sexta-feira, maio 08, 2015

As pátrias de silicone e do cuspe

Recriminam e desprezam o país singular e com assento, mas deviam antes culpar e barafustar com o pais plural e sem assento. Foram despejados, ranhosos e chorões, a borrar fraldas no sítio errado. Em data imprópria. Devia o destino ter-lhes dado outros pais, ou os pais ido deitá-los a outro país. Um país grande, poderoso e rico. Sobretudo, rico; podia até ser pequeno.Mas competitivo. Sofisticado.  Ao nível da auto-estima (ou ego delirante) destes estrangeiros adoptivos. Tiveram um grande azar? Azar temos nós e esta terra por termos que aturar estes descompatriotas tão frustrados. Há uns que nascem, dizem, com um sexo na cabeça diferente do entrepernas; estes cultuam na mona uma´pátria diferente da que trazem no sangue. São uma espécie de transnacionais: com geo-afeições de silicone ou sentimentos de pertença criados a hormona. De Salazar, embora de forma perversa, mantêm o "a pátria não se discute" - não se discute, claro está, a da prótese mental. Porque a outra, a do BI, essa discute-se, vitupera-se e fustiga-se até à enésima geração e aos próprios espermatozóides do Fundador!...
E também, dos infindáveis e retorcidos crimes que assacam a Oliveira Salazar, há um em que o suplantam e ultrapassam em larga escala: sempre era mais realizável implantar Portugal em Angola do que transplantar os Estados Unidos para Portugal. 
Sombrios tempos estes, em que sobreabunda quem prefira a pátria do cuspe à pátria do sangue.

9 comentários:

muja disse...

sempre era mais realizável implantar Portugal em Angola do que transplantar os Estados Unidos para Portugal.

:)

muja disse...

É um fenómeno bizarro. Tanto mais que eu também já me inclinei mais ou menos para isso.

Diria que é um misto pernicioso entre ignorância do que Portugal chegou a ser e frustração pelo que é.

Pelo menos no meu caso. Mas há gente que aparentemente tem a informação e continua assim.



Ricciardi disse...

E, no entanto, sem colonias, o pessoal inglês, francês, belga, holandês continuam zelosos pela sua pátria, creio.
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E, bem, os portugueses também. Com excepção de um ou dois que trocarão o amor à pátria pelo amor ao homem. Tudo pelo homem. Orgulhosamente com ele. Pátria só é patria com o homem. Sem ele são patriotas de cuspe.
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O curioso, porém, é que bastaram 40 anos com o homem para separar o q esteve unido 400 anos.
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Rb

muja disse...

Melhor que esses todos são uns que aí andam que, não tendo propriamente pátria, conseguem com que outros que a têm, zelem pela colónia que aqueles consideram como tal.

De resto, esse um ou dois não trocarão o amor à Pátria pelo amor ao homem, senão já tinham trocado.

E, ainda assim, quando os homens amam a mesma coisa que os transcende, não é essa uma forma de se amarem uns aos outros?

Mas para quem não ama senão o próprio couro (ou cabedais), é capaz de ser difícil perceber.

José Domingos disse...

Nos tempos que correm,o patriotismo, vale o valor do cheque. São estes gentios, que nos "governam" á quarenta anos, como alguém disse, nem para criados de quartos, serviam, imbecis, analfabetos e moços de recados.A começar no califado de São Bento.

Euro2cent disse...

Por falar em plantar umas coisa noutras, os portugueses, a avaliar pela sua lingua, sao talvez o unico povo capaz de "emprenhar pelos ouvidos".

Em ingles parece que preferem usar as imagens, por exemplo isto https://en.wikipedia.org/wiki/BLIT_%28short_story%29 parece uma alegoria dos feitos das fabricas de Hollywood.

muja disse...

E, ainda assim, não morremos. Estamos.

E estamos. E havemos de ficar.

Os velhos não acreditam, mas os novos não têm outro remédio.

jakim disse...

Boa marretada muja (2.07 da tarde)nesse jacó de má morte. Afinfe-lhe, que nesse pencudo só se perdem as que caem no chão.

muja disse...

Não sei se ele é jacó, mas até gostava de saber.

Porque só a esses é que vale a pena falar, pois é neles que reside a chave para essa questão.

São os outros que me encanitam, os que se lhes espojam diante, à espera de migalhita, de favor. São os que têm pátria mas a trocam pela imaginária de quem não enxerga mais que isso apesar da suposta inteligência.

Fazem duplo desserviço, traem os seus e contribuem para que aqueles continuem subjugados à separação que lhes impõem.

Cuidam que se servem a si próprios servindo senhores quando, na realidade, não fazem mais que apertar os grilhões de escravos.