Um Cardeal patriarca a emitir juízos sobre manifestações políticas constitui adorno em tudo equivalente ao de certas seitas ateístas em viçosa campanha contra a ida das pessoas a Fátima. Uma forma de conciliar ambas as aberrrações era, eventualmente, converter o Santuário em ponto de reunião tanto para manifestações como para peregrinações. Calavam-se, assim, as duas geminadas sandices e, de caminho, tanto quanto justamente protestar contra os desgovernos da república, os manifestantes aproveitavam para, em uníssono e sincero clamor, pedir um milagre a Nossa Senhora, a saber, um governo sério e honesto para o país, uma coluna vertebral para os habitantes e um castigo divino e exemplar para os corruptos e trafulhas (imunes e ufanamente impunes a todos os tribunais deste mundo). Porque, à velocidade que isto desliza, está mais que visto que, um tão útil quão mirabolante fenómeno, ainda para mais de tão exigente e tripla complexidade, por estas paragens, não vai lá com eleições, decerto também não irá com manifestações, pelo que, tudo o indica, só mesmo com um milagre.
E capacitemo-nos: é bem menos exasperante e estúpido rogar à Senhora que está no Céu do que esperar o quer que seja da Merkl que, para mal dos nossos pecados, temos e aturamos na Terra.
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