quinta-feira, fevereiro 12, 2015

Imagens de entretenimentos das massas tipicamente socialistas


quarta-feira, fevereiro 11, 2015

Imagens de Meios e Programas de formatação mental (vulgo lavagem ao cérebro) típicamente socialistas...

...que moldaram um pensamento único e uma forma suicida e lemming de corrida desenfreada ao despenhamento na crise!...


Imagens dos gulags tipicamente socialistas...


...onde, sob sequestro estatal, milhares de quadros, funcionários, gestores e cidadãos avulsos penaram, mutilados dos seus direitos e impedidos brutalmente de obstar ao descalabro económico com o contributo da sua diligência mercantil, do seu afã industrial   e, nunca será demais realçá-lo, do seu espírito empreendedor.








Imagens das novas catedrais do deboche tipicamente socialista que aqui nos trouxe






terça-feira, fevereiro 10, 2015

Ordálio ou Duelo, eis a questão



Na época de Carlos Magno existia uma fórmula jurídica muito curiosa. Intitulava-se "juramento purgatório"., e passo e descrê-la: o acusado, através de um juramento solene, em ritual que geralmente decorria numa igreja, ou sobre as ossadas de um santo, podia libertar-se da acusação. Para o efeito,  apresentava-se diante dum juíz acompanhado de um certo número de co-jurados que, com ele, jurassem pela sua inocência e se constituissem garantes da sua inocência. Uma espécie de fiadores de justiça, em suma (tal qual aqueloutros fiadores de crédito, que ainda hoje deparamos no mundo dos negócios, sobretudo bancários). Por conseguinte, o réu, consoante o número de fiadores que apresentasse, tanto mais credível de inocência se tornava. Só para termos uma ideia, conta-se que a rainha Fredegunda, acusada de adultério, terá prestado juramento purgatório acompanhada de trezentos co-jurados. Dependendo da gravidade do crime e da posição social do arguido, tanto maior o número de co-jurados exigíveis. Nesta fase do direito, convém ainda referir, competia ao acusado, presumido culpado,  demonstrar a sua inocência.
Vem isto a propósito de quê?
De reminiscências disto no presente, sobretudo entre nós, exportugueses.
Mas antes que especifique em concreto, notem que este "juramento pugatório típico da justiça franca (bárbaros germanos, por contraposição ao direito romano), aconteceu num período em que as regras de prova não estavam devidamente estabelecidas nem desenvolvidas. Até porque a mentalidade júridica franca não confiava "no recurso às testemunhas, às presunções ou aos documentos escritos, que no direito romano contribuíam para esclarecer o juiz", entendendo "ser antes preferível descobrir a verdade graças à eficácia de actos religiosos ou pretendidos como tal". E daí o tal "juramente purgatório", em ambiente sagrado.
Pois bem, no presente, muito por ocasião de casos onde a justiça, tanto quanto nos processos, parece decorrer e transpirar na praça pública, num perfeito entrudo extra-calendárico, assistimos, por um lado a uma reencenação deste "juramento purgatório" - exemplo: uma romaria de co-jurados  acorre a Évora, todos eles prontos a apresentarem-se como fiadores pela boa honra e sólido carácter do acusado; e por outro, e em ruidoso contraditório do anterior, deparamos com uma inovação e suplemento que só mesmo um povo dado à pioneirice como o nosso lograria desarrincar, ou seja, o "juramento  objurgatório" - exemplo: uma procissão de desconfiadores e in-jurados do réu, protesta e garante a pés juntos a sua culpa, premeditação, contumácia, vício arreigado, total ausência de arrependimento, etc.
Venho acompanhando de longe, entre divertido e perplexo, todo este cortejo carnavalesco. Ainda não consigo vaticinar, com alguma certeza, o resultado final. Mas, entretanto, permito-me uma humilde proposta.
Já que, pelos vistos, estamos em regressão acelerada à barbárie baptizada, sugiro uma outra fórmula da época: o Ordálio.
O Ordálio acontecia sempre que o juramento purgatório não bastasse, ou o acusado não encontrasse co-jurados, ou ainda quando o acusado não fosse um homem livre. Nesses casos, por insuficiência ou ausência de meios humanos adequados à prova de inocência ou culpabilidade, recorria-se ao "julgamento divino". Pedia-se a Deus que interviesse e mostrasse, por algum sinal visível, qual das partes tinha do seu lado a verdade e a justiça. Quer dizer, o acusado subia de instância:  do juízo terreno passava ao Celestial.
Entretanto, havia duas espécies distintas de ordálio: o unilateral (em que apenas o acusado era submetido a prova); e o bilateral (em que ambas as partes eram submetidas). O principal ordálio bilateral consistia no duelo judiciário (o queixoso e o acusado batalhavam diante do juiz de modo a demonstrar quem tinha razão. Os plebeus batiam-se a pé; os de mais alta linhagem, a cavalo. A parte vencida, obviamente, não tinha razão.
Quanto aos ordálios unilatrais, haviam três ou quatro modalidades mais usuais:
a) O acusado mergulhava a mão num caldeirão com água a ferver, para dele retirar um objecto (se  o mão e braço se curassem no prazo fixado, era inocente; se a ferida apresentava mau aspecto, era culpado);
b) O acusado devia segurar numa das mãos um ferro em brasa e caminhar com ele nove passos (semelhante ao anterior);
c) O acusado, com o pé direito atado à mão esquerda e o pé esquerdo atado à mão direita era lançado a um lago ou a um rio (se se afundava era inocente;  se boiava é culpado - a água rejeitava-o por impureza);
d) O acusado tinha que ingurgitar uma grande quantidade de pão e queijo (se após o empanzinamento não se sentisse indisposto, era inocente; caso contrário, era culpado).

Pronto, agora só têm que decidir a que ordálio se deve submeter o arguido - unilateral ou bilateral. Se unilateral, qual das quatro modalidades. Calculo que isto irá gerar mais ruído, acrimónia  e tumulto, pelo que antecipo uma cândida sugestão: sorteio na tômbula, pois claro. O mesmo sorteio, aliás, que em tempos recomendei para método eleitoral legislativo e que, muito provavelmente, teria dado bem menores angústias e dissabores à nacinha.
Em todo o caso, sempre alvitro, caso dependesse exclusivamente de mim, porque aprendi com os antigos a não ser impiedoso, determinaria o ordálio bilateral, ou mais concretamente, o duelo judiciário. Assim, o acusado e a acusação, isto é, o arrecadado 44 e o director do Correio da Manhã, montados e armados de acordo à respectiva condição (como estamos em república democrata, é tudo baixa linhagem, pelo que será necessariamente a pé a a pontapé, por mor da religião nacinhal - o Cristianismo Ronaldo), batalharão durante o tempo bastante para apuramento da verdade (até que uma das partes seja ou se confesse vencida) , com limite  no pôr do sol. Se até lá, a acusação não conseguir estabelecer o seu ponto, o veredicto será favorável ao acusado.

Pensando bem, estou capaz de fazer um upgrade no meu método de lotaria eleitoral. O ideal mesmo, começo a vislumbrar, era o ordálio bilateral entre os candidatos. Só que devidamente motorizados, a bem da nossa querida Merkla. Por exermplo,  o Costa e o Coelho, cada qual ao volante do seu BMW, Mercedes, ou qualquer outro bólide germânico de afeição, chocavam frontalmente aí, digamos, a uns 100 km/h. O que sobrevivesse era declarado, naturalmente, vencedor. Podia passar à eliminatória seguinte, com o candidato sobrevivente de outro ordálio paralelo. Até que apenas sobrasse um, que, automaticamente, era eleito Primeiro-Ministro. Que vos parece? Catita, não?!...

PS: E para prova ainda mais cabal  da minha piedade congénita, o candidato Portas seria autorizado, excepcionalmente, a colidir de marcha-atrás.

PS2: Julgo que será dos ordálios que provém a expressão "pôr as mãos no fogo..."

PS3: Ah, e de modo a cumprir com a legalidade camarária, e dado que os duelos decorreriam na capital (na Avenida da Liberdade, como as marchas populares) as matrículas não poderiam ser anteriores a 2000.

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

A (sempiterna) Procissão dos Flagelantes





O postal que vou republicar de seguida, foi por mim escrito e aqui exposto em 01 de Novembro de 2012 (uma data curiosa, dia dos defuntos; bem apropriada, diga-se...) Vou republicá-lo porque é preciso dizê-lo, repeti-lo e tripeti-lo se necessário for até à exaustão. E se o lerem ou relerem com atenção vão perceber logo porquê. Além disso, eu podia reescrevê-lo doutra forma, mas duvido que o dissesse tão bem. Por conseguinte, aí vai...



Há marasmos mentais que eu, de todo, dispenso. Certas palhas de rebanho, em espécie de psico-ração de comveniência, essas, então, repugnam-se. Por exemplo, aquela muito fresca e repetida: a saber, que foi o socialismo que nos trouxe até aqui, a esta bela bancarrota nova e reluzente. Suponho que se referem ao "socialismo prático", do estilo União Soviética,  (e não ao socialismo angélico que, como todos sabemos, paira, sublime e diáfono, incólume a chacinas e genocídios, à espera da encarnação perfeita num qualquer amanhã chilreante). Este socialismo angélico, de resto (e não esqueçam o que eu ia dizer), é irmão gémeo daquele liberalismo inefável que também flana e flui, em subtil destilaria celestial, aguardando o dia da perfeita e não menos chilreante aurora. Para os seus adeptos e catecúmenos, o liberalismo puro nunca existiu na prática ( e por isso ele é eternamente puro): o que tem pululado e tripudiado pelo mundo é perversões, natural e fatalmente socialistas, daquela imaculada e pulcra essência. Certos espíritos menos benevolentes até já se interrogam se não derivará tudo duma má relação de ambos com a realidade: enquanto o liberalismo não vislumbra quaisquer orifícios nesta, o socialismo  aproveita e viola-a de todas as maneiras possíveis e imaginárias.  Voltando agora onde eu ía, terá sido mesmo através duma dessas maneiras, nitidamente imaginária, que acordámos, um belo dia, nesta esplêndida bancarrota. 
Ora, foi público e notório que o país, nos últimos decénios, se entregou a desregramentos mais que típicos dos antigos paíse socialistas, como, por exemplo (e só para citar os mais emblemáticos): orgias gerais de crédito bancário; consumo desenfreado de gadjets, bugigangas e artigos de luxo; importação desaustinada de tudo e mais alguma coisa; abolição eufórica de fronteiras;  cornucópia de televisões, revistas e jornais em torrencial dilúvio de toda a casta de incitamentos publicitários à ganãncia e luxúria épicas e salvíficas; liberdade de expressão em barda; subsídio generoso a toda a espécie de minoria da moda internacional,; imigração selvagem; destruição metódica e excternamente patrocinada de todo o aparelho produtivo; desindustrialização ufana; multipartidarismo infestante; parlamentarismo incontinente; turismo obsessivo;, agrofobia histérica; financeirização transcendental; etc, etc. Em suma e síntese: como podemos constatar, a exacta réplica de todos os vícios e taras soviéticas (ou de quaisquer dos seus satélites de leste), não é? Ou mesmo de Cuba, da Albânia, da Coreia do Norte, da China Maoista, senão mesmo do Camboja de Phol Pot!... Ressalta à vista e entra pelos olhos a dentro. Especialmente, untado a vaselina, pelo mais cego de todos!... Porque, repito e trepito, como todos estamos cansados de saber, à data do colapso do paraíso terreal socialista, toda aquela gente, um pouco à semelhança do Império Romano lá das antiguidades, chafurdava em toda a variedade de orgias, sobretudo consumistas, opinorreicas e plutofaccientes. Até metia nojo!
Bonito; e segundo os entendidos, qual o principal factor para esta nossa queda ininterrupta no pecado socialista em larga escala?  É que temos uma constituição socialista, proclamam eles, esgazeados e com a coifa ao desalinho; assedia-nos um tabu legal e atávico  que nos inibe de abraçarmos os redentores hábitos capitalistas e nos constrange, tirânico, ao caminho da perdição. De guarda a este hediondo santuário do mal, patrulham demónios e ogres retintamente socialistas, desde o patriarca Soares até ao último guincho Sócrates, ou seja, desde o proto-socialismo até ao metro-socialismo. O mesmo Soares que, nas suas próprias palavras, guardou o "socialismo na gaveta" e tirou a democracia liberal e palramentarista do armário, onde ela estava escondida desde o 25 de Abril, cheia de medo dos comunistas e à espera que a descolonização passasse; e o mesmo Sócrates cujo paradigma inspirador era um marxista-leninista empedernido chamado Tony Blair, imagine-se. Conseguem imaginar? E já agora, imaginem também a mesma choldra mascarada de povo, entre eleiçados e eleiçores (representação, babam eles), que se entregou a todos os desregramentos, que converteu todas as leis e códigos legais numa nova espécie de papel higiénico regimental, que se marimbou para quaisquer regras milenares do civismo, vá lá, só mais um pequenino esforço, e tentem imaginar toda essa ciganagem cheia de inibições com a Constituição. A cultivar traumas e stresses...fobias angustiantes... O Código Penal não os inibe; as próprias leis da natureza não os inibem, o Diário da República funciona por conta, balcão, recreio e encomenda. Mas a Constituição inibe-os, coitadinhos. Revista e descafeinada, podada e recauchutada, ainda os inibe. Demove-os. Causa-lhes aquela disfunção eréctil mental em que vivem diante da realidade. Com a inteligenciazinha mirrada, a moral descartável e a coluna vertebral gasosa, assistindo, frustes e gelatinados, às contínuas violentações socialistas. A constituição é que não os deixa, é que os impede, é que os obriga a ficar assim, hirtos, meros portadores dum acessório inútil, triste, pendente.. Todavia, uma gaitita mágica, fadada misteriosamente, intimamente agregada ao futuro da nacinha.  Este só se endireitará quando eles endireitarem aquela. Mas primeiro, detalhe crucial, condição sine qua qua, há que lhes tirar a Constituição da frente. Porque então, então sim, livres dessa maldicinha, a realidade vai ver e, sobretudo, eles vão conseguir ver e encarar a realidade.Sem complexos. E a economia vai trepar nos gráficos à medida e ao ritmo com que a sapiência protuberante for capaz de lhes trepar na barriga, à conquista do umbigo. E ninguém duvide: no mínimo, será vertiginoso!...
Só que até lá vamos penar. Vamos pagar. Vamos expurgar-nos e penitenciar-nos nesta procissão de flagelantes. Temos que mostrar ao mundo, aos mercados, às feiras, às praças e até aos lugares de hortaliça que estamos arrependidos, compungidos, sinceramente pesarosos de todos este tempo estéril em que nos entregámos, de corpo e alma, ao deboche socialista. Na esperança paciente e godótica do dia radioso e deslumbrante em que a inteligência solene dos nossos formidáveis gestores ganhe vigor vertical e deixe de apontar, murcha  e engelhada, ao olho do cu. Da Europa tanto quanto da tribo.

domingo, fevereiro 08, 2015

sábado, fevereiro 07, 2015

O Admirável Feudalismo Novo


«A usura é justamente detestada, porque o seu lucro provém do próprio dinheiro em si e não da causa e finalidade para que o dinheiro foi inventado. Pois o dinheiro foi concebido com o propósito de  troca; porém, o juro aumenta a quantidade de dinheiro por si mesmo (e é daqui que nasce o ditado grego: "os filhos assemelham-se aos pais, tal qual o juro é dinheiro que nasce de dinheiro); consequentemente,de todas as formas de enriquecimento esta é a mais contrária à natureza.»
    - Aristóteles, "Política"

«Nenhum servo pode servir a dois senhores: ou há-se aborrecer a um e amar o outro, ou dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.»
            - N.T., Lucas, XVI:13

«Num dos momentos em que mais comeu e bebeu na Rue Laffitte, Heine considerava os cinco irmãos (Rothschild) grandes revolucionários: Não tinham eles usurpado as últimas pretensões do feudalismo? Não tinham abolido a importância estagnada e hirta da propriedade rural? Não a tinham substituído pelo domínio do dinheiro, pelo capital e títulos, que qualquer pessoa podia possuir em qualquer altura? Não eram estes os instrumentos de governação mais flexíveis, justos e produtivos que jamais tinham sido inventados? (...)
            (...)
«Lytton Strachey, considerando a Rainha Vitória "excessivamente rica", mesmo entre monarcas reinantes, calculava o valor máximo da sua fortuna em cinco milhões de libras. Pobre Vitória. Um ramo da família (Rothschild) podia, sem esforço, fazer compras no valor da fotuna inteira de Sua Majestade, de um momento para o outro. Isto ia ser demonstrado pela compra do canal do Suez. (...)
Mas é preciso mais do que uma fortuna para criar o mito que celebrizou o nome Rothschild. É preciso, acima de tudo, um ar convincente da própria celebridade. Depois de Aix, os cinco irmãos ficaram inabalavelmente convencidos de que o direito divino dos soberanos tinha sido destronado pelo direito divino do dinheiro, e de que Amschel, Nathan, Salomão, Kalmann e James eram dinheiro.»
                     - Frederic Morton, "The Rothschilds" (biografia oficial da família)

O que sucedeu e vem sucedendo na chamada modernidade é que o feudalismo terra-tenente da idade média vai sendo transposto e remobilado, só que, doravante, radicando não já na terra e numa divindade supra-humana, mas na riqueza monetária e na sua nova pseudo-divindade infra-terrena: o dinheiro. Assim, enquanto a relação de soberania antiga decorria dum dever (a graça de Deus)  e manifestava-se em harmonia com uma "ordem natural" das coisas, a actual sustenta-se na sublimação de um mero Ter, que se reproduz duma forma que se opõe e obra contra a própria natureza. O Poder reduz-se, inerentemente, a uma posse. O poderoso é intrinsecamente o possidente. O próprio mundo já não experimenta um regime, mas, bem mais sinistramente, uma possessão.  E a teogonia revive e recria-se na forma de novo olimpo a boiar num caos fervilhante sempiterno: o Mercado.

Já a sua forma criptocrática de exercerem apenas remete para uma realidade efectiva: afinal, a mão invisível não é senão a extremidade operativa de um braço e respectivo corpo igualmente ocultos, que pilotam, com implacável  gana, por detrás do palco financeiro e dos seus títeres políticos.

Os gregos antigos, que a sabiam toda, ao deus dos Infernos (Hades) chamavam também o deus das riquezas (Pluto), porque a riqueza encontrava-se à guarda das profundezas subterrâneas. Esta plutocracia que nos conduz a um local muito obscuro radica todo a sua essência nessa subterraneidade simbólica...e infernal. Ao contrário do esforço para o céu e para a luz, que a catedral gótica, da  Idade Média, representa, as novas catedrais financeiras mergulham, cada vez mais fundo, na treva das minas de metais preciosos ou industriais, dos poços de petróleo, dos labirintos lovekraftianos  dos tráficos, dos matadouros intra-específicos por amor das reservas de matérias primas, das manipulações  de vária ordem - das económicas às mediáticas, das históricas às biológicas - das reversões e subversões morais, físicas e mentais.
O texto de Aristóteles em epígrafe ganha tanto mais sentido quanto a análise mais detalhada do próprio termo, no grego clássico, para designar "usura" - "tokos" -, o desvela. Da raiz "tiktw", que significa "dar à luz", "gerar", "pôr ovos", "produzir", "tokos" quer dizer "parto", "renovo", "fruto", "interesse" e "juro". Esta ambiguidade da palavra grega é característica da língua mãe do nosso pensamento e da nossa civilização. Basta relembrar, por exemplo, que "pharmacon" significa "remédio" e, igualmente, "veneno". Daí, também, que a ética Aristotélica se esmere, sobremaneira, na demanda da "justa medida"; quer contra o "excesso", quer contra a "falta".
Ora, o "parto" do dinheiro é um parto, uma gestação contra-natura, ou dito, à maneira grega, um para-fysis (dá-se o caso que tenho o texto em grego à minha frente);  ou seja, enquanto fruto da inteligência humana (noos), não manifesta um fruto natural, mas um fruto que atenta contra a própria árvore, isto é, que opera contra a própria inteligência - um para-noos. Ou, traduzido para português, uma para-nóia.
O domínio que sucede, assim, à metafísica não esprime uma qualquer pseudo-emancipação da física, como certa propaganda intoxicante estima de propalar, mas antes uma mutilação, uma agressão estritamente oportunista, um processo contra-físico - uma parafísica, ou seja, a trama de uma pura artificialidade contra a natureza e contra Deus (passe a redundância). O materialismo usurário (e aqui não se trata apenas da usura financeira como igualmente da usura física de todas as coisas) camuflado de "ciência moderna" mais não reflecte que isso mesmo. Estamos no campo da exploração e rentabilização financeira dos recursos naturais, muito mais que na sua genuína investigação e compreensão. O verdadeiro conhecimento, o genuíno saber são banidos, degradados e desprezados a título de obstáculo, empecilho e escrúpulo obsoleto, retrógrado e obscurantista ao bom andamento dos negócios. Nas caldeiras do apetite instantâneo a ferver, não há tempo a perder com lições e avisos do passado, nem, tão pouco, prudências ou cuidados com as consequências no futuro. Antepassados são para esquecer, vindouros são para ignorar.
Não estranhamente, esta paranóia montada numa parafísica encontra o seu expoente mais revelador naquilo que sempre constituiu o cerne da relação do homem com a natureza, ou da cria com a mãe: alimento. O que nos desembarca noutra palavra grega muito a propósito: sitos - trigo, pão, alimento. A obra contra a inteligência e contra a natureza é igualmente um obra contra o alimento (do corpo e da alma: o pão e a esperança), isto é, a paranóia e a parafísica segregam, sintetizam e nutrem não o alimento natural do homem (um sitos), mas um para-sitos; ou, dito em português,  um parasita da humanidade. A usura é uma actividade meramente parasita. A civilização greco-cristã desenvolveu uma ténia descomunal que, à medida que foi crescendo e proliferando, foi ascendendo dos intestinos ao próprio cérebro.
Um tríptico, talvez pintado por Francis Bacon, de Victor Rothschild debruçado sobre a vida sexual do percevejo, a técnica amorosa da aranha e a procriação entre as sanguessugas seria um quadro que simbolizaria tão bem o percurso triunfal da nodernidade pós-cartesiana, quanto a escola de Atenas, por Rafael, ilustra para a eternidade o caminho do pensamento humano, desde Homero até à catedral de Chartres.




Nota: é preciso compreender que' sendo uma coisa desprovida de movimento próprio, sendo pois inerte e artificial e não um ser vivo, não é natural que o dinheiro procrie. É nesse sentido que Aristóteles define a sua reprodução como contra-natura. Trata-se, em bom rigor, duma monstruosidade, dum malefício. É claro que num manicómio, quando os dementes assumem a administração e a clínica, adivinhem, na melhor das hipóteses, onde estão fechados os médicos e enfermeiros...


quinta-feira, fevereiro 05, 2015

Toque de Midas




A prova mais que evidente como os Rothschild tomaram o controlo empresarial  do Charlie Hebdo em Dezembro de 2014 é muito simples de apurar:
1. Dezembro de 2014. Revista semi-falida e com ocasionais piadas aos semitas angélicos. Tiragem: 60.000 exemplares (receita bruta: 180.000 euros)
 2. Janeiro 2015. Redução drástica de despesas com pessoal (ajustamento providencial) e com instalações. Tiragem 5.000.000 (receita bruta: 15.000.000 euros) E não haverá mais piadas aos semitas angélicos, apenas aos diabólicos.
Verdadeiro toque de Midas, convenhamos, só ao alcance dos melhores (sim, porque se o Bem do Mundo é o dinheiro, então se  não são os melhores, andam lá perto).

Significa isto que o atentado fez parte duma conspiração Rothschild? De maneira nenhuma, e não estou a ser irónico. Para que precisavam eles disso? Tão pouco faz o estilo daqueles senhores meterem-se nesse tipo de sujeiras. Agora o que é lendário neles é o estarem sempre muito bem informados. É essencialmente nisso que eles apostam e muito graças a isso que eles triunfam. Como no vertente caso, muito provavelmente. Conspiração? Marketing genial, digam antes. E, claro, aquilo que sempre os destacou e alcandorou acima da concorrência: oportunidade de negócio.

PS: por falar em Rothschilds, lembrei-me agora duma passagem pitoresca da biografia autorizada da família, por Frederic Morton (uma obra - datada de 1961 -que recomento vivamente)... Relata-nos ele, a páginas 286 da trad. portuguesa da Ed. Íbis:
«O membro mais importante é o actual Lord Rothschild (Victor), o primeiro do seu título a abandonar completamente as Finanças. Par do Reino trabalhista, discípulo de "swing" do pianista Teddy Wilson, e biologista, fez investigações sobre a vida sexual do percevejo, a técnica amorosa da aranha e a procriação entre as sanguessugas. Sua irmã mais velha, Miriam, escreveu um livro em colaboração «Pulgas, Lombrigas e Cucos», um livro importante sobre parasitologia.»

Dispenso-me de mais comentários (que seriam fáceis e óbvios). Até porque tenho um troll para desfrutar em plena auto-vivissecção.

Propagandoscopia



Já agora, convém referir que não é segredo nenhum que o "The Economist" é controlado pelo ramo britânico dos Rothschild e faz fretes frequentes à CIA. E isto não significa nenhuma "teoria da conspiração": são simples factos e expedientes normais da gestão quotidiana deste mundo.

quarta-feira, fevereiro 04, 2015

A Lei Geral da Riqueza

Segundo o mais recente cômputo, 1% da população mundial detém 50% da riqueza global. Ou seja, tanto quanto os restantes 99%.
Este singular fenómeno pode ser encarado de duas perspectivas substancialmente diversas:
Para  a esmagadora maioria dos humanos, há excesso de riqueza nas mãos de muito poucos.
Para os muito poucos, ou minoria possidente, há excesso de população para os recursos disponíveis.
Ora, como na actualidade, o poder político, mais que nunca, tende a submeter-se ao poder económico, a perspectiva dos muito poucos tende a prevalecer, senão mesmo, de alguma forma, a ver-se  implementada com carácter de necessidade absoluta.
Depois, como a dinâmica intrínseca da economia global promove a a reprodução do dinheiro pelo dinheiro (leia-se onanismo financeiro), a inclinação, cada vez mais vertiginosa, é que os 50% disponíveis para os 99% diminuam progressivamente. De tal modo que daqui por, digamos, 20 anos, apenas estará disponível 40 ou 35% da riqueza.  Até porque o aumento natural da população aliar-se-á ao acumulamento progressivo da riqueza.
Resulta então, de tudo isto, uma dedução óbvia: o grande e maiúsculo problema para a ultra-minoria possidente é, por um lado, ampliar a sua sempre escassa riqueza; e, por outro, reduzir o excesso de população que compete pelo restante bolo, de modo a contrabalançar o tamanho cada vez mais diminuto deste e a contrariar a erupção das tensões inerentes daquela. Quer dizer, como irá haver cada vez menos riqueza para cada vez mais pessoas, torna-se imperioso, na parte que pode alterar-se, promover essa alteração, ou seja, fazer com que os cada vez mais devenham cada vez menos, para que assim, de alguma forma, possam ajustar-se  ao cada vez menos a que podem aceder.
A lei geral que de tudo isto decorre, pode traduzir-se nos seguintes termos:
Para que o dinheiro se possa reproduzir cada vez mais é necessário que as pessoas se reproduzam cada vez menos.

Ferramentas evidentes para a realização e concretização desta lei, são já manifestas algumas, entre as quais:

- Mito do aquecimento global;
- Depressão colectiva artificialmente induzida (através de austerizações absurdas e meramente punitivas, por exemplo);
- Terrorismo global confeccionado;
- Desestruturação das sociedades tradicionais e normalização do caos;
- Desligamento ao passado e infernização do futuro, de modo a justificar e perenizar uma reclusão num presente absoluto;
- Instauração dum totalitarismo económico, império duma tirania financeira global, sob pretexto de combate  a despotismos nacionais, ou autocracias regionais.


A troco de ornamentos, confisca-se a vida.




terça-feira, fevereiro 03, 2015

Da Agit-Prop às Investment wars


Podemos surpreender a culinária da propaganda no seu momento ignitivo:

O "primeiro-Ministro" dos rebeldes pró-russos da Ucrânia declarou: «Kiev's pro-Western leaders were "miserable representatives of the great Jewish people".»

As parangonas da notícia distorceram para: 

«Ukraine run by 'miserable' Jews»  , acompanhado da pronta nota explicativa:" in an apparent anti-Semitic jibe."


E pronto, eis o labéu fetishe. O carimbo de desqualificação máxima nos dia de hoje. Subitamente, eclipsa-se o facto de Kiev estar infestada de neo-nazis, e os outros, porque convém à Moral do dia, é que são degradados a anti-semitas. Mais uma etapa na construção do novo-Hitler: Putin. E na demonização propagandística da Rússia. Não se pode dizer que seja original esta metodologia sulfurosa. Bem pelo contrário, já tresanda à distãncia. Mas com a soberba própria dum poder mediático quase absoluto, já nem precisam sequer de disfarçar a dualidade, a podridão e a hipocrisia.

Agora o que vai ser repetido, ampliado e multiplicado ad nausea será a distorção. Até que, como dizia Stalin (ou Goebbels, tanto faz), a mentira, de tanto ser repetida, acabe por parecer verdade..
Entretanto, não nos espantemos se algures, num futuro próximo,  surgirem notícias inquietantes de perseguições étnicas aos "judeus" nas zonas ocupadas pelos "rebeldes".
E a probabilidade adensa-se e devém tanto maior, quanto as forças fantoche colocadas e manipuladas pelos americanos em Kiev já se encontram em grandes dificuldades para encontrarem carne para canhão dentro de fronteiras. A última conscrição para o efeito teve uma resposta de 6%. Aldeias  inteiras dos transcárpatos "desertaram" para a Rússia.
Talvez por isso,  figurões da envergadura dum Bernard-Henri Lévy (um dos grandes animadores culturais por detrás das islamizações radicais de Líbia e da Síria) e George Soros (julgo que dispensa apresentações), uniram venturas e propalaram do New York Times um apelo comovido  ao socorro urgente à construção do novo eden ucraniano. Naquilo que já alguém definiu apropriadamente como a "máxima paródia dos trolls máximos", gritam: "salvem a Nova Ucrânia!, essa "rare experiment in participatory democracy; a noble adventure of a people who have rallied to open their nation to modernity, democracy and Europe. And this is just the beginning."

Este ruído característico, e déjà-vu, do "new-nation building", que o mundo já está cansado de ver e experimentar nos últimos duzentos anos, tem, no vertente caso, uma tradução muito simples e prosaica: Ajudem financeiramente! Invistam, amiguinhos! Afinal, por uma módica quantia, podem até patrocinar, apadrinhar e teleguiar o vosso "batalhão de choque". Como se vem revelando recentemente: «There are over 30 pro-nationalist, volunteer battalions similar to Aidar, such as Ukraina, DND Metinvest and Kiev 1, all funded by private investors.» Numa espécie de play-station real para super-ricos, diria eu. Com o prémio final de percentagem garantida no saque geral e legal da região. E como se não há dinheiro não há palhaços, digo, recrutas, urge angariar investidores. para formar mais batalhões privados, garbosamente preenchidos de patriotas do investimento internacionaleiro cujo modus operandi, nomeadamente em termos de decapitação de prisioneiros e reféns, é em tudo semelhante ao do tal Exército Islamico. Paladinos da democracia e do admirável país novo em gestação no laboratório Soros, como o formidável e benemérito batalhão Azov - flying flags with the symbols of Ukraine’s neo-Nazi party – Patriot of Ukraine.


Numa Europa a somalizar-se, porque não haviam os money-lords de tornar-se também war-lords? Glosando o troll: And this is just the beginning. 
Avaliando pelos resultados na Síria e na Ucrânia, esta "privatização" da própria guerra, augura seguramente o "melhor dos mundo". Dos "investment battalions" e dos  "cleansing squads"...  E à velocidade e que isto está a degradar-se, ou eu me engano muito, ou tê-los-emos aí, ao virar da esquina, mais depressa do que julgamos.


PS: Por lapso, citei anteriormente o Cohn-Bendit em lugar do Henry Lévy como co-autor do artigo do NYTimes, o que se constatava facilmente lendo o referido artigo. Um outro episódio em que Cohn-Bendit e Soros participavam (e que estava a tratar em simultãneo). induziu-me inadvertidamente em erro. Que já foi corrigido e pelo qual apresento desde já as minhas desculpas aos leitores - com a ressalva para uma, talvez única significativa, diferença entre ambos: Henri Lévy é apenas um troll medíocre e intelectualmente desonesto; mas não consta que seja pedófilo. Tele-necrófilo, apenas.

segunda-feira, fevereiro 02, 2015

Tripla vigarice

A nossa direita colibri anda excitadísissima com a Grécia. A sua mentalidade Casa Pia (este senhor estrangeiro que me paga os ténis novos e umas revistinhas é que é bom, abastece-me da minha rica droguinha e os outros míúdos foleiros e xungas têm é inveja do meu telemóvel novo, e não querem é dar o c... trabalhar!...) encontra-se, todavia, clivada entre sentimentos contraditórios: por um lado, a sua passividade sôfrega instiga-os à submissão e à felação apaziguadora do mais forte; por outro, o facto do tal Siriza se ter tornado o mais forte na Grécia inspira-lhes uma secreta volúpia e um angustiado cíume. E se eles ganham os gadjets sem terem que aturar comboios inteiros de senhores estrangeiros muito bem ataviados e mororizados, alguns deles um tanto ou quanto dados à brutalidade?

Para afastar os fantasmas, concentram-se no ruído. É o costume. Compensam o vácuo mental e disfarçam a volume retal através de barulhos e arrotos diversos. Um dos mais emblemáticos, autêntica ladainha recorrente é que, perfilemo-nos em sentido: "Não se pode perdoar e, tão pouco, facilitar as dívidas aos Estados!"  Não pode. Nem por sombras. A flagelação tem que ser rigorosa. Abençoadinho chicote! Então nas mãos de estranjeiros, não é chicote: é uma pluma suave e miraculante. Panaceia benigníssima. Todo o bem provém do estrangeiro; todo o mal reside em nós. Hossana, hossana e ó gaita também!...

E, além disso, porque é que não se pode perdoar a dívida aos Estados esbanjadores, países delapidadeiros, ou o que se lhe queira chamar?

Antes de avançar com a resposta, permitam que me socorra duns graficozinhos muito sugestivos. É de muito bom tom apresentar gráficos hoje em dia... Ora atentem:

Os gráficos em epígrafe mostram a exposição dos bancos alemães  (e franceses) à dívida grega nos últimos quatro anos. Verifica-se que eles passaram, hábilmente, duma sobre-exposição a uma exposição insignificante. O que é que aconteceu? Aconteceu que o Estado alemâo passou a dívida dos bancos para os contribuintes. Ou seja, perdoou a dívida aos bancos. Por isso é que agora não pode perdoar a dívida aos gregos: porque o perdão é uma coisa exclusiva dos bancos, coitadinhos, que precisam muito e são muito necessitados. O perdão é como o holocausto: é só para alguns. E neste caso, para que os bancos não fossem assados num holocausto horrível, Santa Merckl os livre e guarde, têm que ser necessariamente os gregos (e outros povos de raça duvidosa, geralmente meridional) a padecer o churrasco.
Mas isto é só enquanto os bancos não recuperam o fôlego (com o dinheiro que o BCE lhes vai dar, por exemplo). Pois (caso entretanto nenhuma bernarda mais séria rebente, bem entendido), o que vai acontecer numa segunda fase também é bastante óbvio: a dívida nas mãos dos contribuintes vai secar, mal-parar-se,  etc, num processo de tal ordem que, daqui por uns tempos, os mesmos bancos recompram-na ao estado, por um quinto do preço (estou a ser optimista), mas com a totalidade dos direitos de crédito. O que significa que os otários, vulgo contribuintes, alemães pagam duas vezes à banca por uma coisa que os otários gregos et al pagarão uma terceira. É sempre a aviar.
Estou meio no gozo. Mas, na volta, a realidade ainda será pior. Admirem-se...

domingo, fevereiro 01, 2015

Rumores e coincidências

Correm por aí rumores que andam a recrutá-los no Paquistão e arredores, por USD600. A rapers europeus devem pagar mais, com possibilidades de ascensão rápida na carreira. De qualquer modo, 600, na área, até nem deve ser mau. E a bem da Democracia, que mais poderiam aspirar... 
Entretanto, uma mera coincidência: o Charlie Hebdo tinha sido comprado pelos Rothschild (estes, sim, uns senhores, pluto-dinastia à séria) em Dezembro de 2014. Parece que foi no mesmo pacote do Liberation. A bem da liberdade de expressão, certamente.

E venda de armas é um negócio arriscado. Especialmente, quando começa a eliminação de pontas soltas. Curioso, em Tabuk... Norte da Arábia Saudita...

Evolução ou ficção

O evolucionismo darwiniano esteve na moda no século XIX, ajudando à fermentação e génese de coisas tão interessantes como o anti-semitismo, o sionismo, a higiene racial, a eugenia, o monismo, o nacional-socialismo, etc, etc. Teve depois um período cinzento, onde oscilou entre o descrédito e o banho-maria, e ressurgiu recentemente, em larga medida como arma de arremesso dos enxames de ateístas frenéticos e metaevangelistas da Igreja Universal do Reino da Ciência.
O espectáculo, encarado o mais friamente possível, tem-me suscitado, no último ano, a seguinte dúvida: e se a selecção, na verdade, não for a do mais apto, mas a do mais reles? E se o mais apto é o mais reles? (pensar nas bactérias e nos vírus, ou em certas formas de vida viscosas e rastejantes - Bruxelas e várias capitais europeiasgo estão infestados delas, dizem os telejornais - causa-me um certo calafrio). Poderemos falar então em evolução, mas poderemos falar ainda em progresso? Dito ainda mais drasticamente: a evolução coincidirá com um melhoramento ou com um malefício?
Poderá - aquela minoria de crentes que leu efectivamente a "Origem das Espécies" - obstar-me que a concepção evolutiva de Darwin não é contínua e permanente. Às vezes, há retrocessos,  espécie de recuos para tomar balanço (eventualmente, alvitro eu, para transposição dum qualquer obstáculo)... Bem, lá terei que munir-me de toda a minha boa vontade e aceitar a objecção. Mas sem conseguir, todavia, deixar de resmungar para com os meus botões: à quantidade de tempo que estes gajos estão a tomar balanço, devemos estar em vias de saltar por cima de meia galáxia!

Insectodromo esfuziante




Dizia Aristóteles que não é forçoso que o bom governado seja um bom homem; mas o bom governante tem que ser necessariamente um bom homem.

Penso que devia ser esta uma regra básica da política. E acabar de vez com todo este maquiavelismo de vão de escada, onde o lema campeão é "os fins justificam os meios". Este mandamento geral resulta da ausência de princípios e redunda na falsificação de fins: os meios empregam-se com a exclusivo finalidade de ter mais meios. pelo que, em boa verdade, a ausência de princípios descamba na mera proliferação de meios, que passam a transformar-se em princípio e fim de si mesmos. Ou seja, o instrumento torna-se sobre-humano; o homem degrada-se a servidor do  instrumento.  Aquele que outrora poderia ser perspectivado como um meio para a felicidade e realização humanas, arroga-se doravante como a própria felicidade e a própria realização do homem. Daí à idolatria do meio e às múltiplas superstições subsidiárias vai um instante.
Como  o estatuto de superioridade (de triunfo, de sucesso, de preferência ôntica) se resume assim ao ter mais meios, sobretudo económicos, a moral daqui resultante reduz-se a um estrito e rasteiro materialismo contabilístico, tão tecnoeficiente quanto auto-suficiente. Quem tem mais meios (seja pessoa ou Estado) estipula os fins e escolhe os princípios que, no momento, mais lhe convém.. E que coincidem simplesmente em ampliar os meios que possui, se possível diminuindo os dos outros em geral, mas sobretudo daqueles que de algum modo lhe poderiam mover algum tipo de competição. Visto do espaço, a alienígenas inteligentes, este planeta parecerá assim, decerto, tanto quanto um sítio mal frequentado, um parque do absurdo e da saga auto-destrutiva. Onde chafurda uma espécie particularmente agressiva cujo progresso mais evidente, ao longo de trinta séculos, se manifesta e atesta na contabilidade fria e arrepiante dum macabro fenómeno: o genocídio.
Como se num universo destituído de princípios e amputado de genuínos fins, os meios não servissem à Vida, mas todos, os meios e os seus servos humanos, apenas servissem a Morte.
Efectivamente, estamos a competir com quem e para quê? Com os insectos?...E para insectos?...


Repórter Flash- Dragógenes (rep)


Bom dia, tele-leitores! Cá está o vosso repórter preferido. Hoje estamos aqui em plena rua e em pleno dia para uma reportagem mirabolante. Mirabolante, que digo eu, alucinante, isso sim.
À minha frente está o próprio, de toga e lanterna, em fantástica demanda: César Augusto Dragão.

Repórter Flash - Bom dia, Dragão! Então, feito Diógenes, à procura dum homem?
C.A. Dragão - Não sou desses. Se tanto, andaria à procura duma mulher, de várias até. Mas também não é isso. Ainda me chamavam utópico... sob acusação de conspirar para montar o paraíso na Terra.
Repórter Flash - Então, qual o objecto da busca?
C.A. Dragão - Não lhe chames busca, senão, em vez da cidade, antes pareceria que cirandava no google. Na verdade, é uma demanda. Como a daqueles cavaleiros que peregrinavam o Santo Graal.
Repórter Flash - Bem, e tu peregrinas o quê?
C.A Dragão - Ando à procura duma Democracia!
Repórter Flash - Aqui, em Portugal??!
C.A Portugal - Exactamente. Daí a toga e a lanterna.
Repórter Flash - Não seria mais adequado um camião TIR carregado com holofotes de aeroporto ou de estádio de futebol?
C.A Dragão - É mais simbólico que operacional, o traje.
Repórter Flash - Bem, e como vai a coisa? Já vislumbraste alguma indício ou pegada da dita cuja?
C.A Dragão - Decidi avançar por partes. Passo a passo. Ou posta a posta, se preferires. Comecei por tentar lobrigar uma coisa chamada "separação de poderes"...
Repórter Flash - E que tal?
C.A Dragão - Nem sinal dela! Pelo contrário, por todo o lado é uma promiscuidade, um sarrabulho que Deus nos acuda!... O executivo, o legislativo e o judiciário anda tudo no mesmo e ao mesmo.
Repórter Flash - Diacho, que salsada de grelos e hortaliças! E depois?
C.A Dragão - Bem, a seguir tentei "a igualdade de todos os cidadãos perante a lei"...
Repórter Flash - Encontraste coisa que se visse?
C.A Dragão - Nem sombras. Se igualdade há, só se for às avessas. Na verdade, grassa a esmo a mais descarada e estanhada das desigualdades, uma ribaldaria das tesas. Impunidade para alguns (criminosos organizados), ultra-severidade para outros (criminosos desorganizados); favorecimentos partidários, sectários, esotéricos; um peso para ricos, outra medida para pobres; exigência para nacionais, carinho para estrangeiros; desprezo para típicos, sobreprotecção para atípicos; sujeição mais da lei às modas e cartazes, do que destas à lei; etc, etc. É um nunca mais acabar de irregularidades manhosas!... Isto mais parece um neo-feudalismo hiper-maquilhado.
Repórter Flash - Horror, ó César! E o passo seguinte?
C.A Dragão - Pois, na prossecução do método, tentei avistar o "governo eleito pela maioria, segundo sufrágio directo, secreto e universal"...
Repórter Flash - E não me digas que também não topaste sinal...
C.A Dragão - Só avisto governos eleitos pela minoria. A maioria nem sequer se digna comparecer às urnas, tal o crédito que a coisa leveda e merece já à generalidade da população. É como ir a um restaurante que só serve bacalhau: com batatas, com grão, à braz, à zé do Pipo ou de cebolada. Mas só bacalhau. Podem escolher em acidente (ou acessório), mas não em essência. Isto é, podem escolher a guarnição da coisa mas não outra coisa. É o mesmo na sua ampla diversidade. Daí o enjoo, o fastio. Pior: o tédio mascavado de náusea. A malta já deita o bacalhau pelos olhos! A coisa chegou ao ponto em que a clientela é convocada já nem sequer para escolher um prato no menu, mas, tão sòmente, para eleger o titular da cozinha: o cozinheiro que há-de confeccionar o bacalhau. Podem mudar de mestre cuca, mas não de ementa.
Repórter Flash - Mas, ao menos, não bispaste um "governo que exerça segundo as necessidades da maioria", ainda que impropriamente eleito, isto é, eleito pela minoria?
C.A Dragão - Pior um pouco. Eleito por uma minoria militante e bipolar, com a monomania do ping-pong, o governo governa-se mais do que governa. Regra geral, passa até a governar contra a maior parte da população, em nome, dizem eles, da "defesa do bem-estar de certas minorias mais delicadas, aberrantes ou meramente exóticas contra a tirania da maioria".
Repórter Flash - Tirania da maioria?!! Mas que raio...
C.A Dragão - Pois. Uma vez terminado o sufrágio, esgota-se a soberania dos eleitores. A reinação confina-se ao dia de enfiar o voto. Depois, nos quatro anos seguintes, enfiam a carapuça, o cinto de castidade, a mordaça e o kit completo de impotentes lamuriantes. No dia da eleição a maioria açambarca todas as virtudes, convoca todos os encómios, e em seu nome proclama-se a legitimidade imaculada da romaria, mas nos restantes 1460 dias da legislatura (como eles lhe chamam) a maioria devém uma choldra desprezível, inconfiável, irresponsável, mal-formada, perigosa e ameaçadora das castas minorias. Uma choldra que é necessário tributar e sobrecarregar, educar e reeducar, vigiar e fiscalizar - uma massa que, em suma, é urgente esmifrar, ordenhar e sacrificar aos privilégios, prebendas e mordomices duma sacrossanta e sumptuosa série de seitas esquemáticas, digo, minorias. A estas ficam reservados todos os direitos, opções e grã-regalos (vulgo descriminações positivas); à maioria, apenas duas alternativas: gemer ou emigrar.
Repórter Flash - Estamos, portanto, perante um regime de governo putativamente eleito pela maioria, mas que exerce tendo como prioridade e ocupação exclusivas o benefício da minoria?
C.A Dragão - Bem tento enxergar o contrário, mas quanto mais alumio, mais tenebroso transparece. Lembra até aquela história da galinha dos ovos de ouro. Exigem que a galinha ponha cada vez mais e alimentam-na cada vez menos. Pelo contrário, envenenam-na, intoxicam-na, depenam-na, sanguessugam-na. Não admira que a galinha já quase não ponha. Em desespero, correm ao crédito internacional: para comprarem novas televisões, ecrãs e plasmas gigantes para a galinha; cursos de formação para a galinha; novas tecnologias para a recolha e processamento do futuro ovo da galinha; uma capoeira automatizada para a galinha; pontes e auto-estradas para os acessos e carros, casas, mobílias, recheios, amantes, reformas chorudas e diversas para os tratadores, treinadores, gestores, investigadores, entertainers, apresentadores, psicólogos, sindicalistas, jornalistas, comentadeiros e, enfim, toda a vasta horda de especialistas da galinha e da palha onde ela se deita. Tudo, em resumo, menos milho. Milho é que não. Só povos obsoletos e obscurantistas, pré-modernos e rústicos, é que dão milho às galinhas. Aqui, entre esta gente, no último relance desta minha lanterna, a galinha já estava pousada num sofá, cacarejando meigamente, com o Júlio César Manchado dum lado e o Carlos Amoral Dias do outro. Psicanalhizavam o galináceo, os dois papagaios. Esquadrinhavam-lhe a vida sexual em busca do trauma que lhe inibe a produção. Há-de ser uma cornucópia um dia destes!...
Repórter Flash - Mas, ao menos, não vislumbras, ao de leve que seja, a tão célebre e cantada liberdade de expressão? Claro, sempre de mão dada com a ausência da famigerada censura?...
C.A Dragão - Bem, liberdade, não direi tanto de expressão, mas de excreção é um facto. Uma avalanche, melhor dizendo. Por outro lado, se liberdade é sinónimo exclusivo de quantidade, então vai para aí uma liberdade de três em pipa. Mas se formos atentar na expressão enquanto valendo alguma coisa, enquanto qualidade alguma, nesse caso, que vantagem há? Se o que eu exprimo não vale nem conta para nada, a minha expressão é, no mínimo, inexpressiva - quer dizer, é uma não-expressão. Uma impressão se tanto. Portanto, quando muito, há liberdade de impressão, excepto nos jornais, rádios e órgãos mediáticos em geral, naturalmente, onde a coisa fia mais fino, e o critério editorial substitui o lápis azul. Entretanto, se a palavra é esvaziada de todo e qualquer valor, de toda e qualquer consequência, se é pura e simplesmente esterilizada, que fruto, interesse ou sentido poderá realizar a emissão da dita? O que acontece é uma inflação desmedida do discurso, donde resulta a bancarrota da opinião. Mais, pois, que o falar-barato, impera o verbo-falido - onde antigamente represava a escassez, devasta agora a saturação. O mesmo espírito que antes se lamentava da dieta forçada, sucumbe doravante ao empanturramento ininterrupto. Todos podem dizer tudo, uma vez que tudo nada vale, nada diz e nada significa. Quanto à famigerada censura, não desapareceu nem, tão pouco, diminuiu: transitou apenas da esfera política para a órbita económica. Sendo menos aparente, tornou-se, não obstante, mais insidiosa e ubíqua. Com sanções bem mais eficazes e vitalícias: teme-se mais hoje o desemprego do que ontem se receava a prisão. E isto não manifesta apenas uma superior pusilanimidade dos actuais. Revela sobretudo do carácter sádico da pena: afinal, o limbo sempre é mais degradante e solitário que o simples calabouço.
Repórter Flash - Portanto, se bem entendo, ó Dragão, todas essas hordas tenebrosas de fascistas, nazis e católicos ultramontanos que conspiram na sombra para acabar com esta maravilhosa democracia estão redondamente iludidos...
C.A Dragão - Essa é a retórica rançosa dos democratas recauchutados da loja dos trezentos, como um tal Pacheco Pereira e outros transexuais ideológicos da mesma estirpe: os perigos iminentes de algo que não há atacar algo que não existe. Por outras palavras, mera trampolinice do parasita - do intelectual lombriga - instalado no âmago da "soberania popular": entreter o hospedeiro, através da munição dispendiosa de pau e saco, e o serviço de guia por controlo remoto no sempiterno safari da caça aos gambozinos. Ou em síntese: Comam a sopa toda senão vem lá o papão!... Sopa de bacalhau, ainda por cima.