terça-feira, setembro 30, 2008

Super-predadores

Forjar a crise



Não contentes de falsificarem moeda, os plutopatas americoisos deram agora em falsificar "crashes".

segunda-feira, setembro 29, 2008

Psico killers

«The Tories are under fire after it emerged they have been bankrolled by City 'wolves' who have made a killing from the financial crash.
The party has received hundreds of thousands of pounds from hedge fund managers who raked in vast sums by short-selling shares in British banks.
Among the businessmen who donated more than £50,000 to talk privately with him are Paul Ruddock of Lansdowne Partners and Michael Hintze of CQS.
Both their firms made fortunes from betting that the price of Bradford & Bingley and HBOS shares would fall.
Mr Hintze has donated more than £650,000 to the Tories since Mr Cameron became leader and Mr Ruddock has donated £259,500.
Another fund which has admitted short-selling in Bradford & Bingley, GLG Partners, is managed by Pierre Lagrange. His wife Catherine has given £50,000 to the Tories.
The Tories hit back by claiming that one of Gordon Brown's closest political allies, Paul Myners, was a director of GLG Partners. They also said Labour's £1million donor Jon Aisbitt, non-executive chairman of Man Group, one of the world's largest hedge fund managers, had 'profited handsomely' from short-selling.

Morudências


Então isto não tresanda àquele leninismo rançoso do "quem não está com nós está contra nós"? Aquele embrulho tão useiro e vezeiro dos pilotos de estampidos. O mesmo, aliás, que a seguir ao 11 de Setembro também se esmerou em taxar de anti-patriotas todos aqueles que não baliam cegamente perante o "mirabolante plano de combate ao terrorismo fantasmagórico".

Lucidez no céu com diamantes

Estamos perante um crash de tal modo formidável e alucinante que o dólar nem desvaloriza. Crise? Milagre económico, isso sim. Julgo mesmo que é a primeira vez na história.
O 13 de Setembro lembra cada vez mais o 11 de Setembro. Será o segundo filme da trilogia "A Guerra dos Gambosinos"?

domingo, setembro 28, 2008

Detalhes significantes

Entretanto, vai-se falando por aí num montante de dívida desregulada que orça o Quadrilhão de dólares. Podemos imaginar o quadrilhão como mil trilhões. Ou podemos imaginar-nos a contar um quadrilhão à velocidade de um dólar por segundo: levaríamos 32 milhões de anos.

Por outro lado, convém não esquecer que quando a Federal Reserve intervém sobre bancos ou seguradoras em apuros (como foi o caso da AIG) não se trata propriamente duma nacionalização. Como bem notou Ellen Brown, a "Reserva Federal tem o poder de imprimir o dinheiro que circula nos Estados Unidos (e no resto do mundo em forma de dólar), mas não é parte do Governo Americano, ou seja, não é Estado. Pelo contrário, é uma corporação bancária, propriedade dum consórcio de bancos privados. No caso da intervenção na AIG, a banca privada limitou-se a adquirir uma das maiores seguradoras mundiais. Usando, tranquilamente, o dinheiro dos contribuintes para o efeito."


O termo quadrilhão é, pois, plenamente apropriado. Já que reflecte o resultado exacto do labor estrénuo e ponderado de uma descomunal quadrilha cuja desfaçatez só encontra paralelo na audácia.

PS: Evidentemente, se estivéssemos a falar de dinheiro a sério, diríamos quadrilião ou trilião.

sábado, setembro 27, 2008

Autofagia & metamorfose



Atentemos no TOP 10 mundial dos Bancos de Investimento:
1.ABN Amro Bank;
2.Merrill Lynch;
3.Goldman Sachs;
4.Deutsche Bank;
5.Morgan Stanley;
6.Bank of America;
7.UBS AG;
8.Bear Stearns;
9.Lehman Brothers;
10.JP Morgan Chase.

Portanto, sete bancos americanos, um alemão, um suiço e um holandês. Dos americanos, quatro foram à vida, isto é, desvalorizaram-se calamitosamente e foram absorvidos pelos sobreviventes. Fundiram-se, no melhor dos casos (ou seja, faliram com vaselina); foderam-se, no pior (quer dizer, faliram à bruta - o Lehman Bros).
Dizer eu aqui que pouco ou nada percebo de economia em nada adiantaria à questão. Afinal, como tem vindo a verificar-se monumentalmente, ninguém percebe. A começar pelos chamados "economistas" e pseudo-peritos em mercantilâncias, traficuras e outras trampolinices.
Atenho-me, pois, aos factos evidentes. Do estrito senso comum. E não consigo dissipar uma série de estranhezas óbvias. A primeira de todas resume-se numa pergunta elementar:
Porque é que enquanto os bancos predam impiedosamente o vulgar cidadão, a banal empresa, o simples país ou colectividade, ninguém se aflige e todos acham que é o Santo Mercado a funcionar, a civilização a galope, o Progresso em acção, mas quando os Bancos encetam o passo lógico seguinte, inevitável, fatal, e desatam, num típico frenesim de esqualos, a predar-se uns aos outros, toda a gente rompe a clamar que é o fim-do-mundo, (não sei se em cuecas, se em truces ou ceroulas), o armagedão das finanças, o apocalipse das bolsas?...
Eu diria que são apenas folclores típicos do planeta-anedota, onde as massas se babam e deleitam alvarmente diante do mega-herói global, o Super-Antropófago, mas caem numa choradeira delicodoce logo que o seu querido culmina e troca a antropofagia pela autofagia. Enquanto ele devorava apenas as pessoas, tudo bem, a civilização é assim mesmo; economia oblige, o lucro santifica ( certos ídolos são sanguinários). Mas quando desembesta a ingurgitar-se a si mesmo, ai que horror, que desgraça, que selvajaria! Não se admite: é canibalismo atroz! Banquete à custa do seu semelhante!... Um banco devora pessoas, não devora outros bancos!... É um pouco como dizer: os ricos comem os pobres, não comem outros ricos. Ou os lobos alambazam-se com cordeiros, jamais com outros lobos.
Tem que haver um mínimo de regras, senhores. Mesmo a injustiça, a impiedade mais sórdida, o banksterismo mais infame, tem que ter algumas. Mínimas, é certo. Ínfimas, por princípio. Inobserváveis à vista desarmada, seja. Mas, apesar de tudo, implícitas. Senão lá se vai o jogo. Lá rebenta o casino. Resvala da desordem organizada para o caos inorgânico.
Daí a actual histeria borrada. Já nada nem ninguém está a salvo. A desumanidade engendrou a desimunidade. O verniz da selva já não disfarça suficientemente a unharra do açougue. Diante da máquina metapredadora, todos, predadores e predados, viraram, abrupta e cruamente, súbditos; matéria-prima. E parece que certos estômagos de aço de ontem apresentam hoje sensibilidades e fragilidades inesperadamente piegas. Os apaixonados húmidos e militantes da véspera, então, os idólatras babosos do dia anterior, superam mesmo todo o arraial descabelante na lacrimijice patética. Dizer que choram peca por escasso: ganem. Ganem, quando não grunhem e guincham! "Ai, que o Super-Antropófago já não gosta de nós! Ai, que se engasgou! Ai, que perdeu o apetite!..."
-"Depressa! -Lembra-se um maduro, um nadador-salvador de papalvos, otários e outros bivalves colectáveis. - É indigestão de notinhas do "monopoly", aerofagia reiterada e galopante. Só um remédio o poderá salvar, restaurar-lhe as cores, regular-lhe as fressuras e miudezas: dinheiro a sério! Dinheiro dos contribuintes! Uma injecção urgente! Uma seringadela das antigas! Um megagigaclister pelo reto acima!..."
Os superpatetas são assim. Num instante, largam a dança ululante de roda do tótem e arvoram violinos lancinantes no tombadilho dum qualquer Titanic. Afinal, a baboseira economística nem a religião chega. Nunca chegou. Sempre foi superstição e crendice! Quando não pura endrómina nigromante. Pelo que os chamamentos à prece, as convocatórias à Fé e ao Estado-que-nos-acuda só suscitam a galhofa justa e mais que merecida. A Banca, bem vistas as coisas, há muito que vinha ensaiando a perversão ora convertida em chaga para peditório. Bem antes da boca largar às dentadas às próprias tripas, unhas e dedos, há muito que vinha tomando como repasto as próprias fezes. De resto, só já os comatosos e lobotomizados é que ainda duvidam que foi através da coprofagia que contraíu a autofagia.
É o fim do capitalismo? Não acredito. Está apenas a desembaraçar-se. Do casulo.


domingo, setembro 21, 2008

Bónus

Entretanto, o que é que acontece aos funcionários do Lehman Brothers após o monumental descalabro ? É óbvio: os que menos responsabilidades têm no colapso são punidos através do desemprego imediato e simples. Quanto aos maiores responsáveis, a administração central do banco, a mesma que o conduziu à falência épica, esses, galhardamente, vão receber um bónus de 2,5 biliões de dólares.
Já não se trata apenas de atestar que o crime compensa. Melhor que isso: é bonificado.

Los Vígaros, ou O Casino da Finança, part II




Quer dizer, o crime, desde que mascarado de jogo, compensa.

Poderíamos chamar-lhe o "capitalismo ultra-refinado", a esta versão 4G em curso na plutocracia americana. Congrega duas vertentes essenciais: a feroz privatização oligopólica dos lucros; e a socialização forçada dos prejuízos. Tudo somado: um mega-esquema de extorsão - descarada e ufana - dos contribuintes. À escala global. Duma forma ou de outra, todos nós contribuímos. Se bem que, para falar verdade, o termo adequado até nem seja extorsão, mas tosquia.

O Casino da Finança, ou Dar na bolha

«Until recently, most people had never even heard of derivatives; but in terms of money traded, these investments represent the biggest financial market in the world. Derivatives are financial instruments that have no intrinsic value but derive their value from something else. Basically, they are just bets. You can “hedge your bet” that something you own will go up by placing a side bet that it will go down. “Hedge funds” hedge bets in the derivatives market. Bets can be placed on anything, from the price of tea in China to the movements of specific markets.
“The point everyone misses,” wrote economist Robert Chapman a decade ago, “is that buying derivatives is not investing. It is gambling, insurance and high stakes bookmaking. Derivatives create nothing, bu they serve to enrich non-producers at the expense of the people who create goods and services.”1
In congressional hearings in the early 1990s, derivatives trading was challenged as being an illegal form of gambling. But the practice was legitimized by Fed Chairman Alan Greenspan, who not only lent legal and regulatory support to the trade but actively promoted derivatives as a way to improve “risk management.” Partly, this was to boost the flagging profits of the banks; and at the larger banks and dealers, it worked. But the cost was an increase in risk to the financial system as a whole.2
Since then, derivative trades have grown exponentially, until now they are larger than the entire global economyt only. The Bank for International Settlements recently reported that total derivatives trades exceeded one quadrillion dollars – that’s 1,000 trillion dollars.3 How is that figure even possible? The gross domestic product of all the countries in the world is only about 60 trillion dollars. The answer is that gamblers can bet as much as they want. They can bet money they don’t have, and that is where the huge increase in risk comes in. »