quinta-feira, outubro 19, 2006

Lusofagia



Algures em Espanha, 9 de Dezembro de 1967...
«Depois, faço escorregar a conversa para o iberismo, para a obsessão constante da Espanha, através de séculos e séculos, em anexar Portugal, e que pressinto hoje tão viva como sempre. Muñoz-Grandes, pessoalmente um amigo e homem íntegro, reconhece que é assim. Comenta com óbvia franqueza: "Eu lhe digo. Há, em relação a Portugal, duas classes de espanhóis. Há os que querem a integração, a anexação, o desaparecimento político de Portugal, e isso quase imediatamente, e por quaisquer meios que forem necessários. E há os que desejam o mesmo objectivo, mas a conseguir gradualmente, em cinquenta ou setenta anos. Os primeiros são cerca de 90%, os segundos formam os restantes 10%. Isto faz parte da alma espanhola, não vejo como modificá-lo". E o capitão-general acrescenta muito seriamente, e com óbvia sinceridade, carregando no peito com a mão direita espalmada: "Acredite, eu faço parte dos dez por cento, não quero violências, tudo em amizade". Digo ao velho oficial que não duvido da sua franqueza sincera; mas peço-lhe que acredite também que o povo português não quer a união ibérica nem em cinquenta anos, nem em setenta, nem jamais.»

- Franco Nogueira, "Diário: 1960-1968"


Parece-me que estava a ser optimista, o Franco Nogueira. Ainda há dias, a propósito desta balbúrdia das maternidades, uma flausina qualquer de Elvas, que acabava de parir em Badajoz, desvanecia-se toda e bacorejava de volúpia com a qualidade do serviço.
Curiosamente, em 30 de Maio de 1961, já Benjamin Welles, correspondente do New York Times em Madrid e Lisboa, dizia a Franco Nogueira que a "Opus Dei preparava a sucessão de Franco (...) e, quanto a Portugal, era aguerridamente imperialista e iberista."
Bate certo. Os últimos anos, então, têm-no confirmado à evidência.

3 comentários:

F. Santos disse...

É verdade, caro Dragão, mas hoje diz-se que Franco Nogueira era um exagerado, um paranóico anti-espanhol, etc., quando do vizinho do lado pende, como dizia FN, a "ameaça permanente".

dragão disse...

Sim, e Nuno Álvares Pereira, esse então, era um psicopata. :O)

Warsalorg disse...

Tanto sangue suor e lagrimas para quê afinal? Para agora nos chamarmos Espanha? Agora é tarde para iberismos...