terça-feira, outubro 11, 2005

A tese do Escaravelho


O escaravelho-das-bolas, aliás besouro esterqueiro ou escaravelho-sagrado, eruditamente catalogado como geotrupes stercorarius, é, ao que parece, um insecto coleóptero grande, 10 a 25 mm de comprimento, com cor negra ou quase negra, e o corpo revestido por quitina espessa e coriácea. Também sei, se não me falha a memória, que as patas anteriores possuem espinhos que lhe permitem escavar as tocas, geralmente situadas debaixo do esterco. Dedicam, estes valentes animaizinhos, a globalidade da existência a construírem bolas de excremento, que empurram com ávara e gulosa devoção, pois não apenas se servem delas para alimento, como também, pasme-se, para reprodução. Com efeito, inebriados em só a Natureza sabe que fantasias, utilizam-nas, sucessivamente, como matriz e berçário, quer dizer, depositam nelas os ovos e incubam nelas a prole.
A um escaravelho-das-bolas, também conhecido no Brasil por Rola-Bosta, não se explicam coisas, muito menos fenómenos ou sequer fábulas (pequenas histórias de intuito moralizador): A quitina espessa e coriácea não o permitiria. Contempla-se apenas, o cornúpeto hexápode, em todo o seu esplendor coleccionante. Admira-se no seu afã agenciador, na sua saga estivadora, na sua carreira bizarra. Surpreende-se em toda a sua pujança micro-hercúlea. Não podemos mesmo deixar de louvar o seu carácter laborioso, industrial. A esfericidade, não obstante fétida, da sua obsessão. São, de resto, tantos e tão espantosos os nanoprodígios, que chega a correr-se o risco de parecer insignificante uma elementar divergência de opinião, ou mais exactamente: de perspectiva. Precisamente aquela que vai do homem ao insecto e que se traduz neste irrisório detalhe: é que enquanto para nós aquilo que ele, nanopaquiderme, rola à frente da nanotromba com frenesim de buldózer, não passa dum minúsculo berlinde de bosta, para ele, tudo o indica, quiçá por um complexo sistema de compensações, congrega e esgota a substância (e a ficção) de todo o seu mundo.
Foi isto que me ocorreu escrever, depois de ler esta pérola aromática.
O que eu, já agora, recomendava ao autor é que, ao menos, abrisse três covinhas no chão da tese e convidasse uns amiguinhos, também dispépticos e coriáceos, para a jogatana no quintal. Na sua ideia de Portugal não cabe decerto um império, mas, que diabo, sempre dá para jogar ao bilas, ou nem isso?...

8 comentários:

Anónimo disse...

É verdade, pá (o do pérola) a culpa é do Salazar. È culpado por tanta ignorância e mesquinhes!

Só uma informação(zinha), ó pá – O ataque aos territórios portugueses da Índia não foram mais do que um acto cobarde (desculpável pelos seus iguais) do Néru-zito que precisava de uma vitória militar fácil pois não teve tomates de replicar convenientemente os ataques chineses a norte do território indiano.
A chacina cobarde (desculpável…) perpetrada pela UPA no Norte de Angola não merecia nenhuma reacção! Devíamos ter feito como o Neru e contra-atacado onde nos desse mais jeito (nas berlengas por ex.)!
Estes cabrões não se enxergam.
Mas desculpa a minha ignorância, tá-bem pá (o da pérola).
P.S. – o da pérola não deixou escrever lá no antro dele!!!

Legionário

josé disse...

Quintessência dragoscópica.

Eu sei que preferias que viesse para aqui zurzir no estilo; chicotear a verve; vilipendiar a substância do escrito.
Mas desta vez, ri-me. Ri-me a valer com o presunto coriáceo e logo que abri o blog e li o título, lembrei-me do escaravelho de Poe.
Nem sei porquê, mas foi isso que me ocorreu. Talvez por causa do desenho. E quando me lembro de Poe, fico mais descansado.

The Home Theater Wizard disse...

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Flávio disse...

eh eh eh Genial, Dragão! Faço minhas as palavras do Jose´. Também gosto muito do Escaravelho Dourado, do Poe - o qual, à sua maneira, também andou no seu tempo com as mãos enfiadas na merda.

Um abraço!

Anónimo disse...

Não te amofines dragão cobardola (que escondes a cara para estalo atrás de um nick-name), sem a PIDE (que te guradava o Império) vais ter de viver com opiniões diferentes. João Tunes

dragão disse...

Eu, de facto, não tenho cara para "estalos", porque estalo é coisa de betinho, de coninhas. Se ainda ameaçasse com um murro de homem, combinávamos já uma entrevista. Também não tenho a PIDE, pelo que tenho que viver,e vivo até muito bem, com opiniões diferentes da minha.
Em contrapartida, o camarada Tunes, tem cara (de cu, pela amostra presente) mas decididamente não tem pingo de vergonha nela; não tem a PIDE, mas personifica-a na perfeição, já que não admite, sob pena de estalos, quem discorde dos axiomas que emite sob a capa modesta de opinião.
Você faz como os cãezinhos de Pavlov, reage por reflexo condicionado? Não raciocina antes?
É digno de comiseração. Mas não abuse.

Anónimo disse...

Também há prémios nóóóbeis para teses?
...admira-te!
O gajo vai no bom caminho e como dá a cara...de cú!

Legionário

gajomailindo disse...

bólinhas!