sábado, maio 28, 2011

Massacre por uma Bagatela


O título diz tudo. Não é exactamente uma obra para ser levada muito a sério. Céline, aliás, explica-a sucintamente: "chatearam-me. Pois vou também eu chateá-los!..." E o facto é que chateou. Embora o que mais os chateie, aos fariseus, tartufos, medíocres e demais criadores de mofo de todas as épocas e de todas as academias, nem seja o "bagatelas", mas a "Viagem". Essa é que lhes ficou atravessada. Ficou e ficará.
Mas como eu também gosto é de chatear, aqui fica, em primeira mão (isto não basta querer, é preciso poder), um trecho inédito das "Bagatelles", um opúsculo que é um puro gozo, uma estreita hipérbole, mas que, convenhamos, tem a sua piada.
Prometido é devido. E vale mais tarde que nunca.


«(…) Ferdinant, estás transformado num fanático, num partidário ... mas previno-te, aviso-te, os judeus são muito inteligentes …. Acontece que em França lêem livros, documentam-se, têm canudo … armam-se com conhecimentos, ocupam agora todos os lugares, têm a polícia nas mãos, sabem tornar-se populares … de resto, são bons p`ró povinho, olha as 40 horas, são a sua coroa de glória … e depois as férias … vais fazer com que te prendam … com que te cortem às postas, sem dúvida ….

Quê? Inteligentes? … Insurjo-me. Eles são racistas, eles têm o ouro todo, eles apoderaram-se de todas as alavancas, eles estão colados a todos os comandos … é isto a sua inteligência? … Não há sítio em que não estejam! … Seguem admiravelmente a marcha do pelotão, eliminam, enojam, atormentam, cercam … tudo o que possa rivalizar … fazer-lhes a mínima sombra … é a sua cruzada contra nós, a cruzada para a morte … é esta a sua inteligência! … O bom pitéu, metem-no à bolsa … açambarcam, expulsam dum só golpe ou aos poucos tudo o que não é inteiramente judeu … sordidamente judeu … judengo … pro ydisch … seca de judeu … É a magistral técnica do cuco … Para dizer tudo, para ilustrar bem as coisas, se Einstein não fosse judeu, se Bergson não fosse mestiço, se Proust fosse apenas Bretão, se Freud não tivesse a marca distintiva … não se falaria muito nem duns nem doutros … Não seriam estes génios que fazem com que o sol se erga! … Posso garantir-te … A mínima manifestação de descontentamento do judeu é um estrépito! Nos nossos dias, meu amigo, uma revelação instantaneamente admirável! Pelo efeito automático da maquinaria judaica mundial … Milhões de cascavéis que se agitam … monta-se nesta pobre bufa como num milagre! E a galope! Quer seja pintura de Cézanne, Modi, Picasso e todos os outros … Filmes do Senhor Benhur, música de Tartinowsky, de repente tudo se torna um acontecimento … o enorme preconceito favorável, mundial, precede, preludia, toda a intenção judaica …. judeus, todos os críticos do universo, todos os cenáculos … todas as informações! … Ao menor rumor, ao menor sussurro de produção judenga, todas as agências judaicas do mundo se põem a escarrar os raios do Trovão … e a publicidade acusada de racismo contra os judeus ecoa maravilhosamente … Todas as trombetas tiram a rolha, de um extremo ao outro dos continentes, saúdam, entoam, estilhaçam, lamuriam o maravilhoso Hosana! Ao sublime enviado do céu! Obviamente um judeu, incomparável na paleta! No écran! Na rabeca! Na política! Infinitamente mais genial! Mais inovador, sem contestação, do que todos os génios do passado (evidentemente todos Arianos). A epilepsia apodera-se dos goymes grotescos, como uma tromba de água. Eles aclamam em coro estes cucos. Atacam violentamente no coro, com toda a força da sua estupidez. Rebentam com tudo! … O triunfo do novo ídolo judeu! … Para os satisfazer basta que se lhes ofereça um pouco de merda judaica para chafurdarem … contentam-se com pouco … perderam todo o instinto … já não sabem distinguir o morto do vivo … “o orgânico” do superficial, o papelão do sumo puro, o falso do autêntico, a patranha de preferência à verdade … eles já não sabem nada … mamaram demasiado lixo, desde há muitos séculos e eras, para poderem perceber o autêntico … regalam-se com falsidades … confundem a lixívia com água pura … e acham-na bem melhor! Infinitamente superior. Estão em sintonia com a impostura. Evidentemente, a consequência é infelicidade, bordel! Todo o indígena que dê nas vistas por um qualquer dom original, por uma cantilena própria … uma pequeníssima tentativa! Torna-se logo suspeito, detestado, completamente maldito pelos seus irmãos de raça. É a lei dos países conquistados que nada em tempo algum deverá sacudir do seu torpor de horda escrava … Tudo deverá cair rapidamente … em ruminações de ébrios … São eles, os irmãos de raça, que se encarregam encarniçadamente da obstrução metódica, da difamação, da asfixia. A partir do momento em que um indígena se revela … os outros da mesma raça insurgem-se, o linchamento não anda longe … Na prisa, as sevícias mais asquerosas são infligidas pelos próprios forçados … Entre si … mil vezes mais cruéis que o carcereiro mais atroz …

Os irmãos de raça estão bem amestrados … Para o alcoólico, a água pura é um veneno. Odeia-a com todas as forças … não a quer ver à mesa … ele quer bosta engarrafada … em filmes, em livros, em tiradas, em canções de amor, em mijo … Só compreende o Judeu … tudo o que sai do esgoto judeu … regala-se com isso, pasma-se com isso … e nada mais! Os Arianos, sobretudo os franceses, já não existem, já não vivem, já não respiram, senão sob o signo da inveja, do ódio mútuo e total, da maledicência absoluta, fanática, máxima, do mexerico furioso, mesquinho, da bisbilhotice delirante, da alienação maldizente, do julgamento cada vez mais baixo, campónio, obstinado, vil e desprezível … completos escravos, agentes de provocação entusiásticos, carneiros, falsos como judas, cretinos de permanência e de taberna, admiravelmente adestrados pela polícia judaica, as delegações do grande poder judeu … Já não há qualquer sentido racial de entre-ajuda. Qualquer mística comum. Os judeus nadam adoravelmente neste mijo … Esta enorme e permanente velhacaria, esta traição mútua de todos contra todos, encanta-os e preenche-os … a colonização torna-se uma fonte de riqueza. Sobre esta venalidade mesquinha, absoluta, da costela campónia dos franceses, os judeus regalam-se, exploram, agiotam às mil maravilhas … atiram-se a este cadáver em decomposição abracadabrante como a hiena à tripa podre … Esta podridão é uma festa, o seu elemento providencial. Eles só triunfam na gangrena total.»

- Céline, "Bagatelles pour un massacre"


1 comentário:

Fabiano disse...

Vc tem o Bagatelas em portugues? nao acho em lugar algum