«Os hedge Funds não conhecem limites. Assim, nos mercados de matérias-primas, o volume de apostas não tem nada a ver com os volumes físicos trocados. O caso do petróleo é exemplar. No decurso dos dois primeiros choques petrolíferos, a especulação sobre a cotação do crude foi quase inexistente. Hoje, a indústria das apostas representa cerca de 500 vezes o volume de petróleo transaccionado. A especulação bate todos os recordes. Contam-se mais de 650 fundos dedicados à energia, contra 180 em 2004. Os contratos de futuros relativamente ao petróleo passaram de 1.7 biliões de dólares em 2005 para 8 biliões em 2007. dados muito recentes fazem crer que nada menos que metade dos contratos teriam uma vocação meramente especulativa. Volumes desta ordwem não acabarão por falsear os preços reais do crude? Dois membros do Congresso Americano (Joseph Lieberman, democrata, e Bast Stupak, republicano) defendiam em Julho de 2008 que a especulação acrescia 70 dólares ao preço do petróleo (que estava então nos 135 dólares o barril). Um homem do meio como George Soros dá razão aos precedentes.»- Patrick Bonazza, in "Les banquiers Ne Paient Pas L'Adittion"
A obra em epígrafe é de 2008. Poderíamos então perguntar que tal vai o negócio dos "hedge funds" nestes últimos anos... Se terão, entretanto, aprendido alguma coisa com a calamidade ocorrida e desenvolvido, em conformnidade, alguma sensatez, prudência ou sequer um módico de decência?.... Algumas breves breve pistas sobre o "estado-da-arte" :
Mais dicas ilustrativas:
«George Soros tops Forbes’ list of the highest-earning hedge fund managers and traders, personally making an estimated $4 billion in 2013 as his Soros Fund Management generated returns of more than 22%.»
(...)Todavia, rebobinemos o filme um pouco atrás, antes mesmo do rebentamento. Estava o pagode todo a cavalgar a onda eufórica típica do clima pré-vigarice (mais conhecido por engodo pela ganância). Em 2001, na The Economist, perguntava-se:
«Hedge Funds - The Latest Buble?»
E referiam-se alguns dados óbvios que recomendavam certos cuidados:
«Muitos hedge Fundds são de qualidade duvidosa, com gestores inexperientes ou mesmo charlatões ao leme. Os Fundos estão a ser impingidos a investidores que não entendem os riscos. Em todo o caso, são difíceis de monitorizar e vulneráveis à fraude.»
Sabemos hoje que isto não era apenas o diagnóstico mais acertado: era uma profecia concreta. De resto, como já meia dúzia de anos antes tinham antecipado a "bolha da internet ou dot com". Talvez o facto de metade da revista pertencer aos Rothschild facilite nas "previsões"...
Mas há mais. De jaez igualmente lúcido e acautelante, e oriundo não exactamente de lunáticos conspirativos:«The party-poopers are led by Barton Biggs of Morgan Stanley, a veteran investment strategist and bubble-spotter. “The hedge-fund mania” in both America and Europe, he says, bears all the signs of a classic bubble: “I am sure that many new funds will explode, and their investors will lose a lot of money.” This analysis has not pleased some of his colleagues at Morgan Stanley, which is equalled only by Goldman Sachs in its enthusiasm for hedge funds, touting “opportunities” to wealthy customers and supplying “prime brokerage” services to funds. Paul Roye, director of the investment-management division at the Securities and Exchange Commission, advises investors to “be cautious about the hedge-fund craze”.»
Podemos sempre recordar o genial Madoff, também um "hedge fundista" (e note-se que o fulcro da sua fraude esquemática terá envolvido actividades mascaradas de putativo "hedge-fundismo"), inventou coisas maravilhosas em Wall Street - O NASDAQ, por exemplo, onde chegou a ser o maior market maker ( e, à data de 2008, o sexto maior market maker de toda a Wall Street). Madoff, como hoje bem sabemos, veio a revelar-se um mero esquema Ponzi... ao puro estilo da nossa Dona Branca, de saudosa memória. Mas há uma questão interessante que autoriza e que é a seguinte: o que é que impede um suposto "hedge Fund" de camuflar esquemas de idêntica fraudolência? Qualquer tipo munido dum mínimo de boa fé e de meio cérebro funcional vos pode dar a resposta, e o próprio caso Madoff atesta: Não muita inibição ou obstáculo (legal, moral, racional sequer), convenhamos. Como, de resto, já o artigo da The Economist anunciava. E as peripécias posteriores atestaram e continuam, pelos vistos, a atestar.
E para o testemunharmos na sua deslumbrante magnitude histórica, vamos ao mais famoso, misterioso e obscuro de todos eles: o Magnetar Capital.O Magnetar, em síntese (e conforme podem constatar em detalhe no artigo linkado), fez uma coisa muito simples: Deu corda generosa à bolha ao mesmo tempo que apostava fortíssimo no seu estoiro. Mero oportunismo rapace ou conluio para mega-crime? Ambos, tudo o indica. No entanto,
«Strange as it may seem, nearly three years after the onset of the global financial crisis, its greatest, most destructive, and most profitable "it ought to have been a crime" has gone almost entirely unnoticed.»
Angelo Mozillo, o mister Countrywest, já vimos no primeiro capítulo desta saga, teve que se retirar e adquiriu uma péssima reputação, bem como um banimento penitencial de certas actividades. Madoff, o genial Madoff. chegou mesmo a dar com os costados na pildra, onde pernoita actualmente, condenado a 150 anos de encarceramento (apenas porque não poupou os da sua própria espécie, Deus o abençoe). Mas o Magnetar continua aí, cintilante e astronáutico, como se nada fosse. O próprio JP Morgan já teve que pagar uma multa jeitosa à SEC por actividades na órbita do Magnetar - conforme se pode ler: «JP Morgan Chase has agreed to pay a $154 million penalty to settle SEC charges that the bank misled investors about a complex mortgage-securities deal during the waning days of the housing boom. The SEC charged that JP Morgan neglected to tell investors that the hedge fund Magnetar helped create the deal and was betting against it.»
Vale a pena acompanhar o enquadramento do esquema da Magnetar, pelos seus subterfúgios peculiares e malefícios sistémicos:
«Some recognize that the appetite for subprime mortgages seemed to come from investors. In fact, it resulted in a large degree from the way traders at certain large banks used subprime mortgages in a strategy to make their profits seem much larger than they actually were. The effect of this "negative basis trade" strategy was to overpay employees of those banks and consequently eviscerate the banks' abilities to withstand future economic uncertainty.
The appetite for subprime mortgages was also inflated by people who were betting that the housing market would fail.
Moreover, the devastation wrought by this strategy remains virtually a secret. The fact that it has been almost invisible and appears to have been entirely legal, demonstrates a set of vexing problems. First, that investigations of the crisis have not delved deeply enough, and second, that the deregulation so keenly sought by the financial services industry has made activities legal that by any common-sense standard should be criminal.»
The moving force behind a brilliant and devastating subprime short strategy was a heretofore unknown Chicago hedge fund, Magnetar, headed by Alec Litowitz, formerly of the hedge fund behemoth Citadel. Our studies indicate that Magnetar alone accounted for between 35% and 60% of demand for subprime mortgages in the year 2006.
Porque é que Madoff está preso, Mozillo proscrito, mas Litowitz (o ás crematonauta do Magnetar) continua a surfar nas praias do Paraíso Terreal da Finança? Bem, em primeiro lugar, porque não atentou contra a própria confraria; e em segundo, como não é difícil calcular, porque tratou de despejar contribuições generosas no bolso do formidável Rahm Emanuel, distinto cavaleiro da gaia penca (já aqui exposto há uns anos atrás), cujos principais atributos se podem resumir a três munificiências: 1. ser um democrata emérito; 2. ser um dos principais dínamos de Israel no aparelho de Estado americano; 3. ser o descobridor e empresário artístico dum tal Barack Obama, debutante ao trampolim senatorial na época.
Do W.Bush e sus muchachos ficaram patentes as facilidades à desregulamentação - «SEC head William Donaldson tried to boost regulation of mutual and hedge funds, he was blocked by Bush's advisers at the White House as well as other powerful Republicans and quit». Todavia, é já no tempo de Bill Clinton que o buraco negro se arquitecta - «President Clinton's tenure was characterized by economic prosperity and financial deregulation, which in many ways set the stage for the excesses of recent years. Among his biggest strokes of free-wheeling capitalism was the Gramm-Leach-Bliley Act, which repealed the Glass-Steagall Act, a cornerstone of Depression-era regulation. He also signed the Commodity Futures Modernization Act, which exempted credit-default swaps from regulation.»
Por conseguinte, qual a diferença entre republicanos e democratas (nesta matéria capital)? Bem, se medirmos a partir da qualidade dos advisors na Casa Branca, nenhuma. É que era a mesma gente com Clinton, com Bush e, confira-se, agora com Obama.
Mas entretanto vamos assistindo, lá como cá, a perpétuas zaragatas entre a "direita" e a "esquerda", ou socialistas contra capitalistas, ou o último grito da cegada: keynesianos contra chicaguistas. Quando na verdade, cada qual à sua maneira rema e obra para o mesmo saco E não me venham com histórias de desregulações. A regulação existe e é apertada: só que está de patas para o ar (como a generalidade do planeta, diga-se). Quer dizer, não é o Congresso que controla, fiscaliza e, portanto, regula Wall Street: é Wall Street que regula o Congresso e tutora a presidência. E a Wall Street não é nenhuma entidade angélica ou metafísica: é gente, embora não pareça. E é gente com uma característica factual e reconhecida: desde os mentores ideológicos aos agentes no terreno, desde Friedman a todos os nomes que puderam ler neste postal, com excepção de um reles protestante WASP. São judeus. Ufanam-se disso e arrotam saques a céu aberto, filantropias e colecções de arte . Filantropias que consistem invariavelmente em comprar quotas nas grandes universidades (de modo a afunilar cada vez mais o acesso ao clube e a facilitar a "descriminação positiva"); e colecções de arte que traduzem, em grande escala, uma mera hiper-inflação do lixo, no que se está a engendrar uma bolha jeitosa a que um dia chamarão a "bolha da arte". Um dia destes, quase posso garantir, alguém venderá "arte valiossíssima" e alguém descobrirá na manhã seguinte que comprou lixo (entidades públicas, à cabeça). E alguém ainda, além dos vendedores, capitalizará com a desvalorização, entretanto devidamente titularizada e segurada para o efeito.
Da mesma forma, também não é nehuma lei inefável e patarata da "oferta e da procura" que regula os mercados: é a ganância. E a ganância, sublinhe-se, como imperativo categórico. E único.. E isso está confessado, proclamado e celebrado pelos próprios profetas, sacerdotes, gurus, vedetas e super-heróis em patrulha da seita predominante. E é repetido ad nausea por uma caterva infinita de papagaios ruidosos, mentecapturados e absolutamente destituídos de senso por esses media e internet a fora.
Quando do choque petrolífero que precipitou, entre outros factores externos, o nosso 25 de Abril de 74, bastou desestabilizar o Médio Oriente e os preços do petróleo dispararam, arrastando a Europa (entre outros) a um vórtice inflacionante. Como é que agora, está o Médio-Oriente a ferro e fogo, balbúrdias instaladas em quase todos os produtores mundiais, e os preços descem absurdamente?
Comprovação empírica: os mesmos que os empolam artificialmente, podem desempolá-los quando lhes convém. Aqueles que tanto verberam as intervenções estatais na economia apenas camuflam com isso a simples defesa duma prerrogativa e privilégio que pretendem exclusivo seu. A ideia é, ou que os estados intervenham tresloucadamente guiados pelos "toupeiras de esquerda" (conduzindo-se à ruína), ou se deixem intervir pelos "toupeiras de direita", deixando conduzir-se à escravidão. Em Portugal, vimos experimentando, generosamente, as duas vertentes da receita.
A ideolorreia (que desde o Iluminismo) vem presidindo às "desnacionalizações" dos povos, carbura também, subsequente e intensamente, pela sua "privatização". Ou seja, pelo ralo das nações seguem-se os estados. À escala planetária, a Super-Finança (e quem lá ordena) engendra o cripto-estado universal. O "Mercado Global" é já o primeiro sintoma desse parto monstruoso.
Da mesma forma, também não é nehuma lei inefável e patarata da "oferta e da procura" que regula os mercados: é a ganância. E a ganância, sublinhe-se, como imperativo categórico. E único.. E isso está confessado, proclamado e celebrado pelos próprios profetas, sacerdotes, gurus, vedetas e super-heróis em patrulha da seita predominante. E é repetido ad nausea por uma caterva infinita de papagaios ruidosos, mentecapturados e absolutamente destituídos de senso por esses media e internet a fora.
Quando do choque petrolífero que precipitou, entre outros factores externos, o nosso 25 de Abril de 74, bastou desestabilizar o Médio Oriente e os preços do petróleo dispararam, arrastando a Europa (entre outros) a um vórtice inflacionante. Como é que agora, está o Médio-Oriente a ferro e fogo, balbúrdias instaladas em quase todos os produtores mundiais, e os preços descem absurdamente?
Comprovação empírica: os mesmos que os empolam artificialmente, podem desempolá-los quando lhes convém. Aqueles que tanto verberam as intervenções estatais na economia apenas camuflam com isso a simples defesa duma prerrogativa e privilégio que pretendem exclusivo seu. A ideia é, ou que os estados intervenham tresloucadamente guiados pelos "toupeiras de esquerda" (conduzindo-se à ruína), ou se deixem intervir pelos "toupeiras de direita", deixando conduzir-se à escravidão. Em Portugal, vimos experimentando, generosamente, as duas vertentes da receita.
A ideolorreia (que desde o Iluminismo) vem presidindo às "desnacionalizações" dos povos, carbura também, subsequente e intensamente, pela sua "privatização". Ou seja, pelo ralo das nações seguem-se os estados. À escala planetária, a Super-Finança (e quem lá ordena) engendra o cripto-estado universal. O "Mercado Global" é já o primeiro sintoma desse parto monstruoso.
PS: para que se registe: não acredito em "raça judaica"; não confundo determinadas elitoses judaicas com a generalidade daqueles que, de algum modo, podem ser intitulados de judeus. Judeus há muitos e diferenças também. Além isso, dou mais valor a um indivíduo do que a um bando de insectos colectivos.









