quarta-feira, julho 04, 2012

O Império do Absurdo





«China satisfeita com austeridade portuguesa».


Relembro a definição de "Democracia", segundo o Dicionário Shelltox Concise do Dragão:
Democracia s.f., tirania da multidão, ou oclocracia; regime onde o absurdo impera, já que o putativo soberano delega os plenos poderes em terceiros que sobre ele exercem todas as arbitrariedades, traições, fraudes e saques possíveis e imaginários; estado geral de fermentação e efervescência duma muliplicidade de egos até à eclosão dum único ego predominante e incontestado; género teatral.

Pois bem, nesta mescla heteróclita e geralmente fétida de império do absurdo, alambique egótico e género teatral, a notícia em epígrafe não apenas comprova como resplandece de pleno sentido (isto, claro está, na exacta medida irónica em que é permitido constar um sentido naquilo que, por definição, é destituído dele). Senão, repare-se:
Através dum esquema habilidoso e conveniente, uma minoria de portugueses (em nome de todos) elegeu um governo cujas realizações satisfazem povos tão distantes ( e díspares) como os chineses ou, embora não tão longínquos, os alemães. E flagelam a grande generalidade dos portugueses. 
Desse modo assaz grotesco, mesmo a definição lírica de democracia, em Portugal, vai às avessas: o governo não governa para a maioria; governa contra ela. E, untado de garbosa desfaçatez, age como se não fosse à maioria dos Portugueses que devesse satisfações, mas aos caciques eleitos da Alemanha ou nem isso da China. Aliás, com os portugueses actuais, o (des)governo actual, não só não deve satisfações como não nutre preocupações. À gémea semelhança dos comunistas, por exemplo, o presente que se lixe - terraplene-se! Porque o presente não presta, consiste num amontoado de pecados, erros, vícios e privilégios que urge desmantelar de modo a erigir o perfeito e imaculado Mundo Novo. Quer dizer, os nojentos portugueses de hoje existem, pura e simplesmente, para serem varridos de modo a darem lugar aos reprogramados (e evoluídos) portugueses do amanhã. Em tudo isto começa a ser indestrincável a incompetência, a traição e o delírio patológico. O que restava dum país arrombado está a ser destruído. O actual desgoverno não se distingue do anterior:  culmina-o!
O estrangeiro compraz-se. E agradece.

PS: Convém sublinhar, no mesmo Dicionário, o termo Demagogia -  s.f., substância da democracia; processo de auto-hipnose que consiste em a turba espelhar-se, narcisicamente, nas suas emanações fecais (os políticos, artistas, ícones), e vice-versa



1 comentário:

JOSÉ LUIZ SARMENTO disse...

Esse vice-versa tem muito que se lhe diga.