quinta-feira, agosto 03, 2006
Bombardeamentos on-line
quarta-feira, agosto 02, 2006
Uma perspectiva das Arábias

Algures, lá pelo meio, afirma-se o seguinte:
Já estive mais longe de duvidar disto. Assim, à primeira vista, é difícil desencantar outro tipo de explicação. Se bem que, geralmente, nem tudo o que parece é.
Todavia, como pessoalmente entendo que a estética é superior à política, há uma certeza de que já ninguém me expropria: um tipo que escreve assim não é parvo nenhum.
terça-feira, agosto 01, 2006
Da hipertaliação à tanatoterapia
II
«5. Gestos de boa vontade implementam o terror.
8. O Terror não é causado pela ocupação militar israelita, mas pela remoção dessa mesma ocupação militar.
39. A única maneira de parar o terrorismo é matando os terroristas.
40. Nenhum terrorista matou ninguém depois de ter sido executado.»
segunda-feira, julho 31, 2006
Rabinices eloquentes

«All of the discussions on Christian morality are weakening the spirit of the army and the nation and are costing us in the blood of our soldiers and civilians.»
«O ilustre Conselho de Rabinos apelou às IDF para que ignorassem padrões de moralidade cristã e "exterminassem o inimigo a norte e a sul".»
domingo, julho 30, 2006
Homero revisitado
sábado, julho 29, 2006
Ficções
«Exxon Mobil makes more than $10 billion.»
«BP profits hit record on high oil.»
E, pior que a comichosa pergunta, instala-se-lhe no espírito uma séria suspeição: a treta do Mercado - mais as suas leis fatais e mãos invisíveis que tocam pívias inodoras- tresanda a ficção para embarrilar pacóvios.
Como sempre, aliás, a realidade esmera-se, olimpicamente, a defecar em cima da tese.
sexta-feira, julho 28, 2006
Uma questão de método
A ONU viu-se compelida a compensar o criminoso, optando por retirar todos os observadores da região fronteiriça Israelo-Libanesa.
Uma República de Bananas ao serviço duma Oligarquia de Macacos

«Pensão de luxo para deputados».
«364 políticos com pensões vitalícias».
«Alegre com reforma milionária».
«Corrida às pensões»
Entretanto, em 2006, segundo o Correio da Manhã, só houve dois pedidos de "apoio vitalício":
Anacoreta Correia e José Pacheco Pereira.
Otários de todo o mundo, colectai-vos!...
quinta-feira, julho 27, 2006
The cartoon strikes again?...
«Israel's ambassador to Norway has complained to press regulators about a cartoon showing Israeli PM Ehud Olmert as a Nazi concentration camp commander. »
Convenhamos,é mais grave que o ataque a um profeta: é um ataque a um semideus.
quarta-feira, julho 26, 2006
A Guerra Prometida
Sim, não duvidemos; mas primeiro, como é evidente, tem que combater os civis Libaneses, de modo a que os Hezzbollas não tenham onde se esconder; depois, tem de punir os civis sírios que estão por detrás do governo Sírio que apoia o Hezzbolla; a seguir, tem que massacrar os civis iranianos que tiverem o desplante de se colocar à frente daquele Almadi-não-sei-quantos (candidato recorrente ao "Levanta-te e ri") que fornece armas aos Sírios e aos Hezzbollas; de caminho, tem ainda que causar umas mortandades exemplares e variadíssimos escombros fumegantes entre os chineses e russos –civis, preferencialmente -, que vendem armas ao Irão e à Síria, e, pior que tudo, incitam o Almadi-coiso-e-tal a teimar numa carreira na stand-up comedy (onde, como é público e notório, a concessão exclusiva hebraica, recebida directamente de Deus, é sagrada). Finalmente, com o auxílio sempre solícito dos americanos, através da NASA, tem de escaqueirar o terceiro planeta de Andrómeda – o terceiro, a contar da esquerda, bem entendido (ou sexto, se for da direita)-, que é donde provêm os alienígenas sarapintados e tremeluzentes que estão por detrás de toda esta imensa e nefanda conspiração anti-judaica mundial, digo, universal.
Então, quando o Hezzbolla estiver completamente isolado, desamparado e o petróleo a 200 dólares o barril, então sim, Olmert vai acabar duma vez por todas com o Hezzbolla..
terça-feira, julho 25, 2006
Curiosidades

- Base Naval de Coronado, San Diego, USA - vista aérea.
Uma clara ofensa à Comunidade judaica. Aqui deixo o alerta a quem de direito.
Rebenta-bunkers, uma operação humanitária

segunda-feira, julho 24, 2006
Queiram desculpar-me a maçada

*Yal Dayan (filha de Moshe Dayan)
* Richard Dreyfuss
* Norman Finkelstein
*Bobby Fischer (Um dos maiores xadrezistas de sempre - para mim, o maior)
*Richard Gere
*Henry Kissinger
*Edgar Morin (quem o mandou perder o paradigma?)
*George Steiner
*Aliza Olmert (esposa do actual Primeiro ministro - por ser de esquerda)
*Dana Olmert ( filha do actual primeiro ministro - por ser lésbica anti-guerra)
*Shimon Peres
*Harold Pinder (o último prémio nobel da Literatura)
* George Soros (o especulador internacional)
"Deus nos proteja da nossa artilharia, que da do inimigo protegemo-nos nós!"
domingo, julho 23, 2006
Tortura defensiva

sábado, julho 22, 2006
A Masturbaratona, ou Onan, os Bárbies

Não, mesmo antes de lerem, posso desde já adiantar: não se trata da assembleia evangélica dos nossos telebelicosos quéques, fremendo e arrolhando diante de bombardeamentos filantrópicos e altamente civilizados em contínuo auto-replay num ecrã gigante. É verdade que podia ser, mas não é.
A American Way e a SMSS

«U.S. Speeds Up Bomb Delivery for the Israelis»
quinta-feira, julho 20, 2006
O Exército da Salvação

«Third of Lebanon casualties are children, says UN.»
Explicação dos Possessos

«Evangelical Christians plead for Israel.»
O pastor John Hagee, um visionário poderoso, proclama ao cosmos e arredores as seguintes profecias moralizadoras e candidatas, pelo menos, ao óscar dos Melhores Efeitos Especiais (já nossas conhecidas, aliás):
«Que exércitos Russos e Árabes invadirão Israel e serão destruídos por Deus;
Que esse incidente desencadeará a confrontrontação por Israel entre a China e o Ocidente -este liderado pelo anti-Cristo, desempenhado, imagine-se (e persignemo-nos), pelo cabecilha em chefe da União Europeia (força Durão Barroso!);
Que esta crudelíssima e derradeira batalha entre o Leste e o Oeste - em Armageddon, um sítio na actual Israel -, precipitará a Segunda vinda de Cristo.»
Aleluia!
Into the Abyss...
Interviewer: Your specialty is war. Is what's going on here war at all?
Creveld: Certainly, although the Palestinians have no government, no army, and no [nationality]. Everything is in chaos. That's why we won't win the war, either. If we could identify and eliminate every terrorist, we'd win this struggle within forty-eight hours. The Palestinian administration has the same difficulties. Even in Arafat decided to comply with our conditions and surrender tomorrow, it's virtually certain that the Intifada would continue.
Interviewer: Are there any similarities on the Israeli side?
Creveld: If the dispute lasts much longer, the Israeli government will lose control of its people. For people will say: "If government can't protect us, what on earth can they do for us? If the government can't guarantee that we'll be alive tomorrow, what good are they? We'll defend ourselves."
Interviewer: So Israel is beaten in advance?
Creveld: On that I'll quote Henry Kissinger: "In campaigns like this the antiterror forces lose, because they don't win, and the rebels win by not losing." That certainly applies here. I regard a total Israeli defeat as unavoidable. That will mean the collapse of the Israeli state and society. We'll destroy ourselves.
Interviewer: Is there any point to the recent Israeli military offensive?
Creveld: This offensive is totally useless; it's only further enraging the Palestinians. Perhaps there will be a short-lived calm, but in the end there will even more suicide attackers.
Interviewer: Is there any hope?
Creveld: If I were Arafat, I wouldn't stop either. I'd only cease in exchange for a very far-reaching political accord. And it seems as if we have a government [under Sharon-tr.] that won't make Arafat such an offer. If elections were held today, the Left would be thoroughly beaten.
Interviewer: Some maintain that it is Israel's foreign enemies that keep the country unified.
Creveld: That's right. I only wish that there were foreign enemies, but that isn't the case. We've fought our external enemies for so many years. Each time there was a war, we took a mighty hammer to our foes, and after being defeated a few times, they left us alone. The problem with the Palestinian revolt is that it doesn't come from without, but rather from within. Therefore we can't avail ourselves of the hammer.
Interviewer: Is the solution, then, to keep the Palestinians outside the borders?
Creveld: Exactly, and right now there's nearly unanimous agreement on that. We ought to build a wall "so high, that not even a bird can fly over it." The only problem is: where to put the border? Since we can't decide whether the territories conquered in 1967 should be included, for the time being we improvise a little. We're building a series of little walls, which are much more difficult to defend. From a military standpoint this is very stupid. Every supermarket has gradually acquired its own living wall of security guards. Half the Israeli population is guarding the other half-unbelievable. Aside from the fantastic waste, it's almost totally useless.
Interviewer: Does that mean that the Palestinians stay within the borders?
Creveld: No, it means that they all get deported. The people who strive for this are waiting only for the right man and the right time. Two years ago only 7 or 8 percent of Israelis were of the opinion that this would be the best solution, two months ago it was 33 percent and now, according to a Gallup poll, the figure is 44 percent.
Interviewer: Will that ever be possible?
Creveld: Sure, since desperate times give rise to desperate measures. Today there's a fifty-fifty split on where the border should run. Two years ago 90 percent wanted the wall built along the old border. That has completely changed now, and if things continue, if the terror doesn't stop, in another two years perhaps 90 percent will want to build the wall along the Jordan. The Palestinians talk of "summutt," meaning hang tough, cling to the ground and the soil. I have enormous respect for the Palestinians. They fight heroically. But if we in fact want to strike across the Jordan, we would need only a few brigades. If the Syrians or the Egyptians were to try to stop us, we'd wipe them out. Ariel Sharon is leader. He never improvises: he always has a plan.
Interviewer: A plan to deport the Palestinians?
Creveld: I think it's quite possible that he wants to do that. He wants to escalate the conflict. He knows that nothing else we do will succeed.
Interviewer: Do you think that the world will allow that kind of ethnic cleansing?
Creveld: That depends on who does it and how quickly it happens. We possess several hundred atomic warheads and rockets and can launch them at targets in all directions, perhaps even at Rome. Most European capitals are targets for our air force.
Interviewer: Wouldn't Israel then become a rogue state?
Creveld: Let me quote General Moshe Dayan: "Israel must be like a mad dog, too dangerous to bother." I consider it all hopeless at this point. We shall have to try to prevent things from coming to that, if at all possible. Our armed forces, however, are not the thirtieth strongest in the world, but rather the second or third. We have the capability to take the world down with us. And I can assure you that that will happen, before Israel goes under.
Interviewer: This isn't your own position, is it?
Creveld: Of course not. You asked me what might happen and I've laid it out. The only question is whether it is already too late for the other solution, which I support, and whether Israeli public opinion can still be convinced. I think it's too late. With each passing day the expulsion of the Palestinians grows more probable. The alternative would be the total annihilation and disintegration of Israel. What do you expect from us?
Entrevista traduzida daqui por intermédio deste.
quarta-feira, julho 19, 2006
Ciganice é só ciganice - ainda não tem bónus.
Quanto ao resto, a ciganice abunda mas não compensa. Os ciganos, é certo, também padeceram no holocausto, mas ainda não têm direito a indemnização. Concordo que é uma injustiça, mas, olhe, tenha paciência e desforre-se nas feiras. Aliás, se tiver por aí umas Levy’s das baratas, mande-mas à cobrança. Terei o maior gosto em prestar esse singelo -mas sincero - tributo pessoal à memória da sua martirizada tribo.
Cordiais saudações ao seu rei e respeitosos cumprimentos à priminha. De Vª Excª, não de Sua Majestade, naturalmente.
D'ragão e Tal
And justice for all...
Naturalmente, segundo a lógica fulgurante do momento, a Turquia também tem todo o direito a defender-se, ou não?
15 soldados e polícias turcos mortos pelos terroristas curdos é de fazer perder a paciência a um santo. Menos que isso fez Israel desvairar-se e Israel é, como todos sabemos, super-santa.
E o que é pior é que os Turcos podem acusar os Estados Unidos de estarem por trás dos curdos. O que, numa qualquer reunião importante, pode levar o presidente Bush, interpelado pelo seu fiel escudeiro, ao seguinte desabafo:
-"Alguém devia dizer à CIA para parar com aquela merda!..."
Bem, mas neste caso, tudo o indica, os terroristas afinal são guerrilheiros. E mesmo que a Turquia, por justo e soberano "direito à defesa", quisesse escavacar o Iraque, depararia com uma gritante falta de infraestruturas . Operação mais frustrante seria difícil de conceber.
terça-feira, julho 18, 2006
Leviatã e o Paraíso

Mas não se pense que esta maravilha do "terrorismo de Estado" é uma exclusividade deste cluster imperial hodierno. Os Assírios, se não me falha a memória, foram os primeiros peritos em "terrorismo de Estado": Não só conquistavam as cidades, como, por doutrina de vida, faziam empalar prisioneiros, chacinar mulheres, crianças e animais domésticos. Um serviço completo, pois claro. Porque idolatravam deuses cruéis e sanguinários? Porque eram uns selvagens idólatras e impiedosos? Leiam o Livro de Josué (logo a seguir ao Deuterónimo, na Biblia Sagrada) e constatareis que os Hebreus fizeram exactamente o mesmo, em nome de Ihavé (futuro Deus-Pai), aquando da primeira constituição de Israel.
O "terrorismo de Estado" conheceu posteriormente dias gloriosos sob as flâmulas e estandartes do Império Romano. De tal ordem que este viria a tornar-se uma espécie de paradigma para todos os exercícios ulteriores - de ambos: império e terror. O Império Britânico, cujo gestação começa na república puritana de Cromwell, usou e abusou do Terror de Estado. Desde a Irlanda à Guerra do Ópio, passando pelas quatro bandas do planeta, nunca se poupou a esforços nem expedientes. O Império Americano nada mais pretende ser que um seu digno sucessor. Basta recordar a forma como, ainda bebézinho, esbulhou, brutalizou e exterminou os autóctones da América do Norte, para orçarmos a que ponto estava vocacionado para os mais altos voos. Pelo caminho, a República Francesa, as duas tentativas de Império Alemão, sobretudo a segunda, a patética tentativa de Império Italiano (por Mussolini), o Império Russo, dos Czares e dos Sovietes, o Império Japonês, o Império Espanhol, só para citar os mais emblemáticos, nalguns casos com a gana própria dos novo-ricos, entregaram-se a sangrias e hecatombes deveras notáveis e apenas um pouco menos engenhosas tão somente por força duma menor durabilidade.
Todos eles se sentiram animados das mais inadiáveis lógicas, creditados das mais humanas (e transcendentes) procurações, armados dos mais angélicos arsenais. Resistir-lhes, a tais portentos de luz e progresso, francamente, só por pura e acintosa maldade. Os demónios, todos sabemos, opõem-se ao progresso e expiam invariavelmente a derrota. Já a vitória santifica e consagra, peremptoriamente, os deuses. Glorifica as suas panóplias e devastações.
O Imperialismo Alemão do III Reich foi julgado por inúmeros crimes de guerra em Nuremberga, apenas por via da derrota militar dos seus mentores. Caso tivessem vencido, os virtuosos seriam eles e os criminosos demoníacos seriam os outros. A propaganda cantá-lo-ia em hinos celestiais, os historiadores alfaiatariam os factos à medida das conveniências e a bem da carreirinha, os castrados e eunucos mentais de todas as épocas, masturbadores activos das "glórias do momento a ferver", peregrinariam e venerariam sem descanso a sua memória.
Portanto, o que Israel está a fazer, à sua pequenina escala, infelizmente, não nos exibe nada de novo, nem, tão pouco, de subitamente ignóbil. Bem pode Israel abrir a gabardine à vontade, que não nos escandaliza. Não é menos desculpável, mas também não é especialmente condenável, por causa disso. De facto, em toda esta sua peripécia mais recente outro não faz que participar em toda uma tradição que reflecte uma lei muito antiga - uma que já as fábulas comemoravam: a lei do mais forte. Que ao longo dos tempos, de resto, e a começar em Caim, se confunde com a "lei do mais bem armado". Nesta perspectiva atávica - fria e tecnocêntrica mas sinistramente eficaz e, raios a partam, real -, o mal e o bem, o melhor e o pior derivam predominantemente da qualidade do sistema bélico, da capacidade agressiva e predadora de cada agremiação excursionista galvanizada de projectos imperiais ou meramente campeoníssimos (pode ir desde os benfiquistas aos americanos, passando por evangelistas, muçulmanos, comunistas, sionistas, arianistas, globalistas ou o diabo que os carregue!). O "pior" acaba por redundar sempre no que tem as piores armas, entenda-se: aquelas que falham clamorosamente em certificar no terreno a superioridade das suas ideias, a justeza dos seus desígnios, manias, ideiais, caprichos ou fulgurantes apetites. Ao contrário da água apaziguadora das mitologias, as auto-proclamadas civilizações baptizam a ferro e fogo e têm na arma o fundamento e o garante do seu "sistema de valores". Quando não os próprios pilares ontológicos.
Assim, no cumprimento de tão insigne tradição, é na sua superioridade bélica que Israel fundamenta e sustenta o seu direito inalienável, tanto quanto a sua sobranceria moral; e é ela, essa mesma superioridade bélica (de arsenal próprio e de apoio) que a transforma num Estado dotado de prerrogativas unilaterais, bem como credor das maiores compreensões e beneplácitos internacionais. Não é por ser especialmente maléfica que brutaliza exemplarmente, embrulhado em papel de punição, as populações do Líbano. Aí estamos apenas ao nível da propaganda e contra-propaganda. Israel apenas mata mais que os seus inimigos porque dispõe de meios que o permitem e potenciam. Em termos estritos de vontade e maldade, provavelmente, os lados equivalem-se: os Hezzbollahs e Hammas seguramente desejariam matar mais e os Israelitas, obsidiados, encantados e seduzidos pela sua formidável panóplia sempre crescente, quase de cetrteza que não resistirão a dar-lhe excitante uso e, necessariamente, fatalmente, tenderão a ocasionar, de futuro, superiores morticínios. Desçamos pois à realidade: mais que moral, a questão é técnológica. Não são apenas os fins que justificam os meios; são previamente os meios que determinam e insuflam os fins. Desde há uns tempos a esta parte (posso escrever-vos um tratado sobre isto), mais que o homem utilizar a arma, dir-se-ia que é a arma que arrasta o homem. Eu, pelo menos, estou capaz de dizê-lo, alto e bom som. Por conseguinte, Israel faz o que faz não por singular perfídia, mas, principalmente, repito, porque tem armamento para o efeito. Quer dizer, tem ferramentas para a tarefa, meios para a empresa. Ou, pelo menos, acredita que os tem. Além de oportunidade, pretexto, cobertura e, em larga medida, impunidade, bem entendido. Os riscos de comparecer num tribunal Internacional, ao estilo de Nuremberga, são, convenhamos, no panorama actual, praticamente negligenciáveis. Antes deles, sentar-se-iam os americanos e os ingleses, em catadupa.
segunda-feira, julho 17, 2006
Armagedão ou Rilhafoles?

Pergunta: Quem é NORIO HAYAKAWA
Resposta: Consultem o Google. Posso adiantar que é capaz de ser divertido.
Em Fevereiro de 2005, o Norio (não confundir com o Noddy) concedeu uma série de depoimentos solenes intitulados "MY THOUGHTS ON "UFOs" AND MY PERSONAL RELIGIOUS BELIEF", onde, a determinada altura confidencia (em resposta à inefável pergunta: Do you believe in the coming Rapture and in the coming Millenial Reign of Christ?) :
Pobre humanidade! Pobre planeta!...
domingo, julho 16, 2006
Aforismo do dia
- Mark Twain
Bankruptcy is for assholes
«A ballooning budget deficit and a pensions and welfare timebomb could send the economic superpower into insolvency, according to research by Professor Laurence Kotlikoff for the Federal Reserve Bank of St Louis, a leading constituent of the US Federal Reserve.»
sábado, julho 15, 2006
Tragédias colaterais
In Wester Europe, the shock of the oil price rise and the embargo of suplies was equally dramatic. From Britain to the Continent, country after country felt the effects of the worst economic crisis since the 1930's. Bankruptcies and unemployment across Europe rose to alarming levels.(...)
But for the less developed economies of the world, the impact of an overnight price increase of 400 per cent in their primary energy source was staggering. The vast majority of the world's less developed economies, without significant domestic oil resources, were suddenly confronted with an unexpected and unpayable 400 per cent increase in the cost of energy imports, to say nothing of the cost of chemicals and fertilizers derived from petroleum. (...)
India in 1973 had a positive balance of trade, a healthy situation for a developing economy. But by 1974, India had total foreign exchange reserves of $629 milions with which to pay -in dollars - an annual oil import bill of almost double that, or $1.241 million. (...)
But while Kissinger 1973 oil shock had a devastating impact on world industrial growth, it had an enormous benefit for certain established interests - the major new York and London banks, and the Seven Sisters oil multinationals of the United States and Britain. By 1974, Exxon had overtaken General Motors as the larges American corporation in gross revenues. Her sisters, including Mobil, Texaco, Chevron and Gulf, were not far behind.
The bulk of the OPEC dollar revenues, Kissinger's "recycled petrodollars", was deposited with the leading bank of London and New York, the banks which dealt in dollars as well as international oil trade.»
- William Engdahl, "A Century of War"
Em Abril de 1974, catalisado pelo choque petrolífero em epígrafe (que eu próprio testemunhei, não estou a falar de cor), Portugal engrenou numa estranha negociata: para comprar uma rifa da democracia de pacotilha, penhorou, senão entregou mesmo numa bandeja, a independência nacional.
E o resto é conversa para boi dormir. Agarrado à chucha da ideologia (e não estou apenas a falar da garotada de esquerda).
Entretanto, nos gloriosos tempos que correm, contabilizem o preço do petróleo em 2002, antes da invasão do Iraque e o preço em que ele flana agora, após a "invasão do Líbano" e o que mais virá. Quanto às fantasias, florilégios e hooliganismos psicopolíticos, poupem-me. Já sei que a vossa matilha é a melhor do mundo e a vossa claque a campeã vitalícia.
sexta-feira, julho 14, 2006
A cabeçada

É preciso não esquecer que Zidane é de estirpe argelina, ou seja, um derivado muçulmano altamente suspeito, um portador sabe-se lá de que ínvio determinismo. Portanto, tem mais é que penitenciar-se, ser humilde, compreensivo, tolerante e bebedor compulsivo de coca-cola.
Se fosse de parentesco hebraico, se participasse dessa herança excepcional, desse pedigree inefável, ah bom, aí seria não só completamente diferente como plenamente razoável, angeliníssimo, pulquérrimo. Não uma cabeçada - que seria uma retaliação indigna, escassa, exígua para tamanhos pergaminhos -, mas um tiro, uma granada de mão, uma saraivada de facadas, no mínimo. E nunca negligenciando, claro está, toda aquela vingançazinha suplementar - mas indispensável, protocolar -, sobre a família, a raça e a nação do ofensor: demolição da domicílio da mãezinha com buldózeres justiceiros; assassínio selectivo e aleatório de vários compatrícios, pela Mossad bendita; e bombardeamento do aeroporto de Palermo, uma hidroelétrica, duas praias e várias pontes, com mísseis e bombas geniais (inteligentes são os americanos e os ingleses; os israelitas, como é público e notório, são todos, sem excepção, geniais – o que se transmite, por pregnância mística, às suas próprias ferramentas e utensílios).
E nem era preciso, notem bem, que o safardana lhe depreciasse a mãe, a irmã ou a esposa. Sequer que insinuasse coisas ramificadas sobre o pai, o avô ou os primos da província. Nada disso; bastava que lhe rosnasse, por exemplo, e ainda que entredentes,“pencudo!”.
E que espectáculo edificante não seria, então, para todas as crianças do mundo!...
quinta-feira, julho 13, 2006
Por um Sorteio Universal (rep.)
Sempre é preferível uma escolha aleatória, que uma escolha alienada. E, francamente, antes apostar na extracção da lotaria, que em políticos de baixa extracção.
quarta-feira, julho 12, 2006
Da Neo-Pornografia, ou a Neo-Gina para neoconinhas e outros atlanticonas cá do burgo

Um tanque israelita supervisiona, atentamente, a travessia da rua por uma perigosa (e sabe-se lá capaz de que actos tresloucados de terrorismo, genocídio bárbaro e voodu islamofassista) velhinha palestiniana. É assim mesmo, rapazes: há que trazê-las sempre debaixo de olho! Quer dizer, de mira.
Big-noose is watching us! And her, by the way.
E não se vê, o que é pena, mas atrás dela segue já o buldózer para lhe vasculhar o domicílio.
Não foi em vão que «Lamec disse às suas mulheres: "Ada e Cila, escutai a minha voz; mulheres de Lamec, ouvi a minha palavra: Matei um homem porque me feriu, e um rapaz porque me pisou. Se Caim foi vingado sete vezes, Lamec sê-lo-á setenta vezes sete."» (Genesis 4, 23-24)
Imaginem agora os mirianetos do Lamec!...
É uma gente violenta, mega-rancorosa, desapiedada, esta, a dos descendentes de Caim.
domingo, julho 09, 2006
Apologia e difamação - Breve anatomia comparativa
Isto, caros senhores, é difamação (difamação com todas as letras!):
« Dragoscópio é pura e simplesmente o melhor blogue português.»
«O Dragão é genial!»
«Quando disse que o Dragoscópio era o melhor blogue português não o fiz por questão de "amizade virtual".»
«O dragão é (a par do desfazedor de rebanhos) o melhor blogue português».
E isto é apologia (apologia da mais purinha!):
«Para o Vasco Graça Moura ainda há memória, mas para si Dragão, nunca haverá. Aquilo que escreve é tão mau, tão redutor, tão imbecil e vulgar, que acho espantoso como é tem espaço GLQL. Com a Eremitocracia, você pratica a Estúpidocracia, com ares de Grande Educador de não sei o quê. Já esperimentou lavar a cara? Um bom banho ajuda muito.»
«A Zazie á uns tempos atrás recomendou-me a leitura de um post do Dragão, no "Dragoscópio", e eu com fui ver o blog, ler o post e óbviamente avaliar o blogger. Fiquei horrorizado.»
«Para terminar e como é óbvio,respeito a 100% a sua opinião, mas francamente e para além de tudo o que escrevi sobre o Dragão, ele até na componente estética é um desastre absoluto.»
Agora, o leitor - algo confuso, admitamos-, perguntar-mo-á: "Gaita, Dragão, mas como é que sabemos, de ciência certa, num mundo tão destrambelhado como este, que se trata de apologia ou de difamação?
E eu, sempre prestável, como é meu timbre e apanágio da minha família desde Vlad, o Empalador, responderei:
- É simples, caro leitor amigo (ou inimigo, tanto faz): o que define a coisa, já diagnosticava Aristóteles, é, entre outros mistérios que seria agora fastidioso elencar (e aumentaria consideravelmente o número de saloios hostis), a origem da mesma. Transposto para o vertente caso, resulta no seguinte: quando pessoas inteligentes, racionais, minimamente lidas e viajadas, se bem que dadas à fantasia, aos cogumelos alucinogéneos e à auto-mistificação, como são a minha cara Zazie e o estimado Timshel, desatam nestas categorizações, não tenhamos dúvidas - é de todo evidente o intuito menoscabante, depreciador, liliputosfórico. Afirmar que eu sou o "melhor blogue português" -ou mesmo, por absurdo, jurar a pés juntos que eu sou o "melhor blogue do planeta" - quando sabem perfeitamente, os sacanas, que eu sou "o melhor blogue da galáxia e arredores", é, no mínimo, achincalhante. De resto (e eles sabem-no bem) por uma questão de princípio, tradição e coerência, o facto de ser, de facto e sem espinhas, "o melhor blogue do Universo" obriga necessariamente a que seja o "pior blogue de Portugal". Por conseguinte, estou a pensar seriamente em processá-los e argui-los por danos irreparáveis -e contumazes! - à minha péssima reputação (apesar de, em absoluto, e passada a fronteira e as camadas mais baixas da estratosfera, ela ser sublime).
Já quando um auto-denominado Sniper -a quem, por caridade e gratidão, poupo adjectivos, mas que presumo tratar-se dum frango-atirador furtivo-, desembesta a ungir-me de injúrias, pedradas virtuais e outras ventosidades estrepitosas, cada qual mais perfunctória que a anterior, isso só pode ser, com toda a certeza, o maior panegírico, o mais gratificante encómio e o mais glorioso lustro de que há memória, pelo menos no último mês (o que, convenhamos, para um roedor de notícias, blogues e jornais destes, deve equivaler a uma verdadeira eternidade).
quinta-feira, julho 06, 2006
Os Avatares do Escritor
Mas como agora estamos num daqueles interstícios severos por onde o fariseu, ocasionalmente, espreita e salmodia, não duvidemos: é o escritor. Quiçá mortificado ou descompensado por alguma síndrome de privação, dá gosto vê-lo a verberar contra o petisco, a denegrir no refogado, a escarnecer do pitéu. Quando não está ocupada com a mama, foge-lhe a boca para a verdade. Não obstante, nos trinta anos em que andaram a confeccioná-la, à monumental mixórdia, a maior parte do tempo, ele, o mija-versos, o besunta-formas, passou-o nas cozinhas. Desde o PREC que lá anda: ora de roda do Chef, a acolitar ao forno, ora de faxina ao lava-loiça, a resmungar e a branquear os tachos.
De secretário de Estado no lendário Gonçalvismo do IV Governo Provisório a Comissário Político no não menos épico Cavaquistão, foi vê-lo sempre a aviar-se, numa azáfama de videirinho a reboque duma pança insaciável de comensal.
domingo, julho 02, 2006
Favores, Factores e Feudalismos (part. II)

Bem, que se lixe! Imaginem, então, Vosselências, que vivíamos numa monarquia. Cruzes, credo, compadres! Por uma vez, sem exemplo, abençoada seja a república. Mesmo de bananas, louve-se! Não fosse ela, e em vez de “adjunta do Ministro”, tínhamos que tratar a lambisgóia “despachada” por “princesa” – a princesa Vera Ritta.
Assim, ao menos, na sua mordomodiceia acidentada, de “filha do presidente” já resvalou para “adjunta do Ministro da presidência”. Com um bocado de sorte, a este ritmo apesar de tudo animador, daqui a oito ou nove gerações, pode ser que a medonha descendência já participe em concursos públicos, nem que seja por mera fachada.
Quanto ao critério inefável do Ministro Silva Pereira, permitam-me alguns alvitres - apesar de, à primeira vista, um só se avantajar bastante: pediu uma lista de candidatos sorteados aleatoriamente nas páginas amarelas e ao ver uma Ritta com dois “tês” – portanto uma Rita TT ou T2, ainda por cima recheada de um “de”*, não hesitou, requisitou tão cintilante inteligência para adjuntar à sua.
Ou então reparou argutamente que, além de TT, era BdS, ou seja, Branco de Sampaio e, como é típico dos crânios sofisticados, com desembaraço fulminante, vislumbrou uma série de potencialidades e mais valias que –a nós, vulgares mortais e servos - nem nos passam pela cabeça.
Claro que nisto, como em tudo, há sempre a questão da raça, do pedigree, da eugenia, enfim, da fidalguia. O ministro com certeza que, em precisando dum cão, não vai resgatar um rafeiro ao canil municipal, por mais habilidoso e diplomado em artes circenses ou marciais que lho apregoem ou ajuramentem. Da mesma forma, se precisar dum automóvel, dum telemóvel ou duma amante – e decerto precisa, como de pão para a boca -, não vai apetrechar-se dum chaço em segunda mão, duma raquete que nem fotografias tira, ou, Deus o livre e guarde, duma Katia qualquer alternadeira cuja mãe vendia peixe na praça e cujo pai permanece incógnito, quando não se sorteia, pelas más línguas do bairro, entre um proxeneta, um polícia, um taxista e um limpa-chaminés marrequinho. Ninguém lhe perdoaria, sabemo-lo bem. A começar nos eleitores das classes mais baixas, devoradoras de telenovela e revistas cor-de-rosa, que, nestas tranquibérnias, são de um snobismo feroz e prefeririam mil vezes partir uma perna em vários sítios a ver os pergaminhos alheios ao nível das próprias patas – excepção feita e ressalvada a uma Katia com dois “tês” (uma T2, portanto) cujo progenitor, após grandes peripécias e dramas, se viesse a revelar, nem mais nem menos, como sendo o Conde do Cadaval, o padre Melícias ou o primo legítimo do Pacheco Pereira. Ora, se para escolher cão, veículo ou concubina já é este sarilho todo, todas estas burocracias e protocolos, fará agora uma “adjunta de gabinete”.
Naturalmente, há que respeitar padrões, que burilar paradigmas. Um Ministro, como acabo de demonstrar, não vai decerto adjuntar-se com uma qualquer. É um representante do povo e o povo, se puder, também deita a fateixa e despeja a espermatália numa baronesa, numa viscondessa ou, superlativo enlevo, numa princesa boiarda. Maior gulodice não se lhe reconhece. Vai daí, em nada nos pode surpreender que o “ministro” se tenha adjuntado com a “filha de um ex-presidente da República”. Não é grande coisa, todos sabemos, (principalmente se levarmos em conta o ex-presidente em questão) mas sempre é melhor que nada. Aliás, pela ordem actual das coisas, segundo a hierarquia de importâncias, acreditamos que tenha tentado a “filha de um ex-presidente da Federação Nacional de Futebol”, mas, pelos vistos, não havia nenhuma disponível. Já se se tratasse do primeiro Ministro, o mínimo aceitável – aquele que o protocolo reclamaria - seria a “filha de um ex-presidente de um clube de futebol” (dos três grandes, logicamente). E no caso do próprio presidente da República sentir vontade duma “adjunta”, não vejo outro nível adequado senão a “filha de um presidente do Benfica”. Afinal, sempre estamos a falar do mais alto magistério da nação.
*Nota : Eu, sem querer estar a gabar-me (até porque cago nisso de mui elevado altor), também tenho um “De”. No meu caso sou um “de Aragão e Tal”. Mas como verdadeiro e antigo aristocrata, que já o meu enesimavô cavalgava com D.Afonso Henriques, não sou dado a peneiras nem Pacheco-pereirices. Por conseguinte, e por facilidade de trato, a malta –capitaneada pelo Caguinchas, esse amotinado profissional - começou a tratar-me por D’aragão e, finalmente, por força da elisão do “a” (que claramente lhes ofendia o palato e complicava com as dentuças), resultou no D’ragão por que todos me tratam e, a maior parte das vezes, destratam, a pretexto do meu anti-benfiquismo vociferante.