sábado, junho 11, 2022

State of the Art

 «À medida que a democracia é aperfeiçoada, o cargo de Presidente representa, cada vez mais, a alma íntima do povo. Num grande e glorioso dia destes, os vulgares tipos desta terra alcançarão finalmente o seu mais profundo anseio e a Casa Branca será então adornada com um completo retardado mental.»

- H.L. Mencken

Já é para aí a quarta vez que eu posto a citação em epígrafe, dum dos meus americanos favoritos. Pois bem, contemplando o Gerontossauro da hora actual, no corolário dos antecessores, há  uma questão sobre a democracia americana que, legítima e premente, me assalta: será possível que consigam aperfeiçoá-la ainda mais?

Começo a ter algumas dúvidas.

sexta-feira, junho 10, 2022

A realidade é fodida

 



E, subitamente, no New York Times (Jew York Times para os amigos):

«U.S. Lacks a Clear Picture of Ukraine’s War Strategy, Officials Say»

Claro, já sabemos, a vitória tem sempre muitos pais; enquanto a derrota, coitadinha, acaba invariavelmente órfã.

Mas a questão essencial nem é que eles não saibam - não sabem, não querem saber e até têm raiva de quem sabe. Daí não resultaria dano maior do que a mediocridade confrangedora em que, compulsiva e sistematicamente, chafurdam - agências, inteligences, think-tanques e toda o jornalixo à pendura. Não, o problema é que eles começaram a acreditar na própria patranha desenfreada que impingem, desataram a crer na própria intrujice que aspergem, ad nausea, sobre o pagode ávido e semi-lobotomizado. Ou seja, começaram a fumar do próprio estupefacciente que traficam. Já não são eles que tripulam a mentira: é a própria mentira, automática e despótica,  que os pilota e transporta a eles. Uma espécie de possessão noticieira, que se manifesta numa incontinência desatada, num feedback permanente entre o orifício oral e o buraco anal. Em português: uma realimentação desinsofrida e directa do próprio esgoto.

Todavia, desmontemos esta tentativa tosca de alibi à pressa. Então aquela rapaziada (CIA, Pentagono, NATO & Compª, passem as redundâncias) andou 8 anos a preparar uma operação toda xpto - lavagem ao cérebro e zombificação expresso de hordas de ganzados militantes, ISIS 2.0 on steroids; fortificação monumental do Donbass, numa rede de bunkers, casamatas, abrigos e hiper-trincheiras ao nível duma linha maginot para chimpanzés -, treinou, armou, rearmou, assessorou e dirigiu em directo todas as grandes operações no teatro de operações, e agora vem proclamar que não sabia bem o que se passava, que a culpa é dos zombis de serviço?!... Os títeres é que fizeram merda, pasme-se.

Não tenho quaisquer dúvidas: os zombis, sozinhos, sempre teriam feito melhor figura. Afinal, vinham da mesma escola que os odiados russos. Não teria sido tão escandalosa a toinice táctico-estratégica. Ou, pelo menos, não se teriam enfiado, tão grosseira e toscamente, na boca do lobo. Aquelas luminárias do oxidente, ao fim de décadas, nem se deram ao trabalho de estudar o inimigo. A Realidade é fodida. E agora descobriram, à bruta, que o tigre de papel não mora em Moscovo. Pelo contrário, fita-os, esgazeado, do espelho da sua própria megalomania delirante.


quinta-feira, junho 09, 2022

E então as alternativas, pá?

 

«Oil Prices Are ‘Nowhere Near’ Peak Yet, Says Key OPEC Member UAE»

Traduzindo: O pico dos preços do petróleo está longe de ser atingido. Porque a economia chinesa está ainda a meio gás. Quando carburar em pleno, os preços vão disparar ainda mais. Aumenta muito a procura, mantém-se a oferta, logo...
2 euros/litro é um preço ruinoso que, a médio/longo termo a nossa treta de economia não aguenta. Imaginem acima ou muito acima disso.
Os árabes não vão aumentar a produção. Grande parte do aumento do consumo energético chinês, quando a coisa funcionar em pleno, não é difícil adivinhar de onde virá: Rússia, a preços de desconto (mesmo assim, altamente lucrativo para o tal país ridículo com uma economia abaixo da italiana). Ora, se o consumo aos árabes não vai subir muito, serão os primeiros a promover ainda uma maior subida de preços, para aumentar o lucro. Com os dois maiores produtores mundiais em sintonia, resta ao Império da Propaganda  coisar com Venezuela. 
A Europa? Como diria a vaca Nuland: Fuck the EU! 

PS: A certa altura o Império manda as agências de Ratos lixar (literalmente) esta EUSSR  de invertebrados e compra o quer houver de interesse a preço de saldo e liquidação geral.

PS2: Incêndio num dos maiores terminais americanos parece que fez subir o preço do gás... ainda mais.

PS3: A propósito do pedigree da Nuland: neta de judeus ucranianos. O Pale of Settlement não perdoa.

quarta-feira, junho 08, 2022

O rotundo mas feroz caniche



Em 21 de Maio de 2022: 

«Portugal concede apoio financeiro de 250 milhões à Ucrânia»

Em 08 de Junho de 2022:

«Segurança Social corta apoio alimentar a milhares de famílias.»


Pois, lá está , o dinheiro não estica. Ainda menos para quem vive de empréstimos. E isto de botar figurinha lá fora, armando ao barão da geocaridadezota e vociferando iracundos béu-béus ao monstro russo, sai caro. Sai mesmo por um balúrdio. A pressa do rotundo caniche em alcandorar-se aos úberes da burrocracia eurotonta, também, coitado, não ajuda. Raia mesmo a fronteira da pelintrice esfaimada. 

Portanto, no exterior, para anglo ver, sua excrescência deita calcanhares ao rabo, todo ufano, e larga a pedir dinheiro aos mercados... para despejar nos bolsos do regime do Zombistão. Mas cá dentro, ide bugiar, otários!, e tomai lá austeridade.  Que é para irmos treinando já, de antemão (em stress pré-traumático, como os coisinhos, o que só nos calafeta a alminha), para a próxima bancarrota. Veremos como se acastelam nuvens e aragens lá pelo outono...

Entretanto, por diversas e repetidas ocasiões, perante o estardalhaço roncante do personagem (não raro ao despique com a lombriga acólita), oscilei abalado por duas sensações concorrentes e avassaladoras: dum lado, a vergonha, imensa, perplexa, repugnada; do outro, um certo e justo temor... Ao menos que os americanos lhe ponham um açaime. Era o mínimo, que diabo. O alemão, embora grande, não faz mal a uma mosca. Mais sedado não poderia estar. Mas este pequenitates, quem o oiça, só ocorre uma de duas coisas: ou fugir para bem longe; ou munir-se de um bom pau.


PS: Mas também, que são 250 milhões ao pé das dezenas de biliões que os amerdicanos já despejaram e vão tornar a despejar?... Peanuts! Já a Darknet, essa, parece que vai de vento em popa:

«Darknet sales

It has never been easier to get hold of various NATO shipments – directly from Ukraine – to anywhere in the world to anyone with money. The assortment from Kiev includes rifles, grenades, pistols, body armour. Just one of the listed sellers already had 32 successful transactions to his name. (...)»


terça-feira, junho 07, 2022

Emolduramentos penais

 Na Noruega, esse promontório escandinabo do oxidente, aconteceu o seguinte:

«Norwegian feminist faces three years in prison for 'hateful' tweets criticizing transgenderism».

E que disse ela assim de tão grave? (Quer dizer, não disse, tweetou, o que é bastante mais ominoso).
Segundo pude perceber, que um tipo qualquer, transexual, se assume como lésbica, e que isso não é viável porque se trata dum gajo armado em gaja, e bla bla, por aí fora. Em síntese: um gajo não pode ser lésbica (e, ainda menos, e em consequência, candidatar-se a cargos no sindicato, ou liga protectora, ou lá o que seja, das jovens lésbicas). 
Anedótico? Grotesco? Trica de cabeleireiro? Tudo isto e mais cinco tostões. Todavia,  incorre em crime de ódio, a feminista; três anos de moldura pedal. 
Não vou sequer pronunciar-me (todo o avacalhamento soaria a irrisório) sobre o nível de aberração patética que todo este episódio ressuma. Mas dá para ver o nível de liberdade cada vez mais empolgante das tais "democracias oxidentais". Quando não estão a cancelar, andam a emoldurar. 

PS: E dá para aquilatar também da nova "hierarquia celeste": a classe dos LGTBI&Etc, registe-se, paira acima das feministas, assim como os serafins sobre os querubins. Lá no topo?, nem perguntem: aqueles cujo nome não se pode pronunciar.

segunda-feira, junho 06, 2022

Parafraseando-me

 «Há muitos séculos atrás, Aristóteles, que não teve o desgosto de conhecer o jornalismo, já definia não obstante o percursor deste, a história, como inferior à literatura (no caso, a tragédia ática). Por uma razão muito simples, evidente e indiscutível: é que a literatura obedecia a critérios determinantes de verosimilhança. Podia não ser verdade (como no caso dos episódios míticos), mas, ao menos, era verosímil (cumpria uma lógica inatacável da necessidade intrínseca do enredo). Ora, a verosimilhança tem uma qualidade sobretodas estimável: confere sentido. A tragédia (ou a epopeia, ou um bom romance) é uma "história que faz sentido". O problema do jornalixismo, que faz as vezes da própria História nos tempos que correm, é que já nem se preocupa em fazer sentido. Faz apenas pouco do pagode. E faz de conta. (E faz o frete à santissíma propaganda). A limite isto acabará por descambar em sarilhos muito grandes. Mas até lá o manicómio vai bem e recomenda-se... tirando essa minudência cabeluda de as teorias da conspiração oficiais serem apenas, e por regra, imensamente mais estúpidas e descabeladas (quer dizer, inverosímeis) que aquelas que suscitam, na tentativa sisifiana, de lhes recauchutarem algum nexo lógico causal.»


domingo, junho 05, 2022

Mais antídoto para a palha alucinogénia

 Kim Iverson. Decorem. É o nome da beldade. E ainda por cima é inteligente. E não anda com a manada. Ronronar-lhe-ia mesmo sem  esses atributos, mas com esses bónus todos, caramba, faço o quê... uivo?...



E aqui sobre o nível rastejabundo da "propaganda anti-russa" mascarada de "cobertura mediática" oxidental:




sábado, junho 04, 2022

Carnavais da Ucrânia - II. Sob o signo do Unicórnio

 O Zombistão já dispunha das Forças Especiais, a Forças Muito Especiais e as Extremamente Especializadas. Algumas delas, senão mesmo o grosso descabelado (e estamos a falar do sistema nervoso do exército Zombi) eram constituídas por neo-nazis pitorescos, fogosos e sobremaneira russofóbicos. Por conseguinte, e a bem dos interesses do Império da Treta na região, neo-nazis fofinhos, com chip, coleira e registo loop. Sim, e também com as vacinas em dia e licença legal, pois claro. São neo-nazis, mas são os "nossos" neo-nazis!, ora essa, e como diria o outro. Foram devidamente adestrados, treinados e educados apenas para atacar russos. Ou Chechenos. Ou Ucranianos, digo cossacos. Enfim, "caçar orcs", como eles ladram.

Todavia, mesmo assim, a salganhada começava a ficar um bocado obscena. Sobremaneira, na europa delicada e sensível, caquética e semi-lobotomizada, mas com um focinho treinado e ainda extremamente sensível a certos aromas. Se o "populismo" já a transporta a histerias e descabeladuras, o neo-coisismo ainda a desgovernava  pela epilepsia a fora.    Está bem que se a voz do dono mandar, ela cheira e cala, até a cloaca mais fétida, mas mesmo assim... E a censura, digo, o critério editorial, está a funcionar a todo o vapor, em verdadeiro modo tsunami informativo, mas...nunca fiando.

Em suma: Convinha maquilhar. Portanto, eis que a operação de maquilhagem se desencadeia.

Primeiro, uma notícia que só por si merecia o óscar da trampolinice catita:

«Azov Battalion drops neo-Nazi symbol exploited by Russian propagandists»


E logo no Times, caramba! Essa referência. Portanto, explicam-nos, educam-nos, formatam-nos que o problema não estava nos símbolos, que estavam lá com todo o garbo, mas, isso sim, na exploração que a "propaganda russa" fazia deles. Pois claro, quando o Times e toda a propaganda anti-russa proclamam o Putin como o novo Hitler, lhe pintam bigodes e suásticas monumentais, aí não há problema. É a verdade soberana e oxidental, em todo o seu esplendor hermenêutico. Mas que alguém se atreva a reparar que o suprassumo das tropas palhadinas da liberdade, da sociedade aberta e da democracia liberal, ostenta o emblema de antigas Waffen SS, exibe, em ufania, cruzes gamada à História, e desfila com decalques e estandartes múltiplos de acefalia militante e perigosa, aí, cuidado, são propagandistas russos, é gente maligna e retorcida. Na verdade, é mas é o leninismo recauchutado, em kit para gastrópodes e invertebrados mentais: quem não repete cegamente com nós é contra nós.
Mas pronto, os símbolos nas fardas já se benignizaram, as tatuagens não tardam a ir pelo mesmo caminho: adolfos hitleres viram charlis chaplins, suásticas germinam trevos e por aí adiante. Roi-te, propaganda russa!...
Só que o bolo não seria bolo sem a cereja a culminá-lo. E como parece que um "presidente judeu" não era suficiente para branquear a coisa (como se o sionismo e o nazismo não fossem velhos companheiros de viagem), eis as Forças LGBTI&Etc!...E pasmai, ó incréus, contemplai o Unicórnio para exorcizar a "besta":



Duas notas suplementares:
Agora além de equipas e pelotões, as tropas zombis  também manobram em casais.
E quando os russos malvados os despacharem com algum tiro ou granada, isso só vem confirmar os nazis  expansionistas e homofóbicos que eles são.

PS: Não resisto a acrescentar: até teria  a sua piada colocar os Unicórnios a  combater ao lado dos Azovs. Isto sou eu a ser mauzinho, porque o mais provável, era os Azovs andarem tão entretidos a matar e brutalizar ucranianos que nem reparavam.

sexta-feira, junho 03, 2022

Carnavais da Ucrânia - I. Tatuagens peregrinas

 Antes de visionarem, se tiverem paciência para isso, o vídeo abaixo, seria essencial que lessem este postal antigo aqui da casa:

 Os Nazis de Carnaval 

Posto isso, aproveito para confessar que comecei a ver - hilariante e folclórico qb, heavy metal neo-nazi, ou satânico sempre faz algum sentido; afinal, Satanás e os seus avatares políticos alimentam facilmente a mesma circunvolução mental (seja dos prós, seja dos antis) -, mas, convenhamos, quando irrompem rappers neo-nazis e hiphop neo-nazi, o carnaval zombi já ultrapassa as marcas elementares da indecência: é o rilhafoles a céu aberto. 

Mas pronto, é o mundo que temos e o Novo Jerusali a que nos obrigam.




quinta-feira, junho 02, 2022

Da Psedudo-Ucrânia à Ucrânia, ou Uma Anedota particularmente sangrenta

 



A ilustração que se segue traduz uma grande fidelidade histórica. Mas também, e em simultâneo, uma grande carga anedótica. A Pseudo-Ucrânia actual, de resto, é uma síntese concreta dessas duas vertentes: a história e a anedota. Não é mesmo simples acaso, penso eu, que seja ornamentada, na presidência, por um misto de palhaço e psicopata. O anterior, um tal Poroshenko, era apenas psicopata.
Para introdução a um entendimento minimamente eficaz do presente rilhafoles , que ameaça seriamente transportar o globo à 3ª Guerra Mundial, recomendo que a leiam com devida atenção. Foi escrita no ano 2000 e dá para perceber que o problema vem de longe e, em larga medida, resulta duma série de trapalhadas mal atamancadas que só podiam acabar mal. Se acrescentarmos a tudo isso a pata americana, sempre pronta a transformar uma racha num abismo, então, ficamos esclarecidos. Sff, prestem especial atenção ao último parágrafo...


«Mal o Estado da Ucrânia foi constituído, logo se puseram lá a brandir - com o objectivo de cerrar as fileiras políticas - o espectro de uma pretensa ameaça militar da Rússia. Quando começaram a formar o exército ucraniano, exigiram oficiais que prestassem juramento de manifestar uma solicitude muito especial em combater contra a Rússia. Tinham uma tal necessidade de se sentirem ameaçados militarmente (era preciso reforçar uma "consciência nacional ucraniana" ainda demasiado difusa), que bastou a Rússia declarar a sua intenção de vender o seu petróleo aos preços mundiais e não a preços baixos, para que a Ucrânia erguesse a voz: "É a guerra!" (Kutchma, em 1993: "Não há economia que resista se for preciso pagar o petróleo aos preços mundiais!")
Durante todo o período de 1992-1998, não houve uma única ronda de negociações russo-ucranianas em que a parte ucraniana não tenha ficado em vantagem; estávamos longe das garantias de Kravtchuk em Belojev sobre a "transparência de fronteiras" e "união indissolúvel da Rússia e da Ucrânia": de agora em diante tratava-se de oposição permanente e sistemática da Ucrânia à Rússia, tanto no seio da CEI como na arena internacional. Passo a passo, a parte russa limitou-se a perder terreno. Não parou de fazer cedências (e continua a fazê-lo) no plano económico na esperança de aplacar a intransigência dos ucranianos. Sacrificou uns após outros os comandantes da frota do mar Negro - os inflexíveis almirantes Kassotonov e Baltin. Após uma enésima retirada, vejamos os que pudemos ouvir (9 de Junho de 1995): "Felicito a Ucrânia, a Rússia e o mundo inteiro!" Felicitar a Ucrânia - com certeza; o mundo inteiro - sem dúvida nenhuma; mas a Rússia, de que é que se podia felicitá-la?... É às descaradas que a Ucrânia se ocupa a correr connosco para fora do mar Negro! E a organização recente de "encontros informais" (uma forma de diplomacia que nos faz recuar ao feudalismo) não fez mais do que aumentar o número das nossas cedências.
Ao longo dos anos 50, encontrei, nos campos em que estive preso, muitos nacionalistas ucranianos e acreditei que estávamos todos sinceramente unidos contra o comunismo (na altura não os ouvi pronunciar a palavra moscals). Nos anos 70, nos Estados Unidos e no Canadá onde a emigração ucraniana constitui um maciço imponente, perguntava-lhes ingenuamente por que razão não dizem nem fazem nada contra o comunismo, mas têm palavras tão duras sobre a Rússia? Eu era ingénuo, de facto, porque foi só muitos anos depois que fiquei a saber que a infame lei americana "sobre os povos oprimidos" (86-90) tinha sido virada contra os Russos e que a sua formulação tinha sido ventilada no Congresso justamente por nacionalistas ucranianops (o congressista L. Dobrianski):
Quanto mais tempo passava, mais a ideologia dos nacionalistas ucranianos era dominada pelas concepções e palavras de ordem mais absurdas. Assim, ficámos a saber que a nação ucraniana era uma "supernação", que o seu passado se enraizava em tais profundezas milenares que não só S.Vladimir era ucraniano, mas também, de acordo com todas as possibilidades, o próprio Homero! E é este tipo de tolices que inspira os autores dos novos manuais escolares na Ucrânia, pois, apesar de os nacionalistas não passarem de uma pequena minoria, obstinam-se em elevar a sua ideologia a ideologia de todos os Ucranianos. "A Ucrânia aos Ucranianos!" - quanto a isso, claro, não há qualquer dúvida a esse respeito (embora vivam na Ucrânia dezenas de povos diferentes), mas também: "A Rus Kievana até aos Urales!" Os Russos são excluídos dos povos eslavos como um "híbrido fino-mongol". Foi criado em Odessa um Instituto de Geopolítica Nacional; tem o nome de Yuri Lipa, autor do livro A Partilha da Rússia, que, ainda em 1941, desenvolvia o seguinte programa: "Não é possível abater a Rússia senão através da aliança da Ucrânia com o Cáucaso e a Transcaucásia". Foi com este espírito que os nacionalistas ucranianos celebraram em 1992 o aniversário da divisão SS "Galícia" (o que não suscitou nem censuras nem indignação da parte dos Estados Unidos). Durante uma das suas conferências em 1990: "Nós professamos o uso da força, a força é tudo!" Foi por essa razão que a Assembleia Nacional Ucraniana (UNA) se dotou de tropas de choque (UNSO) e de um slogan: "A UNA - ao poder; a UNSO - ao ataque!" No congresso de 1994: "Apoiar op separatismo regional na Rússia com vista a favorecer a sua desintegração!"
E esta posição anti-russa da Ucrânia é precisamente o que interessa aos Estados Unidos. As autoridades ucranianas, tanto sob Kravtchuk como sob Kutchma, são solícitos em fazer coro com os Americanos, os quais procuram enfraquecer a Rússia. Foi assim que se chegou rapidamente a relações privilegiadas entre a Ucrânia e a NATO, e aos exercícios da frota americana no mar Negro (1997). Não podemos deixar de pensar no plano imortal de Parvus em 1915: utilizar o separatismo ucraniano para desmembrar a Rússia. Este retalhamento que faz a alegria do mundo político contemporâneo terá consequências tão dolorosas quanto duráveis sobre o conjunto dos três povos eslavos. Quanto aos bons sentimentos manifestados à Ucrânia por um Ocidente longínquo, muito longínquo, eles derivam de um calculismo táctico e só durarão enquanto forem considerados úteis.
Infelizmente, os nacionalistas da Ucrânia ocidental, cortados durante séculos do resto do país, valeram-se da confusão que reinou em 1991 e da indecisão dos líderes ucranianos, com pressa de se limparem da nódoa vergonhosa do comunismo aderindo às posições anti-russas mais extremistas, para definir os contornos de uma orientação histórica errônea e impô-la à Ucrânia: não se contentando com a independência e o desenvolvimento normal do Estado e da cultura nas suas dimensões étnicas naturais, mas açambarcando mais e mais territórios e populações para fazer figura de "grande potência", talvez até a maior da Europa. E a nova Ucrânia, denunciando toda a herança jurídica soviética, dela apenas recolheu este único presente: as fronteiras artificialmente traçadas por Lenine! (Na época em que Khmelnitski anexou a Ucrânia à Rússia, o seu território representava apenas um quinto do território actual.)
Que Deus ajude a Ucrânia a encontrar o sucesso na via da independência. Mas o erro  que vai pesar no curso das coisas é precisamente este açambarcamento excessivo de terras que nunca haviam pertencido à Ucrânia antes de Lenine: duas regiões do Dom [o Dombass], toda a faixa meridional da Nova Rússia (Melitopol-Kherson-Odessa) e a Crimeia. (Ter aceite este presente de Krushchov revelava já no mínimo má fé, mas a anexação de Sebastopol a despeito de - já não falo dos Russos que aí morreram - documentos jurídicos soviéticos, é pilhagem de Estado).»
     - A. Soljenitsyne, " A Rússia sob a Avalanche" (Cap.12  - A Tragédia eslava)


PS: 
A negritado, como puderam constatar, está o que não pertence à Ucrânia - aquilo que eu chamo a Pseudo-Ucrânia. Exactamente a parte que o justo proprietário veio reclamar. E está a ser benévolo, se se contentar com isso. Porque, de facto, aquilo, historicamente, pertence-lhe tudo (fora a parte mais ocidental, da Galicia e Transcarpatia). O provável resultado da presente operação, será que a Ucrânia acabe reduzida a si própria, caia na real e se deixe de megalomanias furiosas e de arrogâncias e novo-riquismos balofos a armar à super-potência. O povo ucraniano, nas suas múltiplas etnias, línguas, afeições e culturas, é que sofre e morre (e vem sofrendo e morrendo desde 2014)  em impiedoso sacrifício aos delírios esquizoides de meia dúzia de alucinados e ganzados militantes, ainda por cima sob tutela dos interesses da oligarquia global. Da qual cuja tanta, reconheça-se, o Gerontossauro Bidens e os neoconas imarcescíveis constituem apenas mainates de serviço.
Que, entretanto, um mero show de fantoche se tenha transformado no espectáculo de maior sucesso do Ocidente, confesso, ultrapassa todas as minhas capacidades de entendimento. Porém, como a estupidez, sobretudo das massas, é um fenómeno para o qual não se conhecem limites... Mas daí até ao abandono eufórico do próprio instinto de sobrevivência, caramba... Qual caramba: foda-se!...

quarta-feira, junho 01, 2022

A Rússia


  Sempre fui um bocado anti-Rússia. Um bocado, é favor... Bem, na verdade, anti-Soviético, mais propriamente. Aquela coisa da revolução de Outubro nunca deixou de me causar profunda repugnância. Depois que li Dostoievski, na minha juventude, então, pior ainda. Quando percebi o caminho e as fontes para toda aquela cegada. Todavia, constato hoje, era uma coisa que eu detestava, mas não compreendia. Como era sequer aquilo possível, todo um absurdo?...

Só depois de fermentar uns anos sobre Soljenitsyne (eu sou assim, fico a fermentar, como os alambiques, parece até  que durmo, mas não: digiro), especialmente aquele "A Rússia sob a Avalanche", é que eu acho que comecei a decifrar o nevoeiro, a ver para lá do absurdo. Estou, pois, em crer que a palavra e o momento chaves da transformação são, respectivamente, Stalin e a 2ª Grande Guerra. O primeiro, porque liquidou bolcheviques e trotskistas (e ainda, de bónus, e passe a redundância dos anteriores, grande parte da súcia torcionária judaica); a segunda porque restaurou o patriotismo e o "amor à Mãe Rússia". Emerge dela uma devoção, quase místico-religiosa, que, num certo sentido, transcende o estrito ateísmo comunista. Quer dizer, a União Soviética  é, doravante, a Rússia Vermelha - vermelha do sangue do seu martírio, dos seus heróis, da sua - permitam-me o termo -, "humanização". Já não é apenas uma estrita manipulação/usurpação ideológica, uma abstração utópica, uma revolução do cuspo; não, assentou na terra - a terra mãe, origem, matriz -, e recuperou parte das suas raízes. Não é, até, de todo impróprio quando se diz Stalin, o Czar Vermelho. 

Suspeito bem que as derrotas humanizam, porque nos devolvem, aos homens e povos, ao chão; tal qual as vitórias ensoberbecem e, nessa medida, endemoninham, porque nos atiram à conquista dos céus. As terríveis derrotas iniciais dos soviéticos às armas dos alemães do III Reich fizeram deles russos outra vez. Só a Rússia, a gigantesca e mística Rússia, teria força para derrotar o melhor e mais brutal exército do Século XX. Sem ela, a União Soviética teria sido varrida, como, de resto, foi, enquanto a Rússia, telúrica, antiga, profunda, não se levantou. Não foram os soviéticos que arrasaram os alemães, foram os russos. Arrepia-me, pensar nisto.

Temos o hábito de conotar império colonial com império marítimo. Porque na história fomos um império desses, em despique contra rivais do mesmo jaez: holandeses, britânicos, franceses... Escapa-nos, assim, quase por automatismo atávico, a ideia de um império colonial terrestre. Não dispersão, mas contiguidade; não mar, mas fronteira. Todavia, é  nisso que se transforma a União Soviética com Stalin no pós-guerra: num império colonial Russo. As repúblicas da URSS são colónias da Rússia. E todas, ou quase todas, com comunidades de colonos russos nelas implantadas. E mais ou menos numerosas. Que se vão introduzindo e ampliando ao longo dos anos. Por motivações e fenomenologias várias. Acerca disso, Soljenitsyne é eloquente:

«"Eh, tu, ó russo, volta mas é para a tua terra!", "Ponham-se mas é ao fresco antes que a gente vos corte o pescoço!", "Deixem a nossa terra, malditos russos!"  Na Ásia Central, chegaram ao ponto de apregoar o seguinte slogan: "Fiquem cá, precisamos de escravos!" Insultavam os russos na rua, nos carros eléctricos, nos lugares mais frequentados, importunavam as mulheres.(...)
  Instalados num quadro familiar onde tinham passado toda a sua vida, onde tinham vivido os seus pais, muitas vezes também os seus avós, acordaram num belo dia com a notícia de que já não estavam na sua terra, que não passavam de estrangeiros indesejáveis, vítimas de discriminação e até mesmo de ódio. (...)
  Quem eram estes russos estabelecidos nas fronteiras do império? Alguns tinham sido deportados ou evacuados para ali; outros enviados para lá por serem os melhores na especialidade, por terem iniciativa, por terem capacidade de adaptação: profissionais de alto nível. Foram eles que introduziram nestas regiões a ciência e a cultura, foram eles que aí desenvolveram a tecnologia e a industrialização.»

A implosão da União Soviética é, assim, muito parecida com a implosão do Império Português: desaba por dentro, sob vapor e enlevo externo, e acarreta consigo uma catástrofe total, um cataclismo que tudo desmorona e aniquila. Não apenas na matéria, mas também  no espírito. O caos, a delapidação e a pilhagem que lhe sucedem vêm mascarados sob o manto edulcorado  duma abstração entorpecente: democracia. O beijo da aranha.

E há uma outra tragédia humana que decorre do descalabro geral: os colonos russos experimentam a mesma sensação dos colonos portugueses. A desorientação, o desespero e o abandono. Soljenitsyne queixa-se amargamente disso.

Entretanto, o Pós-Stalin, sobretudo com Khrushchev, mas também com Brejnev, traduz-se numa espécie de conflito interno entre a pulsão "nacionalista" renascida da Grande Guerra e a pulsão "internacionalista" em recaída e reincidência à anterior infecção. A virulência e resistência desta segunda estirpe acabará mesmo por conduzir à exaustão e ao colapso do império. Bem como  a todas as derrocadas subsequentes, políticas, sociais, económicas e militares. Noutras palavras, mas com idêntico sentido, já Bismarck afirmava que ninguém conseguia derrotar os russos, excepto eles próprios. Na Perestroika (Catastroika,  alguém glosou), como em Outubro de 1917, os russos entretêm-se a atirar com a casa abaixo, sob os eflúvios da droga externa. O embuste é de sentido inverso, os efeitos são os mesmos.

A herança de Putin é, pois, pesada e complexa. E resulta duma segunda "humanização" da Rússia, extraída das terríveis debacles e humilhações  do pós-império soviético. A Federação, todavia, já não é o Império, mas retoma dele as raízes, a postura e a bandeira. E não pretende renegar, estou em crer, a terra e o povo que, historicamente, são os seus. Até porque a língua russa também é, justamente, a pátria deles.

Nesta pesada herança, oriunda do comunismo sobretudo, abundam problemas, atropelos, desmazelos e injustiças grosseiras como as da Pseudo-Ucrânia.  Mas sobre isso a alongar-nos-emos detalhadamente num próximo postal.

terça-feira, maio 31, 2022

A solução do enigma

 Sobre a pandemia ió-ió, que ora vai, ora volta, não pretendo elaborar muito. Esta emoção do Zombistão foi tão grande que,  simultaneamente, operou  a cura e o milagre. Nem mais;  graças a Santo Putin,  desapareceu a pandemia, sumiu-se o apocalipse climático, evaporou-se até a fossilofobia que tanto nos urticava e escalvava a passos largos. Num ápice, até o fracking-gas americórnio (altamente dispendioso e hostil ao ambiente ) já era a solução para todos os nossos problemas, a panaceia que nos salvaria (à alemanha, sobretudo) da horrível toxicodependência energética. Ficava muito mais caro, era muito mais sujo, mudávamos apenas de dealer, ficávamos não já  parcial mas completamente dependentes, quer dizer, ainda mais vassalos dos Estados Unidos, mas isso agora que importava, eram minudências e pentelhices: Santo Putin até da superstição do Mercado e suas leis nos curara. Para quê pensar no lucro, quando nos podemos arruinar por uma má causa, aliás, nem precisamos de causa nenhuma. Fora o interesse! Só não se avançou a todo o vapor por esse precipício abaixo porque, descobriu-se com pena, faltavam terminais e torneiras onde nos prostrarmos imediatamente em submissão. Mas lá chegaremos. Para compensar desta frustração momentânea, apontámos um revólver de sanções à cabeça (paradoxo e prodígio assombroso, dada a acefalia evidente e monumental) e partimos para a roleta europeia - que, aproveito para esclarecer, se distingue e, claro, opõe à russa, na exacta medida em que se carrega não apenas com uma, mas com seis, ou seja, todas as balas. É infalível, acreditem.

Porém, divago. A pandemia, dizia eu. O copy-paste parece que passou dos humanos para o vírus. Infectado, aturdido, este, terá ricocheteado depois à procedência. E ei-lo a cavalo nas massas. Copy-paste ao quadrado. Televisões em choque, enfermarias inundadas, especialistas em catadupa. Ao menos a gripe ficou suspensa por um ano, vá lá. Mas novo passe de mágica: em tempo record, a vacina. Boa e barata. E desembaraçada duns certos empecilhos arcaicos. O melhor dos mundos já ali adiante. Mas eis que se instala um certo mal estar, uma inquietação surda, rastejante... Quinam que nem tordos alguns infelizes - criancinhas, jovens, atletas, actores (desmancha-paraísos, todos eles, é o que é)  - ouvi dizer. A mata-cavalos, a vacina, será que andava também a matar gente?... Angústia... Medo...Mais medo ainda... Perplexidade (nem me atrevo a mencionar, ao de leve que seja, as implicações disto para certas mentes inclinadas à suspeita metódica e à conspiraci.... (engasgo-me só de pensar).

Mas era uma questão legítima. Melhor, é. A ciência, afinal, avança por tentativa e erro; experimentação e melhoramento. O que está mal, corrige-se. Para o problema, procura-se a solução. Em teoria, claro, em teoria.

Pronto, não chorem, tranquilizemo-nos: eles encontraram a solução. Os nossos sacerdotes. Abençoadinhos! E estava todo o tempo bem diante do nosso nariz:  «The specific trioxides they have detected – called hydrotrioxides (ROOOH) – are a completely new class of chemical compounds.»

São os/as hydrotrioxides, meus amigos. Desencadeiam anomalias cardíacas... e respiratórias! Mas pior ainda: contribuem para o aquecimento global. Coitado do clima.

A besta Soros, com aquelas fuças que o diabo lhe deu, na sua arenga ao congresso de malfeitores planetários, já deixou o road map: depois de eliminado Santo Putin, volta-se ao combate contra o apocalipse climatérico. A toda a velocidade. E com  a maior urgência. Tremam, gambosinos!


PS: Na verdade, ninguém morreu. Apenas deixaram subitamente de respirar. E de aparecer. Exagera-se muito hoje em dia.

segunda-feira, maio 30, 2022

Quiz

 Entretanto, e de acordo com rumores e murmurejos, aceitam-se apostas sobre quem tratará primeiro da defenestração do anão Zelote:

a) os heróis do oxidente e neo-nazis fofinhos do Azov;

b) o estado-maior das AFU (as forças armadas ucranicoisas);

c) o patrocinador/director amerdicano;



Nas casas de apostas, de momento, são os da alínea a) que vão à frente.

Para quem estranhe a alínea c), convém não esquecer aquele aforismo do Kissinger: "ser inimigo dos Estados Unidos é perigoso, ser seu amigo é fatal".

domingo, maio 29, 2022

Edição genética

 



«A gene-editing experiment conducted on hamsters turned the adorable, furry pets into “aggressive” little monsters, researchers said. »

As potencialidades desta nova frankenstoria são imensas. Assim que eles afinem o alambique, bem entendido. O gado humano mal pode esperar... Mas, presumo, a manipulação (uma vez afinada, convém não esquecer) pode dar para os dois lados. Criando, por um lado, zombis de combate, e por outro, zombis de trabalho. Assim, de repente, isto até lembra uma qualquer utopia...  ah, pois, formigas-soldado e formigas-operário. Os Soros e os abertadores deste mundo até devem esfregar as patas da frente de volúpia e excitação.

Já agora, a parte da notícia que eu acho mais crocante e estaladiça:

«Researchers said they chose to work with Syrian hamsters there social structure is similar to that of humans.»

O melhor vem sempre no fim.

sábado, maio 28, 2022

Para quem não gosta de palha alucinogénia

 

«Former CIA & State Department Analyst, Larry C Johnson, on Ukraine, Donbass & Russia»


Com uma vénia muito especial a um fenómeno cada vez mais raro: Uma jornalista séria e corajosa. Eva Bartlett.

O Oxidente já quase não tem informação livre, mas apenas deformação obrigatória. E despejada alarvemente pelo funil - a fazer de cabeça - abaixo. Como eu já aqui referi, os antigos revolucinhários tinham a guilhotina, os actuais têm a televisão. O efeito é o mesmo.

sexta-feira, maio 27, 2022

Winston Chocho, ou Um Puppet nunca vem só

«Servant of the corrupt» 

ON THE RELATIONSHIP BETWEEN PRESIDENT ZELENSKY, OLIGARCH IHOR KOLOMOISKY AND 

WASHINGTON DC


Uma leitura deveras edificante. E é sempre muito educativo ter uma sucinta noção do CV do anão Zelote, presidente do Zombistão e enlevo tele-bombado das manadas globais. O Zombistão, como é público e notório, é um dos fake-países mais corruptos do mundo e o campeão da Europa nessa modalidade. Quanto às infestações que passam por estado, o fenómeno oscila e zune entre o ISIS 2.0 (agora com tatuagens neo-nazis e heráldicas  dermo-satânicas), uma junta de falsários informativos desenfreados e uma polícia política extremamente letal (SBU), mascarada algures entre a SWAT team, a Gestapo e os stormtroopers da Disney. Não há muito tempo, devíamos suicidar-nos todos, num armagedão atómico, por amor ensolapado a este circo. E em solidariedade penitente com ninguém sabe muito  bem o quê.

quinta-feira, maio 26, 2022

Banalidades do gatilho

 

«The carnage began with the 18-year-old suspect, identified as Salvador Ramos, shooting his own grandmother... 

President Joe Biden urged Americans to stand up to the politically powerful gun lobby, which he blamed for blocking enactment of tougher firearms safety laws»


Mais um massacre banal no Paraíso, vulgo Estados Unidos da Amnésia ( a expressão não é minha mas é a melhor que conheço). Pois, e a culpa é das armas, urra o Gerontossauro Bidens . Um dia destes,  atropelo em série vários peões, peoas ou peõezinhos incautos  e desculpo-me: a culpa não é minha - é do carro, da lóbi dos construtores automóveis! Aliás, se virmos a quantidade de gente que falece de morte violenta, todos os dias, por via dessas máquinas desarvoradas, e seguindo a lógica lá do Réptil Jurássico das amérdicas, era mais que caso para o nosso desgoverno, também ele a escorrer dumocracia aos molhos (embora pastoreado por um Hipopotamus Absolutos), ilegalizar o quanto antes a venda livre desses instrumentos massacrantes.

Agora a sério, dá-me a ideia, tenho mesmo a vaga suspeita, que as armas não disparam sozinhas, pois não? Ou estarei a delirar? O problema essencial, quer-me cá parecer, não é a arma, mas o atirador detrás dela. A gana de atirar... o gatilho como panaceia nacional... O culto da violência e do matadouro intrínseco a uma determinada sociedade. Sociedade, essa, que se rege por hábitos, predisposições, estímulos e "regras" cada vez mais associais, amorais, senão mesmo sociopáticos. Uma autêntica distopia à solta na realidade.

E o mesmo Gerontossauro que despeja biliões de armas (em larga medida fora de prazo)  na Ucrânia (leia-se, nos bolsos duns quantos patrocinadores e sobretudo no Complexo Armamentista), para libertar espaço em armazém para novos e reluzentes stocks no Paraíso, vem reclamar por meia dúzia de presuntos domésticos por via de talheres avulsos! Quer moralizar às carradas e duma vez por todas!... Caso para dizer: o Barão da Indústria nunca há-de tolerar o artesão ambulante.

Por outro lado, não reza a história que com a proibição de bebidas alcoólicas, durante a Lei Seca, tenha deixado de haver ébrios, pielas e regabofes adjacentes. Pior, rebentou mesmo o gangsterismo e a carnificina desatada em todo o seu esplendor.  Proíbem as armas, os sonsos e mestres da velhacaria. Deixam de poder comprá-las nas lojas, os alucinados e tarados endémicos, e passam a ir comprá-las aos gangues, aos traficantes de droga ou às redes clandestinas que, sei lá, as arrematam a preço de saldo, por exemplo... na Ucrânia. Ou na Síria. Ou na Somália... Ou na dark web... ou onde quer que o Diabo que montou bazar neste mundo abra o balcão.

quarta-feira, maio 25, 2022

Santo Putin

 A propósito desta cegada do Ucancro, digo Ucrânia, nem lembrava ao diabo - corrijo, só lembraria mesmo a ele e aos imundos  filhos dele ! - arremessar com o famigerado Reductio Ad Hitlerum ao coitado do senhor Putin. Reductio, esse, diga-se em abono da verdade, que já é rançoso e recorrente e vem quase do paleolítico inferior baixo.  Mas que raio, convenhamos, se a ideia era desqualificá-lo pelos ímpetos restauradores da defunta União, então o Ad Stalinum sempre seria, vaga e remotamente, verosímil, ou não?... Aliás, para não variar, estes chicaneiros globais, confundem-se todos e metem, sem freio nem pejo, as patas de trás pelas da frente. Quer dizer, é  o novo Hitler e quer restaurar a União Soviética.  Ah, bonito. Bem, não, se calhar é a Rússia Imperial.  Belo, ainda mais empolgante... o Pedro e a Catarina são mesmo ao estilo e escola do Adolfo maluco. Estão a ver a lógica mirabolante, o culturismo histórico, ou melhor, histérico, da coisa?... Mas estão a comentar ou a ter acessos convulsionários e epilépticos, estes moços de frete da pantalha emética? Entre a CNN, o MSN, a hirsuteria Milhazeira e o anão Zelote, o primor retórico é mais ou menos esse. A lixeira mental a céu aberto. O grunhido javardo a armar ao bastião indómito da civilizacinha apalpada. 

E aproveito para acrescentar que até nem ficaria mal ao coitado do senhor Putin - e digo coitado porque o infeliz, entre tentativas múltiplas de assassínio, atentado e desconsideração pública, vai estertorando nas vascas de vários cancros, síndromes e patologias avulsas-, pois, dizia eu, até nem lhe ficaria mal aquela virtude (rara, mas, ainda assim louvável e nada despicienda) do Joseph Stalin em despachar picadores de gelo aos cornos do Trotsky. Um moderado, é o que ele é. Um punhos de renda. Pior, a avaliar pela paciência com que atura Kasparoves, Zelotes  e Gerontossauros Caqueticus desta estrumeira a boiar no espaço, um santo.

PS:

«Perante uma super-acédia colectiva, a mentira ganhou honras de dogma. E o mal preside ao melhor dos mundos possíveis, cujo lema se esgota, doravante, no "quanto pior, melhor"»... Lembram-se? Estávamos em 2016.

Porra, mas mesmo a mim, o mais pessimista e empedernido dos oráculos, a bandalheira mediática, a desfaçatez imperiabunda a raiar a possessão infernal, enfim, a merdalheira moral e política bombada e matraqueada até à inanidade, me ultrapassaram por desmesurada escala. Confesso: estarreci.  Se o Oxidente  deu nisto, emigrar para a Rússia é pouco. É nada. Só mesmo para outra galáxia. Onde o fedor não alcance.

terça-feira, maio 24, 2022

Pay back time




 Todas as imitações - tanto mais grotescas e aleivosas, quanto mais afastadas e exorbitantes, no tempo e na história - do Império Romano, devem lembrar-se que a factura final inclui fatalmente o corolário pimpão da coisa: a Decadência. Está inscrito, em letras eternas e inexoráveis, no património vital dos homens tanto quanto dos Impérios.

Pois se os almoços não são grátis, haviam de o ser os banquetes e as orgias, ó pequeninos?!...

terça-feira, maio 02, 2017

Trumpetas do Apocalixo



Já agora, sobre o EstTrumpf Trumpetas, e após metódica observação, ocorreram-me alguns epitáfios do estilo:
1. A montanha pariu um rato, e o rato produziu uma lombriga que agora preside a ambos.

2. As notícias sobre a derrota da Bruxa estavam manifestamente exageradas... Não há almoços grátis, pois não? Nem jantares, tão pouco.

3. Entre a Bruxa e o Novo-Bush, afinal, cabia ao Demo a escolha. E este não se fez rogado: Funcionou a Democracia.

Mas acho que, de todas as que tenho lido, a síntese mais feliz é esta:

«So when is Trump sex change operation?
He´s reversed himself on everything else.»
- Justin Raimondo


Make what? Well, make Israel bigger.






terça-feira, abril 25, 2017

Partidofagias e Contos do Vigário (r)



Podia lá eu faltar a uma efemérdia festiva destas...


Mas alguma vez os partidos, em Portugal, se guiaram coisa que se visse por ideologia, doutrina, receita (culinária, que fosse), programa de partido ou sequer de governo? Mal se apanham no poleiro, passam por isso tudo com o maior desembaraço, velocidade e amnésia súbita. Mesmo os comunistas (dos vários credos e alambiques) quando, no pós-25 de Abril, se entretiveram a desmantelar a nação à boleia da peregrinice zoina dos moderados (como já tinha sido em Outubro de 1917, na Rússia), mesmo esses, nunca deixaram, no essencial, de acautelar a vidinha e o futuro sem sobressaltos na "democracia burguesa" pós-Novembro. Nos restantes quarenta anos, os partidos têm sido nada mais que agências de emprego, feiras de contactos e influências, trampolins sociais e trambicódromos para safardanas, sicofantas e arranjistas das mais diversas estirpes, cores e proveniências. E quanto mais instalados ou com acesso ao Poder, pior. A não ser no folclore da treta, não há socialistas nem não socialistas, sociais-democratas ou populares, esquerdistas ou direitistas, conservadores ou liberais: é tudo devoristas, trepadoristas  e empalmadores. A máquina partidária encarrega-se de produzir, em regra, enchidos desses. Mesmo indivíduos honestos e genuinamente bem intencionados que, por algum milagre da santa, escapassem à filtragem interna, acabariam rapidamente submersos e varridos pela marabunta infestante.
Fora tudo isso, as únicas agendas que cumprem vêm de fora e fazem parte do kit/alvará comercial. Ou do estojo de emergência, por dictatum ainda e sempre externo. Resume-se o fenómeno inteiro num aforismo simples: sacrifica-se o pagode para salvação dos eleitos.

Os partidos são o cancro. Está provado e servido, à náusea e à exaustão, desde a cegada de 1820. E também já vimos a cura, pelo que não requer descobertas da pólvora ou da roda dentada. Não há metásteses boas nem metástases más: há metástases que se tornam particularmente nefastas e malfazejas logo que abocanham o Poder. A diferença no malefício é directamente proporcional à quantidade de poder nas unhas da quadrilha e à duração da mamada. A dinâmica da mediocridade, da chicana, da safadeza e da filha-da-putice que reina no interior das cloacas partidárias (dos quais o modelo universal e perpétuo é o do próprio Partido Comunista - cada Secretário-geral converte-se num tótem tribal a prazo, e, uma vez no Poder, degenera num Kim-Kong-ill à solta, a arder em frémitos de eternidade) alastra ao país e instaura a dispersão, o oportunismo, a velhacagem e a zaragata permanente. Acangotada na Administração Pública, numa cascata de alvéolos, casulos e bolsas marsupiais, esmera-se, afana-se e desunha-se, a um ritmo cada vez mais frenético, em extorquir e brutalizar, sem dó nem piedade (e toda a burrocracia de que é capaz), o contribuinte e o desamparado em geral.  Desamparado, entenda-se como todo aquele que não pertence ou é patrocinado por qualquer uma das camarilhas em exercício: dos partidos à maçonaria,  das Ordens às Opus, dos Clubes  às seitas (excepto naquele caso emblemático em que o clube e a seita se confundem), passando por todas as mancebias e manjedouras a jusante, cujo elenco me dispenso de explicitar por economia de espaço e nojo. O certo é que é toda uma escumalha - que não vale a ponta dum corno nem serve para nada de útil à nação - a armar ao importante, ao fino e, sobretudo, ao caro. Mainates que se fazem pagar como arquiduques.

Os partidos, entretanto, foram todos socialistas no pós-25 de Abril; foram todos democráticos no pós-25 de Novembro; e serão todos o que for preciso para garantir o estipêndio dos seus comensais (devidamente hierarquizados à boa moda feudal, pois claro, que isto da democracia é só mesmo para inglês ver e otário aplaudir). Acreditar na reforma deste esquema, ou, ainda pior, na sua cura milagrosa, é o mesmo que acreditar na redistribuição da riqueza. Os mesmos que não impedem os ladrões de roubar e, ainda por cima, os ajudam a sacar a seu bel-prazer, apregoam  depois projectar persuadi-los a devolver o que quer que seja? Os mesmos que facilitam são depois os mesmos que moralizam? No menos mau dos casos, é o mesmo que pretender educar um filho na idade adulta, depois de deixá-lo adquirir todos os vícios, taras e más tendências. Uma nódoa, parafraseando o Eça, não se reforma: remove-se.
Mas pior ainda é tentar camuflar o surro duns debaixo do tapete do lixo dos outros. Quem o faz não o realiza por amor genuíno à higiene, mas por  frete escuso ou interesse escaninho numa das imundícies. Repito: Não é devoção à limpeza: é propaganda eleitoral. E das rascas.
Ou então não, dir-me-ão as almas mais caridosas; que é mero fruto da ingenuidade, de boa fé, com boa intenção. Pois, contra bem intencionados desses já fiquei eu  vacinado (e pena não ter também ficado o país) no 25 de Abril. Já sei qual vai ser o resultado da "boa intenção"... Que, diz o provérbio, povoa os infernos.

PS: consta que as "câmaras corporativas"  rosas e laranjas que infestam a blogosfera (quem a viu e quem a vê!...) são, em larga percentagem, tripuladas por funcionários públicos. Faz todo o sentido. Em pleno mundo às avessas, numa sociedade em putrefacção acelerada, o parasita ascende a guardião da moral pública.

segunda-feira, março 13, 2017

Lendas com pés de barro e nariz desmedido



A propósito de obras sobre a nossa última Guerra Ultramarina, chamou-me a atenção no livro de Simon Innes-Robbins, "Dirty Wars: A Century of Counterinsurgery", um capítulo sobre os portugueses (na verdade, o 2. The last to leave: The portuguese experience, 1961-74). Dei uma leitura rápida, mais a sondar de eventuais e recorrentes minas do que propriamente em digressão colectora e não é que, a páginas tantas, tropeço nesta pequena pérola (relativa à Guiné):
«Following the breakdown of talks and the departure in 1973 of Spinola, who left  morale at an all-time high, the counterinsurgency campaign was continued under General Bettencourt Rodrigues. However, the situation on Guinea begun to deteriorat during 1973, and it was clear that Spínola's inspiring leadership had served only to paper over serious cracks in the portuguese war effort. After his departure attitudes hardened on both sides, especially following Cabral's assassination by PAIGC dissidents in January 1973.»
Ora bem, a literatura anglo-saxónica é de um modo geral benevolente para os militares, em contraposição com um certo desdém pela inabilidade dos políticos (leia-se, do regime). Todavia, e mesmo assim, já não embarca nos mitos negros sobre a DGS como autora ubíqua de assassinatos a esmo.

Em suma, a lenda negra do assassínio de Cabral pela DGS e pelos portugueses já só resiste enquanto pinoqueira inveterada dos papagaios ideológicos do costume (como estes; ou estoutros, passe a redundância, e por desplante conveniente, recorrente e óbvio). 
Qualquer historiografia minimamente séria, juntamente com multíplos testemunhos de dentro do próprio PAIGC da época, há muito que clarificaram o embuste propagandalheiro. Cito apenas alguns desses testemunhos:
 «O ex-comandante de navio da força marinha do PAIGC, Álvaro Dantes Tavares, afirma que Amílcar Cabral foi assassinado por Inocêncio Kani, um dos principais elementos da força da marinha. Numa entrevista ao Ocean Press Álvaro Dantes Tavares considera que este facto foi desprestigiante para a marinha, a principal base do PAICV.»

O ódio dos guineenses aos cabo-verdianos é antigo. Mesmo o Marcelino da Mata, que é guineense retinto (etnia Papel), se lhe perguntarem o que é um Cabo Verdiano (ou mestiço de qualquer zona de África) ele responde, sardonicamente, com um termo pejorativo: "Fotocópia". E depois há outro conceito entranhado no PAIGC (e nas estruturas reinantes da Guiné-Bissau) que diz tudo: a promoção aos altos cargos processa-se por extinção sumária e expedita do superior.  A lista é vasta, metódica e conhecida. Principiou no próprio fundador.

domingo, março 12, 2017

Malditas Cassandras!








Chamo a atenção para a data desta entrevista: 2011. Portanto, as pessoas podem confrontar o que foi diagnosticado e prognosticado nos fenómenos históricos entretanto decorridos. Mas um trecho é sobremaneira significativo: quando ele refere o carácter praticamente marxista (por incubação neo-trotskeira, acrescento eu) da nova ideologia promotora das guerras: a "democratanóia globalhabunda". Isso, e o vaticínio, por arrasto implícito, de uma "nova-Al Caeda"...
Delírio? Três anos depois, em 2014, o Exército Islâmico fazia a sua proclamação ao mundo.

sexta-feira, março 10, 2017

O Modo Português

Para os raros que se interessam seriamente por estas questões, uma obra a ler sem mais delongas:




quinta-feira, março 09, 2017

Dia Mundial da Gaja

Ontem, escutava-se a esmo, nos mérdia, um grande rumor festivo. A propósito do dia Mundal da gaja, celebravam-se conquistas e emancipacinhas deveras crocantes. Como, por exemplo, hossana nas alturas!, o acesso a baluartes masculinos do estilo alancar no fundo das minas, ou  guiar um táxi, ou, nec plus ultra,  pegar em picareta para efeitos de jardinagem. Assim mesmo, cada qual mais formidável que a anterior. Babo-me diante de tão indiscutível progresso feminil: já se entoupeiram pelo chão abaixo, já guiam táxis e já se deleitam com uma picareta nas unhas. Esqueceram-se apenas de proclamar uma outra conquista emancipadeira ainda mais sublime, verdadeiro corolário das anteriores: também já podem alistar-se nas fileiras do Exército Islamico. Melhor e mais urgente convocação missionária não encontro para as nossas feministas de plantão. E duvido mesmo que exista.

terça-feira, março 07, 2017

Ironias do Destino

 O pigmeu, fanfarronca ele, vai fazer exigências ao gigante. Está, claramente, a confundir o Putin com o Trump. O Vlad vai responder-lhe, diplomática e caridosamente, que sim, pois claro, vai pedir aos Iranianos que se retirem com suavidade. Ao que estes responderão, com humana modéstia e cordial afecto, que sim, que o farão com todo o gosto, assim que acabem de desinfestar a zona (na companhia dos Sírios e Russos).
Entretanto, o pigmeu vai meditar sobre a sua própria estupidez caiada a esperteza saloia. Quando segregou a peregrina ideia de patrocinar a praga de antropófagos islamicoisos na área achou que era bestial e supimpa. O resultado, porém, para qualquer racional minimamente equipado de neurónios activos, era mais que previsível: os Iranianos vieram (viriam sempre) atrás dos islamicoisos, que lhes serviram de pretexto excelente (e facilitado) para confraternizarem, em modo piquenique bélico, com os seus amigos do Hezbollah. Estes, antes com imensas dificuldades para receberem armamento, puderam assim, sem grandes embaraços, encetar um upgrade catita nos seus arsenais balísticos. Agora, os israelinhos têm os iranianos à porta de casa, os chiitas libaneses devidamente  equipados e amanhecem todos os dias, os pequenotes, justamente sentados em cima dum barril de pólvora.
Mesmo quando aparentemente dorme, Deus não descansa. No mínimo, tem sempre a ironia do Destino a trabalhar por Ele.
Ou então rememoremos aquela fábula engraçada do João a gritar que vem lobo.


domingo, fevereiro 26, 2017

Apocalipses de alguidar

«* Some 1,271 government organizations and 1,931 private companies work on programs related to counterterrorism, homeland security and intelligence in about 10,000 locations across the United States.
* An estimated 854,000 people, nearly 1.5 times as many people as live in Washington, D.C., hold top-secret security clearances.
* In Washington and the surrounding area, 33 building complexes for top-secret intelligence work are under construction or have been built since September 2001. Together they occupy the equivalent of almost three Pentagons or 22 U.S. Capitol buildings - about 17 million square feet of space.
* Many security and intelligence agencies do the same work, creating redundancy and waste. For example, 51 federal organizations and military commands, operating in 15 U.S. cities, track the flow of money to and from terrorist networks.
* Analysts who make sense of documents and conversations obtained by foreign and domestic spying share their judgment by publishing 50,000 intelligence reports each year - a volume so large that many are routinely ignored.»
Este trecho, onde transparece todo um aparato algures entre um 1984 rilhafolesco, um dédalo kafkiano e um scketch montypytonesco, não foi retirado de nenhum alfobre de teoria da conspiração. Não, foi mesmo do Washington Post. De 2010. Ou seja, bem antes do Washington Post se ter dedicado, em exclusivo, a debitar teorias da conspiração. Cada qual mais descabelada e alucinada do que a anterior. E descreve, o trecho em epígrafe,  a IC americórnia. A IC, que é como quem diz, a Inteligence Community da Democracia Liberal mais xpto e modelar do universo. De tal ordem que se viu transformada em produto de exportação global à força de tiro e bomba. Só que, de liberal, com uma hipertrofiação estatal destas, não tem nada; e de democracia, com uma obesidade subterrânea e inescrutivável destas, também não. Aliás, como a recente e excêntrica alcandoração do Donald vem demonstrando às escâncaras. A Coreia do Norte e o seu querido líder viram-se subitamente ultrapassados no concurso para a maior anedota do planeta: os Estados Unidos, com o seu abominado, vituperado e por todos os meios desancado e gozado presidente, ultrapassou-a. E, realmente, entre um país onde um povo lobotomizado idolatra o mandarim, ou um outro onde uma súcia de funcionários públicos e prostibulares se serve do  legitimamente eleito pelo povo como saco de chacota, palhaço de feira e penico de necessidades, convenhamos, os norte-coreanos sempre dão ao mundo uma imagem mínima de ordem e lógica (poderá ser a pior governação do universo, mas sempre patenteia uma arrumação à vista de todos - o querido líder, rei-deus na terra, absolutismo sem Deus, decide e quando decide está decidido). Pelo contrário, os norte-americanos da hora que passa exibem um líder ao mundo que, afinal, revela-se agora sem margem para mais tretas, não decide nem comanda (nem nunca decidiu ou comandou) grande coisa. Só que, doravante, a fantochada degenerou em carnaval desatado, com lançamento de excrementos e frutas podres a céu aberto e ao desbarato. Porque, de facto, bem mais ridículo, grotesco e pavoroso do que ver os órgãos de comunicação social duma nação a fazerem a permanente apologia do seu dirigente máximo, é assistir a esses mesmos canais a executarem a mais completa, ininterrupta insidiosa e descarada pelourinhação pública do mesmo. Em suma, mais estapafúrdio ainda que ter deus no trono é fazer deste retrete pública e sentar nela o diabo eleito.

quinta-feira, fevereiro 23, 2017

O Método da Necrose


África e o Médio-Oriente, sobremaneira, têm vindo a tornar-se autênticas fábricas de produção de refugiados em larga escala. Se pegarmos num mapa-mundi e confrontarmos as regiões mais exportadoras desse novo produto de desestabilização global constataremos que coincidem com os espaços de acção e intervenção da chamada "revolução democratizante", geralmente executada sob a bênção legal, o beneplácito militar e a propagandalha assanhada da famigerada "comunidade internacional".  É indesmentível que, do ponto de vista do principal agente infeccioso, a "revolução democrática" constitui um upgrade providencial à "revolução socialista". Nesta, as vítimas permaneciam  encarceradas e hermeticamente confinadas aos laboratórios experimentais; naquela, bem pelo contrário, vêem-se, brutal e desenfreadamente, expelidas para fora deles. Como chegaram a esta ideia tenebrosa? Ao que tudo indica, apenas recuperaram a ideia inicial: o inferno imposto só funciona de feição se abarcar todo o planeta. A infernização ou é geral ou sucumbe à contra-infernização. Portanto, em vez de manter o gado incubado em parques herméticos, há, isso sim, que dispersá-lo de modo a infectar e criar condições para a infernização de todas as regiões humanas. Donde emergiu esta bestialidade? Parece que aconteceu quando os gestores e doutores frankensteins do inferno soviético se viram, súbita e abruptamente, destituídos das suas batas e seringas, e transformados em refugiados. De como se transplantaram, de armas e bagagens, para a América do Norte e, daí, lenta mas cavilosamente, trataram de reanimar a monstruosidade, a História conta. Só que, coitada, passou à clandestinidade.

PS: Já vamos na "Descolhonização 3.0". E os resultados, invariavelmente trágicos e sanguinorreicos, continuam os mesmos. Por conseguinte, não se trata de lapso recorrente ou sequer estupidez compulsiva: é mesmo um método.

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

A Mira-esquerda pornomarxista




"O Óbito Marxista revisitado".

Um artigo interessante, com algumas teses indespiciendas.

Sobre uma delas  - a de que a actual esquerda é pós-marxista, aponto-lhe um anexo escancarado: apenas uma parte dela; já que a restante, que geralmente se traveste de "contra-esquerda" ululante, é tão ou mais marxista que a original. Aliás, esta "mira-esquerda" de vão de escada, copiou todos os tiques ruidosos (propagandalheiros) do objecto obsessivo do seu voyeurismo perverso.  Só que duma forma, naturalmente, invertida. De tal modo que, para o observador imparcial, o fenómeno nem semelha confronto, mas apenas onanismo maníaco. Tanto espalhafato fariseu só pode significar uma coisa: os mira-esquerdas não combatem a esquerda: excitam-se e masturbam-se com ela. Incapazes de decifrar a ideologia, ficam-se pela pornografia. E  pelas fantasias húmidas, geralmente S&M,  que com ela esgalham.

PS: Aproveito para relembrar, parafraseando-me, o "Método do Cuco":
« Primeiro, o marxismo incubou a postura no ninho do cristianismo; agora a "neo-direita" choca no ninho do marxismo.»

sexta-feira, fevereiro 10, 2017

Feed their Frankenstein

«The U.S. government’s multi-billion-dollar effort to counter narcotics in Afghanistan is a humiliating failure that’s resulted in a huge increase in poppy cultivation and opium production. Despite the free-flow of American tax dollars to combat the crisis, opium production rose 43% in the Islamic nation, to an estimated 4,800 tons, and approximately 201,000 hectares of land are under poppy cultivation, representing a 10% increase in one year alone.»

Existem as notícias falsas (fake news, em dialecto bárbaro, ou barbaranhol)  e existem, por outro lado, as notícias invertidas (ou meramente equívocas), como é o caso em epígrafe. Nele se enuncia, com alguma angústia, que o investimento de vários biliões de dólares por parte do Império Americórnio (ou Impropério Global) foi um clamoroso falhanço. Não foi. Bem pelo contrário, foi um mui consequente êxito. Seria um desastre se eles tivessem, de facto, investido no combate. Mas já todos sabemos como funciona a semântica da propaganga improperial: "Combate", na retórica, significa, na realidade, o seu contrário, ou seja, apoio, catalisação, patrocínio. Por conseguinte, tratou-se dum formidável triunfo. A produção da preciosa mercadoria aumentou em 43%; e a área cultivada cresceu em cerca de 10%. Presume-se que, assim, no geral, houve igualmente um aumento galopante da produtividade laboral (ao qual a introdução de métodos mecanizados e maquinaria moderna não deve ser alheia). Este enorme aumento a montante (na produção) causará seguramente um exorbitante acréscimo nos lucros a jusante (na distribuição e retalho), que será, ainda assim, sempre escasso. Pois as despesas da CIA com guerras, guerrinhas e guerrilhas perpétuas, embrulhadas em revoluções e revolucinhas caleidoscópicas, constituem um sorvedouro insaciável de dinheiro. Sorvedouro, que digo eu, um autêntico maëlstrom!...

O combate ao narcotráfico é exactamente igual ao combate ao terrorismo. Aliás, os lucros do primeiro servem para cobrir as despesas do segundo. Neste momento, o ISIS, segundo certos rumores, disponibiliza bolsas de 1000 USD/mensais a todo o voluntário-estudante disposto a ingressar nas vagas de "refugiados-migrantes" em digressão/estágio europeu.

E tudo isto já nem é segredo nenhum, ou sequer teoria da conspiração. É apenas o mundo a (dis)funcionar.

terça-feira, fevereiro 07, 2017

Histeria premeditada. E crónica.





«President Trump had paid a hefty advance to the Jews. He did (almost) all they wanted for their Jewish state: he promised to move the US embassy to the occupied Jerusalem thus legalising their annexation of the holy city; he condoned their illegal settlements, he gave them starred positions in his administration; he told the Palestinians to drop their case in the ICC or else, he even threatened Iran with war. All that in vain. Jewish organisations and Jewish media attack Trump without slightest hesitation and consideration. His first step in curbing the soft invasion wave had been met with uniform Jewish vehemence.

He was called a new Hitler and accused of hatred of Muslims: what else could cause the President to arrest, even for a few months, the brave new migration wave from seven Middle Eastern states? Today he singles out Muslims, tomorrow he will single out Jews, said Jewish newspapers. Migration is the lifeblood of America, and the Muslim refugees are welcome to bring more diversity to the US.

Massive demonstrations, generously paid for by this notable Jewish philanthropist Mr George Soros, shook the States, while judges promptly banned the banning order. They insisted the orders are anti-Muslim, and therefore they are anti-constitutional. Somehow the constitution, they said, promises full equality of immigrants and does not allow to discriminate between a Muslim and a Christian. This sounds an unlikely interpretation of the US Constitution. The US, and every other state, normally discriminates, or using a less loaded word, selects its potential citizens. The choice of seven states hasn’t been made by Donald Trump but by his saintly predecessor: President Barack Obama, this great friend of Muslims, made the choice personally some years earlier.

So Trump had made a most moderate and modest step in the direction of blocking immigration by picking states already selected by the Democratic President. One could reasonably claim that people of the seven states have a very good reason to hate America, and the reasons were supplied by previous US Presidents.

Libya, the most prosperous North African state until recently, had been ruined by President Obama: NATO invasion had brought Libya down; instead of stopping migration wave Libya had been turned into a jumping board for the Africans on their way North.

Syria is another Obama’s victim: by his insistence that ‘Assad must go’, by massive transfer of weaponry, money and equipment (remember white Toyota pickups?) to the Islamic extremists, he ruined this country.

Iraq has been ruined by President Bush Jr: he invaded the most advanced Sunni state, broke it to pieces and gave the centre of the country to the Isis.

Somalia has been ruined by President Bush Sr: he invaded this unfortunate country in the early nineties, when the USSR collapse allowed him to do so under the UN flag. Since then Somalia has become the supplier of choice of migrants and refugees for Sweden (there they formed the biggest community in Malmo and elsewhere), the US is also keen on getting them.

Yemen has been destroyed by Obama with Mme Clinton playing an important role: she facilitated delivery of weapons to Saudi Arabia in real time as they bombed Yemenis.

Sudan was bombed by President Clinton; afterwards this country had been dismembered and separate South Sudan had been created. Both halves became dysfunctional.

Iran is the odd one in the Magnificent Seven. It has not been invaded, has not been bombed, just threatened with invasion and bombardment for many years since President Carter. This country has no terrorists, it did not fail, its citizens are not running seeking for asylum. It was placed on the list by President Obama, who planned to bomb it, but never got to do it.

While Bush, Clinton and Obama bombed and invaded these countries, the Democratic humanitarians including their Jewish leaders just applauded and asked for more bombs. But they became appalled when Trump promised: no more regime change, end of “invade the world/invite the world” mode. Wikileaks put it well: bomb the Muslims, and you are fine; ban the Muslims, and you are the enemy.

Apparently, the people who instigated the Middle Eastern wars wanted to create a wave of refugees into Europe and North America in order to bring more colour and diversity to these poor monochrome lands. Welfare state, national cohesion, local labour and traditions will disappear, and these countries will undergo a process of homogenisation. Never again the natives will be able to single out Jews, for there will be no natives, just so many persons from all over the world, celebrating Kumbaya. The Jews will be able to get and keep their privileged positions in Europe as they do in the US. They won’t be alone: by their success, they will establish a pattern to copycat for whoever wants to succeed in the new world, and masses of imitation-Jews will support the policies of real Jews. Still, Jewish insistence on the Syrian refugees’ acceptance and on Muslim immigration in general is a strange and baffling phenomenon. Hypocrisy is too mild a word to describe that. We may exclude compassion as a cause for it. There are many thousands of natives of Haifa in Israel who suffer in Syria and dream to come back to their towns and villages, but the state of Israel does not allow these Syrian refugees to return for one crime: they aren’t Jews. Israel accepts Jews only; and American Jews do not object to it; they do not compare Israeli leaders with Hitler or Trump. Israel had build a wall on its border with Sinai, and this wall stopped the black wave of African migrants. American Jews did not shout “No wall, no ban” in front of Israeli Embassy. Mystery, eh?»

Foi um copy-paste desenfreado porque o artigo merece. Uma síntese eloquente do rilhafoles instalado.

quinta-feira, fevereiro 02, 2017



Há mais de um mês atrás, alinhavava eu o postal que se iniciava assim:

«Schumer Says Trump “Dumb” To Cross Intelligence Community — Payback Likely»


Em primeiro lugar, investiguemos quem é este Chuk Schumer, senador dumucrático (não é lapso, é mesmo assim que deve ser grafado)...

Sobre o referido cromo, informa-nos a Wikicoisa tratar-se do  resultado do cruzamento duma doméstica com um exterminador ao domicílio . De como um tão improvável espermatozóide acabou a espadanar em Harvard e, desse trampolim inefável, se esguichou aos cumes da pulhítica americórnia, uma palavrinha apenas: jewish. O que, de resto, desde logo pressenti no apelido, mesmo antes de confirmar na Wiki. Quanto ao diagnóstico do proboscídeo, logo acolchoado de prognóstico sombrio, parece que são influências da costela paterna (o tal mata-carochas de Brooklin). "Terminating Trump", tudo indica, estará na ordem do dia, ou na agenda da noite (conforme preferirem), duma certa franja cratopata lá do sítio. Se a coisa vai a pedal de impeachment (afinal, é a mesma gente que processou o Brasil ainda este ano ou o próprio Nixon aqui há uns decénios atrás) ou a força de gatilho, o futuro dirá. Para já, vão cavilando e confeccionando no sentido do primeiro. Depois, estou em crer, caso o refugado não resulte, entram em modos mais extremos.

....

Ora, acontece que este Schumer não abranda no seu frenesim infeccioso. A sua mais recente aparição é toda ela um portento. Nem mais nem menos que o crocodilo lacrimejante por alma e tripa dos "muçulmanos interditados"...
«Chuck Schumer Cries During Speech Against Trump Immigration Order (Full Speech) | ABC News»

Há imagens e, mais ainda, figuras que dispensam mil comentários.

quarta-feira, fevereiro 01, 2017

A Indústria dos Refugiados


A Indústria dos refugiados? É um esquema de proxenetismo macabro como outro qualquer. Como o do Holocoiso, por exemplo.  O entrevistado aí abaixo explica. Os otários, digo, os contribuintes (e então nos States, como eles são numerosos e adestrados!) subsidiam.