a galeria prototípica do "estado moderno". Senhoras e senhores, Filipe IV, de França, cognominado "o Belo". Reinou entre 1285 e 1313. Só para relacionarmos no tempo: Maquiavel escreveria o seu "Príncipe" dois séculos depois; e Hobbes apenas publicaria o seu "Leviatã" passados trezentos anos. A descrição que se segue parece-me eloquente. Qualquer semelhança com a actual realidade do "estado" não é mera coincidência.




«(...) Filipe IV, "o Belo", constitui um mistério para os historiadores. Se bem que se conservasse sempre silencioso e letárgico nos bastidores da política, escolheu consistentemente ministros ousados e agressivos, que fizeram tudo para exaltar a coroa, imprimindo uma marca indelével na história da França e da Europa. (...) Esses ministros, que o rei apoiava em todas as circunstâncias, eram quase todos juristas do Midi, homens muito aptos e completamente destituídos de escrúpulos, que não respeitavam outra lei que não a da lealdade ao seu senhor, e que dependiam inteiramente do favor do rei. (...)
«Filipe e os seu ministros eram hábeis na arte da propaganda, recorrendo agora a esses talentos de forma muito arguta, se bem que pouco escruppulosa. Insistiram com vigor na independência da coroa francesa o que ia ao encontro do sentimento nacional e agradava também a um anti-clericalismo nascente - (nota: independência moral do rei em relação ao Papa e dispensa consequente dos serviços vicariais deste: o rei passa a representar directamente Deus, tornando-se o real capricho emanação incontestável da "vontade celeste" - e registem que Henrique VIII de Inglaterra só copiará este precedente dois séculos adiante. Mas mais gritante ainda: a dependência moral do rei ao representante legítimo de Cristo na terra, após as manobras de Filipe e dos seus ministros - através da eleição manipulada dum papa francês e dum colégio de cardeais quase todo gaulês-, converteu-se em sujeição política do papado ao rei de França) -.



(...)«O efeito de todos esses conflitos e das grandes despesas por eles ocasionadas sobre as finanças de Filipe foi porém desastroso. Os rendimentos feudais que o costume atribuía ao rei eram francamente insuficientes para cobrir as despesas. Foram pois reforçados por suplementares por levas ocasionais, que se tornaram permanentes, e pelo lançamento de novos impostos. O clero era frequentemente obrigado ao pagamento de dízimas, apesar da resistência oferecida por Bonifácio VIII. Os nobres tinham de pagar pesadas taxas militares, em substituição da prestação do serviço militar obrigatório. Em 1292 foi lançado um novo imposto sobre todas as vendas (nota: um proto-IVA?), que incidia sobre produtos de primeira necessidade, como o trigo, o vinho e o sal, e que se tornou permanente. Como tudo isso não fosse ainda suficiente, o rei contraiu grandes empréstimos junto de banqueiros italianos e franceses. Filipe adquiriu a reputação de ser um "moedeiro falso", pois recorreu frequentemente à prática da desvalorização da moeda, com algum lucro imediato para a coroa e grande prejuízo a longo prazo para os seus súbditos. Quando por duas vezes (1306, 1313) causou igualmente grandes prejuízos ao reino, atrapalhando os negócios. Era impossível encher a bolsa cronicamente vazia do rei, e nem mesmo os expedientes mais desesperados resultaram. Em 1306 os judeus foram expulsos do reino, em 1307 o rei apoderou-se dos bens dos Templários, em 1311 foram igualmente expulsos os banqueiros italianos do rei. Os bens das vítimas de tais medidas eram imediatamente confiscados, e os seus credores passavam a sê-lo do rei (nota: proto-nacionalizações?).»
- in "História da Idade Média", de C.W. Previté-Orton




Uma nota final: onde se lê "coroa"ou "rei", julgo não errar muito se disser que, pela primeira vez, pode começar a ler-se "estado". "Estado" no sentido desse mesmo "estado" que hoje nos mastiga e regurgita e que, como avisou certo filósofo, "acaso exista ainda um povo, esse nada compreende do Estado e odeia-o como ao mau olhado, como a um pecado contra a moral e o direito.»



O povo, devo reconhecê-lo, duvido que exista. Restam alguns fragmentos... Indivíduos.


quarta-feira, agosto 10, 2011

É o paradigma, estúpido!












Toda esta anarquia tumultuária que irrompeu subitamente lá pela ilha dos Doidos, além de não me comover grande coisa, não me espantou minimamente. Parece-me até uma pura consequência lógica dum fenómeno muito simples (e dispenso já vossências de todas essas antropologias e sociologias mais ou menos sonsas, velhacas ou meramente imbecis - que vão desde o coitadinhismo da praxe até ao armagedorrão da civilizacinha ). A verdade parece-me bam mais prosaica e resume-se ao seguinte: houve uma mudança de paradigma. Cá está, vêem?, a palavra mágica: paradigma. Em caso de dúvida não há que enganar: a culpa é sempre do paradigma ( esse primo pato-bravo do arquétipo). O paradigma anterior consistia em o Estado, com aquela magnanimidade pilhantrópica que o caracteriza, espoliar, pilhar e pelas formas mais incríveis extorquir as pessoas comuns (os otários que trabalham por príncipio ou mera ocupação quotidiana) para distribuir à escumalha supra e infra. Agora, no novo paradigma, o Estado aumentou cinicamente o espólio, mas só trata da distribuição pela camada supra - a camada infra que se desenrasque. Ou seja, que vá cobrar directamente às pessoas. Ora, foi isso que eles fizeram e que a ternura conivente das autoridades, às escâncaras, tanto quanto atestar, abençoou. Não se trata apenas de mera incompetência ostensiva ou pusilanimidade entranhada: é premeditação mesmo. Não há outra explicação possível. Para o Estado, reparem bem, é uma triplo-win situation, se assim me posso exprimir (posso? Não se importam?...} Por um lado descomprime as tensões sempre nefastas e imprevisíveis na escumalha infra; por outro, desvia de si e da escumalha supra sua mentora (leiam: mentecaptora) o protesto sempre indesejável e maçador dos infras e demais lumpanagem mais ou menos ocasional; finalmente, e como corolário mavioso de ambas as alíneas anteriores, lança as pessoas comuns numa mistificação ainda maior e mais proveitosa, convencendo-as da necessidade de mais investimento em maior protecção e segurança, ou melhor dizendo e traduzindo, da implementação dos poderes e prerrogativas do Estado para espoliar, controlar e manipular a seu bel-prazer as pessoas comuns.
Estas, entretanto, a duras penas e por constrangimento das próprias emergências, lá vão aprendendo qualquer coisa. Em Inglaterra já aprenderam um quesito básico: que têm que ser elas a unir-se, armar-se e organizar-se para se defenderem da escumalha infra. Darão um passo de gigante para o futuro da civilização e da humanidade, quando perceberem que é exactamente isso que têm que fazer para se defenderem do Estado e da escumalha supra que por lá, cronicamente, se recreia e refastela.








sexta-feira, agosto 05, 2011

terça-feira, julho 19, 2011

Trabalhar pró bronze

Segundo vou percebendo, parece que o nosso problema se resume a dois factores principais: temos uma economia podutiva demasiado débil para podermos competir com o Primeiro Mundo e uma moeda demasiado forte para podermos competir com o Terceiro. Restar-nos-à, então, e se tanto, peregrinar Fátima e rogar por um super-milagre. Todavia, se pensarmos que o processo de adesão à CEE consistiu essencialmente na aquisição duma moeda forte e no desmantelamento do sistema produtivo, é caso para perguntar porque é que o mesmo sujeito que se proclamou "bom aluno" durante a fase épica, agora, chegado à fase trágica, desate a reclamar pela desvalorização da moeda. O facto de ele ter desvalorizado o país dele com uma perna às costas (fruto da leviandade típica dos bimbos, toinos e pato-bravedo em geral) não implica que os outros (os alemães, entenda-se) se sintam no dever alucinado -e ao retardador - de se entregarem a equivalentes impulsos suicidas.


Os teutónicos, no fundo (e em fundos vultuosos), pagaram para que Portugal acabasse o suicídio colectivo que principiara com a debandada ultramarina. Os portugueses (enfim, aquilo que, em forma de verme, se faz passar por eles), aceitaram alegremente. Quiseram ver na vaselina bronzeador. Pois agora de que se queixam? Bezuntem-se!


Quem se vende ao suicídio não pode depois regatear sacrifícios. Quem não tem dó nem piedade de si próprio como pode sequer rogar que os outros tenham?



PS: Já agora, vale a pena transcrever a definição de vaselina, segundo a Desciclopédia:

- Vaselina é um produto lubrificante usado na medicina e na pornografia. Serve para evitar atrito entre as partes envolvidas no processo.



quinta-feira, julho 07, 2011

Sacrifícios humanos, já!




Se bem interpreto e compreendo, as agências de rating lixaram (literalmente) o não sei quê da Dívida portuguesa porque o recém-eleito governo da Dívida Portuguesa teima em não cumprir à risca os devaneios coquetes e as obsessões sexuais dos caga-postas de plantão ao Blasfémias. É isto, não é?


E enquanto não se proceder, de emergência e aflição, à privatização mágica da RTP, o torniquete não se alivia e só podemos esperar o pior.


Começo a acreditar seriamente em sacrifícios humanos... Para apaziguamento da ira de deuses tenebrosos - que é como quem diz: dos mercados - bem entendido. Mas sacrifícios humanos mesmo, à moda antiga, com facalhões e virgens alucinadas. No vertente caso, a receita até era fácil: pegava-se no João Miranda, pelas orelhas de preferência, e após esquartejamento paulatino e esfola rigorosa, procedia-se ao competente holocausto ritual. Imprescindível, o holocausto, caros compatriotas. Porque, como a própria etimologia indica, em se tratando de deuses moradores no negrume das trevas, a queima da vítima tem que ser total. Daí o "holo" (no grego, "todo") em prefixo do "kausto" (no grego, "queima"). Aliás, o que distingue os deuses tenebrosos dos outros, os luminosos, é precisamente o grau de exigência: estes, os clarinhos, contentam-se com uma parte ou percentagem do sacrifício; aqueles, os aterradores, exigem o sacrifício completo.


Entretanto, que o churrasco integral duma única virgem alucinada os satisfaça, isso já é outra questão. Estou em crer que seja coisa para os sossegar por um dia ou dois. O que já não será mau. Depois, por muito que lhes sobre e reincida o apetite, a nós, seguramente, não nos faltarão as virgens. Nem todas, é certo, acumularão a castidade sexual com a noética, mas quanto à segunda, pelo menos, é uma farturinha! Podemos ficar tranquilos.




terça-feira, julho 05, 2011

Os imarcescíveis abortos

Durante o Prec abrilino, os mais frenéticos e raivosos, mais ainda que os comunistas propriamente ditos, eram os super-comunistas, os comunistas ML, maoístas GT e outras varas suínícolas que tais. A extrema esquerda, enfim. Essa nhanha bestialmente ruidosa, pois. Guincharam, guincharam e cuincharam muito, enquanto convinha guinchar (ou seja, até Novembro de 1975) e depois debandaram sofregamente pelas manjedouras da situação, instantaneamente convertidos à lavagem e ao farelo do mercado supimpa e do capitalismo catita. Revolucionários da farinha Amparo, ei-los, por arte de geminoso dia-prá-noite, direitistas de ocasião, em patrocínio do Omo lava mais branco. O guincho suavizou-se e deveio grunhido - gorjeio cavo de quem fuça e se refastela na mixórdia. Naquela época juvenil o seu fetichismo panaceico consistia em tudo nacionalizar. Tudo se resolveria nesse passe mágico. O seu equivalente actual são estes ultra-liberais de vão-de-blogue. Acreditam, com a mesma pia retrete, que tudo só pode resolver-se com a privatização desenfreada. É só a aparência que os distingue e opõe. Na essência, são a perfeita réplica uns dos outros. Sobretudo, anima-os o mesmo desamor, a mesma aleivosia despudorada, a franca e venenosa hostilidade à terra e ao povo que, em tão amarga hora para ambos, os viram nascer.

sábado, julho 02, 2011

Entrevista com a Esfinge - III

«Porque agia dentro de uma Constituição que sempre procurei respeitar, e por convicção própria, mantive, portanto, o Estado Corporativo. Mas lancei, poucos dias depois de tomar posse do governo, a fórmula do Estado Social a fim de acentuar o conteúdo da política que me propunha seguir.

Esta fórmula é, há bastantes anos, corrente na literatura da ciência política por esse mundo publicada e foi consagrada nalgumas constituições, designadamente na da República Federal Alemã.

O sentido que lhe dei na curta alocução proferida em 10 de Outubro de 1968 ao receber os presidentes das corporações foi o de - "um poder político que insere nos seus fins essenciais o progresso moral, cultural e material da colectividade que, pela valorização dos indivíduos e pela repartição justa das riquezas, encurte distâncias e dignifique o trabalho". E meses depois, por ocasião da apoteótica visita ao Porto, em 21 de Maio de 1969, voltava, no discurso proferido da varanda dos Paços do Concelho, a proclamar um Estado Social, mas não socialista.
(...)
O que importa já não é tanto afirmar a soberania do indivíduo na sociedade, como proporcionar a cada um a base material e culturalnecessária para poder ser cidadão participante e consciente na vida pública.

Por isso, hoje, nos contactos com a massa popular, aquilo que esta solicita aos governantes não é mais liberdade - mas preços equilibrados com os salários, casas decentes, educação acessível, previdência social eficaz com boa assistência médica na doença e pensões garantidas na velhice e na invalidez.»

- Marcelo Caetano, "Depoimento"


Não é mera conversa. Marcelo Caetano, de facto, estava a promover todo um conjunto de mudanças e reformas que urdiam a conversão do Estado Corporativo num Estado Social. O país, paulatinamente, encaminhava-se para uma social democracia. Ah, mas a censura! Ah, mas a DGS!, obstar-me-ão. Pois, ó camaradas, por algum motivo a DGS não gostava de Caetano!...

Então, mas se o país seguia placidamente a caminho do modelo europeu de sociedade, porque raio se deu o 25 de Abril? Para democratizar e desenvolver o país? Mas se ele se ia suavizando politicamente a olhos vistos, e crescendo economicamente a coisa de 4 ou 5% ao ano (e isto apesar duma guerra em três frentes) - ou seja, se ele estava a enriquecer a um ritmo efectivo e inaudito nos últimos dois séculos - para que (ou a quem) servia (e serviu) a golpada?

Pois, lá está, é que Marcelo Caetano, se divergia de Salazar na Política Interna, e deu provas eloquentes disso, em contrapartida, coincidia no essencial da Política Externa. E isso é que era imperdoável para as grandes potências e respectivas marionetes domésticas. Tivesse ele mantido o chicote interno, mas abdicado da rédea ultramarina e ainda hoje, se fosse vivo, estaria em São Bento.

sexta-feira, julho 01, 2011

Entrevista com a Esfinge - II

Bona, 14 de Setembro de 1966...


«Recepção de Schroeder num hotel sobranceiro ao Reno. Está a alta-roda da política, dfa finança e da economia da Alemanha federal: Abs, Fritz Berg, von Bohlen und Harald, Sohl, Mommsen, outros ainda. (...) Ao contrário do que se poderia pensar, a atmosfera é alegre, leve, com o humor teutónico; e conversa-se francamente, sem rodeios, sendo particularmente explícitos os homens da economia e da indústria. Que síntese posso fazer do que ouvi? Notei forte sentimento antiamericano e antibritânico, muito mais do que anti-francês; há uma clara obsessão com o Mercado Comum, e com as relações deste com a EFTA, devendo ser objectivo da Alemanha realizar através da Comunidade Económica Europeia o que Hitler não pôde alcançar pela força das armas; preocupação com a Nato; e uma nítida e apurada consciência da força actual da Alemanha.»
- Franco Nogueira, "Um político confessa-se (Diário: 1960-1968)"




Mirem-se no exemplo

daqueles milhares de Atenas...