A riqueza não é filha da Graça de Deus: é fruto da Desgraça do Mundo. A dos outros é só o espelho retardado da tua.
sábado, novembro 22, 2008
A chave do puzzle
A riqueza não é filha da Graça de Deus: é fruto da Desgraça do Mundo. A dos outros é só o espelho retardado da tua.
sexta-feira, novembro 21, 2008
Aquecimento
(E amanhã leva a segunda dose da vacina anti-rábica , que agora vou dormir, tive um dia lixado, e isto até sabe melhor com intervalo, como no cinema. A pena que eu tenho de andar com tão pouco tempo para estes quiosques!...).
* - Com vénia pela glosa ao grande Bocage.
quarta-feira, novembro 19, 2008
O Novo blogue do Caguinchas

terça-feira, novembro 18, 2008
Dragão, o destruidor de mundinhos

Bem, não é todos os dias que me tecem um estupendo encómio destes. No essencial, cumpre-me agradecer a amabilidade apologética e enviar daqui os antecipados (tanto quanto sinceros) votos de Feliz Natal e Próspero Ano Novo. Algumas minudências acessórias e outras pubofelpúcias circundantes, contudo, requerem umas brevíssimas e complementares notas de rodapé. Ou mão, como estiver mais a jeito.
Começo pela primeira. Provavelmente o Pedro Arroja tem uns certos e compreensíveis cíumes do João Miranda. Isto, porque, como é público e notório, a chamada posta à Mirandesa é-me irresistível. Mais que ao tempero, agora que penso nisso, creio que deve creditar-se à putreza imaculada dos ingredientes. O Pedro Arroja bem se esforça (desse acabado imbecil que lhe serve de sacristinho nos dias pares e side-conas nos ímpares e que responde pelo inenarrável epíteto de Jaquim, então, nem comento), mas não consegue. Às vezes, confesso, até me aproximo, pondero o snack, aprecio os lombos, avalio a tenrinhidade da posta, mas retiro-me invariavelmente entediado. Não duvido, em modo ou tempo algum, da guloseima garantida que o fedor abona e credita; muito menos desprezo os enfeites e rodelinhas sempre a preceito. A realidade, porém, é que nunca está suficientemente vácua, manhosa, sofista, pueril e tratante. Não é que o caro Pedro não se esfalfe e não se note esse -às vezes, titânico – esmero suado, mas deixa sempre umas costuras de senso à vista, alguns pedacinhos de verdade na mistura; uns grumos de decência aqui e ali; um resquício de portuguesismo que, apesar de serôdio, promete desde logo estragos e sobressaltos na digestão. Ora, o senso, a decência, a verdade et al, por minúsculos que sejam, torpedeiam (quando não envenenam) qualquer culinária. Arruínam qualquer sopa, salada, guisado ou simples petisco, tanto quanto desencorajam a mandíbula mais exigente e audaz. Com as postas à Jota Miranda, Deus o abençoe e no-lo guarde por muitos e bons anos, não temos problemas desses. Aquilo mana-lhe naturalmente; a trampolinice está-lhe na massa do sangue; respira falácia como qualquer humano não anfíbio respira oxigénio; é duma protérvia fanática e inefável, quase a raiar o angélico. Quase, que digo eu, a trespassá-lo mesmo, a crivá-lo a eito de ávidas e ferozes dentadas! E depois, não toscando coisa que se veja de praticamente nada, consegue debitar invariáveis e sumptuosas enormidades sobre praticamente tudo. Não é apenas, no meu imodesto entender, o maior de todos os blogueres ao cimo da Terra: é o bloguer quase perfeito. Porque a perfeição, essa, como é evidente, está reservada para a ovelha ronhosa cá da família: o meu primo do Apocalipse, pois. Portanto, estimado Arroja, aceite um conselho amigo: não perca tempo com certas emulações impossíveis. Não se exaura em metas inalcançáveis, em desidérios e refrigérios ultraviçosos e semprerectus. Não basta andar sempre a pedi-las: há também, e sobretudo, que merecê-las. Se o peditório bastasse era a falência da Santa Casa.
Avancemos para o segundo ponto. Ao passear a vista pelo seu laudatório, lembrou-me quase instantaneamente aquela entrevista que fizeram um belo dia ao Anthony Burgess, o ditoso e preclaro autor da “Clockwork Orange”. Questão manhosa, mas capital, do entrevistador: “Porque é que os seus livros versam obsessivamente sobre um mundo de sexo e violência?” Resposta do Burgess: “Mas há mais alguma coisa no mundo?!...” (Já não me recordo das palavras exactas, mas o sentido era este)...
Da mesma forma, ao lê-lo, ó caro Arroja, proclamando que gasto todo a minha vasta e cintilante constelação de virtudes, qualidades e talentos (que clara e galopantemente exagera) num exercício metódico de zombaria e escalavrura, também apetece responder: “E acha que todo este efervescente asnódromo de egos, superegos, pategos e labregos que é a blogosfera merece mais?” Ou então, pior um pouco, vai-nos dizer que milita naquela horda de gente vociferina (ora hostiofágica, ora hostiofóbica) que confunde piamente um blogue com um púlpito ou uma varanda napoleónica?...
Terceiro e não o amasso mais. Acordemos que lhe revelo a chave do mistério, a razão da odisseia. Que, afinal, até é bem simples. Tome nota: tipos com talento, maturidade, graça, imaginação e -nem sequer direi excelente, mas mediana - formação filosófica e clássica, como eu, entregam-se alegremente à destruição e ao desfrute das nano-ideias e pseudo-argumentúcias de energúmenos sem talento, nem maturidade, nem graça, nem imaginação e uma formação filosófica e clássica abaixo de zero. Chama-se a isto justiça poética. Um avatar hodierno da Nemesis ou Ate gregas.
Nemesis, já agora, deixe que lhe diga, poderia ser traduzida (entre outras) por “retribuição”. Ora, ao contrário dos tartufos esquerdóides que bramam a todas as horas por mais distribuição e contribuição, eu não creio que os problemas deste mundo residam num défice crónico de distribuição, muito menos contribuição ou coisa que o valha, mas numa aguda e escandalosa falta de retribuição. Eu sei que estou a ver a coisa a curto-prazo. É um erro típico dos humanos. Mas que quer, apesar de dragão, sou um impaciente. Deixo-me contagiar facilmente pelos indígenas.
Rematando: digamos que assim como o Cireneu ajudou o Cristo a arcar com o madeiro no passo difícil, eu vou adiantando serviço, auxiliando O Lá-de-Cima a dar com idêntica matéria vegetal devidamente aparelhada nos cornos dos sacripantas cá de baixo.
Não possuo, todavia, e como é evidente, os dotes artísticos e justiceiros do meu antepassado Vlad, mas disso, bem amarga, diária e contristadamente, me penitencio.
segunda-feira, novembro 17, 2008
Babel

Por outro lado, o delírio instaura a sofreguidão, a ânsia, o frenesim desvairado: a cada passo, a evolução acelera, exorbita, disparata. Já não é só uma evolução, é uma revolução permanente. Cada novo patamar alcançado, reflecte já um êxtase absoluto: imagina-se o céu. Auto-proclama-se. Inflama-se. Autofunda-se. O Céu é já uma sucessão de céus, andares sobrepostos numa torre, e a escadaria virou elevador a jacto. Doravante, onde está o homem, donde firma novo salto, nesse presente sempre a ameaçar um rejuvenescimento mais acima, uma promoção, aí, é onde está o Céu. Afinal, ao contrário do que Jesus insinuava, o reino não está dentro do coração humano, está debaixo dos seus pés. E na ponta dos seus dedos. Na terminologia Blobglob, claro está, não se diz o “Céu”, mas simplesmente “o melhor dos mundos possíveis”.
De todo este processo trampolineiro –quer dizer, de usar cada momento como trampolim do seguinte-, fica o repúdio pelos trampolins entretanto tornados obsoletos pelo trampolim actual, da moda. Assim, como, na escalada, decorre um processo mais ou menos acrobata de construção duma actualidade celestial, também, na proporção e declive inversos, acontece um processo de obsolescência das etapas que vão ficando para trás e, sobremaneira, do ponto de partida. Um pouco à semelhança do fogo que, conforme alastra, vai acendendo luz e chama à sua frente e deixando, no mesmo acto, cinzas e escombros atrás de si.
Diante dum presente cada vez mais auto-suficiente, arrogante e hermético, já pouca ou nenhuma falta faz o passado. Pelo contrário, só atrapalha. O tempo agora não é de enleios nem vacilações. Mesmo que o sarilho seja de tal ordem, e o erro crónico de tal grau, que as nuvens sombrias da catástrofe iminente espreitem a toda a hora do horizonte, a haver fuga ela só pode ser em frente, a todo o vapor, alguém se há-de salvar. Mesmo que se quisesse voltar atrás já não seria possível. Já se chegou demasiadamente longe. Perderam-se os sinais do próprio rasto. Não se faz a mínima ideia por onde fica o caminho de retorno, se é que ele existe. Por outro lado, voltar agora atrás só atestaria o fracasso absoluto de toda a civilização tal qual a entendemos, ou melhor, nos auto-impingimos. Antes a morte! Antes um desastre total!, que esse reconhecimento da vaidade e do vazio de todo um esforço e trabalho milenares. Seria matar os mortos. Seria dizer que nunca viveram. Se tudo se passou como se passou, foi porque não havia alternativa. Fez-se o melhor que se podia. Nunca foi um mundo perfeito, mas foi sempre o melhor dos mundos possíveis. Especialmente agora, súmula actualizada e revigorada de todos os progressos e conquistas do passado. Mais: é precisamente o presente que justifica e redime do passado. Porque se trata duma escada ascensional, o último degrau é sempre superior ao anterior e infinitamente mais meritório que os iniciais. Ao alcançar cada novo patamar, o homem não só consegue uma proeza atlética e arquitectónica, como se liberta do patamar anterior e de toda a penúria e infâmia decorrentes até aí. É assim que, na relação do peregrino evolutivo com o seu passado, o patamar do presente, mais que uma continuação, é um colocá-lo a salvo. Não admira, portanto, que cada geração se barrique e entrincheire na sua época, no sua actualidade, na sua moda. Quanto mais radical a separação, a estanquicidade, o isolamento desta ao passado, menor o risco de recaída ou contaminação. Trata-se aqui, muito retorcidamente, dum homem a tentar vencer o seu próprio mal pela aceleração. Com arranques e guinadas bruscas, fugas de cometa, tenta que ele desequilibre, resvale e, apanhado de surpresa, traído pelo seu peso e inércia, fique para trás. O pior é que em cada novo patamar, ofegante, exasperado, descobre que ele ainda está consigo, sorridente, impante, pronto para nova corrida. E também maior, mais pesado e opressivo. Instintivamente, como o cão com a cauda a arder, espécie de cometa desvairado, o homem corre para diante, rebola-se, perfaz círculos. E se o mal não desanima, em contrapartida, o homem esboroa-se, confunde-se, dissolve-se.
A Evolução, como em Babel, é uma subida sem opção de retrocesso.
Mas se o mal não se apeia, nem resvala, a não ser na imaginação tecnofântica, há algo que resvala e se vai perdendo nos solavancos e arremetidas loucas da correria. Enquanto o mal não se torna minimamente obsoleto – canta-se o prodígio da medicina e esquece-se que está muito aquém do desenvolvimento das doenças, cada vez mais sofisticadas, sinistras e letais; glorifica-se a tecnologia de ponta e finge não reparar-se na miséria e escravidão da maior parte da manada humana; apregoa-se que a ciência libertaria e afinal só contribui para a eficácia de tiranias cada vez mais desumanas, ignóbeis e perigosas porque camufladas; a fome vai de vento em popa; a guerra é indispensável às economias; comercializam-se drogas a nível planetário e arruinam-se irremediavelmente jovens aos milhões; a violência intra-específica banaliza-se; o incitamento martelante ao desgoverno, à incontinência, ao frenesim é permanente e amplificado; a alimentação, o ar, a água são metodicamente envenenados em nome do lucro e da indústria; os políticos assemelham-se a bandos de parasitas maléficos, peritos no desgoverno, na corrupção e na subversão de todos os valores, expectativas e ideais da humanidade; os regimes, sob a pele de cordeiro das democracias, escondem as garras e as mandíbulas afiadas do despotismo ao serviço de seitas cleptocratas e adeptas furiosas do vampirismo hereditário e vitalício; enfim, eternizar-nos-iamos no inventário-, pelo contrário, certos e ancestrais bens, propriedades do cosmos e da vida, vêm-se, senão varridas da face da terra, à beira da extinção e, em cada dia que passa, ignobilmente sujeitas ao ostracismo da obsolescência.»
domingo, novembro 16, 2008
quinta-feira, novembro 13, 2008
Bruxa de esfregona
quarta-feira, novembro 12, 2008
Amanhecer

Os homens são como os dias: alguns nascem gloriosos; outros nascem cinzentos e enevoados; e outros ainda não nascem de todo: são apenas a imagem pálida e nua da obscura e interminável noite.
quarta-feira, novembro 05, 2008
Tomem lá para o peditório!...
terça-feira, novembro 04, 2008
Do Ghetto ao Globo - VI. Pincelada final
segunda-feira, novembro 03, 2008
Do Ghetto ao Globo - V. O Sindicato
- Frederic Morton, "Os Rothschilds"
* - "família", em hebraico
domingo, novembro 02, 2008
Do Ghetto ao Globo -IV. Dinheirus rex
Lytton Strachey, considerando a Rainha Vitória "excessivamente rica", mesmo entre monarcas reinantes, calculava o valor máximo da sua fortuna em cinco milhões de libras. Pobre Vitória. Um ramo da família podia, sem esforço, fazer compras no valor da fortuna inteira de Sua Majestade, de um momento para o outro. Isto ia ser demonstrado pela compra do Canal do Suez.
sábado, novembro 01, 2008
Feed our Frankenstein
Do Ghetto ao Globo -III. Endogamia eugénica de imitação
Finalmente James, o mais novo, escolheu esposa. O Imperador da Áustria já o fizera, a ele e aos irmãos, barões, e eles próprios tinham-se tornado por si a família mais rica do mundo. Na festa anterior eram importantes. Agora sabiam que eram únicos. O dia 11 de Julho de 1824 exprimiu essa qualidade de um modo convincente. James entrou debaixo de "chupah" (o baldaquim de casamento hebraico) com Betty, sua própria sobrinha, filha de seu irmão Salomão.
quarta-feira, outubro 29, 2008
Do Ghetto ao Globo - II. O Nascimento do Banksterismo
- Frederic Morton, "Os Rothschilds"
terça-feira, outubro 28, 2008
Do Ghetto ao Globo

segunda-feira, outubro 27, 2008
Celebridade e multidão
- Fernando Pessoa
«Ao contrário das catástofres, Deus não aprecia multidões.»
- César Augusto Dragão
domingo, outubro 26, 2008
Esquisitice
-"Olha! Não é o teu primo Tapuri?" - Exclamou um deles.
-"É." - Respondeu o outro.
-"Então, e não o convidas para a petiscada? É bem gordinho este padre, chega bem para três."
-"Pois, de facto. Mas o meu primo não come padres."
-"Não come padres?!!" - Assombrou-se o primeiro. - Não me digas que deu em vegetariano!..."
-"Não. Só come rabis. Diz que é um canibal Koscher."