Aqui há dias o Sir Bob Ganzas tinha feito uma mirabolante descoberta: que Angola era governada por malfeitores. Pensei para com os meus botões: "só agora, Sir Bob? E só Angola?..."
Terça-feira, Novembro 24, 2009
Diz o Morto ao Nu (rep)
Publicada por dragão em 11/24/2009 12:00:00 AM |
Domingo, Novembro 22, 2009
Deus o guarde
Como ando sempre noutro planeta, só agora me apercebo dum, para mim, inesperado desenlace. Um de nós partiu para onde todos nós partiremos quando chegar a nossa hora. Ao Jorge Ferreira, um até sempre! À família enlutada, os meus sentidos pêsames e a uma amiga comum, a minha caríssima Margarida, um abraço de solidariedade neste momento de profunda tristeza.
"O Homem é o sonho de uma sombra".
-Píndaro
Publicada por dragão em 11/22/2009 11:36:00 PM |
Questões...Tantas questões, tão pouco tempo (rep)

«Uma em cada cinco mulheres é agredida pelo marido».
Primeira questão: Um em quantos maridos é agredido pela respectiva? A tortura, especialmente psicológica, também conta?
Segunda questão: Um em quantos casais é agredido pelos mimosos filhos?
Terceira questão: Um em quantos professores é agredido pelos jovens alunos?
Publicada por dragão em 11/22/2009 11:16:00 PM |
Obscurantismo
Sócrates, segundo Platão, em pleno tribunal:
(Platão, Apologia de Sócrates)
Publicada por dragão em 11/22/2009 12:46:00 PM |
Etiquetas: Em banho Maria, que é como quem diz: em lume brando.
Sábado, Novembro 21, 2009
E Pluribus Unum
Mas está escrito que Jesus haveria de voltar para dar cabo das bestas do Sporting (cuspo) e do reinado do Dragão (cuspo,cuspo!). E por isso Deus é Luz. Estádio da Luz, percebem?
Amanhã volto para explicar a entomologia de "E Pluribus Unum". Agora tenho putas para visitar.
SLB! SLB! GLORIOSO, SLB!!
Publicada por Engenheiro Ildefonso Caguinchas em 11/21/2009 06:03:00 PM |
Etiquetas: O fado é que induca, o vinho que instroi...e a bola é que salva.
Quinta-feira, Novembro 19, 2009
A grande purga
- Mircea Eliade, "Zeus e a Religião Grega", in História das Ideias e Crenças Religiosas
Comecei a grande purga. Este Eliade quer enganar quem? Religião quê?!...
Publicada por dragão em 11/19/2009 08:49:00 AM |
Quarta-feira, Novembro 18, 2009
A Mãe do atrevimento
Termino com uma passagem de outro dos autores, além de Homero e de tantos outros, da Ética de Aristóteles:
«Muitos são os assombros do mundo, mas o homem supera-os a todos. (...) Com a sua astúcia chega a domar as feras agrestes das montanhas e subjuga o cavalo de longas crinas e o touro indómito dos montes.
- Sófocles, Antígona
Publicada por dragão em 11/18/2009 09:51:00 PM |
Terça-feira, Novembro 17, 2009
O Que eu aqui escrevi em Junho de 2004
Agora não me apanham noutra. Sei que a seguir ao Durão, poderá perfeitamente irromper um desqualificado ainda pior, um troca-tintas ainda mais descarado.
Por isso, e é mais que suficiente, não me surpreenderá nada que o Santana seja o próximo PM.
Mas quero deixar bem claro o seguinte: Quando tipos do jaez dum Durão Barroso conseguem ascender ao segundo mais alto cargo da nação, estamos conversados: Qualquer um pode (desde que não possua princípios, escrúpulos, ideias, ou vértebras, bem entendido). Se se tratasse de escolher um cidadão competente, um tipo sério, honrado, bem mais interessado em servir o país do que servir-se dele, isso, acredito, seria difícil. Requereria, no mínimo, mérito, inteligência, responsabilidade, cultura. E, sobretudo, empatia entre governantes e governados. Mas como é o contrário disso, como a lógica vai de patas pró ar, nada mais simples: peguem no Santana, na Ferreira Leite, no Portas, no Pacheco, peguem na pandilha partidária toda, esquerdas e direitas (a merda só varia na cor e teor gasoso), peguem até nos Delgados, Vascos - rotos e ratos-, ou qualquer outra prostituta de jornal, enfiem essa tralha invertebrada e viscosa toda num balde, um grande balde, um penico bem espaçoso (não se esqueçam que a porcaria é muita), agitem com energia, misturem bem a mixórdia, e tirem à sorte. Convoquem uma peixeira ou um trolha para extrair o feliz contemplado, sempre dá colorido à coisa, confere - senão solenidade - pelo menos pitoresco ao acto, e pronto, aí tendes. Seja quem for, é irrelevante e ficareis bem servidos. Cagar-se-á para vós, tanto quanto vós vos estareis cagando para ele. Incomoda-vos o vocabulário? Mas a substância não. Devia ser o contrário.
Em Portugal chegou-se a um estado de putrefacção tal, que o burburinho dos vermes já se confunde com a agitação das massas. Ora, as massas, poderão ser alarves, mas não são parvas. Já perceberam que tem mais conteúdo o futebol que a política. E tem. Tanto que é esta que imita aquele, e não o inverso.
De não ser governado, o país viciou-se no desgoverno. Vai à deriva. Entregue ao salve-se quem puder. A clamar por rebocadores, por balsas e bálsamos salva-vidas. A enviar SOS desesperados e apitos lancinantes ao nevoeiro. A invocar Nossa Senhora dos Aflitos e a Providência Divina. E, o que é pior que o resto, a tomar por faróis meros fogaréus de afundadores.
Cada qual agarra-se ao destroço que a vaga destribui e, uma vez montado nele, trata de demover a concorrência. Cada qual chafurda nas ondas o mais que pode, escoicinha, esbraceja, e convence-se que nada, que lá vai resistindo, o melhor que pode, opondo o proverbial instinto de cortiça ao chamamento abissal do fundo.
Governantes e governados execram-se mutuamente. Odeiam-se, sem trégua nem quartel. Não havendo resquício de empatia que os una, tiram desforço empaturrando-se numa antipatia recíproca e inoxidável. As eleições equivalem a ajustes de contas; as urnas a esquifes de facto. O povo sempre estimou, mais que arenas, cadafalsos. Assim, anda quatro anos a reunir provas, a recolher denúncias, a compilar testemunhos, para no fim ter o prazer de vê-los rastejar, aos bandalhos arguidos, uns em penitência, outros em sanha justiceira ou delíquio dengoso, mas todos de roda do patíbulo, vassalos da sua saliva, do seu voto, do seu escárnio e veredicto triunfante. Os eleitos, por seu turno, traumatizados por este martírio cíclico, garantido, nos intervalos dos sufrágios, nos interlúdios dos calvários, vingam-se e fazem pagar com juros a prerrogativa dos carrascos. E, com isso, lá vão juntando lenha para o seu próprio auto. Mais que um projecto comum, é, pois, um jogo, uma joint-desventure. Tudo está bem quando acaba mal. E para que o gáudio se maximize convém que o mal seja cada vez maior. Que exorbite e transvase sem parar. O prazer, a volúpia capital, não está em eleger, mas em deitar abaixo, em arrear, em arrastar pela lama e pelos cabelos, até à guilhotina apoteótica. Desta lógica retorcida, resulta um paradoxo mirabolante: um governo é tão mais divertido, entertainer, quanto pior for. Um governo péssimo, como o actual, na hora do acerto, é garante dum gozo superlativo. Não é por acaso que a multidão escolhe governos cada vez piores. Já Esopo referia o requinte.
Portanto, meus amigos, se não houver eleições, vai ser o Santana. E se houver, vai ser outro qualquer, no mínimo, tão recreativo quanto ele. Isto, pelo menos, eu sei.
Fartai-vos nele e fartai-vos dele. É o costume. Bom apetite! E bom proveito!...
Peço desculpa por esta interrupção, Aristóteles segue dentro de momentos.
Prever o futuro é difícil. Ao contrário da ausência dele, como acabei de demonstrar.
Quem esquece o passado, mata o futuro.
Publicada por dragão em 11/17/2009 10:03:00 PM |
Segunda-feira, Novembro 16, 2009
Século IV aC
- Aristóteles, "Ética a Nicómaco" (Liv IX, Cap.VII)
"Ama o teu semelhante como a ti mesmo", dirá quem?
Publicada por dragão em 11/16/2009 10:58:00 AM |
Sexta-feira, Novembro 13, 2009
Palavras com raiz - 7. Lei

A palavra Lei radica no latino Lex. Os significados de Lex são vários: Moção proposta por magistrado perante o povo; projecto de lei; contrato; pacto; convenção; ordem; obrigação; cláusula; condição. Aparentado a lex, temos também lexis -palavra, expressão -, donde o nosso "léxico".
O desenlace lógico desta cultura da "lei" séculos adiante? Maquiavel. Se não há regra, a lei do mais forte refina-se no mais forte colocar-se acima e dispensado de quaisquer leis.
Ou dito de outro modo: sem regra, a lei reflecte apenas as fantasias e aleivosias do momento a ferver e de quem nele a dita. Desliga-se da própria justiça e nenhuma virtude consagra. Vale a pena, a este propósito, escutar Aristóteles, na sua Ética:
«Razão houve, pois, para dizer que se faz justo o homem quando executa acções justas, temperado quando executa acções de temperança, e que caso não se pratiquem actos deste género é impossível que alguém chegue alguma vez a ser virtuoso. Porém, o comum das gentes não pratica estas acções e, locupletando-se de vãs palavras, criam mais uma doutrina e imaginam, através deste método, que adquirem uma virtude. Isto é, por assim dizer, o mesmo que fazem os enfermos que escutam muito atentos os médicos, mas que não fazem nada do que estes lhes receitam; e, assim, como uns não podem ter o corpo são cuidando-se dessa maneira, também os outros não terão jamais sã a sua alma, filosofando desse modo.»
A virtude pressupõe um hábito, um costume, um ethos. Isto é, a virtude pressupõe uma regra. Bom é, por regra, agir bem e não apenas agir obrigado por uma lei. Porque em não sendo voluntário, não é livre; e não sendo livre, não é deliberado, não é intencional, logo não pode ser virtuoso. Se atentarmos na nossa sociedade actual, constatamos uma permanente enxurrada de leis, decretos, multas e burocracias de toda a espécie para coagir os cidadãos a determinados comportamentos, inibições ou desregramentos. É, nua e crua, uma sociedade de escravos - de escravos que acreditam estupidamente que a emancipação de toda a regra significa liberdade, quando apenas consolida a submissão inerme à tirania cada vez mais despótica, opressora e totalitária da lei (e de quem a pilota ou teledirige). Uma lei, sublinhe-se e recorde-se, evadida da regra.
Chamam progresso a um regresso: ao Caos.
PS: Sim, eu sei que a Igreja, através de Tomás de Aquino, tentou bravamente arrepiar caminho . Mas suspeito bem, e a história indicia-o, que tarde demais. Os platónicos do costume já avançavam de dentuça arreganhada, patas na matéria livre, cornos nas nuvens matemáticas e a ciência moderna em riste. Ora, para as cacofonias mundanas, o Maestro Cósmico está-se bem nas tintas.
Publicada por dragão em 11/13/2009 08:44:00 AM |
Quarta-feira, Novembro 11, 2009
A Disfunção pública (rep)
Publicada por dragão em 11/11/2009 11:29:00 AM |
Terça-feira, Novembro 10, 2009
Civilização helénica
Depois do Céu ficar prometido aos "pobres de espírito (ou em espírito)", estaria assim a Terra destinada aos "mansos".
Até porque o texto no original diz isso mesmo: "makarioi oi praeis". É certo que "praos" também pode significar manso, mas porquê traduzir "manso" e não "sereno", "suave" ou "benévolo" em se referindo a humanos?
As palavras de Jesus Cristo, segundo Mateus, no meu modestíssimo entender, andarão mais próximas disto:
«Bem-aventurados (eternamente felizes) os benévolos porque herdarão a Terra».
O que é que isto tem a ver com judaísmo? Rigorosamente nada.
Viveu antes de Cristo, alguns séculos, e chamava-se Aristóteles. (Ética a Nicómaco, Livro IV, cap. V)
Judaico-cristão é um oximoro. Dos mais gritantes e dignos de indignação.
E agora que, decerto, já despertei a cólera duns e reavivei os rancores de outros, retiro-me. Tranquilamente.
Publicada por dragão em 11/10/2009 10:48:00 AM |
Domingo, Novembro 08, 2009
À beira da sepultura
O método analógico ainda é o melhor. Imaginando a civilização como um automóvel, a ciência corresponderia ao acelerador, a religião ao travão e a filosofia ao volante. Numa civilização saudável, como num conjunto motorizado em perfeitas condições de funcionamento e operação, prevaleceria uma harmonia entre os diversos órgãos de condução. Sem acelerador, a máquina não avança; sem travão, despista-se seguramente; sem o volante, não viaja nem logra um destino. Da mesma forma, o excesso de acelerador, como o excesso de travão, ou o excesso de guinadas no volante não constituem forma fiável de condução. No momento em que a nossa civilização, segundo dizem, despontou, na Grécia Antiga, posso garantir, um conceito congregava as obsessões daquela boa gente: equilíbrio. Vinte e muitos séculos depois estamos nos antípodas do nosso próprio berço: a actual cultura equivale a um veículo sem volante, quase sem travões e com o acelerador a fundo. Mais que à beira do desastre, eu diria que nos encontramos à beira da sepultura.
Publicada por dragão em 11/08/2009 11:19:00 AM |
Sábado, Novembro 07, 2009
Resfolegar

Mandei lavar o convés, remover as teias do tombadilho e desenferrujar os canhões. Com um bocado de sorte, ventania a preceito e vaga de feição, isto ainda navega!...
Sete fôlegos, dizem, tem o gato. E não voa.
PS: Fala-se muito em direitos de autor. É como tudo: devia falar-se, sobretudo, em deveres de autor. O de não se vender feito puta seria o principal de todos eles. Ocorreu-me esta bela ideia, anteontem, ao entrar no "Continente" e deparar logo de entrada com uma esquina onde competiam, em maquilhagens de lupanar, a última do Saramago e a última do Dan Brown. Se a alfabetização foi para isto, então, em verdade vos digo: abençoados os analfabetos!
Deixo-vos com esta verdadezinha final, para meditarem nas horas livres: quanto mais baixo desce o homem, mais inclinado e autorizado se sente a julgar e corrigir Deus.
Publicada por dragão em 11/07/2009 12:03:00 PM |


