domingo, abril 30, 2006

A Dança dos Espectros em redor do Peak Oil

Um artigo deveras interessante. Não tanto pelas ilações -cada qual trata das suas -, mas, sobretudo, pela compilação de dados e factos. Alguns trechos, para aperitivo:

«In the last year we have seen the collapse of Kuwait ’s super-giant field Burgan; accelerated decline in the world’s second-largest field, Mexico ’s Cantarell; and an overall global decline rate approaching 8%. We have seen Saudi Arabia fail to increase production while at the same time finding it more difficult to hide deteriorating reservoir conditions in all of its mature fields, including Ghawar. As of tonight, more than 30 of the world’s largest producing nations have entered steep decline.»
(...)
«The US government continues an unwinnable war in Iraq while building massive permanent bases and the largest embassy compound ever built. Not only does the US have no intention of leaving Iraq , it has committed—whether under Republican or Democratic leadership—to staying forever—whatever that means. The Empire’s position is clear, not as a result of what it says, but as a result of what it has done. America ’s primary plan to deal with Peak Oil is to fight or intimidate for energy supplies wherever it deems necessary. That, of course, has forced the rest of the world—with a few notable exceptions like Norway and Brazil —to dance to the same sheet music. As a result, I would estimate that of every ten units of energy (or money) expended preparing for Peak Oil today, nine are spent preparing for war while only one is spent building lifeboats and teaching people how to survive.»
(...)
«The US government is playing a bluff hand over an attack against Iran , which in spite of being both unlikely and risking a global nuclear holocaust, has resulted in massive increases in military spending all around the planet. A global arms race is now using up energy and commodities that should be used rebuilding railroads, enhancing mass transportation, and building renewable infrastructure to soften the coming blows.
In the face of this, the entire world, and especially China , Russia , India , Germany and Japan are pouring hundreds of billions of dollars of investment into Iran . This is one of many sure signs that the American Empire’s weaknesses are becoming visible. There is blood in the water and blood in the water usually leads to a fight. The world, at least as far as its pocketbook is concerned, is betting on Iran.
Russia is selling Iran lots of Tor M1 anti-aircraft missile systems and cruise missile and high-speed torpedo technologies. China also is flooding Iran with advanced military systems.»
(...)
« Climate Change and hurricanes not only continue apace but have accelerated. Now that we are just weeks away from a new hurricane season, fully 23% of Gulf of Mexico production remains shut-in after last year’s hurricanes.»
Avizinham-se tempos sombrios?...
No caso do Irão, por exemplo, não me parece que o mais preocupante seja o putativo bluff que os Estados Unidos estarão ou não a fazer. O pior é se os outros estão determinados a pagar para ver.

O Folhetim da Bolsa

«Tehran, April 26, IRNA -Iranian Oil Minister Kazem Vaziri Hamaneh said on Wednesday that the establishment of Oil Stock Exchange is in its final stage and the bourse will be launched in Iran in the next week.»

Pelo sim, pelo não, o melhor é esperarmos sentados.

sábado, abril 29, 2006

Mistérios do FBI


Afinal, em que é que ficamos?...
Portugal devia exportar os dez mil especialistas de Al Qaeda e Bin Laden que infestam jornais, televisões e blogues, em regime de perpétuo chinfrim canoro. Verdadeiras trituradoras de dúvidas e fulgurantes motoniveladoras de controvérsias, estes oráculos destemidos desofuscariam em menos de nada os nabos entapumescidos do Federal Bureau, fundado em 1906 por um obscuro descendente de Napoleão Bonaparte.

sexta-feira, abril 28, 2006

Não batam mais na velhinha!...

Comunas cubanos, instigados pelo feroz e hirsuto tirano, brutalizam velhinha.
Enquanto isso, e desde há vários anos, o governo do Uganda, pilotado por um tal Museveni e subsidiado pela magnífica e very british democracia, promove e ampara mortandades e razias que já rondam os 3,5 milhões de pessoas. Mas, claro está, os africanos, além de pretos, são portadores de pencas cuja aerodinâmica não cumpre os quesitos internacionalmente consagrados como certificadores de vítima. Se é certo que proporcionam uma excelente e caudalosa ventilação, não é menos certo que auguram vidas pouco longevas aos proprietários.
Moral da história: é um escândalo, isto da velhinha!
E mais escandaloso ainda se pensarmos - aposto dobrado contra singelo - que, tal qual o seu padroeiro Guevaricossauro, os ferrabrases facínoras nem lavados e perfumados estavam quando, levados de seiscentos diabos e respectivas mães, se atiraram à desvalida anciã. Faço ideia o fedor dos sovacos e o mau hálito que, a juntar às bordoadas ogreabundas, a martirizada senhora teve de aguentar.
E vá lá que ela, coitadinha, apesar de tudo, conseguiu, com estoicismo milagroso e aferrolhoamento épico, proteger o céu da boca e as traseiras dos abanos!...

quinta-feira, abril 27, 2006

Os Otários que paguem a crise (reposição)

(Isto é só para demonstrar que os postais, aqui, neste batel danado, não só não envelhecem, como, com a idade, ficam cada vez melhores. Como o vinho do Porto, pois. Quando eu digo "melhores", entenda-se "cada vez mais actuais"...)

Estou de acordo: "Os ricos não devem pagar a crise".
Em primeiro lugar, porque os ricos são o esteio da sociedade e do mundo. Se acabássemos com os ricos, para que farol guia olhariam os pobres, bem como os remediados e os quase nababos? Ficariam às escuras, pois claro, sem saberem para onde se dirigir nem que paradigma imitar. Naufragariam irremediavelmente de encontro aos escolhos, traiçoeiros e pontiagudos, da existência.
Nenhuma sociedade funciona sem um regime, e nenhum regime se aguenta sem paradigmas orientadores. Depois de inúmeras peripécias que seria fastidioso enumerar, o mundo ocidental arfa sob os primores duma plutocracia vigorosa. Não adianta fazer grandes ginásticas mentais à procura de mundos alternativos; é assim. A História, à boa maneira hegeliana, porta-voz do "Espírito", determinou-o.
Por conseguinte, sendo uma plutocracia, tem nos ricos o vértice da pirâmide – tal qual como se fosse uma monarquia, teria no rei; ou, uma teocracia, encontraria em Deus. Ora, se retirarmos o rei à monarquia, ou o Deus à teocracia, lá ruem ambas, a monarquia e a teocracia, sem apelo nem agravo. O mesmo acontece se retirarmos os ricos à plutocracia. Resulta no caos, na anarquia, desatam-se todos a comer uns aos outros. Descamba o carrossel numa depredação intraespecífica sem regras, bestialmente destrutiva e causadora dos piores atropelos e sevícias à ordem pública e não só.
Assim, tal qual vamos, há uma ordem: os ricos comem todos os outros; os pobres são comidos por todos os outros; entre os ricos e os pobres existem uns terceiros que comem e são comidos. Se não é o melhor dos mundos, anda lá próximo. É como na selva: há um equilíbrio natural, racional, que visa a perpetuação do sistema ecológico. Têm que existir poucos ricos e muitos pobres, da mesma forma que devem existir poucos lobos para muitas ovelhas. Se existissem muitos lobos para poucas ovelhas, os lobos exterminariam as ovelhas e, depois, definhariam até à inanição por falta de alimento. A não ser, claro está, que os lobos mais fortes despromovessem os mais fracos a ovelhas e desatassem a pitar neles. Em todo o caso, isso não passaria duma solução de emergência e apenas adiaria o colapso inevitável do sistema.
Portanto, sendo os ricos o que de mais precioso tem o regime, convém preservá-los e protegê-los de todos e quaisquer percalços. Ora, um rico não é rico porque paga crises ou o que quer que seja. Pelo contrário, é rico porque lhe pagam inúmeras coisas: é rico porque recebe. Viaja isento, à borliu.
Também, ao contrário do que se pensa, o rico não é rico porque investe o que quer que seja: é rico porque acumula. Se o rico gastasse o seu precioso dinheiro –a sua essência, e substância inefável do sistema -, em negócios e fabriquetas, corria o risco de ficar pobre. Ora, esse é um risco que nenhum rico que se preze pode correr.
É claro que o pobre, e especialmente o pobre de espírito, cisma que assim é. Isso, porém, não nos deve surpreender: É conveniente ao sistema e ao rico que ele assim pense. Tratam até, ambos, de mimar-lhe essa imbecil convicção, de mantê-lo nessa ilusão mentecapta. Mas, na verdade, o rico apenas se dedica a multiplicar o seu dinheiro, velando, desse modo, pela própria saúde do regime e pelo equilíbrio do ecossistema.
Quer dizer, o rico nunca investe o "seu" dinheiro. Investe, isso sim, o dinheiro que o banco lhe confia para investir. O "seu" dinheiro significa apenas"crédito" junto da banca, funciona como uma espécie de brevet para "piloto de capitais". Porque o rico é essencialmente isso, um piloto de capitais, que se faz pagar a peso de ouro pela crematonáutica que exerce. O "seu" dinheiro é apenas aquilo que antes da operação a garante e que, terminada a mesma, resultará ampliado. A função do rico é tornar-se cada vez mais rico. O ser rico, bem mais que um estatuto, é uma dinâmica: cega, obsessiva, inexorável.
Então, com que dinheiro investe o rico? – Com o dinheiro dos outros, é evidente; precisamente aquele que a banca extrai à grande maioria.
E o que é uma "crise"? – É uma época de desequilíbrio financeiro, em que, por um lado o Estado através de impostos e taxas, e por outro a banca e seus associados, através de "empréstimos" (que mais não são que formas encapotadas de cobrar "taxas" e "impostos" muito acima dos do próprio Estado), deixaram ou ameaçam deixar a grande parte da população na penúria, senão mesmo à beira do colapso enquanto sociedade.
Se o dinheiro deixa de circular com a quantidade necessária a manter um fluxo de oxigenação saudável do sistema, isso só pode significar hemorragia algures.
Quando, em plena crise, a banca apresenta lucros fabulosos, isso significa que esse dinheiro foi sacado à população e entregue nas mãos dos tais "pilotos". O que estes fizeram, obedecendo à sua lógica intrínseca, foi ir investi-lo noutras paragens mais rentáveis. O objectivo do investimento não é criar postos de trabalho: esse é o simples meio. A finalidade é multiplicar o capital inicial. O resto é supérfluo e, em bom rigor, descartável, logo que a finalidade esteja alcançada.
Entretanto, o país de regresso à sua penúria tradicional, do ponto de vista dos ricos e seus acólitos, é positivo: quer dizer que o país, de volta ao terceiro mundo e à realidade, está a transformar-se num país mais competitivo, com mão de obra mais barata e menos esquisita. Para os pobres, os verdadeiros, também não faz grande diferença: abaixo de pobres não passam, e já estão habituados. Concentram-se no futebol, na pinga e lá vão. Os únicos que, de facto, têm motivos para se preocupar seriamente são aquela classe heteróclita e intermediária – daqueles que vivem digladiados entre a angústia de regredirem a pobres e a ilusão de, num golpe de asa, ou por qualquer súbita lotaria do destino, ascenderem a ricos. Esses, temo-o bem, vão ter que sacrificar-se, mais uma vez, pela competitividade do país. É, aliás, urgente que desçam do seu pedestal provisório e se compenetrem dos seus deveres atávicos. São para isso, de resto, que, ciclica e vaporosamente, são criados.
E dado que os pobres não pagam porque não têm com quê, e os ricos também não, por inerência de função e prerrogativa sistémica, resta-lhes a eles, os tais intermédios (ou otários, se preferirem), como lhes compete, chegarem-se à frente. Está na hora de devolverem a sua "riqueza emprestada", o seu "estatuto a prazo"; de se apearem do troleibus da ficção e retomarem o seu lugarzinho na horda chã, em fila de espera para o próximo transporte até à crise seguinte.
Não sei se campeia a justiça neste mundo. Duvido. Mas que reina uma certa ironia, disso não restam dúvidas.

quarta-feira, abril 26, 2006

Canções ao crepúsculo



Quando o Homem foi à lua
tu onde é que ficaste?
Dão-te a gaja toda nua
tiram-te a força na haste.

Quando descobriram a pólvora
tu o que é que descobriste?
Estavas a meio entre a nódoa
de sebo e o chispe?...

Quando te baixaram as calças
tu o que é que imaginaste?
Que era água das malvas
que era um prazer, deixaste...

Quando te venderam banha
tu o que é que compraste?
Para santo falta-te a senha,
para homem o guindaste.

Não me digas, não me sigas
não me culpes, não me absolvas
não me ames, não me chames
não me lixes, não me fodas!

Já estás bem na merda
mas a febre persiste,
Se morreres é uma perda
caga, logo existe.

Já te atolas em direitos
já podes apregoar disparates,
Já te mimam os eleitos
Só te faltam os tomates.

Já adoras outra vaca
já culminas outro cano,
Já consagras outra data
já conspurcas outro ano.

Já quase chegas a Marte
já só pedes a Lua,
A costura é uma Bela-arte
cada século tem a sua.

Já emolduras a tromba
com um esgar meio amarelo,
A festa foi de arromba
A vida, essa , é a martelo.

Já esticas as beiças
numa espécie de vocábulo.
Já abandonas as berças
na demanda doutro estábulo.

Não me grites, não me imites
não m'embrulhes nessas modas,
Não me leves, não me cegues
não me salves, não me fodas!
Casa tu com essa vida
guarda as vantagens todas
Mas não me venhas com tretas
não me dês palmadinhas, não me fodas!...

Ai ôh, Silver!...




Ralph Peters é uma espécie de John Wayne das redacções. Ou dito com maior isenção: o Luís Delgado lá do sítio. Vale a pena ler este artigo para orçarmos da geopolítica benemérita com que exaure as sinapses.
Ah, mas Peters é de outro fôlego: também escreve livros. Epopeias emocionantes; fábulas principescas (à la Maquiaveli, bem entendido). O seu último romance intitula-se: "New Glory: Expanding America's Global Supremacy."
Percebe-se a cavalgada. Os índios todos deste mundo, quer-me cá parecer, estão fodidos.
Mas o mais singular eclode quando, a determinada altura deste seu manual da "Supremacia Global", ele apregoa:
«We are hated not for what we have done to others, but for what we have done for ourselves. The example of our success is humiliating and bitter to all those who cling to traditions our power reveals inadequate.»
Ora, é impressão minha, ou isto soa a déjà vu. Mas onde é que eu já li isto? Ah, agora me lembro: então não é esta uma das fórmulas predilectas dos excelentíssimos judeus e seus acólitos de plantão?... Não se reclamam eles como vítimas profissionais de ódio por via do seu sucesso sempre genial e exuberante?...
Então, isto quer dizer o quê? Será que os americanos querem usurpar o trono dos hebraicos? O Anti-semitismo vai ser recauchutado em anti-americanismo? Ou são as duas faces actuais da mesma moeda? Estaremos na iminência duma fusão?...
Isto é terrível. Descobre-se, afinal, que quando criticamos a América, temos é inveja. Aliás, quando criticamos seja o que for, temos é inveja. O melhor mesmo é não criticar nada nem ninguém, excepto os pobres, os desempregados, os cidadãos anónimos, enfim, esses filhos da puta, invejosos do caralho, que só querem deitar a fateixa às benesses, prebendas, mordomias e ricos tachos de toda essa excelente gente bem sucedida, jet-coisa, triunfante, neste como em qualquer melhor dos mundos. Porque é que não se self-made-fazem como os outros, estes choramingas, hein?! Cabrões! Coça-micoses!
Aliás, doravante não vou estar com contemplações. Agora que descobri a moral, ai de quem eu apanhe a mijar fora do penico. Críticos dos gays? - Têm é inveja da sensibilidade e do jeito para as artes deles, bem como as facilidades de carreira. Críticos dos árabes explosivos? - Têm é inveja dos colhões dos gajos, já não falando nos haréns, aquém e além-Morte. Críticos das abortistas feministas? - Têm é inveja da emancipação das tipas, da isenção de lavar loiça, bem como dos orgasmos múltiplos. Críticos do capitalismo selvagem? - Têm é inveja do Belmiro, da família Bush e do Bill Gaitas! Críticos da globalização aos molhos? -Têm é inveja da Barbie, da McDonnalds, da Microsoft! Críticos dos metrossexuais? - Têm é inveja do estilo, do perfume e da pele depilada dos gajos! Críticos do Pacheco Pereira? - Têm é inveja dos megafones do gajo! Críticos do Governo? - Têm é inveja das jantaradas opíparas, das viagens à borla e da boa vida a expensas do erário! Críticos da pedofilia? - Têm é inveja da elite! Críticos da corrupção? - Têm é inveja dos carros e das casas dos gajos! Críticos do Saramago? - Têm é inveja do nobel e das tiragens do antigo serralheiro, controleiro e tarefeiro do DN! Críticos da incompetência? - Têm é inveja das promoções dos gajos e gajas! Críticos do nepotismo? - Têm é inveja das assessorias, consultadorias e outros berimbaus!...
Agora os pequeninos, os indefesos, os desgraçadinhos, -os otários, enfim - especialmente se velhos já gastos ou criancinhas à mão de semear, pois esses, que são muitos, mais que as mães, esses, não tem nada que saber: fogo na peça! Crítica? Qual crítica, qual carapuça! Nesses é ódio mesmo. Essa merda só estorva a felicidade e a carreira das pessoas modernas - só lhes enseba e armadilha os trampolins e as rampas de lançamento; só lhes torpedeia os cruzeiros, os safaris e as férias nas Bahamas. Isso é a escória, o excremento do paraíso!...

terça-feira, abril 25, 2006

O Mercado a funcionar

«Uma mulher foi presa na província de Henan, no centro da China, por ter assassinado oito pessoas e ter vendido os filhos das vítimas, noticiou hoje o jornal oficial chinês Southwest Express.
Matei os adultos por dinheiro, tornava a venda dos filhos mais fácil, refere o jornal, citando Jia.
Matar uma pessoa é muito fácil, primeiro é pôr um narcótico na comida, esperar que desmaiem, dar-lhes a comer pesticida e pronto. Não é diferente de matar uma galinha», disse Jia, segundo o jornal.
Jia, analfabeta, disse ter ganho até 15 mil reminbi (1,5 mil euros) pela venda de uma criança e disse ter vendido seis rapazes e uma rapariga, de acordo com o jornal.»

E ainda nos queixamos do nosso simpático e pacato Portugalzinho!... Ao menos, os nossos ultraliberais, mesmo os mais virulentos, limitam-se a delapidar os seus piores instintos em licenciaturas ou mestrados, e, por altura de crises mais violentas, não vão além -graças a Deus! - de garatujar blogues colectivos ou celebrar missas negras... em cafés.

Liberdade a Crédito

«Portugueses nunca deveram tanto dinheiro aos bancos
No início do ano, dívida ultrapassou os cem mil milhões de euros, um aumento de 10 mil milhões em apenas 12 meses.»

Viva a liberdade!
Pela trela da banca.

segunda-feira, abril 24, 2006

Um Postal para a Posteridade

Um postal-mais-que-perfeito, no Cocanha, de Miss Zazie.

Não exagerarei muito - aliás, não exagerarei absolutamente nada - se disser que este é um daqueles postais merecedores de uma peregrinação geral da blogosfera, seguida de adoração prostrada e depósito de oferendas e animais para sacrifício. Estais à espera de quê?!...

War Childreen



«Sudão: cerca de 300 crianças-soldados entregaram armas».

Suponho que lhes deram Game-Boxes em troca. Ao contrário das nossas, estas treinaram primeiro na realidade.

domingo, abril 23, 2006

As asas do despejo


Mas mesmo no voyeurismo coprófilo, Pacheco Pereira, como não podia deixar de ser, distingue-se. Alcandora-se. Emerge, olímpico, acima do vulgo, da ralé. Sobretudo quando o que está em causa é espreitar o traseiro à própria ralé, não quer deixar os seus guardanap...digo, pergaminhos, por mãos alheias. Nunca! Dá-se ares, devassa sobre a bosta, altaneiro, de monco empertigado e entoando glu-glus. Um requintado –gebo, mas requintado, sem dúvida. Um sobreperverso. Um Necas-plus-ultra, como diria o Caguinchas (que, a esta hora, se não estou em erro, já deve ter saído em liberdade da penitenciária de Lisboa). Compenetremo-nos: O trivial não o satisfaz, ao Pacheco. É algo acima da banalidade o que o obceca. Não espreita apenas pelos sanitários, à coca dos despejos mais transbordantes. Não; regista também, meticulosamente, as horas das visitas. O tempo médio. Estabelece gráficos, estatísticas, livros de ponto. Sopesa e analisa. Vigia fermentações e mede velocidades de sedimentação. Nomadiza, enfim, com a ubiquidade inefável do anjo da guarda republicana e a gulodice intrépida do sociólogo beija-flor.

sábado, abril 22, 2006

A Verdade e os Filósofos

Feitios


«Tendo metido a sua moeda na ranhura de uma máquina automática, o Capitão Cap caiu numa terrível cólera ao verificar que nada se mexia no aparelho e que o chocolate anunciado não se apresentava.
- Cambada de ladrões! - espumava ele.
E acrescentou:
- Hei-de vir cá esta noite com uma carga de dinamite e farei ir pelos ares esta maldita máquina.
- Ora aí está, Capitão -disse eu -, uma excessiva vingança para uma desgraçada moeda de dois soldos.
- Não é pelos dois soldos! Estou-me nas tintas para os dois soldos! Não quero é que me f...!
De facto, pouca gente conheci tão susceptível como Cap. em certas alturas.
Pronto a imaginar que toda a humanidade está combinada para o roubar, não abranda na sua ira e rumina sem descanso as mais retumbantes e cruéis desforras.
Ao aperceber-se um dia de que o seu merceeiro lhe vendera uma libra de açúcar com 485 gramas, voltou no dia seguinte e atirou para as azeitonas e as ameixas do indelicado lojista uma mão-cheia de estricnina.
- Não é pelos 15 gramas de açúcar - desculpava-se ele delicadamente. - Estou-me nas tintas para os 15 gramas! Não quero é que me f...!
Numa outra circunstância, as coisas foram até mais longe.
Num hotel de Marselha onde habitualmente se hospedava, verificou ao fazer as malas à partida, que lhe faltava um colarinho postiço.
Não havia dúvida. O criado do hotel, na sua ausência, abrira a mala e roubara-lhe o objecto.
Cap não disse uma nem duas. Em vez de voltar a Paris, onde tinha de ir tratar dos seus assuntos, meteu-se num navio com destino a Trieste.
Trieste -quem não sabe isto? - é, tal como Hamburgo, o grande mercado europeu de animais ferozes.
E logo teve a sorte de ir dar com uma verdadeira pechincha: um jaguar adulto, cujo mau carácter teria feito perder a paciência a um santo e que lhe venderam por um preço irrisório.
Este jaguar foi introduzido numa sólida mala, uma dessas malas em que a chapa de aço desempenha um papel mais considerável que o vime ou a lona encerada.
Um rápido "steam-boat" voltou a trazer para Marselha o rabujento Capitão e o seu feroz companheiro.
O jaguar que, no estado livre, já não é de uma mansidão notável, perde mais ainda a sua sociabilidade com a estada de uma semana dentro de uma mala, mesmo quando o dono tomou a precaução de lá meter, com ele, uma dezena de quilos de carne de cavalo de primeira qualidade.
O nosso jaguar não se portou de maneira diferente da maior parte dos seus congéneres.
E precisamente, o mesmo criado de hotel teve a infeliz ideia de se apropriar de um lenço que pertencia ao nosso amigo.
Então, aí, então...! a tampa da mala levantou-se mais bruscamente do que podia esperar o infiel servidor.
O pobre jaguar, feliz por poder desentorpecer os músculos, manifestou a sua alegria com uma carnificinazinha que abrangeu o culpado criado, duas criadas, três viajantes, o patrão, a patroa do hotel e mais alguns senhores sem importância.
Quando um jaguar se diverte, nada o pode fazer parar.
- Pois bem, senhor - concluia alegremente o Capitão Cap-, venho muitas vezes para este hotel e nunca tive a deplorar a ausência nem mesmo de um botão de punho... Que quer que lhe faça, não suporto que me f...! »

- Alphonse Allais, "Le Captain Cap, Ses aventures, ses idées, ses breuvages"

Moral mais edificante que a deste belíssimo naco de prosa não conheço. Eu sou tal qual assim: Também não é pelas pintelhices. Estou-me nas tintas para as pintelhices. O que eu não gosto é que me f...!


PS: Além de que às venetas do Capitão acrescento, verdadeiro 2 em 1, os caprichos do felino: quando um dragão se diverte, também nada o pode fazer parar.




Rasputinices de um cluster



«Now, thanks to a misguided war and a bungled occupation, along with a string of foreign-policy failures that have alienated U.S. allies and triggered a wave of anti-American feeling around the globe, the numbers and influence of those Cheneyites outside the office have receded. No longer quite so commanding, the office seems more like a bunker for neoconservatives and their fellow travelers in the administration. Yet if only because of Dick Cheney’s Rasputin-like hold over the president, his office remains a formidable power indeed. »

Uma radiografia dum certo cluster na administração americana. Vale a pena ler.

Aproveito para informar que o petróleo já atingiu os USD75. And climbing...

sexta-feira, abril 21, 2006

Punhetódromos sibilinos


Eu só não percebo uma coisa: quando vosselências se põem com esses salamaleques todos, com essas manicures do conceito, mais esses peelings da ideia, enfim, com essas pívias descafeínadas do pensamento "ultralight", porque diabo cismam de meter o Dragão a servir de rodapé?!... Mas que raio faço eu nessas procissões ad-hoc, em punhetódromos tão solenes? Sirvo porventura de mefistófeles padroeiro na abertura da Santa caça-ao-pintelho?
Temos agora voyeurismo de caixas de comentários. Há tipos que, afinal, andam pelos blogues para espreitarem as retretes. Os postais são irrelevantes, servem apenas de pretexto para mirar quem alça a perna no postal. No fundo, são os graffitis nos azulejos, na porta da sanita, na tampa do autoclismo que lhes interessa. Só que não contentes, exigem explicações, clamam ao dono da casa que vire faxineiro e apague certas obscenidades contrárias aos mandamentos da verdadeira doutrina. Não apenas literatura, exigem religião, ou melhor, moral e religião. Embicam de dar opiniões sobre as opiniões, de vasculhar as excreções em busca de indícios, de censurar na seara alheia, de tonsurar as cabeleiras púbicas e vacinar os chatos comensais. No melhor dos casos, pelos vistos, vêm à casa dos outros, não para visitar os outros, mas para espiolhar quem lá vai, quem lá defeca, se o faz bem ou mal vestido, se é gente fina, selecta, crente; se lava as mãos depois do acto, se sacode não mais de três vezes; se, horror dos horrores, regando de pé, em vez de acocorado como manda o pulhiticamente correcto, salpica a alvura mosaica. E depois, com o sentido de humor de septuagenárias virgens e rebarbadas, de buço e verruga, vão a correr ratar e crocitar na praça, na sacristia, no confessionário do Big-Brother sobre as cusquices recolhidas.
Ficar ao nível de tais galinhices requeriria duas operações básicas: lobotomia e castração. Como é óbvio, dispenso tão distintos colóquios. Mais, dito em bom português: quero mesmo é que se fodam! Que brinquem com a pilinha deles, urdam tricôs e bordados no penico da moralidadezinha sonsa, mas deixem em paz a privada dos outros.

Quanto às caixas de comentários, não espremam mais a moleirinha a tentar decifrar o mistério: vão reabrir já de seguida. Com um uppgrade, ou seja: confiando ao vidente Lutz as funções, tão desejadas, de porteiro do mictório (agora convertido em discoteca); e ao sacristão Timshel o magistério de barman, servindo hóstias-pop e shots de água benta. Santa Helena, essa, velará do pedestal, com a graça do espírito santo na orelha e o detector de "pintelhices heréticas" em riste.

Passem bem e bloguem longe.

Subsídios da literatura a uma crítica literária

Aproveito esta magnífica digressão sobre o tema, para me consorciar através duns humildes subsídios aforismáticos. Uma breve retrospectiva dos críticos vistos pelo monóculo dos literatos. Para desanuviar de outras miragens mais polémicas.

«Mata-o, o cão! É um crítico.»
- Goethe

«Os críticos saqueiam muitas vezes as vítimas que esfaqueiam. Prestai atenção para ver se pouco depois não aparecem cobertos das vestes e das jóias de mediocridade que eles executaram publicamente.»
- Joaquim Nabuco

«Em alguns casos, aceitar a profíssão de crítico é apenas uma forma amargurada de renúncia.»
- Albert Guinon

«A mediocridade é mais perigosa num crítico do que num escritor.»
- Eugene Ionesco

«Um crítico literário é em geral alguém que ladra à porta do circo do editor.»
- Austin O'Malley

«O símbolo dos críticos devia ser o besouro: ele deposita os ovos no esterco de qualquer outro, doutro modo não os podia chocar.»
- Mark Twain

«Até há bem pouco tempo eu estava convicto de uma coisa: que a crítica literária requeria, no mínimo, literatura para criticar.»
- Dragão


É verdade que tenho péssima impressão dos críticos literários. Felizmente, o J.P.George não é desses. Se não estou em erro, é aquele faquir das letras que conseguiu ler toda a Margarida Rebelo Pinto de enfiada e, não esgotado com tamanha penitência, ainda foi capaz de criticá-la. Em suma: coroou o impensável com o impossível.
Haverá limites às faculdades sobrehumanas deste verdadeiro monge de Shaolin da sintaxe? Com que inaudita proeza crítica nos irá estupefazer a seguir? - as fotonovelas da revista Maria? A poesia de Quim Barreiros? A Lista Nacional das Páginas Amarelas?...
Ah, que suculenta -porém mortificante - expectativa!...

quarta-feira, abril 19, 2006

Rescaldo Verde, ou Do Pintelhério Mirabolante - II.


Interrogo-me se valerá a pena gastar o meu precioso tempo, a meias com o meu vulgar latim, a explicar a toda esta boa gente
1. Que não sou anti-semita (tanto árabes como judeus inspiram-me uma venerável neutralidade, lá na terra deles);
2. Que não sou judeofobo (tenho mais que fazer que andar a odiar e, ainda menos, a invejar judeus, até porque não lhes reconheço nem malefícios únicos nem talentos que mereçam especial ciúme);
3. Que, tão pouco, sou anti-sionista (acho muito bem que Israel exista e que Israel se defenda, como reconheço idêntico direito a qualquer outro país e, já agora, também aos próprios palestinianos que se sentem ocupados abusivamente).

Estes factos elementares são facilmente perceptíveis a grande parte das pessoas que usualmente me lêem, pelo menos aquelas dotadas daquilo que Aristóteles define como "intelecto activo". As outras, que não percebem o facto, debalde se tentaria compenetrá-las da explicação.

Uma coisa é certa: quem me conhece sabe que eu adoro tabus, caruncho santo e vacas sagradas. Estas, ainda mais, quando dão à luz bezerros dourados.

E, naturalmente, é um preceito básico para qualquer lutador que se preze: Onde mais gritam é onde mais lhes dói. Descoberto o ponto sensível, é aí que mais se lhes deve bater. Posso esquecer muitas coisas, mas isto nunca esqueço.
Em todo o caso, para verem a que nível hilariante se toureiam bacocos, sempre vos digo que quase toda a informação que fui expondo acerca do tal "anti-semitismo" (que serviu, aos mentecaptos de plantão, para me passarem atestados histéricos de judeofobia) foi, pura e simplesmente, retirada de sites como este:

Um site genuinamente sionista, pois é. Como Vosselências podereis comprovar, estão lá os que eu referi e muitos mais. Afinal, eles, os supremacionistas hebraicos, é que têm elaborado o mapa exaustivo destas pintelhices. Pretendem com elas fundamentar uma das suas teses basilares: a de que os gentios, sobretudo europeus, padecem duma disfunção mental congénita, duma tendência monstruosa para odiar judeus. Só isso, em seu soberano entender, pode explicar os tais "diagnósticos negativos" omnipresentes ao longo da civilização. Para eles, trata-se com efeito de promover o "judeu" ao estatuto de pura e absoluta vítima. De prejudicado milenar. O judeu é odiado porque é superior, mais inteligente, mais bem sucedido, melhor. No fundo, interessa-lhes criar um estado de excepção. Parece que isso dá lucro. A todos os níveis.
Mas, notem bem, que eles façam isso, até merecem a minha admiração, pela audácia, pelo engenho, pela astúcia. Que os outros vão nisso e chupem tão grosseiras frescuras é que, pelo contrário, merece o meu mais completo desprezo e o meu mais solene escarro. Diante de tamanhas larvas mentais, não me espanta que o mundo ande como anda: de Pôncio para Pilatos, de Cila para Caribdis, do nazismo saloio do Manel para o nazismo toino do Jaquim.
Contra tamanhos produtos do materialismo determinista, Deus impõe-se necessariamente. Refluimos para Ele, em desespero. Realmente, só por milagre divino é que uma vara destas poderá alguma vez evoluir acima da bosta onde, com tanta volúpia, refocila.

terça-feira, abril 18, 2006

Ninharias

«Petróleo supera 72 dólares em Londres.»

Ainda sou do tempo em que um dos motivos magnânimes apresentados para justificar a invasão do Iraque era estacionar o preço do barril de petróleo nos 15 USDólares. Nessa época, o barril orçava pelos 35 USD e a economia europeia derrapava e gemia, em aflição.
Agora, ao preço a que tem exorbitado, imaginem a pipa de massa que o Irão, como 4º produtor mundial, tem embolsado. E os Sauditas, como 1º produtor. E os Russos. E já agora imaginem também a Venezuela. E, se não for pedir muito, imaginem também as Gigantes Petrolíferas. É delírio meu, ou este ano que passou tiveram lucros astronómicos absolutamente recordes?...
Agora chamem maluco ao Ahmadinejad... E doido ao George W.
Entretanto, por incrível que pareça, quanto mais caro fica o petróleo, mais os preços aceleram em Portugal. Quem diria, hein?!...