sábado, janeiro 15, 2011

Dragão nas sete quintas



Hoje, estou, de ferro de soldar em riste, a trocar os pickups à minha Telecaster. Acabo de receber os Dimarzio Twang King e não descanso enquanto não os experimentar, na minha sempre eterna demanda do sublime. A generalidade dos meus leitores não perceberá patavina destes esoterismos, mas há um que entenderá. A esse, aqui deixo o meu repto: José, velho amigo, rói-te de inveja!...
Como diria Tertuliano, se não me falha a memória, "este mundo será uma vale de lágrimas, mas chora-se cá tão bem..."

Da impiedade


"Sobre as falésias de Mármore" é um livro sobre as tiranias e, diz-se, o próprio Jünger semi-confessou, uma alegoria sobre uma delas em especial. O Couteiro-Mor representará Hitler. Mas não apenas Hitler. O mármore, recordo, ornamenta, geralmente, o interior dos palácios. E, da Roma clássica à Berlim do III REich, sua tardia emulação, por obra e graça de Speer, seria a pedra dominante dos corredores e salas do Poder. Estar então "sobre as falésias de mármore" poderia traduzir-se como "estar à beira do abismo". Os grandes escritores são grandes profetas, pois.
Mas o mais curioso de tudo é que na floresta sombria e tenebrosa onde o Couteiro-Mor habita, não reina a irracionalidade ou o mero "biologismo animalesco". Não, bem pelo contrário: impera uma racionalidade árida, fria, sem coração. Uma lógica impiedosa, em suma. Ou, na terminologia uma vez mais Jungeriana, um "certo automatismo".
Não era a irracionalidade que presidia ao Nazismo, nem, tão pouco, ao Comunismo; como não é a irracionalidade nem a mera biologia que comanda o malignismo que , presentemente, avassala o globo. E este bem mais perigoso, porque efectivo, actuante e mascarado de amiguinho dos povos e culturas. Artimanha antiga, convenhamos; esta, a do mal se camuflar cinicamente de bem.
Que significa então tudo isto? Simples: que em matéria de poder, nas suas múltiplas estratégias e subterfúgios, há, de facto, todo um logos em acção. Em marcha. Ontem como hoje. Só que não é exactamente aquele que testemunha João.

E, já agora, a talhe de epílogo, sempre reconheço que quanto mais me debruço sobre a Segunda Guerra Mundial, mais suspeito que não houve ali qualquer conflito entre o Bem e o Mal. Houve apenas uma orgia íntima, um paroxismo - uma refinação, se preferirem - do segundo.


sexta-feira, janeiro 14, 2011

Da representação

«Discutimos infrutiferamente quase até ao nascer do dia. Não nos conseguimos entender através das palavras, mas os silêncios permitiram-nos ver claro em relação a muita coisa. Assim, antes da tomada de uma decisão, se reúnem os espíritos como médicos à cabeceira do enfermo. Um gostaria de recorrer à faca, outro quer poupar o doente, um terceiro preconiza a administração de medicamentos especiais. Que representam, porém, o juízo e a vontade dos homens, quando a perda já está inscrita nos astros? Mesmo assim, também os estados-maiores convocam o conselho de guerra antes das batalhas perdidas.»

- Ernst Jünger, "Sobre as Falésias de Mármore"

Não há muitos autores que mereçam ser lidos; há é poucos autores que merecem ser lidos muitas vezes.

À espera do God...?

Entretanto, continuo pacientemente à espera que, depois da visão rudimentar (sic), o Desfazedor me apresente o projecto um pouco mais aperfeiçoado.

Em todo o caso, se não vê melhor, o Desfazedor, não é certamente por falta de capacidade: é de vontade mesmo. E isso, às vezes, paga-se caro. "Às vezes", claro está é um um eufemismo. De "mais tarde ou mais cedo". Ou seja, sempre. Aqui falo de cátedra.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Nada de excepções, cavalheiros, nada de excepções!



Bem, os pensionistas, as criancinhas do abono, os desempregados, os precários dos recibos verdes (excepto os advogados, naturalmente), já contribuem generosamente para o capricho do défice. Então e os sem abrigo, esses privilegiados? Aguardo ansiosamente taxas vigorosas sobre estacionamento de papelões para pernoita, ou regime de recibos verdes para os digníssimos mitras da arrumação auto. Isto, ou há moralidade ou comemos todos... os pelintras.
Se os vendedores ambulantes pagam, como é que os fantasmas ambulantes andam isentos... hem?!!...

Mourinho à Presidência!

Ou então,pensando bem, ocorre-me uma ideia ainda melhor: convidem o Mourinho para a presidência. Com sorte, ainda aceita. De política não perceberá lá muito, mas percebe de futebol. Que, por estas bandas, consegue ser ligeiramente mais sério que a política. Por outro lado cumpre quesitos de um político elegível, conforme receitava Aristóteles: Já possui fortuna própria. Pelo que corremos menos riscos que faça como os outros e se aproveite do cargo para o mero enriquecimento pessoal. Ah, e já me esquecia duma outra vantagem deveras conveniente: tem coluna vertebral.

PS: E nem que fosse em part-time, não tenho dúvidas que faria melhor que qualquer uma das outras avantesmas.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Imodesta proposta

Como é que se distingue, à distância, o barro da bosta? Ao perto era fácil, eu sei: pelo aroma, especialmente em dia de calor. Mas ao longe também não é assim tão difícil: a bosta, ao contraŕio do barro, atrai enxame. Não os contei, aqui na blogosfeira, até porque tenho bem mais que fazer. Não obstante, pela chusma de insectos e respectivos zumbidos que congregam em comitiva, eu quase apostava no empate técnico entre o Cavaco e o Alegre. Esparta tinha dois reis. Esta coisa vagamente rectangular, que está nos antípodas de Esparta, bem que podia ter dois presidentes. Semestrais. Ou então um para de dia e outro para de noite. Ficavam os gnomozinhos todos felizes!...

terça-feira, janeiro 11, 2011

O Desígnio nacional

Nesta democracia modelo Hutchinson-Gilford, os portugueses, cada vez mais, congregam-se em torno de duas classes: os desvalidos, que têm que sair para o estrangeiros em busca desesperada de emprego; e os privilegiados, que vivem de trazer o estrangeiro cá para dentro.
Em tempos, como anedota absolutamente verídica contava-se que a Dívida externa do antigo Zaire era exactamente igual à fortuna pessoal do então presidente Mobutu. Algo parecido poderia contar-se acerca de Eduardo dos Santos. Ou de tantos outros caciques africanos.
Hoje, entre nós, infelizmente, um único nome não bastaria. São inúmeros - pandilha buliçosa e agenciadeira, onde se destacam alguns mamíferos mais empanturrados. Mas nas suas contas off-shore e off-record, ninguém duvide, repousa e procria vultuosa percentagem dos fundos europeus derramados durante os últimos anos neste país. Coados e abarbatados pelas mais diversas vias e manigâncias, sobretudo através de comissões, luvas e esquemas de formação, subsídio e fomento, amontoam-se a levedar píncaros astronómicos. Não sei se equivalem ao grosso da tal Dívida Soberana, não sei se o ultrapassam ou perseguem. Sei apenas que a Procuradoria Geral da República, se alguma república houvesse e alguma justiça a habitasse, devia literalmente engavetar a generalidade dos corpos responsáveis do PS e PSD, nestas últimas décadas, e espremê-los, o mais brutalmente possível, até ao último tostão da dívida. Poupava-se a recessão de quase todos, a miséria de milhões e cumprir-se-ia, na perfeição e na realidade, um dos desígnios tão ao gosto de certas retóricas meramente verbosas: o do consumidor/pagador. Eles que consumiram. eles que paguem!

segunda-feira, janeiro 10, 2011

À falta de cadeira...

Num ápice, esta coisa importantíssima das eleições presidenciuis, viu-se eclipsada nas pantalhas da nacinha por um assunto -aliás, presunto - bem mais interessante e, sobretudo, apetitoso para o pagode indígena: a tragédia... a hecatombe que, abrupta, atroz e a golpes indelicados, se abateu sobre esse enorme vulto das artes e da cultura nacinhais - um tal Carlos Não Sei Quê. Pessoa sensível, frágil e -nas palavras dessa outra lenda semi-viva da cultura lusitoina, a clarividente Lili Caraças, ou Conaças, ou Canecas, ou lá como é - esteta empedernido dos quatro costados (autêntico Oscar Wilde do Namibe, não nos custa acreditar), o infeliz terá encontrado a morte em circunstâncias deveras infaustas, além de rocambolescas. Parece que se entregava, de alma e cu...ração, à conversão dum jovem heterossexual, engodado por passerelles olímpicas ao módico saldo de capris mundanos. Algo, porém, por entre lingeries e apetrechos, terá corrido mal ao intrépido domador. Alguma fantasia ou carícia mais atrevida na fera, quiçá... O certo é que, o instinto arreigado superou a afeição mal besuntada. A homofobia, essa clamidade do nosso tempo, falou mais alto. Paz à sua carcaça, já que da alma descria.
Resta acrescentar que soube eu deste lúgubre folhetim pelo meu sócio e compadre Ildefonso Caguinchas. Sentado à mesa dumas cadelinhas e bem embalado para uma cadelona, de Correio da Manhã à ilharga, principiou por comunicar-mo nestes termos idiossincráticos e, por conseguinte, pouco recomendáveis:
- Dragão, já me vistes isto?!... Estes chavalos depilados vão de mal a pior. Totós completos, pá; verdadeiras abéculas! Então não diz aqui que o puto arreou com o portátil nos cornos do velho roto... 'Tou-te a dizer, meu, o portátil. Mas lembra ao Gregório? Nem ao Hilário! Então o gajo não tinha ali uma cadeira ao alcance?!!..."

O que é que se responde a um gorila destes?

Bem, lá me desenrasquei o melhor que pude:
-"Ouve, Caguinchas, aquilo era pouso de luxo com certeza. Só tinha maples e poltronas. Dificílimos de arremessar, acredita. E o que se passou, na volta, foi que o panasca sénior deve ter apanhado o aprendiz a ver gajas na net. Desatou a galinhar ameaças e cenas de ciúme aos gritos, e o puto, que já devia andar com os nervos em franja, passou-se. Deu-lhe com o que tinha mais à mão. Neste caso, o rato. Só que, sem querer, o computador foi atrás. "

PS: É no rescaldo de episódios destes que Rousseau me parece louvável. Os únicos, aliás.

domingo, janeiro 09, 2011

Under-core Primeiro Escalão




“Se Cavaco foi beneficiado por ser amigo ( é um modo de dizer porque agora diz que não é…) de Oliveira Costa e Dias Loureiro e outros que por lá andavam a questão ganha relevo, mesmo que nessa altura andasse apenas a ganhar para a reforma do ensino ou do banco de Portugal.”
- Comentador José.

«José,
Ora, aqui é um erro em que todos laboram. O Cavaco não era reformado do Banco de Portugal. Era quadro do banco de Portugal. Se incluirmos na análise a forma incompetente e quase voluntária de como o Banco de Portugal não fez o seu trabalho de supervisão, fica a dúvida: o Cavaco foi comprado para influenciar a não actuação de supervisão do Banco de Portugal?
É que há coisas curiosas. Parece que o Cavaco faz um contrato para se tornar accionista, garantindo um rendimento positivo, seja qual for a evolução do mercado financeiro. As cotadas, no mesmo sector, perderam valor no mesmo período em que as acções da SLN/BPN valorizaram 140%. Pode-se perguntar. E daí? A SLN pode ter aumentado os lucros então. Talvez. Mas já se sabe que parte dois lucros declarados pela SLN foram fictícios, escondidas perdas no BI e nas tais contas off-shore. Além disso, tudo indica, quem vendeu e comprou as acções a Cavaco foi a sociedade de controlo do BPN, que diga-se de passagem, era o mesmo grupo. Ainda não entendi porque se separa a SLN do BPN, quando em termos legais está correcto mas em termos funcionais a SLN e o BPN eram uma e mesma coisa. Até as administrações eram quase as mesmas.
O que também é engraçado é isto. Em 2001 Cavaco torna-se accionista da SLN/BPN, mais ou menos por alturas da entrada no capital da SLN do Dias Loureiro. Este, por acaso, foi acusado pelo principal responsável da supervisão do Banco de Portugal de o ter pressionado para deixar em paz o BPN, pois aquilo era tudo gente séria. Ou boa, já não me lembro. E, o que é certo, o Banco de Portugal, aparentemente, apenas se mexe nas investigações à gestão do BPN após a reforma do Cavaco do Banco de Portugal. Curiosa coincidência? Talvez.
Certo é que, mesmo com perguntas incómodas da PGR ao Banco de Portugal sobre alguns factos no BPN, o Banco de Portugal pouco se mexeu e, até, fez uma coisa curiosa: andou 3 anos a empurrar o problema com a barriga, quando no próprio BDP já havia mais que suspeitas de má gestão do BPN.

Cavaco Silva não pode invocar desconhecimento do que se passava na gestão da SLN/BPN, até porque o seu próprio amigo Dias Loureiro, nas palavras deste, foi ao Parlamento dizer que ele sabia dos rumores existentes sobre o BPN e que até foi ao Banco de Portugal pedir uma atenção especial con o BPN, com a desculpa que teria todo o seu património investido na SLN/BPN. Será que Cavaco Silva, funcionário do Banco de Portugal, amigo de longa data e de peito de Dias Louereio, não sabia do que se passava no BPN? Duvido.
E, talvez seja por isso, que o Cavaco não quer admitir que a compra e venda das acções da SLN/BPN foi uma decisão de sua iniciativa e não investimentos delegados em terceiro.
Penso que, face a esta flagrante suspeita de corrupção (ou compra de influências, ou o que se queira chamar), tantos fechem os olhos, só porque o personagem é o sr. prof. Cavaco Silva, a virgem impoluta.
Enfim, é triste que o fenómeno da corrupção só seja grave quando são os nossos adversários políticos que estão envolvidos.
E, como curiosidade, não faltam por aí candidatos a Abrantes. Infelizmente. Tudo se vende e se compra, não é verdade?»

- Comentador Anti-comuna (numa caixa de comentários perto de si).

Porque há coisas que não se podem deixar soterradas sob entulho e escombros. A verdade é uma delas. A principal, aliás, ainda há quem acredite.

PS: O Anti-comuna queixou-se em tempos de nunca ter merecido a minha atenção. Pois bem, aqui fica o reparo.

PS 2: E nunca é demais realçar, para os mais desatentos ou peregrinos, que nem o José, nem o Anti-comuna, nem eu somos aquilo a que se pode chamar, sequer por aproximação, pessoas de esquerda. E por eles não posso jurar, mas por mim sempre asseguro que abomino, mais que o bandido, o hipócrita; e pior que o lobo assumido, aquele que se camufla sob a pele do borrego manso.

sábado, janeiro 08, 2011

Espelho meu, espelho meu....




O escarcéu que para aí vai, por esta blogosfeira a fora, só por causa de mais uma eleicinha folclórica!... Não percebo tanta peixeirada por coisa tão pouca. Aliás, percebo, mas hoje sinto-me a transbordar de bonomia. No fundo, boys and girls, tanto noise para quê? Vamos, deixem-se de fitas. Façam lá as pazes e abracem-se em santa confraria, numa amena vernissage oxiúrica. Todos sabemos (pelo menos os que não se auto-lobotomizam fervorosamente) que, em matéria de virtude, a honestidade do Pufessor Cavaco é praticamente tirada a papel químico do patriotismo do Poeta Alegre.

O triunfo dos suínos



«Portanto, se a luz que há em ti são trevas, quão grandes serão essas trevas!»


As voltas que o léxico dá... Nada mais fascinante que assistir-lhe ao carrocel! Antigamente, tínhamos o Rei soberano. Depois, a reboque de ilumineiros e francesuras, transitámos para o Povo soberano. Agora, numa espécie de culminância lógica para tão cândida saga, desembocámos na Dívida Soberana. "Liberdade, igualdade e fraternidade", não era? Pois aí as tendes. Num progresso verdadeiramente inexorável. Para o abismo.
Porque é que a cavalgadura confunde a meta com a cenoura?

PS: Lembrem-se daquele versiculozinho onde reza assim: "Não podeis servir a Deus e a Mamon (o dinheiro)". Depois, reparem que tudo começou no dia em que um homenzinho decidiu que o Poder não vinha de Deus, mas emanava dele próprio. A seguir cada homenzinho extrapolou, não sem uma certa lógica intrínseca, que se um homenzinho podia ser Deus, todos eles podiam ser também. As engrenagens do Mundo, porém, são fatais: o Poder vem sempre de alguma parte. Se não do Alto e Sublime, então do baixo e desprezível. Se não conta a Palavra, passa a contar o número; se não sobrevale o Espírito, sobrevale a moeda. Daí o corolário actual: Não deves nada a Deus? Brilhante,pá! Deves tudo ao bancos. Pega, pois, nesse teu materialismozinho todo e refocila. Chafurda. Banha-te e afoga-te nele!...
Digno de pena? Porque serias tu digno de pena, se trocaste a tua Dignidade por patacos?!...

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Da liberdade

Na liberdade, não acredito. Porque não a vejo em parte nenhuma - e a de pensamento ainda mais irrisória e maltratada que a física. Como pode ser livre quem está condenado ao trabalho diário e incerto - e cada vez mais incerto, ó Deus meu! -para sobreviver? Como pode ser livre quem marcha pela existência às ordens das engrenagens despóticas dum relógio? E que diferença ser escravo da necessidade ou da ganância?

Quanto à liberdade de pensamento, pior um pouco. Quando o pensamento anda com a cabeça a prémio, perseguido por posses de xerifes e bandos de linchadores anónimos, que liberdade é que pode ter? A liberdade do acossado, se tanto. Do fora da lei. Na maior parte do tempo, para efeitos de pura maquilhagem, apregoa-se liberdade de pensamento onde nem sequer existe pensamento. Mas apenas ordem unida: de conceitos, de lógicas, de xaropadas, de supositâncias, de engodos. Quer dizer, primeiro esteriliza-se o terreno; depois concede-se liberdade de germinar à vontade. Disponibiliza-se a estrada toda a quem previamente se amputa das pernas próprias para andar.
A liberdade não passa dum negócio. Dos bufarinheiros de próteses.

Da Loucura

«A loucura é algo raro em indivíduos – mas em grupos, partidos, povos e épocas é a norma. »

Quem o escreveu foi Nietzsche. Falta talvez acrescentar, por via da experiência acrescida que vamos tendo, que piora com o andar da carruagem, ou seja, do relógio. Há realmente um Progresso inexorável nesta humanidade cada vez mais desumana onde viemos dar: o da loucura.
O corolário de Maquiavel já espreitava no prelúdio: os meios não se limpam apenas nos fins: fabricam-nos.

Serve para meditarmos todos. Enquanto me espreguiço e desentorpeço as asinhas.

terça-feira, janeiro 04, 2011

O Oitavo dia da Criacinha ou o Despertar do Trágico



«Concluída, no sétimo dia, toda a obra que havia feito, Deus repousou, no sétimo dia, de todo o trabalho por Ele realizado».
- Génesis, 2, 2.


Ora, se Deus repousou no sétimo dia, o Dragão, na senda de tão elevado paradigma, decidiu sornar no sétimo ano. Período de ociosidade, esse, que se completou algures no mês transacto.Não rejubilem, porém, os inimigos, nem desesperem, tão pouco, os amigos: o Labaredas-mor do reino está de saúde e recomenda-se. Motivo para bordoada da grossa é o que não falta por aí. Todos os dias é um cogumelar e repolhar de mediocridade e sacanetice que só visto! Pelo que, após merecida pausa e justíssima folga, cá estou eu de novo, pronto e revigorado para acudir ao pífio cortejo com a tomatada copiosa que ele merece.

quinta-feira, outubro 28, 2010

(R)evoluções


Acreditam hoje nos médicos como dantes acreditavam nos padres. Já os economistas não substituíram porque competem ainda, esforçadamente, pela psico-hegemonia das massas: com os astrólogos, quiromantes e outras bruxelências congéneres. Em clara desvantagem, reconheça-se.
Não tarda muito, estou mesmo em crer, o espírito perplexo da população interroga-se se não seria bem menos pernicioso à administração pública e ao futuro da nacinha ter o Professor Karamba ou o catedrático (e Grande Astrólogo) Mamadu no lugar, respectivamente, do Professor Cavaco ou do professor Teixeira. E da interrogação à constatação vai geralmente um passo de formiga.


PS: Aliás, para um regime em estado de disfunção eréctil crónica, o professor Karamba apresenta uma série de mais valias nada menosprezáveis. O único problema é que o regime, e o país por arrasto, padecem duma disfunção agravada e complexa: não é apenas a gaita que não levantam. Pior: é a coluna vertebral.



terça-feira, outubro 26, 2010

Presidente Gás

Especialmente dedicado àquela coisa gelatinosa que se recandidatou hoje. Todavia, mais qualificado - e osmótico! - que aquilo, para presidir à bandalheira instituída, dificilmente se encontrará. Teríamos que rebuscar, com toda a certeza, entre os antecessores.


terça-feira, outubro 05, 2010

Respútrida


VIVA O REI!!


quarta-feira, julho 07, 2010

Artesanato versus indústria

«Bombas caseiras matam mais três soldados no Afeganistão»

Lendo parangonas deste jaez, podemos rapidamente deduzir que prossegue a bom ritmo a vetusta refrega entre o terrorismo artesanal e o industrial.

Detesto visceralmente muçulmanos e calvinistas. Os segundos enojam-me apenas bastante mais. E os de imitação, pior um pouco! Isto é como quem diz: são mais perigosos os falsos amigos que os declarados inimigos.

Bandoleiros de estrada ou de repartição

Neste país à beira-mar desplantado, o latrocínio infestador e cavalgante subdivide-se em dois ramos concorrentes: aquele que a polícia reprime e aquele que a polícia garante. Sendo compostos por operadores - regra geral - diferentes, partilham, todavia, duma mesmíssima entidade hospedeira: as vítimas.