quinta-feira, janeiro 12, 2017

De fenêtre ou não-fenêtre, eis a questão

Estávamos ontem a rilhar uns tremoços, de mão dada com uns finos, e diz-me ele, o Jorra-Lumes:
« - Ildefonso, meu velho, não sou de desejar a morte de ninguém, nem mesmo dos políticos abrilabundos! e até por muito abrilabundos que estejam, regista e nota bem! ( E sabes como isso pode feder a léguas, de assarapantar rebanhos!). Até porque seria estúpido: desejar-lhes uma coisa que eles têm garantida. Aliás, por império absoluto da única entidade genuinamente democrática deste mundo, pois a todos nos irmana e despacha com idêntica presteza e fatalidade. Também, que o país celebre os seus enterros e faça uma festa de arromba em volta das suas urnas, só me enche de regozijo: para ser perfeito só falta fazerem como os Bakongos, que transportam a urna em braços, à maneira de concerto rock por alturas de stage-diving (ou crowd surf, como se diz agora), por entre granda fanfarra e festim, num verdadeiro comício final, que termina - em apoteose - no cemitério, escavacando a urna à machadada, antes de descer à cova, para acautelar roubos futuros dos pilha-sepulturas em busca de madeira fácil. Isso é que era! E até constituiria, no vertente e recente caso, um tributo condigno à bela e exemplar descolonização que ajudou a burilar. Sim, agora que medito nisso, até os olhos se me humedecem com a justeza do avanço (que puggesso, Deus meu!): em vez de transportado, em turné pela urbe, por bestas quadrúpedes e irracionais, levado e sacudido em braços por semi-racionais bípedes e cantarolantes! Com pífaros e tambores, em troante algazarra, abrindo o cortejo, pois então e que maravilha!...
Não, Caguinhas, aos nossos abrilabundos, sejam eles de fedor esquerdista ou de pivete contra-esquerdista, mas todos igualmente traidores e estrangeiralhados até às profundezas da cloaca que neles faz as vezes de alma, eu, uma vez falecidos, não dedico nem desperdiço qualquer vitupério, praga ou ruído vocal menos digno dum homem (fará dum dragão adulto e esclarecido). Estão mortos, já pertencem a outro juízo que não o das modas, chusmas e opinorreias humanas. Já prestam contas a Quem de direito verdadeiro. Perfilo-me e nada mais. Em respeito não tanto ao morto como Àquele que o espera e àquela que o empandeira. Porque ambos também me esperam a mim. Faço uso daquilo que espero seja também dispensado para comigo: misericórdia. Ontem, a enterrar, foi um desgraçado. Tão nu e desvalido como nós todos. É preciso estar vivo para saber respeitar a Morte. Toda ela, até porque a dos outros é também a nossa. Já a vi passar demasiadas vezes - para amigos e inimigos na guerra -, para amigos, inimigos e familiares ao longo da vida. Já fui demasiadas vezes ao cemitério para saber que com ela não se brinca. Sobretudo aos julgamentos. Debalde tentar explicar isto a zombies.
Juro-te, pois, meu caro amigo, por tudo quanto é sagrado: aos púlhitos da nossa triste terra é em vida, de saúde, arroto e pesporra, que eu arremeço  votos, combates ou confrontos. E se algum desses votos sinceros reponta sobre todos os restantes, que ainda são uns quantos, é que viajem... Que viajem mais! Que viajem muito!...  Mas não de aeronave, ferrovia ou viatura rodoviária, que isso não preenche adequadamente o seu porfiado e compenetrado mérito. Uma viajem verdadeiramente ao nível deles, acredita, não é de barco nem de avião (ou sequer de tartaruga ou elefante): é de fenêtre

Bem, leitores, disse-me ele isto e eu fiquei a matutar:
"Mas que raio será uma fenêtre? Este gajo debita cada palavrão mais cabeludo!..."

segunda-feira, janeiro 09, 2017

Nana, o Abana do Gana



Estou desolado. Apanharam o Nana Akufo Addo em flagrante democracia!... (Confessem: estavam à espera que eu dissesse "macacada", ou "papagaeira", - ou "fodeback, os mais nerdos, aposto - não estavam?... Mas esta foi de uva branca, que é para aprenderem.)

Imaginem só, o Nana, Akufo Addo e tudo... Que mundo este!... Ou então é a Amérdica que está cada vez mais parecida com a África. Ou vício-versa, que sei eu!...

domingo, janeiro 08, 2017

Pré-enterros e Carnavais Zombis

A Democracia, coitadinha, acordou órfã; a Liberdade, essa galdéria, chora viúva; a Nacinha está de luto.
Aguardo, piedosamente, que o cortejo fúnebre passe e depois falamos.

Passando a coisas ligeiramente menos mortas...


Mais detalhes humorísticos sobre esta "teoria da conspiracinha", aqui:
 
 
Lá está, primeiro quesito: que seja verosímil; segundo quesito: que não manifeste, às escâncaras, uma trampolinice sórdida e mal atamancada. Existem teorias da conspiração particularmente alucinadas - que o  Barata Obama ou o ex-primeiro ministro italiano são casados com trannys, por exemplo -; ou fogosamente imbecis - que existe uma conspiração de génios de esquerda (marxista. neomarxista, criptomarxista e toinomarxista) nos mass-media de modo a estupidificar as populações desvalidas que se cevam mentalmente em jornais, televisões e emissões rádio avulsas, entre outras )portanto, os génios malignos da esquerda são culpados de mentecaptizarem acéfalos, pasme-se). Mas todas estas teorias, por muito desvairadas e obsessivas que sejam, são igualmente inofensivas, senão mesmo divertidas e pitorescas. Não causam grande mal ao mundo e em matéria de devastação é mais aquela que atestam, de ordem mental, do que aquela que acarretam, de ordem material. Todavia, o mesmo não pode ser dito das tais "teorias das conspiracinhas oficiais". Esta, da transposição - desenfreada e compulsiva - dos super-poderes do Mancha Negra para o Vladimir Putin, pode, entre outros fenómenos inquietantes, ocasionar uma guerra mundial entre potências nucleares. Nada que apoquente as várias tribos de gambosineiros furiosamente entretidos com a duvidosa genitália das primeiras-damas ou  com os sinistros conspiradores em prol da zombificação histórica por arte televoodu, mas que a mim, como a qualquer pessoa normal, causa um certo desconforto.

quinta-feira, janeiro 05, 2017

Uma etnopatia milenar


«Zionist Extremism as Outcome of the Internal Dynamics of Judaism»  

- Uma digressão sempre instrutiva de Kevin MacDonald. Não se perde nada na leitura dos cinco capítulos.


Aperitivo:

I am the God who created heaven and earth. I shall increase you, and multiply you exceedingly; and kings shall come from you and shall rule wherever the foot of the sons of man has trodden. I shall give to your seed all the earth which is under heaven, and they shall rule over all the nations according to their desire; and afterwards they shall draw the whole earth to themselves and shall inherit it forever.5»

Bem a propósito, há uma obra do Konrad Lorenz, intitulada "Agressividade", cuja leitura, sobretudo no capítulo referente às ratazanas, muito recomendo. A tese fundamental do livro prende-se com os "benefícios da malignidade" para as espécies, em ambiente natural. É, bem entendido, uma noção de "natureza" muito pós-medieval, mas, na emulsão darwinóide da nossa época, transparece plena de fulgurações muito lógicas. Aqui entre nós, aquilo não vale grande coisa (pelo menos enquanto trafulhice transpositiva para o "caso humano", ou não fosse Lorenz um amigalhaço de Popper)), mas, em termos de ratazanas e seus emuladores humanóides, faz imenso sentido e poreja pleno de interesse. Isto tudo apenas para deixar um pouco mais escalpelizado o  "triunfo" crónico e sistemático do "fanatismo" na "história judaica", como descreve Kevin Macdonald na peça em epígrafe.




quarta-feira, janeiro 04, 2017

Algures, entre o sonho e a realidade

É sempre refrescante ler Shamir. E embora eu não partilhe, por profissão, do seu inoxidável optimismo, devo reconhecer que neste seu artigo abundam umas quantas verdades óbvias, duras como punhos.
O breve elenco de algumas delas:

« Mainstream media easily outperformed by producing so many “fake news” stories that Putin could never compete. Just by virtue of Putin’s approval? Do they think a Russian agent gets a service magic wand to bend American minds?

Tradução: Seria um escândalo de lesa-exclusividade que os russos (ou quaisquer outros unicórnios de arremesso) ousassem influenciar a eleição dos presidentes americórnios: afinal, esse, como tantos outros, é um direito exclusivo dos pencudos e da sua máquina de ruídos infernais (vulgo mainstream mérdia - MSM).


Tradução: A Máquina de Ruídos Infernais não é perfeita. E a saturação acarreta efeitos secundários e danos colaterais. Ou de como não se pode enganar toda a gente durante todo o tempo.

«What is this obscure entity, and why is it so hostile to Donald Trump? I’ll tell you. In my young son’s class there was a bully. A silly, but big and strong boy who made the life of other kids, including my son, quite miserable. He enjoyed beating the weak ones, and there was not a nasty trick that he did not try. The bully had a sidekick, a minnow of a boy, who could not harm a baby. We paid little attention to him. It happened that the sidekick was transferred by his parents to another school, as they moved to a far away suburb. And to my great surprise, the big boy ceased to bully other kids. Moreover, he became a good friend of my son and of other classmates. It turned out that the sidekick was actually the evil spirit behind the big boy’s shenanigans. As he was gone, the big boy turned out to be a rather good fellow, real sport, and even his academic marks improved drastically.

Tradução: Neoconas à cabine. Entre outros...

 «A few days ago, in Cincinnati, Ohio, the President-Elect had vowed that the US will stop trying to overthrow world governments. No more regime changes, he said. This is a sea change.
Tradução: A CIA é uma organização global, senão mesmo a epítome-mor de todas elas. Para efeitos de confeitaria de regimes o território dos Estados Unidos não se distingue de qualquer outro no planeta. Por via das coisas, mesmo antes da investidura (e ainda durante a própria campanha eleitoral) , o Trump foi sendo ungido de todos os requisitos que podem justificar (isto é, que podem constituir num "imperativo de segurança nacional" - vá, não riam) o seu "processamento democrático". As formas de remoção do corpo indesejável são múltiplas e variáveis.

Tradução: da Obscure Entity e dos seus agentes sabiam, de cátedra, os medievais. Pena que estejam cada vez mais esquecidos e ostracizados. Compreende-se porquê. Espero, a terminar, que o optimismo do bom Shamir tenha alguma âncora na realidade futura.

sábado, dezembro 24, 2016

Em nome da Administração, um Feliz Natal a todos.

sexta-feira, dezembro 23, 2016

Teorias da Distracção

 
 
 
Esta mania bizarra dos actuais turra-turras abandonarem os documentos nos locais do crime (ou imediações próximas) pode afigurar-se, ao transeunte incauto, como tara recente ou excentricidade típica destes novos facínoras globais. Coisa de árabes doidos ou islamongos varridos, enfim. Serei o último dos seres vivos a menosprezar a maluqueira fogosa destas cavalgaduras. Mas factos são factos. E, interpretações à parte, o facto é que não apenas este peregrino chacinador de Berlim, ou aqueloutro do Charlie Hebdo deixaram os tais documentos em local menos próprio. Também uns quantos dos doidivanas alados do 11 de Setembro conseguiram, mesmo após a sua auto-pulverização épica (senão mesmo vagamente BD), materializar os seus respectivos BIs/passaportes em perfeito estado de conservação junto ao formidável e fumegante monte de entulho. Do pré-socrático Empédocles, que se atirou no Etna por vertigem gnoseológica, cuspiu o vulcão, como indigesta, a sandália. Destes Ali Babacas alcagoitados, por emulação moderna, terá escarrado o holocausto apenas a documentação pessoal.
Só que o fenómeno alastra a zonas mais antigas e insuspeitas. Pasme-se: o assassino de Martin Luther King e o atentador de John F. Kennedy, ainda nos anos sessenta, almejaram idêntica proeza. A carteira de Lee Harvey Oswald, o kit completo de canalizador de James Earl Ray, com efeito, também apareceram, providencial e amavelmente, deixados em  nota de rodapé - ou rodapum, se quisermos entrar em rigores.
Por conseguinte, não se trata de bizarria nenhuma. Nem islamossincrasia de arribação, tão pouco. Mais parece um método, mais parece sistemático. Chato à brava, no mínimo. Um tipo vai para ler`, à maneira da boa tradição policial do ocidente, sempre à espera de algum suspense ou mistério (que o arguto do Connan Doyle ou a Gata Christie, tão bem nos habituaram), e pimba, é o anti-climax, a pífia engrenagem: o assassinato sinistro cedeu passo ao exibicionismo pachola. Quais assassinos!, emplastros em série!... A esbirraria, coitada, estúpida em qualquer parte do mundo, por natureza e função, ainda tenta, em desespero, meter os pés pelas mãos e fazer de conta que não vê toda aquela prova denunciante a céu aberto, com fotografia e tudo... Atrapalha-se e alucina-se quanto pode. Lança-se avidamente sobre as mais descabeladas pistas. Mas debalde. Envelhecem no tédio, os últimos e imaculados mordomos deste ex-mundo. Actualizando bem a propósito Shakespeare, no Rei Lear, já não são apenas cegos que guiam loucos: são jornalixas que conduzem magistrópodes. Pela arreata. À manjedoura.
 
O caso vem devidamente exposto aqui, com bonequinhos.

quinta-feira, dezembro 22, 2016

Hedge Ponzi





«Founded in 2003, Platinum has racked up profits that are the envy of the hedge fund industry. But its winning strategy of lending to troubled companies carries risks that many institutional investors would just as soon not take, according to a Reuters investigation earlier this year.
The soon-to-shut Value Arbitrage fund gained nearly 8 percent in 2016 through April, according to a private HSBC Alternative Investment Group report seen by Reuters. The fund produced average annual returns of more than 17 percent since inception in 2003 with no negative years.»

Traduzinho, praticavam a velha usura rapace da raça sobre os desgraçados em apuros. Isto, pelo menos, para efeitos decorativos da contabilidade e da inerente atracção de papalvos investidores. Porque, na realidade, a culinária era outra... (Como, se formos a espremer bem a coisa, são quase todas):

«According to a federal indictment, Platinum Partners founder Mark Nordlicht and four others faked the hedge fund's books for years to allow them to siphon off one billion dollars to their personal accounts, swindling 600 investors.  The prosecutors called it the biggest finance fraud since Bernie Madoff, and described the Platinum Partners' accounting as "Ponzi-esque."»
 
E agora a parte mais suculenta:
 
«Prior to the indictment, Platinum was considered to be one of the most successful funds in history, with an unbroken string of year-on-year rises, which many investors found suspicious. Platinum drew most of its investment capital from their social acquaintances in the orthodox Jewish community
 
Ou seja, estes Penca-boys , abençoadinhos, estavam a dar a golpada essencialmente nos pencudos lá da paróquia. Crime? Acto de liminar justiça, isso sim e se querem a minha opinião. Como o grande Madoff, de saudosa memória, já os projecto daqui como merecedores de estátua e comenda.
 
Lamentavelmente, parece que nem o mínimo dos mínimos alcançaram:
 


PS: Experimentem espreitar nos armários de todos estes Hedge Funds, ou seja, a clientela que comece a pedir o dinheiro de volta e em menos de nada descobrem o belo Ponzi coiso em que estão metidos. E, quanto a mim, não merecem outra coisa.

 
 

quarta-feira, dezembro 21, 2016

Que amável, da parte dele!...


Não vou tecer grandes comentários sobre mais este atentado aterrorizante das arábias. Apenas não posso deixar de destacar, entre sensibilizado e divertido, o detalhe comum a todos eles, aos tais atentados desatentos: a amabilidade dos terroristas para com as forças invariavelmente sonolentas, senão mesmo catatónicas, das autoridades... De facto, não apenas assinam o feito, os ogrescos meliantes, como até deixam os documentos para que se possa proceder, prontamente, ao reconhecimento da assassinatura.
 
Há muitos séculos atrás, Aristóteles, que não teve o desgosto de conhecer o jornalismo, já definia não obstante o percursor deste, a história, como inferior à literatura (no caso, a tragédia ática). Por uma razão muito simples, evidente e indiscutível: é que a literatura obedecia a critérios determinantes de verosimilhança. Podia não ser verdade (como no caso dos episódios míticos), mas, ao menos, era verosímil (cumpria uma lógica inatacável da necessidade intrínseca do enredo). Ora, a verosimilhança tem uma qualidade sobretodas estimável: confere sentido. A tragédia (ou a epopeia, ou um bom romance) é uma "história que faz sentido". O problema do jornalixismo que faz as vezes da própria História nos tempos que correm é que já nem se preocupa em fazer sentido. Faz apenas pouco do pagode. E faz de conta. A limite isto acabará por descambar em sarilhos muito grandes. Mas até lá o manicómio vai bem e recomenda-se... tirando essa minudência cabeluda de as teorias da conspiração oficiais serem apenas, e por regra, imensamente mais estúpidas e descabeladas (quer dizer, inverosímeis) que aquelas que suscitam, na tentativa sisifiana, de lhes recauchutarem algum nexo lógico causal.
 
Outro detalhe delicioso é testemunhar os papagaios do derrame da suinicultura oficial (todo ele a ressumar a mais fétida das conspiracinhas) a tentarem desclassificar  alguém que, por algum motivo, lhes contenda com o ranho on patrol,  como "teorista da conspiração". Ficamos logo elucidados acerca do gastrópode sem casca que nos calhou na rifa.

quinta-feira, dezembro 15, 2016

As não-tícias dos não-ticiários


As notícias sucedem-se em catadupa: às duas horas, os bombardeamentos russos acabam de exterminar vários bairros, com especial e encarniçada predileção por hospitais, infantários e grávidas avulsas. Duas horas depois, o exército sírio já tomou toda a Alepo, excepto uma bolsa heróica onde se acantonam várias centenas de milhar de mulheres, crianças, velhinhos e alguns rebeldes  desorientados. Em que é que ficamos? As bombas russas, afinal, exterminam ou multiplicam? A ONUla clama ao cessar-fogo imediato para que se poupem as vidas dos miraculados ressuscitados, sobretudo as grávidas reanimadas e as criancinhas traumatizadas apenas.
Mais ridículo ainda: na véspera, o dilúvio ininterrupto e criminoso de bombas soterrava populações a eito, sobretudo aquelas das bolsas de bravos resistentes (que o bafo merdiático, dos burrinhos e vaquinhas de plantão, convertia, por poção mágica, em autênticos meninos de presépio natalício). O merdiático e angélico coro carpia em luto por genocídios e hecatombes industriais. Contudo, um dia depois, eis que se avistam ainda formigueros humanos de coitados desvalidos, em lacrimosa retirada; mas antes disso, pasme-se, por pungente despedida, deitando fogo aos bens, mobílias, obras de arte e automóveis... Assim mesmo. A repolharem do entulho e da caliça, mas não apenas em pessoa: em pessoa com todos os seus adereços e haveres. Mas andam a atirar-lhes com quê, os tais russos: com adubos, fertilizantes e caramelos?
Estas bestas esguicha-notícias dão-se conta das diarreias inverosímeis e mal atamancadas que despejam, eles sim, em bombardeamento ininterrupto, sem dó nem piedade, sem talho nem feiçalho, sobre hordas de incerebrados e mentecaptizados militantes?
Sejamos nós justos e fidedignos: por estes infaustos dias, um jornalixeiro  está ao nível dum pedófilo. No mínimo era forçá-los, a todos, e a toque de caixa, a refazerem o curso de jornalismo. Mas desta vez as cadeiras, todas, lá da faculdade, era dar-lhe com elas, literalmente... pelos cornos abaixo.

sábado, dezembro 10, 2016

Fake bombing


A senhora em epígrafe, muito jeitosa por sinal, chegou a ser comentada como possível Secretária de Estado do governo Trump. O mesmo Trump que respondeu à CIA (a propósito da teoria da conspiração destes acerca dos russos a bedelharem nas eleições americórnias)  tal qual eu  -e  a generalidade do mundo não-lobotomizado - responderiamos: "Atenção, é a mesma gente que "fabricou" as Armas de Destruição Maciça no Iraque".

Por fim, a incontestável coerência das forças americórnias no Médio Oriente: assim como bombardeiam inadevertidamente o exército sírio, também bombardeiam inadvertidamente o exército iraquiano.  Já o ISIS ou a Al-Cagada são ficticiamente bombardeados. Podemos até improvisar um título para o fenómeno: "Fake bombing". Daí a necessidade de legislação urgente sobre a matéria. Que será liminarmente chumbada, pois claro. E bem  ao contrário do "Anti-semitism Awareness Act, imagine-se.


quarta-feira, dezembro 07, 2016

Globalização, não: globalheira!

Há dias atrás apercebi-me dum grande alarido mediático a propósito dos prejuízos que a contrafacção andava a causar à economia. Estimavam-se até milhares de postos de trabalho vitimados pelo hediondo fenómeno. Importava reforçar medidas de combate, ou seja, mais esbirros de patrulha e punição para os odiosos infractores e conspiradores recalcitrantes contra o paraíso terreal. 
Mas vejamos bem...
As grandes empresas (e, por arrasto, as grandes marcas) que deslocalizaram em massa a produção para as Chinas, coxichinas e indochinas em geral, essas queridas, não causaram desemprego, hecatombes sociais e toda a panóplia de cataclismos económicos associados? É evidente que sim. Causaram e causaram duma forma a que poderemos chamar de industrial, maciça, asselvajada. E com que intuito?. Com o intuito muito simples e prosaico de procederem à contrafacção delas mesmas. Ou seja, as grandes marcas largaram numa operação gigantesca de contrafacção industrial, legal e abençoada pelos pseudo-estados: passaram a vender porcarias feitas na China mascaradas com a marca dos outrora made in USA, made in germany, made in England, Italy, France, etc. É pura contrafacção em larga escala. Vão mais longe: criam sub-marcas, ou marcas satélites, de modo a saturarem e ocuparem todo o mercado, desde o high-end, ao médio e low. O resultado para o mercado tradicional e para os produtores e redes nacionais é devastador. No fim do dia, não foram apenas os antigos trabalhadores e serem despejados no limbo do desemprego: também os pequenos comerciantes, muitos deles em idade irrecuperável para a geringonça mercadalhoca, para lá despencam. Só que o instinto de sobrevivência e o espírito associado de desenrascanço, em muitos (e gloriosas) casos sobrepõe-se à depressão induzida: os inquilinos forçados do limbo revoltam-se e retaliam. De que modo? Duas simples palavras: mercado paralelo. Pois, se os outros podem explorar a contrafacção em larga escala porque não hão-de eles imitá-los em pequena? Olho por olho... E mais uma vez lá se reinicia a velha (e louvável) resistência do artesanato contra a indústria e, sobretudo, a impiedosa guerra da indústria contra o artesanato.
Assim, que significa genuinamente o alarido merdiático contra a pequena contrafacção? Nada mais do que o prolegómeno do subsidio estatal à contrafacção desmedida. Os contribuintes têm que ser mobilizados e persuadidos a pagarem a mais esbirros, a mais caga-leis e a mais batidas concertadas contra os tipos que teimam em espernear para fora do armário de esqueletos onde é suposto repousarem. Ad aeternum. A contrafacção industrial, aliás, tem nos mija-notícias um dos seus departamentos mais activos e frenéticos. A contrafacção das coisas vem sempre precedida da contrafacção das ideias. A Globalização nunca significou mais que simples globalheira. É por isso que, ao contrário do prodígio perpétuo a que se arrogava, não passa de cleptosquema transitório cujo flato mestre já se adivinha ao virar da esquina.

PS: Muitas vezes, as mesmas fábricas chinesas que abastecem as grandes marcas também abastecem os mercados informais. Em termos de qualidade ficamos conversados: ou é uma simples etiqueta que altera toda a essência do pacote? Depois, se os do mercado informal fogem aos impostos, os outros, através de esquemas pluridisciplinares, não apenas deles escapam a toda a velocidade: delapidam-nos por portas de subsidiação e facilitação diversa (só a protecção pública ao oligopólio custa-nos os olhos da cara).

segunda-feira, dezembro 05, 2016

Maré-moto

A maré, decididamente, está a mudar. Agora foi em Itália. Seguem-se a França e a Holanda. O centrão balofo, obeso e peganhento está a ser corrido a pontapé onde quer que se apresente a escrutínio. Afinal, parece que as notícias sobre a morte da História andavam claramente exageradas. 
Como já um certo filósofo tinha vaticinado: vale mais um mau sentido que sentido nenhum. Por isso, depois do absurdo e do nihilismo materialeiro em que toda esta Europoia descambou, tudo é preferivel  à burrocracia opressiva dos castrados manteúdos. E foi isso que os federastas e trampolineiros todos de plantão não perceberam. Que o horror ao vácuo prevalece sobre todos os outros horrores. A desconstrução europeia (que se mascarou e besuntou de United Slaves of Europe) vai bem encaminhada para o ralo da história que merece. Vêm lá dias tumultuosos? Pois, se calhar... Mas antes uma boa guerra que uma paz putrefacta.


segunda-feira, novembro 28, 2016

No País das Maravrilhas



Entretanto, vão sendo lançadas lebres. Cada qual a mais aliciesca. Nos United Slaves of America, quero eu dizer.
Parece que vão recontar  os votos. A seguir vão recontar os eleitores. Mais adiante vão recontar os estados (sólido, líquido, gasoso e vicioso). Por fim, vão recontar a história.
Doutra banda, vem a revelação de rabo na boca: afinal foram ácaros russos que cozinharam os resultados em favor do Donald.  É o próprio Snowden que o revela de fonte fidedisney.
Garantido está apenas o desenlace culminante: debalde a rainha de copas procurará cabeças para cortar. A imunidade é geral. Darwin foi às urtigas, mais o surripianço ao Lamarck: nestes tempo já não é a função que faz o órgão: é a disfunção que, sobremaneira, o erradica.*

* O que também não deixa de ser verdade, apenas certifica a primeira lei do Jean-Baptiste.


domingo, novembro 27, 2016

Do Polónio à falta de Arsénico

Lembram-se do caso Litvinenko?

Estávamos em 2006 e toda a suja tranquibérnia serviu para tentar alvejar o vil Vladimiro (nessa altura já a cair «na desgraça dos anglo-toinos).
Na altura acompanhei o circo e podeis recapitular aqui as peripécias:
1. Goldfather, Goldfinger ou Goldfá(r)bula?...
2.  Sushi's ready
3.  Um rasto desagradável

Vem isto a propósito dum novo desenvolvimento na novela. Neste último episódio, mais um dramático desenlace:
«Matthew Puncher, from Drayton, who discovered the amount of polonium found inside murdered Russian spy Alexander Litvinenko, was found dead in his home in May with wounds from two kitchen knives.»
A teoria oficial: suicidou-se. De que modo inventivo: crivando-se de facadas até à morte. Não tinha arsênico lá em casa e entrou em desespero alucinante. Faz lembrar aquele tipo em África, nos anos 80, que também se suicidou com dois tiros nas costas, São muito manhosos estes suicidas desenfreados.

quarta-feira, novembro 23, 2016

O 25 de Nevoembro (reposição do postal de 2012)









«O Thermidor de Novembro trouxe de volta os brandos costumes; a extrema-esquerda pagou algumas das contas; o PC ficou, mais discreto, mas onde estava; Ramalho eanes foi o Bonaparte de um Mário Soares girondino, que simbolizaria mais que ninguém, a transição e a III República; Cavaco Silva veio depois desta história (a que já não pertence), para arrumar as contas e os cantos à casa. E foi ficando até Janeiro de 1995...»

- Jaime Nogueira Pinto, "O Fim do Estado Novo e as Origens do 25 de Abril" (Prefácio à 2ª edição)

O PREC durou enquanto tinha que durar. E o 25 de Novembro aconteceu, tarde, mas quando tinha que acontecer. O PC, a troco da impunidade negociada pelo não obstaculizar os acontecimentos, pode retirar-se para uma plácida aposentação parlamentar. Afinal, a sua missão estava concluída. Desde 11 de Novembro que já não havia mais motivo para agitação, efervescência, nem tumultos. Pois;  fora declarada a independência de Angola.
Os "brandos costumes", como diz, e bem, Jaime Nogueira Pinto, regressaram de facto. A extrema-esquerda desmobilizou e aderiu à pastagem  nos partidos do "arco do poder". O PPD pôde largar o marxismo. O PS tratou de meter sossegadamente o socialismo na gaveta. E o intrépido  Eanes tratou de montar plantão a qualquer recaída, digamos assim, menos branda. Sá Carneiro e a espinha dorsal da AD foram pelos ares, curiosamente, no auge duma campanha em que apoiavam um candidato descentrado. Contra Eanes.
Chegou pois tarde demais, o 25 de Novembro, e terminou cedo demais. A ideia entre os "Comandos" não era exactamente assim tão branda.  Pouco tempo depois, Jaime Neves teve a recompensa pelo resgate nacinhal: a título de lhe imporem o curso de generais (subida honra que ele mandou enfiar num certo sítio ao então Garcia dos Santos, CEMGFA - e outra das figurinhas do brando presépio subsequente), foi afastado do comando do regimento perigoso e mandado para a prateleira, digo, reforma. O próprio Regimento de Comandos, antro suspeito e estacionário, foi também ele sendo vilipendiado e denegrido por toda a espécie de imprensa gaiteira, até à sua extinção nos anos 90.
E assim, todos, com a diluição europédica pelo meio, vivemos muito felizes e contentes até à bancarrota actual. A parede no fim do beco. Ou a luz do comboio ao fundo do túnel. É só escolher consoante a preferência for de índole mais estática ou dinâmica.

Ou pensavam que da árvore da traição frutificava o quê, cornucópias?  Bem, frutificar, até frutificam, mas não são para todos. É só para quem tem a agilidade e afoiteza de trepar.





PS: Dos Comandos, hoje e sempre, o que importa registar é que é a força militar mais condecorada em combate do exército português. E aquela que, em percentagem, mais sangue verteu em defesa da pátria. O resto é ruído. O regime que muito lhes deve sempre lhe pagou com a moeda dos traidores, dos ingratos e dos cobardes. A começar na própria corporação militar, passando pela classe pulhítica e terminando, com imundo destaque, na súcia jornalixeira e merdiática que sempre lhes devotou um ódio rasteiro, canino e ranhoso. Resquício dum tempo e duma grandeza que, para todos estes pigmeus morais, mentais e históricos, importa apagar e soterrar. Luso-avatar duma Esparta antiquíssima num tempo de decadência ateniense regurgitada e reciclada ad nausea.

terça-feira, novembro 22, 2016

Acrogamia e plutofacção



 Um artigo muito informativo sobre a ascensão académica do genro do Donald:

 É curioso que a Bruxa também tinha (e tem) um genro de idêntico quilate. O mito da endogamia judaica não passa disso mesmo, uma lenda. Na realidade, os tipos, como qualquer pato-bravo compulsivo que se preze, não casam é com pobretanas e pelintras. Pelo contrário, buscam (e praticam, sempre que a vítima se distrai) o endo-alpinismo (ou acrogamia, em termos eruditos) à força toda. Há ali como que um instinto parasita de insecto colectivo que se sobrepõe e determina a individualidade.  Terão os coitados sido incubados por alienígenas*? Às tantas, começo a achar que a teoria alucinada do Ildefonso Caguinchas até tem pernas para andar.


Por outro lado (na verdade, o mesmo), Harvard, como qualquer bordel de luxo, rege-se por uma "meritocracia" plutofacciente; ou seja, pagas, entras e f...azes; não pagas, não entras nem f...azes. Aliás, a metodologia está generalizada por esse mundo, com todos os seus filtros, destiladores e camuflagens. O nível actual das "elites ocidentais" atesta disso mesmo. E parece que a própria Igreja não escapou à epidemia.

*- Notem que quando digo "alienígenas" não me refiro necessariamente a seres dotados de inteligência ou planos conspirativos contra a nossa espécie. Pode ter sido, por exemplo, um insecto qualquer doutro planeta, turista involuntário por via meteórica, que picou e contagiou um qualquer ancestral abraamico. Daí, eventualmente, a  crónica e incurável antropofobia dos descendentes deste. 


domingo, novembro 20, 2016

Submarino ao fundo?

«Merkel admits Europe-US free trade deal is dead» 

Olha, que chatice!... Estou aqui lavado em lágrimas.  

Entretanto, atenção, papagaios de serviço! Alteração de meme: doravante, em vez de "conspiracy teoria", devem passar a gritar, estridentemente, "fake notícia".  A agência central já emitiu as novas directivas. E em relação aqui à casa, fica já o aviso: não serão mais aceites etiquetas e emplastros de arremesso com o "conspiraçãozinha da teoria" ultragasto. Actualizem-se na treta, sff. Continuarão a ser objecto da mesma incineração sumária, mas ao menos sempre ardem com aquele sentimento de upgrade cumprido (ou penso mudado, se quisermos entrar em detalhes íntimos).

quinta-feira, novembro 17, 2016

Fim de década alucinante

Uma projecção plausível do futuro, com o Trump das promessas, poderia antever uma III Guerra Mundial. Agora contra o IV Reich, e pelos mesmos Aliados principais. Estados Unidos, Reino Unido e Rússia dum lado, a Alemanha ocupadora da Europa do outro. Uma diferença deveras significativa, aliás duas, poderiam ser resumidas a:
1) O IV Reich é o herdeiro da União Soviética;
2) Não será preciso dar tiros. Os Aliados limitar-se-ão a uma forma (merecida) de geo-bullyng.

Já agora, importa acrescentar, que o III Reich, com todos os seus defeitos e frenesins, foi, não obstante, de uma bravura incontestável. Ao contrário do IV, que é de uma mariquice e parvoíce assustadoras. Deve ser um dos resultados da mestiçagem ideológica.

quarta-feira, novembro 16, 2016

Popelitismos e populismos

"Cuidado com a onda de populismo que vai fustigar a Europa!... Às armas, aos penicos, às video-câmaras!..."
Clama o cão, o gato e até o nosso Hipo-Costa. E profere isto, com ar solene, ao lado do primeiro Ministro espanhol, cacique do Partido Popular Espanhol, e membro da família política  dominante na União Europeia: o Partido Popular Europeu.

Ao mesmo trempo, o anão cabeçudo Rangel lança um alerta semelhante. Elenca mesmo os locais infectados: Bulgária, Húngria, Moldávia, republica Checa... todos contaminados de russofilias e putino-estipêndio. Anão, esse, que, recordo, é um dos vice-presidentes do tal Partido Popular Europeu.

Portanto, há um populismo que é bom, sofisticado, ultra-pasteurizado (um popelitismo, chamemos-lhe assim), e um populismo que é péssimo, imundo e odioso (odioso, porque atestado de ódios, sobretudo aquele que os "populistas" benignos e beneméritos com o dinheiro alheio -chamem-se eles socialistas, sociais-democratas ou democratas não sei quê, no que concerne, por exemplo, às questões da agenda globandalhista - lhe devotam e desferem a todas as horas e oportunidades).Quanto às diferenças, manifestas e comprovadas, entre ambos parece que se resumem a uma (todavia, capital): os populistas benignos, ou popelitistas, só exercem a demagogia em período eleitoral, como forma de sedução (uma vez eleitos, nada do que prometeram cumprem); Os populistas maus exercem a demagogia em período eleitoral (segundo os seus detractores) e, uma vez eleitos, executam grande parte do prometido. Ou seja, em bom rigor, os populistas maus são aqueles que, na verdade, não são populistas nem demagogos profissionais. A limite, e no pior dos casos, é o velho desprezo da indústria pelo artesanato, ou  do amor ao lucro pelo amor à arte.

Resta saber, e a ver vamos, que espécie de "populista" é, de facto, Donald Trump. Uma coisa é, desde já, certa: deixou-me curioso.