quarta-feira, outubro 03, 2007

O Caminho da Dispersão

A Descolonização prossegue a bom ritmo: depois de debandar das províncias ultramarinas -de Angola, Guiné e Moçambique -, a população branca debanda das províncias intramarinas - Amadora, Damaia, Cacém...
Em simultâneo, uma tele-salsicharia ininterrupta transforma pretos africanos em pretos americanos. E brancos também.

7 comentários:

Alexandre Lagoa disse...

Mas afectam-no assim tanto? Pela recorrência do tema, deduzimos que:

a) reside numa das provincias ultra-marinas acima mencionadas;

b) frequenta regularmente o combóio da linha amadora-sintra;

c) tem prole em idade escolar e/ou visionadora assídua da MTV.

Vá lá, meu caríssimo Dragão - e interpelo-o aqui como seu leitor -não deixe que o prazer "populista" do politicamente incorrecto - mesmo para aqueles que gostam de o ser - lhe ofusque a qualidade da escrita e transforme o dragoscópio numa espécie de endoscópio ... a não ser que seja esse o objectivo, claro.

Peço-lhe um favor: não me tome por um defensor da higienização racial, social, sexual e afins, como todos esses anónimos contra quem habitualmente vocifera. Apenas considero que, dentro de toda esta Província chamada Portugal (província, no sentido em que está carregada de provincianos), a província da Damaia e a cor dos seus provincianos, ou ainda as migrações específicas destes últimos (uma espécie de distinção entre o gnu e o gnu-listrado) são absolutamente irrelevantes, a não ser como passatempo de alguém que não tem muito mais a dizer. O que não é o seu caso.

Dragão disse...

Caro Alexandre,

por um lado, a crítica tem a sua pertinência; mas por outro tem a sua injustiça.
Pertinente, na medida em que tem razão em afirmar que os postais desta casa andam um desmazelo pegado. É verdade. Por este andar, ainda me torno um blogue de referência.
Mas injusto na medida em que menospreza o problema. Olhe que não é assim tão despiciendo. Tem até o seu quê de pitoresco macabro. E não é preciso morar lá (que não moro), nem frequentar os tais comboios (que também não frequento), nem ter filhos na idade MTV (isso até tenho, mas eles não assistem nem manifestam grande gula de tal), para perceber isso.
Aliás, cá em casa não há MTV, nem SIC, nem TVI, e não é por isso que eu deixo de reconhecer e de me preocupar com os efeitos venenosos e tóxicos que esses ultra-aspersores exercem sobre a nacinha.
Ora, como a mim me aflige mais o apoucamento do meu país e da minha gente do que o engrandecimento do meu ego...

Anónimo disse...

grande blogue dragão!

Anónimo disse...

grande blogue dragão!

Anónimo disse...

É uma pena que tão pouca gente se preocupe com isso...


Estebes Moscatel

Alexandre Lagoa disse...

Fico feliz em ver que não reagiu de forma violenta. Não menosprezei o problema: considero é que o meu caro Dragão é superior a ele. Para quê atentar em pormenores?

Fosse a MTV a raiz de todos os nossos problemas, e uma juventude preocupada em meter as calças por dentro das meias, em vez de meter o cérebro por dentro das calças... espere, creio que fazem ambas as coisas. Mas não culpo só a MTV, e muito menos as dinâmicas grupais entre gnus e gnus-listrados que sucedem no guetto metropolitano da Grande Lisboa e arrabaldes.

Existe na verdade todo um sistema de ensino - e veja lá, equiparável ou pior que a MTV - que se encarrega de embrutecer os infantes, com ou sem tv cabo; desde a prímária ao 12º ano - com hipótese de prolongamento de mandato pelas Universidades Independentes por aí fora -, os alunos são tratados ao nível do Gervásio - lembra-se dele? o macaco que aprendeu a reciclar - e assim, se conseguirem fazer corresponder o cilindro (digamos, uma lata de coca-cola) ao orifício e cor correspondentes, têm 19 a física quântica. Exagero, claro, mas quero com isto dizer que, com a quantidade de passagens administrativas que ainda existem - e sabe bem que escola é essa: atente nas duas figuras-mor que presidem à comissão e união europeias, respectivamente! - não se pode esperar muito mais da nacinha e da sua gente, apoucada por culpa própria, dentro e fora de portas.

guilhotina disse...

São os pormenores que acabam por causar as urticárias da crise.