domingo, agosto 07, 2016

Acromiomancia revisitada - A Monotonia da História


A muitos títulos, são significativos alguns paralelismos entre este "25 de Abril" falhado na Turquia e o 25 de Abril triunfante em Portugal de 74. A nossa entrada para a Nato (uma fatalidade geopolítica que redundou num cancro a médio prazo) começou a alimentar também um "estado paralelo" entre nós. Os militares que desataram a ir  abichar ajudas de custo em peregrinações formativas ou adidáticas nos States começaram a regressar "virados do avesso", ou seja, insuflados de  febres democratizantes, de ímpetos descolhonizadores e de angústias reformadoras sob tutoria internacional. O caso mais emblemático foi um tal de Humberto Delgado, agora promovido a placa de aeroporto. Ora, esta gente constituia um problema bicudo, porque , ao contrário das simpatias pelos soviéticos, votadas necessariamente à clandestinidade e devidamente vigiadas e reprimidas pela Pide/DGS, estas simpatias "democráticas" iam germinando dentro do próprio regime e, de certa forma, sem qualquer antídoto evidente. Até porque já vinham dos tempos de Salazar e sobremaneira do teatro pós-2ª Guerra Mundial.  De tal modo que, por alturas do 25 de Abril, a maioria dos mais activos e até capazes oficiais por detrás do golpe são os chamados spinolistas. Aliás, o golpe do 25 de Abril, enquanto operação militar, é da autoria de dois spinolistas certificados: os majores Monge e Casanova Ferreira. E isto não é apenas declarado pelo próprio Spínola ("País sem Rumo", pp.101 ) : é igualmente um facto reconhecido até pelos seus competidores da esquerda radical ou comunista. Acabaram enrabecados  precisamente porque o golpe era completamente destituído de lógica nacional e de apoio popular real: a verdade é que estavam, pura e simplesmente, a cometer um acto de traição, um atentado grosseiro contra os interesses portugueses e a sua própria história. Ora, as forças comunistóides e esquerdinolentas tinham sobre eles uma grande e clara vantagem: podiam reclamar a golpada como o culminar da sua longa luta contra o regime. Ou seja, fazia sentido que os comunistas derrubassem o regime, representavam o inimigo declarado, sempre tinham porfiado por isso; em contrapartida, era absurdo que gente dentro do próprio regime atirasse com a sua própria habitação abaixo. Assim, para os comunistóides, era um presente tão inesperado quanto caído dos céus. Tinham além disso uma base de apoio mínima (que não chegava a 10% da população, mas que, adicionada à organização implantada, consolidada e adestrada do único partido estruturado, era imensamente superior  aos aluados da competição). O restante da população,  fora as franjas da patobravice urbana (mais ou menos tecnopata e estrangeirada por tele-inoculação), antes de ter tempo para se aperceber da calamidade que lhe estava a cair em cima, preferiria sempre alinhar com uma "gesta heróica e gloriosa" de "luta antifaxixista" do que com uma mera manobra de traidores peregrinos e alucinados, em delegação de obscuras receitas alógenas. E foi nesse cenário altamente fértil que a propaganda lançou a sua torrentuosa e ininterrupta sementeira. Feito o ninho, o cuco comunista avançou e instalou a sua postura.  A ironia do acontecimento: traidores a darem a golpada na nação, os inimigos desta a darem a golpada nos traidores. De resto, um golpe directamente desferido pelos inimigos estaria sempre condenado ao fracasso, por via de alarme social e internacional. Era necessária uma "barriga de aluguer".
Mas a verdade é que o golpe original era doutros (que não os comunas sovietizados) e tinha sido arquitectado e elaborado por outros. Para a generalidade dos efectivos das Forças Armadas envolvidos, a coisa mais não traduzia que um puro acto de indisciplina, canalhice e deserção perante o dever. Eram militares em negação da sua própria condição. E isso criava um problema psicológico de magna dimensão: havia que caiar o sepulcro não só perante o povo, como perante eles próprios. Não eram eles que estavam corrompidos, com a alma prostituída, a vaidade melindrada e o ânimo nauseabundo. Não, o regime é que estava podre e que clamava extirpação urgente. O que, por ironia das coisas, em parte até era verdade: na medida em que eles faziam parte do regime, eram eles, em bom rigor, os lídimos representantes maiores dessa putrefacção regimental. O tenebroso da história, assim, é que não foi exactamente o regime que caíu de podre: a parte mais podre do regime é que deu uma golpada no resto. Quer dizer, a parte mais podre do regime arrastou o país para o vórtice da sua corrupção, isto é, os traidores escancararam as portas ao inimigo. Àqueles que patrocinaram e instigaram os traidores não lhes interessava nem ocupava o "nosso bem". Bem pelo contrário, como se tem visto, ad nausea, por esse mundo e século adiante, interessava-lhes o "quanto pior, melhor": caotização, incêndio a esmo que justifique o "perpétuo bombeiro" mundial e toda a sua panóplia socorrista paga a preço de ouro.
No seu livro "País sem Rumo", a páginas 158, escreve o general António de Spínola:
« No dia 19 de Junho de 1974, reuniram-se, pelas 11 horas, numa sala da Messe de Oficiais da Base Aérea das Lajes, os Presidentes dos Estados Unidos da América e de Portugal, respectivamente Richard Nixon e António de Spínola. ».
Esta reunião foi um facto, não se trata de teoria da conspiração. Existe uma transcrição do sumário-relatório da mesma, que o próprio Spínola nos faculta em "País sem Rumo". Dizer que é penoso ler o que lá se escreve é escasso. Repugnante é o termo mais exacto.  Ficamos assim a saber  daquilo que lá se passou, pela voz de um dos intervenientes capitais. E o que se passou foi simples e resume-se a dois pontos principais:
1. A capitulação de traidores portugueses perante a "comunidade internacional"; 2. a confissão da cobardia e da impotência desses mesmos traidores perante o inimigo interno. A pretexto de acender a lareira, os cavalheiros deitaram fogo à habitação, e agora não sabiam como tirar a mobília do assado.  Apelavam, assim, ao Gangster chefe dos "bombeiros internacionais", para que lhes acudisse no aperto. Textualmente:
«Falou em primeiro lugar o presidente Português, o qual, depois de saudar o presidente Nixon e de lhe expressar o seu desejo de reforçar as relações com os EUA no quadro do comum interesse dos dois países, fez um breve resumo da conjuntura política portuguesa, salientando os objectivos eminentemente democráticos da revolução e expondo a razão do aparecimento de um Governo provisório de coligação e o significado da presença dos comunistas nesse governo. Afirmou que o Governo provisório não ultrapassaria as metas fixadas pela Junta de Salvação nacional, dado o facto de a nação ainda não ter feito a sua opção pela via eleitoral, e esclareceu que aquelas metas tinham sido fixadas á luz das tendências liberalizantes comuns a todas as ideologias progresistas do mundo actual (...)»

Permitam-me que abra aqui um parêntesis, mas não sei se estão a acompanhar a lógica esplêndida do declarante:  a nação ainda não tinha feito a sua opção pela via eleitoral, mas eles já tinham escolhido o menu e o restaurante, ou seja, acabavam de dar um golpe militar, tinham agranelado a esmo, e fixavam de antemão as metas "à luz das tais tendências liberalizantes comuns a todas as ideologias progressistas". Ora, o mais espantoso, é que para um diálogo daqueles, estaria muito mais autorizado e legitimado o professor Marcelo Caetano. Tinha efectivamente liberalizado e podia ao menos apresentar-se sem se encontrar refém da balbúrdia e com os comunistas à solta no governo, nas forças armadas, na imprensa e nas instituições. Nixon, não sendo um primor de inteligência, deve ter-se apercebido, ainda assim, com velada comiseração, do portento de inconsequência e imbecilidade que tinha pela frente...

Mas o eguariço (como lhe chamou, com propriedade, Manuel Múrias) prossegue:
«No campo da política externa, afirmou que Portugal seguiria uma linha de franca abertura ao Mundo, sublinhando o facto de o governo português ter aderido inequivocamente à política de descolonização preconizada pela comunidade internacional, nomeadamente na ONU.»

Portanto, Portugal "aderia" à ONU (mais tarde aderiria a outras estrebarias) e em contrapartida devia ser ajudado no seu estado de infantilização interna - infantilização, ou charilice, melhor dizendo, forçada, auto-inflingida e festiva. Requeríamos, assim, tutores e monitores de recreio, que convinha, Sua Bombeirice nos enviasse e pagasse a rigor (estava-se mesmo a ver...) . No texto:
«Seguidamente, denunciou (o "presidente" Spínola) que tanto as Forças Armadas como o próprio Movimento Revolucionário se encontravam minados pelo partido Comunista, considerando preocupante a situação, em consequência de a revolução haver destruído totalmente as estruturas de segurança do País e de este, em conformidade com um plano de  desagregação, de concepção e execução comunista, caminhar a passos largos para o descalabro económico e social. (seguem-se mais umas quantas confissões despudoradas de desnorte, incompetência e leviandade relapsa e contumaz, para se atingir o corolário que se segue:)
«E, após  algumas considerações de ordem estratégica, afirmou que, para suster o perigo comunista em Portugal e a consequente implantação de uma posição soviética na retaguarda da Europa, com todas as suas implicações na estratégia global de defesa do ocidente, o Governo português precisava de auxílio americano. Esse auxílio - sublinhou - poderia materializar-se da seguinte forma:
- Apoio económico-financeiro, domínio em que foi salientada a importância do Acordo das Lajes como instrumento eficaz para a concretização do referido auxílio e a necessidade do apoio da Banca Americana no fomento do desenvolvimento económico português.»

Neste ponto está, preto no branco, a essência da golpada abrileira (a original). Para orçarmos daquilo que efectivamente significa temos que remontar a um outro Março, o de 1963, quando Oliveira Salazar profere perante Franco Nogueira:
«Quero este país pobre, se for necessário, mas independente - e não o quero colonizado pelo capital americano»

Ora, com todos as suas imprudências e erros, a política de Marcelo Caetano era, no fundamental, a continuação da política de Salazar. Os interesses da nação preponderavam. Não havia plano alternativo porque não era possível nem viável qualquer outro plano alternativo. Ou se é independente ou não se é, não há meias tintas. É duro, é trabalhoso, requer perseverança e tenacidade, mas é assim. E é assim para todos nesse mundo cão. A ideia peregrina dum "plano alternativo", duma "receita milagreira" (de que a publicação de "Portugal e o Futuro" constituía requinte folclórico e manifesto partidário) não tinha qualquer fundamento nem avenida na realidade. O que, de resto, esta tratou de patentear às escancaras. Ou seja, o "plano alternativo" não era um plano para Portugal: era um plano contra Portugal, um pseudo-plano, um falso-plano. Era uma fórmula contra o Portugal que existia em nome dum Portugal de pura ficção, de manhosa fábula, que cumprir instalar em lugar do autêntico. Sob a cortina de fumo do varrimento do "estado novo", estava, na realidade, a varrer-se o Estado Português. Sob a máscara do saneamento das políticas irrealistas de Salazar, estava, de facto, a instaurar as políticas criminosas e destrutivas de estrangeiros.  E para o efeito os da "golpada original" possuíam, desde a génese primeira, a tutoria americórnia; e os da "golpada segunda" auferiam da tutoria soviética. A diferença, e a vantagem nada despicienda dos segundos, é que estes dispunham, com efeito, dum plano destruidor mais rápido e conveniente a todas as partes. Os outros, de tão tansos e azoinados, apenas queriam desfilar a vaidade no dia florido (o que vinha depois nem sequer lhes ocorria, fora do mundinho delirante que se haviam auto-impingido). Não espanta, pois, que a empreitada da destruição tenha sido adjudicada aos comunas.  Os quais, por idêntica e inexorável lógica, depois, na fase da colonização rectangular, foram pronta e calmamente afastados e substituídos. As joint-desventures funcionam assim. É preciso terraplenar primeiro para semear depois. Já aqui o expliquei antes , era a nossa "desnazificaçãozinha de subúrbio", o "antifascismo" de papelão a que tínhamos direito.
Entretanto, o "plano" a que Spínola servia de emblema decorativo (e que alguém lhe tinha escrito e ditado amavelmente) era, no fundo, sem tirar nem por, o "plano" que os americanos tinham proposto a Salazar nos anos sessenta: nós entregávamos o Ultramar e eles recompensavam-nos com cornucópias de fundos e apoios desenvolvimentistas. Traduzindo:  permutávamos a nossa hedionda condição de potência colonial soberana pela esplêndida condição de colónia serôdia da Gamgsterolândia pato-brava.  Trocávamos o Império de séculos pelo Império de Punheta. Lavava-se o sangue dos heróis com o cuspo das palradeiras e, no terreiro assim desatravancado, erigia-se, em vez do Portugal vetusto e obsoleto, um Portogalinha ou Portorriquinho de aviário.
E é essa a súplica rasteira, aflita, entalada, que Spínola dirige a Nixon: que este se digne conceder-nos a manjedoura sossegada cujo usufruto  os beneméritos e benignos revolucionários haviam, tão galhardamente, conquistado na heroica madrugada abrilampante (e que os perversos e malvados ameaçavam aos gritos). Quer dizer, o tanso do general ainda pensava, naquela altura do campeonato, que o "cavalo de Tróia" (cuja estrita utilidade e missão era derrubar um regime e uma nação) ainda podia servir de montada rocinante à pátria quixotosa lançada à conquista de moinhos progressistas num futuro todo ele festivaleiro. A verdade, porém, é que aquilo nunca fora plano nenhum: fora apenas um embuste, um expediente, um engodo para conduzir canalhas à servidão de facínoras.

«A minha raiva toda está em que daqui a vinte anos haverá portugueses amigos dos Estados Unidos e da Inglaterra, e estará esquecido que nos querem espoliar. E eu não estarei vivo para evitar isso dizendo simplesmente a verdade.»
 - A.O. Salazar

O "plano", esse, continua. Uma verdadeira Fénix da treta. Como continua a permanente zaragata e os sucessivos ajustes de contas entre traidores e inimigos de Portugal. Não é difícil reconhecê-los: normalmente, gastam o tempo a tentar limpar-se uns nos outros.





sexta-feira, agosto 05, 2016

Estados Paralelos




Um artigo a merecer leitura atenta:
«O Estado paralelo na Rússia».

Alguns excertos de aperitivo:


O parágrafo final, que enforma a conclusão, é especialmente assertivo:

Chamam-lhe o Quarto Poder. A sua influência, por via da dinâmica tecnológica dos tempos, chega a ser avassaladora. Refiro-me aos Mass media, naturalmente. A sua legitimidade  baseia-se  nessa inefabilidade do "direito à informação" da malta e do "dever de informação" dos jornalixeiros de plantão. O problema é que a maior parte do tempo, alguns a totalidade do tempo, desinformam, servem de correia de transmissão a interesses alógenos, cumprem agendas escusas, intoxicam, manipulam e falsificam a opinião pública. Pior: este Quarto Poder, na realidade, funciona como Quinta Coluna. Em nome da "liberdade de expressão", exerce a "expressão por encomenda", a liberdade de conspiração e a impunidade de contrafacção. A feudalização dos mass-media atingiu uma escala global. É como um cancro pervasivo, com especial incidência e agressividade, nos locais cujo impacto geo-estratégico o justifique. Antes do cripto-governo global (que algumas visões iluminadas preconizaram e múltiplos indícios incriminam), assiste-se a toda uma máquina global de embuste. De criação duma realidade paralela de conveniência. A chacina e a desterritorialização físicas são acompanhadas e precedidas do massacre mental e espiritual.
Como qualquer pessoa de bem, o Estado soberano, ou com legítimas e determinantes aspirações a tal, deve preservar a sua dignidade, a sua autonomia e a sua saúde.  Purgar-se e libertar-se de parasitas, envenenadores, traficantes e bacilos infecciosos nem sequer é um dever: é apenas um acto de higiene básica.

quinta-feira, agosto 04, 2016

Laranja avariada

quarta-feira, agosto 03, 2016

Calamity Clinton

“1,700 emails in Hillary Clinton’s collection” proves she sold weapons to ISIS in Syria






Entre outras manigâncias e proezas, vendeu armas ao ISIS (o que já toda a gente sabia, mas descartavam, os papagaios arregimentados, com "teorias da conspiração")...

Agora reparem na suprema ironia geopolítica da coisa: a tipa do Brasil, por encomenda a telecomando dos gringo-interesses, foi suspensa por corrupção (ou nem isso, uma pentelhice qualquer). Esta vaca da Clinyon vai ser eleita por super-corrupção. E há ainda uma diferençazinha de bónus para os sonsos de plantão: é que a corrupção inteira do Brasil, que é endémica e normalizada, promove a riqueza duns e a pobreza de outros; a super-corrupção da Clinton alimenta a destruição, o caos, o genocídio, o terrorismo e a transformação do mundo num inferno. Os américas e os seus apaniguados infiltrados nas estruturas estatais brasileiras (políticos, juizes polícias, think tanks, etc) a catarem corrupção no Brasil é exactamente aquele caso do energúmeno com uma trave espetada no olho a apontar um cisco na vista alheia.. 

terça-feira, agosto 02, 2016

Teorias da Invenção




Um livro muito interessante... e compreensivelmente polémico.
«A Invenção do Povo Judeu»
A tradução portuguesa aqui.
Um comentário sucinto aqui.



segunda-feira, agosto 01, 2016

Olhai os lírios do campo

«É impossível alcançar através da razão natural o conhecimento da trindade e das pessoas divinas. De facto, temos demonstrado (conferir c.12) que o homem não pode chegar ao conhecimento de Deus pela razão natural a não ser por intermédio das criaturas, e estas conduzem ao conhecimento de Deus como os efeitos permitem remontar-nos às suas causas. A razão só pode, pois conhecer a respeito de Deus o que necessariamente lhe compete - que é o princípio de todos os seres e sobre este fundamento repousa tudo o que sobre Deus temos dito.»
- S.Tomás de Aquino, "Suma teológica" (c.32 a..1)

Mais helenista e menos judaico do que isto não é possível. A natureza é uma linguagem de Deus, só temos que deixar de ser analfabetos no mais importante e sublime de todos os textos: o verdadeiro Biblos é o Cosmos. Oposto (e mais grave: sobreposto) a isto existe algo que, quando não celebra e convive, cobre , distorce  e oculta a linguagem de Deus - aquilo que Aristóteles chamou a Techné, isto é, o Artificial. Ao conjunto do artificial e dos artificialismo, por oposição ao Cosmos, chamamos mundo. O Homem é palco dum combate entre estas duas pulsões antagónicas: o Cósmico que o convoca para Deus e o mundano que o afasta Dele. A alma humana é esse palco. 
O príncipe do mundano não é Deus. Foi isso que Jesus veio mostrar: que esse mundo cospe, injuria e tortura Deus, na pessoa das Suas crias e crianças. E a forma superior como se expressou não foi através de vociferações escalvantes nem totemismos tribais: foi através duma tragédia. A tragédia humana. A nossa.

sábado, julho 30, 2016

Olha o atrevidote!...

O homem não tem freio nos seus desmandos e tresvarios totalitários.  Agora  vai ao ponto de querer as forças armadas e os serviços secretos sob a alçada directa do presidente. Mas quem julga ele que é?... Os Estados Unidos?!...


sexta-feira, julho 29, 2016

A New World Disorder





Num artigo sugestivamente intitulado "The Law Of The Jungle Is Far Superior To The Ideology Of Globalism», pode ler-se  a certa altura, parte dum discurso de George Bush (Pai), nas vésperas da operação Desert Storm:

“We have before us the opportunity to forge for ourselves and for future generations a new world order — a world where the rule of law, not the law of the jungle, governs the conduct of nations. When we are successful — and we will be — we have a real chance at this new world order, an order in which a credible United Nations can use its peacekeeping role to fulfill the promise and vision of the U.N.’s founders»

Um quarto de século depois, já podemos decifrar inequivocamente a retórica do "world where the rule of law, not the law of jungle, governs the conduct of nations"...
Dado o mimoso e prendado exemplo da superpotência locomotiva no angélico processo, neste momento, já todo o mundo percebeu (ou pelo menos desconfia vigorosamente), que a "new World order significa, em bom rigor, não a substituição da law of  the jungle  pela rule of law, mas a instalação, brutal e furiosa, da "Rule of law of the jungle". Ou seja, na verdade a "New World Order é uma New World Disorder. O caos instalado e a alastrar a todo o galope brama-o ensurdecedoramente. 

Arqueoclastia

Militares e polícias é normal nestes arraiais. Funcionários públicos até confere um certo ar de modernidade gestora. Mas magistrados e esbirra-bispos, isso, já era pontapear a "rule of law" pela rua abaixo. Agora, porém, Erdogan, ultrapassou todas as marcas. Atirou-se aos jornalixeiros e bufaria a soldo externo. E isto, senhores, é querer mesmo arranjar uma carga de sarilhos descomunal. Não contente de maltratar um dos fundamentos do manicómio de direito, descarrega cargas de porrada no segundo: a liberdade de expressinha. Se houvesse justiça neste mundo, o homem estava já a ser nomeado para nobel da medicina... Está a desinfectar e a curar toda uma nação. 
Em contrapartida, bem pode pedir proteção aos russos. Porque entre os malucos, doravante, tem a cabeça a prémio. Jamais lhe perdoarão.   Se há coisa que os fundamentalistas não toleram  é que lhes vão aos fundamentos.


quinta-feira, julho 28, 2016

A Guerra Civil é como o sol: Quando nasce...

“We are on the verge of an uprising of hatred, racism, darkness and upcoming killings and assassination based on the overwhelming internal hatred here. We hear hatred at every turn, whether it is directed toward women by military rabbis, by Ashkenazi Jews against Sephardi Jews and Mizrahi Jews against Ashkenazis. This way the seeds of the uprising of hatred are planted, which will lead to a civil war. This hatred is being carried out by the full support and cover of those in charge.” - Isaac Herzog, leader of the opposition Zionist Union coalition in the Israeli Knesset. (em 18 de Julho de 2016)


quarta-feira, julho 27, 2016

Opus Dei Islamica

E que raio é este Fethullah Gülen que surgiu agora aos holofotes da ribalta, na contra-luz da tentativa de golpe na Turquia?

Engdahl, que sabe alguma coisa destes assuntos, define-o nestes interessantes termos:
Uma Opus Dei Islamica.

Um artigo, todo ele, a merecer leitura atenta. E eu não podia estar mais de acordo com a conclusão:
«Today Gülen’s spider web of control via infiltration of the Turkish national police, military and judiciary as well as education is being challenged by Erdogan as never before. It remains to be seen of the CIA will be successful in a second coup attempt. If the model of Brazil is any clue, it will likely come after a series of financial attacks on the Lira and the fragile Turkish economy, something already begun by the rating agency S&P.»



E quanto à "Opus Dei Islamica"? É como a Opus Dei Católica, não é? Um oximoro pegado.  Uma coisa esquisita. Calvinismo travestido. Mamon no altar. Em suma: esquisitismo. Viemos do Caos, passámos pelo Cosmos e agora estamos na amálgama.

http://journal-neo.org/2016/07/25/what-is-fethullah-gulen/

terça-feira, julho 26, 2016

Resposta a Leclerq

A propósito deste comentário (no postal anterior):
«O Putin quero que se foda, assim como todos os outros imperialistas, desde os EUA a Israel. Que vão todos para o caralho que os foda. Detesto gente (russos, americanos, israelitas, sauditas ou o raio que os parta) que despreza os outros e os trata como lixo. Se houver Inferno espero que ardam lá, por toda a eternidade, em excruciante sofrimento. Ponto.

Enqunto iso, no último número da sua publicação Dār al-Islām, o ISIS recomenda o seguinte:

“Escolher sempre como alvo locais muito frequentados, como sítios turísticos, grandes superfícies, sinagogas, igrejas, lojas maçónicas, as sedes de partidos políticos e lugares de oração dos apóstatas [hereges], com o objetivo de instalar o medo nos seus corações” 

(pode ler-se na pág.33 da publicação da filantrópica organização)

"Em suma, será mesmo Trump um agente de Putin? 
Espero bem que sim."

Não se iluda.....para não se desiludir.O multimilionário norte americano Trump cumpre um papel, faz o que lhe mandam e fim de conversa. Assim como Putin ou como o Irão (ai...os tempos do Oliver North e as ameaças nunca cumpridas......teatro em grande estilo e jogos de sombras fabulosos).
Vai-se desiludur taaaaanto.....»




Caro Leclerq (se não é vossência, faz de conta);

Não precisava de lhe dizer isto, mas não deposito grandes esperanças no tal Trump. Assim, até pode ser que me surpreenda (como aquilo do Brexit), mas logo de seguida processam o gajo (como indigitaram aquela desmadre teresa da tanga). Já o Putin é outra loiça e vossência devia erguer-lhe um altar e acender-lhe velas em vez de largar nessas públicas detonações da síndrome de Touret. Se até o Erdogan viu a luz, que raio de toupeirice obstinada é a sua?...

Agora quanto às publicações dos Esquisitos islâmicos e psicopatas associados Inc... Lá está, completa balhelhice, cumulada de inverosímil e delirante. Senão repare, como passo a expor detalhadamente:

"Locais frequentados", dizem as bestas (partindo do princípio que não inventou vossência isso tudo, o que, não obstante, irá dar ao mesmo). E depois referem "sítios turísticos".. e é tudo. Porque a seguir "grandes superfícies" - o deserto do saara é uma grande superfície; o "oceano pacífico é uma grande superfície; a antártida é uma grande superfície. E depois, são sítios frequentados? Não. Anda-se quilómetros e quilómetros sem ver vivalma.

"Sinagogas" - não é um sítio frequentado; regra geral, é um sítio mal frequentado.

"Igrejas" - estão cada vez mais `às moscas, a não ser enquanto objecto de peregrinação turística. Segundo me proclamou ainda anteontem um celtibero que viajou na máquina do tempo, às eucaristias só já velhos comparecem. Portanto, se os psicopatas islamicos rebentarem com eles, o estado social até agradece a bem do orçamento, e os sopeiros de plantão aplaudem e cantam hossanas. O paraíso para estas amibas passa pela emigração jovem e pelo genocídio fetal e sénior, se por outsourcing, então maravilha.

"Lojas maçónicas" - ninguém sabe onde ficam, fora os pensionistas mancomunados, mas isso também não conta como gente. E também não são muito frequentadas, a não ser que tenha ocorrido entretanto nova revisão lexical e péssimo já seja sinónimo de muito. Suspeito que sim. Se os tarados as mandassem pelos ares não instalavam o medo no coração de ninguém, mas a maravilha e a gratidão quase eterna. É suposto os terroristas cometerem acções horrendas, não actos de filantropia.

"sedes de partidos políticos" - pior, quer dizer, melhor um pouco. Um pouco imenso, aliás. Eles querem aterrorizar-nos ou que os canonizemos e celebremos em recepções apoteóticas ao nível do desembarque da selecção campeã europeia de futebol no regresso da epopeia?  Além disso, lojas maçónicas e sedes de partidos políticos, entre nós, é quase redundante e pode acarretar alguma confusão nas cabeças - já de si caóticas - dos bombistas suicidas. Ora, nesta matéria é de capital e público interesse que não haja desperdício nem extravio.

"lugares de oração dos apóstatas" - Corrijo: afinal não era tudo, os tais sítios turisticos. Mas pronto, é apenas sítios turísticos e mesquitas. Por mim, não corro perigo.

Dealbamos assim na fatal conclusão: esse tal DAESH de islamico não tem nada. De esquisito tem tudo. É um pouco como a maior parte dos "ismos" do nosso tempo. Socialismo, Liberalismo, comunismo, nacionalismo, etc.  Também são todos esquisitos. Infestados por criaturúnculas (geradas ad cuspo) essencialmente chatas. Nem sequer já sistemas de superstição ou pseudo-crença, os tais ismos, mas apenas uma comichão. Solipsismo colectivo em forma de sarna. O ESQUISITISMO - eis a única ideologia avassaladora e campeã do nosso tempo. Enganaram-se com " O Fim da História". Na verdade, se fizesem a mais pequena noção do que dizem, proclamariam o "fim da ideologia".

A Globalização de Putin

«Trump Is an Agent of Putin»

O autor é uma espécie de Soromenho Marques alhúrico. Uma  estirpe em proliferação constante. Quanto ao artigo, fermenta pejado de suculejantes revelações. Algumas  do passado, várias do presente  outras do futuro, todas elas do cruzamento da Noose Room com a Twilight zone. 
A verborreia resume-se num parágrafo:

«Whatever the direct or indirect links, Trump is a Putinite. Putin, and all the other ethnonationalist and autocratic leaders throughout the world that I can think of, want to see Trump elected. Russia is not a joke, especially not for those of us in Europe who sort of remain attached to the post-war liberal-democratic order and don't want to see it overturned by people who don't just fail to live up to its aspirations --most importantly the aspiration to individual rights and freedoms--, but fundamentally reject those aspirations.»

Portanto, dum lado os "post-war liberal-democratic atachés", mai-la sua procissão de direitos e liberdades; do outro o etnonacionalismo autocrático com a sua corte de indelicadezas ( a limite, é a repetição do mantra que presidirá à campanha presidencial americana: Killary Cinton contra Vlad Empalhador Putin). Para chusmas que perseguemn pokemons, a propaganda nem sequer precisa de ser verosímil. Basta que seja ininterrupta, saturadora e monocórdica. Música para cemitérios.


Em suma, será mesmo Trump um agente de Putin? 
Espero bem que sim.
Até posso colocar a coisa em tom lírico:

Trump é um agente de Putin?
Oxalá que sim!
E agora que Erdogan aderiu
resta mandar a bruxa
para a puta que a pariu
 - que é, bem visto, o cu
do Netaniazebu!...


Disclaimer: o termo "bruxa" é utilizado sem a intenção de ferir susceptibilidades religiosas nem qualquer menosprezo pelas respeitáveis sacerdotizas de certas tribos nacionaliteiras.


sexta-feira, julho 22, 2016

Borraboatos e barrabazes


Pois, parece que houve uma dessincronia entre o método "25 de Abril" e o esquema "primavera árabe ou revolução colorida". A segunda desafinou e anulou o primeiro. Entre a ditadura interna e a cripto-ditadura externa, os turcos inclinaram-se para o produto doméstico. Mas a parte mais engraçada não é essa. A cena deveras caricata é a "teoria da conspiração" em que imediatamente engrenaram os papagamedias "oxidentais" e respectivos aviários ecoadores. Que afinal tratava-se tudo duma encenação, do Erdogan a dar ao mesmo tempo o golpe e o contra-golpe.  E isto quando não houve cá (lá, entenda-se) florzinhas e festivais da cantiga, como numa certa Lisboa da tanga: a golpada saldou-se por centenas de mortos e feridos, como a contra golpada respondeu condignamente e promete não acabar em bacalhauzadas.
Mas esta tara da "teoria da conspiração" por parte das "entidades oficiais" do Mundo às Avessas é já crónica e sistemática. Em Setembro de 2001 o ataque às Torres Gémeas era o resultado líquido e acabado duma conspiração tenebrosa por cavernícolas afegãos e ex-assets da CIA na mesma região.  Logo de seguida, descobriram que um tal Saddam Hussein conspirava contra a Humanidade e o Sistema Solar açambarcando Armas de Destruição Maciça em subterrãneos no Iraque. A conspiração dos Iranianos para entrarem na posse de ogivas nucleares com que  iniciarem o apocalipse, sob os auspícios Madianos, também data dessas épocas e continua a ser brandida por qualquer Minion que se preze, da ONU às galinheiras . Nâo há muito tempo, o Exército Islâmigo (aka DAESH) era um criação do próprio Assad, junto com um plano geral de gaseamento do povo sírio, carente e faminto de democracia na púcara. A conspiração de Putin para invadir a Europa, da Sicília à Islândia, traz os generais palhadinos da Nato numa mortificada angústia e em stress permanente (aquela balbúrdia na Ucrãnia foi apenas o primeiro acto desse hedionda conspiração putinesca). Todo o mundo árabe conspira pela erradicação da única democracia do Médio oriente (que entretanto nenhum estado árabe, ou tão pouco o ISIS ou a Al-Qaeda tenham cometido qualquer ataque contra Israel  nos últimos 20 anos é apenas um exercício de má-fé e picuinhice anti-semitas). Mas este frenesim conspirativo-teórico dos poderes instituídos (embora ninguém perceba sequer bem onde), vai mais longe: avança com retroactivos pela própria história abaixo. Quando não estão, com chutzpah desarvorado, a declarar o óbito certificado desta, os teóricos da conspiração institucionais estão ocupadíssimos a redesenhar o passado. É assim, por exemplo, que deparamos com o "teoria da conspiração" mais desenfreada, paradogmática e pantaleónica de todas: a de que a Segunda Guerra Mundial mais não foi que a conspiração de Hitler para exterminar os judeus. O resto são meros detalhes acessórios.
O certo é que em resultado destas teorias da conspiração o saldo de vítimas, entre mortos por chacinas, bombardeamentos, limpezas, depurações, barbárie disseminada, cultivada e promovida à tripa forra, etc, já ascende à casa dos milhões. E continua a bom galope.
Já com o caos a entrar pela Europa adentro, as araras de plantão, devidamente (e pelos vistos, confortavelmente) auto-empalados na trave  verborreica da propaganda mais manhosa que imaginar se possa, ainda apontam, com severidade, ciscos na vista alheia: "teorias da conspiração" de vão de escada, esquina, táxi, blogue ou mesa do café. Que horror!, meras tentativas de explicação ou compreemsão do absurdo e da treta bombada ad nausea, pelos aspersores cada vez mais desmazelados e desgrenhados dos cagamedia. Como?!... gente que não escreve nos jornais, que não chocalha nas pantalhas? Ou gente que até escreve em jornais, mas não naqueles xpto, ultra-pasteurizados e santificados pela parlapatice zarolha destes bufos globais em regime de voluntariado ...?, oh, isso é inadmissível, um grandessíssimo despautério, a reclamar até processos por difamação pelas autoridades competentes. Teorias da conspiração que não matam, nem sequer de empreitada, nem sequer por encomenda ou mera indústria genocida, isso é crime! Contravenção, no melhor dos acasos. Palermice digna do riso, enfim, por concessão ou arroto amnistiante porque hoje nos sentimos valentemente pedantes e lustrosamente balofos!... Curioso como os adeptos ranhosos de qualquer maluquice massiva, de qualquer tara de manada, desdenham e menosprezam os malucos individuais ou os doidivanas de tertúlia ou pequeno clube!...

Entretanto, isto das teorias de conspiração já vem de longe. Sacrificaram Jesus Cristo a título de uma assaz capciosa. No ante-patíbulo, ainda lhe inquiriu Pilatos: "O que é a verdade?". Jesus, é sabido e documentado, nada respondeu, se é que o silêncio não constitui resposta. Mas, conforme agora vamos vagamente entrevisando, a verdade é que ele não podia ainda responder. Na sua superlativa e divina sabedoria, sabia que ainda não era tempo. Que só dois mil anos depois, sensivelmente, poderia dar a resposta certa e requerida. Exactamente esta: "A verdade, ó preboste? Então não lês os jornais? Então não vês as televisões?"
O que o Pilatos hodierno muito agradeceria e, escorado nesse resplandecente eureka, procederia em conformidade. Pelo que, virando-se agora, moderníssimo, esclarecido, democratérrimo, para a multidão perguntaria de novo:  "Jesus ou Barrabás?"
E os jornais e televisões responderiam, uníssonos, soberanos, estentóreos:
- BARRABÁS!!!


quinta-feira, julho 21, 2016

Regras para a Estupefacção do Espírito (r)

Por falar em 2006... Aqui fica uma recordação dragoscópica desse ano. Sempre a propósito, no que toca à pluri-fenomenologia zombi:

Não é em vão que se está a democratizar, sabe Deus a que preço, o Afeganistão. Segundo o jornal “Expresso”, «a heroína de elevado grau de pureza já chegou a Lisboa.» Mais explica o repolhudo semanário, a todos os eventuais interessados na aquisição daquele precioso bem de consumo (e serão certamente muitos), que o mesmo pode ser encontrado à venda “ na Fonte Santa, perto do antigo Casal Ventoso, na Mouraria e no Bairro Alto”. Não refere os meios de transporte mais rápidos para lá chegar, o que é pena, mas um qualquer roteiro da cidade pode facilmente colmatar essa lacuna. Isto, partindo do princípio, assaz optimista, que sabem ler, ou estão em condições disso. Aconselhamos, no entanto, a irem cedo, pelo menos antes de almoço, pois adivinham-se grandes engarrafamentos nos acessos e junto às baias dos drogadouros com o avançar do dia.
Mais detalhes entusiasmantes: esta heroína de imaculada condição, segundo um consumidor experimentado, “tem o mesmo aspecto da outra, mas os efeitos são muito mais fortes.”
“A qualidade é muito superior” – acrescenta, entre o deslumbrado e o dorido, o mesmo atleta do hemochuto – “ sei que em Inglaterra também há heroína como esta porque vivi lá há uns tempos. Quem não estiver avisado morre facilmente de “overdose”.
O jornal identifica-nos este consumidor audaz e viajado como sendo Alberto, proprietário de 35 primaveras, técnico superior de parqueamentos automóveis (“melga”, na terminologia caguinciana; “mitra”, na do meu irmão). O seu depoimento, não obstante, é deveras instrutivo. Ficamos desde logo a saber que o junkieportuguês é, à semelhança de todos os seus compatriotas, um consumado ambulatório - um turista da estupefacção. Anseia estupefazer-se por esse mundo a fora. Quieto no mesmo sítio é que ninguém o segura. Nada de âncoras! Viaja, nomadiza, peregrina. Está-lhe na massa do sangue. O resto que lá mete, na veia atávica, é só um pretexto para a viagem. Para a excursão não apenas psicotrópica, mas também, e não menos essencialmente, globofrénica. Quase aposto que estes toxicodependentes ludâmbulos, aquando de ocasionais encontros ou congressos entre-viagens, também trocam troféus e souvenires em forma de álbuns fotográficos e videogravações. Acompanhados, fatalmente, das legendagens da praxe: “Eu a dar na veia em Hyde Park”; “A Tereza e os miúdos a triparem um ácido porreiro no Bois de Bologne, antes de se prostituirem para a dose do dia seguinte”; “Eu a bezerrar junto aos Alpes”; “O Inácio a vomitar e a malta aflita a pô-lo de borco para ver se ele não se asfixiava, na Praça de S.Marcos”; “Eu outra vez, na ambulância para o Hospital de Geneve, com a minha terceira overdose”; “O Carlitos a ressacar em Berlim - a Vanessa Augusta tinha acabado de fugir com um turco, deixando-o sem abastecimento”; e por aí adiante.
Outra coisa que me aflige, quando não me escandaliza, é a ausência completa de “prevenção drogoviária” por parte do Estado – do Estado ainda por cima Democrático. Isso das “salas de chuto”, só para citar o bibelot mais folclórico, não passa de mera fachada, conversa para enganar tolos. Começa na inadequação do próprio nome: “sala de chuto” lembra escola ou hospital. Nenhum junkie que se preze, daqueles cosmopolitas e mundívagos, com tal tabuleta à porta, lá mete os penates. É garantido. Ou mudam o nome daquilo para “chuto lounge”, ou nada feito. E com separação de áreas de acesso, pois claro - classe executiva, económica, VIP -, que isto da estupefacção não é nenhuma ribaldaria. Há gente das melhores famílias, das melhores castas e proveniências; e das piores, das mais avulsas e banais também. É como em toda a parte. Há junkies de referência, faróis da coorporação, como há trolls anónimos, lingrinhas chupadinhos das carochas completamente irrelevantes.
Depois, a “sala de chuto” pressupõe uma sedentarização que contraria os princípios e leis sagradas da confraria. A não ser que se abram “chuto lounges” nos aeroportos, nos aviões, nos comboios internacionais (a criação de “carruagens especiais para junkies em trânsito” –o chamado “vagon delit” – é uma prioridade)... E mesmo assim, se não forem devidamente equipados com um sistema de “vending machines”, como já existem para cafés, sandochas e chocolates, só que agora abastecidas com as diversas variedades e doses de estupefacientes, leves e duros, não estou a ver como raio se fidelizarão os utentes e respectivos agregados familiares.
E aqui desembarcamos no cerne da questão. O Estado, com a hipocrisia característica, proclama condoer-se com os risco de HIV, hepatites e demais infecto-contágios nos estupefactos profissionais; mas não liga patavina à ameaça fulminante de “overdose”. Quer dizer, aflige-se todo com as condições da dose, socorre todo pressuroso a higiene da mesma, mas não passa cartão à iminência da overdose. Em suma, preocupa-se mais com a limpeza das ferramentas, que com a limpeza do sebo dos operários consumidores. É o costume: o humano, ainda que vegetalizado, que se lixe! Que se foda! Que rebente para aí cavalarmente! Que se envenene, mas nas devidas condições de higiene. Em ambiente asséptico, ultra-pasteurizado. Desarvoramos na droga em regime fast-food. Num mundo não apenas já hospício, mas também açougue McDonaldizado. O que conta não é a essência, mas a mera aparência. A marca e a embalagem.
Estivesse o Estado sinceramente interessado em cuidados básicos, em profilaxia elementar e, além das salas e seringas, trataria de fornecer também o produto. O pó devidamente garantido e rotulado. Indicando os comprovados ingredientes e misturas. O grau de pureza. A dose recomendada, de acordo com a idade e o peso, como qualquer papa Milupa ou farinha Cerelac. O modo de preparação e a data de validade. Os corantes e conservantes –esses malfadados Es, quase todos eles cancerígenos. O ano da colheita. A proveniência. O selo da Região Demarcada, como se impõe a qualquer néctar condigno. O carimbo do fabricante, do importador e distribuidor. Dos Serviços veterinários também. Os avisos como nos maços de tabaco: “A droga pode reduzir o fluxo do sangue e provoca impotência”, “a Heroína prejudica gravemente a sua saúde”, etc. Já que não quer acabar com ela, com a droga aos molhos, ao menos que o Estado regulamente e fiscalize a sua distribuição. Cobre uma taxa como a da radiodifusão – neste caso da “radioingestão” – pela mesma via, ou seja,, devidamente dissimulada nas facturas da electricidade. Que crie um “Código da Droga”, à semelhança do da Estrada, com sinalética e regras de tráfego adequadas. Sinais de perigo como, por exemplo, “Heroína pura”, “estricnina quase pura”, “Cocaína escorregadia”, “Passagem de droga com guarda”, “passagem de droga sem guarda”, “Aproximação de traficante com prioridade”, “turba e contra-turba”, “gado bravo”, “queda de pedrados”, etc; ou sinais de interdição do estilo “trânsito proibido a junkies descapitalizados”, “Sentimentos proibidos”, “proibido fumar”, “proibido beber”; ou ainda de obrigatoriedade, como “zombificação obrigatória”, “vegetalização rápida”, “prostituição a menos de cem metros”, etc. E isto já não falando na própria adequação do actual código da estrada ao tráfego estupefacto, com a criação, designadamente, de passadeiras e corredores especiais para junkies; semáforos psicadélicos; parques de bezerramento; vias rápidas para ressacados com urgências; quiosques devidamente identificados à porta das escolas; facilitação de acessos ajunkies paraplégicos, tetraplégicos, invisuais ou meramente fetichistas de cadeira-de-rodas; estacionamento reservado a dealers; venda em portagens; rede de drive-ins, ou melhor dizendo, drug-ins; áreas de chuto para camionistas; zonas francas de amochanço junto a discotecas; etc.
Mas se o Estado é o descalabro que se assiste, que dizer da Deco? Sim, o que é que a putativa Defesa do Consumidor tem feito na defesa desta classe desamparada de consumidores? Nada! Népia! Nicles! Há contrafacções e mixordices de toda a espécie. Há desgraçados a fumar caldos Knorr, adolescentes crédulos a injectar farinha Branca de neve ou pudins Royal, papalvos a snifar Lauroderme à força toda, e a Deco - a Deco, no seu alheamento olímpico -, não quer saber! E, como se isto já não bastasse, a Quercus também não!
Dos macabros resultados de tanto desmazelo falam-nos as estatísticas:
«Segundo dados oficiais do Instituto da Droga e da Toxicodependência, no ano passado, morreram em Portugal 219 pessoas por motivos relacionados com o consumo de droga – um aumento de 40% em relação a 2004.»
Com tamanha desorganização, com tanta incúria e displicência, admira-me que só tenham sido 219. As estradas matam mais, é certo. Só este ano já liquidaram para cima de 337 pessoas. E são, dizem eles, não sei quem, os melhores resultados dos últimos 30 anos. Tal proeza, supõe-se, após um ror de fortunas gastas em legislações, fiscalizações e campanhas de prevenção. Amarga conclusão: a droga que circula nas artérias sanguíneas ainda não é tão perigosa e letal quanto a droga que circula nas artérias rodoviárias.
Mais perigoso que qualquer uma dessas redes viárias, só há um sítio em Portugal: o útero das mulheres. Em Portugal são feitos em média 20 mil abortos por ano em estabelecimentos clandestinos. Vá lá que sejam só metade...


E depois ainda nos vêm com aquela ficção anedótica dos terroristas fundamentalistas e bombistas que querem atacar-nos para darem cabo do nosso invejável "modo de Vida". Era preciso que fossem extraordinariamente estúpidos, os ditos cujos, o que é duvidoso que sejam. Ninguém perde tempo nem energia a atacar quem já se entrega, cega, febril e paulatinamente, ao suicídio.

quarta-feira, julho 20, 2016

Cono ludens, ou O Apocalipse pokemon-zombi




Entretanto, a infantilização e efeminação, em suma, a imbecilização do Ocidente (como profetizou Nietzsche)  prossegue a bom ritmo. 
A mais recente eclosão da (des)humanidade em modo manada -  a chusma pokemon,  é o exemplo acabado disso. A ideia dum camião desembestado ou dum psicopata de machado ceifador perante este novo cenário insectomorfo, subitamente, deixou de constituir uma pura aberração criminosa. Dir-se-ia até que a vontade de massacrar que habita, sinistramente, nuns ganhou, numa espécie de génese ao espelho, uma correspondente e não menos macabra vontade de ser massacrado de outros. Lá que uma merece a outra, não me atrevo eu a negá-lo. 
A verdade é que até há já quem diga que o descerebrado fenómeno marca o início do tão aguardado apocalipse zombie. Bem, se não é, parece. 
De resto, já abundavam sinais inequívocos e inquietantes na própria  internet...  hordas de mortos-vivos que, após autofagia sumária da própria mioleira residual, ou sessões de canibalização recíproca em animados piqueniques virtuais, se lançavam (e lançam, aos urros e frenesis patéticos)  sobre qualquer ser vivo ainda dotado de cérebro funcional ou suspeito de pensamento próprio. Quem viu, por exemplo, a blogosfera em 2006 e assiste à mesma dez anos depois constata facilmente esta zombificação galopante.

terça-feira, julho 19, 2016

Rameiras da Babilónia





Antes que me esqueça, convém dizer que não compreendo o escândalo acerca da  Coisa Barroso. Agora, que vai para a sede de Goldman Sachs, rompem as indignações e os assomos morais... Inadmissível! Uma vergonha! Um despautério!, clamam súbitas e inusitadas vestais ofendidas!...  Ora,  se bem compreendo o alarido, é uma imoralidade, um desplante e um descrédito que, na qualidade de ex-secretário-geral, ex-ministro, ex-primeiro-ministro e ex-presidente de Comichão, o trombalazana vá colocar-se a soldo da Goldman Sachs!... Em contrapartida, trabalhar gratuitamente para a Goldman Sachs nas mesmas funções e dignidades constitui, de pedra e cal, o paradigma, tanto quanto da virtude deontológica, da normalidade administrativa. Pelos vistos, segundo todos estes entendidos e peritos morais, o problema reside em cobrar os serviços e  não operar por puro amor à fé, à camisola, à causa, ou o que raio queiram chamar à prostituição sagrada a que se devotam. Os comissáurios, com frenesim compulsivo  e regra santa de vida, entregam-se de alma e coração à Goldman Sachs & Associados, na sua qualidade de comissáurios e presidentes de comichões ou Uninhões. São alcandorados para que sirvam e servem porque estão instalados. Isso é que é probo, íntegro e consciencioso. Coisa mais democraticamente beata imaginar se não pode!... Mas, assim, receber dinheiro, sem cargo que o justifique e cara a descoberto....? Miserável! Infame!...
Por mim, tenho a declarar, solenemente, que acho muito bem que o ex-Cherne (embrulhado a papel de jornal e com bolas de naftalina para disfarçar a putrefacção) vá para a Goldman Sachs, para a Reserva Federal, para a Casa branca, para o quinto dos infernos ou para onde o diabo o carregue,  porque nestas coisas não há ironia mais poética nem justiça mais elementar que celebrar o regresso do filho pródigo à real puta que o pariu!... 
Tenho dito.

sábado, julho 16, 2016

A Cartilha do Vladimiro

Para já, o "25 de Abril" borregou na Turquia. Tudo indica que eram os americoisos (uma das facções, enfim) quem  estava por detrás da peregrinação ecuménica. Mas foi tudo feito à pressa, em cima do joelho, e estas cegadas, assim, sem a devida corrosão prévia, são muito bacocas, senão mesmo  prometidas ao fracasso. O Erdogan (essa besta) também não colaborou minimamente (correndo a encerrar-se num qualquer quartelzito da capital como lhe competia). Bem pelo contrário, o obstinado energúmeno   pôs-se a voar bem acima do batefundo, devidamente calafetado em nave prudente e altaneira. Chateada de não poder cercá-lo e vilipendiá-lo como é da praxe nestes arraiais, a populaça tratou de descarregar a frustração na panóplia militar: "Não há palhaço, não há circo!", foi como se clamassem à incompetente e atabalhoada magalagem.. Demais, entre o céu e a terra, as alminhas inclinar-se-ão sempre, senão por cultura decerto por superstição, para as zonas altas da atmosfera. "É um pássaro? É uma rã? É uma estrela anã? Não, é o Super-Erdogan!..."
E agora, que ele pousou triunfante e incólume, vão ver como elas mordem. O Ocidente, em coro, já está a clamar pelos direitos humanos dos peregrinos. Conforme acabo de ouvir nas pantalhas, a "desinfestação" americórnia vai  avançar a todo o vapor: três mil procuradores e juizes já estarão com reserva vip no cagarrão. A "rule of law" a ir com o caralho, pois é! A somar à purga nos exércitos, a coisa promete. Afinal, trata-se dos dois principais veículos incubadores da gonorreia americórnia. O Brasil ou o Egipto que o digam. Assim de repente até parece que alguém andou a expandir os horizontes mentais ao Erdogan. 
De origem grega o prefixo "eu" significa "bom"- daí eutanásia (boa morte), eugenia (bom nascimento), etc. O contrário de "eu" é "caco" Portanto, a cacoropa que se cuide!...

quinta-feira, julho 14, 2016

Campeões, Graças a Deus!

Não sei se, conforme sustenta o Vice-Rei Marcelo, haverá mais razões para acreditar em Portugal depois da vitória no Eurocampeonato. O que sei é que, seguramente, há mais razões para acreditarmos em milagres.
Também devemos agradecer esta alegria nacinhal ao Engenheiro Fernando Santos (o único, estou em crer, cuja fé moveu, de facto, a montanha), aos jogadores, à deusa Fortuna que  mexeu os seus cordelinhos, mas sobretudo não devemos deixar de agradecer, penhoradamente, à benfeitora principal: a Nossa Senhora de Fátima.


Seja como for, deu-me imenso gozo assistir à Senhora de Fátima e silenciar a capital marteleira e a République dos Caga-luzes!...

PS: Andar ao Deus dará não é, como toda uma chusma de grunhos robotizados papagueia freneticamente a todas as horas, um grande absurdo ou irracionalidade. Bem pelo contrário: é uma manifestação conspícua de inteligência e realismo. Neste sacana deste mundo só mesmo Deus dá alguma coisa (na verdade, dá tudo o que é essencial, como seja, por exemplo, a Vida). Porque quanto à ciência, à tecnologia, à indústria, ao trabalhinho e todas essas sopeiras ao serviço actual da Finança, o que fornecem custa não apenas os olhos da cara, como cobra ainda por cima, de juros, o olho do cu. E por muito que ser cego passivo esteja na moda, há ainda, graças a Deus, quem não sinta qualquer vocação (nenhuma mesmo!) para geo (e socio) mariquices.

PSS: Portanto, se somos um povo que não só acredita como confia, ostensiva e reiteradamente, em milagres, abençoados sejamos nós, portugueses, que ainda não estamos completamente perdidos. 

domingo, julho 03, 2016

As 4 Harpias do Apocalipse



O mundo mal pode esperar!... Caso a Killary Clinton - aka Átila The Hen (ou Átila The Hyena) - ganhe as presidenciais  americoisas, todos ficaremos na dúvida: os Estados Unidos passarão a ter um governo ou um permanente Sabath? Uma coisa é certa, o orçamento de estado lá do sítio poupará uma maquia apreciável só em bilhetes (e combustíveis) de avião: estas harpias dispensarão, seguramente, aeronaves modernas. O Air Force One, por exemplo, dará lugar ao Hill force One (aka Broom Force One)...
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Um veículo todo ele, reconheça-se, muito mais amigo do ambiente e combatente do aquecimento global. E os cogumelos atómicos?... Ora, ora, não sejam picuinhas!...