segunda-feira, junho 04, 2007

On the rocks...



O G8, rezam as notícias, estará dividido sobre forma de lutar contra o aquecimento global.


É mais uma daquelas notícias sem qualquer fundamento com que nos bombardeiam quotidianamente. Em primeiro lugar, porque se o tal G8 estivesse minimamente preocupado com "aquecimentos globais" (seja lá o que isso for), não faria da transformação sistemática do planeta num inferno a sua principal ocupação e desígnio supremo. Toda a gente sabe que o inferno irradia muito calor. Local mais quentinho duvido mesmo que exista. E sei do que falo: tenho um primo meu que preside ao Conselho de Administração de um - neste caso, o tradicional, o religioso. Estes agora, G(ebos)-oitos, Bilderbergues, Maçonarias e demais tunas alienígenas querem construir um outro, mais moderno e sofisticado; um inferno perfeitamente igualitário, sem discriminação de qualquer espécie, todo ele laico, balalaico e cadelaico, não no Além, mas no Aquém. Um que trate por atacado não a alma, que é coisa que a massa não tem, mas a carniça enmanadescida, a fressura prometida ao banco de órgãos, o recheio gorduroso do esqueleto desvertebrado e respectivas próteses derradeiras. E não apenas alguns, em determinadas circunstâncias ou idades, mas todos, bebézinhos e pré-bebézinhos incluídos. Foi o que deu o naufrágio das utopias, pois foi: descobriram que o paraíso é só o engodo, a antecâmara propedêutica do inferno. Vai daí, decidiram prescindir das carícias preliminares e irem logo direitos ao assunto, à canzanagem. Agora já não temos o inferno garantido caso nos portemos mal: agora temo-lo de qualquer maneira, façamos o que fizermos. É indiferente. Não requer qualquer esforço ou arbítrio da nossa parte. Doravante, a cruz onde nos supliciam, obrigam-nos primeiramente a assiná-la. Assassinam-nos com a nossa própria assinatura. Logo que a firmamos, crucificam-nos nela. Como por artes infernais, o papel devém gólgota e o voto transforma-se em condenação implacável. Tem o seu quê de poético. E também de justo, temo bem reconhecê-lo.
Em segundo lugar, porque, claramente, toda essa malta G-não-sei-quantos está apostada - direi mais: apostadíssima, compenetradérrima e pantobcecada - no "arrefecimento global". Diariamente, há não sei quantos mamíferos - apenas em teoria, humanos - que arrefecem duma vez por todas. O que, aliás, nos remete para a lema paradoxal dessa benemérita e vipante gente: Quantos mais torramos, mais arrefecem. E é verdade. Só um aviãozinho daqueles muito rápidos e todos reluzentes, carregados de sistemas high-tech e armas altamente eruditas, a quantidade de gente sobreaquecida que não arrefece!... De resto, não deve ser por acaso que a inteligência das armas cresce na proporção inversa da inteligência das pessoas. Quer dizer, à medida que as pessoas ficam cada vez mais estúpidas, as armas tornam-se cada vez mais inteligentes. Entretanto, os mais estúpidos de todos são aqueles que acreditam piamente que o fenómeno da inteligência acontece por osmose entre armas e pessoas, ou seja, o tipo com uma arma na mão é mais inteligente do que o tipo desarmado; o gajo com uma arma inteligente é mais inteligente do que o gajo com uma arma burra; o marmanjo com uma arma genial é mais inteligente que o marmanjo com uma arma inteligente; e por aí fora. Ora, como neste planeta em rilhafoles transplantado até as cantigas devêm armas, imagine-se agora os discursos, as receitas, os artigos, os programas, as teorias, as doutrinas, os anúncios, as aulas, as notícias, as histórias, as novelas, etc,etc,etc. Isto, ó meus irmãos, é tudo uma horda em pé de guerra; uma corrida geral e desenfreada aos armamentos. Andamos nisso desde Neanderthal.
Planeta, um formigueiro caótico destes? Não me lixem. Contam certas lendas sinistras, mas bastante simpáticas para a realidade, que Deus, um belo dia, decidiu entregar este mundo ao Diabo. Para que ele o administrasse, por mil anos. Foi o Primeiro Reich, suponho. Pois bem, permitam-me, na qualidade de parente afastado do segundo, que apimente um pouco o episódio...
Por ironia, sarcasmo ou mera teatralização de quem servia aperitivo, só Ele sabe, Deus terá então perguntado:
-"Como o queres?"
Ao que o outro, o dos chifres e unha fendida, ainda meu parente por linha apocalíptica, simulando estar do outro lado do balcão, respondeu:
-"Simples. Apenas com duas pedras de gelo."
As pedras de gelo viriam a ser posteriormente baptizadas de Ártico e Antártida. Agora, dizem, e mostram-nos imagens alarmantes, estarão a derreter. Mas não é para isso que servem as pedras de gelo? Não lhes compete refrescar a bebida?
Para nós poderá ser uma tragédia. Mas para o Diabo, que é quem nos há-de carregar a todos, não passa dum martini on the rocks. Que convém ficar bem fresquinho antes de com ele lenificar a goela ressequida, sequiosa, ardente... por via dum ofício ininterrupto que decorre em clima artificial particularmente monótono. E abrasador.

3 comentários:

FCS disse...

'tá bem visto... à beira de sermos engolidos, vamo-nos queixando do calor... mas... e a rodela de limão!? Serão as chuvas ácidas?...
abc

zlipax disse...

que maravilha!

Flávio Gonçalves disse...

Terminou a reunião
de 2007 da Bilderberg

Já se pôs o Sol na Bilderberg 2007. Após um sumptuoso almoço a esmagadora maioria dos bilderbergers irão regressar aos seus países de escolha munidos com instruções frescas e precisas da Comissão de Coordenação sobre como prosseguir encobertamente a expansão de poderes do Governo Mundial Único. Entre os delegados deste ano encontramos Henry Kissinger; Henry Kravis da KKR; Marie Josee Kravis do Instituto Hudson; Vernon Jordan; Etienne Davignon, presidente da Bilderberg; a rainha Beatriz da Holanda, filha de um dos fundadores, príncipe Bernhard, e ainda os rei e rainha de Espanha.

Sendo uma interrogação retórica, alguém me pode explicar como é que os “bons” liberais tais como John Edwards e a Hillary Clinton bem como os “benfeitores” humanitários com projectos sociais múltiplos em curso como os Rockefeller e cada Casa Real da Europa podem participar perenemente nas reuniões da Bilderberg sabendo de antemão que o objectivo final deste desprezível grupo é a criação de um Império Mundial, um Império Fascista?

Como poderá ser orquestrado? A ideia é fornecer, a cada país, uma constituição política e uma estrutura económica apropriadas organizadas com os seguintes propósitos: (1) Colocar o poder político nas mãos de pessoas escolhidas a dedo e eliminar os intermediários. (2) Estabelecer uma concentração máxima das indústrias e suprimir toda a competição indesejada. (3) Estabelecer um controlo absoluto sobre os preços de todos os bens e matérias-primas. [Algo que a Bilderberg torna possível através do seu controlo férreo sobre os Banco Mundial, FMI e a Organização Mundial do Comércio] (4) Criar instituições judiciais e sociais que previnam qualquer tipo de acção vinda dos extremos.

Não é privada mas é secreta

Apesar de os participantes enfatizarem que participam na reunião anual do clube como cidadãos privados e não na sua capacidade oficial ou governamental, essa afirmação é dúbia – principalmente tendo em conta a deliberação da Chatham House e a Lei Logan, nos Estados Unidos, que considera completamente ilegal representantes eleitos encontrarem-se privadamente com empresários influentes para debaterem e conceberem políticas públicas.

As reuniões da Bilderberg seguem um protocolo tradicional fundado em 1919 no seguimento da Conferência de Paz de Paris levada a cabo em Versalhes pelo Real Instituto de Negócios Internacionais (RINI) sedeado na Chatham House, Londres. Embora o nome Chatham House seja normalmente utilizado quando se refere ao instituto, o Real Instituto de Negócios Internacionais é o braço executivo da monarquia britânica no que diz respeito aos negócios estrangeiros.

De acordo com as normas do RINI, “quando uma reunião, ou parte dela, decorre ao abrigo da Chatham House, os participantes têm a liberdade de utilizar a informação recebida mas não podem ser reveladas nem a identidade ou a filiação do(s) orador(es), nem as de qualquer outro participante; nem pode ser mencionada que informação foi recebida no decorrer de uma reunião do Instituto.”
A Lei Logan foi criada com a intenção de proibir os cidadãos dos Estados Unidos sem autoridade relevante de interferirem nas relações entre os Estados Unidos e governos estrangeiros. Aparentemente não foram levados a cabo quaisquer processos ao abrigo desta lei no seu historial de quase 200 anos. Contudo, ocorreram umas quantas referências judiciais a esta lei e não é invulgar esta ser utilizada como arma política. O que não quer dizer que os cidadãos privados se safem de qualquer consequência quando visitam ou interagem com países estrangeiros.

Entre aqueles que participaram nas reuniões do Clube Bilderberg e desafiaram a Lei Logan encontramos: Allen Dulles (CIA); Sen. William J. Fulbright (do Arkansas, académico de Rhodes); Dean Acheson (secretário de Estado de Truman); Nelson Rockefeller e Laurence Rockefekker; Gerald Ford (ex presidente); Henry J. Heinz II (presidente da companhia H.J. Heinz); Thomas L. Hughes (presidente do Carnegie Endowmnent for International Peace); Robert S. McNamara (secretário da defesa de Kennedy e ex presidente do Banco Mundial); William P. Bundy (ex presidente da Fundação Ford e editor do jornal do Council on Foreign Relations); John J. McCloy (ex presidente do Chase Manhattan Bank); George F. Kennan (ex embaixador dos EUA na União Soviética); Paul H. Nitze (representante do Schroeder Bank – Nitze teve um papel proeminente no que diz respeito a acordos sobre controlo de armas, sempre sob a jurisdição do RINI); Robert O. Anderson (presidente da Atlantic-Richfield Co. e presidente do Aspen Institute for Humanistic Studies); John D. Rockefeller IV (governador da Virgínia Ocidental, actualmente senador dos EUA); Cyrus Vance (secretário de Estado de Cárter); Eugene Black (ex presidente do Banco Mundial); Joseph Johnson (presidente do Carnegie Endownment for International Peace) [em português não existe tradução diferencial para “president e “chairman” – ndt]; Henry Ford III (presidente da Ford Motor Co.); Gen. Andrew J. Goodpaster (ex comandante supremo dos Aliados na Europa e posteriormente superintendente da Academia West Point); Zbigniew Brzezinski (conselheiro para a segurança nacional do presidente Carter, fundador da Comissão Trilateral); Gen. Alexander Haig (outrora comandante europeu da OTAN, ex assistente de Kissinger e posteriormente secretário de Estado de Reagan); James Rockefeller (presidente, First National City Bank).

Conclusões da Bilderberg 2007

Graças às nossas fontes internas presentes na conferência, compilamos aquilo que acreditamos ser um modelo minucioso e credível das conclusões da Bilderberg 2007. Estamos a trabalhar em contra-relógio para divulgar esta informação. O nosso relato sobre Robert Zoellick da passada quinta-feira foi confirmado pelo Financial Times quando este respeitado periódico anunciou na primeira página do dia 2 de Junho, 2007, que “Robert Zoellick é o novo chefe do Bacno Mundial.” Nós, claro está, já o sabíamos. Os assuntos com os quais estamos a lidar tratam da fúria dos bilderbergers europeus devido à mudança de Bush no que diz respeito à temática climática, a próxima reunião do G8 em Heiligendamm, na Alemanha, na qual Merkel e os seus aliados da Bilderberg europeia se irão posicionar como verdadeiros líderes no que diz respeito ao ambiente. Os bilderbergers europeus manifestaram-se incomodados por a reunião Bilderberg pré-G8 não ter conseguido resolver e conciliar pontos de vista contraditórios sobre este assunto. Como foi referido por um participante alemão, “Isto requer actos de acrobacia diplomática, algo que infelizmente não abunda nada na actual administração dos EUA.”

Outra grande preocupação tanto para os bilderbergers americanos e europeus é o actual músculo da Rússia que se encontra a vergar a questão energética. A licença TNK-BP é apenas um dos muitos sinais que andam a enfurecer a elite globalista. Após anos de estagnação económica, afirmou um bilderberger americano, “A Rússia está a mover-se contra as ideologias e politicas unipolares, contra as suas manifestações e maquinações ressurgidas recentemente, e contra os instrumentos da sua perpetuação, tais como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).” A Bilderberg 2007 serviu para a construção de um consenso que irá decidir a política e a estratégia comum que irão lidar com o ressurgimento da Rússia.

Outro tema de discussão teve a ver com o Afeganistão. Foi de concordância geral dos conferencistas que a aliança e a missão da OTAN lideradas pelos EUA se encontram num pântano e que “a situação está a piorar.” Os bilderbergers irão urgir à OTAN e aos EUA que decidam os verdadeiros objectivos da sua missão – desenvolvimento económico ou a caça à al-Qaeda e aos Taliban.

Por fim, preparem-se para a nova frase do léxico da realpolitik que dentro em breve terá a sua festa de estreia – “consumo sustentável”, para definir uma aproximação mais humana ao aquecimento global.

Estamos a trabalhar no relatório completo da Bilderberg 2007.

Daniel Estulin