quinta-feira, abril 19, 2007

Caguinchas engenheiro

Num país que é pilotado por um "engenheiro de cordel" (como foi crismado, com certa piada, por um comentador aí mais abaixo), qual não é o meu espanto, ao entrar na tasca, aliás cibertasca, e deparo com um Caguinchas todo vaidoso, a celebrar com rodadas e cânticos tunescos, fresco e acabadinho de licenciar.
-"A licenciatura já cá canta, ó Labaredas!..." - Proclama-me ele.
-"Mas tu não distingues uma letra dum número e ambos de um hieroglifo egípcio!..." - Abismo-me eu, conivente com a pilhéria em prenúncio.
-"Agora já não é preciso. - Torna o gajo. - A engenharia moderna dispensa essas merdas!"
-"Ah, sim? Desconhecia. Mas já não me surpreende. E estás feito engenheiro de quê, de pontas?" - Refinfo-lhe, sarcástico
-"Não. Ele é mais putas. Está bem de ver: se o outro é engenheiro de cordel, eu sou engenheiro de bordel." - Galhofa-me o energúmeno.
-"Ah, bem... nesse caso, é mais que licenciatura: é mestrado! Merece, por conseguinte, celebração dupla. E é, permitir-me-ei acrescentar, mais uma soberba aquisição para a proxenata da sociedade." - Saúdo eu a novel e erudita sumidade, o quadro superior que desabrocha. - "Brindemos à qualificação profissional, ao Engenheiro Caguinchas!" - Reforço e conlustro, logo segundado em brados festivos por toda a colectividade.
-"Sim, à engenharia de colidade, sem espinhas nem quiprocus!..." - Blasona-se ele. - Emborque, bosselência, e a seguir faculte-me lá a inscrição na Ordem!..."
- "Inscrição, caro engenheiro? E a título de que competências?" - Interrogo, já armado duma caneca e fustigando um pires de tremoços.
- "Então, ora essa, se eu sou engenheiro-mestre, bosselência é bastonário da Ordem! Bastonário, Padrinho e Grão-mestre!..."
Perante uma tal eloquência do requerente, não me restou alternativa senão mandar lavrar deferimento. Foi só o tempo, em rigor das formalidades, de cingir a coroa e sentar a ucraniana ao colo. É aliás por isso que entre nós, cibertasqueses, o protocolo deu lugar - em boa e abençoada hora - ao ucracianaocolo. Ao meu colo, por sacrifício e inerência de cargo. Mais que ossos, carnes do ofício.

4 comentários:

joao de miranda m. disse...

já tenho comentado por aí: este blog é recomendado contra a tristeza, a lassidão e o mau olhado. É uma obra de arte.

A.H. disse...

eheheh!

Sim, totalmente d´acordo, o labaredas é um artista.

abrilistasanonimos disse...

Não resisto a esta via Público e diariodetrasosmontes.com :

Vara recorreu a instituto público para fazer casa particular

Armando Vara, quando era secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna, recorreu ao director-geral do GEPI (Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações do MAI) e a engenheiros que dele dependiam para projectar a moradia que construiu perto de Montemor-o-Novo.

A notícia faz manchete na edição desta sexta-feira do diário Público, o qual, no seu artigo, afirma ainda que, para fazer as obras, o dirigente socialista serviu-se de uma empresa e de um grupo ao qual o GEPI adjudicava muitos dos seus concursos públicos.

Com 3500 contos (17.500 euros) o actual administrador da Caixa Geral de Depósitos e licenciado pela Universidade Independente tornou-se dono, em 1998, de 13.700 m2 situados junto a Fazendas de Cortiços, a três quilómetros de Montemor-o-Novo. Em Março de 1999 requereu à câmara o licenciamento da ampliação e alteração da velha casa ali existente.

O diário revela que o objectivo era fazer uma casa nova, com 335 m2, a partir de uma quase ruína de 171 m2. O alvará foi emitido em 2000 e a moradia, que nunca teve grande uso e se encontra praticamente abandonada, ficou pronta meses depois.

Já em 2005, Vara celebrou um contrato para a vender a um particular por 240 mil euros, mas o negócio acabou por não se concretizar.

Onde a história perde a banalidade, refere o Público, é quando se vê quem projectou e construiu a moradia: o projecto de arquitectura tem o nome de Ana Morais, os projectos de estabilidade e das redes de esgotos e águas foram subscritos por Rui Brás, as instalações eléctricas são da responsabilidade de João Morais e o alvará da empresa que fez a casa diz que a mesma dá pelo nome de Constrope.

A arquitecta Ana Morais era à época casada com António José Morais, o então director do GEPI, que fora assessor de Armando Vara entre Novembro de 1995 e Março de 1996.

Nessa altura, recorda o Público, António José Morais foi nomeado director do GEPI por Armando Vara - cargo em que se manteve até Junho de 2002 - e era professor de quatro das cinco disciplinas que deram a José Sócrates o título de licenciado em Engenharia pela UnI.

Quanto a Rui Brás e a João Morais, trata-se de dois engenheiros que trabalhavam (e continuam a trabalhar) no GEPI, o gabinete então dirigido por Morais e tutelado por Armando Vara nos ministérios sucessivamente dirigidos por Alberto Costa e Jorge Coelho.

Por esse gabinete, garante o diário, passavam as adjudicações de todas as empreitadas e aquisições de equipamentos destinados às forças de segurança e a todos os serviços dependentes do MAI, no valor de muitas dezenas de milhões de euros por ano.

Quanto à Constrope, era uma firma de construção civil sediada em Belmonte, que também trabalhava para o GEPI e tinha entre os seus responsáveis um empresário da Covilhã, Carlos Manuel Santos Silva, então administrador da Conegil - uma empresa do grupo HLC que veio a falir e à qual o GEPI adjudicou dezenas de obras no tempo de Morais. Santos Silva está também ligado a outras empresas, entre as quais a Proengel, um gabinete de projecto com o qual António Morais mantém relações profissionais através de uma das suas empresas, a Geasm.

O processo de licenciamento da moradia de Armando Vara foi coordenado pelo então director do GEPI, existindo na Câmara de Montemor-o-Novo um fax que o prova, em papel timbrado do gabinete do secretário de Estado adjunto do MAI, dirigido a António Morais para o fax 213147060, precisamente o número do seu gabinete.

Nesse fax, de 17/2/1999, a secretária de Vara escreve: «Conforme combinado com sua excelência o secretário de Estado adjunto do MAI, junto envio documentos referentes a Montemor-o-Novo.». Os documentos são as quatro folhas do registo predial da propriedade de Vara, necessárias para pedir o licenciamento.

Contactados telefonicamente para o GEPI, Rui Brás e João Morais começaram por, segundo o Público, negar qualquer ligação ao caso e acabaram a dizer que não falavam sobre o assunto. «Isso é com o director», disse João Morais.

Quanto a António Morais, Ana Morais, Armando Vara, Santos Silva e os actuais administradores da Constrope, não responderam aos recados ontem deixados pelo Público, c0nclui o diário.

, 2007-04-20

E a esta: porque razão não teve relevância a história de António Morais (desconhecido de Sócrates) ter ilegalmente ganho um concurso de aterro sanitário?
E Bigorne, em Lamego? Que fez Sócrates para abafar o escândalo de corrupção e avançar com o aterro a todo o custo?

alex disse...

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