quarta-feira, setembro 16, 2015

Um Abecedário Completo



Prosseguindo o meu filantrópico contributo para a causa hospitaleira...

m) Convertem-se as maternidades deficitárias, onerosas e improdutivas (todas elas, portanto) em centros mistos de colmeia procriativa/vazadouro de gravidezes incómodas. Do seguinte modo: dois terços das instalações reservam-se para hospedagem e reprodução contínua dos migrantes (produzindo cidadãos republicanos e futuros contribuintes em regime épico, ininterrupto e coelhístico); um terço destinar-se-á ao abortismo conveniente e gratificado dos nacionais. A troco de alojamento e alimentação, os imigrantes e demais candidatos alógenos, colmatarão, assim, num ápice, os alarmantes índices demográficos e os sombrios horizontes da segurança social (gargalhadas). Poupando ainda, sublinhe-se, o sacrifício medieval das dores de parto às nossas gajas emancipadas (risos).
n) Entre Vilar de Mouros e o Sudoeste Alentejano, aproveitam-se as infraestruturas sazonais dos festivais de música (risos) pimba, exopimpa e pimbapop para parque residencial das hordas  migradas. Passarão de sazonais a contínuos, os Festivais, atraindo turistas, parolos e inebriados de vária ordem, com o inerente aporte de divisas e oportunidades de comércio.A comunidade Europeia subsiidiará a cerveja e os bebidas alcoólicas diversas (não há o risco de desvio por parte dos figurantes residente); as bandas tocarão gratuitamente (por mero interesse publicitário, como no Live Aid)). A cada agregado imigrante será fornecido um kit de sobrevivência - tenda, toldo, mobiliário de camping, horta e alfaias portáteis, sementes e enlatados para os primeiros 6 meses. Poderão, a título especial, cultivar cannabis sativa, que poderão comercializar aos festivaleiros não residentes, revertendo a receita, saldados os devidos tributos fiscais, para um fundo de administração local (ao estilo kibutz).
o) O Estado pode alugar as multidões de refugiados aos clubes de futebol (excepto os chamados três Grandes) para comporem mais condignamente as bancadas dos estádios nos dias de jogos (risos). Nos restantes dias da semana, as mesmas turbas serão mantidas em estágio, ou frenesim larvar, distribuídas por esplanadas, tascas, salas de congresso, terminais de transportes, estações de metro ou comboio, aeroportos, estaleiros  da construção civil, quartéis fantasmas, lojas fechadas, prédios devolutos, etc, etc. Também a profissão de árbitro devia ficar reservada aos refugiados, desde que, sob promessa e garantia expressa de jamais aprenderem a língua portuguesa (risos). Ficariam imunes, quer às interferências vernaculares da assistência, quer às ingerências curriculares do Vitor Pereira, por delegação do Vieira dos Pneus (ou qualquer outro que o destrone no futuro).
p) As Câmaras Municipais recebem, de acordo à sua dimensão, dotações de refugiados. Com os quais procederão à vantajosa permuta dos parquímetros mecânicos pelos parquímetros animais; ou seja, um parquímetro que é simultaneamente cobrador, arrumador e fiscal. E também comissionista, pois sobrevive graças a uma percentagem do esbulho. Corsário municipal? De facto, bem vistas as coisas...
q) Segundo quotas e derimir - de preferência à sarrafada - pelas partes interessadas (com assento endo e exoparlamentar), os refugiados integram-se directamente nos partidos, com imensa vantagem para o português predado e avulso. Melhor e mais lauto sistema de integração não é possível. E por outro lado, nada despiciendo, passam os aparelhos partidários a ser, destarte, constituídos por estrangeiros de imitação e estrangeiros genuínos. Em menos de 12 meses, os genuínos já dão mais valor a Portugal e votam-lhe mais afeição do que os outros. Ténue esperança ao fundo do túnel, compatriotas!... A mim, pessoalmente, em sendo escolhida, esta medida conquistar-me-ia em menos de 60 segundos.
r) Upgrade nos candeeiros de iluminação pública nos bairros típicos de Lisboa. O feliz transeunte, em vez dum equipamento imóvel e oneroso, passará a ser objecto do serviço personalizado de um árabe com lanterna económica (a pilhas recarregáveis e recicláveis, naturalmente, sob patrocínio da Quercus - que fornecerá o equipamento e as sandálias do operador). Nas horas de ponta, sobretudo no inverno, a tripulação de cada lampião será acrescida de mais três porta-lanternas, equipados com gabardine de cortiça e chapeu-de-chuva colectivo (de modo a poder servir também de abrigo móvel ao peão desprevenido).
s) Cada família refugiada será adstrita à residência principal duma família portuguesa (risos) da classe média/alta e alta. Tratará, em regime de exclusividade, da separação, reutilização e comercialização do lixo.
t) Portugal pode  explorar uma enorme oportunidade de negócio: Centro de Refinação dos Refugiados. Nem mais. Fazemos aos imigrantes desarvorados como fazemos ao crude petrolífero em Sines (dito analogicamente, bem entendido). Recebemo-los em bruto, aos comboios, a custo zero, licenciamo-los em três tempos e às três pancadas, com as despesas académicas cobertas pelos fundos europeus (mais juros e comissões, que também somos gente e aprendemos com os melhores), e exportamo-los depois, como aos nacionais, a custo zero (mas sob compromisso legal de cá deixarem âncora familiar mínima e de para cá enviarem receitas fixas e sujeitas a actualização à taxa Euribor). Mas reparem, entretanto, meus amigos, na criação inaudita de emprego para professores, contínuos, formadores, reformadores, planta-estágios e comissários de praxe remunerados! Isto, registe-se, quanto a parte dos refugiados. Outros, menos cordatos ou mais ambiciosos, treinamo-los militarmente e exportamo-los, com mais valia e valência acrescentada, para o Médio-Oriente: Al-cagada, Exército Islâmico, Tarados Anónimos, Psicopatas do Islão, etc, pagam-nos a pronto, ou por remessa de crude (só temos que negociar primeiro o franchising com os Americanos/isrealitas, para evitar guerras comerciais desnecessárias). Uns terceiros, sem capacidade académica ou militar, caso não pretendam converter-se ao cristianismo, entregam-se ao cuidado e depósito das seitas protestantes (dos evangélicos pentecostais aos parangélicos tetrapostais, passando pela IURD e as Testemunhas de Sei Lá, mais  os videntes do candomblé e os Trico-Trapistas do heavy-metal), que fica tudo em família. 
u) O Estado cumpre a sua vocação mais íntima, visceral e rebarbativa, e monta portagens em todas as estradas, auto-estradas, ruelas, becos avenidas e escadinhas. Rodoviárias, pedonais e até ecológicas aos ciclistas urbanos. E mesmo os trilhos das montanhas, nos itinerários turísticos, estão à espera de quê para pô-los a render? Para tanta portagem, como é bom de ver, vamos desertificar o Médio-oriente (passe a perissologia)) e a África subsareana; e temo que mesmo o Bangladesh (fique lá isso onde fique)  não escape.
v) O rectângulo da nacinha tem 92.212 kilómetros quadrados (ou coisa que o valha, fora Olivença ocupada pelo Inimigo). Um refugiado adulto por kilómetro quadrado, numa casota de guarda-fogos (ao estilo daqueles saudosos guardas-passagem de nível do antanho), e teremos finalmente um dispositivo integral e perfeito de prevenção de Incêndio. O que não se poupa em helicópteros e aviões!... Mais gasolina e vidas humanas!...Já nem falando em florestas, casas e cultivos!.. Corrijo, tem que ser mais que um: pelo menos dois - um de dia e o outro de noite. Um casal, portanto. Ficam é sem muito tempo nem disponibilidade para a procriação, mas não se pode ter tudo.  Ah, lembrei-me agora: procriam no inverno, na época baixa dos fogos florestais. Abençoado país que até quatro estações tem!...
x) O Estado Português (mais risos) recebe-os na condição de subsidianos/financiados pela União Europeia e converte-os, por decreto, em depositantes do Novo Banco. A seguir vende o Novo Banco. E transfere  o encargo para a banca. A banca procede então ao genocídio lento, que passa por ajustamento orçamental, desalavancagem e estrangulamento benigno por força inefável de Mercado. Global, ainda para mais.. O único senão é o pedido futuro e garantido de reparação moral e traumática,  por parte de Israel, que, para efeito de indemnização, descobre logo laços súbitos (mas ancestrais) de parentesco semita com os executados. Chutzpah, chama-se o expediente legal. Está bem que compete à banca responder pelo empreendimento. Mas, a limite, já sabemos, sai do bolso ao contribuinte, vulgo otário.
z) Finalmente, uma questão pungente: as criancinhas órfãs, desirmanadas ou excedentárias... Organiza-se uma bolsa, segundo os melhores, mais lídimos e preclaros valores e critérios da nossa civilizacinha, cuja gestão e administração será entregue à ILGA. A adopção urgente por casais monótonos, digo monossexuais,  adicionada a uma carência mirmitónica (conferir lei da oferta e da procura, sff), exaure em menos de nada o stock disponível de infelizes. Excepto os pretinhos, naturalmente. Esses terão que ser processados em infantários rap hip-pop, até atingirem a idade de poderem passar ao centro de refinação militar.

E pronto. Julgo que não será por falta de ideias abnegadas que naufragará a nossa generosidade atávica num mar de burocracia inconsequente.

terça-feira, setembro 15, 2015

Bem vindos ... Ao Limbo.



Como é que uma Europa à beira da desintegração vai integrar quem quer que seja?

Bem, algumas ideias avulsas...

1. Os 25 milhões de desempregados europeus  - e o dobro ou triplo de precários, estagiários DLD  (De Longa Duração) e outras fantasmagorias urbanas - vão organizar quermesses de boas vindas aos recém-chegados de Nenhures...  ao limbo.

2.No nosso caso peculiar.... O Estado português (risos) não tem dinheiro suficiente para se auto-sustentar (e mesmo o regime frenético de extorção e confisco não lhe colmata o bandulho); como é que o Estado vai, então, sustentar estes milhares de arribação?
a) Os alemães, que nos impõem (ninguém duvide) quotas de migrantes, aumentam-nos a quotas da sardinha e do leite para podermos alimentá-los.
b) Os alemães permitem que nós nos endividemos mais, a título extraordinário, para podermos acudir à coisa - crédito a juros amigos e comissões bancárias ligeiramente mais baixas (é claro que as agências de Ratos nos degradarão novamente, mas isso é mesmo assim: aquilo não é a Santa Casa, fora o departamento de jogos).
c) Num universo de 1 milhão de gente atirada ao lixo, mais 5 ou mesmo 10 mil faz alguma diferença?
d) A marabunta instalada (de centrões alfa e beta) organiza mais um festim de assistência, formação, mais formação, estágio/formação, novamente formação, mais estágio e requalificação, onde consumirão 80% dos fundos de ajuda alemães, digo, comunitários, e estabelecerão, com grande alacridade, novas redes providenciais de segundos, terceiros e até quartos empregos para as clientelas partidárias.
e) Estimular-se-á a iniciativa privada, nomeadamente através da criação duma bolsa nacinhal de lares de acolhimento/aluguer: os bons samaritanos aos gritos poderão receber em sua casa famílias refugiadas, a troco claro está, dum bónus de integração, distribuido pelo Estado a partir da dotação comunitária e de vários fundos de investimento. Basta que se candidatem, os beneméritos; e coloquem a acção concreta onde geralmente apenas comprometem o cuspo. Excelente oportunidade para os betos e tios, de esquerda e direita (risos) deste país, adquirirem estagiários domésticos (a preço bastante abaixo do mercado) e ainda lucrarem uns cobres.
f) Distribuem-se pontes e viadutos pelos refugiados. Cada ponte ou viaduto terá a sua equipa, a qual cuja, a troco de abrigo e pernoita, velará pelo ajardinamento, patrulha e manutenção da infraestrutura. Pelo Kit Ponte/anexos e logradouro, a família refugiada poderá abrir uma linha de crédito com juros bonificados e auferir, temporariamente, de renda social.
g) Converter-se-ão as sucatas automóveis em parques de campismo para migrantes, que poderão habitar as carcaças enquanto a retoma económica não reclamar alimento para as siderurgias.
h) Devidamente enquadrados por baterias de psicólogos, vão colonizar as Selvagens.
i) De modo a que a sua integração possa ser material e efectiva, acedem directamente às universidades onde as Comissões de Praxe tratam da sua recepção, pastoreio e licenciatura. No fim desse animado processo,  aqueles que sobreviverem aos exames finais na praia do Meco (pela noitinha), estarão aptos para aceder às caixas dos hiper e micromercados, bem como aos incontáveis e miríficos estágios, para-estágios, meta-estágios, sobrestágios e demais esquemas de cripto-exploração catita.
j) Substituem-se os semáforos das grandes cidades por sírios com bandeirinhas. Estes controladores de tráfego rodoviário serão mantidos através dum sistema de gratificação voluntária pelos automobilistas;
l) Instalam-nos directamente na internet. Temos Trolles em abundância e uma escassez alarmante de pastores, tratadores e operadores de matadouro.

Outras ideias  em estudo e prospecção. Uma verdadeira brainstorm!...





domingo, setembro 13, 2015

A normalidade denunciada, ou a Máquina dos Chouriços




«Some of those CENTCOM analysts described the sizeable cadre of protesting analysts as a “revolt” by intelligence professionals who are paid to give their honest assessment, based on facts, and not to be influenced by national-level policy. The analysts have accused senior-level leaders, including the director of intelligence and his deputy in CENTCOM, of changing their analyses to be more in line with the Obama administration’s public contention that the fight against ISIS and al Qaeda is making progress. The analysts take a more pessimistic view about how military efforts to destroy the groups are going.»

Era Nietzsche que dizia  que "não há factos, apenas interpretações". Na realidade não é bem assim, a não ser, obviamente, para efeitos de propaganda. Ora, o que se passa é que os tipos da pesquisa/análise  (de Informação) procuram recolher e apurar os factos (com o maior índice de realidade possível). Depois, acima deles, o processo segue os seus trâmites: As interpretações ajustam-se e submetem-se às necessidades da propaganda (sendo que esta, de algum modo, procura cumprir uma estratégia). Não há nada de bizarro nem sequer peregrino no que os tais "analistas" denunciam. Ainda mais em se tratando do caso duma Super-potência. Os primeiros a saber isso deviam ser os tais "funcionários" da, como gostam de proclamar pomposamente os anglocoisos, Intelligence.
Então o que é que isto significa?
Notem bem: que categoria de "funcionários da Intelligence" são estes que desatam a denuncar a perfeita normalidade do expediente? É o mesmo que um tipo ser contratado para porteiro dum bordel (ou barman, ou segurança, ou arrumador de quartos) e depois insurgir-se, com grande escândalo, que aquelas meninas não são virgens nem mestrandas em lavores femininos..
Ocorrem-me várias explicações plausíveis para tamanha chouriçada. As mais complexas deixo-as à imaginação do leitor. Fico-me apenas por uma, das mais simples e prosaicas. E resume-se a uma dedução lógica (transbordantemente atestada pela realidade): Já repararam na qualidade e categoria das pessoas que chegam ao cargo de Presidente dos Estados Unidos (ou de presidente da República, 1º Ministro de Portugal, ou Comissário Europeu, etc, só para estender todo o critério ao mundo ocidental)?

Ora, ainda na primeira metade do século passado, H.L:Mencken já expunha o diagnóstico:
«À medida que a democracia é aperfeiçoada, o cargo de Presidente representa, cada vez mais, a alma íntima do povo. Num grande e glorioso dia destes, os vulgares tipos desta terra alcançarão finalmente o seu mais profundo anseio e a Casa Branca será então adornada com um completo retardado mental.»
Ninguém me convence do contrário: a mesma maquinaria avariada e merdificante que acabará -aliás, acabou - a segregar e alcandorar retardados mentais ao mais alto cargo dos Estados, pela mesma e fatal ordem de razões, acabará (e acabou) a preencher com perfeitas abóboras acéfalas a restante cascata de alvéolos na colmeia da função pública. Nos Estados Unidos como em Portugal, ou onde quer que a fábrica de enchidos funcione e derrame o produto das sua mediocratização gordurosa.

É por isso que eu acho imensa piada aos que passam a vida a chibar, julgar e condenar fulano e sicrano por corrupção (evidente, corriqueira e endémica, quase toda), ao mesmo tempo que gabam a virtude e a superlatividade civilizacional da máquina que os produz. Que o fulano e sicrano que tanto vituperam pertença geralmente ao bando de rufias rival é outro detalhe reiterado que, geralmente, exaure e avaliza, em absoluto, a virtude e a pureza do peticionário.

Pelo que, no geral, o diagnóstico de Mencken, tanto quanto lúcido em relação ao passado, foi profético em relação ao futuro. Não só da América como num mundo cada vez mais americanizado...

«Em democracia, um partido devota a maior parte das suas energias a tentar provar que o outro partido é impróprio para governar. O problema é que ambos são invariavelmente bem sucedidos nisso e estão ambos certos... Os Estados Unidos nunca geraram uma aristocracia desapegada ou uma inteligentzia realmente inteligente. A sua história é simplesmente um registo de vacilações entre dois gangues de fraudes.»







sábado, setembro 12, 2015

Que descaramento!...


Entretanto, os americanos estão entre surpreendidos e escandalizados. E se os americanos estão, a Nato também está, evidentemente. É que os Russos decidiram, ao que tudo indica,avançar para a Síria. Nem eles, nem os Iranianos parecem muito inclinados a deixar cair Assad (aquele tipo que era urgente afastar para fazer o frete a Israel). E também parecem decididos a estragar mesmo (entenda-se : a combater a sério) o tal Estado Islâmico. E a Al-cagada.
Tudo razões, como é bom de ver, capazes de deixar os americoisos (e a Nato, por osmose) à beira dum ataque de nervos, senão mesmo em vias de escalvarem a peruca de raiva.
Em primeiro lugar, porque os Russos, pasme-se, pretendem atacar o Estado Islâmico, a Al-Cagada e as várias chusmas terroristas, em vez de atacarem o governo da Síria. Mais uma demonstração inequívoca de como Putin não é um democrata e um puggessista.
E em segundo lugar, antecâmara do primeiro, porque os Russos não deixam cair o seu aliado. E isto é que, sobretudo, é chocante e inadmissível para os americanos: uma grande potência a permanecer fiel aos seus compromissos e leal para com os seus aliados. Mesmo nas horas difíceis. Mais anti-democrático que isto não há!...


PS: Cúmulo do despautério: os Russos apelam à cooperação dos americanos (e respectivas colónias europeias) na luta contra o terrorismo. Onde é que este mundo vai parar?...



quinta-feira, setembro 10, 2015

Descubra as diferenças

Na Húngria... 
O Muro da Vergonha, do protofascismo huno e do nacionalismo hediondo:


Em Israel...
O Muro da Virtude, da única Democracia do Médio Oriente (ou até, quiçá, da galáxia) e do sionismo santíssimo:




quarta-feira, setembro 09, 2015

Quem semeia, colhe


Um artigo de Pat Buchanan...

«Islam's Conquest of Europe»

O Geo-Carnaval (rep)

Recordo um postal de Março de 2011, aqui no estaminé. Iniciava-se então a "remoção" de Kadaffi, na Líbia, com o subsequente escancaramento do Norte de África ao terrorismo e às migrorreias desatadas.
Se repararem, os mesmos que clamavam então pela "democratização fast", grasnam agora pelas pernas abertas da Europa aos fluxos migratórios de arribação. E, como sempre, é geral e unânime: tanto à "esquerda disfarçada de esquerda" quanto à "esquerda travestida de direita". A Voz off manda e os papagaios cumprem.

...//...




Em Outubro de 2007, podia ler-se o seguinte:
«Uma juíza federal norte-americana impediu a transferência de um detido de Guantanamo para a Tunísia pela possibilidade de ele vir a ser torturado naquele país.»

Na altura, eu apontei uma série de explicações possíveis para tão insólito facto:
a) O mesmo arguido não pode ser torturado duas vezes - tendo já sido torturado pelos Estados Unidos, não pode ser torturado pela Tunísia;
b) Os Estados Unidos detêm a patente actual da tortura: ninguém pode torturar a não ser em regime deFranchising;
c) Só a tortura dos Estados Unidos e seus satélites é democrática e, por conseguinte, benigna, além de benemérita. Todas as outras são malvadas, abjectas e inadmissíveis;
d) A tortura, devidamente exercida, é terapêutica e melhora a saúde e a qualidade de vida dos paciente; ao contrário da tortura ilegal, contrária aos interesses da humanidade, que, tal qual sustenta a senhora juíza federal, pode causar "danos irreparáveis".
Entretanto, começam a pairar algumas suspeitas: afinal, Guantanamo é um campo de concentração para terroristas ou um local de treino e formação?... (Isto, para além do resort turístico que passa por ser, naturalmente).
Perguntem em qualquer Serviço de Informações internacional, que eles explicam-vos.

Passados mais de quatro anos, eis que irrompe novo géiser bizarro. Só que agora o assunto em causa não é a tortura, mas o bombardeamento. O bombardeamento aéreo de civis, mais propriamente. Toda a americanidade roncante que infesta o planeta, do presidente Obama aos liberdadeiros blogosféricos, passando pelos pseudo-governos europeus, está escandalizada, chocada e indignada com os bombardeamentos que Kadaphi tem ordenado contra os rebeldes líbios. Isto é, os muçulmanos estão a bombardear-se uns aos outros e isso parece que não é admissível. Que horror!, matar civis à bomba!... Crime de lesa-humanidade? Não, muito pior: crime de lesa privilégio: todos sabemos que matar civis muçulmanos à bomba é uma prerrogativa exclusiva dos norte-americanos e do seu mini-me, vulgo estado de Israel. Quem julga o Kadaphi que é? Caso para dizer: Mais ciumentos e zelosos que os deuses, só mesmo os semi-deuses.
Convenhamos, há nisto qualquer coisa de verdadeiramente anedótico. O nível de desossificação moral de toda estas coisas vagamente semelhantes a pessoas atinge já as raias do inverosímil.
Reparem: são os mesmos que, salvo raríssimas excepções, nos têm vindo a endoutrinar, obsessivamente, de que o "único muçulmano bom é o muçulmanos morto", de preferência à bomba, granada ou míssil intelectual, que agora, subitamente, num flique-flaque vertiginoso, descobrem que há muçulmanos bons, jovens, e ardentemente sequiosos de democracia. Aos molhos! Muçulmanos benignos e amigos do ambiente - mais: muçulmanos instruídos e informatizados, que twitam e faceboquejam! - que urge preservar das bombas dos muçulmanos pérfidos, retrógrados e anti-democráticos. De que modo? Bombardeando imediatamente os maus. Tão simples quanto isso.
Este certificado de bondade à pressão integra-se no regime de alucinação colectiva e fantasia permanente que avassala o bacoco semi-letrado ocidental: acredita, tão toina e piamente, que vive numa democracia, como acredita que os outros, da Patagónia ao Bornéu, logo que se convertam ao mesmo carnaval, passam a desfilar tão livres, abastecidos e chilreantes quanto ele. Mas o mais interessante na beleza do raciocínio até nem é isso. O mais interessante e engraçado é como entende que compete àqueles que o oprimem andar por esse mundo fora a libertar os outros. Como assim? Bem, ao contrário desses outros povos oprimidos por esse mundo fora (sob autocracias, tiranias e desdemocracias variadas), que conseguem identificar e fulanizar os autores da sua desgraça, nós por cá, no ocidente supimpa, vemo-nos oprimidos por entidades tão inefáveis quanto diáfonas e crípticas - a mais impiedosa e principal das quais, pelas contas recentes, respondendo pelo nobríssimo título de Défice. Isto é, os nossos liberais da treta, que consideram que os estados não devem desperdiçar dinheiro com hospitais, nem escolas, nem quaisquer infraestruturas de interesse público, entendem que as mesmíssimas entidades devem, em contrapartida, torrar dinheiro às pázadas em porta-aviões, frotas, esquadras e batalhões, para correrem à democratização global XPTO. Nisto, para variar, já não é o Santo Mercado que automaticamente determina e impera. Não; é o cacete supersónico, escavador de reportagens e Défices. Mas quanto custa um porta-aviões/dia, ó pombinhas de rapina? Quem paga? Em primeiro lugar o otário contribuinte americano. Depois, o otário contribuinte europeu, que é quem, no fim de contas, acaba por pagar sempre os serviços globais do cabo de esquadra planetário. Ou aqueles que acreditam tão solenemente que não há almoços grátis, crêem, em simplório tandem, que há intervenções puramente beneméritas e gratuitas? Ou que a cowboiada global não sai do bolso ao pagante se plantão? O caso é que, tudo somado, resulta em qualquer coisa como o escravo do crédito e do défice ocidental, no fundo, a sacrificar-se, penando as cangas do fisco e da burocracia, para que os povos oprimidos do mundo sejam resgatados e emancipados das suas grilhetas geo-históricas. É extremamente reconfortante saber isto... Que a nossa masmorra acende a liberdade na Cochinchina e nas Áfricas. Assim como antigamente escravizávamos esses digníssimos povos de modo e termos, nós, mais folguedos, agora lançamo-nos, ávida e generosamente, na servidão mais frenética, lorpa e compulsiva para que eles vivam melhor. Abdicamos da nossa liberdade em prol da libertação deles. Ah, virtude angélica do caraças! Sempre dá um certo sentido ao absurdo em que mergulhámos e vegetamos à espera da sepultura final. E seria a mais maravilhosa e virtuosa das caridades se, ao menos, fosse consciente e voluntária.
É claro que o facto disto lembrar cada vez a mais a antiga União Soviética, onde as massas se submetiam à servidão mais completa por amor forçado às mordomias duma nomenklatura olímpica, às engrenagens duma burocracia atroz e à voracidade dum aparato bélico mundial, tão folclórico quão libertador, não passa de mera e casta coincidência. Uma coincidência só superada por uma outra ainda mais gritante, mas não menos imaculada: o de estas chusmas liberdadeiras da Internacional Democrática desempenharem o sucedâneo completo, o upgrade venéreo das hordas marxistas-leninistas-maoistas do passado.
Entretanto, de mãos dadas com o obtuso, passeia o óbvio. Servindo de contrapeso à liberdadeirite eufórica, zumbe, soturna e austera, a liberdadeirite céptica. Vários marranos de eleição, imitação, adesão ou simplesmente de serviço, recusam o embarque fácil na romaria dos benevolentes. Dificilmente escondem o escândalo, tanto quanto o mal-estar com a peregrina hipótese. Afinal, a democracia no norte de África e Médio Oriente é patente exclusiva do pequenino estado mini-americano, quistozinho seboso e benigno no meio de toda aquela vasta metástase terrorista (em acto ou potência). Se porventura (o diabo seja surdo!), por alguma excentricidade inopinada e milagreira do chifrudo, algum daqueles vespeiros desata a ser democrático, lá se vai a exclusividade rutilante dos eleitos! Ora, isso é ainda mais inadmissível do que os civis muçulmanos serem bombardeados por outras que não as bombas inteligentes, beneméritas e democratas!...
Além disso, há um detalhe fatídico que está a escapar grosseiramente aos eufóricos, induzindo-os num erro que raia o hipercrime cumulativo de deicídio e lesa-império: todos aqueles muçulmanos aos saltos, sejam eles (segundo a nova tabela períodica dos elementos) benignos ou malignos, todos eles, sem excepção, - persignemo-nos, compadres! - execram e detestam Israel. Ora, como podem ser democráticos, se abominam a essência mais sublime e transcendente da democracia, o âmago mais refinado, rococó e filigranático da liberdade e do bem-estar da civilização ocidental? Logo, democratas, uma ova! De toda aquela fermentação, ninguém duvide, vai germinar um belo caos convenientemente tripulado pelo fundamentalismo islâmico. Fenómeno, esse, que uma intervenção dos emissários do otário contribuinte ocidental apenas agilizará. A ideia, de resto, é mesmo essa: urge lá ir destruir todo e qualquer resquício da velha ordem, mas, compete, sobretudo, neutralizar os arsenais remanescentes. Por detrás de toda a agitação, o objectivo real não é tanto resgatar tão infecundos povos para a democracia, mas mergulhá-los, isso sim, a eito e definitivo, no fundamentalismo. Para efeito da contínua (e altamente lucrativa) saga epopeica da luta contra os gambozinos, convém aquilo transformado em vespeiro desarvorado, berçário duma nova e revitaminada ameaça, mas desdentado o suficiente para não constituir qualquer efectivo perigo. Especialmente, para a única democracia do Médio-oriente e, se formos a ver bem, de todo o Universo.


PS: É mau para a Europa? Será péssimo - para nós, então, que andávamos por lá a fazer pela vida, será horrível, a juntar à catástrofe. Mas será óptimo para os Americanos, para os mini-americanos, para os Russos, para os Turcos e até para o José Eduardo dos Santos. Afinal, a Líbia até competia com ele no Golfo da Guiné. E os Europeus, que trocaram as bolsas naturais pela Bolsa artificial, só têm aquilo que merecem.

terça-feira, setembro 08, 2015

Primavera ou Outono na Moldávia?



Onde raio fica a Moldávia, perguntará a leitor arguto. Mais misterioso ainda: onde raio na Moldávia fica a Transnistria?
Bem , trata-se dum enclave entre a Roménia e Ucrânia, a primeira; e dum enclave a leste desta, a segunda. Como, de resto, podem conferir no mapa que tive a amabilidade de adiantar.
Acontece que romperam magnos protestos na praça principal lá do sítio. Déjà vu noutras vizinhanças. E porque protestam eles? Porque desapareceram mil milhões do sistema financeiro lá do sítio (para um pequeno e pobre país daqueles, uma pipa de massa - 1/8 do produto interno bruto). Aqui explicam melhor:
«Massive Protest Held in Moldova Over $1 Billion That Mysteriously Vanished»

Acontece também que na tal Transnistra, um enclave dentro do enclave, estão tropas russas, uma pilha imensa de material bélico e uma população pouco sensível aos encantos da EURRSS.
Como é fácil de constatar, há aqui material suficiente para um filme do estilo Ucrânia/Crimeia e coisas assim. Aguardemos. Mas não é isso que aqui me traz. Trata-se apenas de um detalhe mais prosaico e, há que reconhecer, bastante mais pitoresco. Resumindo numa pergunta: Para onde foi o busílis da questão, isto é, a massa? (registaram aquele referência às "oligarquias" lá do sítio?...)
Pois parece que foi para os bolsos do costume (a notícia acima omite, mas rapidamente se chega lá, com os cumprimentos do Times of Israel...)

«Israeli-born businessman at the center of a suspected embezzlement scam that spirited $1 billion from Moldovan banks was set to appear in court on Monday as growing outrage raised fears of backlash against local Jews.Ilan Shor, 28, has been under house arrest for a week and was expected to show up for a court hearing in the capital, Kishinev.The businessman, who was born in Tel Aviv but moved to the Eastern European country with his family when he still a toddler, was accused of embezzling the funds through a group of companies that took over three local banks.The Unibank, Banca Sociala, and Banca de Economii then allegedly gave him collateral free loans on the money that amounts to about one eighth of the impoverished country’s gross domestic product.As the money was moved offshore, the banks were brought to the brink of insolvency.»

Não é um gajo querer entrar em estereotipos. Mas se os estereotipos estão sempre a acontecer, e sempre da mesma forma, cumprindo um esquema mais obsessivo e rotineiro do que a chuva em clima temperado marítimo, é caso para um gajo, no mínimo, entrar em estado de cepticismo crónico. Convenhamos, para que nós, os gajos, não desatemos a pensá-los, aos tais estereotipos, não seria da mais elementar conveniência e módico decoro, os coisinhos deixarem de praticá-los tão despudorada e freneticamente?
Entretanto, a comunidade judaica lá do sítio, diz ela, está preocupada. Com os estereotipos. A população sabe que o tal é um eminente judeu e está furiosa com o mega-desfalque. Resta saber o que é que a "comunidade judaica" tem feito para desautorizar esses estereotipos, nomeadamente não corporizando em massa as tais oligarquias cleptocratas tão frequentes nestas "novas-democracias" à pressão.
Outro estereotipo notório e recorrente é o alarido do "ai o anti-semitismo!"...  Da parte das vítimas, a coisa traduz-se mais por "ai os gatunos!..." 
Finalmente, outro estereotipo mimoso: o Ilan Shor fez fortuna com esquemas de contrabando e tratou de comprar logo duas estações de televisão. Isso e tripular administrações bancárias.
Caramba,  podiam variar um bocadinho de vez em quando. Ainda acabamos a suspeitar de tortuoso estratagema... para fazer esfarinhar  o escândalo sob o peso esmagador do tédio.

The gangster way

Em Novembro de 1963, o Presidente do Vietnam do Sul, Ngo Dinh Diem, juntamente com o seu irmão e conselheiro principal, tombam assassinados, no decurso dum golpe de estado patrocinado pelos americanos. Católico e anti-comunista, Diem era o principal aliado americano na zona. No final do mesmo mês, o próprio presidente americano, John Kennedy é também assassinado a tiro em Dallas. Anos adiante, em 1968, chegou a vez de Robert Kennedy socumbir às balas dum assassino. Terá sido no rescaldo disso que, segundo conta Franco Nogueira, a viúva de Diem exprimiu  a respeito de Jacqueline Kennedy o seguinte comentário: "Agora já sabe qual é a dor de perder um marido e um cunhado assassinados." 


«Por outro lado, um americano de alto nível (Salazar não me disse quem) teria afirmado ser necessário modificar a situação interna portuguesa, na metrópole. "Mas não o conseguirão", diz o chefe do governo com ênfase, "mas temos de ter cuidado porque são brutais"»
- Franco Nogueira, in "Um Político Confessa-se" (em 06 de Maio de 1965)

PS: Em Março de 1961, no norte do território ultramarino de um dos aliados dos Estados Unidos, turbas de "manifestantes pró-democracia", patrocinadas, armadas, treinadas e instigadas por agentes americanos (os "primaveris" da época), sob a sigla UPA, encetaram - em geral, à catanada - massacres, metódicos e indiscriminados, de vários milhares de portugueses, não apenas de origem europeia, mas, em número ainda maior, de etnia africana. 

domingo, setembro 06, 2015

O Efeito de Tocqueville

«Mencionei um dia ao Xá o nome daqueles que, nos Estados Unidos,, estavam encarregados de tratar da sua saída e da sua substituição.
Estive até presente numa reunião em que um dos assuntos aprecisados foi: "Como é que vamos actuar para obrigar o Xá a partir e por quem o vamos substituir?"
O Xá não me quis acreditar. Disse-me:"Acredito em tudo o que me diz, menos nesse ponto. ~Mas Alteza, porque é que não me acredita também quanto a esse ponto? - Porque seria tão estúpido substituir-me! Eu sou o melhor defendor do Ocidente nesta região do mundo. Possuo o melhor exército. Sou eu quem detém o maior Poder." Acrescentou: "Seria tão absurdo que não posso acreditar!" Após algum silêncio em que reflecti sobre o que lhe ia responder, disse-lhe: "E se os americanos estão enganados?"
Foi o que se passou. Os americanos tomaram a sua decidão. Como sempre, tinham uma visão do país correspondente à dos iranianos com quem conviviam: os que saíam de Harvard, de Stanford ou da Sorbonne e que representavam menos de um por cento da população. (...)
A percepção ocidental do regime do Xá passava com demasiada frequência pelo espelho deformado da S.A.V.A.K, que, para muitos, era uma espécie de super-Gestapo mais a KGB, multiplicado por dez! - o que era falso. A prova foi a sua incapacidade de prever os acontecimentos e, depois, de os enfrentar.»
-  A. Marenches, in "No Segredo dos Deuses"

Existe um visível paralelismo entre a queda do regime do Xá da Pérsia e a do Estado Novo. O mesmo enquadramento que Marenches refere a propósito da Pérsia podia ser dito a respeito de Portugal. A começar pelo "redutio ad oppressio" . O Xá é reduzido à SAVAK, o Estado Novo é reduzido à PIDE/DGS. Depois realça o facto de não serem, ambos, regimes anti-ocidentais, comunistas, ou similares. Bem pelo contrário, são regimes pró-ocidentais, anti-comunistas, claramente aliados da Europa e dos americanos. Todavia, são regimes que não praticam o "credo democrático".   E esse devém o pretexto da ordem para accionar a "primavera". O resultado desta na Pérsia, como em Portugal, como em todos os outros locais onde tem desarvorado, é o caos. E logo a seguir a ascensão ao Poder de forças fundamentalistas, sejam da religião muçulmana ou comunista. Ainda recentemente, no Egipto, outro aliado americano, o presidente Mubarak, foi tratado segundo os mesmos preceitos. A subsequente elevação da Irmandade Islâmica ao Poder reproduz fielmente tanto o caso Persa quanto o Português. 
Ora, é patente que estamos perante uma linha de fenómenos equivalentes. A diferença entre eles não reside nem na metodologia nem na ordem da causa/efeito mas, simplesmente, na panóplia de meios empregues (que vai aumentando consoante o tempo e as evoluções tecnológicas). Na Lisboa de 74, como na Teerão de 79 a internet ainda não actuava. A CIA ainda não estava tão consideravelmente reforçada por NEDs , OSFs e propagadores da peste quejandos. Mas é significativo que, numa primeira fase, quer Lisboa, quer Teerão são induzidos e pressionados a "aberturas". Ao mesmo tempo, os "pressionadores democratas"  investem dólares às camionetes em liberais, dissidentes e, sobretudo, na minagem do exército). Depois, o curso lógico e a dinâmica dos acontecimentos, isto é, da epidemia, sobrepõe-se.
Paul Veyne explica o bizarro fenómeno  nos seguintes termos:
«A elastecidade natural, ou vontade de poder, explica um paradoxo conhecido pelo nome de efeito de Tocqueville: as revoluções rebentam quando um regime opressor começa a liberalizar-se. De facto, as sublevações não são semelhantes a uma marmita que, à força de ferver, faz saltar a tampa; é, pelo contrário, um ligeiro levantamento da tampa, devido a qualquer causa estranha, que faz a marmita entrar em ebulição, o que acaba por derrubar a tampa.»(in "Acreditavam os Gregos nos seus Mitos")
Inúmeras e recorrentes réplicas depois, qual é ainda a dificuldade em perceber a "primavera Portuguesa" de Abril de 1974?

Não fez Marcello como o Xá da Pérsia - não tentaram ambos liberalizar e suavizar o regime (não porque isso obedecesse a uma qualquer premência natural interna, mas por cedência a causas estranhas, como seja a insídia velhaca e premeditada de supostos aliados, tanto por indução/ameaça directa, como por manobra indirecta, sob a máscara da "Comunidade Internacional"?... O que mais não ocasionou senão o descontrolo do surto interno na tentativa ingénua (e suicida) de aplacar o externo.

O "efeito de Tocqueville" tem sido uma constante nas actuais revoluções/sublevações confeccionadas pelas bestas do costume. O movimento é duplo: por um lado aumenta-se a temperatura dentro da marmita; por outro, engoda-se a tampa para que se se levante ligeiramente. A partir do momento que o regime cede à "liberalização" já sabemos qual vai ser o resultado final. Mesmo na Paris de 1789, ou na Moscovo de 1917, foi assim. O que acontece agora é que o efeito é, externa e artificialmente, provocado e empolado. Como, em parte, nessas outras datas também o foi.  

Caos Inc


Entretanto, a Coisa Soros semelha cada vez mais um daqueles super-vilões típicos dos filmes de James Bond. Em certo sentido, personifica o super-ultra-indivíduo liberal que se opõe a toda e qualquer espécie de ordem. O ego descomunal à revelia do mundo. E tanto assim é, que não é apenas fora dos Estados Unidos que a besta actua. Leiam e pasmem:
«George Soros funds Ferguson protests, hopes to spur civil action»

Pois, parece que também investe à grande nos tumultos raciais americanos.

Ora,  se pensarmos que a monarquia e a tradição ocidental sempre buscou em Deus o fundamento e a legitimação, é altura de reconhecer que o seu avesso ou antítese, tão exemplarmente representado neste palhadino da Democracia, remete para o seu inverso. Afinal, há séculos que o Empresário-Mor, paradigma, inspiração e bonecreiro de todos estes super-ultra-liberais, porfia e labuta, incansável e buliçoso, contra toda e qualquer Ordem de todo e qualquer Reino. O termo Democracia está judiciosamente aplicado ao empreendimento. Só que o prefixo não significa "povo".

sexta-feira, setembro 04, 2015

Por detrás das "Primaveras" - 2. OSF




Open Society Foundations

-  Desagregação e desintegração à escala global. O caos como operação "filantrópica". Soros, The Thing...

Por detrás das "primaveras" - 1. O novo Comintern

NED - National Endowment for Democracy
(Supporting Freedom arround the world)

Chamam-lhe "a versão globalista do Comintern", em modo bastante mais subversivo que a original. Pudera, com acesso a papel-moeda sem limites...

quinta-feira, setembro 03, 2015

Outros miradouros




«Is a Lack of Water to Blame for the Conflict in Syria?»
A 2006 drought pushed Syrian farmers to migrate to urban centers, setting the stage for massive uprisings...

Bem, a seca, decerto, há-de ter ressequido a palha. Que facilitou o trabalho aos incendiários... 

Entretanto, os Turcos açambarcaram a água, suportaram o Exército islãmico (é público e notório) e agora despacham migrantes às carradas para a Europa. E aquilo é uma democracia  puro malte, não é? Com a outra a sul, já faz duas. 

Mais rebates H2O aqui: 


«Water scarcity drives conflict in Middle East, and it’s worsening: study»


E no Midle East Forum, site essencialmente sionista, coordenado pelo afamado Daniel Pipes, pode ler-se::


Em resumo, petróleo com abundância, gente a mais e água a menos. As manadas que vão beber à Europa (se alguns se afogam no mediterrãneo é estrita ironia do destino); a água para os democratas; e o petróleo para a Democracia em Si (ou por antonomásia).

Pois, e quanto ao Líbano, esse "único país abençoado com reservas substanciais de água fresca", não temam: está já na calha. Para a "democratização a martelo"...



terça-feira, setembro 01, 2015

Partidofagias e contos do vigário



Mas alguma vez os partidos, em Portugal, se guiaram coisa que se visse por ideologia, doutrina, receita (culinária, que fosse), programa de partido ou sequer de governo? Mal se apanham no poleiro, passam por isso tudo com o maior desembaraço, velocidade e amnésia súbita. Mesmo os comunistas (dos vários credos e alambiques) quando, no pós-25 de Abril, se entretiveram a desmantelar a nação à boleia da peregrinice zoina dos moderados (como já tinha sido em Outubro de 1917, na Rússia), mesmo esses, nunca deixaram, no essencial, de acautelar a vidinha e o futuro sem sobressaltos na "democracia burguesa" pós-Novembro. Nos restantes quarenta anos, os partidos têm sido nada mais que agências de emprego, feiras de contactos e influências, trampolins sociais e trambicódromos para safardanas, sicofantas e arranjistas das mais diversas estirpes, cores e proveniências. E quanto mais instalados ou com acesso ao Poder, pior. A não ser no folclore da treta, não há socialistas nem não socialistas, sociais-democratas ou populares, esquerdistas ou direitistas, conservadores ou liberais: é tudo devoristas, trepadoristas  e empalmadores. A máquina partidária encarrega-se de produzir, em regra, enchidos desses. Mesmo indivíduos honestos e genuinamente bem intencionados que, por algum milagre da santa, escapassem à filtragem interna, acabariam rapidamente submersos e varridos pela marabunta infestante.
Fora tudo isso, as úinicas agendas que cumprem vêm de fora e fazem parte do kit/alvará comercial. Ou do estojo de emergência, por dictatum ainda e sempre externo. Resume-se o fenómeno inteiro num aforismo simples: sacrifica-se o pagode para salvação dos eleitos.

Os partidos são o cancro. Está provado e servido, à náusea e à exaustão, desde a cegada de 1820. E também já vimos a cura, pelo que não requer descobertas da pólvora ou da roda dentada. Não há metásteses boas nem metásteses más: há metásteses que se tornam particularmente nefastas e malfazejas logo que abocanham o Poder. A diferença no malefício é directamente proporcional à quantidade de poder nas unhas da quadrilha e à duração da mamada. A dinâmica da mediocridade, da chicana, da safadeza e da filha-da-putice que reina no interior das cloacas partidárias (dos quais o modelo universal e perpétuo é o do próprio Partido Comunista - cada Secretário-geral converte-se num tótem tribal a prazo, e, uma vez no Poder, degenera num Kim-Kong-ill à solta, a arder em frémitos de eternidade) alastra ao país e instaura a dispersão, o oportunismo, a velhacagem e a zaragata permanente. Acangotada na Administração Pública, naum cascata de alvéolos, casulos e bolsas marsupiais, esmera-se, afana-se e desunha-se, a um ritmo cada vez mais frenético, em extorquir e brutalizar, sem dó nem piedade (e toda a burrocracia de que é capaz), o contribuinte e o desamparado em geral.  Desamparado, entenda-se como todo aquele que não pertence ou é patrocinado por qualquer uma das camarilhas em exercício: dos partidos à maçonaria,  das Ordens às Opus, dos Clubes  às seitas (excepto naquele caso emblemático em que o clube e a seita se confundem), passando por todas as mancebias e manjedouras a jusante, cujo elenco me dispenso de explicitar por economia de espaço e nojo. O certo é que é toda uma escumalha - que não vale a ponta dum corno nem serve para nada de útil à nação - a armar ao importante, ao fino e, sobretudo, ao caro. Mainates que se fazem pagar como arquiduques.

Os partidos, entretanto, foram todos socialistas no pós-25 de Abril; foram todos democráticos no pós-25 de Novembro; e serão todos o que for preciso para garantir o estipêndio dos seus comensais (devidamente hierarquizados à boa moda feudal, pois claro, que isto da democracia é só mesmo para inglês ver e otário aplaudir). Acreditar na reforma deste esquema, ou, ainda pior, na sua cura milagrosa, é o mesmo que acreditar na redistribuição da riqueza. Os mesmos que não impedem os ladrões de roubar e, ainda por cima, os ajudam a sacar a seu bel-prazer, apregoam  depois projectar persuadi-los a devolver o que quer que seja? Os mesmos que facilitam são depois os mesmos que moralizam? No menos mau dos casos, é o mesmo que pretender educar um filho na idade adulta, depois de deixá-lo adquirir todos os vícios, taras e más tendências. Uma nódoa, parafraseando o Eça, não se reforma: remove-se.
Mas pior ainda é tentar camuflar o surro duns debaixo do tapete do lixo dos outros. Quem o faz não o realiza por amor genuíno à higiene, mas por  frete escuso ou interesse escaninho numa das imundícies. Repito: Não é devoção à limpeza: é propaganda eleitoral. E das rascas.
Ou então não, dir-me-ão as almas mais caridosas; que é mero fruto da ingenuidade, de boa fé, com boa intenção. Pois, contra bem intencionados desses já fiquei eu  vacinado (e pena não ter também ficado o país) no 25 de Abril. Já sei qual vai ser o resultado da "boa intenção"... Que, diz o provérbio, povoa os infernos.

PS: consta que as "câmaras corporativas"  rosas e laranjas que infestam a blogosfera (quem a viu e quem a vê!...) são, em larga percentagem, tripuladas por funcionários públicos. Faz todo o sentido. Em pleno mundo às avessas, numa sociedade em putrefacção acelerada, o parasita ascende a guardião da moral pública. .


domingo, agosto 30, 2015

Carambolas óbvias



E, paulatinamente, nos telejornais aos domicílio o enfoque nos resultados das democratizações à pressão em redor da Europa (e inerentes carnificinas em série de Exércitos Islâmicos, Al-Cagadas e outros franchisings amerosaudossioníssimos) é mínimo, e o enfoque nos desconfortos vários que os refugiados padecem na sua invasão da Europa, sobretudo por latitudes da Húngria (essa recaída abominável em anacronismos desdemocráticos e nacionalistas, passe o pleonasmo) é máximo. Uma catástrofe humanitária e genocídio inaceitável, não tarda nada. As desumanidades dos húngaros equiparam-se, agravam e culminam as do horrendo ditador da Síria, ignóbil causador de toda esta maçada. Subsidiado e instigado pelos russos, é preciso nunca esquecer.
Por este andar, os americanos em vez de bombardearam, a conta-gotas e sonolentos, as putativas posições do ISIL, acabam a bombardear, com todo o gosto e o amparo histérico da Nato, os fascistas da Húngria. Isto se uma revolução colorida ad-hoc não se lhes antecipar. As novas Bósnias, Kosovos e  islamo-albânias são onde um homem quiser. E já repararam na exotíssima língua que estas vagas de migrantes utilizam para as suas reinvindicações televisivas?... Espontaneidade é assim. 

sexta-feira, agosto 28, 2015

Imagens em nu integral do Apocapitalipsismo

Tenho que agradecer à sempre impagável (e, por conseguinte, insubornável) leitora Marina o conhecimento destas maravilhas. São imagens duma eloquência e actualidade  avassaladoras. O autor - um gentleman que responde pela graça de Steve Cutts - merece destaque e visita atenta. Aqui deixo duas ou três das minhas preferidas...





Filhos da Tábua Rasa

Eu depois explico melhor, - isto é, mais tecnicamente e à bordoada. Mas, para já, fica a apresentação por um inglês insuspeito de qualquer heresia anti-democrática. Um daqueles que tão bem decoram o hall de entrada da "sociedade aberta".

«O pai era puritano e lutou no Parlamento. No tempo de Cromwell, quando Locke estava em Oxford, a Universidade era ainda escolástica em filosofia. (...)
Foi o mais feliz dos filósofos. Completou a obra de filosofia teórica justamente quando o governo do seu país caía na mão de homens que partilhavam das suas opiniões políticas. Na prática e em teoria, as ideias que advogava foram por muitos anos defendidas pelos políticos e filósofos mais vigorosos e influentes. As suas doutrinas políticas, com os desenvolvimentos de Montesquieu, foram insertas na Constituição americana, e podem reconhecer-se sempre que há uma disputa entre o presidente e o Congresso. A Constituição britânica baseava-se nas suas doutrinas até há cerca de cinquenta anos, assim como a francesa de 1871.
Deveu-se a Voltaire a sua imensa influência em França no século XVIII. Voltaire, que em novo passara algum tempo na Inglaterra, interpretou as ideias inglesas aos seus compatriotas nas Lettres Philosophiques. (...)
Os herdeiros de Locke são: primeiro, Berkeley e Hume; segundo, os philosophes franceses que não pertencem à escola de Rousseau; terceiro, Bentham e os radicais filosóficos; quarto, com acrescentos importantes da filosofia continental, Marx e seus discípulos. (...)
«No tempo de Locke os seus maiores contraditores filosóficos eram os cartesianos e Leibnitz. Ilogicamente, a vitória da filosofia de Locke em França e Inglaterra deveu-se em grande parte ao prestígio de Newton. A autoridade de Descartes como filósofo foi acrescida mesmo no seu tempo pela sua obra matemática e de filosofia natural. Mas a sua teoria dos vórtices era claramente inferior à lei da gravitação de Newton como explicação do sistema solar. A vitória da cosmogonia newtoniana enfraqueceu o respeito por Descartes e aumentou o respeito pela Inglaterra. Ambas as causas favoreciam Locke. Na França setecentista, onde os intelectuais estavam revoltados contra o despotismo estéril, corrupto e antiquado, a Inglaterra era considerada pátria da liberdade, predispondo-os em favor da filosofia de Locke pela sua doutrina política. Nos últimos tempos antes da Revolução a influência de Locke foi reforçada pela de Hume, que viveu algum tempo em França e conheceu pessoalmente muitos dos savants orientadores.
Necessidade do Ateísmo, de Shelley, que o fez ser expulso de Oxford, está cheia da influência de Locke.»
- Bertrand Russell, in "História da Filosofia Ocidental"
Chamo a atenção que o Russell se encontra nos antípodas das minhas simpatias filosóficas. Mas para falar da seita, nada melhor que um membro efectivo. E neste caso o cavalheiro limita-se a descrever o óbvio ululante. Além disso,  estas coisas quando proferidas por um anglocoiso ganham logo um valor acrescentado, toda uma mais valia... Mas é verdade,  nasceram da mesma punheta: os comunas da treta e os democratas do cuspo. E o litígio é mera rixa entre irmãos... Por causa da herança.

quarta-feira, agosto 26, 2015

Os servos da Bolha

Aqui há uns anos, os deslumbradinhos e parafílíticos de plantão atiravam olhares embevecidos à Irlanda e apontavam aí toda a montanha de virtudes  económicas que nos faltavam. Em menos de nada, porém, a Irlanda que ia à frente passou para trás e ei-la na mendicidade financeira. Um pouco antes tinham sido os "tigres asiáticos". Dum momento para o outro, transformaram-se em gatos assustados esgaravatando em caixotes de beco sem saída. Desmesurou-se então no nano-horizonte destas abéculas, zénite nec plus ultra da globalização, altar vivo à glória do capitalismo milagreiro, a China. A China é que era. Crescia a olhos vistos e a ritmos vertiginosos. Produzia, exportava, alistava hordas de operários perfeitos, alastrava pelo mundo, da áfrica à semi-áfrica (Portugal e ilhas), pechinchando empresas e açambarcando negócios. Pois parece que, subitamente, a assombrosa China entrou em não menos assombroso colapso. Os estampidos de manadas na bolsa multiplicam-se; pelos quatro cantos do planeta, os conquistadores de ontem amanhecem saldosos e liquidatários.
Uma coisa que sabemos de ciência segura nos tais "mercados" é que são tudo menos livres e espontâneos. E coisa mais simples do que desencadear o pânico e a balbúrdia entre a parvoíce convulsiva e atávica dos investidores (em especial nos de arribação) não deve haver. Simples e rotineira, diga-se.
Há quem teime, por estupidez idólatra, em fazer do capitalismo uma ideologia, ou, por estupidez fóbica, um sistema. De seu real e concreto nada tem disso. Bem pelo contrário. E aí reside, em boa parte,  a sua força. E o que se tem verificado, tretas e propagandas à parte, é que anda pelo mundo não exactamente a criar paraísos, mas bolhas.
A fantasia dura até que a bolha rebenta.


PS: A economia de mercado, sem uma higiene básica de nacionalismo, não é remédio: é veneno. Vou só ali acender mais uma vela ao Oliveira Salazar.

segunda-feira, agosto 24, 2015

O Apocapitalipsismo


Há um paralelismo muito interessante de fazer. Entre os movimentos migratórios do colonialismo/imperialismo europeu (nos finais do século XIX) e o actual neocolonialismo/imperialismo esquisito (chamemos-lhe assim, por caridade).
No postal anterior, Cecil Rhodes definia a coisa, há pouco mais de cem anos, como um movimento de descompressão das tensões sociais inerentes ao capitalismo na Grã-Bretanha (e como o preceito foi rapidamente emulado por franceses, alemães, belgas, etc, podemos até dizer na Europa). Assim, europeus excedentários adquiriam espaço e oportunidade noutros continentes (sobretudo África e Ásia). 
Ora, pelo que vamos assistindo em catadupa diária nos telejornais, hoje, o processo é completamente ao contrário: numa Europa onde se vão acumulando tensões inerentes ao neocapitalismo (crise, desemprego, aculturação, anomia, amnésia, desagregação familiar, deslocalização produtiva, precarização, especulação financeira desenfreada, e o que mais queiram), não só os europeus crescentemente "excedentários" estão encafuados num curral cada vez mais burocratizado como suportam uma invasão de árabes e africanos em avalanche.
Entretanto, os governantes europeus ("governantes" é para rir, claro), em vez de tomarem medidas sérias e consequentes para acudir às tensões internas e aos exércitos de aflitos europeus, entretêm-se, na companhia, sempre benemérita e geo-altruísta, dos americanos, a instalar balbúrdias e carnificinas caóticas nos países em redor da Europa, promovendo exércitos de hiper-aflitos exógenos que depois afluem para reforçar a aflição europeia. Não é difícil de antever, a breve prazo, o resultado disto.
Decerto o óbvio não requer desenho a lápis: no meio das hordas afro-muçulmanas da hora presente,  por entre genuínos desgraçados e coitados avulsos, infiltram-se já terroristas aos molhos e a futura fonte de recrutamento, agitação e conflito social. Em sociedades onde se avolumam os exércitos de destituídos e ostracizados, a chegada de turbas alógenas em debandada serve para quê? Para os estados que não querem saber dos seus brincarem à caridadezinha com os outros? E depois toda esta gente, sem emprego nem perspectiva, vai sobreviver como? A expensas do otário europeu, vulgo contribuinte, ou a expensas próprias via criminalidade de recurso?
Em suma, os líderes europeus do antanho podiam ser acusados de terem em fraca consideração os povos afro-asiáticos (na altura ainda não tinha sido inventado o "terceiro mundo"). Os actuais, imbuídos de palpitante espírito democrático, desconsideram todos por igual. . A aflição que semeiam em redor é só para vir agravar ainda mais a aflição que fomentam dentro de portas. Diante de tão edificante, absurdo e suicidário quadro,  quem tenha ainda dificuldade em perceber que as actuais governâncias europeias não mandam coisa nenhuma e, ainda menos, mandam no interesse dos respectivos povos, das duas três: ou é burro convicto, ou cego fanático, ou suíno de engorda. Não temos governantes, temos governantas.

PS: É verdade que, enquanto projecto de desarmadilhamento duma hipotética guerra civil britânica, o colonialismo de Rhodes foi largamente ultrapassado pelo matadouro da 1ª Guerra: nada melhor que uma guerra  civil europeia para turbo-escoadouro  das tensões anglo-sociais. Mas de crise em crise, de guerra em guerra (alternado entre militar e económica), o capitalismo lá vai de vento em popa, ou melhor dizendo, de pseudo-apocalipse em pseudo-apocalipse. Prova mais acabada da regência do Anticristo não se conhece: até o Fim do Mundo é às prestações. E com juros.

terça-feira, agosto 18, 2015

O colosso Rhodes

«Estive ontem no East End [bairro operário de Londres] e assisti a uma reunião de desempregados. Ouvi aí discursos arrebatados. Era apenas um grito: "Pão,Pão!" Revivendo toda a cena ao regressar a casa, fiquei ainda mais convencido do que dantes, da importância do imperialismo... A ideia que me é mais cara, é a solução do problema social, isto é: para salvar os quarenta milhões de habitantes do Reino-Unido duma guerra civil  mortífera, nós, os colonizadores, devemos conquistar novas terras afim de aí instalar o excedente da nossa população, encontrar novos mercados para os produtos das nossas fábricas e das nossas minas. O Império, sempre o disse, é uma questão de barriga. Se quereis evitar a guerra civil, é preciso tornar-vos imperialistas.»
- Cecil Rhodes, 1895

O colonialismo britânico, que tem em Rhodes o seu sumo pontíficie, surge assim como uma primeira forma de desarmar uma tensão social que o ímpeto inaugural do capitalismo resfolgante instaurava a passos largos nas sobrelotadas urbes britânicas. Colonizar era, pois, segundo Rhodes, uma forma benigna de desinfestar as Ilhas e ampliar os negócios. A ideia tinha a sua lógica e não se pode dizer que fosse destituída de senso. Acudia, em simultâneo, às angústias prolefóbicas do reverendo Malthus e apresentava trampolins providenciais às efervescências social-darwinistas da época. E até Stuart Mill, em bênção antecipada, já proclamara: "Pode-se afirmar, no estado actual do mundo, que a fundação de colónias é o melhor negócio em que se possa aplicar os capitais dum velho e rico país.»
Desta peregrinação desembestada  resultaram muitas coisas que a história documenta. A guerra Bôer foi uma delas e merece referência especial por uma invenção que faria furor no século vinte: o Campo de Concentração (british made, registe-se). Conheço uma rapariga aul-africana (bastante jeitosa, por sinal) cuja avó penou num desses beneméritos estabelecimentos. Além do rapinanço das vastas minas de diamantes e ouro aos Boers, os Ingleses acharam também de bom tom expropriar aos Portugueses (seus velhos aliados, aspas, aspas) os territórios entre Angola e Moçambique (baptizadas logo de seguida como Rodésia do Norte e Rodésia do Sul, em homenagem ao chefe flibusteiro). Para o efeito, apresentaram o famigerado Ultimato à coroa portuguesa, sob ameaça de bombardeamento sumário por vaso de guerra entediado, caso o deferimento não fosse imediato. O rei encolheu-se (entalado entre a partidofagia interna e patifofagia externa, não seriam abundantes os seus recursos em campo de manobra) e acabaria removido pouco adiante, muito em consequência desta prenda dos prestimosos aliados. Agradeceram os auto-proclamados republicanos (qualquer bando de malfeitores e ladrões, uma vez na posse dum palácio, estima de arvorar-se em nobre e bestialmente digno). E trataram de materializar a sua gratidão aquando da carnificina industrial na esquina logo adiante, enviando milhares de portugueses para o matadouro da Flandres. Ao lado dos ingleses, pois claro. Para que estes (mai-los franciús)  não nos larapiassem o resto do ultramar, impunha-se que nos deixássemos massacrar pelos alemães. Não há colónias grátis. E a rapaziada lá foi; e lá cumpriu a rigor.

Podemos dizer que a república portuguesa é uma engendradela do colonialismo britânico?  O que é que acham?


PS: Não será mesmo a evolução lógica da esngendradela que já "constitucionalizara" a monarquia portuguesa?... Só perguntas difíceis...

segunda-feira, agosto 10, 2015

Prelúdio à Anatomia Geopulhítica

«A chamada “democracia” é um logro, o sufrágio universal uma máscara. Nos sistemas modernos burocratizados, cujo nascimento data de meados do século dezanove, a organização feudal foi, digamos assim, transposta para um nível seguinte. O objectivo principal daquilo que Tucídides referiu na sua época comosynomosiai (literalmente, “conjura”), isto é, as confrarias ocultas que agem por detrás dos clãs dirigentes, tem sido transformar o processo de cobrança de rendas à população (um “free income” na forma de alugueres, encargos financeiros e extorsões similares), tão imperscrutável e impenetrável quanto possível. A tremenda sofisticação, e a muralha propagandista de mistificações engenhosamente divulgadas, em redor do sistema bancário - instrumento principal através do qual os hierarcas expropriam e controlam a riqueza das suas comunidades hospedeiras -, constitui o testemunho límpido desta transformação essencial suportada pela organização oligárquica/feudal na era moderna. O Ocidente passou duma estrutura agrária de baixa tecnologia, assente nas costas de servos privados de direitos, para uma colmeia pós-industrial altamente mecanizada que se nutre da força de não menos desprivilegiados escravos de colarinho-branco ou azul, cujas vidas são hipotecadas para comprarem de acordo com as modas do consumo. Os mais recentes Lordes da Mansão já não são mais avistados a exigir o tributo, desde que passaram a confiar nos mecanismos da contabilidade bancária para esse fim, enquanto os sicofantas da classe média, tais como académicos e publicitários, permaneceram inteiramente leais ao synomosiai. A outra diferença concreta entre o antigamente e o agora reside no enorme aumento de rendimentos da produção industrial (cujo nível potencial, não obstante, tem sido sempre significativamente mais elevado que a produção real, de modo a manter os preços altos). No que respeita à “participação democrática” dos vulgares cidadãos, estes sabem lá bem no fundo dos seus corações que nunca decidem nada de importante, e que a política consiste na arte de influenciar as multidões nesta ou naquela direcção, consoante os desejos ou antecipações dos poucos que possuem as chaves da informação, do conhecimento efectivo (secreto) e da finança. Este pequeno número pode, em determinada altura, estar mais ou menos dividido em facções antagónicas; quanto mais profunda a divisão, mais sangrenta a disputa social. O registo eleitoral do Ocidente no século passado constitui um monumento cintilante à completa inconsequência da “democracia”: apesar de duas guerras de proporções cataclísmicas e um sistema último de representação que produziu uma pletora de partidos, a Europa Ocidental não conheceu alteração significativa na sua constituição socio-económica, enquanto a América, com o passar do tempo, foi-se tornando cada vez mais idêntica à sua própria oligarquia, reduzindo o aparato democrático a um concurso entre duas alas rivais duma estrutura monopartidária ideologicamente compacta, que é, de facto, “lobbyzada” por “grémios” mais ou menos ocultos: o grau de participação pública nesta flagrante falsificação é, conforme se sabe, compreensivelmente baixo: um terço dos cidadãos, no melhor dos casos.»
- G.G. Preparata, "Conjuring Hitler - How Britain and America made the Third Reich" (tradução minha)

Nos próximos tempos, e na medida do pouco tempo disponível que me assiste, tentarei investigar um pouco melhor certas mitologias impostas à força de propaganda ultra-pasteurizante. Primeira e Segunda Guerras Mundiais, em concreto.


sábado, agosto 08, 2015

O Mal e as suas apologias

O espectador neutro e imparcial da Segunda Guerra dá consigo entre o perplexo e o abismado. A coisa é
anunciada como uma guerra de épicas dimensões, mas mais parece um concurso de genocídios. Dir-se-ia que a atrocidade devém primado estratégico e expoente táctico. O combate é apenas um pretexto: o essencial é a chacina, a hecatombe industrial.

Houve atrocidades para todos os gostos e para todos os credos. Internos e externos. Ditatoriais e democráticos. Mas que as ditaduras, fruto da sua dinâmica de poder ultra-pessoalizado e concentrado possam ceder, de roldão, às maluquices de um único indivíduo (caso emblemático dos Hitler e Stalines que tanto jeito dão à sonsice americólatra) não deveria espantar-nos (não é a impiedade uma das características da tirania?). Já o mesmo não pode dizer-se desses sistemas neo-angélicos, a arfar cheques e balanços e a chocalhar direitos e garantias... Que tenham massacrado em moldes industriais (caso dos tapeteamentos aéreos sobre alvos civis) e, para cereja no topo do bolo, ainda tenham encerrado as festividades com o foguetório mais assassino e concentrado de que há memória (salvo eventualmente Dresden, mas aí, com uma chusma de bombardeiros), isso, sim, é que é genuinamente espantoso. Porque o Mal a realizar coisas malvadas é lógico e já estamos calejados; agora que o bem ultrapasse o mal nesses exercícios é que deveria transportar-nos, senão ao escândalo, ao menos à estupefacção. 
Que Hitler, ou os japoneses, tivesem atirado com a bomba atómica a um parque infantil, preferencialmente kosher ou chinês, obederia à sua perversidade lendária. Agora, os americanos, senhores, os santos americanos, baluartes da liberade, da democracia e do gentil mercado!... Justificável? Só do ponto de vista moral dum percevejo ou político dum verme!... Justificável é o nascimento de quem o lambuza como descuido extra-vaginal da mãezinha!

Mas a verdade é ainda mais inquietante. Verificamos ainda algum escrúpulo e resquício de pudor entre os chacinadores maléficos - dos nazis aos comunas. Dão-se ao trabalho de mascarar as carnificinas - abrem valas, improvisam crematórios, estudam soluções suavizantes para o sinistro empreendimento (enfim, retêm ainda alguma vaga noção da infâmia da coisa; não pretendem gabar-se nem fomentar um qualquer tele voyeurismo de basbaques frenéticos ). Os alemães, aliás, como não me canso de proclamar, são mesmo (e continuam a ser) um caso paradoxal de inteligência e burrice, em trepidante tandem. São capazes das mais brilhantes engenharias e, em simultãneo, das mais sumptuosas asneiras. O caso dos judeus foi um hino à segunda. Despendem toda uma azáfama de expedientes e meios para retirarem os judeus das cidades, enviando-os para fora do raio de acção dos bombardeiros aliados. Mas, afinal, queriam exterminá-los ou protegê-los? Ora, fazia mais sentido retirarem os alemães e deixarem lá os judeus para serem furiosamente pulverizados.  Das duas, uma: ou os aliados se inibiam com a clientela, ou cometiam eles o holocoiso. Está bem que no fim, acabariam sempre a culpar os alemães, como os israelitas culpam os palestinianos pelos massacres que lhes acontecem, mas, enfim, pelo menos poupavam, os germânicos, comboios e combustível (já não para falar numa horda de funcionários que bem mais utéis teriam sido na frente leste). Pronto, mas é como digo: nota-se ainda algum humanitarismo, embora perverso, nos maligníssimos.
Agora os neo-querubínicos e panta-serafiníssimos, Mãe Santíssima, tratam de transformar o genocídio, mais que num espectáculo, num acto global de exibicionismo macabro. É isso que Hirosshima significa: o Mal já não precisa de máscara nem camuflagem. Já não se esconde. A sua ordem já não é apenas a da vil e furtiva descendência de Caim: emerge doravante nu, completamente desembaraçado, a céu aberto... negro e impiedoso... No altar vazio de Deus.


PS:  Nunca louvaremos o suficiente Oliveira Salazar por nos ter mantido fora daquela orgia das trevas que foi a Segunda-Guerra Mundial. Vou já ali acender-lhe uma vela!

PSS: A mesma lógica do "mal menor" que justifica Hiroshima serviu a Hitler para justificar o programa nacional de eutanásia. Portanto, esfreguem-se e relambuzem-se!

quinta-feira, agosto 06, 2015

O MAL



Experimentar uma bomba atómica sobre alvos militares é um acto abjecto. Experimentá-la, sem aviso, sobre uma cidade civil, destituída de qualquer interesse militar ou estratégico, tem outro nome. Que, para cúmulo, tenha sido perpetrado por aqueles que já tinham a guerra completamente ganha, não podendo portanto alegar desespero ou necessidade maior, torna a coisa especialmente monstruosa. 
Não é o mal absoluto, mas é a absoluta desumanidade.

sábado, agosto 01, 2015

A Lotaria das Almas, segundo Platão


«E as almas, à medida que chegavam, pareciam vir de uma longa travessia e regozijavam-se por irem para o prado acampar, como se fosse uma panegíria; as que se conheciam, cumprimentavam-se mutuamente, e as que vinham da terra faziam perguntas às outras, sobre o que se passava no além, e as que vinham do céu, sobre o que sucedia na terra. Umas, a gemer e a chorar, recordavam quantos e quais sofrimentos haviam suportado e visto na sua viagem por baixo da terra, viagem essa que durava mil anos, ao passo que outras, as que vinham do céu, contavam as suas deliciosas experiências e visões de uma beleza indescritível. referir todos os pormenores seria, ó Gláucon, tarefa para muito tempo. Mas o essencial dizia ele que era o que se segue. Fossem quais fossem as injustiças cometidas e as pessoas prejudicadas, pagavam a pena de tudo isso sucessivamente, dez vezes por cada uma, quer dizer, uma vez em cada cem anos, sendo esta a duração da vida humana - a fim de pagarem, decuplicando-a, a pena do crime; por exemplo, quem fosse culpado da morte de muita gente, por ter traído Estados ou exércitos e os ter lançado na escravatura, ou por ser responsável por qualquer outro malefício, por cada um desses crimes suportava padecimentos a decuplicar; e, inversamente, se tivesse praticado boas acções e tivesse sido justo e piedoso, recebia recompensas na mesma proporção. Sobre os que morreram logo a seguir ao nascimento e os que viveram pouco tempo, dava outras informsações que não vale a pena lembrar. Em relação à impiedade ou piedade para com os deuses e para com os pais, e crimes de homicídio, dizia que os salários eram ainda maiores.
Contave ele, com efeito, que estivera junto de alguém a quem perguntaram onde estava Ardieu o Grande. Este Ardieu tinha sido tirano numa cidade de Panfília, havia já então mil anos; tinha assassinado o pai idoso e o irmão mais velho, e perpretado muitas outras impiedades, segundo se dizia. E o interpelado respondera:"Não vem, nem poderá vir para aqui. Na verdade, um dos espectáculos terríveis que vimos foi o seguinte: Depois de nos termos aproximado da abertura, preparados para subir, e quando já tinhamos expiado todos os sofrimentos, avistámos de repente Ardieu e outros, que eram tiranos, na sua quase totalidade; mas também havia alguns que eram particulares que tinham cometido grandes crimes - que, quando julgavam que iam subir, a abertura não os admitia, mas soltava um mugido cada vez que algum desses, assim incuráveis na sua maldade ou que não tinham expiado suficientemente a sua pena, tentava a ascensão. Estavam lá homens selvagens, que pareciam de fogo, e que, ao ouvirem o estrondo, agarravam alguns pelo meio e levavam-nos, mas, a Ardieu e outros, algemaram-lhes as mãos, pés e cabeça, derrubaram-nos e esfolaram-nos, arrastaram-nos pelo caminho fora, cardando-os em espinhos, e declaravam a todos, à medida que vinham, por que os tratavam assim, e que os levam para precipitar no Tártaro. (...)
[A Lotaria das Vidas futuras pelas Moiras]
«Declaração da virgem Láquesis, filha da Necessidade. Almas efémeras, vai começar outro período portador da morte para a raça humana. Não é um génio (daimon) que vos escolherá, mas vós que escolherteis o génio. O primeiro a quem a sorte couber, seja o primeiro a escolher uma vida a que ficará ligado pela necessidade. A virtude não tem senhor; cada um a terá em maior ou menor grau, conforme a honrar ou desonrar. A rersponsabilidade é de quem escolhe, O deus é isento de culpa.»
Ditas estas palavras, atirou como os lotes para todos e cada um apanhou o que caiu perto de si, excepto Er, a quem isto não foi permitido. Ao apanhá-lo, tornara-se evidente para cada um a ordem que lhe cabia para escolher. Seguidamente, dispôs no solo, diante deles, os modelos de vidas, em número muito mais elevado do que o dos presentes. Havia-as de todas as espécies: vidas de todos os animais, e bem assim de todos os seres humanos. Entre elas havia tiranias, umas duradouras, outras derrubadas a meio, e que acabavam na fuga, na pobreza, na mendicidade. Havia também vidas de homens ilustres, umas pela forma, beleza, força e vigor, outras pela raça e virtudes dos antepassados; depois havia também as vidas obscuras, e do mesmo modo sucedia com as mulheres. Mas não continham as disposições de carácter, por ser forçoso que este mude, conforme a vida que escolhem. Tudo o mais estava misturado entre si, e com a riqueza e a inteligência, a doença e a saúde, e bem assim o meio termo entre esses predicados.»
- Platão, "Políteia" (vulgarmente traduzido por "República")
Quatro séculos antes de Jesus Cristo. Qualquer semelhança entre isto e o céu/ inferno cristão não é mera coincidência. Santo Agostinho usou e abusou.
O equivalente cristão do daimon/génio que a alma escolhe é o "anjo da guarda". Eventualmente, o nosso investigador do espiritismo vai falar-me em "guia".
Espero, sinceramente, que Platão esteja atestado de razão no que respeita àquela parte negritada. Temos por aqui, à beira mar plantada, abundante freguesia.
Não por acaso, vários filósofos lúcidos referem-se ao cristianismo como um platonismo para uso popular. Portanto, se querem crucificá-lo por ter inspirado algumas perversões comunistas, lembrem-se que antes disso arcou com a Igreja em peso e forneceu estrutura e consistência ao pensamento cristão.