sexta-feira, novembro 04, 2005

How low can you go, Lowlander?

A propósito do postal "Teoria da Conspiração ou Da Novigalinha ao Novo-Homem", onde, além dum sarcasmo em forma de ficção-científica não decorria qualquer crítica especial, e ainda menos especializada, à transgenia, o comentador Lowlander achou por bem retirar peculiares ilações e desatar em costumeiras verberações acarroceiradas. Daí a polémica que se segue...

Dizia-me então o Lowlander:
«Agora degeneras em parvoice ou estas so a brincar comigo?
Qual envenenamento?
A criacao de linhas transgenicas de galinhas tem um unico objectivo: reduzir os custos na producao de produto muito apreciado (e diga-se de passagem essencial) da populacao, a carne de ave ponto final. Tudo o resto e paranoia sua meu caro.
Ha 10 anos atras sabes quantos milhares de Euros se desperdicava por esse mundo fora a combater uma doenca animal que agora esta praticamente erradicada simplesmente pela criacao de linhas de animais resistentes ao virus? Quantos animais sofriam e morriam desta doenca?Quantos rios de dinheiro eram desperdicados em merda (que e aquilo em que se transforma o que os animais comem caso nao se transforme em proteina e musculo)?
Quantos rios de dinheiro gastos em antibioticos e quantas estirpes multirresistentes de bacterias em consequencia seleccionadas porque os animais eram muito mais sensiveis a doencas que agora se controlam com muito maior facilidade?
Se se desenvolver uma linha de galinhas resistente a Influenza Aviaria (hipotese pouco provavel por razoes que agora falta-me tempo para explicar) quantos animais nao seriam poupados a sofrimento desnecessario? Quantos rios de dinheiros poupados?
Nunca como hoje, comer carne de ave foi tao seguro, nunca como hoje os animais que tem morrer para se recolher a sua carne sofreram tao pouco (pelo menos aqui na Europa) e no entanto nunca como hoje tivemos tantas putas pudicas como o Dragao a clamarem "torcionarios da Natureza", como se:
1) fizessem a minima ideia do que essa tal "Ana Teresa" sera ou foi
2) fizessem a minima ideia do que na realidade se faz hoje a supracita
3) quais as consequencias de NAO se fazer o que se faz.
A ideia de que a Idade Media ou que os gregos e os egipcios eram uns saboes pode ser imensamente romantica mas e, ao mesmo tempo, um imenso disparate.»

Chamo a atenção que já antes, eu, humildemente, tinha pedido ao claramente etilizado comentador que se deixasse de merdas. Dado que, claramente, com empáfia, preferiu porfiar nelas, já não por um preceito de conhecimento, mas de elementar higiene, é o que se segue:



Caro Lowlander, excelentíssimo senhor,

Poupo-o à amabilidade de lhe retorquir que vá chamar "puta púdica" à maninha, à mãezinha, à priminha ou à familiar que tiver mais à mão (ou ao pé, tanto faz). Ultrapassada, assim, com estrita e proporcional elegância, esse detalhe protocolar recorrente, vamos ao que interessa...
Começo por dizer que me estou soberanamente nas tintas para os trangénicos. Se os urbano depressivos os enfiam pela goela abaixo, em forma de lixo mediático ou frango enchido à bomba, ou o Lowlander os enfia pelo cu acima convencido que isso lhe dá superpoderes ou prerrogativas clarividentes, senão mesmo voláteis, de sumidade dogmática, para mim é igual. Não gosto de interferir com fantasias alheias. Deixá-los. A eles e a si.
Já o anticlímax a que o Sapientíssimo Lowlander a todos nos sujeitou, esse, é outra conversa. Aí, eu, e julgo que todos neste tugúrio, nadamos submersos num oceano de logro e decepção. O caso não é para menos: nós aqui desvalidos, perdidos neste país atrasado, apoucado, em assembleia compungida à espera dum farol que nos alumiasse, que nos resgatasse das trevas, enfim, duma estrela da anunciação que nos conduzisse -em êxtase- a um presépio maravilhoso, prelúdio da redenção miraculosa ao virar da esquina, ao preço da uva mijona, e afinal sai-nos um artolas de cu a tremeluzir, um pirilampo mágico a apregoar a banha da cobra a saloios crédulos em Cona-da-Tia street. Ora bolas! Foda-se, ó Lowlander, somos saloios, mas não tanto.
Quer-se dizer, eu de Filosofias percebo quase nada e quanto mais leio menos percebo; de transgenias e outras metrossexualidades, então, faço questão de ignorar o mais olimpicamente possível; mas vossência, que vem aqui gabar-se de perícias, de veteranias, expertizes e outras perdizes, afinal, após uns depoimentos dessa qualidade e substância, faz exactamente o quê, aí pelos Eldorados? - Dá palha às vacas loucas? Limpa a bosta aos frangos anabolizados? Brutaliza perus renitentes à superlotação?... E nos intervalos da faena, à sucapa dos troglo-saxões, escandinabos, ou lá quem seja que lhe enche a gamela, vai armar ao fino, de pingarelho em riste, num teclado sem silabas tónicas? Vem derramar sabedorreia sobre os primos otários que ficaram cá na terrinha?!...
É que, para além do seu benfiquismo científico, dos seus urros de hooligan tecnológico, do seu ladrar erudito de cão de guarda ao quintal da indústria, nada mais se digna apresentar-nos. E nós, nós todos, ingénuos, feitos tolos, à espera que apresentasse, que dissesse, que nos instruísse. Que nos manifestasse algo mais que a sua infinita fé em quem lhe paga o salário e lhe subsidia os vícios... Mas não, batatas! Nicles! Nem fumo! O tanas!

Em resumo, depois dum tal chorrilho de rafeirices, verdadeiro mictório oferecido à chacota do passante, é caso para nos interrogarmos: o camarada Lowlander manipula genes ou esterco? Teoriza ou meteoriza?
E ainda pergunta, inchado de frescuras, se “eu degenero em parvoíce ou estou só a brincar consigo”... Como se uma catástrofe não implicasse a outra. Portanto, ao seu nível, nem uma coisa, nem outra. Sobre isso, compenetre-se: Não estou a brincar consigo; não venha você brincar comigo. Nem eu estou de bibe, nem isto é recreio impune para basófia gratuita. Se é para brincar, pegue na pilinha, na sua, e brinque com ela. Se isso não for bastante para lhe aliviar os fornicoques, e ainda teimar em vir foder o juízo aos outros no teclado, ao menos lave as mãos. Não vão as impressões de estrume que deixa no hardware denunciá-lo aos prestimosos e nem sempre distraídos patrões.
E já agora, se for mesmo lavar as mãos, faça-o de preferência em água e sabão. Porque se insistir em fazê-lo nos "rios de dinheiro" para os quais, tão ufanamente, contribui com o seu mirmitónico e merdificante labor, temo bem que a impressão de bosta deixada, além de maior, seja seguramente mais fétida e, por conseguinte, incriminadora.

Cultive-se. Ou, ao menos, calce-se, sempre que aqui entrar. Com um bom par de ferraduras.

E tenha um bom fim de semana.

Dragão


28 comentários:

MP disse...

AHAHAH :)))

zazie disse...

AHAHAHAHAHA este gajo tem um sentido de humor único ":O))))

tenho de guardar mais este. Há por aqui frases que são uma preciosidade ":O))))

josé disse...

Espero bem nunca incorrer numa qualquer ira dragoneónica. Espero bem nunca vir a ser fustigado pelos adejos palavrosos destas reboadas de impropérios acutilantes.

É bem verdade que foram pedidas com a graça que preside aos incautos que se entendem arejados nas ideias asinhas.
Mas tanto! Tanta porrada, por um punhado de prosápias quiçá justificáveis?
Assim, com estes mísseis calibrados para ideias feitas, ainda encurralas o alvo para o espelho da dúvida.
E do que nós gostamos é de verdades científicas! Teoremas inquestionáveis! Cavacos de certezas!
Não escavaques a motherlode...

nelson buiça disse...

Eu já incorri...(e o Dragão na minha)

Até que o Dragão descobriu que eu sou Highlander e uso Kilt....aí, assassinámos um armistício.

:o))

Lowlander disse...

O que? Estive eu o dia todo a tomar calmantes a espera de uma terrivel satira e sais-te com uma novela de cordel destas?
O que? Tanta verborreia para tentar demonstrar desprezo pelo je? A verborreia nao derrota o objectivo pergunto eu inocentemente?

Enfim... resumindo caro Dragao, exaltas todo inchado o teu cinismo, cepticismo e outros ismos da treta convencido que resistes a decadencia da sociedade e vai na volta mamas dos media a mesma trampa que o resto da carneirada... quando alguem te aponta a tua infantil ingenuidade ficas enxofrado... Dignificante sem duvida.

Olha vai viver para o bosque com o Jose e os ursos. Que a forca esteja convosco!

zazie disse...

com esta é que fiquei intrigada. Então o Lowlander não nos esclarece afinal em que consiste a sua suprema sabedoria?

os transgénicos devem ter uma explicação científica e estou certa que ele a tem. Só pode. Afinal de contas o Lowlander é um comuna ferrenho. Nunca abre mão de atacar o capital, a burguesia e os EUA, mas quando se chega aos galináceos muda tudo de figura.

Cá para mim só pode ser uma fé idêntica á daqueles comunas que também foram a Chernobyl logo depois do desastre. E quando regressaram da visita até apitavam no aeroporto, tal era o nível de radioactividade que traziam no lombo. Ainda assim desmentiram categoricamente. Aquilo era radioactividade comuna da boa! Perfeitamente benigna para a saúde e um bálsamo para a alma.

Não há nada como o bom e velho comunismo científico. Mesmo na emigração não perde a fé na detenção da verdade.

zazie disse...
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zazie disse...

e aqueles testes com as criancinhas? também são mentira? pura propaganda dos media? mas que media? eu estava convencida que os comunistas até gostavam de desmontar os "media" que serviam o capital dos outros que não são poderosos e servem para contar o que a propaganda Estatal não diz.

Mas isto deve ser ingenuidade minha. Afinal de contas também achei demais que tudo fosse criado pelos EUA (incluindo os vírus) mas não sei porque motivo devo considerar falsas as ligações com as grandes empresas.
Porquê? porque um pesticida é sempre bom para a saúde, seja lá qual for a multinacional que estiver por trás? porque em se não formos pelos pesticidas e transgénios ou testes em criancinhas temos de ir viver todos para o bosque? ou apanhar com esse crime terrível que é o do homem do talho que não lava as mãos quando vende carne natural mas se for para vender galinha trans-sexual até usa luvas no urinol?

C'um caraças, se eu soubesse que me pagavam para dizer isto também imigrava já hoje para terras de sua majestade

dragão disse...

Mas qual desprezo, qual enxoframento, qual carapuça!...
Decididamente, o caro (in)amigo não acerta uma. Então o lidador vai desprezar o miura de boa raça que investe com bravura?
Desprezo tenho eu, isso sim, pela cambada de bois mansos refugiados em tábuas - que nem à força de picador montado os arrancam de lá, filhos da puta -, de que esta blogosfera infelizmente está cheia, a transbordar!...
Então vou-me enxofrar quando a bengala é minha e os costados são seus?...
Eu tenho é que ficar-lhe reconhecido, ora essa, que não sou ingrato nenhum. Não fosse a sua disponibilidade ocasional e benemérita, abençoado seja, bem que me corriam os músculos riscos de atrofia e a bengala perigo de ferrugem.
Não sei se é trangénica, ó Lowlander, mas que é a minha galinha dos ovos de ouros, disso ninguém duvide.
Não se canse e ofenda você, que jamais me fatigarei ou aborrecerei eu.
Non est inventus.

ch'an disse...

aborrecer? tu a escrever pareces as luzes de uma discoteca sob efeito de lsd dragão.

dragão disse...

Um dragão psicadélico?!... :O) Não está mal visto.

Vou propor que se passe a ler o "dragoscópio" ao som do "White rabbit", dos Jefferson Airplane. Com a ligeira alteração que se segue...

One post makes you larger
And one post makes you small
And the ones that mother gives you
Don't do anything at all
Go ask Alice
When she's ten feet tall

And if you go chasing rabbits
And you know you're going to fall
Tell'em a hookah smoking caterpillar
Has given you the call
Call Alice
When she was just small

When men on the chessboard
get up and tell you where to go
And you've just had some kind of mushroom
And your mind is moving low
Go ask Alice
I think she'll know

When logic and proportion
Have fallen softly dead
And the White Knight is talking backwards
And the Red Queen's off with her head
Remember what the doormouse said:
"Feed your Head
Feed your Head!"

josé disse...

Siceramente, neste momento, não vejo outra solução senão, porrada!
Violência gera violência?
Pois gera...

Lowlander disse...

Cara Zazie,

Quem lhe disse a si que eu sou comunista ou bloquista? Tenho de admitir que fico sempre perplexo com essa sua... nem sei, e o que? Ua acusacao? Alguma especie de insulto no seu circulo de amigos? Um reflexo condicionado?
E que e uma bojarda tao ao lado que... enfim...
Nem eu alguma vez declarei a minha orientacao politica nem tenho por habito seguir directivas ideologicas de partidos...
O que acontece frequentemente e eu discordar consigo e/ou a tralha do Blasfemias, sera que e isso que faz de mim comunista? Mas assim sendo isso nao revelaria maniqueismo primario da sua parte?

Lowlander disse...

Essa nebulosa ligacao entre transgenicos, Chernobyl e pesticidas multinacionais lamento mas escapa-me cara pitonisa...
Nos os comunistas (atencao isto e ironia, com a Zazie e de manter sempre o pe atras...) tendemos a considerar producao de energia nuclear um tema da Fisica Nuclear, os pesticidas um tema da Quimica e Toxicologia e os transgenicos como algo relacionado com as Biociencias.

"Então o Lowlander não nos esclarece afinal em que consiste a sua suprema sabedoria?"

Lamento para esse peditorio ja dei. Quando se comeca a falar de transgenicos e os "intectuais" ca da feira comecam a trazer para a conversa Chernobyl ou me dao listas de aditivos alimehtares como consequencias logicas da engenharia genetica creio que algures saimos da discussao directamente para o reino das tolices.

Lowlander disse...

Caro Dragao,

As minhas humildes desculpas. Reparo apenas agora, talvez tarde de mais (nao li suficientes comedias gregas para agucar o intelecto!) que afinal o Dragao suspirava em saber o posto, patente e numero de ponto... a isso se resume tanta tergiversacao...
Oh Diabo! Nao me diga que tem prima encalhada e precisa de um bom partido... tirando isso nao vejo utilidade em tao mesquinhosa curiosidade mas continue a mandar postais.
Quanto a basofia gratuita, enfim caro Dragao, voce e um pelintra desgracado e quer servico de primeira, para a sua bolsa so servico gratuito, o qual, inclui apenas bazofia, um pouco de sarcasmo e a espacos um pequeno insulto a ver se os Dragoes de pelucia tambem se picam.

Resumindo e baralhando:
Esta com azar o Draconio bloguista, nao me apetece enviar CV's por postas de pescada electronicas (manias minhas!) mas afianco-lhe, ou melhor, repito-me (a idade nao perdoa) de forma criptica e enigmatica que tendo alguns conhecimentos na area dos transgenicos sei que a pescada de rabo na boca la abaixo reproduzida e, a espacos, comovedora na ingenuidade que revela.

Fico feliz por ao menos ambos gostarmos de touradas, ja agora, o touro de lide e tambem um animal geneticamente modificado.

dragão disse...

Os seus apupos são música para os meus ouvidos, ó Lowlander.
O seu CV é-me de nenhum interesse, a não ser que mo enviasse pelo correio e em papel macio.
Mas não o tenho na conta de burro. Qual é a parte do português que não entende?
É simples: eu gostava que me explicasse porque é que a carne derivada de trangénicos é boa. A melhor de sempre, nas suas palavras. Já que diz que tem conhecimentos na área, eu aproveitava e aprendia.
Isto não invalidada aquela parte divertida em que nos insultamos. Entre os insultos, tente conceder-me umas pistas. Eu até agradecia.

zazie disse...

o lowlander sabe mas guarda segredo. Deve ser druida ":O)))

MP disse...

Zazie,
Druida não é de certeza.
Os Druidas não corrompe a Natura.

zazie disse...

ehehe mas ele diz que não corrompe. Ele tem a certeza que não só não corrompe como ele próprio não é passível de se corromper, trabalhe para quem trabalhar. E sabe que nós é que somos os ignorantes.
Logo, há-de ser coisa com poderes especiais ":O)))

Anónimo disse...

"o vOo baixo da galinhola

e o vivóOvo da galinhaHola"

um cheirinho de poesia concreta ilustrando o elevado espírito que preside a certas manipulações...

salvé, ó lança-chamas!
morggie

josé disse...

Pronto! Lá ficaram as certezas em cavacos.
Agora só nos restam argumentos transgénicos.

dragão disse...

Salvé, ó Morggie!...

(Sempre encantadora, esta rapariga...) :O]

Lowlander disse...

Caro Dragao,

Tambem eu nao o tomo por burro mas tenho de admitir alguma perplexidade por esta recem-adquirida inabilidade para usar algum senso comum e descobrir por si (pelo menos parcialmente) a resposta.

Esta a comecar pelo fim, sem responder as questoes fundamentais tudo o resto e ruido. Assim sendo:
1- o que e um organismo geneticamente modificado?
Trata-se de um ser vivo ao qual se manipulou o seu mapa genetico por forma a que este exprima atraves dos seus genes caracteristicas fenotipicas que nos interessem.

Isto e feito ha uma eternidade pela famosa Ana Teresa atraves da seleccao natural e mais recentemente ha uns milenios pelo Homem com a seleccao artificial.

A segunda questao:
De onde vem os genes?
Genes novos surgem continuamente atraves de mutacoes geneticas. Mutacoes geneticas ocorrem naturalmente em todos os seres vivos, os genes exprimem-se de formas diferentes nos seres vivos, e logico portanto que as mutacoes tenham maior ou menor consequencias conforme o gene que afectam, algumas mantem-se e propagam-se outras nem por isso outras ainda definham e morrem.

O que e seleccao genetica (natural e artificial)?
A seleccao trata-se muito simplesmente da propagacao nao aleatoria de um numero restrito de genes numa populacao. Com a seleccao artificial ate recentemente esperavamos que uma mutacao "boa" surgisse e propagavamo-la. Apesar de rudimentar este metodo permitiu bons resultados: temos milhentas de racas de caes, outras tantas de gatos mas mais importante os animais de producao produzem mais carne, leite, ovos, peles, penas, etc que no passado, quando fiz o meu curso dizia-se que com um bom programa de melhoramento genetico conseguia-se aumentos duradouros de produtividade (ao contrario daqueles obtidos atraves de promotores de crescimento como por exemplo os antibioticos) de 1 a 2% ao ano num efectivo pecuario.

A resposta ao que e a engenharia genetica torna-se clara portanto, trata-se de uma ferramenta que acelera todo o processo de melhoramento genetico, em vez de se esperar que aleatoriamente um qualquer grupo de genes surja num unico animal ou planta com uma expressao fenotipica "boa" , salta-se essa aleatoriedade, e cria-se em laboratorio.

O resultado? Um animal com um conjunto de genes que lhe dao uma qualquer caracteristica(s) que o tornam bom do ponto de vista produtivo, as habituais: maiores indices de conversao (ou seja maior capacidade de converter os nutrientes que absorve em carne), resistencia a doencas, melhor adaptabilidade ao ambiente em que se tenciona produzir o animal causando-lhe assim menos stress.

Porque e que eu digo que nunca foi tao seguro comer carne?
Porque ao se melhorar as racas de animais que produzimos, ao tornarmos estes animais mais robustos, mais bem adaptados ao ambiente que terao de enfrentar gasta-se menos em antibioticos, em racoes hipernutritivas, em stress para o animal. Um animal mais saudavel em vida colocara obviamente menos riscos microbiologicos ao consumidor final, um animal que nao requer antibioticos durante a sua vida produtiva obviamente colocara menos riscos quimicos ao consumidor final, um animal que por exemplo e mais eficaz a manter termorregulacao corporal obviamente sofre menos stress termico durante a sua vida, cresce melhor e causa menos desperdicio.

As estatisticas falam por si (pelo menos aqui no Reino Unido): nos anos 70 8 ou 9 em cada 10 ovos estavam contaminados com Salmonela, hoje, 1 em 10, ha 5 ou 6 anos atras doencas causadas por retro-virus e herpes virus cujo quadro clinico e a formacao de multiplos tumores malignos eram uma causa comum de rejeicao em matadouro, actualmente sao quase inexistentes, ha 10 ou 15 anos atras os indicadores de bem-estar animal (pododermatite, abcesso do musculo peitorial, e queimadura do esporao) eram maus, nao tenho aqui valores mas se se acrescentar 10% aos valores actuais nao estaremos muito longe da realidade, actualmente: 10%, quase inexistente, 25% com mais de metade classificados com grau de gravidade B numa escala de A (ausencia) a D (lesao grave) dos animais apresentados para abate estes numeros continuam a descer gradualmente ano apos ano, as taxas de mortalidade de um efectivo de frangos de aviario antes da apresentacao para abate e em media 3%, se for superior a 5% o produtor esta a perder dinheiro.

Qual e a alternativa? A sacrossanta producao organica! Espectaculo! Com mortalidades de 8 ou 9% em media (com boas praticas de bioseguranca atencao) mas que bem-estar fan-tas-ti-co, se considerarmos em termos de stress animal a morte como a ponta de um iceberg bem se ve a alegria de uma vida organica!
Salmonelose, coccidiose, E.coli... nao ha problema nenhum! A malta nao se importa de passar umas horas mais no WC, hospital ou morgue conforme a robustez individual desde que esteja a comer "frangos do campo"... e, cereja no topo do frango assado, sao obviamente mais caros!

Vivemos numa sociedade onde a esperanca de vida anda perto dos 80 anos, os nosso pais ou avos viviam com sorte ate ao 70 e no entanto andamos com medo de morrer amanha ou depois com ameacas abstractas, os nosso pais morriam de colera, malaria, raiva, carbunculo e pneumonia em menos de uma semana, hoje andam todos com a mania que os "quimicos" expressao deliciosa nos envenenarao daqui por 20 ou 30 anos se nao tivermos um acidente automovel primeiro, nao queremos "quimicos", os "quimicos" sao maus, previnem colera, malaria, raiva, carbunculo pneumonia e muitas outras mas o pivot do telejornal garantiu-me ontem que me matarao daqui por 20 anos...

Mas humoristico, comovente, ternurento mesmo e ver o pavor pelo transgenicos, andamos a comer genes desde que nascemos, vivemos rodeados de genes, andamos imersos neles consumimos organismos geneticamente modificados de uma forma ou de outra desde que fomos concebidos mas se lhe pusermos um rotulo a dizer OGM benzemo-nos e acariciamos a cabeca de alho (ironicamente OGM) no bolso do casaco...

Lowlander disse...

Peco desculpa pelo tamanho do ultimo comentario mas tenho de admitir que me entusiasmei um bocado.

Lowlander disse...

Cara Zazie,

Mas que carago! Decida-se mulher! Afinal sou comuna ou druida?
...
os comunistas podem ser druidas?

dragão disse...

Ora, até que enfim, ó Lowlander. Desde já os meus agradecimentos!...
Permita-me só mais uma perguntinha: qual o grau de parentesco da engenharia genética, por exemplo, com a enxertia de uma planta?
Podemos, de alguma forma, dizer que a enxertia é um primórdio (bastante rudimentar que seja) da engenharia genética? -pelo menos quanto aos princípios e fins da operação?...

zazie disse...

« bem se ve a alegria de uma vida organica»

eehehe já agora também há vacas não orgânicas ou é só coisa para galináceos?
conte lá caro druida que eu sou uma ignorante nestas coisas. E também ficam a olhar para os comboios ou perferem as delícias campestres?

Lowlander disse...

As plantas sao em termos geneticos mais plasticas que os animais, evolutivamente estao menos desenvolvidas que um animal, possuem menor especializacao de tecidos o que por um lado nao lhes permite adaptarem-se tao bem quanto um animal pode a um ambiente por outro permitem-lhe ter uma raiz em varios ambientes e expressar certas capacidades que muito invejamos exemplo:

Crescem continuamente.
Regeneram-se com facilidade de amputacoes desde que um numero de funcoes vitais sejam preservadas
Um tipo de tecido de plantas pode converter-se noutro (exemplo tipico sao os caules amputados de arvores que geram raizes e folhas dadas as condicoes favoraveis).
Nao tem sistema imunitario pelo que nao rejeitam activamente tecidos exogenos ao seu.
Sao potencialmente imortais.

Uma enxertia nao e engenharia genetica, porque na verdade nao estamos a manipular nenhum mapa genetico: a planta mae e o ramo enxertado permanecem dois seres vivos distintos. No entanto o objectivo e semelhante, pretendemos em geralmente que uma planta robusta e adaptada ao ambiente em que esta inserida produza um fruto que apreciamos mas que e produzido por outra planta.
Para ser franco, o enxerto e de certa forma uma especie de "parasitismo assistido" da planta mae, ja que esta nao recolhe vantagem alguma de nutrir o ramo enxertado ao passo que este depende da primeira para gerar frutos.