quarta-feira, maio 12, 2004

IMPRESSÕES BLOGOSCÓPICAS


Esta coisa da blogosfera tem a sua piada. Há por aí gente inteligente e gente pândega. E também alguns despistes e colisões dignos da auto-estrada. São aqueles blogues sui-generis, misto de gente e lata amolgada, pelos quais passamos à ida e já lá vemos bombeiros de rebarbadora em punho e basbaques gulosos de volta do massacre. E à volta, ao fim do dia, ainda damos com o imbróglio, os bombeiros a tentarem e os mirones a ajudarem. É nessa altura que desabafamos para quem estiver mais a jeito:
-"Pôrra, mas então ainda não desencarceraram o gajo!"

Noutros casos, não menos sui-generis, pela espuma inequívoca que acompanha o ladrar, recomendar-se-ia apenas aquele cuidado -já anteriormente referido pelo digno comentador residente deste blogue -, de colocarem à entrada uma placa de aviso essencial: CAVE CANEM! Ainda pra mais quando são vários.
O transeunte incauto agradece.

terça-feira, maio 11, 2004

OS ANÓNIMOS E OS POSSIDÓNIMOS

Ao passar pela Grande Loja, deparou-se-me um brilhante post assinado pelo José.
Cumpre-me lavrar aqui o seguinte comentário:

Estimado José,

Mesmo não sendo eu um "anónimo", já que toda a gente sabe quem eu sou, devo saudá-lo por tão bem ter defendido a nossa causa - a dos recatados-, contra os exibicionistas!

Mas devo alertá-lo. Corre o sério risco de ter aberto mais uma frente de batalha insanável aqui na blogosfera: a dos anónimos contra os possidónimos. Para juntar aqueloutra, famigerada, fratricida, dos destros contra os canhotos.
Ora, se pensarmos nos mortos e feridos, massacres e chacinas, torturas e sevícias, que essa já causou entre tão bravas e belicosas hostes, é melhor nem imaginarmos as demolições e bombardeamentos que esta, propagando-se a certos paióis e arsenais mais sensíveis, poderá causar. Um armagedão, certamente.

Não se admire se começarem a chover as granadas de fulano empobrecido, ou os mísseis de cruzeiro económico às Caraíbas ou pacote weekend na neve.

Eu, pelo sim pelo não, vou tratar de cavar um bom abrigo. E mais sou Dragão.

Em todo o caso, mais lhe afianço que esse seu postal não esteve nada ao nível do Queijo Limiano. Melhor se enquadraria na categoria dum bom Queijo da Serra. Pelo menos, (quase apostava) é aí, à serra, que, ao lê-lo, uma certa meia dúzia vai subir.

Mas agora que o escreveu, só posso concluir: e escreveu muito bem.

DA SINARQUIA - I. O Golem


«Quando os meus ossos estavam a ser formados,
e eu, em segredo, me desenvolvia,
tecido nas profundezas da terra,
nada disso te era oculto.
Os teus olhos viram-me em embrião
in Bíblia Sagrada, Salmos, 139

Embrião, em hebraico, diz-se "Golem".
Rezam as lendas, que, «na época das cruzadas, os judeus, para se defenderem, criaram essa arma terrível mas incontrolável que foi o Golem.»
Segundo os rabinos, Deus, para criar Adão, demorara 7 dias. Moldara-o a partir de terra (barro) e, ao sétimo dia, insuflara-lhe a vida, soprando-lhe nas narinas. Alguns Santos Talmúdicos teriam, de algum modo, conseguido imitar Deus, animando massas com a força e a forma de um homem...
Para o efeito, moldava-se uma figura, em argila vermelha, da estatura duma criança de 10 anos e, por fim, escrevia-se-lhe na testa a palavra judaica para "vida": Emeth. Feito isto, a criatura animava-se e tornava-se um servo dócil do seu criador, capaz de executar as mais árduas tarefas. Sobrava, contudo, uma pequena contrariedade: o Golem crescia rapidamente, tornando-se um gigante. Conforme adquiria proporções gigantescas, devinha cada vez mais instável e, a limite, descontrolado, podia tornar-se perigosamente destrutivo. A única forma de fazê-lo retornar à matéria informe originária consistia em apagar a palavra "vida" (Emeth) inscrita na testa, e substitui-la pela palavra contrária - "morte" (Meth).

O Golem, naturalmente, para nós, vale como metáfora.
Registem-se, entretanto, dois aspectos que me parecem essenciais: é retirado da massa informe (embrionária); é usado como mão de obra escrava, ou seja: é incutida uma vontade e uma obediência na massa informe.
Além disso, tem o condão de crescer desmesuradamente, até se tornar já não um auxílio, mas uma ameaça.
Podemos conceber a "massa informe" de muitas maneiras: o barro para moldar um ser individual; ou, num outro sentido (se calhar não muito diverso), a "massa humana" -a oclos grega -, a multidão anónima que, de alguma forma, se consegue manipular para um determinado fim -neste caso, de serviço cego ou mão de obra escrava. Em qualquer dos casos, trata-se da extracção a partir da "massa amorfa" duma forma humana, individualizada, que se utiliza para determinadas tarefas.
O resto deixo a cargo da inteligência e da imaginação do leitor.
Acrescento apenas que há por aí estudiosos da "cabala" que reconhecem na demência actual americana alguns traços inquietantes do Golem judaico.

PARA UMA ANTOLOGIA DO TERROR -I. O Nascimento dum Padrão


«O rei Alemão Henrique VII, havia decretado recentemente a livre disponibilização das propriedades de quem quer que tivesse sido condenado por heresia: uma parte dessas propriedades passariam para o senhor do condado, a outra para os herdeiros. Os inquisidores proposeram uma nova fórmula: queimada uma pessoa rica, por indicação deles, o conjunto das suas propriedades devia ser confiscado e dividido entre os vários senhores, incluindo o rei. Durante certo tempo, esta proposta, segundo parece, conseguiu o seu objectivo e os inquisidores receberam o apoio das mais altas individualidades da sociedade.
Conrado Torso e Johannes, dois personagens sinistros, associaram-se ao fanático Conrado de Marburgo e a combinação daí resultante tornou-se incrivelmente poderosa. Vastas regiões ficaram sujeitas à sua vontade despótica e arbitrária. Quem quer que fosse acusado nunca tinha tempo para preparar a sua defesa e era julgado imediatamente. Se era condenado, não se lhe permitia sequer contacto com o seu confessor: era executado o quanto antes, muitas vezes no próprio dia da detenção. A única maneira de escapar à condenação e subsequente execução consistia em confessar a heresia. Mas exigia-se-lhe então uma prova do arrependimento: o acusado era rapado, como símbolo exterior de vergonha; e, além disso, devia nomear e denunciar os seus cúmplices hereges, especificando a "escola herética" em que havia sido instruído. Se não conseguia fornecer uma explicação aceitável, Conrado de Marburgo e os seus acólitos estavam ali para ajudá-lo. Ofereciam-lhe os nomes de nobres influentes, a quem os acusados se apressavam a confirmar: "essa gente é tão culpada quanto eu, estavamos na mesma escola". Havia quem o fizesse para salvar da exprobração e da pobreza os que de si dependiam, mas a maioria fazia-o simplesmente por medo de ser queimado vivo. O terror alcançou tal ponto que irmãos denunciavam irmãos, esposas denunciavam maridos, o senhor apontava o servo, e o servo o senhor.»
Norman Cohn, in "Europe's Inner Demons" (trad. esp. Alianza Ed., pp.48-49)

Estamos no ano de 1231. A Inquisição dá os primeiros passos. Embrulha-se ainda num método caótico, abrutalhado, de feroz e desabrida rapacidade. O processo é sumário e a execução imediata. Aposta-se no choque e no efeito fulminante do facto consumado. Não há, pois, tempo a perder com requintes processuais nem torturas preliminares. É matar o quanto antes e inquirir o quanto menos. No seu momento dealbante, a Inquisição é minimalista.
Mas em Conrado, como em Torquemada séculos adiante, habita já um magistério sinistro e arrepiante: uma culinária do medo, uma mestria ímpar na confecção do terror, com todos os seus preceitos e ingredientes, tal qual podem ser proporcionados nas piores colheitas da alma humana.
É uma culinária que ciclicamente assombra e visita a nossa mesa.
Que tem isto a ver connosco? Tudo. Espreitem à vossa volta...O que é que vêem servido na travessa que aí vem?
Sei que exala vapores negros e vai dar certamente para um opíparo banquete.

segunda-feira, maio 10, 2004

FUNCIONA A MOEDAS



Pois, mais um prodígio da tecnologia americana: a morte em regime de self-service. Não é bem um suicídio: é mais uma auto-execução.

Também pode ser entendido como uma espécie de parquímetro. Prá eternidade.

Mas não se assustem: ainda não foi oficialmente adoptada. Por enquanto, é apenas uma obra de arte e humor negro. Mas com a actual administração e a "evolução" que a democracia americana leva, não me admira que não tarde nada a sê-lo.
É só enriquecê-la com a opção slot-machine e ides ver se no dia seguinte o Texas e o Nevada, pelo menos, não fazem dela o seu ai Jesus!...

A DIETA DO PSD

«Pacheco Pereira defende extinção da JSD
O eurodeputado Pacheco Pereira defendeu no domingo à noite, no programa de Maria João Avillez na SIC Notícias, a extinção da Juventude Social-Democrata (JSD), por ter demasiado peso no partido e ser um mecanismo de carreira política


Desta vez, o JPP teve uma saída com piada. Só que isto, quer-me cá parecer, não vai cair nada bem aos jovens sociais-democratas. Por pirraça, vão desatar a bradar pela extinção da VSD (Velhice Social Democrata). Já estou mesmo a vê-los, eivados de acne e justa indignação, aos gritos: "Então mas agora os velhadas querem o 'mecanismo da carreira política' só pra eles?!"

Por outro lado, Pacheco sabe do que está a falar: conta com a esquerda e e extrema esquerda de hoje para educarem e prepararem, graciosamente, os bons sociais-democratas de amanhã. Como ele.

A NOVA-INQUISIÇÃO?...



«Lida a sentença da Tortura, e enquanto os Carrascos se preparam para a executarem, convém que o Inquisidor e outras pessoas de bem façam novas tentativas para levarem o Acusado a confessar a verdade. Os Verdugos procederão ao despimento do criminoso com certa turbação, precipitação e tristeza para que assim ele se atemorize; (...)
No caso de ele se obstinar sempre a negar, pôr-se-lhe-ão frente aos olhos instrumentos de outros suplícios e dir-se-lhe-á que vai passar por todos eles, a não ser que confesse toda a verdade.
Se enfim o Acusado nada confessar, pode continuar-se a tortura um segundo dia e terceiro, mas com a condição de seguir os tormentos por ordem e nunca repetir os já praticados (...)»

Nicolau Emérico, in "O Manual dos Inquisidores"

Parece que a Nova Ordem Mundial também tem a sua Nova-Inquisição. Mas mais que a obra metodológica de Emérico, parece inspirá-la o subterrâneo negro e literal de Sade. É verdade que continuam a despir as vítimas. Mas note-se que onde os antigos procediam com "certa turbação e tristeza", estes novos campeões operam com indisfarçável volúpia e na maior das galhofas. Enfim, onde os outros se aprimoravam no método, entregam-se estes ao regabofe. Os cow-boys são assim.

Recordações da infância

domingo, maio 09, 2004

A "RIBEIRA DOS MILAGRES"...

O Vasco Pulido Valente, Moisés de serviço à Pátria, largou mais um dos seus chorrilhos característicos. Desta vez baptizou-o com o sugestivo nome de "Imbecilização". Quando ao teor, não comento. Ele fala por si. Teve, não obstante, o grande condão de suscitar algumas respostas bastante menos imbecis que o artigo, e decerto bastante educativas para o vociferante profeta. Isto, claro está, se ele se dignasse descer, por um instante que fosse, do Sinai mitómano onde se empoleirou, a imitar trovões e coriscos de Jeová bilioso, e se dignasse baixar a mira para outra coisa que não o digníssimo - mas ultra protruso e assoberbante- umbigo.
Passo a expôr uma dessas respostas que, imagine-se, encontrei nas caixas de comentários do "Barnabé".
É da autoria do senhor dsousa, pessoa que não conheço, mas a quem quero aqui prestar pública homenagem.

Caro Vasco:
A sua crónica teve sobre mim o efeito de uma sopa de pedra logo ao pequeno almoço ao perceber, não sem alguma dificuldade confesso, que você pretendia teorizar sobre a própria imbecilização. Não precisava. Já o vem fazendo há muito tempo com um contributo pertinaz e, por que não reconhecê-lo, meritório. As pessoas , quando o vislumbram , preferem logo a necrologia, ou , quando muito, refocilam avidamente na página desportiva, qual vara inculta de suínos.Você é realmente assim uma espécie de ribeira dos milagres - as suas crónicas cheiram mal, as pessoas reclamam, mas as descargas continuam.


dsousa, in "comentário a um post do "Barnabé".

Esta minha iniciativa vale o que vale. Se servisse para alguma coisa a meu gosto, serviria sobretudo como exemplo. Para que nós, portugueses, quando nos deparamos com talento nos nossos semelhantes, o passássemos a encarar com alegria e reconhecimento, e não como uma espécie retorcida de ofensa pessoal. Aí sim, teríamos um acto genuíno de cultura, efectivamente acima da suinicultura imperante. E nem era preciso nenhum milagre...nem uma ribeira deles.


ASSEPTIZAÇÃO CONCEPTUAL

«Os interrogadores devem justificar que as técnicas mais rudes são «militarmente necessárias», diz o Washington Post com base em testemunhos de funcionários. Uma vez aprovadas, estas técnicas devem ser acompanhadas pela supervisão médica «apropriada», acrescentou uma fonte da Defesa.»

É a chamada "tortura científica", com supervisão médica, legitimação democrática e intuitos humanitários.

Nada como uma boa asseptização dos conceitos, made in USA.

DESUMANIDADES

«O governo dos Estados Unidos aprovou em Abril de 2003 técnicas de interrogatório que fogem aos padrões normais para serem usadas na base militar de Guantánamo, Cuba. Os detidos são expostos a temperaturas extremas, a música ruidosa ou a luzes brilhantes, informa o jornal The Washington Post. »

Em resumo: submetem-nos ao chamado regime de discoteca. É desumano!


sábado, maio 08, 2004

LIGAÇÕES PERIGOSAS...OU OPORTUNAS?

Para quem esteja interessado em fazer negócios ou investimentos no Iraque pós-Saddam, em ambiente controlado Neocon, existe a IILG (Iraque International Law Group).
Como front man e fundador desta providencial firma de advogados está o senhor Salem Chalabi. O senhor Salem Chalabi, muito a propósito, é sobrinho do senhor Ahmed Chalabi - exactamente, esse cavalheiro outrora fugido à justiça por uma série de crimes e condenações, mas que agora é o «lider do Iraqi National Congress (INC), membro do Conselho Governativo e actual "presidente" do Iraque» .
Outras características relevantes da criatura (o tio Ahmed):
a) Teve grandes audiência e apoios junto do Pentágono, a quem forneceu dados e informações "fidedignas" sobre as Armas de Destruição Maciça, com detalhes e croquis;
b) Impingiu também a história duma rede clandestina de apoiantes no Iraque de Hussein, cuja ajuda seria preciosa aquando da invasão e pós-invasão, mas que afinal, com imensa piada, não existe nem nunca existiu;
c) Partilha com Douglas Feith, seu principal apoiante e número 3 da actual hierarquia Pentagónica (a seguir a Rumsfeld e Wolfowitz), grande quota nestas proezas fantasmagóricas, a que um leigo de geopolítica não resistiria decerto em apelidar de "conto do vigário de destruição maciça";
d) Foi condenado, à revelia, a 22 anos de prisão por um tribunal na Jordânia e em consequência de 31 acusações de fraude, furto, abuso de confiança e especulação.

Entretanto, o senhor Douglas Feith é mais um dos tais "amigos de Israel", com ligações muito estreitas ao Partido Likud e a Ariel Sharon. É autor e co-autor de algumas ideias e planos brilhantes, como, por exemplo:
- o «famoso Clean Break document, publicado 1996, que propunha a deposição de Saddam Hussein como primeiro passo para a remodelação do "ambiente estratégico de Israel" no Médio Oriente»;
- a defesa da legalidade dos colonatos judaicos em terras ocupadas aos Palestinianos;
- a promoção do projecto dum pipeline que fornecesse o petróleo iraquiano directamente a Israel.
Além disso, o senhor Feith é sócio do senhor Zell, na FANDZ International Law Group. O senhor Zell -Marc Zell, um ultra-sionista de direita -, é também um dos sócios da Zell, Goldberg &Co («que afirma ser "one of Israel's fastest-growing business-oriented law firms"»). Por mera coincidência, claro está, é em nome de Zell e com a morada da Zell, Goldberg & Co que está registada a website da IIGL (lembram-se?), e não em nome do seu fundador Salem Chalabi.
Segundo este, citado no the National Journal, em 13 de Setembro, «Mr Zell is IILG's "marketing consultant" and has been contacting US law firms in Washington and New York to ask if they have clients interested in doing business in Iraq».
No dia a seguir à notícia desta joint-venture israelo-iraquiana no Guardian, (em 25 de Setembro) o registo da website da IILG passou do senhor Zell para o senhor Salem Chalabi.
Por seu turno, o senhor Zell, indignado, escreveu uma carta ao The Salon onde protestava não conhecer o senhor Salem de lado nenhum (ao contrário do que sustentava o articulista John Dizhart, na sua peça "How Ahmed Chalabi Conned the Neocons".)

De facto, uma das primeiras conclusões que se podem extrair desta novela prende-se com o próprio significado de "Con". Numa das acepções possíveis ( e a mais apropriada ao caso), "con" significa aldrabar, trapacear, abusar da confiança, iludir. Estes NeoCons têm, sem dúvida, todo o estilo de Neo-aldrabões. Basta atentar até nos amigos e protegidos que escolhem. Mas o que não deixa de ser chocante é como o país mais poderoso do mundo actual e o próprio mundo parecem inapelavelmente reféns duma inominável choldra.
Por outro lado, quem pensa que os angolanos ou africanos quejandos são os campeões do esquema e da falcatrua desengane-se: ainda vão de fraldas, ainda titubeiam à procura. Nos Estados Unidos, em apoteose, isso já se tornou uma epopeia nacional.
Este senhor, que é claramente alguém inside no aparelho informativo americano, vai ao ponto de concluir:
«this disastrous war has been waged by a small group in Washington solely for the benefit of a small group in a foreign country. The billions of American dollars spent (soon to be trillions, as the neocons, in their planned assault on Najaf, are on the verge of their goal of starting WW III), and the hundreds of American lives lost (soon to be thousands), not to mention the irreversible loss of prestige of the United States around the world, has been engineered on behalf of the insane religious fantasies of a tiny group of people in Israel, a group which includes Zell himself. If the American people ever figure this out, you won't be able to find a lamppost in Washington that doesn't have a neocon swinging from it.»

Abençoados candeeiros!...


TREVAS E LUZES

Tem um certo interesse recordar aqui algumas daquelas que eram as "profissões párias" da Idade Média. Em pleno século XII, sob a forte influência duma Igreja pouco inclinada a "modernismos", no index profissional (ofícios desonrosos), figuravam, entre outros:
* Prostitutas
* Magarefes
* Jograis
* Cozinheiros
* Soldados
* Taberneiros
* Advogados
* Juízes
* Notários
* Médicos
* Cirurgiões
* Mercadores
* Banqueiros
Não deixa de ser curioso o destino que a História reservará a estes ministérios: a Idade Moderna procederá à sua reabilitação; a Idade Contemporânea velará o seu triunfo. Nos dias de hoje, sem sombra de dúvida, equivalem, em grande medida, aos ofícios mais bem pagos do planeta. Este desenlace, aos nossos olhos, simboliza o triunfo dessa classe -de prostitutas, cozinheiros, magarefes, advogados, médicos, taberneiros, mercadores e banqueiros-, denominada, no seu conjunto, por burguesia. Em contrapartida, aos olhos severos e pouco elásticos do espírito medieval significaria a glorificação da desonra, a aclamação do ilícito, o império da vileza.
Por muito que nos proteja o santíssimo sacramento da aversão cultivada e promovida a esse tempo de "trevas", quanto mais mergulhamos nos "luzes" resplandecentes destes novos tempos e assistimos às tropelias histriónicas destas novas gentes, mais se instala em nós um profundo mal estar, mais nos assaltam doses crescentes de angústia e sentimentos paradoxais de incerteza. Um dos mais constrangentes é esta suspeita, vaga mas atazanante, de que, se calhar, os medievais não eram tão estúpidos como os pintam.

sexta-feira, maio 07, 2004

CÃES EFECTIVAMENTE PERIGOSOS

Uma portaria governamental recentemente publicada, define as raças de cães potencialmente perigosos. Rottweillers, Pit Bull terriers, e outros tão ao gosto nacional serão, doravante, obrigados a ter microchip e seguro.
A lei, quanto a mim, é benvinda, mas omissa. Esquece os animais de fila e coleira "efectivamente perigosos", ou sejam, aqueles que diariamente causam reconhecidos danos no espírito e ingenuidade das pessoas. Refiro-me, como já devem ter adivinhado, a certa "raça" de jornalistas, analistas e comentaristas que andam por aí à solta, sem açaime nem vacinas, filando e ladrando a seu bel prazer e para alta recreação dos respectivos donos. São os sabujos, pois. E a maior parte dos donos respectivos nem sequer vive cá. É escandaloso!...

Ó Grandes Glórias a Ferver!

Dos Lloyd Georges da Babilónia
Não reza a história nada.
Dos Briands da Assíria ou do Egipto,
Dos Trotskys de qualquer colónia
Grega ou romana já passada,
O nome é morto, inda que escrito.

Só o parvo dum poeta, ou um louco
que fazia filosofia,
Ou um geómetra maduro,
Sobrevive a esse tanto pouco
Que está lá para trás no escuro
E nem a história já historia.

Ó grandes homens do Momento
Ó grandes glórias a ferver
De quem a obscuridade foge!
Aproveitem sem pensamento!
Tratem da fama e do comer,
Que amanhã é dos loucos de hoje!

Álvaro de Campos, "Gazetilha"

quinta-feira, maio 06, 2004

SALA DE CONTRA-CHUTO VI - A Geopolítica peregrina

Compreender os factos está muito para lá do burburinho comentarista e da desinteria opinativa à volta ou a propósito das notícias. A notícia não relecte necessariamente a realidade, mas resume invariavelmente uma determinada perspectiva ou manipulação dessa realidade. Quase sempre, redu-la; quando não a substitui, pura e simplesmente.
A multidão age - ou melhor, reage à notícia, enredada na confusão que a assoberba: tomando-a por informação. Num tempo em que o aparecer substitui o ser, isso não choca, nem preocupa. A voracidade doxofágica da turba é simultaneamente desintérica: o espaço que vai da boca ao reto não é mediado por qualquer tipo de digestão. Engolem e defecam por inteiro.
E todavia, os factos, como os frutos das árvores, têm raízes. Entendê-los é perceber todo um organismo que se sustenta para lá da rama do quotidiano.

O que de seguida se transcreve, consta do livro "Dans les Secret des Princes", no qual Christine Ockrente entrevista o Conde de Marenches. Alexandre de Marenches -que, nas curiosas palavras da entrevistadora, "não é de esquerda, recusa a direita, não é um intelectual, nem um político, nem um mundano, mas um homem de reflexão e de acção" -, foi Chefe dos Serviços Secretos Franceses (S.D.E.C.E) entre 1970 e 1981.




«O. - (acerca do Xá da Pérsia) Disse-lhe por exemplo: "tome atenção, os mollás agitam-se nas suas províncias!"?

M. - Disse, e disse-lhe também: "Atenção ao bazar". Disse-lhe sobretudo: "Atenção à administração Carter!" preveni-o de que essa personalidade inábil sobre o plano nacional e internacional que era o presidente Carter, tinha decidido substitui-lo. O presidente americano era totalmente ignorante quanto às realidades do Próximo e do Médio-Oriente, e quanto às iranianas, entre outras. Durante a curta vida desta personagem-escuteiro de cara afectada que mal saberia onde era o Irão, o Xá foi considerado um mesquinho ditador que metia as pessoas na prisão e, por isso, havia que implantar ali, o mais depressa possível, o sistema democrático à moda dos E:U:A. Suponho que nunca ninguém ensinara ao hóspede da Casa Branca a regra de ouro do Oriente: "Beija a mão que não podes cortar".
Mencionei um dia ao Xá o nome daqueles que, nos Estados Unidos, estavam encarregados de tratar da sua saída e da sua substituição.
Estive até presente numa reunião em que um dos assuntos abordados foi: "Como é que vamos actuar para obrigar o Xá a partir e por quem o vamos substituir?".
O Xá não me quis acreditar. Disse-me: "Acredito em tudo o que me diz, menos nesse ponto. -Mas Alteza, porque é que não me acredita também quanto a esse ponto? - Porque seria tão estúpido substituir-me! Eu sou o melhor defensor do Ocidente nesta região do mundo. Possuo o melhor exército. Sou eu quem detém o maior poder." Acrescentou: "Seria tão absurdo que não posso acreditar!" Após algum silêncio em que reflecti sobre o que lhe ia responder, disse-lhe: "E se os americanos estão enganados?"
Foi o que se passou. Os americanos tomaram a sua decisão. Como sempre, tinham uma visão do país correspondente à dos iranianos com quem conviviam: os que saíam de Harvard, de Stanford ou da Sorbonne e que representavam menos de um por cento da população. Tanto nos Estados Unidos como na Europa, ninguém imaginava que o povo iraniano era composto por pessoas que viviam no século XI. Teriam feito melhor em desistir das recepções -onde nada se aprende e onde só se apanham doenças de fígado - para viver em contacto com os pequenos comerciantes e camponeses. Induzi os meus representantes a seguir essa regra.»


O que, quanto a mim, mais releva destas memórias, é a clara descrição do modus-operandi tipicamente americano: uma mescla de esperteza saloia com irresponsabilidade mentecapta; em suma: a geopolítica novo-rica, essencialmente superficial e caprichosa. A mesma que, com a agravante de intuitos desabridamente hegemonizantes a cavalo em pretextos e contornos nebulosos, presidiu à actual intervenção no Iraque.

A História, apesar de tudo, julgará, daqui a muitos anos, se afinal, os Estados Unidos foram, em grande parte da sua história, factor maior de estabilização ou de instabilização planetários.

quarta-feira, maio 05, 2004

DOS REGIMES

«O melhor regimen político é aquele que permita com mais segurança e facilidade o jogo livre e natural das forças (construtivas) sociais, e que com mais facilidade permita o acesso ao poder dos homens mais competentes para exercê-lo. É escusado acentuar que esse regimen variará de nação para nação, e, em cada nação, de época para época.
Sucede com o regimen democrático que, tendo, por sua mesma natureza, a primeira vantagem, é, por essa mesma natureza, o pior com respeito à segunda. A sua base liberal, dando azo a que as forças individuais se expandam sem constrangimento, garante a plena valorização destas forças, quanto nelas caiba. Mas o basear o seu sistema de governo num apelo a maiorias, forçosamente ignorantes e incultas -ou absolutamente, ou pelo menos, em relação ao resto do país - faz com que o acesso ao poder seja quase limitado a homens dotados para dominar ou sugestionar as maiorias, e as qualidades exigidas para esse fim não são as mesmas -são até por vezes contrárias - às que são exigidas para o governo de uma nação. (...)
O homem que domina multidões num comício facilmente se capacita de que dominará números num orçamento. É absurdo como lógica, natural como psicologia.»

Fernando Pessoa, in "Teoria da República Aristocrática" [79]

Os grandes poetas são assim: profetas.

SALA DE CONTRA-CHUTO V - As ADMs (Armas de Destruição Macia)

Neste mundo, como dizia o outro, nada se perde, nada se ganha, tudo se transforma. O lixo radioactivo resultante do urânio usado na alimentação das centrais nucleares, por exemplo. Descobriu-se que, com ele, se podiam fazer umas munições perfurantes muito mais eficazes que as convencionais. Baptizaram-nos, os seus inventores americanos, de "DU Munitions" (Depleted uranium munitions). Servem, essencialmente, para perfurar blindagens (tanques de guerra) e betão ou obstáculos renitentes (bunkers, abrigos subterrâneos, etc). São comprovadamente eficazes e são também, detalhe ainda mais relevante, um excelente negócio na indústria de armamento.
Foram usadas, em grandes doses, na primeira Guerra do Golfo, nos Balcãs e estão a ser usadas na actual Guerra do Iraque, bem como no Afeganistão.
Mas este fármaco excelente, apresenta alguns efeitos secundários menos interessantes e envoltos em nebulosas polémicas...
«Num estudo da Administração de Veteranos, em 251 veteranos da primeira guerra do Golfo, foram descobertas deficiências graves de nascença em 67% das crianças nascidas depois da guerra. Nasceram sem olhos, cérebros, órgãos, pernas, braços, mãos, pés, ou com doenças de sangue ou outras relacionadas com envenenamento por radiação. As crianças iraquianas também apresentam efeitos à nascença e uma elevada incidência de leucemia. Na década após a guerra do Golfo, todos os meses, o número de bebés nascidos com deficiências e mutações aumentou

Naturalmente, o Pentágono, tem as munições em alta estima e desvaloriza o avolumar de casos e indícios, mas...
«Washington's insistence that depleted uranium (DU) munitions are not toxic has been undermined by revelations that four U.S. soldiers recently home from Iraq are suffering from radiation poisoning
«O principal problema, segundo os especialistas, resulta do facto das munições DU se vaporizarem aquando do contacto, gerando poeiras que podem ser facilmente inaladas para os pulmões.»
«Several months ago a dozen soldiers from the National Guard's 442nd Military Police Company, stationed south of Baghdad, began suffering from dizziness, diarrhoea, blurred vision and other symptoms. Independent tests carried out by a New York newspaper found that four had high levels of depleted uranium in their systems.»
«The news does not come as a surprise for doctors working in parts of the world that have been bombarded with DU weaponry, such as Iraq, Afghanistan and the Balkans».

Tanto no Iraque, como no Afeganistão, os Americanos e Ingleses despejaram vários milhares de toneladas de munições radioactivas. Se os seus próprios soldados, que dispôem de protecções e estão prevenidos, adoecem, imagine-se os resultados a médio e longo prazo sobre a população.
«Afghanistan is a disaster in the making," said Mohammed Daud Miraki, an Afghan doctor based in the United States who is trying to raise funds to clean up his home country. "I have seen children in the south and east of the country born with monstrous deformities, including huge tumours, and even no skin

Faz-se uma guerra em nome da desactivação de Armas de Destruição Maciça e usa-se para o efeito Armas de Destruição "Macia"...Que sentido faz isto? Vai-se combater a sujidade com mais sujidade ainda? Depõe-se um Saddam infame e desumano através de métodos e recursos tão ou mais infames?

De que lado está afinal a barbárie? Quer dizer, onde é que ela não está?

O problema não se chama Estados Unidos, Grã-Bretanha, Iraque, Irão, China, etc, ou qualquer antipatia ou simpatia redutoras. O problema, só não vê quem não quer (ou quem julga que, à maneira do chacal, pode vir a lucrar umas migalhas do leão), o problema, dizia, está naquele meta-bando que se serve de estruturas nacionais, tecnológicas e científicas para seu exclusivo proveito egocêntrico e prejuízo indiscriminado da Humanidade. Esses tais que tudo submetem ao primado terraplenante de todos os valores civilizacionais: o mega-lucro - cego, desumano, impiedoso.

Que tipo de gentalha é que se está a apoderar do planeta e a envenenar o futuro das gerações vindouras?

Se não são extraterrestres, parecem.

terça-feira, maio 04, 2004

O PENSAMENTO PEREGRINO I - A Direita Pimba

Certos pensadores peregrinos, na blogosfera portuguesa, estão a proceder a uma revolução de conceitos. Graças a uma conjuntura favorável e a ventos, acreditam eles, de feição, lançam-se em remodelações espectaculares. O conceito de "direita", por exemplo...
Nada de complicações nem tradicionalismos. Agora, por via dos denodados esforços de gente iluminada, arrumadora, resume-se ao seguinte:
1. Acreditar, pia e bentamente, que os Estados Unidos são o farol único e exclusivo da civilização ocidental;
2. Crer, cega e histericamente, que a Administração Bush é a salvação da América e do Mundo;
3. Ter no Estado de Israel a sua segunda pátria (quase a par com a primeira: os Estados Unidos);
4. Tomar como acto santificado e transcendente qualquer daqueles que é praticado pela Administração Bush ou pelo Estado de Israel;
5. Banir do pensamento todas e quaisquer pensamentos sobre o passado ou futuro (cúmulo da heresia) e manter a mente fixa neste momento paradisíaco -que deve ser perenizado-, em que os Estados Unidos dominam o mundo, a Administração Bush domina os Estados Unidos e o Estado de Israel domina a Administração Bush;
6. Jurar fidelidade absoluta ao dinheiro, venerando-o como fonte única e absoluta de todo o Bem; bem como reconhecer na sua carência a origem de todo o Mal;
7. Todo aquele que duvide ou não partilhe entusiastica e alarvemente destes fundamentos, será injuriado e escarnecido na praça pública, olhado com rancor e desprezo, coberto de opróbrios como “comunista”, “nazi”, “esquerdalho”, “intelectual”, “civilizado”, “extremista”, “terrorista”, etc.
8. Qualquer recurso, por mínimo que seja, à coerência, à lógica ou à inteligência será de pronto alvo de chacota e galhofa imbecil;
9: Odiar com todas as forças tudo o que exceda um discurso semi-gutural, feito de repetições pacóvias e arrotos solenes, entremeado de rosnadelas sonsas e latidos rituais;
10. Rezar todos os dias, antes e a seguir às refeições, ao deitar e acordar, o seguinte credo:
Creio na Direita Pimba, na Direita Hooligan, na Direita Bruta
Toda poderosa, proprietária do Céu e da Terra!
Creio no Bush Pai, no Bush Filho e no divino Banco Espirito Santo!
Creio no dinheiro, na pilhagem e na lei do mais forte!
Creio no PP, no VPV e na CNN!
Creio no meu interesse, no meu conforto e na minha conveniência!
Creio no meu umbigo, no meu postigo, no meu casulo!
Creio na Benethon, na Chevignon e no Macdonnalds!
Creio na Santa Cunha, no Grande Tacho no apelido e nos amigalhaços!
Creio na babugem, na bandalheira e na mordomia!
Creio na pato-bravura, material e cultural, na casinha pinipon das ideias
Com leões de pedra e jarrões berrantes de guarda ao raciocínio!
Creio no penteado, na gravata, na manicure e no sorriso falso!
Creio no leasing, no marketing e no Big-bang-bang!
Creio no diploma, no curriculum, na carreira!
Creio no automóvel, no telemóvel e na classe VIP!
Creio na pornografia, na pornocracia e na microsoft!
Creio na pseudo-elite, no passe-vite e no puré mental!
Creio na dependência, na subserviência e na aleivosia!
E creio, acima de tudo, na amnésia e na engenharia
Com que me redimo da mãe bimba e sopeira
Da infância ranhosa na Parvalheira
E ascendo ao Olimpo nectarino da Economia!

Por último, é preciso reconhecer que estes novos-duros, da vociferação pronta e traulitada bendita, romperam nestes propósitos graças à coragem inerente a uma singela e exclusiva convicção:
- A de que têm as costas quentes.
Sobra-lhes, no entanto, em falsa valentia o que lhes falta em simples vergonha e bom-senso. E tão ufanos da peregrina bravura, fruto radiante das costas protegidas, nem reparam no bafo quente que lhes cobre a nuca, nem no corpo estranho que lhes invade o cu.
Mas a sintomatologia, aos olhos do observador frio, imparcial, é óbvia.

SALA DE CONTRA-CHUTO IV - O Outsourcing

«In an attempt to fill the gap between the demand for professional forces and the limited number deployed, an array of traditional military and intelligence roles have been outsourced in Iraq, all without public discussion or debate. There are up to 20,000 private contractors operating in Iraq, carrying out military roles from logistics and local army training to guarding installations and convoys. »

«Among the most stunning decisions taken is the handover of the interrogation of prisoners of war to private firms. Employees from the firms Caci and Titan now reportedly fill such roles as interrogators and translators. The work can be quite lucrative. Titan just won a $172m deal to supply "analytical support" for US military operations; its employees can make over $100,000 a year. »

«The lack of rules and regulations for the industry has serious ramifications. A US army investigation found behaviour that went well beyond accepted interrogation tactics, including making prisoners perform simulated sex acts and putting glowsticks in bodily orifices. The perpetrators even took over 60 pictures, including the infamous shot of an Iraqi prisoner standing on a box with his head covered and wires attached to his hands. He was told if he fell off the box he would be electrocuted. One civilian contractor is accused of raping a young man

«Soldiers are accountable to the military code of justice wherever they are located, but contractors are civilians - not part of the chain of command. »

«Normally, an individual's crimes would then fall under the local nation's laws. But there are no established Iraqi legal institutions - that is why we are running their prisons in the first place - and, in any case, coalition regulations explicitly state that contractors don't fall under them. In turn, because the acts were committed abroad, and also reportedly involve some contractors who are not US citizens, the application of US law is problematic. As one military lawyer said: "There is a dearth of doctrine, procedure, and policy."

Em resumo: O Outsourcing militar é uma coisa maravilhosa. Parece que se ganha muito dinheiro, as guerras tornam-se ainda mais rentáveis do que já eram e, ainda por cima, existe um vácuo legal que coloca os operadores fora de qualquer alçada jurídica. O caso Iraquiano é paradigmático a esse respeito. Os torcionários contratados da "Caci International e da Titan" exercem impunemente o seu mister. Pra quem conheça minimamente estes meandros, é mais que certo que essa "impunidade" está lavrada no próprio contrato de prestação de serviços.
Os advogados dos militares entretanto arguidos no processo de Abu Gharib, afirmaram que «os seus constituintes não passam de bodes expiatórios num sistema ignóbil de prisões militares, em que os mercenários dão ordens sem nenhuma responsabilidade legal».

Por outro lado, para quem julgue que é apenas o exército que entrou em regime de outsourcing, desengane-se: parece que a CIA também. Quem duvide é só visitar a CaCi International Inc...


O que também parece cada vez mais evidente é que não só as mega-empresas ou oligopólios (via outsourcing) apresentam capacidades de intervenção militar, a vários níveis, como, não deve tardar muito, poderão encomendar tarefas completas: como golpes de estado ou acções de desestabilização em larga escala.

Dos escombros do WTC, parecem estar a germinar plantas deveras curiosas. Uma das ideias mais propaladas e repisadas, por relatórios, declarantes e comissões, foi a de que os serviços nacionais de segurança, dos Estados Unidos, não funcionaram (e funcionam mal). Este, é um leitmotif recorrente nos nossos dias, onde a verborreia neo-liberal impera. Mas neste particular caso parece estar a dar os efeitos desejados e a muito curto prazo: a "privatização" desses serviços públicos disfuncionais.

A Caci Inc é clara nas "intelligence solutions" que disponibiliza:

*Help America’s intelligence community collect, analyze and share global information in the war on terrorism
*Focus on two distinct customer categories
*National Strategic and Law Enforcement
*Tactical and Military Service
*Support multiple disciplines
*Uncover terrorist activity by providing capabilities ranging from complex space-based operations to human source intelligence

Francamente, não sei se o Bin tem percentagem no negócio.