terça-feira, novembro 03, 2015

O Sapo Nostradamasus

Hoje não tenho tempo para decifrar a charada que se segue. Depois vejo com mais atenção. Retribuo a amabilidade do link e deixo uns breves e suaves louvores ao nosso sapo metido a boi. Com o cuidado bastante para que não rebente, senão empesta-me para aqui isto tudo.



Enfim, cada um olha como pode e vê o que consegue.»


Acusa-me evangélico guru
de ter o rei na barriga.
Que quer que lhe diga?
Que tem a república no cu?

O anticomunismo retro-voodu
inventou-o ele, anedótico.
Mas acoima-me a mim de utópico
num porteirês d'arincu.

Gambusineiros do sétimo dia;
Ridículo maior que o firmamento:
pastam comunas no parlamento
e eles a beliscá-los na fantasia.

Mas onde estava todo este nico
na hora em que urrava, fulo, o bicho?
Desposam agora contentores de lixo
como outrora fagaram o penico.

Sapos inchados, a rebentar 
desmerecem farpa e faena;
basta alfinete por espada; numa arena 
em praça  de  alguidar.

Fica o mistério da "Giena".
Quem será? Alguma prima?
Ou era a Geena de penar
que a asinina pena 
queria significar?

Contra a tirania do profundo
e a opressão dos livros,
Porteiros,  sopeiras, cabeleireiras de todo o mundo,
uni-vos!...




.




segunda-feira, novembro 02, 2015

A Omnipotência da Tripa




Em 74, todo o passado era mau. Havia que terraplenar e construir tudo de novo. Inventou-se um Fascismo que nunca tinha existido e um "fascismo nunca mais" que serviu de protodetergente para a lavagem cerebral subsequente.
Em 2011, todo o passado estava inçado de vícios e quistos tumefactos. Havia (e há) que arrasar e construir tudo de novo. Inventou-se um Socialismo - que, de todo, durou os 17 meses necessários à liquidação ultra-rápida do Império e ao assalto partidário à economia, (assalto que prosseguiu nos anos seguintes até à presente data) -  e nunca mais se viu, sendo substituído por um mercantilismo empolgado, um olimpismo gestor e um consumismo desenfreado, a crédito e a subsídio externos, para não dar muito trabalho. Do "fascismo nunca mais" dos anteriores antifascistas de imitação, temos agora  o"socialismo nem vê-lo", dos neoanti-qualquer coisa de conveniência.
À presente data, o socialismo é uma coisa tão vulgar e opressiva que o único partido que ainda o defende, o Partido Comunista, é taxado por todos os outros, e respectivas resmas de apaniguados, de "fóssil", "dinossauro", "jurássico", etc. Dá para orçar da influência e pregnância socialista na direcção dos negócios da nacinha.

Toda esta gente, bem no fundo, padece apenas dum mal das tripas -dado que neles o aparelho digestivo é mais complexo que nas pessoas normais, fazendo o cérebro parte crucial dele, na forma de tripa superior, ou intestino grosseiro -, que se resume num nome simples:: estrangeirite. Se o resto da europa tinha tido, nós também tínhamos que ter. Fascismo, claro. Se os outros partidos comunistas se tinham coberto de glória na luta contra a besta fascista, era imprescindível que eles não ficassem à parte na hora do desfile triunfal. E assim, da noite para o dia, em patrocínio da farinha Amparo, o país amanheceu não apenas inundado de socialistas, comunistas e social-democratas efervescentes,  aos molhos e aos saltos, mas, todos eles, com kit  e curso anexo de antifascismo instantâneo e, em muitos casos, por correspondência. Ou mera osmose manifestante.
Este antifascismo de alguidar continua presente nos actuais anticoisos, só que reforçado agora dum anti-socialismo belicoso de ocasião. Porquê? Porque pertence ao passado, o putativo socialismo, e como lhes compete varrer e romper com todo o passado, urge obliterá-lo sem dó nem piedade. E mesmo que já não exista enquanto realidade, mas apenas enquanto fantasma, trauma ou resquício, isso só amplifica a urgência e o alarido extirpador.  Em nome de quê? Já nem se percebe bem. Qualquer coisa que há lá fora, qualquer receita estrangeira. Tanto melhor quanto agora, mais que copiada estupidamente, até é imposta e administrada pelos próprios estrangeiros. E  nem já a crédito, ou engodo, como a desbunda anterior, mas a descrédito, e por castigo de todos os pecados colectivistas, como manda a boa prática sado-masoquista. Do Portugal SA, passamos assim, sem transição nem anestesia, ao Portugal S&M.
Mas o paralelismo destes anticoisos, tudo o indica, tanto quanto perversamente emulador, é retardado: se lá fora tiveram a queda do muro, nós também temos que ter. Toca pois de inventar um muro cá dentro. Para quê? Ora, para derrubar o muro! O muro de betão e asfalto em que delapidámos fundos, abichámos comissões e esfalfámos orçamentos? Não, o muro do socialismo imaginário e requentado que nos sitia; o muro de fantasia que nos bloqueia; o muro da independência frágil que resta. E se, a pretexto do muro, vai o que resta da economia, isso, como aos seus antecessores a pretexto do fascismo, não os aflige nem minimamente incomoda. Bem pelo contrário, inebria-os e fortalece-os... Arruinados poderemos sempre viver, atrasados é que não. Nunca!
Quanto ao resto, a mesmíssima coisa: Os antifascistas da farinha Amparo, adiantados mentais de 74, consideravam que  a destruição do Portugal Ultramarino era excelente para a economia, maravilhoso para o povo e apaziguador para o estrangeiro (no fundo fazer parecer-nos bem ao estrangeiro é sempre o mandamento principal, senão único, destas dispepsias peregrinas). A ideia dum estrangeiro camarada, solidário, logo depois recauchutada num estrangeiro comunitário, prodigalizante, financiador, nunca mais deixou de presidir à mentalidade vigente e, por encharcamento, à grande maioria da populacinha.
Os anticoisos esquisitos, avançados mentais da hora presente, também estão imbuídos da convicção plena que para fazer a economia crescer é imprescindível primeiro reduzi-la a quase nada. (É consabido que crescer a partir de quase nada é bem mais fácil e provável do que crescer a partir do que quer que seja em dimensão apreciável. Do nada fez Deus o universo, e do zero qualquer unidadezinha que seja bota figura. Aliás, quando o crescimento no 1º mundo se torna proplemático ou periclitante, nada como regredir o país ao terceiro para vê-lo ganhar balanço e trampolim). E também arvoram a sublime credulidade toinarenga de considerar o FMI como amiguinho,  a Troika como instituição benemérita de índole angelical, cuja única e solene preocupação é a nossa recuperação, saúde e bem estar. De modo que obedecer-lhes cegamente não chega: há que transcendê-los e surpreendê-los com toda a panóplia abracadabrante da nossa própria auto-flagelação, subserviência e capachismo. Todo o país deve assim fervilhar de assimilados fervorosos, compenetrados e prontos para a redentora assimilação externa, desta vez, reza-se e espera-se, final  e definitiva. Isto lembra um pouco um tipo cercado de canibais que entende que barrar-se de manteiga, limão e molho picante, acrescido duma maçazinha na boca, é a melhor forma (mais: a única!) de apaziguá-los e concitá-los à fraternidade humana. E é o resultado da infantilização e da efeminação - ou seja, da imbecilização-, da política nos últimos cinquenta anos. O espaço sensível em que a visão do mundo foi usurpada pela televisão do mundo.
Ora, tudo isto implica mais uma consideração óbvia: é que esta gentinha iluminada, do Prec I como do Prec II, (chamem eles ao "r" o que quiserem: revolucionário, reformador, refundador, a real PQP!), partilham igualmente de outra idiossincrassia exuberante: ao mesmo tempo que idolatram qualquer nuvem no Além-fronteiras, esse acto nunca excede uma idealização e fantasia suas. É invariavelmente a cegueira mais clamorosa à realidade desse modelo estrangeiro - ontem, das uniões soviéticas e paraísos socialistas, onde, por exemplo, Staline matou mais comunistas do que o próprio Hitler, que fazia disso imperativo categórico -, e hoje, dos FMIs, Agências de rating, Alemanhas, Américas e até, pasme-se, já das próprias Angolas. De repente - aliás, por tradição, isso sim -, o mundo está repleto de santidade, perfeição e melhor das intenções, desígnios e oportunidades: basta passar a fronteira. Mas o mais indecoroso, e patético, é que estes adoradores do longínquo, estes amázios manteúdos do Outlook, tanto quanto duma cegueira selectiva, são acometidos e avassalados por uma amnésia histórica. Da mesma forma que usam de implacável, esbirra e histérica severidade para com a  histórica do seu próprio país, votam uma desmemória ou lexívia branqueante absolutas à história do estrangeiro de apetite, cobiça ou afeição. Porque, no fundo, não têm país próprio. As tripas inferiores não deixam, e a superior age em conformidade. Nem país próprio, nem sequer de adopção: apenas de conveniência. A prazo.
É por isso que, ontem como hoje, e acima de tudo, estes despaisanos, estes expatriados a juros,  a quem a tripa serve, simultanemante, de alma, de ego e de cordel para irem a reboque da caravana circense da moda, outra vocação, ocupação e desplante não exibem senão o rosnar, ladrar e, por qualquer outra forma arrotante e pesporrente, desvalorizar, despromover ou menoscabar Portugal e os portugueses. 
O Prec I (e o Pós-Prec) serviram para desmantelar o Império e arruinar a Nação. Este Prec II, se o deixarem, vai liquidar o país. E não se iludam nem se auto-embrumem: como o anterior, não está apenas na rua: está, sobretudo, no poder.
É que a tripa de suíno não induz apenas ao omnivorismo: induz mais ainda à omnipotência.


Nota: Este postal foi aqui publicado em Novembro de 2012. Estão a ver? Há coisas que não mudam, ou melhor, resistem à erosão temporal: Os bons diagnósticos, por exemplo. Saber ler o passado é compreender o presente e adivinhar o futuro. Como este documento atesta e uma manada cada vez maior de gente se esgadanha a certificar.





A Nostalgia do Gheto

O sionismo padece  dilacerado por tensões opostas. O seu candente problema chama-se "demografia". Os palestinianos reproduzem.se a uma velocidade imensamente maior do que a do rebanho eleito. Ciclicas razias, sobretudo entre as criancinhas e sobre as infraestruturas habitacionais, a pretexto  de gambosinos e outras severas ameaças, não têm sequer abrandado coisa que se veja a desproporção de grávidas.
Em contrapartida, a lengalenga do anti-semitismo global e seus derivados tem apresentado resultados sempre insuficientes: o urgente refluxo de judeus para o super-Gheto (é isso que Israel representa) está longe do requerido. Deste modo, a tensão: entre a escassez de corpos de obra interna e a míngua de corpos de obra externa.
A criação duma super-monstruosidade como o ISIS tinha dois objectivos determinantes: 1.Distrair as atenções   (que permitisse  e, numa segunda fase, por efeito de contaminação, justificasse uma depuração musculada e séria do super-gheto, onde persistem elementos impuros); 2. Ocasionar limpezas étnicas que mais não mascaravam senão a desavagação territorial de áreas convenientes ao Super-Gheto, bem como a criação de manadas congregadas em modo  favorável à manipulação expedita.
A infestação desarvorada da europa por enxames muçulmanos criaria um ambiente favorável ao anti-semitismo providencial: os judeus residentes, devidamente, alarmados e sensibilizados pelos media sob controle, tenderiam a  emigrar, demandando abrigo no Super-guetho. Agora que o espaço vago começa a ser uma realidade, é precisa gente para o povoar e ocupar convenientemente. A coisa até ia bem encaminhada e prenhe de bons auspícios. Só que uma acção tem sempre uma reacção: rompem intifadas no paraíso - os esqueletos recusam-se a entrar ordeiramente no armário. E lá emergem os calcanhares de barro do condomínio exorbitante. Uma chatice. Que deixa os pobres judeus ameaçados da Europa num verdadeiro limbo existencial. Dum lado a incerteza garantida, do outro a insegurança recorrente. O melhor, se calhar, é fazer como de costume: embarcar para os States. O Grande Israel já existe. Dispensa utopias alucinantes, sanguinorreias desatadas e, sobretudo,  riscos desnecessários. A nostalgia do Guetho, muito provavelmente, vai culminar na realização da fantasia do holocausto. Por auto-imolação. A vingança, já os pré-históricos sabiam, é património exclusivo das divindades.


PS: Em alternativa,  a coisa também pode ser encarada duma perspectica do "colono americano" à conquista do Oeste. O território está infestado de índios. É preciso limpá-lo. O ISIS desempenha uma forma expedita de  libertar o terreno dos indesejáveis indígenas. Os que não morrem, debandam para a Europa. Por fim, limpa-se o território dos mata-índios. E tem-se o melhor dos mundos. Onde, bem vistas as coisas, os isrealitas protagonizam os neo-colonos americanos. À medida que se estrutura e solidifica, o Grande Israel segrega, assim, uma América em miniatura. Um Novíssimo Mundo ao virar da esquina. Curiosamente, a partir dos escombros de um dos mais antigos de todos.

PSS: Tudo isto teve, todavia, a sua areiazinha na engrenagem: O tal Assad, que resistiu para lá do aceitável à ventosidade histórica. E agora os russos a despejarem camiões às carradas... Não vão desistir, os tais, mas vai-lhes sair substancialmente mais do bolso. A eles e, por arrasto e inerência de funções,  a nós. A Nato custa dinheiro. 

domingo, novembro 01, 2015

Receita do filho da puta






OS refugiados são promovidos a vítimas. Não das tropelias amero-sionistas no médio-oriente, (afinal os refugiados germinam por geração espontânea e brotam, à maneira dos cogumelos ambulantes, nas praias da Grécia) mas da crise política europeia. A limite, como no caso das super-vítimas, a culpa e a indemnização eterna cabem aos alemães.
Para quem tivesse dúvidas da orquestra detrás disto...

PS: Cada transfuga daqueles paga à volta de 3000 euros para ser promovido a vítima.  Estamos perante um caso de tráfico ilegal (de pessoas) em larguíssima escala e decorrendo sob a maior das impunidades. Quantos traficantes já foram presos, ou sequer refreados ou impedidos de prosseguir com a sua macabra tarefa?


sábado, outubro 31, 2015

Coprarquia

Segundo o DN, «O Tribunal da Comarca de Lisboa esclareceu hoje que a providência cautelar de José Sócrates contra a Cofina "não proíbe a publicação de notícias", mas "apenas" a divulgação de elementos do processo em segredo de justiça.»

Se isto é próximo da verdade (afinal, a verdade é exclusivo do grupo Cofina e dos seus consumidores), então o Correio da Banha não está impedido de publicar notícias sobre o Pinóquio I, mas apenas notícias que violem o segredo de justiça. A censura, por conseguinte, a haver, não é infligida ao tal Correio da Banha, mas aos magistrados da procuradoria que publicam compulsivamente no inefável pasquim. Trata-se, assim, duma censura bem mais gravosa e censurável do que a simples censura à liberdade de expressão: é uma censura à própria Justiça. Pior: Auto-censura! Um atentado, no mínimo, aos fundamentos da república, de democracia e do estado de direito. Não se fez o 5 de Outubro, o 25 de Abril e o 31 de Fevereiro para um despautério destes!...

E pelo que se vai assistindo, a liberdade de expressão espelha-se no segredo de justiça e ambos estão ao exacto nível da qualidade das governações. Às tantas, já não se distinguem os magistrados dos jornalistas, os jornalistas dos pulhíticos e tudo isto, em turbilhão, dum regato de imundície ao estilo das piores descargas de suinicultura a céu aberto.
A república não existe: chafurda. O que vale é que o estrangeiro já não se distingue: promove.

quinta-feira, outubro 29, 2015

Do Vácuo Ruidoso (r)

Fruto dum materialismo balofo e grosseiro que, nos últimos séculos, tem avassalado as mentes, corrompido os corpos e viscerado as almas, vem-se caindo, mais até que na tendência, no vício de confundir essência com circunstância. A pobreza ou a riqueza não são essências humanas: são meros acidentes, puras circunstâncias da existência. Não é menos homem o homem apenas porque é pobre, nem é mais homem o homem só porque é rico. Bem pouco é ter muita coisa - ninharia, na verdade. Ter não acrescenta nada ao ser de cada qual. Apenas o nanifica, mutila e irrisa quando se arroga aleives de substituição. É melhor o inválido só porque tem uma cadeira de rodas? Vale mais o aleijadinho só porque possui um ror de próteses? Só num mundo em que todos se degradem a inválidos e aleijões. Só numa enfermaria de amputados e autofágicos.
"Ah, mas não é nada disso!" - proclama-me o junkie porta-coisas. "Os meus teres não diminuem o meu ser; pelo contrário, amplificam-no!" E, como prova eloquente dessa excelência, apresenta-me uns ouvidos descomunais, uma língua desmesurada, uns olhos ultra-devassantes e um naríz de enormíssimo alcance. Ouve, vê, fareja e palra cada vez mais longe, cada vez mais alto e, em suma, cada vez mais. No entanto, pensa, reflecte e compreende cada vez menos. Esta hipersensualidade exorbitante é só a máscara do seu raquitismo espiritual. O excesso de sensações, de sensacionalismos apenas promove, por arrasto, a ausência clamorosa de senso, o atrofiamento de toda e qualquer hipótese de sensatez. À medida que se inunda de mundanidades, esvazia-se de si; na proporção em que se embriaga e empanturra de sentidos, perde o sentido. A enxurrada, porém, não é só de fora para dentro, pelas comportas abertas da imbecilidade cultivada, premiada e campeã: de refluxo, é também despejo. O porta-coisas lava o cérebro no esgoto do mundo. E se é verdade que a função faz o órgão, não é menos verdade que a prótese apenas preenche o seu vazio, quando, como é avassaladoramente o caso, não o engendra e fabrica.

quarta-feira, outubro 28, 2015

Futuro quase presente

Num futuro próximo, os restaurantes, após banimento e anátema dos fumadores, vão ter que disponibilizar zonas sanitarizadas para comedores de presunto, alheiras e salpicões em geral. A Portugália, em vez de bifes, vai especializar-se no tofu. E a cerveja, não tardará muito, há-de trocar, obrigatoriamente e sob patrulha severa da ASAE, o malte pela soja. 
Na paratopia avançada, fumadores, devoradores de francesinhas, carnívoros em geral e heterossexuais impenitentes refugiar-se-ão em subterrâneos (de minas e linhas de metro abandonadas).  Grávidas por inseminação natural serão obrigadas a abortar. A heroína, com selo de zona demarcada do Afeganistão, será legalizada. Os cartéis do  tráfico de droga transferir-se-ão, de armas, redes e bagagens, para o tráfico do Diesel. E chocolates.

É a geopolítica, estúpido!

A mecânica das paranóias induzidas é flagrante - basta prestar um pouco de atenção por detrás da cortina de fumo. Em nome do bem geral da humanidade, a paranóia é invariavelmente direccionada e, na essência, tem por finalidade prejudicar alguma coisa em concreto. A paranóia é uma arma.  Nesta paranóia recente das carnes conspiradoras tentem percepcionar quem é que sai mais prejudicado pelo bombardeamento do alarme merdiático.
Aceito palpites. E apostas.

terça-feira, outubro 27, 2015

Viver Mata!

Num tempo onde impera a paratopia aos molhos, o quotidiano esgota-se numa sucessão ininterrupta de paranóias induzidas em dose maciça. A mais recente a preencher antenas e ecrãs efabula acerca da carne de vaca e enchidos vários.
Em conformidade, vejo-me compelido a lançar o seguinte alerta:
- "Cuidado, respirar pode causar um ror de doenças, acidentes, intoxicações, envenenamentos, aflições, fobias, complexos, angústias, pensamentos e, no fim, seguramente, a morte! 

domingo, outubro 25, 2015

Revisionismos exclusivos




No Congresso Mundial Sionista (olha, afinal, o Sionismo existe mesmo), a decorrer em Israel, o Nathaniau lá do sítio saíu-se com a última pérola do milénio: afinal a ideia do holocausto final não foi de Hitler, mas do Grão Mufti de Jerusalém. O Adolfo apenas emprenhou pelos ouvidos, coitado. Ainda por cima dum tipo com título que mais parece uma sobremesa de hotel.
Não vou comentar este peculiar acesso de revisionismo holocáustico - esse sobretodos hediondo crime de hiperblasfémia! -, nem a sanidade mental do Natcoiso. No fundo, um sionista furioso dizer que foi o Hitler, o Rato Mickey ou o Conde Drácula, vai dar ao mesmo: zero credibilidade, absoluto chutzpah. A parte mais anedótica até nem é essa. De longe, a verdadeira cereja no topo do bolo vem da Alemanha, onde a chancelera Merkla se apressou a protestar: "A culpa é nossa e de mais ninguém! Só a nós pertence o opróbrio-mor pelo horror capital!"
Dir-se-a, assim, que no pós-Segunda Guerra duas nações parecem ter germinado de algum modo ao espelho: A Nova-Alemanha e Israel. Aquela, projectada na eterna culpa; esta florescendo na eterna vitimização. Ambas partilhando uma espécie de exclusividade mórbida e perversa: uns como exclusivos autores do genocídio superlativo, os outros como exclusivas vítimas do "holocausto".
Entretanto, não é menos curioso como alguns grupos judeus ortodoxos recusam Israel e o sionismo com base em objecções de ordem religiosa, ou seja, com sede no próprio judaísmo: Foi por determinação de Iavhé que os judeus foram dispersos pelo mundo - a diáspora é consequência de castigo divino. Por conseguinte,  só Iahvé pode determinar o fim da pena. O sionismo é, portanto, segundo eles, uma espécie de satanismo, de exorbitação humana à revelia de Iahvé. Por outras palavras, o judaísmo religioso considera ímpia a subaternização e a manipulação da religião pela política. Tratando-se duma teocracia milenar, devia ser ao contrário: tudo se submeteria à religião.
Pois bem, pelo que se vem assistindo, em inaudito e galopante desvelamento, é que o sionismo não coloca (apenas) o homem ao nível de Deus. Na verdade, trata-se em bom rigor duma nova e alucinada espécie de absolutismo. Onde  o outro proclamava "o Estado sou Eu", eles vão mais longe e compenetram-se: "Deus somos Nós". Tentem decifrar assim toda aquela arrogância e bazófia que lhes vai na barriga e deixareis de vos abismar com tão reiterada e absurda desfaçatez.

PS: Pois, para sermos rigorosos, eles não colocam o homem ao nível de Deus: divinizam o judeu. O homem, esse, vai sendo paulatinamente parqueado e confinado ao nível do chimpanzé. Com toda a cooperação e regozijo do dito, é preciso reconhecer.

PSS: Moral da História: só quem a falsifica pode corrigi-la.

quarta-feira, outubro 21, 2015

A cripto-escumalha

A ideia de que possa existir uma elite global a manipular secretamente os poderes planetários parece-me demasiado peregrina. A fazer fé no que se assiste por esse mundo fora, a realidade não infirma nem confirma tal hipótese. Bem pelo contrário, nega-a com todas as suas forças e portentos. Atesta não duma elite, mas, isso sim, duma escumalha global a armar à elite. Uma escumalha que tudo dissolve, terraplena e contamina. O que temos é uma indigência mental a conduzir as massas à indigência económica. Uma Europa e Estados Unidos (vulgo Ocidente) cada vez mais burocratizados e - sim, o termo é mesmo este- , sovietizados.
Um elite global, não obstante, já seria problemático e discutível; uma escumalha global a fazer de elite é simplesmente da ordem da imundície. E da catástrofe mais que anunciada.
É que nem se trata duma pseudo-locomotiva a puxar para desvios ignotos: esta merda descarrilou.

terça-feira, outubro 20, 2015

A essência do Óbvio

Leitores, deixem-se de megalomanias e delírios. Pela realidade é que vamos. E foi da realidade que extraí o essencial do postal anterior: os partidos não podem constituir governo. E tanto assim é, com verificação empírica à exaustão, que foi aos próprios partidos que fui buscar a ideia. Senão reparem, para os grunhos duma parte, os outros não podem ascender à governação senão é o desastre; para os burgessos da outra parte, os que governam são uma desgraça. Acontece que ambas as partes têm razão. Qualquer partido, de resto, considera os outros partidos como uma calamidade garantida. E, nisso, como a experiência tem atestado, todos os partidos estão certos.. Por conseguinte, tratava-se apenas de congraçar a plenitude da verdade: todos eles, em abarbatando a governação, conduzem à catástrofe e ao desgoverno obsessivo. A solução, portanto, é mais que óbvia: nenhum deles reúne condições para montar governo. São eles próprios, todos, que o certificam e proclamam.  
Resta-nos raciocinar e agir em conformidade.

segunda-feira, outubro 19, 2015

Para acabar de vez com a partidarite devorista




Brevíssima fórmula para a reconquista de Portugal pelos portugueses.... (E para que não digam que eu não apresento ideias construtivas)...

Não é segredo nenhum que eu ficaria encantado com a remoção, o mais violenta possível, do actual regime da nacinha. Coisa mais justa e urgente, aliás, não me ocorre, assim de repente. Porém, como não quero que digam que imponho à força as minhas ideias absolutamente razoáveis e sensatas, condescendo numa alternativa de transição, mais  degustável aos estômagos delicados e às sensibilidades efeminadas duma patuleia toldada e desvertebrada por decénios de tagarelice, lobotomia e liliputibérnia.
Pronto, em vez de encostados contra a parede e sumariamente despachados (nada de tiros, que isso é desumano: com catapultas!),  como recomendaria a mais elementar higiene e  saúde pública, os partidos até poderiam ser tolerados. Após banho geral de creolina, ser-lhes-ia mesmo permitido  concorrer a eleições e aceder ao recheio do Parlamento. Não podiam era constituir governo. Jamais! E ainda menos proceder a qualquer nomeação para quaisquer cargos do Estado. O governo era nomeado pelo Rei (barda merda o presidente da republiqueta, monumento à tolice e à imbecilidade de importação!), e exercia supra-partidariamente. De preferência, seria constituído por pessoas de reputada competência e probidade,  fora das quadrilhas partidárias (e desculpem lá a redundância da ideia). Procuraria orientar a sua acção segundo um programa resultante das propostas maioritariamente sufragadas, todas elas devidamente subsidiárias ao interesse nacional. Entende-se por "interesse nacional" não o interesse de classe x ou y,  e sobretudo não o interesse do estrangeiro por delegação em classe x ou y, mas o interesse de Portugal (vivos, mortos, passados, presentes e futuros, gentes e terras). O Parlamento, ainda assim, para não me classificarem de brutal, auferia do direito e do dever de fiscalizar a governação, podendo até prover à sua suspenção e remodelação por maioria de dois terços.
Entretanto, do sufrágio resultava uma representação não falsificada do universo eleitoral: os lugares na assembleia correspondiam não apenas aos votos mas também à abstenção (bem como votos brancos e nulos )-  reportando ao exemplo actual: 44% dos lugares ficariam vazios, sendo os restantes distribuídos de acordo às percentagens recebidas do eleitorado. Uma assembleia nestas condições não teria possibilidade de reunir quórum para suspender o governo, nem tão pouco, para orientar o seu programa executivo, pois não representava, em moldes plenos e legítimos, a maioria qualificada do povo. Assim, cumpria à iniciativa Real promover um governo que exerceria e responderia, durante uma legislatura, até novo acto eleitoral.
O Rei, naturalmente, não era eleito. Mas podia ser aconselhado, ou forçado a abdicar em caso de manifesta incapacidade ou grave risco para o interesse nacional. Através de plebiscito, ratificado pelo Supremo Tribunal, as Forças Armadas e o Patriarcado. Apenas a concorrência unânime de todos estes factores promoveria à abdicação.
O Reino seria regido segundo as regras e leis essenciais à harmonia e progresso sociais, sem necessidade de redundâncias bizantinas nem labirintos jurídicos meramente movediços. Sinal de verdadeiro avanço no bem comum e no aperfeiçoamento cívico seria, em primeiro lugar, a redução das leis, e, de caminho, a redução dos impostos.
Vêem, ó coisinhos? Não é assim tão difícil nem mirabolante. E se isto é fascismo, então a vossa mãe não vos pariu: defecou-vos. E entenda-se "Mãe" no estrito e amplo sentido: de mulher e de Pátria.

O resto decorre e concorre para tudo isto, e se me chateiam muito ainda apresento um Tratado completo.


PS (ou PSD): apenas admito uma objecção pertinente a este monumento de razoabilidade: é que inibidos de constituir governo e de distribuir gamelas no aparelho de estado, os partidos extinguir-se-iam ou ficariam reduzidos a grupos excursionistas residuais. É verdade. Pelo que nem sequer constitui objecção, mas encómio.


domingo, outubro 18, 2015

Provincianismos



«Mas quando um príncipe obtém algumas províncias que anexa. como membro, a um principado mais antigo, então precisa de desarmar esse país, com excepção daqueles que, durante a conquista, demonstraram ser por ele. E mesmo a esses, deve aproveitar o tempo e as ocasiões para os tornar brandos e efeminados.»
- Maquiavel,   O Principe

A explicação da Europa no pós-Guerra (Portugal incluído, trinta anos mais adiante) é a simples e reles história de principados que se degradam a províncias.
Lendo os garatujadores profissionais e amadores da nossa praça, das folhas de couve aos blogues, tudo aquilo fede a saloiada, parolice e grunhido. Pavor!, a aldeia global segregou o bimbo ubíquo - nharro burgesso e parlapatão.

quinta-feira, outubro 15, 2015

LIberdade de Expressão, ou Whisky de Sacavém (rep)

Respigado aqui do tasco e cada vez mais actual....

Mas se o ser, como ensinava Aristóteles, se diz em múltiplos sentidos, a Liberdade de Expressão, essa, pode ser avaliada, pelo menos, em duas dimensões, a saber, a qualidade de expressão e a quantidade de expressão.
Ora, neste nosso tempo de ruídos, grunhidos e seringas palrantes há, mais que a tendência, o imperativo categórico de considerar que dizer muito, palrar carradas de tanto, entornar-se por inúmeros púlpitos, palcos e pedestais, é dizer alguma coisa e é ser muito livre a todas as horas e minutos. Confunde-se liberdade com mera incontinência crónica; mascara-se opinião com mero despejo; trafica-se a mais gritante ignorância e, não raro, a mais rotunda falta de educação ou resquício de vértebra moral como sendo expressão de alguma coisa. Na verdade, a expressão duma ausência não exprime coisa nenhuma nem significa nada que seja. Assim sendo, não é livre nem deixa de o ser: pura e simplesmente, não é. É zero ou abaixo disso. E todavia, protagoniza, às escâncaras, o mais ubíquo dos fenómenos actuais, com devido patrocínio, impingência e promoção de meia dúzia de agências globosas. Mais até que avanço desbordante, adquire já contornos de enxurrada. "Podeis dizer tudo o que vos apeteça, desde que não digais coisa nenhuma", constitui o lema. É a cultura do solta-aleive como antídoto para a sempre indesejável inflamação da inteligência. Castra-se hoje a mente através da saturação noticiosa, como dantes se procurava exaurir através da escassez. Só que com bem maior perversidade e eficácia. A vítima da logocastração dispensa até torcionários sempre dispendiosos: automutila-se. Acaba esterilizada no seu próprio verbo hipersalivado. Sucumbe ao seu próprio vesúvio emissor. Enquanto palra, não pensa. Enquanto debita, não reflecte. Enquanto pasta notícia, ou gargareja sensação, ou cospe palpite, não digere (nem, vagamente, assimila). Quanto mais imerge no palanfrório desatado, mais se impermeabiliza a qualquer tipo de ponderação, equilíbrio ou ideia. Em bom rigor, nem opiniões ostenta, porque, à falta de esqueleto próprio, nem cabide ortopédico tem onde pendurá-las. Se tanto, resume-se ao esfregão mental, à amálgama de desperdícios de plantão a óleos, sordidezes e gorduras de garagem ou estação de serviço mediática. Porque se não despeja, convencem-no todos os dias, não existe. Mas se não absorve, pior ainda: não tem.
Jóquei da fervura do instante, surfista da poeira do momento, janota do último ruído a vapor, flana à esquina do acontecimento (quanto mais escandaloso, melhor) com a virtude da rameira e a perseverança do colibri. Tudo comenta, mas nada entende; tudo ingurgita, mas nada retém. Sob sequestro opressivo duma actualidade em constante metamorfose, entrega-se à tarefa digna duma danaide: encher uma cisterna sem fundo com um crivo por balde.
Contudo, este primado da quantidade não impera apenas no universo mediático: a própria literatura, a música, as artes enfim, também já cumprem os seus preceitos campeões. Ainda mais formatada e passevitada que a "expressão jornalística" anda a "expressão artística". Confundem-se até, expressão política, jornalística, artística e até científica, num puré uníssono, numa papa milupa comum. Cumprem o mesmo critério editorial: os mesmos que determinam quem escreve nos jornais ou aparece nas televisões, condiciona e filtra quem escreve nos romances, nos compêndios e CDs, ou seja, quem é catapultado nas editoras e embandeirado nos media. Mas não se pense que são apenas os donos do harém quem torce e distorce a seu bel-prazer: os próprios eunucos policiam-se, emulam-se, lambuzam-se, envazelinam-se, promovem-se e catam-se uns aos outros. No fundo, tudo se degrada doravante a mera xaropada publicitária, e não é apenas o jornal que se relaxa a pasquim imarcescível: é a própria linguagem literária (onde podemos incluir a "científica", na sub-cave) que estiola ao nível da mera bacoralalia efervescente de slogans, receitas, telegramas e anedotas. De tal modo que, se a ficção mediática raramente excede a prosopopeia ranhosa, já a literária, por seu turno, sem vergonha nem remorso, desalambica-se pelo algeroz duma contínua onomatopeia dodot.
Catalogar, assim, como liberdade de expressão todo este entulho da mera quantidade de expressão é não só rotundamente falso: é absolutamente obsceno. Pois, de facto, constitui, com todas as letras, o seu oposto. E tanto quanto atesta da ausência de expressão (porque destituição completa de autoria, autenticidade, originalidade, personalidade e autonomia), também procura, em perfeita sincronia, o seu extermínio.
Basta atentar como na realidade, por regra moderníssima (e ainda há pouco tempo podemos testemunhar um episódio desse tartufo jaez), são os grandes açambarcadores, armazenistas e empreiteiros -em suma, são os maiores falsários e mixordeiros - da "quantidade de expressão" (ou seja, e dito com propriedade, os inesgotáveis agentes, tarefeiros e moços de frete da "inexpressão") quem geralmente brama, em tom seráfico e descabelado, pela liberdade de expressão. Quer dizer, são os apaniguados - frenéticos e furiosos - do ruído (seja ele instalado, seja em ardores de instalação) quem mais barafusta pela redenção da música.
Não sabemos, com a segurança e clarividência que só Deus possui, onde mora a verdade. Mas duma coisa podemos ter a certeza absoluta: não vive em casa da propaganda. A não ser que ao matadouro já se chame residência. O que, bem vistas as coisas, neste mundo às avessas, cumpriria até toda a lógica.

Aquilo que denominamos como facções, na realidade, são meras erupções dum único fenómeno: a contrafacção. Da verdade. Mas, não obstante, representa o pão nosso desta "democracia de sacavém". Quem é como quem diz, esta zurrapa a imitar, rascamente, uma qualquer destilaria anglo-saxónica.

quarta-feira, outubro 14, 2015

Outono em Rilhafoles






Minoria PaF (20% dos eleitores) - Neo-prec! Neo-prec! Usurpadores!...Socorro!.... Acudam!...Às armas! Aos abrigos! Ao penico!...

Minoria PS (ainda menos de 20%) - Vá, não se baldem! A Catarina às cavalitas do Jerónimo e eu às cavalitas da Catarina!..."

Minorias BE/CDU (ainda muito menos que as outras duas) - Vá, ó Tó, não sejas totó. Sobe, caraças! deixa-te de merdas!...Sempre a mesma panhonhice, da-se!"

Minoria PaF - Ó da Troika! Ó da Troika! Gullag! Magog! Prec-Prec! Phol-Pot! ketchup!...

Minoria PS - Estou-vos a ver. Não pensem que me enganam. Não nasci ontem... Nada de baldas à última hora, ouviram!... manhosices, é que nem sonhem.

Minorias BE/CDU - E ele a dar-lhe. Monta, cara***! Seremos o pedestal de aço, que a muralha acabas de deitá-la a abaixo para inglês ver!..."

Minoria PaF - Baixem os ratings, subam os juros, desçam as calças!... Papão, não! Contra a bruxa má, Sofá, sofá!... facebook! Lucky Luke! Porky Pig! Big Mac!!...

Minoria PS - Bem, vou amagotar. Estão bem seguros - digo, coesos (seguro dá azar, fosga-se!)? Olhem que eu ainda sou pesado...

Minorias BE/CDU - Pois é.  Se calhar o melhor é subires para cima de mesa e a gente põe-se debaixo dela, simbolicamente. Mas atenção, não rapes tudo à pala, senão temos o caldo entornado!...

Minoria PaF - Frente Popular! retaguarda a arder! Abril sim, stalinismo não! Fonte Luminosa! Marocas, amigo, o povo afinal está contigo!... Centrão, centrão, és nosso irmão!

Minoria PS - Antes de subir na mesa vou primeiro explicar mais uma vez aos estranjas que a vossa conversão é o quarto segredo de Fátima.

BE/CDU - Cuidado, vão-te atirar lixo prós olhos!

Minoria PaF - Nem Salazar nem Cunhal - Pai Natal! Pai Natal! Coca-cola! Hallow'een! Carnava!  Escarro social! Etc e Tal...


MAIORIA ESMAGADORA DOS ELEITORES (43 % de Abstenção) - AHAHAHahahahah!!!!!!....


Politicolepsia e Demorróidas (r)

Entretanto, no circo do absurdo, assim como a democracia, de mero meio, ascende a princípio e fim de si mesma (temos a democracia para sermos democratas), também a política experimenta idêntica desfiguração: a política não tem como finalidade maior e mais nobre governar, mas o governo é um mero meio para fazer política. E assim se reduz a função, sobretudo, a um recorrente debitar e ininterrupto bombar de propaganda, no encalço do rasteiro descascar de ideologias geralmente rançosas, que aqui arribam já ao retardador e em estado de deterioração avançada. E onde, regravo, a fundo e fogo, a merda não se distingue: espelha-se.
No resto, redunda num quadro que escuso de repetir por outras palavras e apenas relembro na sua tão infeliz quão perene actualidade:

Passámos daquilo que, segundo os especialistas e tudólogos, era um país politicamente atrofiado para uma província politicamente hipertrofiada. O tremendo défice deveio enxurrada. A fome deu em diarreia. Quer dizer, se no tempo de Oliveira Salazar a política era tarefa exclusiva de um homem, hoje a política é ocupação geral e compulsiva da malta toda. E quem não a pratica, frenética e obsessivamente, lixa-se.
Nas escolas ensina-se? Não, faz-se política. Os hospitais tratam da saúde? Não, tratam da política. Os tribunais administram a justiça? Não, ajudam à política. A polícia investiga? Não, faz política. Os jornais informam? Não, fazem política. A própria tropa que, por estatuto e princípio, não devia meter-se na política, não faz outra coisa: política; ainda por cima internacional. O país inteiro anda a fazer que anda mas não anda, anda a fazer que faz mas não faz, em suma: de norte a sul ninguém faz corno de jeito porque anda tudo muito ocupado a fazer política. A Igreja faz política, a ciência faz política, os jornalistas fazem política, as universidades fazem política, o sector privado faz ainda mais política que o público, porque senão, queixam-se todos, ninguém se safa. Dos berçários aos lares da terceira idade, é política que nunca mais acaba!
Da política confinada, resvalámos assim para a política desenfreada. Antigamente tínhamos a polícia política e é o trauma, a compunção recorrente, a choraminguice militante que se celebra, semana sim, semana não. Hoje, em regime de corrimento gorjal, temos escolas políticas, hospitais políticos, tribunais políticos, forças armadas políticas, padres políticos, jornais políticos, televisões políticas, serviços de informação políticos, universidades políticas, empresas políticas, até os clubes de futebol já são meio políticos – e ninguém se queixa. Enquanto a banca der corda e a publicidade tocar a campainha, hão-de porfiar no rilhafoles.
O próprio Governo, que mais desgoverno parece, é uma redundância pegada, uma desmultiplicação clonística de um único ministério: o da política; e de um único ministro: o Primeiro. Sim, porque bem pouco se está lixando o Ministério da Educação para a educação, ou o da Justiça para a justiça, ou o da Saúde para a saúde, ou o do Ambiente para o ambiente: todos eles zelam e cuidam é da política. Não fazem outra coisa senão converter e dissolver tudo na política. Política caiada a finança. Aos baldes.
O que, de resto, cumpre uma lógica inexorável. Manhosamente, os eleitores entronizam um tipo que a única coisa que sabe fazer, após maturação intestina num país que não faz outra coisa, é política. Ninguém pode esperar que administre o país, que oriente a nação, que aprenda com o passado ou que prepare o futuro. Faz aquilo que sabe fazer, em que foi amestrado: política. Ou seja, flutua de modo a que o seu umbigo fique à tona, ao leme, ao sol. O maior número de dias possível.
Isto há-de chegar a um ponto que um tipo, um dia destes, chama um canalizador e em vez da reparação requerida, da torneira arranjada, recebe um comício. Há-de chegar, minto: já é assim. Entra-se num táxi e descobre-se um Demóstenes ao volante; vai-se ao barbeiro, e leva-se com um Catão de tesoura e pente em riste; passa-se na padaria e depara-se com uma Rosa Luxemburgo em erupção; convoca-se um limpa-chaminés e temos um Lenine de escovilhão pela certa; fugi da mulher-a-dias se não quereis aturar um Marcelo Rebelo de Sousa ao ralenti.
Os Atenienses clássicos tinham a mania dos tribunais; os romanos a tara do circo. Nós, lalonautas destravados, mascadores sonoros de crises elásticas, transformámos o país num frenético parlamento! Num palratório geral e compulsivo! Num grulhódromo desenfreado!´
É um país inteiro em demorragia oral, a entornar-se pelos cantos, a desbordar-se pelas esquinas, ruas, escadas, janelas, televisões e autocarros? Sim. Sem dúvida. E com uma grande camada de chatos, para cúmulo da comichice. E outra ainda maior de Demorróidas. Que, curiosamente, até passam por amigdalite.


.....//.......

Quando naquele já célebre postal da Disfunção Pública (passe a imodéstia), se assssinalava o grande problema do Estado (que consistia na hubris Disfuncionária, ou excesso de disfuncionários), uma questão ficava implícita e por responder: como distinguir o Disfuncionário do Funcionário? Pois bem, em definição sintética, poderíamos dizer que o Funcionário é aquela criatura obsoleta que teima em prestar um serviço; Disfuncionário é aquele que faz política. Também, e inerentemente, os funcionários conseguem distinguir-se uns dos outros, pelo menos segundo espécies (educação, justiça, segurança, saúde, etc); os Disfuncionários não: constituem um género único - uma amálgama, um magma, um despejo (e aqui, despejo no tripo sentido:  de ausência completa de pejo ou vergonha;  de fluxo de matéria indistinta;  de expulsão de residentes e inquilinos). Por conseguinte, enquanto o funcionário fica sujeito ao labirinto curricular, o disfuncionário não. Quer dizer, se o funcionário da educação só pode funcionar nesta (um professor  não pode candidatar-se a um hospital), o disfuncionário tanto pode disfuncionar nas finanças, como na saúde, como na educação, na segurança ou, onde quer que a real cunha, comissão ou gana partidária da última eleicinha o permita e promova.  Assim, o disfuncionário congrega não apenas o dom da omnisciência, como o da omnipotência e da ubiquidade malfazeja. Afinal, em se tratando de fazer mal (ou seja, de fazer política em vez de qualquer coisa de útil à comunidade), é indiferente o lugar. Ao contrário da função, que é difícil, penosa e requer uma grande dose de espírito de sacrifício, a disfunção é fácil, ultra-gratificada e não requer qualquer esforço de sabedoria, organização ou moral. 

PS: É claro que quando se diz agora "política", este conceito nada tem que ver com o significado original. Hoje em diz, "política" traduz-se num mero cumprir, não de qualquer finalidade do interesse público ou comunitário, mas da mera finança. Na perspectiva do Disfuncionário, a Disfunção Pública constitui apenas um sórdido expediente de auto-financiamento. A destruição dum país para que os seus Disfuncionários enriqueçam poderá parecer uma exorbitância aos contribuintes, mas aos felizes Disfuncionários sabe a verdadeira pechincha, autêntico negócio de ocasião. A todos eles, sem excepção, ao acederem ao providencial úbere, um lema maníaco telecomanda: "É agora ou nunca!"

terça-feira, outubro 13, 2015

O Regime da Decadência

 

«Fingindo dar lições aos reis, deu-as ele, e grandes, aos povos. O Príncipe de Maquiavel  é o livro dos republicanos»
- J.J. Rousseau, in "O Contrato Social"

Absolutamente de acordo. Na mosca!

«Um defeito essencial e inevitável, que sempre porá o governo monárquico abaixo do republicano, está em que, neste último, a voz pública quase nunca eleva aos primeiros postos homens que não sejam esclarecidos e capazes e não os ocupem com dignidade; ao passo que, nas monarquias os que se elevam são, as mais das vezes, pequenos rixentos, pequenos velhacos, pequenos intrigantes, cujos pequenos engenhos, que permitem, nas cortes, alcançar os grandes postos, só lhes servem para demonstrar ao público o quanto são ineptos, tão logo aí consigam chegar. No tocante a essa escolha, o povo  engana-se bem menos que o príncipe, de sorte que é quase tão raro encontrar um homem de real mérito no ministério quanto um tolo à frente de um governo republicano.»

Agora peguem nesta última digressão, do mesmo Rousseau, no sobredito Contrato Social, e confrontem-na com a nossa realidade republicana - tanto na primeira República quanto na actual "Democracia" (ambas, na terminologia de Pessoa, que testemunhou a primeira e corroborado por mim , que assisto à segunda,  puras oligarquias de bestas). è mais que evidente que a descrição de Rousseau reflecte o contrário da realidade (a quantidade de medíocres numa corte é menor que numa república, pura e simplesmente, porque a  quantidade de comensais é necessariamente e avultadamente menor. Ou seja, só há  um Rei e respectiva corte, e não uma miríade de monarcúnculos rastejantes, cada qual com a sua corte, estrebaria e micro séquito de sabujos, histriões e trampolineiros de serviço e atalaia. A regra verificada à exaustão é que a república não é um repositório de virtudes raras na monarquia, mas, outrossim, um vasadouro  amplificado e multiplicado dos vícios inerentes às monarquias na decadência. Ou não constituíssem essas repúblicas a mera promoção e autonomização dos principais agentes patogéneos, oportunistas e comsumptivos da decadência monárquica. Alcança-se então a célebre fórmula de Lampedusa: "É preciso que tudo mude, para que tudo fique na mesa". Ou seja, não se trata de refundação alguma dum novo regime depurado, mas apenas da prossecução desembaraçada não já da monarquia, mas tão sòmente da decadência descoroada desta.

Já agora, a grande diferença entre o Estado Novo e a Primeira República não está no nível de repressão, censura ou arbitrariedade que palpitasse superiormente no primeiro. Mas apenas que Salazar governou mais à maneira duma monarquia do que duma república - agindo suprapartidáriamente e não permitindo a proliferação das facções à mesa do erário. Não acabou com a corrupção nem com o parasitismo, apenas os reduziu a níveis aceitáveis e inócuos para a nação. Mesmo a zaragata civil, endémica entre nós, conseguiu amortecê-la a uma mera latência. Quando alguns apelidam de "salazarquia" o consulado de Salazar não estão a faltar completamente à verdade. Uma nação saudável nem é um parque natural de puros anjos, nem um recreio infantil de autómatos ultrapasteurizados: é simplesmente um espaço onde o vício, a anomia, a amnésia e o suicídio colectivo não predominam. Onde não ascendem de  residual a triunfal. Como qualquer patogenia num organismo cujo sistema imunitário entre em colapso.

Entretanto, o que transportou Rousseau àquela enviesada definição não foi qualquer observação lúcida e, ainda menos, imparcial da realidade. Bem pelo contrário, foi o refinado espírito de vingança para com uma sociedade e um  regime que o preteriu a Voltaire. "Não me dão colo, vingar-me-ei!". Há sempre um rancor despeitado por detrás da terapia furiosa dos grandes cauterizadores da humanidade.

segunda-feira, outubro 12, 2015

Hierarquia de cenários ou catástrofe

Digo-o sem qualquer rebuço: considero duma tremenda má fé e transbordante ciganice alguém, com os alqueires bem medidos, duvidar que a esquerda disfarçada de esquerda não seja capaz de desgovernar tão bem como a esquerda mascarada de direita. Francamente!... Um mínimo de sentido da realidade, senhores!

No entretanto, pairamos no melhor dos mundos: a esquerda mascarada de direita descabela-se a rosnar impropérios e cagarolices ao espelho; a esquerda disfarçada de esquerda desdobra-se em consultas, flirts e amenas cavaqueiras. Enquanto as coisas assim se mantiverem, neste estado de suspensão benigna, o país lucra, folga e avança. É que se sem presidente, vai para dezena de invernos, a republiqueta lá marcha a preceito, então sem Desgoverno era uma bênção dos Céus, um brinde digno de peregrinação nacional à Santa. Vou mais longe: Era mesmo o melhor que podia acontecer à nacinha nos próximos quatro anos: uns a gafanhotarem à toa; os outros a parlapiarem pelos cantos. Até aposto que diminuía o défice e a Dívida!

Isto, por conseguinte, era a melhor coisinha que nos podia acontecer, acreditem. A segunda melhor coisinha, já agora, era aquilo que sugeri anteriornente: todos no Desgoverno (o que resultaria numa paralisia completa e permanente do dito, com enormes vantagens para a pátria desoprimida). E já que estou com a mão na massa, sempre adianto o terceiro dos melhores cenários: a esquerda disfarçada de esquerda entende-se, conglomera-se e convida o tipo do PAN para formar governo. Com a condição de que os ministros sejam exclusivamente constituído por animais irracionais genuínos e não de imitação, como é geralmente o caso e tem sobreabundado nestes últimos quarenta anos. Quem não está farto de presidentes embalsamados, ministros empalhados e secretários de estado embebidos em álcool é porque também já faleceu e nem sequer deu por isso.

E pronto, estes são os cenários minimamente aceitáveis. Recapitulando: 1, Desgoverno nenhum; 2. Todos no Desgoverno; 3. Desgoverno de bestiário natural.  Tudo o que saia disto, ninguém duvide: é a catástrofe!