terça-feira, novembro 27, 2012

Descolhonização - 3. A Pesada herança




«A cana sacarina e o açúcar foram, afinal, a grande fonte de financiamento dos Descobrimentos, pelo menos até se dobrar o Cabo da Boa Esperança.»
- José Mendes Ferrão, "A Aventura das Plantas e os Descobrimentos Portugueses"

Antes de falar do mosaico étnico vastíssimo que constitui o Ultramar Português, falemos da alimentação desses povos, à altura da Guerra do Ultramar (ou Colonial, para os amigos do alheio); e a mesma, que, de resto, se mantém até hoje. É essencial para confrontar com o mito que andámos lá quinhentos anos a pilhar e a molestar os bons selvagens deste mundo.

Em Angola, as duas bases da alimentação são, a centro/sul, o milho; a centro/norte, a mandioca. Quem já não ouviu falar no fungi ou no pirão? Coisas indígenas? Negativo. O cultivo de ambos, mandioca e milho, foi introduzido pelos portugueses, que para lá levaram as plantas, nas suas naus, vindas da América do Sul (Brasil, pois). O café? Foram os portugueses. A cana-do-açúcar. idem.  A manga, o ananás, o tomateiro, a batata doce, a batata, os citrinos, o feijão, o coqueiro, o caju, o abacate, o cacau, a papaia/mamão, a fruta-pinha, a bananeira, o tabaco, o amendoim, também, imagine-se. Foram os portugueses. Que gente malfazeja! A famosa rainha Ginga, símbolo  da história africana da actual Angola de pechisbeque e heroína nacional dum país da tanga era a feroz rainha dos Jagos. Uns tipos bestialmente autênticos, que grassavam ali pelas áreas de Malange e abominavam saladas: eram canibais. E os maiores  caçadores e traficantes de escravos da região. Mais um caso típico da opressão hedionda dos portugueses: obrigarem aqueles bons selvagens ao vegetarianismo! As criancinhas da escola rainha Ginga em Luanda, ou os transeuntes da Avenida Rainha Ginga na mesma urbe, regozijam-se hoje com a redenção fetiche do seu heróico  passado, em estado puro,  não poluído nem contaminado pelos tugas abomináveis.

Mas mesmo as galinhas, os porcos e as cabras, enfim, os chamados animais domésticos, suspeito que não apareceram lá por geração espontãnea... Hum, até os cavalos dos Cuanhamas, não sei não.

Na Guiné, refiro apenas as duas principais fontes de alimentação e comércio: o arroz e o caju. Imaginem quem quem lhes forneceu a droguinha...

Em Moçambique... O chá, calculem, o chá! Até o chá!... Miseráveis traficantes. Mais toda aquela panóplia comum a Angola e à Guiné!... Que infâmia!...

Afinal, diz-me o que comes, dir-te-ei donde vens. Ainda hoje, nas capitais das nossas ex-províncias ultramarinas, as elites locais, se as quereis ver felizes e contentes, é apresentar-lhes bacalhau e sardinha assada. Imaginem quais são os restaurantes (e ementas) mais requisitados lá nas neo-nacinhas efémeras: portugueses, calculem.

Independentes? Sim, sim... Continuam colonizados pela barriga..






11 comentários:

  1. E a escravatura?Quem é que a ia apanhar a rapaziada e a vinha vender à costa?Passado de escravo?Porra.Não estão habituados a isso.Queriam passar directamente do galho de árvore e por discriminação positiva a eleitos cá no burgo...onde já vão a meio caminho.À conta do Estado Social em bairro multicultural a fazer o HOMEM NOVO e mulato...
    Quer-se dizer mistura cá e por conta da "nossa" segurança social e apuramento da raça lá fora com aquela máxima "20 kgs em 24 horas"...
    Mas prontos nós é que somos os diabos brancos...

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  2. Agora só temos que ir adequando a nossa agricultura aos convidados.Precisamos de plantar mandioca e cana.Funge e grogue não podem faltar.Porque há que respeitar as kulturas...

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  3. O certo é que os iluminados que nos têm desgovernado e traído vão obrigando o zé povinho a dar constantemente a outra face.O que inclui o caminho para a escravatura branca.Por via fiscal para manter o "a cada um segundo as suas necessidades" e as escolas não serem Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.É salvar o mundo a eito e por nossa conta...

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  4. " Quando os factos negam a teoria, nega-se a realidade aos factos
    Os caneiros televisivos da paróquia, e pasquins coadjuvantes, encarregam-se de espalhar a "palavra".
    E, against that, potatoes...

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  5. Ricciardi8:09 p.m.

    Temos, de facto, uma aptidão invulgar para fazer filhos nas mulheres dos outros.
    .
    Olha a rainha Ginga. Estive lá, perto de Malange, a ver as alegadas pegadas da senhora. Ahh e o tumulo do Zé do Telhado também está por ali, afiançam.
    .
    Anyway, já Fernão Mendes Pinto ou MINTO escrevia assim:
    .
    «Foi-se o tempo passando
    da nau ao paquete
    lá vai Portugal
    leva gente do arado
    peões e joguetes
    em calção colonial
    negro trabalha canalha
    que a tua mortalha
    é este ultramar
    colhe matumbo o café
    que a gente tem fé
    chimpanzé
    de lucrar e lucrar
    fomos misturando guitarras
    ao som do batuque
    bebendo maruvo
    e num sentimento bizarro
    casando com a negra
    depois de viúvo
    estoira uma força gigante
    vermelha negra vibrante
    a lutar a queimar
    liberta um povo oprimido
    e perde o diamante
    purgante
    quem nos andou a mandar
    e desmanchámos as casas
    tornámos de volta
    pobres numa muleta
    balbuciando estranhas palavras
    aka! que maka!!
    acabou-se a teta ao serviço de grandes senhores
    regressa de vez teu esposo
    neste vento bonançoso
    meu lindo e ditoso amor
    confiado nesta promessa
    enganado nesta esperança»
    .
    Rb

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  6. Este foi dos bons! Nunca tinha visto a questão analizada por este prisma.

    A colonização pela barriga... Dificilmente haverá colonização mais portuguesa! eheheh

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  7. Ricciardi8:48 p.m.

    ... ou Fausto Mendes Minto.
    .
    Rb

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  8. Acho que ainda não havia paquetes na altura do Fernão Mendes Pinto...

    Fausto, português, só conheço o cantor da palidez... É esse?

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  9. Anónimo10:25 p.m.

    Claro.
    .
    Rb

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  10. Será que o Fausto toca ao som de um ukulele hawaiano ou seja um vulgo cavaquinho português?

    Aí também teremos a colonização pela música.

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  11. Anónimo7:51 p.m.

    Além do Dragão, o Lusitânea, o Ricciardi e o resto, não são gagos.
    É preciso cabecinha. Boas malhas!

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