segunda-feira, setembro 29, 2008

Psico killers

«The Tories are under fire after it emerged they have been bankrolled by City 'wolves' who have made a killing from the financial crash.
The party has received hundreds of thousands of pounds from hedge fund managers who raked in vast sums by short-selling shares in British banks.
Among the businessmen who donated more than £50,000 to talk privately with him are Paul Ruddock of Lansdowne Partners and Michael Hintze of CQS.
Both their firms made fortunes from betting that the price of Bradford & Bingley and HBOS shares would fall.
Mr Hintze has donated more than £650,000 to the Tories since Mr Cameron became leader and Mr Ruddock has donated £259,500.
Another fund which has admitted short-selling in Bradford & Bingley, GLG Partners, is managed by Pierre Lagrange. His wife Catherine has given £50,000 to the Tories.
The Tories hit back by claiming that one of Gordon Brown's closest political allies, Paul Myners, was a director of GLG Partners. They also said Labour's £1million donor Jon Aisbitt, non-executive chairman of Man Group, one of the world's largest hedge fund managers, had 'profited handsomely' from short-selling.

Morudências


Então isto não tresanda àquele leninismo rançoso do "quem não está com nós está contra nós"? Aquele embrulho tão useiro e vezeiro dos pilotos de estampidos. O mesmo, aliás, que a seguir ao 11 de Setembro também se esmerou em taxar de anti-patriotas todos aqueles que não baliam cegamente perante o "mirabolante plano de combate ao terrorismo fantasmagórico".

Lucidez no céu com diamantes

Estamos perante um crash de tal modo formidável e alucinante que o dólar nem desvaloriza. Crise? Milagre económico, isso sim. Julgo mesmo que é a primeira vez na história.
O 13 de Setembro lembra cada vez mais o 11 de Setembro. Será o segundo filme da trilogia "A Guerra dos Gambosinos"?

domingo, setembro 28, 2008

Detalhes significantes

Entretanto, vai-se falando por aí num montante de dívida desregulada que orça o Quadrilhão de dólares. Podemos imaginar o quadrilhão como mil trilhões. Ou podemos imaginar-nos a contar um quadrilhão à velocidade de um dólar por segundo: levaríamos 32 milhões de anos.

Por outro lado, convém não esquecer que quando a Federal Reserve intervém sobre bancos ou seguradoras em apuros (como foi o caso da AIG) não se trata propriamente duma nacionalização. Como bem notou Ellen Brown, a "Reserva Federal tem o poder de imprimir o dinheiro que circula nos Estados Unidos (e no resto do mundo em forma de dólar), mas não é parte do Governo Americano, ou seja, não é Estado. Pelo contrário, é uma corporação bancária, propriedade dum consórcio de bancos privados. No caso da intervenção na AIG, a banca privada limitou-se a adquirir uma das maiores seguradoras mundiais. Usando, tranquilamente, o dinheiro dos contribuintes para o efeito."


O termo quadrilhão é, pois, plenamente apropriado. Já que reflecte o resultado exacto do labor estrénuo e ponderado de uma descomunal quadrilha cuja desfaçatez só encontra paralelo na audácia.

PS: Evidentemente, se estivéssemos a falar de dinheiro a sério, diríamos quadrilião ou trilião.

sábado, setembro 27, 2008

Autofagia & metamorfose



Atentemos no TOP 10 mundial dos Bancos de Investimento:
1.ABN Amro Bank;
2.Merrill Lynch;
3.Goldman Sachs;
4.Deutsche Bank;
5.Morgan Stanley;
6.Bank of America;
7.UBS AG;
8.Bear Stearns;
9.Lehman Brothers;
10.JP Morgan Chase.

Portanto, sete bancos americanos, um alemão, um suiço e um holandês. Dos americanos, quatro foram à vida, isto é, desvalorizaram-se calamitosamente e foram absorvidos pelos sobreviventes. Fundiram-se, no melhor dos casos (ou seja, faliram com vaselina); foderam-se, no pior (quer dizer, faliram à bruta - o Lehman Bros).
Dizer eu aqui que pouco ou nada percebo de economia em nada adiantaria à questão. Afinal, como tem vindo a verificar-se monumentalmente, ninguém percebe. A começar pelos chamados "economistas" e pseudo-peritos em mercantilâncias, traficuras e outras trampolinices.
Atenho-me, pois, aos factos evidentes. Do estrito senso comum. E não consigo dissipar uma série de estranhezas óbvias. A primeira de todas resume-se numa pergunta elementar:
Porque é que enquanto os bancos predam impiedosamente o vulgar cidadão, a banal empresa, o simples país ou colectividade, ninguém se aflige e todos acham que é o Santo Mercado a funcionar, a civilização a galope, o Progresso em acção, mas quando os Bancos encetam o passo lógico seguinte, inevitável, fatal, e desatam, num típico frenesim de esqualos, a predar-se uns aos outros, toda a gente rompe a clamar que é o fim-do-mundo, (não sei se em cuecas, se em truces ou ceroulas), o armagedão das finanças, o apocalipse das bolsas?...
Eu diria que são apenas folclores típicos do planeta-anedota, onde as massas se babam e deleitam alvarmente diante do mega-herói global, o Super-Antropófago, mas caem numa choradeira delicodoce logo que o seu querido culmina e troca a antropofagia pela autofagia. Enquanto ele devorava apenas as pessoas, tudo bem, a civilização é assim mesmo; economia oblige, o lucro santifica ( certos ídolos são sanguinários). Mas quando desembesta a ingurgitar-se a si mesmo, ai que horror, que desgraça, que selvajaria! Não se admite: é canibalismo atroz! Banquete à custa do seu semelhante!... Um banco devora pessoas, não devora outros bancos!... É um pouco como dizer: os ricos comem os pobres, não comem outros ricos. Ou os lobos alambazam-se com cordeiros, jamais com outros lobos.
Tem que haver um mínimo de regras, senhores. Mesmo a injustiça, a impiedade mais sórdida, o banksterismo mais infame, tem que ter algumas. Mínimas, é certo. Ínfimas, por princípio. Inobserváveis à vista desarmada, seja. Mas, apesar de tudo, implícitas. Senão lá se vai o jogo. Lá rebenta o casino. Resvala da desordem organizada para o caos inorgânico.
Daí a actual histeria borrada. Já nada nem ninguém está a salvo. A desumanidade engendrou a desimunidade. O verniz da selva já não disfarça suficientemente a unharra do açougue. Diante da máquina metapredadora, todos, predadores e predados, viraram, abrupta e cruamente, súbditos; matéria-prima. E parece que certos estômagos de aço de ontem apresentam hoje sensibilidades e fragilidades inesperadamente piegas. Os apaixonados húmidos e militantes da véspera, então, os idólatras babosos do dia anterior, superam mesmo todo o arraial descabelante na lacrimijice patética. Dizer que choram peca por escasso: ganem. Ganem, quando não grunhem e guincham! "Ai, que o Super-Antropófago já não gosta de nós! Ai, que se engasgou! Ai, que perdeu o apetite!..."
-"Depressa! -Lembra-se um maduro, um nadador-salvador de papalvos, otários e outros bivalves colectáveis. - É indigestão de notinhas do "monopoly", aerofagia reiterada e galopante. Só um remédio o poderá salvar, restaurar-lhe as cores, regular-lhe as fressuras e miudezas: dinheiro a sério! Dinheiro dos contribuintes! Uma injecção urgente! Uma seringadela das antigas! Um megagigaclister pelo reto acima!..."
Os superpatetas são assim. Num instante, largam a dança ululante de roda do tótem e arvoram violinos lancinantes no tombadilho dum qualquer Titanic. Afinal, a baboseira economística nem a religião chega. Nunca chegou. Sempre foi superstição e crendice! Quando não pura endrómina nigromante. Pelo que os chamamentos à prece, as convocatórias à Fé e ao Estado-que-nos-acuda só suscitam a galhofa justa e mais que merecida. A Banca, bem vistas as coisas, há muito que vinha ensaiando a perversão ora convertida em chaga para peditório. Bem antes da boca largar às dentadas às próprias tripas, unhas e dedos, há muito que vinha tomando como repasto as próprias fezes. De resto, só já os comatosos e lobotomizados é que ainda duvidam que foi através da coprofagia que contraíu a autofagia.
É o fim do capitalismo? Não acredito. Está apenas a desembaraçar-se. Do casulo.


domingo, setembro 21, 2008

Bónus

Entretanto, o que é que acontece aos funcionários do Lehman Brothers após o monumental descalabro ? É óbvio: os que menos responsabilidades têm no colapso são punidos através do desemprego imediato e simples. Quanto aos maiores responsáveis, a administração central do banco, a mesma que o conduziu à falência épica, esses, galhardamente, vão receber um bónus de 2,5 biliões de dólares.
Já não se trata apenas de atestar que o crime compensa. Melhor que isso: é bonificado.

Los Vígaros, ou O Casino da Finança, part II




Quer dizer, o crime, desde que mascarado de jogo, compensa.

Poderíamos chamar-lhe o "capitalismo ultra-refinado", a esta versão 4G em curso na plutocracia americana. Congrega duas vertentes essenciais: a feroz privatização oligopólica dos lucros; e a socialização forçada dos prejuízos. Tudo somado: um mega-esquema de extorsão - descarada e ufana - dos contribuintes. À escala global. Duma forma ou de outra, todos nós contribuímos. Se bem que, para falar verdade, o termo adequado até nem seja extorsão, mas tosquia.

O Casino da Finança, ou Dar na bolha

«Until recently, most people had never even heard of derivatives; but in terms of money traded, these investments represent the biggest financial market in the world. Derivatives are financial instruments that have no intrinsic value but derive their value from something else. Basically, they are just bets. You can “hedge your bet” that something you own will go up by placing a side bet that it will go down. “Hedge funds” hedge bets in the derivatives market. Bets can be placed on anything, from the price of tea in China to the movements of specific markets.
“The point everyone misses,” wrote economist Robert Chapman a decade ago, “is that buying derivatives is not investing. It is gambling, insurance and high stakes bookmaking. Derivatives create nothing, bu they serve to enrich non-producers at the expense of the people who create goods and services.”1
In congressional hearings in the early 1990s, derivatives trading was challenged as being an illegal form of gambling. But the practice was legitimized by Fed Chairman Alan Greenspan, who not only lent legal and regulatory support to the trade but actively promoted derivatives as a way to improve “risk management.” Partly, this was to boost the flagging profits of the banks; and at the larger banks and dealers, it worked. But the cost was an increase in risk to the financial system as a whole.2
Since then, derivative trades have grown exponentially, until now they are larger than the entire global economyt only. The Bank for International Settlements recently reported that total derivatives trades exceeded one quadrillion dollars – that’s 1,000 trillion dollars.3 How is that figure even possible? The gross domestic product of all the countries in the world is only about 60 trillion dollars. The answer is that gamblers can bet as much as they want. They can bet money they don’t have, and that is where the huge increase in risk comes in. »

sexta-feira, setembro 19, 2008

Cavalos rebentados

«Failed Bank List»

(The FDIC is often appointed as receiver for failed banks. This page contains useful information for the customers and vendors of these banks. This includes information on the acquiring bank (if applicable), how your accounts and loans are affected, and how vendors can file claims against the receivership.)

Carências nutritivas


Isto é o que dá o défice crónico - e escandaloso - de certos minerais e micronutrientes ao nível do cérebro e do sangue. Chumbo, especialmente. Grosso, de preferência.

Close to the edge



«At the exchange rate yesterday (Wednesday), 35 trillion British Pounds was equivalent to U.S. $62 trillion (hence, the 35 trillion Pound gorilla). According to the International Swaps and Derivatives Association , $62 trillion is the notional value of credit default swaps (CDS) out there, somewhere, in the market. »

«The Genesis of a Derivative Boom

In the mid-1980s, upon arriving in New York from Chicago with an extensive background trading options and futures (the original derivatives), I was offered a job at what was then Citicorp [today's Citigroup Inc. ( C )]. The offer was for an entry-level post in the bank's brand new OTC (over-the-counter, meaning not exchange traded) swaps and derivatives group. When I asked what the economic purpose of swaps was, the answer came back: “To make money for the bank.”
I declined the position.
It used to be that regulators and legislators demanded theoretical, empirical, and quantitative measures of the efficacy of new tradable instruments being proposed by exchanges. What is their purpose? How will they benefit the capital markets and the economy? And, what safeguards will accompany their introduction?
Not any more. In the early 1990s, in order to hedge their loan risks, J. P. Morgan & Co. [now JPMorgan Chase & Co. ( JPM )] bankers devised credit default swaps.
A credit default swap is, essentially, an insurance contract between a protection buyer and a protection seller covering a corporation's, or sovereign's (the “referenced entity”), specific bond or loan. A protection buyer pays an upfront amount and yearly premiums to the protection seller to cover any loss on the face amount of the referenced bond or loan. Typically, the insurance is for five years.
Credit default swaps are bilateral contracts, meaning they are private contracts between two parties. CDSs are subject only to the collateral and margin agreed to by contract. They are traded over-the-counter, usually by telephone. They are subject to re-sale to another party willing to enter into another contract. Most frighteningly, credit default swaps are subject to “ counterparty risk .”
If the party providing the insurance protection – once it has collected its upfront payment and premiums – doesn't have the money to pay the insured buyer in the case of a default event affecting the referenced bond or loan (think hedge funds), or if the “insurer” goes bankrupt ( Bear Stearns was almost there, and American International Group Inc. ( AIG ) was almost there) the buyer is not covered – period. The premium payments are gone, as is the insurance against default.
Credit default swaps are not standardized instruments. In fact, they technically aren't true securities in the classic sense of the word in that they're not transparent, aren't traded on any exchange, aren't subject to present securities laws, and aren't regulated. They are, however, at risk – all $62 trillion (the best guess by the ISDA) of them.
Fundamentally, this kind of derivative serves a real purpose – as a hedging device. The actual holders, or creditors, of outstanding corporate or sovereign loans and bonds might seek insurance to guarantee that the debts they are owed are repaid. That's the economic purpose of insurance.
What happened, however, is that risk speculators who wanted exposure to certain asset classes, various bonds and loans, or security pools such as residential and commercial mortgage-backed securities (yes, those same subprime mortgage-backed securities that you've been reading about), but didn't actually own the underlying credits, now had a means by which to speculate on them.
If you think XYZ Corp. is in trouble, and won't be able to pay back its bondholders, you can speculate by buying, and paying premiums for, credit default swaps on their bonds, which will pay you the full face amount of the bonds if they do actually default. If, on the other hand, you think that XYZ Corp. is doing just fine, and its bonds are as good as gold, you can offer insurance to a fellow speculator, who holds the opinion opposite yours. That means you'd essentially be speculating that the bonds would not default. You're hoping that you'll collect, and keep, all the premiums, and never have to pay off on the insurance. It's pure speculation.
Credit default swaps are not unlike me being able to insure your house, not with you, but with someone else entirely not connected to your house, so that if your house is washed away in the next hurricane I get paid its value. I'm speculating on an event. I'm making a bet.
The bad news is that there are even worse bets out there. There are credit default swaps written on subprime mortgage securities. It's bad enough that these subprime mortgage pools that banks, investment banks, insurance companies, hedge funds and others bought were over-rated and ended up falling precipitously in value as foreclosures mounted on the underlying mortgages in the pools.
What's even worse, however, is that speculators sold and bought trillions of dollars of insurance that these pools would, or wouldn't, default! The sellers of this insurance (AIG is one example) are getting killed as defaults continue to rise with no end in sight.
And this is only where the story begins.

The Ticking Time Bomb

What is happening in both the stock and credit markets is a direct result of what's playing out in the CDS market. The Fed could not let Bear Stearns enter bankruptcy because – and only because – the trillions of dollars of credit default swaps on its books would be wiped out. All the banks and institutions that had insurance written by Bear would not be able to say that they were insured or hedged anymore and they would have to write-down billions and billions of dollars in losses that they've been carrying at higher values because they could say that they were insured for those losses.
The counterparty risk that all Bear's trading partners were exposed to was so far and wide, and so deep, that if Bear was to enter bankruptcy it would take years to sort out the risk and losses. That was an untenable option.

The Fed had to bail out Bear Stearns.

The same thing has just happened to AIG . Make no mistake about it, there's nothing wrong with AIG's insurance subsidiaries – absolutely nothing. In fact, the Fed just made the best trade in its history by bailing AIG out and getting equity, warrants and charging the insurance giant seven points over the benchmark London Interbank Offered Rate (LIBOR) on that $85 billion loan!
What happened to AIG is simple: AIG got greedy. AIG, as of June 30, had written $441 billion worth of swaps on corporate bonds, and worse, mortgage-backed securities. As the value of these insured-referenced entities fell, AIG had massive write-downs and additionally had to post more collateral. And when its ratings were downgraded on Monday evening, the company had to post even more collateral, which it didn't have.
In short, what happened in one small AIG corporate subsidiary blew apart the largest insurance company in the world.
But there's more – a lot more. These instruments are causing many of the massive write-downs at banks, investment banks and insurance companies. Knowing what all this means for hedge funds, the credit markets and the stock market is the key to understanding where this might end and how.
The rest of the story will be illuminated in the next two installments. Next up: An examination of the AIG collapse, followed by a look at how bad things could get, and what we can do to fix the problem at hand. So stay tuned.»

quarta-feira, setembro 17, 2008

Necromancia

Ouvi por aí, numa rádio qualquer: a propósito dos preços bizarros dos combustíveis, o soba da Autoridade da Concorrência terá assegurado ao Ministro da Economia que estava muito atento e vigilante. Que nem um falcão!
É sempre animador saber destes conciliábulos inverosímeis entre dignitários fantásticos, mais ainda quando protagonizados por uma Autoridade de algo que não existe e por um ministro duma coisa que faz de conta. Sensibiliza-nos muito. Se bem que não fosse essa a questão. Nunca ninguém, em seu perfeito juízo, por estas bandas, duvidou, um milímetro que fosse, da atenção penetrante de tão perspícuo sentinela. Objecto de séria dúvida, de facto, não era que estivesse atento: era que estivesse vivo!...
E continua, a suspeita, mais aguda que antes. Quase a ganhar foros de convicção. A conversa, aliás, que o ministro diz que teve com a espectral figura, desconfia-se que terá decorrido no consultório dum qualquer professor Karamba ou vidente Chiçap0rra. Por altura do Conselho de Ministros... Que é quando eles se reúnem, semanalmente, de roda da mesa de pé de galo.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Monty Python - Village Idiots

Tansos radicais


Já havia uma máquina de criar tansos e otários por via audio-visual: a rádio-televisão e o cinema. Agora estão a desenvolver uma que actua por via nasal: o spray-inalador hormonal. Não é difícil imaginar a Banca, um dia destes, musculado o pulverizador à larga escala, a mandar sulfatar as cidades com o aroma oxytocin. Se bem que em Portugal nem seja preciso. Parece que a otariedade é espontânea: a correr ao crédito ou à urna, o pretoguês (entenda-se o português actual) é imune a qualquer tipo de aprendizagem, prudência ou vacinação. Assim como não experimenta jamais qualquer espécie de saciedade, aviso, tino ou lição.
O que nos transporta, sem mais preâmbulos, a uma constatação tão óbvia quanto caricata: apregoa-se que o povo português, na medida em que vota sempre nos mesmos partidos centralizados, é avesso ao radicalismo. Porém, esta putativa mostra da sua porfiada moderação política mais não mascara, distrai e camufla que a sua desenfreada e recorrente imoderação na tontice. É, tal animalejo, com exuberantes provas dadas, um tanso fanático, frenético e radical. Direi mesmo, sem o mínimo risco de pecar por excesso ou hipérbole: Entre nós, a estupidez, ultrapassada a mera fase maníaco-obsessiva, já raia o fundamentalismo religioso.
Ressalta à vista desarmada: antes de ser de direita ou de esquerda (próxima ou extrema), socialista ou liberal, comunista ou fascista, reformista ou conservador, o pretoguês é, compenetradamente, estúpido. O resto, nas diversas tintas e vernizes, nunca excede o mero pretexto, o claro doping, a simples catalisação para desenvolver a níveis ciclópicos, a píncaros descomunais, a camadas estratosféricas, essa sua arquitoinice subtil e essencial. A política, podemos até garanti-lo, é apenas o solvente, o caldo onde demolha e dilui a especiaria, ou seja, a estupidez. Entranhada. Ultra concentrada. E efervescente.

sábado, setembro 13, 2008

Democracia

Em matéria de eleições americanas, mantenho-me fiel ao meu lema: " venha o diabo e escolha". Até porque em cada novo sufrágio, a realidade reforça e fortifica o lema. Portanto, não é assunto que me consuma as meninges, ou, tão pouco, as preces. Democracia significa isso mesmo: o demo é que escolhe. Ainda mais na nação dele.

quinta-feira, setembro 11, 2008

Da Cacocracia tutelar

«Publius gritava:
- Não sabeis, fariseus, não sabeis a aventura de Lentullus?
- Não, não! - bradavam alguns penetrados da alegria, do escândalo, de curiosidades inflamadas.
- Lentullus casa com uma virgem patrícia, neta de cônsules: nove meses depois prepara, segundo o costume, para o filho que vai nascer, o berço de tartaruga, coberto de estofos e de ramos de loureiro, e expõe-no às boas palavras dos que passam. Mas toda a nobreza da Via Ápia rompe em risadas. O filho de Lentullus era a imagem viva do bufão Euríalo, e tinha, como ele, três verrugas no queixo.
A risada fazia o ar sonoro. Publius, de pé, manchado, com a túnica rota, descomposto, gritava:
-Ouvi, ouvi!
Escutavam com um riso inquieto.
E Publius enfático:
- Os actores - dizia- os gladiadores, os bufões, os tocadores de flauta, os truões, são os pais de todas as crianças que nascem na nobreza romana!»

- Eça de Queiroz, "A Morte de Jesus"

Não devia andar muito longe da verdade, este Publius.

terça-feira, setembro 09, 2008

Gangs & Riots

«Há advertências sintomáticas que a História dirige a uma sociedade ameaçada ou à beira de perecer: por exemplo, o declínio das artes ou a ausência de grandes estadistas. Por vezes, as advertências tornam-se palpáveis e directas: o âmago da vossa democracia e da vossa civilização viu-se privada de electricidade durante umas escassas horas quando muito; ora eis que subitamente surgem nuvens de cidadãos americanos pilhando e violando, tal é a finura da película, tais são a fragilidade de vossa estrutura social e a ausência de saúde interna!
Não é amanhã ou qualquer dia que a batalha - física, espiritual e cósmica - pelo nosso planeta se travará: essa batalha já começou. Desencadeando o assalto decisivo o Mal universal já está em marcha e já faz sentir a sua pressão enquanto os vossos "écrans" e as vossas publicações continuam a estar cheios de sorrisos de encomenda e de copos erguidos em saúdes. Todo este regozijo, é para quê, afinal?»

- Alexandre Soljenitsyne, "Discursos de Harvard" (Junho, 1978)

E ainda a missa vai a metade. Depois dos hamburgueres e da coca-cola, dos shoping-coisos e dos tico-tanques de alguidar, entrou-se agora na época dos gangs e riots. Enfim, esplendores da civilizacinha.

Não é generalização: é critério.

Não há cá paninhos quentes. Desprezo solenemente os ingleses. Com todas as minhas forças. Puta que os pariu! O mesmo não direi, todavia, das inglesas. A essas, um caralho que as foda! De preferência (aos belos espécimes) o meu.

BP (Bimbos pomposos)

Os ingleses são os madeirenses da Europa e fica quase tudo dito. Uma mistura particularmente infeliz de sangue germânico com vocabulário francês que os normandos não trataram com rigor adequado. Faltou-lhes sempre um Vlad, o Empalador. Nostalgia de que se ressentem e lamuriam, veladamente, a cada ano que passa. Nesse sentido, os árabes constituem - apesar de arrebatado e recorrente - minúsculo paliativo. Nunca excede o vício que irrisa, fastasmatizando, a verdadeira paixão.
Ensinámo-los a tomar chá, mas bem melhor fora tê-los ensinado a tomar arsénico. Desde bebézinhos.

segunda-feira, setembro 08, 2008

A Peste Vermelha



No rescaldo amargo da Primeira Grande Guerra, Max Hoffmann, para alguns o mais brilhante general alemão da época, carpia significativamente nas suas memórias :

«Transportando Lenine para a Rússia, animava-nos o firme propósito de inocular a peste no exército russo; mas não pensámos em como esta praga contaminaria também as nossas tropas, arruinando-as.»

Isto vem de encontro à ideia que, pessoalmente, mantenho do comunismo: uma espécie de sida mental. Uma sida, aliás, em múltiplos sentidos: homicida, genocida, logocida, patricida, historicida, mnemocida, democida e infanticida, especialmente. Foi coisa peganhenta que sempre me causou uma natural e visceral repugnância, o comunismo. Aquilo tresanda a milhas a seita religiosa, daquelas particularmente fanáticas. Eu diria até que o comunismo me lembra invariavelmente aquele filme macabro (não me recordo se do Capra, se de quem) em que um cangalheiro à beira da falência tratava de ir pessoalmente, durante a noite, angariar clientela. Que é como quem diz, ia dar uma mãozinha à mão invisível. Em analogia, o comunismo afigura-se-me como a agência nocturna e tenebrosa do capitalismo. É o seu golem, não duvidem. A sua máquina sinistra, terraplenante. A patorra colectivista que prepara e surriba o terreno para a mão colectora. E um raio me caia já aqui em cima se me equivoco por um milímetro que seja neste diagnóstico... Estão a ver? Não caiu. Ergo...
O caso de Lenine, ademais, é flagrante e paradigmático. Reflecte o método da aranha-lobo: o envenamento corolado de liquefacção como método de conquista. Ou, melhor dizendo, de absorção.
O capitalismo de estado é só o país em anteparo e pousio para o capitalismo da seita.

domingo, setembro 07, 2008

Pacheco, o Ventríloquo



«Pacheco Pereira contestou, em declarações aos jornalistas, que Manuela Ferreira Leite tenha estado "em silêncio". »

Dá para imaginar a sofisticada argumentação desta galinha tele-poedeira:
"Não, nem pensar, ela não esteve em silêncio. De modo nenhum! Ela esteve foi em transe, em catalepsia, em coma induzido! Em resumo, ela esteve calada. Entregou-se ao mutismo. Andou afónica. Não tugiu nem mugiu. Cerrou hermeticamente a dentuça. Embatucou. Não fosse estarmos no verão, até poderíamos dizer que hibernara.
Não houve silêncio: o que houve foi uma ausência de ruído. Que não deveria, obviamente, ser medida, mas gravada para a posteridade. E que seria perfeita caso Pacheco Poedeira se calasse um breve instante que fosse.
Tradução: A líder é a partenaire do líder, que é ele. Quem deve falar, palrar, perorar, grulhar, fazer ruído a todas as horas, dias, minutos e segundos é ele, o líder. À líder compete-lhe estar calada, velar silenciosamente, e por regra. Excepto naqueles momentos raros, sublimes, em que a ele, ao líder, lhe dá para pasmar o circo mediático. Passando, então, por especial prodígio, de loquaz a ventriloquaz.

A Cegada



«Dinheiro dos contribuintes não pode ser dado às cegas», diz o Presidente da AICEP.
É claro que não. Pois se é sacado aos cegos, aos ceguinhos e aos míopes, vulgo otários, não pode depois ser dado às cegas, senão a colecta para nada serviria. Tudo regrediria ao ponto de partida, caía-se no círculo vicioso. Redundaria a extorsão numa devolução. Tirar aos cegos para dar às cegas em pouco ou nada contribuíria para a felicidade dos que tudo vêem, a tudo topam e nada lhes escapa. E essa, como bem sabemos, é que é importante e razão de ser de todo um regime. De resto, traduz isto um belo imperativo não apenas categórico mas sobretudo lógico: aqueles que não vêem um boi à frente (nem atrás, nem ao lado, por sinal), devem ser espremidos em prol daqueles que vislumbram não apenas o boi, mas a manada de vacas implícitas, de vitelinhos tenros e de úberes fáceis que lhes compete ordenhar.
Entretanto, os tais franceses aerovígaros, muito provavelmente, flanavam animados da mais meritória das expectativas: queriam mama. Isso, por si só, nenhum problema acarretaria ou, ainda menos, qualquer tipo de entrave ou obstáculo. Antes pelo contrário, só abonaria e recomendaria o projecto; só o rechearia de transbordante interesse nacinhal. Bastava-lhes, lá está, aos GECIS peregrinos, não andarem às cegas, não virem feitos invisuais, de cachorro e bengala. Bastava-lhes bispar, com olhos de ver, o quanto Portugal tem evoluído - a galope - na direcção de Angola, de tal modo que já mais se deveria chamar, com justeza, Portangol que, com delírio, Portugal (cada vez mais inavistável em toda a parte). Ora, se em Angola, quem quer sacar umas massas arranja, religiosamente, por sócio um general ou quadro anafado (percentagem de gordura forçosamente acima dos 30%) do MPLA, em Portangol, idêntica função laxativa de fundos é desempenhada pelos políticos do partido instalado no aparelho de Estado. É precisamento isso que significa "não dar o dinheiro dos contribuintes às iniciativas cegas". Entendendo-se "iniciativa cega" toda aquela que não se faça acompanhar, preceder e anunciar do -no mínimo - par de olhos clarividentes, conhecedores e dulcificantes dos meandros amargos do labirinto.
Ou então os franciús não perceberam, ou não quiseram perceber, uma regra sagrada dos políticos cá do burgo: o dinheiro dos contribuintes não se dá, reparte-se.

sábado, setembro 06, 2008

Também eu

«Foi em tais dignas circunstâncias que me tornei membro da Sociedade Secreta dos Shandystas, à qual permaneço fiel até hoje.»
- Ernst Jünger, in "O Coração aventuroso"

Sobre esta misteriosa confissão do último dos grandes escritores, só me apraz dizer o seguinte: também eu.

Cirurgia drástica

De qualquer modo, isto já não vai lá apenas com cirurgia plástica. Ou criam um novo tipo de cirurgia reconstrutiva facial, não já estética mas ética, ou vamos, não direi mal, porque há muito ultrapassámos tal estação , mas pessimamente. Implantar, pois, cara nova não basta. Vergonha na cara é que era urgente e preciso. Imperioso até, se é algo mais que uma cloaca aquilo que pretendemos para futuro dos nossos vindouros. Uma tarefa, havemos de concordar, a todos os títulos hercúlea - horizonte para toda uma cirurgia mais que plástica: drástica!
Estou a falar das ventas besuntadas e asquerosas desta ré-pública?
Nem por sombras .

Porque, nesta república rara,
dito curto, grosso e cru,
ninguém sabe já, com ciência clara
onde raio acaba a cara
e principia, mordorial, o cu.

Assim como nesta naçoa paralítica
império do cuspe e da treta,
já não se distingue o ânus da teta
nem a teta da política.

quarta-feira, setembro 03, 2008

Novo recorde nacinhal

Diz o "Público" que «o Estado paga a maior indemnização de sempre», já que a «prisão preventiva de Paulo Pedroso vai valer o triplo do maior valor pago até agora».
Não sei quanto custa uma cirurgia plástica facial. Não sei se 100.000 euros chegam para uma remodelação geral profunda. Espero que cheguem. Assim, ao menos, os contribuintes portugueses, por via da prodigalidade benemérita dos tribunais, não se terão sacrificado em vão. E o Dr. Paulo Pedroso poderá, finalmente, apagar a principal e a mais encarniçada das testemunhas de acusação que traz contra si... A mesma que o persegue e denuncia para onde quer que vá: a sua própria cara.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Um furacão furaquinho

«O furacão Gustav perdeu rapidamente força após atingir as indústrias de pesca e petrolífera do sul da Luisiana, descendo para a categoria um (numa escala de cinco), anunciou o Centro Nacional de Furacões» .

Pelos vistos, os furacões, ao contrário das furaconas (como a saudosa Katrina), também sofrem de disfunção eréctil. Na hora H, ficam furaquinhos.

A fábula do Urso e do coelhinho higiénico

«OSCE report points finger at Georgia for S. Ossetia crisis»

É claro que qualquer relação deste "virar o bico ao prego" Oxidental com isto, com isto, ou com isto, é pura coincidência.

Realce, entretanto, para o sentido de humor do Almirante Russo da Esquadra do Mar Negro:
«Em 20 minutos, limpávamos as águas. Mas esse risco é negligenciável. Nós não dispararemos primeiro, e não me parece que esta gente tenha tendências suicidas.»

Serve tembém de moral da história.

Geodesplante

«Georgia admits to dropping cluster bombs»

A Geórgia??!! Então não era a Rússia?... Ah, são ambas, a Rússia também?... É preciso descaramento. Mas quem julgam eles que são - Israel? Os Estados Unidos?!...

Re-upgrade

Voltou o Holoscan. Infelizmente, continuo a não conseguir manter os dois sistemas em simultâneo. Sempre que este entra, sai o outro. É uma pena. Não imaginam como isto me entristece.

domingo, agosto 31, 2008

Com hífen ou sem hífen - I

O Engenheiro Ildefonso Caguinchas desembestou na tasca, aliás cibertasca, visivelmente preocupado e todo ele a coçar-se, da nuca aos cotovelos. À maneira dos peregrinos defronte dos oráculos, cachapou-me com a seguinte e hirsutíssima questão:
-"Dragão, parece que anda para aí uma epidemia de anti-semitismo. Dizem que é uma espécie de sarampo, bexigas doidas, ou lá o que é. Aquilo pega-se, ó Dragão! É a nova sífilis, Ando até preocupado: estarei eu também anti-semítico? Na volta, montei alguma anti-semítica infectada e o escarépio já me trepa, da cabeça da gaita à cabeça do engenheiro. Não há médicos para estas coisas? Centros de rastreio? radiografias? Foda-se, pá, tu diz-me: onde é que um gajo pode ir fazer análises por via das dúvidas?..."
Reconheci-o genuinamente angustiado, pelo que, como me competia e obrigava a tradicinha, tratei de retirar o devido e tradicional proveito da situação.
Comecei para convocar, de emergência, o C.A.F.T.E.N. (Comité de Análise de Factos Técnicas e Empresários da Notícia). Congregado o devido quórum, mais o fórum e o bóra-bórum - e já com a ucraniana protocolar ao colo - presidi. Como de resto me competia, soberanava e estava predestinado desde o primeiro orgasmo do cosmos. Abri, rompi e desflorei a sessão, vociferando, em tom peremptório, o ponto de ordem que passo a enunciar:
-"Comissáurios, o nosso ilustre - e geralmente intrépido - engenheiro (além de arquitecto, diácono, webbmonstro e mestre de gramática) Ildefonso Caguinchas, com a perícia manhosa que lhe é universalmente reconhecida, exfiltrava-se de casa da Sara Mafalda e, com pertinácia lampeira, progredia em direcção à alcova da Zulmira Cândida, quando, sem aviso nem presságio, foi emboscado e assaltado -persignemo-nos, conlusos! - pelo seguinte problema...
Nesta altura, porém, vi-me obnubilado na palestra pela entrada abrupta -e atrasada - do safardana do Gervásio Galabilhas. Vinha dum incêndio, ainda na farda de bombeiro voluntário e, não contente com a delonga, agravou com a audácia suplementar de inquirir logo à chegada:
-"Então, o que há? Qual é a crise?..."
Ao que o Bisnau, sob a anuência supervisionante e gaviã do Beto Lingrinhas, esclareceu: "É o Ildefonso, pá. Foi assaltado por um problema!... Ele e a Pertinácia que ia com ele."
O Gervásio olhou de esguelha para o Dedinhos, com quem mantém uma desavença antiga, e teimou em bacorejar:
"Já não bastavam os carteiristas e os ladrões de rádios, agora também os problemas. Este país está entregue à bicharada!...Mas essa Pertinácia deve ser nova cá no bairro. É boa?..."
-"O Dragão ia agora explicar como é que o sacana do problema conseguiu assaltar o Caguinchas. E depois, que também deve ser interessante, o que é que o Engenheiro fez ao problema!" - Entendeu bedelhar o Armindo Taberneiro, que também se achava gente.
Aproveitei a deixa para, após um ósculo repenicado na ucraniana, explodir publicamente com toda a minha justa, sonora e legítima indignação.
-" Diz bem, o tasqueiro residente: eu ia explicar. Ia, bem entendido, pretérito imperfeito do verbo ir, se as grandessíssimas bestas me deixassem. Isto é, caso, por milagrosa deferência, se dignassem fechar a matraca e prestar um mínimo de atenção à mesa. E quantas vezes já disse - a esse bigorrilhas, a esse melcatrefe, a esse salafrário pirofóbico recém-chegado! - que está rigorosamente proibido de comparecer diante de mim nesse nojento e repugnante traje, hein?! Quantas vezes?!! Além de atrasado, desembarca de bombeiro, ainda por cima voluntário! Quando vai à Protectora dos Animais também se veste de toureiro?!! Caralho, recaralho e rerrecaralho que o foda, refoda e tetrafoda!...- está multado! São quinze imperiais, mais as respectivas guarnições, acepipes e rescaldos. E um vigia de olho na aguardente, não vá o tarado compulsivo, à surrelfa, querer apagá-la!..."
A caterva ouviu, amainou e estremeceu. Quando estou de ucraniana ao colo, sabem que não sou para brincadeiras nem molezas. A ditadura obsidia-me e tolda-me a razão.
Marinada uma pausa para remuniciar os fagotes, reavivar a caldeira e acariciar o coxame protocolar, passei, finalmente, à explitação técnica do problema:
-"Como eu ia dizendo, o assunto, a questão, o problema é o seguinte: Como é que o cidadão sabe se é anti-semita positivo ou anti-semita negativo?"
Grande bruá na assembleia. "Anti-o-quê?!", engasgavam-se uns; "anti-sanita quantos?!", confundiam-se outros; "então mas o Problema não era o marido da Pertinácia", encanastrava-se mais que todos o Gervásio, agora fardado de fantasma por via da toalha branca com que o Armindo o preservara da minha ira; "sim, boa pergunta, e o Caguinchas ficou-se?", alporquiava-se, não menos alucinéfilo, o Beto Lingrinhas. Como era de esperar, rebentou uma autêntica brainstorm. Que os vapores da besana, por via do avançado estado da hora, mais não faziam que amplificar. E uma brainstorm, não é preciso dizê-lo, que, a qualquer momento ameaçava virar brainurricane, se me é permitido o neologismo.

Ora bem, dizer que aquilo me lembrava vagamente a ala dos furiosos do hospital Júlio de Matos em noite de lua cheia é desnecessário, já que, com cristalinidade infinitamente superior, emulava na perfeição o Parlamento da República. Verificando-me a presidir a uma tão deprimente baderna, experimentei um tal furor que, não fosse o efeito altamente pacificador da ucraciana-ao-colo, a esta hora, é garantido, estaria a ser ouvido em tribunal por pluricídio voluntário (e a ser libertado, em tempo record, ao abrigo do novo Código de Processo Penoso). Salvou-os a Svetlana, esse anjo aveludado com dedinhos de fada e coxas de sereia, mas não os salvou o regimento da assemblagem, esse meandro cabeludo, com base no qual, ao abrigo dum pentelho e três borbulhas processuais, retaliei aos urros, punindo-os, de supetão, em conformidade, enormidade e especialidade. Tonitruei, pois, de modo perfeitamente audível, como recomenda Aristóteles, sempre que se alveja uma eficaz persuasão:
-"Ai é, parlamacentam, democratosgam, republicanejam?!, então levam com uma comissão nos lombos por causa das cócegas!
-"Uma comissão?!" - Urticarizou-se todo, o Dinossauro (o sénior, porque o júnior estava ausente, numa pós-graduação em Bilhares e matraquilhos). - Uma comissão é que não! Tudo menos uma comissão. Já sei que o frete me toca sempre a mim. Eles é que armam o circo e depois eu é que tenho que limpar a bosta das alimárias!..."
-"Ah-Ah! - exultei, satanicamente (o protocolo além do exclusivo ucraniano outorga-me também a concessão vitalícia das mefistofelonias). - É uma comissão, sim senhor. E está já nomeado, o vetusto recalcitrante, para caudilhar e apascentar a mesma. Pegue no Engenheiro e em mais dois desses energúmenos à escolha e proceda à peritagem do acidente, digo, do problema. Chic transit, habeus cornus e cona da tia!..."

A minha despótica decição, caucianada no meu lendário mau feitio, não deixava margem para dúvidas, tergiversúcias nem apelos. Limitou-se a resmungar, o idoso - como de resto também lhe competia - "acho que me vou matricular num desses universadouros séniores... é preferível rebolar em autocarros por ribanceiras que aturar uma tirania destas!..." e foi tratar de aviar a receita. Colegiou-se do Ildefonso, do Bisnau e do Gervásio e lá foram comissionar para o quintal. "Leva tu as cartas e o dominó, eu vou buscar as brasileiras!", ouvi ainda o manhoso do Caguinchas propugnar para o sub-secretário Bisnau, mas como ao abrigo do artigo 1903, secção B do regime especial do código que já não me lembra, essa excepção está consignada, cerzida e isenta de apocalipse, soda e imposto de sê-lo, fingi que não ouvi e retirei-me com a ucraniana para o reservado, onde tratei de dar despacho aos pendentes.

Do relato exaustivo dos trabalhos da Comissão, logo detalharei, se à musa aprouver. Porque, devo referir, além duma gulosa, fogosa e apetitosa, às vezes dá-lhe para ser insaciável. Mas nada que demova ou apoquente um lídimo descendente de Vlad, o Empalador.


sábado, agosto 30, 2008

O Anti-semitismo endémico e hereditário




Basicamente, a tese dos sites sionistas é a seguinte (e recomendo a todos que o confirmem pessoalmente): todos os gentios, sobretudo europeus, são anti-semitas congénitos. Temos dificuldade em lidar com a raça superior. Nesta pandemia geral e ancestral, ocorrem três categorias principais: aqueles que tomam consciência disso mas procuram curar-se, penitenciando-se e lambuzando Israel mai-lo seu estatuto excepcional a todas as horas; aqueles que tomam conhecimento disso mas não resistem ao atavismo assediante e desatam a odiar e invejar os seres superiores; e aqueles que, um pouco à semelhança dos seropositivos ingénuos, desconhecem esta terrível fatalidade que os embosca e pastam indefesos, ou, em percentagem inquietante, começam já a manifestar sinais da síndrome, senão ainda em palavras, já em pensamentos...e sonhos premonitórios.

A magna e santa tarefa do activismo sionista (não direi que é uma conspiração porque me parece mais uma transpiração) é desenvolver estrénuos e congregados esforços para que os da primeira categoria não negligenciem o tratamento; os da segunda categoria não esmoreçam na fobia (crucial, justificante e fermentadora de todo o processo); e, finalmente, que os da terceira categoria, a mais vasta e problemática, se transfiram gradual e convenientemente para as outras duas, ou seja, em larga escala para a primeira, e em pequena -mas sempreviçosa - porção para a segunda. Porque, tanto quanto incensados, os manipanços adoram sentir-se importantes.

terça-feira, agosto 26, 2008

Asnomancia e vaselina



É verdade, leitores: é F. Nietzsche, o autor em questão. Na Genealogia da Moral.

Mas antes de referir o maravilhoso prémio a que os felizes contemplados têm direito, permitam que desfrute um pouco mais duma certa fauna de arribação, decerto evadida duma qualquer Etar transbordante, que por aqui deu à costa.

Começou por nos proclamar a alimária, às 9.11 da semana passada:
«Eu pus aqui só para confrontar a opinião de um grande filósofo com a opinião do(s) o(s) merda(s)que promove(m) e merdifica(m) este blog, haja vista outros posts racistas. Outra, aprenda mais o português antes de vir escrever asneiras.»
O "grande filósofo" era Nietzsche, e a passagem era retirada do "Humano, demasiado Humano".
Limitei-me a responder confrontando este pára-quedista herbívoro com a opinião do mesmo "grande filósofo" numa outra obra sua, a "Genealogia da Moral" (se bem que uma das citações também possa ser encontrada no "Para além do bem e do mal"). Como, de resto, podia ter citado, em barda, passagens do "Anticristo", da "Vontade de Poder", ou até, imagine-se, da "Gaia Ciência". Sendo que nos primeiros, quase se poderia citar capítulos inteiros.
Resposta da criatura ungulada, hoje, às 1.53 AM:
Portanto, meus amigos, e sintetizando, é duvidoso que a "Genealogia da Moral" tenha sido escrita por Nietzsche, embora seja anterior ao "Humano demasiado Humano", e tudo isso, ainda segundo o depoimento erudito deste dromedário arguto, sirva como prova demonstrativa duma benigna evolução no pensamento do filósofo alemão que, entretanto, genuflictamos irmãos, terá procedido a uma auto-revisão, dispensando assim, desse modo intrépido, ulteriores recursos a garagistas, mecânicos e outros gabirus. Não é que eu não ache este conceito de "auto-revisionismo" fascinante, mas sendo sabido que o "Humano demasiado Humano" é de 1878 (confirmado pelo próprio Nietzsche, no Ecce Homo : "assim, se compreende a publicação deste meu livro em 1878, ano do centenário da morte de Voltaire"), e a "Genealogia da moral" de 1887, fica um bocado difícil compreender esses dois prodígios que calculo simultâneos e que o trisonte (bisonte peca por escasso) nos prega: a evolução e a auto-revisão. Ou então se houve evolução e auto-revisão, como o mesmo e ululante proboscídeo preclaríssimo advoga, terá sido precisamente no sentido contrário aos seus peculiares bordados e crochés.
Não obstante, tem a bonomia de informar-nos, ainda à 1.53 de hoje, que "na internet e bibliotecas, o que não faltam são artigos sobre o equívoco recorrente de se associar anti-semitismo com as idéias de Nietzsche". Bem, deve ser um equívoco quase tão recorrente como o desembestarem aqui cavalgaduras mirabolantes, em altas babas e zurros, a quererem à viva força aviar as minhas com idêntica receita; e, certamente, um equívoco menos descabelado do que querer alistá-lo em filo-judiarias de sabujo beija-cu ou beato louvadinheiros. A ele, Nietzsche, ou a mim, César Augusto Dragão.
Mas, pelas 4.48, finalmente, tudo se esclarece e desnubila. Da diatribe cavalar, o nosso visitante passa à epístola confessional. Compungido, começa por relatar-nos:
«A língua portuguesa não é meu idioma de berço». Tocante mas descessário, este prelúdio, ó inenarrável solípede. Desde as primeiras sonoridades e guturedos que o adivinháramos. Demais, quando berço subentende estábulo, a língua portuguesa apresenta algumas -direi até imensas - limitações. Pela sua complexidade, não é de todo o veículo comunicacional mais adequado. No vertente caso, julgo mesmo que só a linguagem gestual reforçada dum bom cacete lograria alguma eficácia. Tudo isto levado a cabo, no mínimo, pelo braço vigoroso dum ferrador-exorcista.
Mas não desanimemos. Vem depois coisa mais polposa:
Acredite, caro asnobode, também eu dou graças ao Altíssimo por nos ter poupado a essa lastimável eventualidade. Jumentos, cretinos e pacóvios lambe-geocricas já por cá temos em sobreabundância. E só o desprazer que me daria sabê-lo meu compatriota!... Deus obrou assim uma benfeitoria em dobro: a si poupou-o ao azar, a nós a mais uma biocalamidade. E que a língua portuguesa para si seja insignificante só reforça a minha tese anterior. O que, de resto, a traumatizada alimária só recrudesce e refina na seguinte, quando reconhece:
Realmente, ter cocheiro como professor de línguas, chicote como coadjutor de gramática e carroça como carteira é capaz de não ser a mais idílica e estimulante das escolas.
É claro que o emprego faz o mongo e a mula nas horas livres vira papagaio, declamando aos incautos as lições e o vocabulário colhidos no coiro durante as viagens. Termina, pois, a besta, com uma mostra cabal desses flagícios:
«Portugal é cu da Europa...», bla-bla-bla e coiso e tal.
Não me alongarei sobre assunto tão aromático. O grande Almada chamou-lhe retrete, que é pior que ser cu, pois é onde o cu senta e onde o dono-do-cu caga. Ser pois cu não deslustra tanto como ser a merda que esse dito cujo expele, ou sórdido troninho para a fétida função. Nestas matérias e ginásticas, do mal o menos: antes produtor que produto ou recipiente. Donde que ser "cu da Europa" sempre será infinitamente mais elevado e meritório que ser a bosta cagada, fedida, fermentada e exorbitanada que essa Europa cagou vai para séculos e agora chamam América, ou ser esse híbrido mimoso de cotão e bolinha de merda ressequida e catrafilada num pintelho do Cu da América, que pomposamente se pretende fazer passar por umbigo do Globo, e que traficam, mixordeiam e embalam por Israel. Israel a martelo, se tanto.
É claro que se o primeiro epifenómeno não abona da sanidade das entranhas europeias, o segundo abona ainda menos da sua higiene. Uma Europa que não segura a tripa e uma Europa que não se lava resulta neste planeta convertido, ele sim, em pocilga a boiar no espaço. Mas uma coisa são os maus vícios e péssimos hábitos da Europa, outra, totalmente diversa, a anodisseia a céu aberto dos seus excrementos, imundícies e respectiva fauna simbiótica.
Fica-nos, ainda assim, uma certeza: se à América a cagou, por via de monumental diarreia, a Europa, a este quadrúpede nauseabundo, por via de visceral lucidez e parto justo, golfou-o decerto no mundo o orifício anal da mãezinha!
Falta apenas falar da cereja no topo do monturo:
Agradecemos a gentileza da notificação. Mas não carecia, em absoluto... De tal modo é evidente. Gritante até. Guinchante, melhor dizendo. Uma ligação estreita que, com uso, dedicação e muita vaselina, tratará seguramente de alargar. É intercâmbio, ninguém questiona, para toda uma carreira briosa de suinotauro vigilante.




PS: Quanto ao prémio dos felizes contemplados... Querem receber em gajas, em cerveja ou em cruzeiros no Mediterrâneo?...

segunda-feira, agosto 25, 2008

Anti-semitas pedidos

Já prosseguiremos, dentro em breve, com as coisas sérias, ou seja, com a genealogia desse excremento-mor da civilizacinha que é o intelectual. Antes disso, porém, e aproveitando, por um lado, a erupção intempestiva do Engenheiro-Arquitecto-e-agora-parece-que-também-Astrogramático Ildefonso Caguinchas, e por outro, o grotesco ressurgimento duma certa ratazana darwinóide (que nem distingue racista de anti-semita com hífen) em desova estival aqui pelas desvalidas caixas do estaminé, e a quem, desde já, no legítimo usufruto do providencial ensejo que me proporciona, quero mandar à grandessíssima e hiantíssima racha do esgoto que a pariu, com votos de boa viagem, feliz hanukkah e beijinhos à priminha, pois, dizia eu, e muito bem, seduzido por uma tal confluência de astros (ou melhor, dum astro e dum desastro), é, com todo o prazer, idêntico gozo e a maior das alacridades, que coloco à adivinhação pública a seguinte charada:
- Diga quem escreveu:

a) «Os sacerdotes são os inimigos mais malignos; porquê? Porque são os mais impotentes. A impotência faz crescer neles um ódio monstruoso, sinistro, intelectual e venenoso. Os grandes ressentidos, na história, foram sempre sacerdotes, e nada se pode comparar com o engenho que o sacerdote desenvolve na sua vingança.(...) Ponhamos o exemplo mais notável. Tudo o que na terra se fez contra os "nobres", os "poderosos", os "senhores", os "governantes" não se pode comparar com o que fizeram os judeus. Os judeus vingaram-se dos seus dominadores por uma radical mudança dos valores morais, isto é, com uma vingança essencialmente mental. Só um povo de sacerdotes podia obrar assim.»

b) « Com os judeus começou a emancipação dos escravos na moral, esta emancipação que tem já vinte séculos de história e que já hoje perdemos de vista por ter triunfado completamente.»

c)«Ao menos uma coisa é certa: é que com a sua vingança e transformação de valores, Israel triunfou sub hoc signo de todos os ideias mais nobres.»

d) « -" Mas para que falar de um ideal mais nobre? Inclinemo-nos ante os factos consumados: o povo é que venceu; os "escravos", o "populacho", o "rebanho", chamai-lhe como quiserdes, se é aos judeus que se deve, nunca povo algum teve missão histórica mais brilhante. Foram abolidos os amos, triunfou a moral do povo. Se disserdes que foi um veneno, foi um veneno salutar. A redenção do género humano está no bom caminho: tudo se judaíza, se cristianiza e se plebeíza a olhos vistos. O impulso é irresistível, o progresso incessante: poderá haver marchas e contramarchas, pressas e demoras, mas o tempo é muito... Tem ainda a Igreja alguma missão necessária? Tem ainda o direito à existência? Poderíamos passar sem ela? Queritur. Parece antes que atrasa a marcha, mas nisto consiste precisamente a sua utilidade. Há nela alguma coisa de grosseiro e de rústico que repugna às inteligências delicadas e aos gostos modernos. Não deveria polir-se alguma coisa? Hoje mais repele do que seduz. Qual de nós quereria ser livre-pensador se a Igreja não existisse? A Igreja repugna-nos, mas não o seu veneno. Tirai a Igreja e ainda saborearíamos o seu veneno..." - Tal foi o epílogo que fez ao neus discurso um livre-pensador, um honrado animal, e acima de tudo um democrata. Não pôde conter-se mais. Aqui devo calar-me.»

e)«Os dois valores opostos "bom e mau", "bem e mal", mantiveram durante milhares de anos um combate largo e terrível e ainda que, há muito tempo que o segundo valor logrou vantagem, não faltam ainda hoje terrenos onde a luta continua com vário êxito. (...) O símbolo desta luta, traçado em caracteres legíveis no cume da história da humanidade é "Roma contra Judeia, Judeia contra Roma".»

f) «Roma via no Judeu uma natureza oposta à sua, um antípoda monstruoso, "um ser convicto de ódio contra o género humano", e com razão, se é certo que a salvação e o futuro da humanidade consiste no domínio absoluto dos valores aristocráticos, dos valores romanos.»

g) «Os Romanos eram os fortes e os nobres, mais que todos os povos da terra; cada vestígio do seu domínio, a menos inscrição maravilha-nos e eleva-nos. Os judeus, pelo contrário, eram um povo levita e rancoroso por excelência, um povo que possuía um singular génio para a moral plebeia: basta comparar os judeus com os povos de carácter semelhante - como os chineses e os alemães -, para discernir qual é o da primeira ordem e qual é o da quinta ordem.»

h) «...esse movimento de ódio (alemão e inglês) fundamentalmente plebeu, que se chama a Reforma...»

i) «Num sentido ainda mais radical e decisivo, ganhou a Judeia outra nova vitória com a Revolução Francesa: então a última nobreza política que ainda subsistia na Europa, a dos séculos XVII e XVIII franceses, arruinou-se aos golpes do aluvião popular...»

Quem acertar mais de três alíneas ganha um prémio sumptuoso.

domingo, agosto 24, 2008

Dados viciados

Diz um título de jornal: "Metade dos casamentos terminam com divórcios". Nem o verbo concorda com o sujeito, nem a parangona constitui qualquer admiração. Metade dos casamentos termina com divórcios, e todos juntos, casamentos e divórcios, acabam em funerais. É o vício do costume: abandonam os princípios, masturbam-se com os meios e esquecem-se dos fins.
Dantes casavam-se até que a morte os separasse. Agora casam-se até que o divórcio os separe e a morte os reúna de novo. Na mesma esterqueira ou cinzeiro póstumos. Disse.

Da Missa para a Miss

Coisas realmente importantes:

«Padre organiza "Miss Freira" na internet»

Adianto desde já o mais que óbvio: a não ser que eu, como soberanamente me compete, presida ao júri, considero esta uma iniciativa de mau gosto. Sobretudo, porque as concorrentes não desfilam na passarelle em trajes diurnos e nocturnos. Já não falando nos montafísicos, como os da divina criatura, não sei se ex ou pré-freira, que se segue:




De qualquer modo, caso persistam nesta inqualificável redução, vão intitular a vencedora como? - Miss Passe? Miss Boca-doce?...

quinta-feira, agosto 21, 2008

Joint venture

Repare-se na excelência do esquema: primeiro eles compram títeres estrangeiros com dinheiro dos contribuintes americanos; depois, os títeres estrangeiros reembolsam-nos, a título de lobby, com o dinheiro dos contribuintes deles. É este o melhor dos mundos. São aliados porque, na verdade, se pagam uns aos outros. E, para falar com franqueza, o lanzudo do contribuinte, servo da gleba no novo feudalismo fiscal, não merece outra coisa!...

quarta-feira, agosto 13, 2008

O caso Cáucaso

Um artigo bastante informativo sobre a mais recente aventura americana no Cáucaso:

«The fall of the Soviet Union created three new independent nations in the Caucasus: Georgia, Azerbaijan and Armenia. Almost immediately the ethnic enclaves in all of these nations began to fulminate for territorial reunification with their co-ethnic populations in other nations. These included South Ossetia and Abkhazia in Georgia, Nakhchivan in Armenia, which is mostly Azerbaijani; and Nagorno-Karabakh in Azerbaijan, which is mostly Armenian. Enter the United States. U.S. interests in this region were vastly different than that of the people of the region, or of Russia. The United States wanted access to Caspian Sea oil, and it wanted to contain Iran. The Caucasian nations were ideal for both purposes. The United States blasted ahead with no regard for the historical tensions in the region. Therefore the United States blindly pursued a steady policy of propping up the dictatorial regimes of the region. Georgia, Azerbaijan and Armenia are among the most corrupt nations on earth, and it was easy to buy a government. The price for this support was unquestioning alliance with the United States and its regional policies. Access to Caspian oil was one burning policy goal of all administrations since 1990. The easy route for transport of petroleum products from the region would be through Iran's well developed pipeline system. Literally just a few miles of pipeline would connect the Azerbaijani oil fields to the Iranian system. However, Washington was ready to do almost anything to avoid providing any economic benefit to Iran. Hence, working with U.S. petroleum producers, they constructed a difficult and tortuous pipeline across Azerbaijan and Georgia, to emerge in Turkey for shipping to the world. Many millions in government bribes changed hands to make this happen.
As Iran became a target of the George W. Bush administration, having friendly powers in the Caucasus became a priority for the Washington establishment. The Velvet Revolution in Georgia was aided by the United States. In Azerbaijan, the United States virtually installed the current president, Ilham Aliyev, son of the previous president for life, Heydar Aliyev. The election itself was highly controversial. Heydar Aliyev was in Cleveland, Ohio for medical treatment, and was rumored to have died four months before his son was elected. The United States government was reportedly involved in the cover-up, and supported Ilham's election despite mass protests among Azerbaijani citizens.
President Mikheil Saakashvili of Georgia has close ties to the United States, having graduated with law degrees from Columbia and George Washington Universities. He was the leader of the Rose Revolution in 2003, which ousted President Eduard Shevardnadze, former Soviet foreign minister, and striking a blow for Georgian independence. Elected president in 2004, he also greatly improved ties with Israel, and received an honorary doctorate from Haifa University, and has allowed Israeli intelligence to operate in Georgia. All of this endeared him to the Bush administration. The United States tried to engineer the entrance of Georgia into NATO in April, 2008, but was surprised when 10 NATO members vetoed the proposal. Russia viewed this as a hostile act on the part of the United States. President Saakashvili's presidency has not stopped continual ethnic violence from breakaway regions in his country. The South Ossetia conflict is only one of the latest, but it was different in that it serves as a smokescreen for Russian attacks on Saakashvili's government. If Saakashvili should be ousted from office, a major U.S. and Israeli outpost would be lost. The fate of the oil pipeline would be in danger, and pressure on Iran would lessen considerably. All of these outcomes are seen as disastrous for the Bush administration. Thus all of the high-minded rhetoric about Georgian sovereignty coming out of Washington is ultimately cynical. If U.S. interests were not at stake, no one would care. »

domingo, agosto 10, 2008

Babelúrgicos pedagogos

«À concepção do trabalho-penitência substitui-se a ideia do trabalho como meio positivo de salvação. Como não sentir, por detrás, deste impulso de um novo mundo monástico, a pressão das novas categorias profissionais - mercadores, artesãos, trabalhadores desejosos de encontrarem, no plano religioso, a justificação da sua actividade, da sua vocação, a afirmação da sua dignidade e a garantia da sua salvação, não apesar da sua profissão, mas precisamente através dessa mesma profissão? A projecção destas aspirações no universo hagiográfico é, ainda aqui, esclarecedora. Em princípios do século XIII, o tempo dos santos-trabalhadores está já em vias de ceder o lugar ao tempo dos trabalhadores-santos.
Há mais. Esta nova espiritualidade do trabalho, como é normal, tende a enraizar-se numa teologia do trabalho. Deveremos procurar o esboço desta teologia nos comentários do Génesis, comentários que se esforçam por demonstrar que o trabalho tem as suas raízes positivas em Deus, porque: 1.º a obra do Criador (e haveria que seguir o desenvolvimento do tema do summus artifex ou summus opifex) foi um verdadeiro trabalho - trabalho superior, sublimado, criação, mas com todas as suas penosas consequências: um labor de que Deus teve de descansar ao sétimo dia. Deus foi o primeiro trabalhador. 2.º O trabalho, um certo trabalho (a definir no sentido de uma manutenção) havia sido dado ao homem, a Adão, como vocação antes da queda, pois Deus havia-o posto no Paraíso para que o trabalhasse e o conservasse (Gen. 2, 15-16). Antes do trabalho-penitência, consequência do pecado e da queda, houve um trabalho feliz, bendito por Deus, e o trabalho terrestre conservou algo do trabalho paradisíaco anterior à queda.
Não é de admirar que, nesta conjuntura, o esquema tripartido da sociedade deixe de estar adaptado às realidades sociais e mentais. [...]
Há, sem dúvida - e é até capital para que as novas categorias socio-profissionais recebam direito à vocação -, permanência e mesmo reforço da concepção unitária da sociedade cristã. Porém, o corpus cristão estrutura-se - e esta estruturação faz-se a partir da função, da profissão, do mester. O corpus já não se compõe de ordens, como na sociedade sacra da Alta Idade Média, mas sim de estados, entre os quais pode haver, e há, efectivamente, uma hierarquia mas uma hierarquia horizontal, não vertical.»

- Jacques Le Goff, "Para um novo conceito de Idade Média"


Atente-se como a transformação do trabalho - de ocupação indigna, típica de escravos ou penitentes, na Antiguidade e Alta Idade Média - em via de salvação, no século XII, antecipa toda uma série de romarias hagiofóricas decorrentes, desde os protestantismos aos marxismos, passando pelos positivismos, liberalismos, cientismos e tecnolatrias afins.
Nesta fase inicial, o trabalho tornar-se-á possibilidade de salvação; mas posteriormente, sobretudo no pós-revolução francesa, devirá condição de liberdade. Nisso, aliás, e tão curiosa como significativamente, capitalistas, comunistas e nazis concordarão: "O trabalho liberta".
Entretanto, à boleia do trabalho, avança o dinheiro. Como Le Goff, na mesma obra, expõe eloquentemente:
«Antes do século XIII, no Ocidente Bárbaro, todas as actividades remuneradas eram atingidas pelo opróbio que se aplicava às categorias ditas mercenárias. Era indigno tudo o que se pagava, tudo o que se comprava. A honra ou o dever definiam-se por serviços, de cima para baixo e reciprocamente. O dinheiro, economicamente marginal, era-o também do ponto de vista moral. A sociedade cristã da Alta Idade Média reforçava-se nesta crença ao ver o sector monetário "infestado" de judeus. A comercialização e o salariato continuamente em progressão transformam os valores.
Duas categorias, dois mesteres conduzem esta transformação.
Primeiramente, os professores. Antes do século XII, a ciência e a cultura eram apanágio de clérigos que a adquirem e a dispensam parcimoniosamente, sem gasto de dinheiro. Escolas monásticas ou episcopais formam disciplinas para o opus Dei, que não se mercadeja.
Com as escolas urbanas do século XII, arrastadas pelo desenvolvimento das cidades, animadas por mestres que devem, tal como os alunos, encontrar maneira de viver com o que têm, as condições materiais, sociais e espirituais do saber são profundamente transformadas. Este é o sentido do debate que a partir de meados do século XII se instaura em volta de uma fórmula: a ciência é um dom de Deus e não pode por isso ser vendida. Pouco importa aqui saber que possibilidades de remuneração se oferecem aos novos mestres e que soluções se encontrarão: salário público, remuneração dos clientes, isto é, dos estudantes, benefícios eclesiásticos. O essencial está em que à pergunta Os mestres podem licitamente receber dinheiro dos estudantes?, os manuais de confessores, eco da prática e da opinião, respondem pela afirmativa.
Paralelamente, levanta-se a questão dos mercadores, no domínio do crédito, onde a expansão da economia monetária afasta, para segundo plano, os judeus, confinados a operações de empréstimos de importância restrita. Há, a partir de então, o problema da usura cristã. O juro, sem o qual a economia monetária pré-capitalista não poderia desenvolver-se, supõe, em termos escolásticos, uma operação maldita até então: a venda do tempo. Exactamente simétrico da comercialização da ciência, põe-se o problema da comercialização do tempo, aos quais se opõe uma mesma tradição, uma mesma fórmula: O tempo é um dom de Deus e não pode por isso ser vendido. E, ainda neste caso, acompanhada sem dúvida de precauções, duma casuística restritiva, dá-se uma resposta favorável, que encontramos nos manuais de confessores.»

O intelectual eclode, assim, como comerciante da ciência, mercador de ideias, profissional glossúrgico. E até aos dias de hoje poderemos acusá-lo de tudo excepto de infidelidade à sua matriz.
Em pormenor, de como se constitui, não só em inversão, mas sobremaneira em aversão ao filósofo antigo, tentaremos dilucidar no próximo postal.

sexta-feira, agosto 08, 2008

A casta a imitar elite

A tese nem sequer é minha, eu apenas a subscrevo: O intelectual, esse nematelminte da civilização, desabrocha na Idade Média. Resulta de três camadas sucessivas de sedimentação mental intrinsecamente urbana: a vagabundagem goliarda, a coorporação universitária e o racionalismo humanista.
Ora, visto o goliardo, passemos agora ao universitário.
Em jeito preliminar, autorizem que cite um trecho particularmente sugestivo de Jacques Le Goff, in "Para um novo conceito de Idade Média":
«Os historiadores e os eruditos que tentaram dar uma ideia aproximada do "orçamento" de um mestre ou de um estudante em qualquer universidade medieval têm mais ou menos desprezado um elemento cuja importância e interesse são, no entanto, mais que certos: os presentes em dinheiro e em géneros que se exigiam aos estudantes, na altura dos exames.
Além dos banquetes tradicionalmente oferecidos pelos novos doutores, após a obtenção da "licentia docendi", os presentes representavam despesas obrigatórias, cujo montante e natureza foram bem cedo inscritos nos estatutos.
[...] desde 1260, a comuna de Pádua garante um salário aos mestres do seu studium.
No entanto, este salário não impediria os doutores de reclamarem dos candidatos os presentes tradicionais em todas as Universidades. A partir dos fins do século XIV, provavelmente sob a influência da crise económica e das suas repercussões sobre o valor da moeda e o custo de vida, as exigências dos mestres tornam-se maiores e mais minuciosa a regulamentação dos "direitos de exame".
[...] Enquanto que os estatutos de 1382 haviam ratificado uma decisão tomada em 1355, segundo a qual mestres suplentes (surnumerari) não receberiam dinheiro, excepto se fossem chamados a substituir efectivamente um dos doze mestres titulares, um decreto de 25 de Julho de 1453 reservava aos suplentes presentes uma parte do peditório feito na altura do exame e que, até então, ia inteiramente para o bispo.
De resto, são bem definidas as sanções aplicadas aos estudantes que faltassem ao pagamento das despesas. A 18 de Novembro de 1441, tomam-se medidas contra os estudantes que se limitam a pagar arras (brevia).
Esta ganância pelo ganho contribui para explicar a progressiva rarefacção do número de estudantes isentos do pagamento desses direitos. A protecção tradicional da Igreja assegurara aos estudantes pobres um lugar nas Universidades, ao mesmo tempo que, no século XIII, sobretudo o afluxo de população para as cidades povoara as universidades com uma multidão de jovens sem recursos que foram especialmente o fermento das Faculdades das Artes. Com o refluxo demográfico, o número destes estudantes decresce e os mestres aproveitam o facto para acentuar esse recuo, eliminando ao máximo os estudantes pobres isentos de pagamento de propinas: entre 1405 e 1409, uma modificação introduzida nos estatutos não permite admitir mais que dois alunos pobres em toda a Faculdade de Direito: um em direito canónico e outro em direito civil. Já só se trata de um princípio que se é obrigado a respeitar sob forma praticamente simbólica. Acabara, na Universidade de Pádua, o tempo dos pobres.
[...] Em contrapartida, dá-se uma evolução inversa que abre gratuitamente as portas da universidade a uma nova categoria de jovens: os filhos dos universitários.
[...] Assim estes textos permitem definir a tripla e convergente evolução da Universidade de Pádua, nos fins do século XIV e na primeira metade do século XV.
Eliminação dos estudantes pobres, constituição de uma casta de famílias universitárias, nacionalização, quer dizer, tendência para se limitar ao recrutamento local, pelo menos no que respeita aos mestres

Convenhamos, é todo um código genético em erupção. Cinco séculos depois, o sistema de casta aciganada (ciclicamente municiado a enxurradas) suscitar-me-á, de passagem, o seguinte aforismo: «quanto mais convivo com universitários, mais louváveis me parecem os estivadores.»
Desnecessário será dizer que equivalente ao nojo só mesmo a lucidez.

domingo, agosto 03, 2008

O Nascimento da Esquerda

«De origem urbana, camponesa ou até nobre, são antes de mais [os Goliardos] seres errantes, representantes típicos duma época em que o surto demográfico, o despertar do comércio, a construção das cidades, fazem dar de si as estruturas feudais, atiram para os caminhos e reunem nas encruzilhadas que são as cidades, os marginais, os audaciosos, os infelizes. (...)
Por vezes, para ganharem a vida, tornam-se jograis ou bobos, e daí, sem dúvida, o nome porque são frequentemente tratados. Lembremo-nos, no entanto, de que a palavra joculator, de jogral, é o epíteto lançado, na época, à cara de todo o indivíduo considerado perigoso, que se pretende afastar da sociedade. Um joculator é um "vermelho", um rebelde...
(...) Formam o corpo da vagabundagem estudantil tão característica, ela também, do século XII. Contribuem para lhe dar uma aspecto aventureiro, espontaneista, ousado. Mas não constituem uma classe. De origem diversa, têm ambições diversas. Escolheram, evidentemente, o estudo e não a guerra. Mas os seus familiares foram engrossar as fileiras dos exércitos, as tropas das Cruzadas, vão pilhando pelas estradas da Europa e da Ásia, vão saquear Constantinopla. Se todos criticam, alguns, talvez muitos, sonham identificar-se com os criticados. (...) Sonham com um mecenas generoso, uma renda eclesiástica gorda, uma vida larga e feliz. Parecem querer, sobretudo, tornar-se os novos beneficiados da ordem social; mais do que alterá-la.
(...)
É significativo que a poesia goliarda ataque - muito antes que isso se torne um lugar-comum na literatura burguesa - todos os representantes da ordem estabelecida pela Alta Idade Média: o eclesiástico, o nobre e até o camponês.
(...)
Se o padre, considerado como vítima da hierarquia, confrade na miséria e na exploração, é geralmente poupado pelos Goliardos, o monge é violentamente distinguido nos ataques. Há neles mais do que os tradicionais gracejos relativos aos seus maus hábitos: gula, preguiça, luxúria. Há o espírito secular - próprio do espírito laico - que denuncia, nos monges, concorrentes que roubam aos pobres dos padres rendas, penitentes e fiéis . Voltaremos a encontrar, no século seguinte, esta querela agudizada nas Universidades. E há ainda mais a recusa de uma parte inteira do cristianismo: a que pretende afastar-se do mundo, a que rejeita a terra, a que escolhe a solidão, o ascetismo, a pobreza, a contingência, a ignorância considerada como renúncia aos bens espirituais. Dois tipos de vida; a confrontação, levada ao extremo, entre a vida activa e a vida contemplativa, o paraíso preparado na terra face à salvação persistentemente procurada fora do mundo; é o fundamento do antagonismo existente entre o monge o o Goliardo, e que faz deste o percursor do humanista do Renascimento.»
- Jacques Le Goff, "Os intelectuais na Idade Média"

Estes tipos, filhinhos, estes frenéticos anarquistas, cheios de fome da sobremesa alheia, eram clérigos. E isto, vejam lá bem, passa-se no século XII, em plena Idade das Trevas. Quer dizer, eles já a fazerem Maios de 68 no original, beat-generations avant la lettre, esquerdalhagens cantadeiras em primeira-mão e a malta d'agora ainda a armar ao evoluído. Evoluído? Desbotado, amaricado, frouxo, totó, isso sim.
Não estranhamente, será das fileiras goliardas que emergirá Pedro Abelardo. No dizer (quanto a mim, correcto) de Le Goff, «é a primeira grande figura moderna de intelectual, dentro dos limites da modernidade do século XII. Abelardo é o primeiro professor.»
O mesmo Abelardo que no dia em "que constata que é incapaz de cultivar a terra e que tem vergonha de mendigar", confessa, resignadamente:
«Regressei ao ofício que conhecia; incapaz de trabalhar com as minhas mãos, vi-me reduzido a servir-me da língua.»
Há muito de similar entre a prostituta e o professor (no sentido universitário da funçanata, entenda-se). Parte dessa fatalidade transpira no desabafo inaugural do proto-espécime. Só que, há que reconhecê-lo, o mestre-escola cagão tem uma capacidade - mais até que de entendimento - de atendimento bastante superior à rameira: o que esta só consegue por árdua sucessão, alcança aquele em facunda simultaneidade. Onde uma esfola de guiché, regra geral, indivíduos, avia o outro, de empreitada, às turmas e classes.
De resto, ninguém julgue que é por acaso que a palavra fetiche da esquerda é "educação". Ou, traduzindo: titilar-nos e delamber-nos o juízo até à morte. Com intervalos para, do alto das suas sebentas cátedras, bochecharem uns felatios ao Poder do instante a ferver e debicarem uns annilingus à Verdade em saldo de ocasião.