quinta-feira, junho 10, 2010

Os Bastardos de Íxion

Não escolhemos a hora, nem o sítio, nem os progenitores. Nascemos, pura e simplesmente. Mais puro e simples, de resto, não existe. Acontecemos, assim, enquanto lugar - no tempo, na humanidade e na terra. Chamo Pátria a esse lugar, à síntese desse tríptico vital. A Pátria não se elege, não se compra, não se troca, nem, ainda menos, se vende: honra-se. Na medida em que se cumpre.
Dir-me-ão que o que não falta para aí é gente que vende a pátria, ou que a troca por outra mais gratificante e vantajosa. Gente dessa, aliás, se é que gente se pode chamar, foi mesmo o que nunca faltou por estas bandas. Por estas e por outras - por todas as bandas de todos os tempos. Todavia, todo esse comércio não passa de vão simulacro, contrabando de pechisbeque e contrafacção. Não pode vender quem não tem; como, tão pouco, se pode comprar aquilo que não se adquire por transacção monetária. Dupla e recíproca vigarice, portanto. Mútuo embuste. Mercado do vácuo.
Não somos livres quando o preço da nossa emancipação consiste na escravidão e na prostituição da nossa própria mãe. Quem assim pensa, compreende-se: é filho de puta nem sequer real . A nuvem que Íxion tomou por amante, tomam eles, agora, por mãe. Pobre Nefele! Sobrignóbil sina na velhice: depois de parir semi-cavalos, ver-se na contingência de dar à luz asnos completos!...

quarta-feira, junho 09, 2010

Olex sed Lex

De modo a tranquilizar alguns adivinhadores mais visionários, entre os quais o meu sócio e compadre Ildefonso Caguinchas - que já para aqui anda em palpites descabelados e alvitres alucinantes -, convém esclarecer duma vez por todas a identidade do autor do segundo trecho. Pois, senhoras e senhores, não é Calvino, não é Darwin, nem é Jesus, o Jorge, tão pouco (ouviste bem, ó Ildefonso?!!) . Não, é mesmo Adolph Hitler. Na sua, dele, "Mein Kampf". Algures, no capítulo II.
Comentários para quê? Vem-me à memória aquele velho anúncio do Restaurador Olex. Pois é, "pretos de cabeleira loura ou brancos de carapinha"... Que também podíamos actualizar para "arianos kosher ou marranos hitlerozados".
No fundo, nem é para levar a sério. Não passa dum mero penteado. Mental.


domingo, junho 06, 2010

Doutor Estranho-Amor




Descubra as diferenças:

a)

b)
«Quando a raça corre o perigo de ser oprimida ou eliminada, a questão da legalidade passa para segundo plano. Em tal caso pouco importa que o poder dominante use meios legais; o instinto de conservação dos oprimidos justificará sempre a luta que usa todos os recursos.
Neste mundo, todas as lutas pela libertação da escravidão interna e externa e de que as história nos mostra exemplos prodigiosos, foram travadas com base nesse princípio.
O direito dos homens está acima do direito do Estado.
Se um povo sucumbe na luta pelos seus direitos humanos é porque ao ser pesado na balança do destino foi considerado demasiado fraco para ter direito à vida. Quem não está disposto ou não é capaz de lutar pela existência, é porque a Providência eternamente justa o predestinou a desaparecer.
O mundo não se fez para povos cobardes.»

Já agora, aproveite a embalagem e, ironia das ironias, adivinhe quem escreveu o segundo trecho. Não é difícil.


quinta-feira, junho 03, 2010

A merda não morre

Dizem que morreu o Coutinho
Coitadinho
Do vendedor.
Pois ei-lo que enfim jaz
A adubar pasto, a criar erva.
a nutrir siamesa caterva
Que o digere em paz!...
Já não destila ódios
Nem liberta vícios
Apenas gás.

Rejubila a goela obscura
Na antevisão do banquete.
A terra, porém, abomina o frete:
títere com alma de serradura.

Morreu, o Coutinho?
Foi apenas ter com o paizinho
Dele e da sempiterna selva
Que nos burila e perfaz.
Aqueles que o diabo traz
O diabo leva.

O papá que agora o ature
O cure,
O curta, laureie e recicle
O passevite, o asse, o torre!
Condecorado a escarro, ungido a manguito
Morreu, dizeis? Não acredito.
A merda não morre.

quarta-feira, junho 02, 2010

O lema constitutivo do Estado de Israel:

«Quero, posso e mato».


Já quanto ao Cogito judaico é todo um programa ancestral que vai do "minto, logo existo" ao "mato, logo existo".

Enfim, coisas dum país a prazo.

domingo, maio 30, 2010

Maiêutica democrática

De Inglaterra, o berço da para-lamentação que nos desalumia e do liberdadeirismo que nos transvaza, arriba-nos mais uma história de austera e edificante moral.
Ministro pagou quarto de namorado com dinheiro do Estado.

Ou de como na espécie humana, à medida que se atrofiam os olhos da cara (por míngua, entre outras coisas, da vergonha que nela mora ausente), mais decreta e exorbita o olho do cu.

Entretanto, no Malawi fica a prova: afinal, há uma globalização que, apesar das crises (reais e imaginárias), até vai de vento em popa - a da gayzice. Mais uma vez, a lógica imaculada rege: à medida que a malha em redor do estômago e da mioleira, à escala mundial, se estreita e aperta, o freio ao olho do cu - e respectivos derivados e constelações - relaxa-se. Ou de como as comunidades locais e nacionais concretas cedem cada vez mais as rédeas a uma comunidade fictícia, inefável que ninguém sabe realmente o que seja ou quem represente: a "Comunidade Internacional".

Já entre nós, à conta de idênticos folclores, o Príncipe (retrosculado pelo lobi, presumo) transformou-se em sapo. Ou, dito por outras metáforas, a república pariu um rato.

Bom dia. O meu nome é César Augusto Dragão. Estou a ficar realmente zangado. A demolição segue dentro de momentos.

domingo, maio 09, 2010

A Natureza da Civilização (rep)


I

A vitalidade e a grandeza duma civilização, qualquer que ela seja, medem-se pela sua intolerência. Intolerância ao homicídio, ao roubo, ao incesto, à corrupção, à cobardia, à mentira, à injustiça, etc, etc. Intolerância ainda, e especialmente, à escravatura e colonização por outra cultura. Quando as civilizações começam a ser sobremaneira tolerantes não significa que são mais fulgurantes e avançadas: significa apenas que entraram em declínio e que se aproximam fatalmente da extinção. A intolerância, fundada em leis, mitos, princípios, história comum e tradições, funciona para a civilização como as defesas do organismo para o indivíduo: quanto menos tolerantes forem aos vírus e bactérias infecciosos e quanto menos indulgentes forem para com as tendências venais do próprio, mais saudável será o conjunto. No dia em que as defesas começam a confraternizar com os bacilos, a tratá-los com toda a deferência, a recebê-los em festa, sabemos o que acontece. Ou chegou a velhice, anunciando a morte; ou chegou a doença, anunciando a febre, o delírio, a náusea e o tratamento de urgência. A corrida aos médicos e remédios.
Intolerância não significa repressão. Ao contrário da manhosice freudiana que equipara civilização a repressão, a intolerância, enquanto cimento civilizacional, significa, outrossim, que a civilização é um sistema de continências, de refreamentos espontaneamente cultivados, ou seja, aprendidos, transmitidos e guardados por todos. Civilizado é aquele que honra a civilização a que pertence.
É à medida que decaem, que declinam, que perdem o vigor, que as civilizações se tornam tolerantes e, em simultâneo, repressivas. Perdido o equilíbrio, tornam-se excêntricas e caem no excesso. Aquilo que deixou de ser guardado e cultivado por todos, passa a ser policiado e imposto brutalmente por alguns. O destino último, após rixas, zaragatas e corrupções, será a desagregação.
A civilização grega era intolerante, tal qual a civilização cristã foi intolerante. No entanto, foi no auge da tolerância que Atenas condenou Sócrates à cicuta e a Santa Madre Igreja largou os cães da inquisição. Farmacon, elucidativamente, no grego original, significa "remédio" e "veneno". A corrida ao remédio, no caso das civilizações, é sempre um acto de desespero tardio. E tanto quanto a luta, anuncia o estertor.

II

Dragão menino, houve uma época em que me dediquei à colecção de pássaros. Pintassilgos, verdilhões, bicos-de-lacre, capturava-os em armadilhas de visgo e engaiolava-os durante uma temporada. Pardais, piscos, carriças, felosas era escusado. Ao contrário dos anteriores, não se aguentavam na prisão. Enmurchesciam, não comiam nem bebiam, por mais insectos ou incentivos que eu lhes desse, feneciam e morriam a breve trecho. Deixavam-se morrer, melhor dizendo. Antes a morte que tal sorte, deviam eles pensar. E, no meu modesto entender, hoje que penso nisso, pensavam bem.
Descobri assim que havia aves tolerantes e aves intolerantes ao cativeiro. As granívoras adaptavam-se com relativa facilidade, as insectívoras nem por sombras. As intolerantes eram as que tinham mais amor à liberdade. Não a uma liberdade qualquer, conceptual, inefável, retórica, mas uma realidade concreta, vital, irredutível: a sua.
Da mesma forma, apenas em palco diverso, quando os labregos caras-pálidas à conquista da Terra prometida deram com os Sioux e lhes infernizaram a vida, descobriram rapidamente que os pele-vermelhas não se aguentavam em cativeiro nem, pior ainda, serviam para trabalhar. Os índios, diabos os levassem, eram completamente intolerantes ao trabalho e à escravatura. Foi então que os colonos começaram a importar africanos, peles-escuras exóticos que, ao contrário dos pele-vermelhas residentes, eram duma tolerância magnífica à canga e ao chicote.
Uma tolerância semelhante, se bem que encoberta e edulcorada com balelas do Santo Mercado, é o que se procura e promove com a mão-de-obra emigrante destes nossos dias. É essa a tolerância-mor que se destila sob o adestramento frenético e obsessivo em todas as outras tolerâncias.
O mais engraçado disto tudo é que tinha mais civilização na unha dum pé um Sioux que qualquer um daqueles babuínos protestantes por todo ele todo abaixo. No entanto, acabaram com a civilização dos Sioux. E depois vieram acabar com a nossa. É nisso que andam.
Houve civilizações que caíram às mãos de bárbaros. A nossa, desgraçada maior, está a finar-se às patas de macacos engravatados.

sábado, maio 01, 2010

Consenso

Segundo pude perceber, chegou-se a um consenso maravilhoso entre o desgoverno internacional e o desgoverno nacional acerca da coisa, ou crise ou lá como a pintam: temos desempregados a mais e sem-abrigos a menos.

domingo, abril 25, 2010

República dos Pinóquios





Em matéria de mentira, senhores
somos um povo culto, avançado...
Os outros dedicam-lhe um dia, o primeiro;
nós, para melhor diluir o feriado,
consagramos-lhe o mês inteiro.

Abril da treta, da tanga, do arroto
a criar pança, papada e cu fofo;
Não cheira a rosas, cheira a esgoto
não cheira a cravos, cheira a mofo.

Porque a verdade, senhores
analfabetos doutores,
é que faz hoje não sei quantos anos
que tombaram senis modernos
sob um surto de jovens bolores.

E quanto às portas que Abril abriu
mais as auto-estradas, rotundas e bermas,
melhor fora que nunca tivesse aberto as pernas
a grande e republicana puta que os pariu!

quinta-feira, abril 22, 2010

De bradar!

Bem, a ser ofensivo - injurioso, até! -, o tal enunciado do exame, só se for mesmo para os animais vertebrados e para os defensores (quiçá fanatizados, como é o meu caso) da poligamia. De facto, colocar-nos ao mesmo nível do casamento entre invertebrados, vulgo gayos, parece-me digno de escândalo e celestial brado. Parece-me, não: tenho a certeza!...
Entre um homem ( ou mesmo entre um cão ou um cavalo) e uma anémona gelatinosa ainda vai uma certa diferença. Mesmo nos dias de hoje, que diabo!...

segunda-feira, abril 19, 2010

Os do costume

O meu primo da Islândia só é responsável por enviar cinzas e labaredas para a atmosfera. Pelo envio de alarmismos seguranceiros, interdições histéricas e aero-preservativos, os responsáveis são outros. Os do costume.
Adivinhem quem vai lucrar com o vulcão...

domingo, abril 18, 2010

Álbum de Família



O meu primo da Islândia.


sexta-feira, abril 16, 2010

Con-gestões

"Gestores são dos que «mais impostos pagam em Portugal»"...

Pois, mais que eles só mesmo os tipos que ganham o Euromilhões.

quinta-feira, abril 15, 2010

Filão mignon

Lapso tremendo, no postal anterior, do qual desde já me penitencio... Esqueci-me dos alcoólicos católicos, essa torre de menagem. Devem estar mesmo por aí a estoirar. Proclamando, em altos - se bem que fanhosos - brados, a bebedeira imarcescível e infernal como vacina milagrosa contra toda e qualquer tentação pedófila.

A substância do substantivo

Evadidos do armário de sacristia onde criavam bolores e outros fungos, galvanizados pela hóstia-supositório e vários outros elixires e óleos modernaços, os homossexuais católicos saem em defesa da classe (sim, porque essencial é o olho do cu, a alma é mero acessório) e barafustam contra o Cardeal homofóbico e, de caminho, contra o hediondo celibato dos padres.
Já todos percebemos que o ideal, para toda esta gente culta, sensível, sofisticada e fascinante, era os padres poderem casar uns com os outros. Assim, devidamente acasalados, protegidos das más línguas porque ultra-lambuzados pelas boas, podiam adoptar as criancinhas que muito bem entendessem e ninguém tinha nada a ver com isso.
Em todo o caso, agora que os homossexuais católicos (uma delícia este casalinho substantivo/adjectivo, não me canso de admirar!) se manifestaram, o Papa e a hierarquia eclesiástica estão já todos, além de deslumbrados, reunidos certamente de emergência. Se a paciência é uma virtude, preparam-se para tomar de assalto a santidade. Depois dos homossexuais católicos, só já lhes falta escutar - calculo em que excruciante angústia e não menos gulosa ansiedade! - os carecas católicos, os proxenetas católicos, as putas católicas, os bestialistas católicos, os sado-masoquistas católicos, os satanistas católicos, os ateístas católicos, os calvinistas católicos, os darwinistas católicos, os comunistas católicos, os muçulmanos católicos e toda essa súbita catolicidade aos molhos, às dúzias e aos saltos, que, afinal de contas, palpita, recheia e avassala o mundo.


terça-feira, abril 13, 2010

Não trabalharão!

«Ministra garante que desempregados não vão trabalhar de graça».

E podemos bem crer que não. Nem de graça, nem pagos, nem de maneira nenhuma. Desempregado, neste país, para subir, de profissional só a vitalício.

PS: Ou a emigrante, claro. Mas isso já não é "neste país", pois não?...

domingo, abril 11, 2010

Ossos do ofídio

A pedofilia é uma coisa simplesmente abjecta, excepto, dizem os cidadãos modernos, evoluídos , sensíveis e fascinantes, quando praticada por artistas, passando a chamar-se pederastia e sendo, então, uma coisa bestialmente catita e chique. Ou, ainda, quando reivindicada por barbies gays em ânsias casamenteiras, passando então a catalogar-se sob o epíteto de "adopção de crianças" e transformando-se, instantaneamente, em algo não apenas pungente como também sublime, santo e ultra-prioritário para a civilização.
Eu, todavia, que sou um tipo completamente anacrónico, reaccionário e obscurantista, considero a pedofilia algo de asqueroso, seja ela praticada por padres, poetas, filósofos, políticos ou onanistas colectivos particularmente exibicionistas e ruidosos. Em resumo: seja por quem for! E seja em que dia, mês ou ano for, desde a Antiguidade clássica ao Admirável Amanhã Novo. E não apenas física como mentalmente. E daqui não arredo pé!
Ora, parece que ultimamente se quer fazer crer que a pedofilia é um fenómeno essencialmente católico (além de muçulmano, como já todos estamos fartos de saber). Está-se mesmo a ver donde jorra a lama.
Todavia, se eu fosse católico, até era capaz de concordar. Responderia talvez qualquer coisa como:
"Sim, é capaz de ser uma coisa tipicamente católica, ó alminhas fofas e delicadas. E por três razões muito óbvias, simples e concomitantes: em primeiro lugar, porque decorre entre duas pessoas, um adulto e uma criança; em segundo, porque é aberrante; e em terceiro, porque, inerentemente, é traumatizante para a vítima.
Assim, facilmente se deduz que nem os protestantes, nem, tão pouco, os judeus correm quaisquer riscos de incorrerem na pedofilia. No primeiro caso, porque não decorre entre pessoas mas entre pastores e o respectivo gado, donde, a acontecer algo de equivalente, configurará simplesmente o bestialismo. Ninguém decerto perderá tempo a chamar pedófilo a um bimbo que, mal cevado na ovelhinha de estimação, adentre na bizarria de molestar o borrego incauto. Na mais extravagante das hipóteses, clamarão incesto; mas pedofilia, nunca. No segundo caso, porque a idade de maioridade entre os eleitos, como o Bar-mitzvah (não sei se é assim que se escreve, se não for, corrijam) atesta, é de 12 anos nas meninas e 13 nos rapazes. Pelo que, na maior parte dos casos, evita-se, com solércia e desembaraço característico, toda uma série de contrariedades e entraves tipicamente católicos. Sob o frondoso beneplácito da lei, a coisa mais depressa singrará nos mares dos comércio do que nos pântanos da perversão. Por fim, eis-nos perante o corolário sincronizado de ambas as tribos: visto não constituir aberração em qualquer dos casos, mas apenas capricho ou negócio; não é traumatizante porque não há vítima ou abuso, mas simplesmente piquenique aleivoso ou transacção carnal; sendo até, pelo contrário, deveras gratificante para o infantil protestante e, quase de certeza, bastante mais lucrativo para o seu modelo ancestral. Em suma, o que um católico, na sua mente tacanha e obsoleta, encara como desastre na vida às garras duma compulsão digna duma hiena, o protestante e o judeu, numa (respectivamente) inata e profissional harmonia entre a vaselina e a ganância, atestam e glorificam como vantajosa retro-propulsão. E mesmo quando, por via da rudeza boçal do pastor ou da brusquidão volumetuosa do talmudo, a lubrificância não decorre às mil maravilhas, encaram a prova com bonomia e espírito empresarial. São ossos... Ossos do ofídio."




Breviário Teológico - IV

Não é só o porco que Iahvé interdita à lambança dos hebreus. Também o coelho, a lebre e o faisão lhes ficam rigorosamente proibidos. Em compensação, podem refastelar-se à vontade com gafanhotos de toda a espécie, saltões, grilos e vários outros invertebrados substanciais e crocantes. Nunca agradeceremos o bastante aos judeus por nos terem livrado da eleição e do favoritismo duma divindade destas!

sábado, abril 10, 2010

Breviário Teológico - III

O que Iahvé - depois de falar às trevas e a uma série de fenómenos atmosféricos e geológicos decorrentes - disse a Adão foi uma coisa. O que a serpente disse a Eva e esta, depois, transmitiu a Adão parece que foi outra totalmente diferente, senão mesmo oposta. Extrapolar daqui que o pecado original foi, essencialmente, um pecado de gula parece-me um erro grosseiro. Não foi de gula, foi de tagarelice. Tivessem todos calado a puta da matraca e nada disto acontecia.
Agora que o único virtuoso do incidente - o único que, tirando chamar nomes aos animais, não abriu o bico nem, comprovadamente, meteu prego nem estopa em todo aquele proto-palramento inaugural - , resulte como principal castigado, afigura-se-me duma clamorosa injustiça.

Breviário Teológico - II

A prova de que o enredo do pecado original é uma coisa tipicamente hebraica pertence mais ao domínio da culinária do que propriamente da teologia. Aquilo, para um chinês, por exemplo, seria inconcebível. Entre a cobra e a maçã, o Adão chinês nem hesitava: comia a cobra.