«A cana sacarina e o açúcar foram, afinal, a grande fonte de financiamento dos Descobrimentos, pelo menos até se dobrar o Cabo da Boa Esperança.»
- José Mendes Ferrão, "A Aventura das Plantas e os Descobrimentos Portugueses"
Antes de falar do mosaico étnico vastíssimo que constitui o Ultramar Português, falemos da alimentação desses povos, à altura da Guerra do Ultramar (ou Colonial, para os amigos do alheio); e a mesma, que, de resto, se mantém até hoje. É essencial para confrontar com o mito que andámos lá quinhentos anos a pilhar e a molestar os bons selvagens deste mundo.
Em Angola, as duas bases da alimentação são, a centro/sul, o milho; a centro/norte, a mandioca. Quem já não ouviu falar no fungi ou no pirão? Coisas indígenas? Negativo. O cultivo de ambos, mandioca e milho, foi introduzido pelos portugueses, que para lá levaram as plantas, nas suas naus, vindas da América do Sul (Brasil, pois). O café? Foram os portugueses. A cana-do-açúcar. idem. A manga, o ananás, o tomateiro, a batata doce, a batata, os citrinos, o feijão, o coqueiro, o caju, o abacate, o cacau, a papaia/mamão, a fruta-pinha, a bananeira, o tabaco, o amendoim, também, imagine-se. Foram os portugueses. Que gente malfazeja! A famosa rainha Ginga, símbolo da história africana da actual Angola de pechisbeque e heroína nacional dum país da tanga era a feroz rainha dos Jagos. Uns tipos bestialmente autênticos, que grassavam ali pelas áreas de Malange e abominavam saladas: eram canibais. E os maiores caçadores e traficantes de escravos da região. Mais um caso típico da opressão hedionda dos portugueses: obrigarem aqueles bons selvagens ao vegetarianismo! As criancinhas da escola rainha Ginga em Luanda, ou os transeuntes da Avenida Rainha Ginga na mesma urbe, regozijam-se hoje com a redenção fetiche do seu heróico passado, em estado puro, não poluído nem contaminado pelos tugas abomináveis.
Mas mesmo as galinhas, os porcos e as cabras, enfim, os chamados animais domésticos, suspeito que não apareceram lá por geração espontãnea... Hum, até os cavalos dos Cuanhamas, não sei não.
Na Guiné, refiro apenas as duas principais fontes de alimentação e comércio: o arroz e o caju. Imaginem quem quem lhes forneceu a droguinha...
Em Moçambique... O chá, calculem, o chá! Até o chá!... Miseráveis traficantes. Mais toda aquela panóplia comum a Angola e à Guiné!... Que infâmia!...
Afinal, diz-me o que comes, dir-te-ei donde vens. Ainda hoje, nas capitais das nossas ex-províncias ultramarinas, as elites locais, se as quereis ver felizes e contentes, é apresentar-lhes bacalhau e sardinha assada. Imaginem quais são os restaurantes (e ementas) mais requisitados lá nas neo-nacinhas efémeras: portugueses, calculem.
Independentes? Sim, sim... Continuam colonizados pela barriga..
E a escravatura?Quem é que a ia apanhar a rapaziada e a vinha vender à costa?Passado de escravo?Porra.Não estão habituados a isso.Queriam passar directamente do galho de árvore e por discriminação positiva a eleitos cá no burgo...onde já vão a meio caminho.À conta do Estado Social em bairro multicultural a fazer o HOMEM NOVO e mulato...
ResponderEliminarQuer-se dizer mistura cá e por conta da "nossa" segurança social e apuramento da raça lá fora com aquela máxima "20 kgs em 24 horas"...
Mas prontos nós é que somos os diabos brancos...
Agora só temos que ir adequando a nossa agricultura aos convidados.Precisamos de plantar mandioca e cana.Funge e grogue não podem faltar.Porque há que respeitar as kulturas...
ResponderEliminarO certo é que os iluminados que nos têm desgovernado e traído vão obrigando o zé povinho a dar constantemente a outra face.O que inclui o caminho para a escravatura branca.Por via fiscal para manter o "a cada um segundo as suas necessidades" e as escolas não serem Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.É salvar o mundo a eito e por nossa conta...
ResponderEliminar" Quando os factos negam a teoria, nega-se a realidade aos factos
ResponderEliminarOs caneiros televisivos da paróquia, e pasquins coadjuvantes, encarregam-se de espalhar a "palavra".
E, against that, potatoes...
Temos, de facto, uma aptidão invulgar para fazer filhos nas mulheres dos outros.
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Olha a rainha Ginga. Estive lá, perto de Malange, a ver as alegadas pegadas da senhora. Ahh e o tumulo do Zé do Telhado também está por ali, afiançam.
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Anyway, já Fernão Mendes Pinto ou MINTO escrevia assim:
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«Foi-se o tempo passando
da nau ao paquete
lá vai Portugal
leva gente do arado
peões e joguetes
em calção colonial
negro trabalha canalha
que a tua mortalha
é este ultramar
colhe matumbo o café
que a gente tem fé
chimpanzé
de lucrar e lucrar
fomos misturando guitarras
ao som do batuque
bebendo maruvo
e num sentimento bizarro
casando com a negra
depois de viúvo
estoira uma força gigante
vermelha negra vibrante
a lutar a queimar
liberta um povo oprimido
e perde o diamante
purgante
quem nos andou a mandar
e desmanchámos as casas
tornámos de volta
pobres numa muleta
balbuciando estranhas palavras
aka! que maka!!
acabou-se a teta ao serviço de grandes senhores
regressa de vez teu esposo
neste vento bonançoso
meu lindo e ditoso amor
confiado nesta promessa
enganado nesta esperança»
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Rb
Este foi dos bons! Nunca tinha visto a questão analizada por este prisma.
ResponderEliminarA colonização pela barriga... Dificilmente haverá colonização mais portuguesa! eheheh
... ou Fausto Mendes Minto.
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Rb
Acho que ainda não havia paquetes na altura do Fernão Mendes Pinto...
ResponderEliminarFausto, português, só conheço o cantor da palidez... É esse?
Claro.
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Rb
Será que o Fausto toca ao som de um ukulele hawaiano ou seja um vulgo cavaquinho português?
ResponderEliminarAí também teremos a colonização pela música.
Além do Dragão, o Lusitânea, o Ricciardi e o resto, não são gagos.
ResponderEliminarÉ preciso cabecinha. Boas malhas!